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quinta-feira, 14 de abril de 2016

Morfina (Morfiy) 2008

Adaptado da colecção de histórias ficcionais de Mikhail Bulgakov, "A Country Doctor's Notebook", "Morphia" de Aleksey Balabanov é um retrato da Russia rural no auge da Revolução Bolchevique. Contada a partir da perspectiva de um jovem médico idealista, Polyakov (Leonid Bichevin), o filme mantém o humor e a perspectiva da histórias original de Bulgakov.para sublinhar a difícil adaptação de Bulgakov ao isolamento da vida no interior do país, para onde ele se mudou para servir como o único médico na região. Ainda incerto sobre as suas habilidades médicas e lutando para lidar com o atraso da comunidade, que muitas vezes põe em perigo os seus pacientes, Polyakov encontra um consolo inesperado numa injecção de morfina que lhe é administrada pela enfermeira chefe, Anna Nicolaevna (Ingeborga Dapkunaite), para tratar uma reação de alergia.
Poderoso e bizarro conto sobre um jovem médico à beira do abismo do vício nas drogas, enquanto o mundo à sua volta vive os horrores da guerra civil. Mesmo com a guerra e a revolução a serem pouco mostradas no filme, pode sentir-se a sua presença negra em cada cena, e cada diálogo. Surpreendentemente bem captado o espírito dos livros de  Mikhail Bulgakov, um dos maiores e mais controversos escritores da Rússia do Século XX. Muito recomendado para quem gosta de Bulgakov, Dostoevsky ou da literatura clássica russa em geral. O argumento foi escrito por Sergey Bodrov Jr., o jovem protagonista de "Brat", que havia falecido em 2002, vítima de uma avalanche nas montanhas caucasianas, quando se preparava para rodar o seu segundo filme. Era uma espécie de homenagem de Balabanov a Sergey Bodrov Jr., mas ele próprio também viria a falecer poucos anos depois, em 2013.

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segunda-feira, 11 de abril de 2016

Cargo 200 (Gruz 200) 2007

O filme começa com o diálogo entre dois irmãos, um coronel e um professor universitário, que discutem as suas vidas - uma conversa discreta sobre família, trabalho e política (é típico nos filmes de Aleksey Balabanov começar desta maneira). Os dois irmãos têm uma ligação aos eventos que irão acontecer nesta noite. Valera, o namorado da filha do coronel desaparece nesta noite, e vai a um clube buscar Angelika (Agniya Kuznetsova), amiga da namorada. Vão até uma quinta buscar alcool, mas Valera abandona. Angelika, que fica entregue nas mãos de estranhos. O dono da quinta está interessado nela, mas a sua esposa ajuda-a, escondendo-a no celeiro. O Capitão Zhurov, um policia com transtornos mentais, encontra-a e leva-a com ele. 
Enquanto a primeira parte evolui com uma ofegante tensão, a segunda transforma-se numa viagem lenta e nervosa, quando o polícia leva a sua vítima para o apartamento, e o público é obrigado a assistir a uma série de humilhações para a jovem.
"Cargo 200" tem lugar em 1984, durante a guerra entre a União Soviética e o Afeganistão, no decurso de nove anos, mas esta guerra é apenas uma sub-trama secundária. Tal como em "M" de Fritz Lang, devemos primeiro entender o microcosmos como o reflexo de um sistema, antes de podermos olhar para uma ligação entre a história e o seu cenário. Em "Cargo 200" o culpado é ele próprio uma vítima, mas há mais culpados a encontrar neste filme. Até mesmo Antonina, que no início parece ser a única pessoa capaz de ajudar
Angelika, não obstrui completamente o crime, e é, portanto, compreensível que Balabanov não quisesse contar a história na actual Rússia. E há vários outros culpados, mas, sobretudo, o Estado, porque deixa
Zhurov trabalhar nestas condições mentais.
"Cargo 200" é um filme mais maduro do que "Brother", o primeiro sucesso do realizador, na medida em que sacrifica o tom mais popular deste, e dos outros filmes de Balabanov. O realizador procura uma crítica social, justifica-se perguntando ao público se vai aceitar "Cargo 200" como uma crítica do tempo corrente, ou se esta está totalmente obscurecida pela cortina do tempo.

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quarta-feira, 6 de abril de 2016

Irmão (Brat) 1997

Danila muda-se para a casa do irmão em São Petersburgo, para começar uma nova vida. E isso realmente acontece quando descobre que o irmão é um gangster e lhe pede para matar uma pessoa. Com o passar do tempo, Danila percebe como ser um assassino se tornou parte da sua vida e descobre que está seguindo o caminho errado.
O realizador Aleksey Balabanov (1959-2013) tornou-se num dos melhores cronistas da caótica Rússia dos anos 90. Logo na cena de abertura deste filme, que o revelaria, um jovem, acabado de saír do exército, interrompe umas filmagens ao ar livre. Não são as lindas costas de uma actriz que lhe chamam a atenção, mas sim a música ambiente que é tocada no local. Fora do cenário ele é, obviamente, atacado e preso e vamos vê-lo mais tarde, com o rosto ensanguentado, a ser interrogado pela polícia. Ficamos logo a saber que Danila Bagrov não é um rapaz inocente, e que um dos seus atacantes acabou em pior estado.
Danila representa tantos outros jovens da Rússia dos anos noventa, hipnotizado por um novo mundo musical que explodiu nesta década. Não era a música ocidental mas sim o rock russo (por vezes até folk rock), com os músicos artistas a dirigirem as suas letras para os tempos caóticos que se viviam naquele país. E será a música que irá determinar muitos dos pontos da história (voltas e reviravoltas) ao lado da violência.
Danila diz ter trabalhado num escritório durante o serviço militar, mas o seu manuseamento e experiência a lidar com armas de fogo e explosivos parecem mostrar outra coisa. O desenrolar do filme irá sugerir que ele tenha saído diretamente das acções militares contra os chechenos, já que ambos os lados do conflito foram igualmente sanguinários e cruéis.
De certa forma Balabanov faz o seu personagem principal um herói cativante (tal e qual Tarantino). Os seus primeiros actos violentos ou ameaçadores são um exemplo de um jovem a defender-se contra actos brutais. Não existe outra razão para ajudar o imigrante alemão  Hoffman ou o um comprador de bilhetes do que corrigir um erro naquele instante,e esta parece ser a sua natureza, e não algo que ele aprendeu no exército. Os crimes que ele vai cometendo são de certa forma motivados, senão perdoáveis.
Foi o maior êxito do cinema soviético em 1997, um sucesso mesmo com a sua aparência fria e calculista, e iniciou esta espécie de movimento. Os restantes filmes que veremos neste ciclo são bastante diferentes.

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