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quinta-feira, 7 de maio de 2020

40 dias 40 filmes – Cinema em Tempos de Cólera: "Os Passaros", de Alfred Hitchcock

O Jornal do Fundão, os Encontros Cinematográficos, o Lucky Star – Cineclube de Braga e o My Two Thousand Movies associaram-se nestes tempos surreais e conturbados convidando quarenta personalidades, entre cineastas, críticos, escritores, artistas ou cinéfilos para escolherem um filme inserido no ciclo “Cinema em Tempos de Cólera: 40 dias, 40 filmes”, partilhado em segurança nos ecrãs dos computadores de vossa casa através do blog My Two Thousand Movies. O trigésimo sétimo convidado é o programador Francisco Rocha, autor do blog My Two Thousand Movies, que justifica abaixo a escolha de uma das máximas obras-primas do mestre Hitchcock:

Sinopse: Um dos maiores êxitos públicos de Hitchcock e uma das suas obras mais perfeitas. Adaptado de um conto de Daphne du Maurier, THE BIRDS segue a personagem de Tippi Hedren na ida à cidade costeira de Bodega Bay e ao encontro de uma estranha revolta de aves que começam a atacar as pessoas. Como estrelas dos efeitos especiais deste filme, elaboradas miniaturas de pássaros, que foram combinadas com pinturas e uso de retroprojeção.

Francisco Rocha: «O homem luta entre si praticamente desde que existe, com a sobrevivência da humanidade a ser muitas vezes posta à prova no meio dessas guerras. Nunca levou muito a sério o seu inimigo mais natural, a natureza. Temos o exemplo da pandemia que estamos a atravessar, e também foi assim no filme de Alfred Hitchcock, “Os Pássaros”, de 1963, onde várias espécies de pássaros de uma pequena comunidade começam a atacar os humanos sem razão aparente. 
Revi “The Birds” algures a meio de Abril, quando a pandemia já ia bem desenvolvida. Na altura, já era uma forte ameaça e uma verdadeira incógnita sem resolução à vista. O inimigo invisível avançava a uma velocidade avassaladora e ameaçava chegar à nossa porta rapidamente. No filme de Hitchcock o inimigo não é invisível, mas é uma força que não temos capacidade de compreender, nem de destruir, e chegamos ao fim sem saber o que realmente transformou os pássaros em criaturas assassinas. Provavelmente vai acontecer o mesmo com este vírus, apareceu e vai desaparecer, deixando muitas questões sem resposta. 
Apesar de mais de 50 anos separarem o filme da realidade que vivemos, temos vários pontos em comum. Um deles é, por exemplo, a personagem interpretada por Tippi Hedren, uma socialite rica que viaja até à pequena comunidade de Bodega Bay, na tentativa de pregar uma partida ao homem que a insultou. A certa altura, depois dos pássaros darem início aos ataques de forma organizada, os habitantes desta comunidade começam a duvidar desta personagem, como se ela pudesse estar no centro de todos os acontecimentos (tudo começou com ela e ela está sempre presente). Na actualidade existe uma situação parecida. Ninguém sabe nada sobre as raízes do vírus, por enquanto não passam de suposições, mas no entanto já meio mundo aponta o dedo para a China, que é a Tippi Hedren desta realidade. Hitchcock também deixa a dúvida a pairar no ar, se Hedren tem alguma coisa ou não a ver com os ataques. 
“The Birds” é um filme muito actual, mesmo que já o tenham visto, está na altura ideal para o reverem e, por certo, irão encontrar mais pontos em comum com o nosso mundo de 2020.»

Amanhã, a escolha de Silvia das Fadas

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terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Psico (Psycho) 1960

"Um dos filmes de terror mais famosos de sempre e, muito possivelmente, o mais influente de toda a História, "Psico", de Alfred Hitchcock, trocou os seres sobrenaturais do passado do género - vampiros, lobisomens, zombies e companhia - por um monstro até demasiado humano. O filme fez de Norman Bates um nome conhecido por todos e garantiu de forma definitiva o estatuto do seu realizador como mestre do suspense.
Adaptado por Joseph Stefano, de um arrepiante, mas esquecido, romance de Robert Bloch, que baseou a personagem de Norman num assassino em série real do Wiscoin, Ed Gein, "Psico" conta a história de Marion Crane (Janet Leigh), uma bonita mulher que rouba 40.000 dólares do local de trabalho. Deixa então a cidade sem um plano, a não ser um vago desejo de passar a noite com o namorado, que é casado. Conduzindo a noite inteira à chuva, Marion pára finalmente num Motel, onde o gerente é um rapaz desajeitado mas suficientemente simpático chamado Norman (interpretado com perfeição subtil por Anthony Perkins). Numa reviravolta chocante que pôs o público literalmente a gritar na plateia, Marion é apunhalada até à morte, na mesma noite, quando tomava um duche, por o que parece ser uma velha com uma faca de trinchar de 30 cm. Nunca até ali, um personagem central fora assassinado tão brutalmente e a menos de metade do filme!. Depois do detective da companhia de seguros, incumbido do caso, Milton Arbogast (Martin Balsam), ser também abafado, Lila (Vera Miles) a irmã de Marion e o namorado Sam Loomis (John Gavin) seguem o rasto da desaparecida até à casa da família Bates, situada na mesma estrada do Motel.
Quando "Psico" estreou, recebeu críticas pouco entusiastas - embora de longe muito melhores do que o veneno que acolheu o sinistramente familiar, "Peeping Tom", também distribuido no mesmo ano. Contudo, a reacção do público ao filme foi assombrosa, com as pessoas a formarem fila à volta dos quarteirões para obter bilhetes. A gerar mais publicidade, estava a nova "política especial" de Hitch de não deixar ninguém entrar nas salas depois do genérico de abertura. Claramente, este cineasta nascido em Inglaterra encontrou um meio para tocar directamente na psique colectiva da América: ao tornar o Monstro tão normal, e ao unir sexo, loucura e assassinato numa fantasmagórica e sórdida crónica, Hitchcock antecipou efectivamente as primeiras páginas dos maiores casos criminais das próximas décadas"
Texto de SJS.

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segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Rebecca (Rebecca) 1940

É surpreendente que, apesar da sua longa e frutífera carreira e das várias nomeações recebidas, Hitchcock só tenha ganho o Óscar de Melhor Filme com a sua primeira película americana: "Rebecca". Talvez este facto seja indicativo do poder e influência do produtor David O. Selznick que, acabado de sair do sucesso de "E Tudo o Vento Levou" (1939), não deixou de passar a oportunidade de trabalhar com o realizador britânico nesta história gótica de fantasmas da autoria de Daphne Du Maurier.
Graças a um orçamento generoso, Hitchcock pôde transformar a mansão de Manderley numa personagem da película, gesto que mais tarde inspiraria Welles na sua concepção de Xanadu, em "O Mundo a Seus Pés". O palacete à beira-mar é o cenário nebuloso ideal para os amores atormentados de Joan Fontaine e Laurence Olivier. Este dá vida a um viúvo rico que corteja a inocente Fontaine e com ela casa após um romance meteórico. A protagonista nunca acredita na sorte que teve ao encontrar um homem tão atencioso, mas, à medida que a sua relação amorosa se aprofunda, vê-se assombrada pelo fantasma de Rebecca, a antiga e falecida esposa de Olivier. Serão as assombrações fruto de uma imaginação fértil e paranóia ou obra de uma força nefanda? E que relação existe entre estes acontecimentos estranhos e a senhora Danvers (Judith Anderson), a governanta sinistra que parece não dar paz a uma Fontaine à beira de um ataque de nervos?
"Rebecca" marcou a chegada auspiciosa de Hitchcock aos Estados Unidos e, na cerimónia dos Óscares de 1940, conseguiu mesmo derrotar a última obra britânica do realizador: Correspondente de Guerra. Quase todos os traços artísticos do cineasta estão presentes em "Rebecca" no seu esplendor: a omnipresença de um passado obscuro e misterioso que constantemente se intromete no romance malfadado dos protagonistas, as suspeitas à flor da pele e, como seria de esperar, a presença espectral e ameaçadora da desonestidade e traição. Faltam a "Rebecca" os gracejos espirituosos e o humor caracteristicos de Hitchcock. Todavia, esta ausência de leveza deve-se à natureza melancólica e gótica do romance de Du Maurier. Os segredos de Manderley empurram a ingénua Fontaine para o abismo da demência e Hitchcock diverte-se, intensificando gradualmente a tensão da película até à sua conclusão assombrosa."
 * Texto de Joshua Klein
Filme escolhido pelo Pedro Afonso. 

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sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Cortina Rasgada (Torn Curtain) 1966

O professor Michael Armstrong dirige-se para Copenhaga, para acompanhar uma conferência de física com a sua assistente / noiva Sarah Sherman. Quando lá chegam Michael diz-lhe para ela regressar e ele deve ficar mais algum tempo. Ela segue-o, e descobre que ele está a ir para a Alemanha oriental, para trás da cortina de ferro, e fica chocada quando descobre que ele está a desertar para o oriente depois do governo ter cancelado o seu processo de pesquisa. Mas ele não está a fugir mas sim à procura de um famoso cientista da alemanha oriental.
Quando Alfred Hitchcock começou o seu 50º filme, "Torn Curtain" (1966), deveria estar no auge da sua carreira. Depois de quatro décadas como realizador, os seus filmes ainda eram populares, os críticos franceses proclamavam-no como um grande artista, e alguns críticos americanos começavam a concordar com a sua brilhante gestão da carreira. No entanto, ao começar a juntar as idéias para "Torn Curtain", sentiu-se inseguro. "The Birds" (1963), apesar de popular, tinha ficado longe do êxito de "Psycho" (1960), e o seu próximo filme "Marnie" (1964) tinha sido um desastre a nível de público e crítica. Temendo que estivesse a perder o toque, Hitchcock permitiu que a Universal fizesse mais e mais exigências para que o filme fosse um sucesso.
A idéia para este filme era interessante. Depois do casal de espiões Burgess e MacLean terem sido capturados, em 1951, estava na altura de passar a história para a grande tela, quando se estava no auge dos filmes de espionagem, e James Bond era um êxito garantido, o que fazia desta altura a ideal. Mas Hitchcock estava longe de querer fazer uma réplica das aventuras de 007.  Ele queria revelar o lado sombrio da espionagem, queria fazer o "homem médio" americano fazer-se sentir um espião, e o quanto sujo este trabalho era.
Hitchcock não ficou contente com as escolhas de casting, mas acabou por acatar as ordens da Universal: Paul Newman e Julie Andrews, duas estrelas maiores na década de sessenta. Newman aborreceu Hitchcock, pela forma como se comportou num jantar em sua casa. Enviou-lhe um memorando detalhando em três páginas problemas do argumento. Como o peso das duas estrelas principais levava logo grande parte do orçamento do filme, houve dificuldade em encontrar um resto do elenco decente.
Os críticos não mantiveram "Torn Curtain" em grande estima, mas, ainda assim, seria o maior êxito do realizador desde "Psycho". Mas ficava o aviso que provavelmente não era boa idéia vergar-se às ordens dos grandes estúdios.

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sábado, 15 de agosto de 2015

Perigo na Noite (Frenzy) 1972

Um criminoso sexual, conhecido como o Assassino da Gravata , que viola as suas vítimas e as estrangula com uma gravata, deixa a polícia de Londres em estado de alerta. Todas as pistas incriminam um inocente, que vai ter que fugir da lei para provar que não é o culpado, tentando encontrar o verdadeiro assassino.
 Penúltimo filme de Alfred Hitichcock, "Frenzy" era também o regresso à sua Inglaterra natal, depois de uma longa ausência. O território familiar parece ter-lhe feito bem, já que o filme é bastante confiante, e energético. Notam-se claras melhorias desde as suas últimas obras, "Torn Curtain" e "Topaz", dois filmes menores na carreira do realizador, que parecem ter ser apenas dois thrillers normais. Apesar de não ser um Hitchcock no topo de forma, tem toda a sagacidade e o humor mórbido que eram habituais nos bons tempos da sua carreira.
O filme era adaptado de um livro de Arthur La Bern chamado "Goodbye Piccadilly, Farewell Leicester Square", e revisitava muitos dos seus motivos que tinham feito a raíz dos seus trabalhos mais famosos: o tema do falso culpado, o humor negro a lidar com ironias da vida (o corpo de uma mulher aparece a boiar num rio logo depois de um político proclamar que ele está livre de poluição), e o ponto de vista pessimista de Hitchcock sobre a humanidade, reflectido na violência sexual dos crimes. O argumentista criminal, Anthony Shaffer, é quem une todos estes pontos.

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terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Correspondente de Guerra (Foreign Correspondent) 1940



Johnny Jones (Joel McCrea) é o correspondente de um jornal de Nova Iorque, que viaja para a Europa sob o pseudónimo de Huntley Haverstock, quando a Segunda Guerra Mundial estava prestes a rebentar. Chega primeiro a Londres mas logo depois está em Amsterdão, onde testemunha o assassinato de Van Meer (Albert Bassermann), um diplomata holandês. Entretanto ele descobre que quem morreu foi um sósia, e que Van Meer na verdade foi raptado pelo inimigo, que pretende arrancar dele alguns segredos. Jones entra em desespero porque a sua história é um bocado absurda, e ninguém acredita nele, e ao mesmo tempo o inimigo pretende matá-lo.
Embora "Foreign Correspondent" seja um dos filmes menos conhecidos de Alfred Hitchcock, (apesar das suas seis nomeações aos Óscares, que perderia para outro filme seu, "Rebecca"), é normalmente esquecido entre as listas de clássicos do realizador, sendo inclusivé considerado um filme de série B por alguns fãs, é, no entanto, um dos seus filmes mais eficientes no que diz respeito a entretimento. Podemos encontrar aqui algumas cenas clássicas, como a perseguição através de uma multidão de chapéus de chuva, a sequência nos moinhos de vento holandeses, a queda da torre da Catedral Westminster, e o clímax que incluí uma queda de um avião no oceano, sequência que parece bem feita demais para os seus dias. A ausência de popularidade deste filme talvez se deva à escolha dos protagonistas, Joel McCrea e Laraine Day, que,de facto não se identificam muito com os habituais protagonistas do realizador (a primeira escolha era Gary Cooper e Joan Fontaine).
Há uma tendência propagandista no filme, começando no título americanizado, que se desmascara a si próprio no argumento de Ben Hetch, Charles Bennett e Joan Harrison, apesar de Hetch não aparecer creditado. Durante o epílogo, mostrando o bombardeamento de Londres, faz-se a sugestão que os Estados Unidos se deviam preparar para um conflito armado, e que teriam de ser eles a ser os bastiões da paz num mundo prestes a ficar em chamas. O verdadeiro bombardeamento a Londres pelos alemães registou-se apenas três dias antes do lançamento do filme.
Embora o argumento estivesse em desenvolvimento há vários anos, estava bem em sintonia com os tempos caóticos em que foi feito. O filme é um precursor de um futuro grande êxito de Hitckcock, "North by Northwest", e quase tão divertido.

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domingo, 9 de junho de 2013

A Corda (Rope) 1948




Filmado em 1948, "The Rope" é o primeiro filme do lendário Alfred Hitchcock para a Warner Bros Pictures. Para a tecnologia primitiva disponível na altura, a produção parece e soa a impressionante, e talvez o mais importante, possui um argumento muito sólido. Baseado numa história real, o filme mostra Brandon e Philip a cometerem o crime perfeito, matando um amigo apenas para uma emoção intelectual. O filme em si não é baseado no crime, uma vez que a euforia inicial do acto desta dupla, é seguida de medo, de Philip, de ser apanhado, e da convicção de Brandon de que não o será.
Embora o filme seja bastante lento, por vezes, Hitchcock consegue manter um nível sustentado de suspense ao longo do filme, com o personagem Rupert Cadell ficar cada vez mais desconfiado das actividades dos amigos à medida que o filme avança. Hitchcock também faz o seu filme mais experimental ao dirigir "A Corda", como o filme tem apenas dez sequências de corte, ou seja, sequências que duram cerca de dez minutos ininterruptos. Além disso, é sugerido que o filme faz referências à homossexualidade, por causa da relação entre Brandon e Philip, e por causa disso foi proibido durante a década de 1940.  
De certa forma, Rope é filmado como uma peça de teatro, e para compreender o filme, deve-se fazer a pergunta: porquê? Porque um mestre, um formalista, como Hitchcock, se compromete a limitar-se tanto, e de modo tão rígido? O filme é um formato infinitamente mais flexível, elástico que a peça teatral. Nos filmes, por exemplo, podemos viajar para qualquer lugar, escolher qualquer ponto de vista, e realizar outras tarefas importantes. Podemos retardar momentos ou acelerá-los. No teatro, estamos sempre acorrentados ao palco, para um número limitado de cenários e à vista de todos. 
Reconhecendo o talento do realizador aqui, não acreditamos que Hitchcock fizesse Rope desta forma tão peculiar simplesmente para honrar o formato original da peça de Hamilton, mas sim porque ele detetou que com todos os elementos do palco (espaço limitado, visões limitadas, assim por diante), poderiam aumentar a atmosfera de suspense deste particular conto moral. 
Por um lado, a abordagem de Hitchcock oferece a vantagem de representar a história (principalmente sem cortes) em algo aproximando ao "tempo real". Não há anúncios publicitários. Nenhuma cena quebra para passar a outro local (como na série "24", por exemplo). Em vez disso, seguimos Brandon e Phillip desde o instante do crime, até à descoberta do corpo, 81 minutos mais tarde. Não há um momento, ou melhor, um segundo, para relaxar .... o cadáver de David poderia ser descoberto a qualquer momento. Como membros da audiência, partilhamos esta tensão com estes dois homens.

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sábado, 13 de abril de 2013

Intriga Internacional (North by Northwest) 1959



A vida do publicitário Roger Thornhill, de repente fica um pouco complicada quando é confundido com um agente federal chamado George Kaplan. Num minuto ele está a ter um almoço civilizado com a sua mãe, no próximo está a ser empacotado num carro por bandidos ao serviço de um agente inimigo. Mal Thornhill consegue frustrar as intenções homicidas dos seus raptores que logo se encontra implicado no assassinio de um diplomata das Nações Unidas. Numa altura como estas, em que tudo parece estar contra nós, há apenas uma coisa que um homem pode fazer: Fugir!
North by Northwest é considerado por muitos como a quintessência de um filme de Hitchcock - uma mistura delirante de mistério, suspense, acção e romance, elevado a uma escala operática e servido com a marca do realizador, do humor negro. Pode não ter a profundidade e a sofisticação de outras obras-primas de Hitchcock, mas é o seu maior filme para agradar ao público, e é tão agradável de se assistir hoje como quando foi lançado pela primeira vez, em 1959.
O argumento é um pouco kafkiano, no qual um homem comum é vítima de um caso de identidade trocada e encontra-se preso numa luta de vida ou de morte contra os inimigos invisíveis, sem saber quem, se alguém, pode ser confiável. Este mesmo cenário tem formado a base de muitos filmes de Hitchcock, mais notavelmente "The 39 Steps (1935) e "Saboteur" (1942), mas de alguma forma o realizador consegue dar um força diferente, fazendo com que este pareça fresco e emocionante. De facto, há lugares onde North by Northwest parece suspeitamente como uma paródia atrevida a The 39 Steps", embora isto seja desmentido pelo seu quociente de emoção muito alto. 
Aqui vemos Cary Grant, na altura um dos actores mais bem pagos de Hollywood, no seu papel mais famoso, ele que já tinha aparecido em dois outros filmes de Hitchcock: Notorious (1946) e To Catch a Thief (1955). Contracenando com ele temos Eva Marie Saint, que deslumbra como a encarnação perfeita da heroína ambígua hitchcockiana - bonita, misteriosa e, possivelmente, muito mortal. A atriz é talvez mais conhecida por ter contracenado com Marlon Brando em On the Waterfront (1954).
James Mason e Martin Landau são os dois vilões, o charme do primeiro faz um contraste eficaz com a psicose reprimida do segundo. Há apenas a sugestão de tensão homoerótica, dando a entender que a relação entre os dois personagens pode ter um lado mais escuro do que vemos retratado na tela. Jessie Royce Landis desempenha um outro papel habitual dos filmes de Hitchcock - a mãe dominadora. Landis e Grant eram quase da mesma idade, e isto acrescenta uma estranha dimensão edipiana à relação mãe-filho dos seus personagens - talvez um prenúncio do que estava por vir num próximo filme de Hitchcock ...
 North by Northwest é, naturalmente, famoso pela incrível sequência em que Cary Grant é perseguido por um avião agrícola - a sequência de aventura mais ambiciosa e icónica de qualquer filme de Hitchcock. Quase tão memorável é a cena de acção final sobre o Monte Rushmore, monumento que lembra o desfecho emocionante de Saboteur, mas feito numa escala muito maior. Outra característica inesquecível deste filme é a banda-sonora de Bernard Herrmann, que serve de forma brilhante o ritmo alucinante e a escala épica do filme, ao mesmo tempo, evoca o romance, paranóia e humor malicioso que formam um mundo tão essencial para esta peça de Alfred Hitchcock deliciosamente deformada.

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