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segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Traffic - Ninguém Sai Ileso (Traffic) 2000


Traffic marcou o inicio deste milénio pelo culminar da arte excessivamente realista e calculadamente experimental do seu realizador Steven Soderbergh, mas sobretudo pelo grande tema que serviu de base a um mosaico narrativo e plástico tão fragmentado como decorativo: o vai e vem dos cartéis de droga entre o México e os Estados Unidos da América e todos os estonteantes reflexos mínimos e globais. Grandes estrelas a mostrarem os bons sentimentos da causa, o choque estético a ser infligido no choque político, a Questão a estilhaçar-se para todos os lados. Mas o mais tocante, que alguns viram na época (para lá do óscar) e que hoje vale toda a odisseia só para ele, é o polícia de Benicio Del Toro, um anjo puro a flutuar no miolo do degredo, todo porco e fulminado pela consciência, fechando o filme num céu estrelado que é dos mais reconfortantes pós-Frank Capra. À sua personagem foram oferecidas todas as mansões da luxúria e todos os castelos para fazer o que tem – sempre e simplesmente – de ser feito e ele apenas pediu um campo de jogos para os meninos que ele foi antes das escolhas graves. No final caímos sem paraquedas num Paraíso Perdido que ganhou a sua intocabilidade mítica e, a la Capra ou a la Walsh, a perfeição arrancada a todos os custos; ou, a la Nick Ray, escondidos para vivermos felizes. Del Toro é ali o ser mais sozinho do mundo e quem tudo ilumina, numa luminância visual e sonora que lapidou noutro milagre a sua pureza ao excesso. De repente, um milagre que sempre se adivinhou mas nunca se acreditou no silêncio cadente do rasto de um corpo e de uma alma unas. 
E o mais belo pedaço de filme sobre a infância. Dores de crescimento. Eternos regressos. Ausência de tempo.
* texto de José Oliveira

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segunda-feira, 15 de outubro de 2018

O Companheiro (The Dresser) 1983

Durante a 2ª Guerra Mundial vive um idoso (Albert Finney), mas famoso actor shakespeariano, que agora está frustrado, senil e à beira de uma crise nervosa. É conhecido pelo elenco e equipa apenas como "Sir" e continua com a sua temporada pelos teatros britânicos com um grupo de velhos actores, que ficaram isentos do serviço militar. Sir exerce uma tirânica liderança na companhia, que começa a desmoronar em virtude da sua idade e do seu estado de saúde. Ele conta com Norman (Tom Courtenay), o seu camareiro, um homossexual infinitamente fiel que tem uma dedicação tão extrema que até é irritadiça. Neste momento estão a encenar "Rei Lear" e Norman inclina-se às exigências por vezes absurdas do seu patrão, cuida da sua saúde e procura lembrá-lo do papel que está a encenar...
Peter Yates realiza esta competente, descontraída e teatral adaptação de uma premiada peça da Broadway de Ronald Harwood. O seu ponto mais forte é sem dúvida a interpretação, com ambos os protagonistas, Albert Finney e Tom Courtenay a serem nomeados para o Óscar, com a actriz Eileen Atkins a tentar, e quase conseguir, roubar o filme. 
Yates captura o ambiente levemente decadente da Grâ-Bertanha dos tempos da guerra, e evoca a sensação de dedicação dos pequenos actores, mesmo quando eles se queixam e reclamam. Sir, o personagem de Finney, baseado no actor Donald Wolfitt, de quem o argumentista Ronald Harwood supostamente foi camareiro, possui um domínio tirânico sobre toda a sua companhia, apesar de estar cheio de inseguranças que o transformam repetidamente de um egoísta de voz alta, num homem fraco a gaguejar, e agarra a nossa simpatia aos poucos, e é aqui que o poderoso desempenho de Finney brilha, transformando uma personagem estereotipado num ser humano real atormentado por todos os medos. Courteney acompanha o seu desempenho, que pela forma como ele habita o seu personagem, parece ter sido feito à sua medida.
Filme escolhido pelo Pedro Fiuza.

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terça-feira, 19 de junho de 2018

Tom Jones, Romântico e Aventureiro (Tom Jones) 1963

No século XVIII, uma criança abandonada é criada por um nobre inglês. Quando adulto, Tom Jones torna-se um playboy e mulherengo, mas quando o seu tutor morre ele apaixona-se por Sophie, e vê-se obrigado a mudar o seu comportamento.
Um dos grandes sucessos de bilheteira dos anos sessenta, e vencedor de quatro Óscares da Academia (incluindo melhor filme e melhor realizador), foi financiado por dinheiro americano, cortesia da United Artists, numa tentativa de aproveitar o sucesso desta vaga de filmes ingleses. Afasta-se um pouco dos outros filmes da série, na verdade até tem pouco a ver, mas inclui muita gente que estava ligado a este movimento. Desde o realizador, Tony Richardson, o que mais havia contribuído até então, o argumentista John Osborne, o director de fotografia Walter Lassally ("The Loneliness of a..."), ou o actor Albert Finney.
Tony Richardson dirige esta fantasia histórica como uma alegre brincadeira passada em Somerset e Londres do século 18, com muitas cenas a serem filmadas no Oeste do país. Richardson usa algumas técnicas da recente Nouvelle Vague que incluem movimentos de câmara em stop motion, jump cuts, e até alguns olhares ocasionais para a audiência.  John Osborne, que também ganhou um Óscar pelo argumento, consegue passar para filme 1000 páginas de um romance clássico de Henry Fielding, e consegue preservar o espírito do livro, mantendo-o como uma comédia irreverente, embora esteja muito distante do conteúdo da história original. 
Uma grande interpretação de Albert Finney, bem acompanhado por um elenco de luxo: Susannah York, Diane Cilento, Hugh Griffith, Edith Evans, Joyce Redman, David Warner, Lynn Redgrave, entre outros. Conseguiu a proeza de ter cinco actores nomeados para Óscares, coisa que poucos filmes conseguiram até hoje, embora não tenha vencido nenhum. 

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quinta-feira, 14 de junho de 2018

O Comediante (The Entertainer) 1960

No meio da crise do Suez um actor de teatro fracassado (Laurence Olivier) recusa-se a reconhecer o seu estado de coisas, enquanto se apresenta diante de plateias vazias, traíndo a sua esposa bêbada (Brenda de Banzie), e ajudado pelo seu pai doente (Roger Livesey) a financiar a sua última produção, sempre debaixo do olhar atento da filha (Joan Plowright).
Segunda obra de Tony Richardson, que tal como "Look Back in Anger" era a adaptação de uma peça de John Osborne. Contando com Laurence Olivier no papel principal, repetindo o papel no cinema que havia sido seu no teatro. Há uma cena comovente no filme, em que Olivier contracena com a filha (Plowright), em que ele lhe pergunta: "O que acharias se eu casasse com uma rapariga da tua idade?", ao que a filha responde: “Oh. Daddy”. Depois de produzido o filme, Olivier acabaria por casar com Plowright, depois de se divorciar de Vivien Leigh. Com 22 anos de diferença entre os dois, acabariam por viver juntos até à morte do actor. 
"The Entertainer" foi um dos grandes sucessos de Laurence Olivier, tanto no teatro como no cinema, onde o actor é uma verdadeira força, interpretando uma personagem intensamente desagradável. Tony Richardson captura com sucesso os lugares sujos de Londres, e a desagradável aura da história. Também é interessante ver Alan Bates e Albert Finney, ambos em início de carreira, e ambos como filhos de Olivier. 
Legendas em espanhol.

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terça-feira, 12 de junho de 2018

Sábado à Noite, e Domingo de Manhã (Saturday Night and Sunday Morning) 1960

No fim dos anos 50 e no inicio dos 60, o cinema britânico virou-se para o realismo social, lidando usualmente com impulsos de rebelião ou aspirações de ascenção social, entre jovens espertos, articulados e amargos, das classes trabalhadoras. Quase todos esses filmes eram baseados em obras dos "angry young men", romancistas e dramaturgos como John Osborne (Paixão Proibida/ Look Back in Anger), John Braine (Um Lugar na Alta Roda), e Sean Barstow (Um Modo de Amar), o livro de Alan Sillitoe, "Sábado à Noite, e Domingo de Manha" deu origem ao melhor filme desta lista, embora a direcção de Karel Reisz não seja isenta de um tipo de inclinação sentimental para o pitoresco, que surge muitas vezes quando cineastas educados em Cambridge viajam para o Norte para transformar montes de detritos em paisagens extraterrestres e espiar, em Nottingham, os estranhos comportamentos de operários fabris que frequentam pubs.
A força do filme está na voz de Sillitoe ("o que quero é divertir-me - tudo o resto é propaganda") e na entrega do diálogo a Albert Finney, que faz uma tremenda primeira impressão como Arthur Seaton, o hedonista rebelde e viril que explode de indignação no local de trabalho e goza o que pode nas horas livres. O titulo refere-se implicitamente ao processo de "meter na ordem" que é a consequência inevitável do estado de Arthur: as noites de sábado, marcadas por uma escalada de álcool e excessos sexuais, são pagas nas manhãs de Domingo, durante as quais o protagonista está confinado a uma casa nova e ao seu casamento respeitável.
O filme mostra como o pai de Arthur (Frank Pettitt) ficou reduzido a um telespectador e como muitos dos seus amigos, ligeiramente mais velhos (sobretudo o companheiro a quem ele põe os cornos) estão a caminho de ficar presos no sistema. Apesar de Arthur saír de uma relação com uma mulher casada (Rachel Roberts) e ser atraído para um noivado com uma rapariga (Shirley Anne Field) bonita mas convencional, ainda está decidido a continuar a atirar pedras e partir janelas. Como muitos outros filmes deste ciclo, "Sábado à Noite, e Domingo de Manha" tende para ser complacente com um género de machismo proletário que ronda a misoginia (para Arthur, todas as mulheres são ratoeiras), mas Rachel Roberts - num papel semelhante ao de Simone Signoret em "Um Lugar na Alta Roda" (1959) - exprime uma dor real que constitui uma leitura alternativa à rebelião de Arthur."
Texto de Kim Newman

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domingo, 19 de junho de 2016

Depois do Amor (Shoot the Moon) 1982

Um casamento de quinze anos que se dissolve, deixando o marido, a esposa e os seus quatro filhos devastados. Ele está preocupado com a carreira e a amante; ela, com a carreira e a criação dos seus quatro filhos. Enquanto tentam seguir caminhos separados, a inveja e amargura une-os.
Realizado por Alan Parker, depois dois sucessos de "Midnight Express" e "Fame", é um retrato de um casamento falhado, de um casal influente. Desde a cena de abertura em que vemos Albert Finney a afundar-se em desespero profundo, enquanto ouvimos as vozes excitadas da sua esposa e dos seus quatro filhos num quarto das proximidades, é claro que as coisas correram terrivelmente mal, e que tudo parece uma situação idílica, e sem volta. O restante deste filme sombrio é a preocupação em mostrar a forma como este casal irá lidar com a separação. Ela (Diane Keaton), afunda-se numa depressão para depois assumir um amante (Peter Weller), um trabalhador da construção silencioso mas bonito que chegou a construir um campo de Ténis na sua propriedade. Ele continua um caso com Sandy (Karen Allen), mas mantém um cruel sentido de propriedade sobre a sua casa e família. Enquanto isso há uma tentativa em curso por cada um dos personagens em descobrir o que realmente correu mal, mas esta pergunta não terá resposta fácil.
É basicamente um filme de actores, com Albert Finney a recolher grande parte dos louros, mas Diane Keaton também uma interpretação bastante enervante. Ambos seriam nomeados para os Globos de Ouro no ano seguinte, mas ficariam fora dos Óscares.
Era o terceiro filme de Parker a ser nomeado para Cannes, Depois de "Bugsy Malone" (1976), e "Midnight Express" (1978).

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quinta-feira, 3 de setembro de 2015

O Duelo (The Duellists) 1977

Dois oficiais do exército de Napoleão, enfrentam-se violentamente numa série de duelos. Os duelos começam por causa de um incidente insignificante e tornaram-se ferozmente compulsivos, passando a reger a vida destes dois homens, durante 15 anos.
Baseado numa história de Joseph Conrad,"The Duellists" é, em primeiro lugar, um filme sobre a natureza da obsessão. Porquê estes dois homens continuam a lutar por tantos anos, quando nenhum deles se lembra da fonte original da sua animosidade? (um dos principais pontes fortes do filme é que nem é preciso nos lembrarmos da fonte original). De certa forma funciona como uma metáfora para a natureza da guerra em geral, que é sublinhada pela intromissão constante da guerra nas suas vidas. Na verdade, as únicas vezes em que não os vemos a lutar é quando a França está em guerra, e a certa altura encontramos os dois a lutar lado a lado nas tundras geladas da Rússia, durante as invasões napoleónicas.
Ridley Scott, que poucos anos depois ficaria mundialmente conhecido por filmes tão visionários como "Alien" (1979), ou "Blade Runner" (1981) tinha então 39 anos, e era um realizador de comerciais da televisão, quando embarcou para este seu primeiro filme. Scott trabalhou como seu próprio operador de câmera, graças ao seu orçamento muito curto. Filmado inteiramente em França, e com um visual arrebatador, acabaria por ganhar unanimemente o prémio de melhor primeira obra, e nomeações para dois BAFTA. Do elenco destacavam-se Ketih Carradine e Harvey Keitel.

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quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Cidade em Pânico (Wolfen) 1981


Embora tenha uma pequena parcela de emoções assustadoras e momentos sangrentos, Wolfen é um pouco mais do que um filme de terror-padrão, com temas sobre a decadência urbana e o estado diminuto dos nativos americanos, especialmente como os que tentam adaptar-se a ambientes urbanos. Com o desenvolvimento continuo a produzir mais urbanização, a natureza esforça-se para existir, agarrando-se desesperadamente para sobreviver mesmo em novos ambientes externos. Onde os homens costumavam viver com os animais, agora o homem tem vindo a matá-los para construir edifícios e centros comerciais para dar lucro. Mas o assunto que explora "Wolfen" é muito mais do que isso, a interpretação de Wadleigh do livro de Whitley Strieber assume um contexto político que é pouco vulgar e refrescante para o que de outra forma não poderia ser mais do que um festival de sustos.
Albert Finney é o protagonista como Dewey Wilson, um detetive de Nova York aposentado que regressa  para desvendar o mistério por trás de uma série de crimes macabros que ocorreram na área, com o mais recente a ser o de um casal rico, Christopher e Pauline van der Veer. Devido à natureza complexa dos crimes, Wilson procura ajuda numa especialista em terrorismo (Diane Venora), um policia (Gregory Hines), e um excêntrica zoólogo (Tom Noonan).
Wolfen é um thriller que não se encaixa facilmente em qualquer género definido. É visto, principalmente, como de terror, mas como o mistério que está por trás dos crimes a desvendar-se, encontramos elementos de suspense e fantasia. É uma experiência irregular, mas tem as suas recompensas, e a natureza peculiar do que pode, provavelmente, ser atribuída à experiência anterior do realizador da contra-cultura, Michael Wadleigh, cujo trabalho anterior inclui o documentário profundamente influente, Woodstock.
Com interpretações agradáveis ​de ​todo o elenco e um interessante ponto de vista dos efeitos especiais (sequências a lembrarem as usadas ​​mais tarde no filme Predator), Wolfen é um tipo de thriller de horror completamente diferente, que vai agradar aos espectadores cansados ​​dos filmes de terror habituais.
Tom Waits tem um papel muito secundário, como pianista num bar, e também colaborou na banda sonora com o tema "Jitterbug Boy".

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domingo, 7 de julho de 2013

Cidade em Pânico (Wolfen) 1981



Albert Finney tem o papel principal como Dewey Wilson, um aposentado detetive de Nova York que regressa ao trabalho para desvendar o mistério por trás de uma série de assassinatos macabros na área, com os mais recentes, a serem do casal obscenamente rico, Christopher e Pauline van der Veer. Devido à natureza complexa dos crimes, Wilson contrata alguns especialistas para auxiliá-lo na forma de uma especialista em terrorismo (Diane Verona), um técnico de necrotério (Gregory Hines) e um zoólogo excêntrico (Tom Noonan).
Wolfen é um thriller que não se encaixa facilmente num género definido. É visto principalmente como um filme de terror, mas à medida que o mistério sobre o que está por trás dos assassinatos se desenvolve, o suspense e os elementos de fantasia começam a assumir o papel principal. Embora o gore do filme não seja excessivo, gerado principalmente por descrições gráficas dos eventos, isto tem o efeito de tornar o filme um pouco mais enervante.
"Wolfen" foi a primeira das obras do romancista Whitley Strieber a ser filmada na década de oitenta (as outras são "The Hunger" e "Communion"), e providenciou a Michael Wadleigh material suficiente para formar uma película de terror sólida, mais sobre a deterioração urbana , utilizando-se da situação dos lobos para explorar o abuso e a dizimação da cultura nativa americana e a grande decadência urbana da cidade. O mais conhecido filme de Wadleigh é o épico-concerto seminal "Woodstock", e apesar de um cineasta experiente, a sua carreira já escassa parou depois de "Wolfen", que passou por alguns problemas graves nos meandros da produção, por causa das principais diferenças criativas.
O filme foi lançado em Julho de 1981, entre dois grandes filmes de lobisomens, "The Howling" e "Um Lobisomem Americano em Londres", e é uma obra que não fica nada atrás dos dois filmes mencionados, mas infelizmente passou um pouco ao lado em termos de popularidade, e hoje em dia é uma obra quase esquecida. Hoje é aqui recuperada para quem quiser conhecer, ou rever.
  
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segunda-feira, 17 de junho de 2013

Sábado à Noite, Domingo de Manhã (Saturday Night and Sunday Morning) 1960



Arthur, um dos jovens revoltados da Grã-Bretanha dos anos 1960, é um operário fabril, trabalhador quase escravizado durante a semana num trabalho sem sentido, para ganhar um modesto salário. Chega sábado à noite, e lá está ele no pub para uma sessão agitada a beber cerveja. Com ele está Brenda, a namorada do momento. Casada com um colega de trabalho, ela não deixa de ser cativada pela aparência de Arthur e a sua atitude de rebelde sem causa. Logo, um novo interesse amoroso aparece em Doreen, e uma semana depois, Brenda anuncia que está grávida. Ela diz a Arthur que precisa de dinheiro para fazer um aborto, e Arthur promete pagar por isso. Por esta altura, a sua relação com Doreen amadureceu e Brenda, sabendo isso, confronta-o. Ele nega tudo, mas é óbvio que o caso está praticamente terminado.
"Saturday Night and Sunday Morning" foi o mais bem sucedido, tanto comercialmente como criticamente, dos filmes britânicos da new wave inglesa, dos "angry young men" entre o final dos anos 1950 e início dos anos 1960, e que fez de Albert Finney uma estrela. O filme foi produzido por Tony Richardson, que dirigiu duas peças de John Osborne (Look Back In Anger, The Entertainer). Foi dirigido por Karl Reisz (realizador inglês nascido na Checoslováquia que fez relativamente poucos filmes, mas algumas obras bem interessantes do cinema inglês).
"Saturday Night and Sunday Morning" foi filmado num muito nítido preto-e-branco (por um grande diretor de fotografia da New Wave britânica, Freddie Francis, autor da fotografia de "The Innocents") em exteriores, na Nottingham natal de Alan Sillitoe, autor da novela e do argumento. O seu valor documental parece maior do que o de "Look Back in Anger", não apenas na sua utilização de exteriores para as filmagens, mas também na gravidez problemática de Brenda. Os censores britânicos da altura não permitiram a menção do aborto - que ainda era ilegal quando Michael Caine interpretou o mulherengo "Alfie", em 1966. Gravidez indesejada parece ser o drama central em muitos dos filmes britânicos desta altura.
É um drama sombrio da classe trabalhadora no pós guerra, que deu ao público algumas emoções porque o seu herói da classe trabalhadora era lembrado por arranjar problemas com as autoridades, capturando muito bem o espírito daqueles tempos. O filme foi importante porque o seu sucesso tornou possível para outros dramas da vida real serem realizados, sem os típicos finais felizes de Hollywood. A hedonista rebelião individual do seu herói mal-humorado não tinha força para mudar as coisas para melhor ao homem da classe trabalhadora, mesmo que o rebelde fosse sincero na sua rebelião, mas tornou-se parte da revolução sexual do país na década de 1960.

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