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domingo, 11 de janeiro de 2015

Os Malditos (Les Maudits) 1947



Final da Segunda Guerra Mundial, no ano de 1945, um médico francês é raptado por um grupo de Nazis, e levado para bordo de um submarino. Os alemães pretendem fugir da captura dos Aliados, traçando uma rota para a América do Sul.  O médico encontra-se na companhia de vários fugitivos desagradáveis, incluindo um chefe da Gestapo, um general alemão, um industrial italiano, e um jornalista francês que colaborou com os Nazis. Quando notícias do armistício são recebidas dá-se um motim a bordo do submarino...
Há uma certa perca de pungência em "Les Maudits", filme de René Clément, conhecido nos Estados Unidos como "The Damned". Este filme sobre um grupo de Nazis e relutantes passageiros franceses a fugirem num submarino, foi filmado apenas dois anos após o final da guerra.
Esta pungência não pode ser transmitida para as audiências modernas, cujas ideias do pós-guerra em França giram em torno de uma guerra completamente diferente, e de um país completamente novo. Isto foi imediatamente notado assim que o imediatismo da influência Nazi e controlo sobre a França foram perdidos sobre Clément e o seu argumentista Jacques Rémy, portanto nenhum cenário era demonstrativo dos eventos que estavam por vir. Clément e Rémy confiavam nas recordações da sua audiência de um passado recente.
Este filme, a preto e branco, estava bem longe de ser apenas o preto e o branco, e enquanto os Nazis são obviamente os vilões, esta estranha combinação de "filme de submarino" com "film noir", desprende-se dos padrões normais de herói e vilão e explora cada personagem (quase à vez) como uma personagem completa. O ostensivo personagem principal de Henri Vidal narra o filme (com moderação) e providencia o fundo de cada personagem assim como o seu próprio estado de inconsciência nesta viagem para a América do Sul. Personagens como a Ingrid Ericksen de Anne Campion, a gentil filha de um oficial Nazi, como oposição à crença do pai, e o Willy Morus de Michel Auclair, um jovem soldado que preferia não o ser, turvam as águas entre o campo do bem e do mal.
Ganhou um prémio no festival de Cannes de 1947, o "Prix du meilleur film d'aventures et policier". O festival estava então na sua terceira edição.

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quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

O Retrato de Dorian Gray (The Picture of Dorian Gray) 1945

 

Ao lado de "The Canterville Ghost"e "The Importance of Being Earnest""Picture of Dorian Gray" é uma das histórias mais famosas de Oscar Wilde. Embora tenha havido muitas adaptações cinematográficas, a versão de 1945 é a mais conhecida. 
A história passa-se na Inglaterra da era vitoriana. Dorian Gray (Hurd Hatfield) é um jovem inexpressivo, cuja alma também é um pouco vazia. O seu retrato é pintado por Basil (Lowell Gilmore), que lhe deseja o melhor possível. No entanto, Lord Wotton (George Sanders) é quem lhe tem maior influência, e tem um prazer cínico em manipular Dorian, para este cometer os actos mais hediondos, e amorais. 
Dorian pede o desejo de permanecer jovem para sempre, enquanto que o retrato fica com a queda dos seus pecados e da passagem do tempo. De alguma modo, o desejo é-lhe concedido; e a única explicação, muito vaga, está ligada a uma estátua sinistra de um gato egípcio.
Dorian tem um romance com uma inocente e jovem cantora, chamada Sybil (Angela Lansbury, num dos seus primeiros papéis). É aconselhado pelo Lord Wotton e descarta-la, mas a vida de boémio de Dorian torna-se o escândalo de Londres, mas o seu rosto e as suas feições permanecem inalterados. Até quando?
Pelos padrões de hoje, o aspecto deste filme de terror é muito suave. A discussão sobre este assunto, infelizmente, viria a introduzir muitos spoilers. Mas, enquanto que o sangue e a carnificina dos "modernos" filmes de terror está ausente, ainda há muitos momentos arrepiantes. O comportamento de Dorian, com excepção de um crime impulsivo, nunca parece corresponder ao retrato, e à sua mente distorcida. Mas a moral, é clara, não é julgar as pessoas pela aparência. Dorian pode parecer jovem e inocente, mas ele não é. 
"The Picture of Dorian Gray" foi filmado a preto e branco, mas o retrato é mostrado a cores quando Dorian o vê. A fotografia de Harry Stradling ganhou um Óscar, e Angela Lansbury foi nomeada para melhor actriz secundária, mas não ganhou. O papel de Lord Wotton foi feito à medida para George Sanders, que se tornou especialista em papéis mais espirituosos e sinistros (All About Eve, Rebecca). A personagem de Sanders é um grande feito para a carreira do actor,  assim como a de Hurd Hatfield. Embora o papel de Hatfield exigisse pouco mais do que uma boa postura, ficaria para sempre associado a ele. Continuaria a aparecer em filmes nas décadas seguintes, quase sempre em papéis secundários.
 

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