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domingo, 10 de janeiro de 2021

O Funeral (The Funeral) 1996

Nos anos 30, os irmãos Ray (Christopher Walken), Chez (Chris Penn) e Johnny (Vincent Gallo) trabalham para a máfia. Quando Johnny é assassinado por ordem de um mafioso rival, os irmãos ficam abalados. Ray quer vingança, apesar de sua esposa tentar convencê-lo do contrário, temendo uma onda de violência.
Este drama de gangsters de Abel Ferrara, é quase de certeza o filme mais clássico do realizador, o que não quer dizer que não seja cheio de violência sangrenta, sexo explícito, linguagem perversa, e uma grande quantidade de angústia, mas o fortíssimo elenco, com algumas interpretações acima do normal, levam o filme a outro nível: Christopher Walken, Chris Penn, Vincent Gallo, Annabella Sciorra, Isabella Rossellini e Benicio del Toro.
Escrito pelo colaborador oficial de Ferrara, Nicholas St. John, "The Funeral" estabelece um mistério desde início, quem matou Johnny e porquê?, enquanto grande parte do filme é-nos apresentado em flashback, rasteando os últimos dias de Johnny, rapidamente fica claro de que o realizador está menos interessado nisso do que explorar o efeito da sua morte nos seus irmãos, e restante família. 
Chris Penn ganhou o prémio de melhor actor secundário no festival de Veneza.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2020

Polícia Sem Lei (Bad Lieutenant) 1992

Em Nova Iorque, um polícia corrupto faz uso da sua autoridade para assediar sexualmente adolescentes e fazer acordos com traficantes, para obter drogas e dinheiro sujo. Mas quando uma jovem freira é violada no altar de uma igreja do bairro, este polícia sem lei é atraído pelo seu caso e por uma derradeira e desesperada tentativa de encontrar os verdadeiros caminhos do poder da misericórdia.
"Bad Lieutenant" é, ao mesmo tempo um dos melhores e mais típicos dos filmes de Abel Ferrara, uma vez que contém grande parte dos elementos que definem a sua obra. E isto inclui cenas toxicodependentes errantes, polícias sujos, punks urbanos, armas, agulhas, e, no fim, uma mensagem definitiva de redenção. E seguindo os passos de Christopher Walken em "King of New York" ou Zoe Tamerlis em "Angel of Vengeance" vamos encontrar um Harvey Keitel que tem uma interpretação marcante. Nunca está fora do ecrã, e é difícil imaginar um actor que conseguisse fazer um tamanho acto de equilíbrio para esta personagem.  O crime nas ruas sujas de Nova Iorque é vividamente capturado, e os vilões que ela povoam são autênticos. É mais um filme onde Ferrara coloca uma atmosfera sórdida à frente da história, e continua a ser um trabalho admiravelmente intransigente. 
Junto com "Reservoir Dogs", de Quentin Tarantino, foi um dos filmes que ajudou a catapultar o nome de Harvey Keitel, um actor que já andava na estada desde os anos setenta, com bons resultados, mas que nunca tinha tido tanto reconhecimento. Uma personagem similar ao Travis de "Driver", muito mais crú do que o Mickey Cohen de "Bugsy" que ele tinha interpretado no ano anterior, e lhe tinha valido uma nomeação para melhor actor secundário. Keitel ganhou com este filme o premio de Melhor Actor no Fantasporto e o mesmo prémio nos Film Independent Spirit Awards.


terça-feira, 7 de agosto de 2018

Os Viciosos (The Addiction) 1995

Um dos meus filmes preferidos, The Addiction é um curto filme de vampiros que lida com o vício e o controlo do impulso de matar. Uma jovem é atacada por uma jeitosa a meio da noite numa rua escura. Chega a casa com uma dentada profunda no pescoço e aos poucos percebe que as coisas mudaram. A sintomática vampírica vai-se revelando e ela tem que aprender a lidar com o vício do sangue. Tenta manter a sua personalidade mas rapidamente a sua repulsa por humanos acaba por vencer. 
Não é por ser um filme de vampiros ou sequer por ser um filme sobre dependência que gosto dele, mas pela vertente filosófica e a explicação sobre a existência dos grandes pensadores da História da humanidade, a sua visão sobre a imortalidade, a inevitabilidade da mudança, a futilidade da resistência e a nossa evolução enquanto indivíduos (mesmo que nos tornemos em algo que sempre abominámos). Filmado em preto e branco, mais preto do que branco, negro como a noite mais fria e polvilhado de analogias e metáforas para a vida real, para enfrentar a vida dura dos tempos modernos, da solidão dentro da multidão. Fez tanto sentido quando saiu, no tempo existencialista do grunge e da “geração rasca” às voltas com a incerteza do futuro e do fim da festa, com faz hoje em dia, num momento em que a lei da selva aplicada â economia e ao quotidiano impera.
Filme escolhido pelo Pedro Cinemaxunga, que também escreveu o texto.

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quinta-feira, 3 de agosto de 2017

New Rose Hotel (New Rose Hotel) 1998

Num futuro próximo, um brilhante engenheiro de genética japonês, Hiroshi, é o prémio que disputam 2 mega empresas, uma japonesa e outra alemã. Os revolucionários descobrimentos do cientista têm o poder de transformar o mundo e gerar biliões de benefícios. Hosaka contrata uma equipa de espiões formado por X e Fox, para ganhar a confiança de Hiroshi em prejuízo de Maas. A estratégia destes mercenários consistirá em atrair Hiroshi utilizando os encantos de uma jovem e bela prostituta.
Uma adaptação sombria por Abel Ferrara de uma história curta de William Gibson, o autor de "Neuromancer" e "Johnny Mnemonic", onde o mundo do cyberpunk é acompanhado pela obsessão do realizador por homens de meia idade perdidos em busca da redenção através da cura sexual. "New Rose Hotel" é passado num mundo vagamente futurista cheio de escuridão, neon, espelhos e vidros. Os nossos heróis vão passando por vários bares e quartos de hotel que podem ser localizados em qualquer lugar, desde Nova Iorque a Tóquio. Mas o filme funciona, sobretudo, graças ao desempenho dos seus dois protagonistas: Christopher Walken e Willem Dafoe. Ferrara deixa estes dois gigantes improvisarem em grande parte do diálogo em conjunto, combinando perfeitamente. Asia Argento contracena com eles.
Tal como grande parte dos filmes de Ferrara, teve lançamento limitado, mas foi exibido no festival de Veneza de 1998, onde ganhou dois prémios, e concorreu para o Leão de Ouro.

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