Mostrar mensagens com a etiqueta Alain Delon. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Alain Delon. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Outono Escaldante (La Prima Notte di Quiete) 1972

Em Itália, o jogador e professor de poesia Daniele Dominici chega à cidade costeira de Rimini onde é contratado para dar aulas no liceu durante quatro meses, substituindo outro professor. A sua relação com a namorada Mónica está em crise, e ele passa a maior parte do tempo com os seus novos amigos, os também jogadores Giorgio Mosca, Marcello e Gerardo Pavani. Na sala de aula ele conhece a bela e misteriosa estudante, Vanina Abati, de dezanove anos, que também é namorada de Gerardo, e sente uma grande atração por ela. Começam a encontrar-se fora das aulas, e apaixonam-se.
"La Prima Notte di Quiete" é uma história cruel e trágica, fria e melancólica, magnificamente interpretada por Alain Delon, a desenvolver perfeitamente o papel de um homem ateu, numa desesperante crise existencialista. A fotografia e a banda sonora são muito frias, tal como o ambiente de Rimini. Valerio Zurlini usa alguns elementos melodramáticos para mergulhar profundamente no desespero existencialista do personagem de Delon, enquanto ele caminha pelas discotecas de uma Itália do inicio dos anos setenta, pós-revolução sexual, pressionado pelas
pessoas vazias em seu redor, tentando desesperadamente distrair-se de qualquer forma. Este tema já era habitual na filmografia de Antonioni, e viria a ser melhor explorado no seguinte e último filme de Zurlini, "O Deserto dos Tártaros", uma obra que, apesar do tema, não podia ser mais diferente de "La Prima Notte di Quiete".
A fotografia é de Dario di Palma, sobrinho de Carlo di Palma, na sua única colaboração com Zurlini. Seria um dos primeiros filmes de Sonia Petrovna, uma jovem revelação do cinema francês que passou ao lado de uma grande carreira. 

Link
Imdb

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Sol Vermelho (Soleil Rouge) 1971

O embaixador do Japão viaja pelo Oeste selvagem de comboio, quando um grupo de assaltantes o assalta, para roubar um carregamento de ouro. O comboio também transporta uma espada japonesa antiga, que o embaixador pretende entregar de presente ao presidente dos Estados Unidos. O guarda-costas do embaixador (Toshiro Mifune) vai atrás deles, com a ajuda de um dos lideres do gang (Charles Bronson) que foi traído pelos colegas...
Um western multinacional, incorporando as tradicionais figuras icónicas do cinema de género Ocidental e Oriental, não esquecendo a versão francesa do Samurai, já que o filme tem dinheiro de três origens diferentes, incluindo a França. Somando todas as partes, tudo parece perfeito demais. Mas não sendo um grande filme, acaba por ser uma obra agradável.
É impossível negar que a qualidade do casting abafa tudo. A realização é de Terence Young, que tinha realizado os três primeiros filmes da saga 007, e que por isso estava muito bem cotado no campo da acção. No elenco, além de Mifune e Bronson, contavam-se Ursula Andress, Alain Delon, Capucine, entre outros.
Foi filmado na região de Almería. 

Link
Imdb

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

À Luz do Sol (Pleine Soleil) 1960



O amoral Tom Ripley (Alain Delon) aceita de um rico industrial a missão de trazer de volta para casa o seu filho Philippe (Maurice Ronet), que vive com a namorada Marge (Marie Laforêt), na paradisíaca Riviera Italiana. Frio e calculista, Ripley aproxima-se de Philippe, tornando-se no seu melhor amigo. É o início de um plano diabólico.
 Patricia Highsmith teve sorte. O seu primeiro livro foi transformado num filme de sucesso realizado por Alfred Hitchcock. Os críticos franceses, que adoravam Hitchcock muito mais do o público adorava naquela época, começaram a procurar por mais obras desta escritora. Foi então que surgiu este filme de René Clemént, nove anos depois de "Strangers on a Train". Baseado no livro de Highsmith chamado "The Talented Mr. Ripley", "Plein soleil" concentrava-se num belo e carismático, mas completamente amoral jovem chamado Ripley (interpretado brilhantemente por Alain Delon), que se prepara para matar o seu amigo e assumir a sua identidade.
O neo-realismo crú que se fazia sentir nos primeiros filmes de Clément (La Bataille du rail (1946), Le Père tranquille (1946), Au-delà des grilles (1949)), podia se sentir aqui, mas era mais evidente no estilo de documental que atravessa o filme, quando seguimos o principal protagonista que vai precorrendo os exteriores italianos. A câmera cola-se a Delon como um admirador dedicado, mas um pouco nervoso, determinada, mas a falhar constantemente de alcançar a aura mística que ele projeta tão facilmente, seja para salvaguardar a sua própria privacidade, ou para esconder segredos obscuros sobre esta personagem.
Foi o filme que fez de Deloin uma estrela mundial, e também o que definiu a sua personagem tipo para o resto da sua carreira, embora o seu papel em Le Samurai" seja mais forte. Estreou apenas uma semana depois do filme de Godard "À bout de souffle", tendo inclusivé muitas semelhanças com este. Contudo, dada a sua atmosfera negra, aproxima-se muito mais do género noir americano, do que do movimento da Nouvelle Vague francesa. Maurice Ronet, um dos protagonistas, ficaria muito ligado à Nouvelle Vague nos anos seguintes, assim como o director de fotografia Henri Decae. Contudo, o caminho seguido por Clément seria o oposto.

Link
Imdb

domingo, 19 de outubro de 2014

O Clã dos Sicilianos (Le Clan des Siciliens) 1969



Um jovem e ambicioso mafioso planeia um elaborado roubo de diamantes, enquanto seduz a filha de um implacável patriarca de uma família da mafia siciliana, com um comissário da polícia no encalce de todos eles.
"O Clã dos Sicilianos" é um filme sobre o mundo do crime, interpretado por três dos maiores nomes do cinema francês, Alain Delon, Lino Ventura, e Jean Gabin, dirigido por um grande especialista no género, Henri Verneuil, e baseado numa história de Auguste Le Breton, que também escreveu "Rififi", e "Bob le Flambeur". Com tanto talento por trás deste projecto, era impossível algum falhanço.
É um filme elegante, compulsivo, extremamente acessível para os olhos de qualquer espectador, poderia ser acusado como um filme superficial, porque de facto não tem a angustia existencial dos filmes de Melville, por exemplo, mas ganha pontos a construir um ritmo bastante elevado, e com algumas cenas de acção muito bem executadas. Neste aspecto, parece-se mais com um filme italiano do que um filme francês, impressão que é reforçada pela excelente banda-sonora de Ennio Morricone, que inclui algumas notas que normalmente seriam mais esperadas nos western spaghetti.
De facto, o filme deve muito a outro regular colaborador de Morricone, Sérgio Leone. A história tem muitas semelhanças com Por Alguns Dólares Mais (onde um gangster descobre como abrir um cofre enquanto está preso), e em alguns cenários é sentido o ambiente de um spaghetti (como no climax, quando Gabin, Delon e Irina Demick se enfrentam).
O filme é um prodígio para os padrões do cinema francês da altura, com cenários enormes, interiores muito interessantes e bem construidos. A direcção de arte de Jacques Saulnier é fantástica.
É um filme escolhido pelo Rui Alves de Sousa.

Link
Imdb

domingo, 15 de dezembro de 2013

O Eclipse (L'Eclisse) 1962



Vittoria abandona o amante intelectual e começa uma relação com um jovem cruel corretor da bolsa, Piero. Primeiro, Vittoria está nervosa sobre se envolver com Piero - sente-se fisicamente atraída por ele, mas algo a segura. Aos poucos, o materialismo de Piero começa a repelir Vittoria e ela acaba por encontrar-se sozinha num mundo sem alma, incapaz de se comprometer com alguém.
A descrição de L' Eclisse de Michelangelo Antonioni fazem-no soar como um caso insuportavelmente chato, um verdadeiro produto de arte dos anos 60. Trata-se de "alienação", certo? E desconexão, e o isolamento de pessoas na idade moderna. Com uma maior ênfase na reflexão interior, fotografia ambigua, L'Eclisse não é um filme particularmente acessível. Como muitos dos filmes de Antonioni, faz grandes exigências do espectador. Apesar disso, oferece muitos prazeres. Monica Vitti parece uma figura heroína trágica em busca de uma satisfação inalcançável num universo estéril. O filme é perfeitamente construído em torno do seu desempenho, na medida em que o espectador compartilha a cada minuto a sua angústia, frustração e incerteza. A sua co-estrela, o francês Alain Delon é tão sedutor, incorporando uma mistura arrepiante de beleza e com materialismo humano sórdido.
Apesar da falta de drama convencional, é um filme agitado e quase trágico. A sequência final do filme, quando Vittoria percebe o seu destino, é assombrosa e intensamente perturbadora, pintando um quadro chocante crível de um mundo futuro que não tem alma.
 
Link
Imdb

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Cai a Noite Sobre a Cidade (Un Flic) 1972

Um assalto a um banco numa cidade pequena termina com um dos assaltantes a ser ferido. O saque do roubo é apenas um prémio para o assalto ainda mais espectacular. Simon, o líder de gang e dono de um clube noturno também têm de lidar com o comissario da polícia Edouard Colemane, que por acaso é seu amigo.
Melville estava para o filme americano do crime como Sergio Leone estava para o western americano. Ambos tiraram os arquetipos, motivos e iconografia visual dos seus respectivos géneros e passaram-nos de um certo realismo para a abstração quase completa. O objetivo dos dois cineastas era despojar estes géneros para os seus princípios mais básicos, focando a atenção não tanto nas personagens, mas no processo. Em Melville isto tornou-se uma obsessão tal que os seus personagens eram tão identificáveis ​​pelos seus casacos, chapéus e óculos de sol, ou pelos diálogos lacónicos.
Neste filme somos apresentados a uma trama seria claramente o modelo para "Heat" de Michael Mann. Um proprietário de um clube e assaltante de bancos, Simon (Richard Crenna) e o polícia Eduard Coleman (Alain Delon) são ambos muito bons no que fazem. Ambos, contudo, estão cansados ​​de fazer isso. Simon está a tentar fazer o tal "último trabalho" que vai reformá-lo de vez enquanto Coleman tem que detê-lo, não porque quer, mas porque é isso que ele faz. É o que o define. Que eles são amigos é a questão. Coleman trai essa amizade em cada noite que passa na cama da namorada de Simon, Cathy (Catherine Deneuve). O que se deve fazer num mundo onde a linha entre o certo e o errado situam-se muito mais próximas do que deviam?
Este era o último filme de Melville, e embora esteja longe do seu melhor (cuja honra vai claramente para Le Samourai), é o mais típico do realizador. Tudo o que veio a ser conhecido como "Melville" encontra-se aqui, de uma ou outra forma, ao longo dos 98 minutos. As falhas que se podem encontrar são as falhas normais de muitos "auteurs". Nestes filmes, há um interesse obsessivo em seguir sobre o mesmo terreno temático, e uma relutância em abandonar as velhas formas de artifício cinematográfico para um realismo mais contemporâneo. Hitchcock com o altamente teatral "Marnie" e Hawks com seu filme muito na onda de Rio Bravo, "Rio Lobo", também entraram directamente em desacordo com a nova vaga de entretimento, como Bonnie e Clyde e The Wild Bunch. Para estes cineastas era como se o tempo tivesse parado, ficasse preso dentro dos limites da sua visão pessoal, mas eram filmes obrigatórios.  E assim é este "Un Flic". Não estamos em Paris, Nova York ou Roma, mas no mundo de Jean-Pierre Melville, um lugar composto de imagens e sons que são retiradas da vasta biblioteca da nossa compartilhada memória cinematográfica.

Mega
Link
Imdb

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

O Círculo Vermelho (Le Cercle Rouge) 1970

 

Le Cercle Rouge era o penúltimo dos 13 filmes de Jean-Pierre Melville. Sempre um artista ferozmente independente, que trabalhava como seu próprio produtor, em grande parte das vezes fora do sistema francês (ele era um de um punhado de realizadores franceses que tinha o seu próprio estúdio), Melville criou um conjunto significativo de filmes ao longo de pouco mais de duas décadas, e sempre será lembrado como uma das influências fundadoras da Nouvelle Vague e o padrinho do cinema de crime europeu. 
 Os policiais feitos por si, estão profundamente flexionados com obsessões americanas de cinema, e, por sua vez, estes filmes tiveram um efeito profundo numa nova geração de cineastas de todo o mundo, de Quentin Tarantino a John Woo.
Le Cercle Rouge é, na sua essência, um filme de assalto, embora seja muito mais sobre como as relações entre os criminosos e aqueles que os persegue, do que é sobre o próprio crime. Alain Delon, que teve um de seus melhores papéis como um assassino ultra-cool no filme de Melville, Le Samouraï (1967), interpreta Corey, um ladrão que é libertado da prisão e imediatamente estabelece o plano do roubo a uma loja de jóias parisiense altamente guardada. O fatalismo é um componente crucial em muitos filmes de Melville, e logo se estabelece este tema através do regresso de Corey à vida do crime. Este fatalismo é também notado quando Corey une forças com Vogel (Gian Maria Volonté), um fugitivo que se esconde no porta-malas do carro de Corey. Se ele tivesse escolhido qualquer outro carro, as coisas poderiam ter sido muito diferentes. Para completar o grupo, temos Jansen (Yves Montand), um ex-investigador da polícia que não quer fazer o assalto por dinheiro, mas pela a satisfação do trabalho em si. 
Claro que, como este trio improvável planeia um assalto complicado, cada um está a ser perseguido por alguém ou alguma coisa, o passado nunca está morto, e corre sempre atrás deles. Corey está em apuros com a máfia, que quer recuperar o dinheiro que ele roubou. Vogel pelo intrépido detective Mattei (André Bourvil), um homem discreto, determinado, e que é sem dúvida o personagem mais honrado do filme. Mesmo que Melville nos persuade a identificar-nos com os criminosos e a sua situação, complica as coisas, fazendo um personagem simpático e resistente, Mattei, em vez de um detective desviado e corrupto como tantos outros da polícia, em filmes deste tipo. Jansen está a ser perseguido por algo diferente: os seus próprios demónios pessoais do fracasso e da desilusão. Quando o conhecemos, está tão viciado em álcool que alucina que vê animais e répteis a rastejar pela sua cama, e o assalto torna-se uma forma de redenção para si, o que é irónico, já que ele era um polícia.
Ao contrário de muitos filmes de hoje rm dia, Melville leva o seu tempo com a alcançar o ritmo em Le Cercle Rouge, permitindo a que as personalidades dos personagens sejam desenvolvidas. Mantem-nos a uma certa distância dos seus personagens, muitas vezes enfatizado com ângulos de longa distância ou um enquadramento deliberado que os coloca em lados opostos da tela, mas eles são tão convincentes na sua autoridade silenciosa que somos atraídos para eles, queremos saber mais sobre eles, assim como eles se recusam a revelar-se. Estes são homens de ação, não de palavras, e muito do que se passa entre eles é o silêncio que brota com significado. Simples acenos, olhares e linguagem corporal transmitem muito do que precisamos saber. A desenvoltura, dedicação e a honra que existe entre si é admirável, apesar do status como criminosos, e quando a corda aperta, finalmente, no fim e que nós sabemos o que irá acontecer, e sentimos uma ponta de tristeza com a perda.

Mega
Link 
Imdb 

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

O Ofício de Matar (Le Samouraï) 1967


"Le Samouraï" era o segundo dos filmes de Jean-Pierre Melville a cores, mas podia muito bem ter sido feito a preto e branco. As cores das ruas parisienses e as paredes cinzentas dos interiores sugerem uma zona moral escura, um lugar em que as personagens derivam, e ocasionalmente, dão encontrões umas nas outras. Como a maioria das mais conhecidas obras de Melville, a alma do filme está profundamente enraizada no élan do filme noir americano e o seu universo restrito de gravidade, moralidade e interlúdios fatídicos. Quando era mais novo, Melville tinha absorvido tudo o que Hollywood poderia oferecer, e era isso que ele queria dar quando começou a carreira como realizador, na cinema na década de 1950, trabalhando independentemente no seu próprio estúdio e reformulando géneros americanos com um toque decididamente europeu.
O herói de Melville em "Le Samouraï" é Jef Costello (Alain Delon), o "samurai" do título, embora não no sentido de que nós geralmente pensamos. Jef não é definido pela nobreza do propósito ou mesmo pela consistência da visão, mas sim pela sua solidão. Uma citação inventada no início do filme informa-nos sobre a solidão da vida do samurai, algo que Melville invoca imediatamente com monotomia, Jef no quarto do apartamento. Como os mais emblemáticos durões, Jef é um homem de poucas palavras, mas é também um homem de pouca acção. Um assassino contratado, ele mata o proprietário de uma boate logo no início do filme, um acto que irá ter um efeito dominó de eventos que acabará por leva-lo à ruína. No entanto, Jef é tão resignado que parece não se importar. De certa forma, ele é o epítome do "ultra-cool" (daí porque tanto John Woo como Quentin Tarantino são tão fervorosos admiradores do filme), mas ao mesmo tempo ele parece ser um fantasma na sua própria vida. 
Um investigador da polícia (François Périer) tem a certeza de que Jef está por trás do crime, e ainda consegue levá-lo para a esquadra para identificação. No entanto, Jef tem um álibi perfeito inventado com a sua namorada, Jane Lagrange (Nathalie Delon), e uma pianista na boate (Caty Rosier) que o viu sair do escritório do proprietário, mas recusa-se a identificá-lo por razões que apenas descobrimos mais tarde. No entanto, apesar de Jef parecer escapar da acusação, continua a ser arrastado pela polícia e, de seguida, torna-se um alvo ele próprio quando os seus empregadores decidem que a fixação da polícia nele é um risco.
Isso faz com que "Le Samouraï" pareça ter uma história pesada, mas na verdade não tem. Como nos seus outros filmes de gangsters, Melville leva o seu tempo a desenhar os eventos, focando-se mais nos personagens e na atmosfera do que no "quem, o quê, quando ou por quê". Alguns elementos são deixados intencionalmente vagos, incluindo o caráter da personagem Jef, cuja falta de uma história de fundo e motivos transformam-no numa projecção de fantasia do estoicismo masculino.
Este papel, não surpreendentemente, fez de Alain Delon uma estrela. Apesar da sua gama limitada de expressões, Delon transmite muito através dos seus penetrantes olhos azuis, e os seus pequenos gestos de linguagem corporal. A frieza tão lhe frequentemente atribuída  é um produto da sua completa auto-confiança, o que o leva a tomar uma decisão crucial no último acto que finalmente lhe imbui com um sentido de nobreza, além de toda a sua solidão.

Mega
Link
Imdb

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Um Homem na Sombra (Mr. Klein) 1976


Mr. Klein, de Joseph Losey, feito em França durante o exílio do realizador, é uma parábola (e fria) arrepiante sobre a identidade, o fascismo, a exploração e a opressão. Passado durante a Segunda Guerra Mundial na França ocupada, o filme centra-se em Robert Klein (Alain Delon), um negociante de arte que explora a situação no seu país, comprando quadros baratos de judeus que fugiam, e que na sua maioria procuravam obter dinheiro suficiente para escapar das regulamentações cada vez mais restritivas dos nazis. Klein é indiferente aos que explora, preocupando-se apenas com a sua vida de luxo, até que um dia recebe um jornal judeu dirigido a ele. Em breve percebe que há um outro Robert Klein, em Paris, um judeu disfarçado de francês colaboracionista, e fica obcecado em descobrir quem é este outro Klein, este alter-ego que é o espelho da sua imagem. Este outro, por sua vez, atrai a atenção da polícia de Vichy, que tornou o verdadeiro Klein também como suspeito.
A mise en scène de Losey é metódica e austera, evidenciando uma distância fria que adapta a história abstrata de um homem que se perde em descobrir um duplo que nunca conheceu. As várias cenas de Klein de pé sozinho com um casaco embrulhado e  um chapéu, sozinho mesmo em cenas de multidão, deliberadamente ecoam a imagem de hiper-cool de Delon, e do seu papel icónico em Le Samouraï. Ele vagueia, olhando com seus olhos azuis frios, encontrando várias figuras misteriosas que não conseguem ajudá-lo na sua busca - com um elenco impressionante de secundários preenchido com actores como Jeanne Moreau, Julieta Berto, Francine Bergé, Michael Lonsdale e  a musa de Rivette, Hermine Karagheuz. A cena mais impressionante do filme, no entanto, é a primeira, em que um médico examina uma paciente nua, recitando vários atributos que sugerem uma "raça inferior". O horror frio e precisão burocrática desta cena definem o tom do resto do filme, e imediatamente estabelecem o meio onde circula Klein, como se os seres humanos fossem tratados como animais, os dentes examinados como a cavalos de corrida - uma associação lembrada na cena seguinte, quando a amante de Klein examina os seus próprios dentes ao aplicar o batom. O filme de Losey inesquecível está preocupado com esse horror, e com a mentalidade indiferente que ignora essas coisas, insistindo que tudo está normal, tudo está bem, mesmo em face de uma tremenda evidência do contrário.
Ganhou três Césares em 1977, entre os quais os de Melhor Filme e Realizador.

Mega
Link
Imdb

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

O Assassinato de Trotsky (The Assassination of Trotsky) 1972


Cidade do México, 1940. Leon Trotsky (Richard Burton), o fundador exilado da revolução comunista da Rússia vive em constante medo de assassinato. Moscovo demonstra que controla o movimento comunista do México, encorajando comícios anti-Trotsky, e a 24 de Maio um atentado por homens armados para invadir a sua casa falha não por culpa própria, mas por falta de organização. Trotsky continua a incentivar a população para a derrubar Stalin enquanto a sua esposa Natalia Sedowa (Valentia Cortese) mantém uma casa cordial para convidados especiais. Seguidores de Trotsky complementam as defesas da casa, e um homem da segurança especial dos Estados Unidos vem para ajudar. Enquanto isso, Gita Samuels (Romy Schneider), uma dos secretárias de Trotski tem um novo namorado, um empresário misterioso chamado Frank Jacson (Alain Delon). Frank é na verdade um agente de Stalin, à espera do momento certo para atacar.
The Assassination of Trotsky é, na verdade, uma obra do movimento de esquerda italiana dos anos 1960. Embora a publicidade afirma que a casa do assassinato verdadeira, na Cidade do México, foi usada como local de filmagens, uma grande parte do filme foi rodado em Roma. O co-argumentista Franco Solinas é praticamente um homem do cinema activista italiano, começando com argumentos anti-fascistas (Kapo, 1959), tendo depois procedido para algumas obras épicas, como "Salvatore Giuliano" e "A Batalha de Argel"  e continuando com uma série de spaghettis "radicais" e épicos históricos, como La Resa Dei Conti (The Big Gundown), El Chuncho, Quién Sabe? (A Bullet para a Geral), Il mercenario (The Mercenary) e Quiemada (Burn!).
Mergulhado nas tradições comunistas de três países (Rússia, Itália e México), The Assassination of Trotsky é dirigido por Joseph Losey, um americano expatriado, que fugiu de Hollywood para a Inglaterra em 1951 e, finalmente, criou nome próprio nos círculos críticos. Os filmes mais antigos de Losey, como The Prowler ou The Lawless eram mais sensíveis, bem observadas críticas da América numa altura em que nada de negativo era considerado desleal e subversivo. O Assassinato de Trotsky usa um pouco da sutileza desses filmes mais antigos, transpostos para uma realidade bem diferente.
O egoísta e pomposo Trotsky de Richard Burton é uma boa aproximação do caráter histórico, trabalhando em novos artigos da sua mesa ao lado da janela jardim, enquanto que as pessoas ao seu redor se preocupam com a sua segurança. Tinha sido um revolucionário desde antes da virada do século e passou por uma série de perigos. Valentina Cortese é convincente como a sua dedicada esposa, encontrando a boa vida depois de vários dos seus filhos terem sido assassinados por homens de Stalin. Essa perda é vagamente mencionada, mas o filme assume que já sabe tudo sobre a carreira turbulenta de Trotsky e da sua luta contra Stalin. Isto deixa logo metade da história para a personagem Frank Jacson, onde Alain Delon é convincente como um agente secreto que espera o momento certo para matar Trotsky.

Mega
Link
Imdb