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quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

Jogos de Prazer (Boogie Nights) 1997

Eddie Adams (Mark Wahlberg) é um jovem de 17 anos sexualmente bem-dotado. Ele é descoberto por Jack Horner (Burt Reynolds), um realizador veterano que o transforma em Dirk Diggler, uma celebridade da subcultura do mundo porno no apogeu dos anos 70. O sucesso faz com que Eddie se envolva no mundo das drogas e a fama pode ter um preço.
Embora "Boogie Nights" não seja o primeiro filme de Paul Thomas Anderson, foi o trabalho que o trouxe para a ribalta, e a primeira exposição que muitos puderam ter do seu excelente trabalho. Como já era evidente no seu filme anterior, "Hard Eight", Anderson tem um talento especial para a caracterização, e em usar o movimento de câmara e a música para criar sons tão bem, que poderíamos dizer que vinha de um Scorsese. Apesar de nem todos possam achar o filme do seu agrado, alguns possam considerar longo demais ou fora de foco, não há que negar que o filme seja corajoso, e tenha momentos de um brilho inegável. 
Anderson tinha apenas 26 anos quando escreveu e realizou o filme, e conseguiu reunir um grande elenco entre jovens actores em ascensão, e estrelas já firmadas. Para além de Whalberg e Reynolds, contava com Julianne Moore, John C. Reilly. Don Cheadle, Heather Graham, William H. Macy, alguns deles viriam a ser recorrentes nos futuros filmes do realizador. Valeu 3 nomeações para os Óscares: Reynolds, Moore, e o argumento. 

quinta-feira, 21 de março de 2019

Golpe Baixo (The Longest Yard) 1974

Burt Reynolds é Paul Crewe, um ex-jogador de futebol americano que caiu em desgraça e que foi banido da NFL. Preso por agredir um guarda e resistir à prisão, acaba em uma penitenciária cujo diretor (Eddie Albert) mantém um time formado pelos guardas. Pressionado, Paul forma um time de presidiários, aos trancos e barrancos, do qual fazem parte figuras que, de outra forma, se odiariam. Todos com um propósito em comum: ir à forra contra os guardas opressores, dando neles uma surra daquelas. Paul Crewe, por sua vez, enxerga no jogo a sua chance de resgatar a honra perdida.
"Golpe Baixo" (the longest yard) é um veículo e tanto para Burt Reynolds. Com roteiro de Tracy Keenan Wynn, em cima de um argumento de Albert S. Ruddy, o filme é dirigido pelo mestre Robert Aldrich. Se, essencialmente, o que temos é uma história sobre inconformismo e anti-autoridade (além de lidar com um tema caro ao cinema americano: o da segunda chance, ou, parafraseando Paulo Vanzolini, o do levanta-sacode-a-poeira- e-dá-a-volta-por-cima), com Aldrich na direção é inevitável a sensação de que vemos um repeteco de seu "Os Doze Condenados" (the dirty dozen - nota do autor: um dos filmes da vida deste que vos escreve). Os elementos se repetem: um outsider recruta um bando de facínoras, mequetrefes, pústulas, pulhas mal encarados e demais sujeitos de maus bofes,e os treina para uma missão quase impossível.
E que elenco de párias! Trata-se de um verdadeiro quem é quem de character actors, dos melhores que Hollywood já viu: Ed Lauter (cuja cara parecia talhada num pedaço de madeira), o varapau Richard Kiel, Robert Tessier, Mike Henry e outros.
Mas o grande destaque é o jogo entre guardas e prisioneiros no qual o título brasileiro do filme se mostra plenamente justificado. São 47 minutos em que Robert Aldrich faz uso de uma edição frenética, transformando o jogo visto na tela em uma cópia perfeita de uma partida verdadeira, com a montagem paralela, com imagens do jogo intercalando-se às imagens da torcida, do banco de reservas, slow motion, sons de ossos se partindo, corpos se batendo.
Esse é um dos filmes que fazem parte da minha memória afetiva. Eu o vi, pela primeira vez, em 1985, aos doze anos, quando foi exibido na televisão, e nesses anos que se passaram - nesses 34 anos -, em todas as suas reexibições, em cada uma delas era como se "Golpe Baixo" fosse uma novidade para mim. 
Não esperem uma obra prima do cinema, ou mesmo um filme de incomparável qualidade artística, ou mesmo um desses cult movies que vão do nada para lugar nenhum,sabe? Desses filmes que sao uma espécie de pré tudo e pós nada cinematográfico? Nada disso. O único intuito de "Golpe Baixo" é divertir, e nisso ele é bem sucedido.
* Texto da autoria do Alexandre Mourão.

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sábado, 19 de novembro de 2016

Capítulo 6 - Policial

Foi ainda no início deste blog que eu fiz um ciclo chamado "Policiais dos anos 80". Foi um ciclo que me deu bastante prazer a fazer, e pelo qual deu para perceber o "boom" do cinema policial nesta década, acompanhando igualmente a explosão do periodo do VHS. Se houve um género que os video clubes ajudaram a desenvolver foram os policiais. Muitos deles não tiveram a devida divulgação nas salas, com passagens despercebidas, enquanto outros se tornaram autênticos sucessos, como "Beverly Hills Cop" ou "48 Hours". Se seguirem este capítulo aconselho também a seguirem o ciclo dos "Policiais dos anos 80", caso não o tenham feito já.

A Máfia em Paris (Détective) 1985
Dois detectives investigam acontecimentos estranhos num hotel em Paris, enquanto um pugilista se prepara para um importante combate. Ao mesmo tempo entra em cena um casal que quer ajustar contas com o empresário do pugilista, e alguns malandrins, que tentam reaver dinheiro que lhes é devido.
Jean-Luc Godard no território do policial, puro e duro. Aqueles não familiarizados com as histórias de Godard. o uso intrusivo de música clássica, certamente que encontrarão neste filme uma experiência perturbadora. Mas os fãs de longa data do realizador facilmente reconhecerão aqui algumas obsessões familiares: a dificuldade em determinar a "verdade" de qualquer coisa, os constantes mal-entendidos entre os homens e as mulheres, o caos da vida urbana, e o impacto dos mídia em tudo, desde o desporto até ao sexo. O filme pode ser considerado como um tributo ao film noir. Os homenageados no grande ecrã são John Cassavetes, Edgar G. Ulmer, e Clint Eastwood. 
Contavam-se pelos dedos de uma mão os filmes de Godard disponíveis em VHS. Para além deste, só havia mais 4: "Atenção à Direita", "O Desprezo", "Eu Vos Saúdo, Maria" e "Pedro, o Louco". Dois clássicos, e três contemporâneos, era tudo o que havia do realizador.
Imdb 

Morto à Chegada (D.O.A.) 1988
Um professor universitário e escritor (Dennis Quaid) chega, já envenenado, a uma esquadra da polícia, mas ainda ajuda a descobrir quem o envenenou. O título do filme, "D.O.A.", significa "dead on arrival", mas convém esperar para ver se o herói acaba mesmo morto no fim. Para descobrir o assassino o protagonista vai contar com a ajuda de uma aluna, interpretada por Meg Ryan.
Estreia na realização de uma dupla de realizadores, Annabel Jankel e Rocky Morton, que só fariam mais um filme na carreira, o terrível "Super Mario Bros.". Aqui fazem um remake de um famoso noir dos anos cinquenta, realizado por Rudolph Maté. Os dois realizadores criaram a personagem de Max Headroom em 1984, e estavam destinados a ser uma dupla de sucesso, mas o fracasso de "Super Mario Bros" parece ter condenado a sua carreira. É essencialmente um filme de perseguição, com um ritmo rápido e algumas boas interpretações. Meg Ryan aparece aqui em inicio de carreira, pela segunda vez contracenando com Dennis Quaid, com quem tinha inciado uma relação durante as rodagens de "Innerspace". 
O filme também tinha um bom elenco de secundários: Charlotte Rampling, Daniel Stern e Brion James. 

Crime em Campo de Cebolas (The Onion Field) 1979
Dois polícias (John Savage e Ted Danson) abordam dois tipos na estrada por causa de um farol no carro onde viajavam. Acabam por ser desarmados e ficam reféns dos dois homens. Um dos policias é morto num campo de cebolas, o outro consegue fugir. Daqui para a frente o filme gira à volta do policia que ficou vivo, e dos dois criminosos que foram logo capturados e agora disputam na justiça o adiamento da sua pena de morte.
Realizado por Harold Becker em inicio de carreira, um realizador que se tornaria especialista no policial e o no thriller, e que teve no seu melhor filme "Sea of Love", com Al Pacino e Ellen Barkin. A história é baseada em factos reais, num livro best seller de Joseph Wambaugh, um homem que era polícia antes de se tornar escritor. Dois anos antes Robert Aldrich tinha feito um filme a partir do seu livro "The Choirboys", que tinha odiado, tal como os críticos. Depois desta experiência estava determinado a não perder o controlo de qualquer outra adaptação sua. Quando surgiu a idéia de adaptarem "The Onion Field", um dos seus livros mais famosos, não só tomou conta do argumento como também investiu dinheiro na sua produção. Queria, sobretudo, mostrar como as coisas realmente tinham acontecido, sem os aditivos de Hollywood, e o resultado é um trabalho extremamente profissional, mas que sofria em comparação com outros policiais dos anos 80 e 90. 
James Woods, no papel de um dos criminosos, é o melhor do filme, conquistando uma nomeação para os globos de ouro. 

Brigada Anticrime (Sharky´s Machine) 1981
Tom Sharky (Burt Reynolds) é um policia dos narcóticos em Atlanta, que foi rebaixado depois de uma captura mal sucedida. Nas profundezas desta humilde divisão, ao investigar um caso de alta prostituição, Sharky tropeça num assassinato da Máfia com laços governamentais, e responde reunindo a sua equipa de investigadores ("sharky´s machine") para descobrir os cabecilhas dos criminosos e leva-los à justiça, antes que estes matem todos os investigadores e testemunhas, incluindo o próprio Sharky. 
Burt Reynolds atrás e à frente das câmaras, no seu filme mais maduro até aos dias de hoje, numa obra bastante fiel ao livro de onde é inspirado, "Born Innocent", escrito por William Diehl. Infelizmente grande parte da rica narrativa do livro foi perdida nas duas horas de duração do filme, mas Reynolds estava mais interessado na caracterização das personagens e nas sequências de acção, e nesse campo trabalhou muito bem. É um filme violento, uma espécie de primo não muito afastado de "Dirty Harry", mas Reynolds contrabalança as sequências de violência com uma pitada de humor. 
Tem um grande elenco, que inclui nomes como Vittorio Gassman, Brian Keith, Charles Durning, Henry Silva, Rachel Ward, entre outros.