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segunda-feira, 11 de outubro de 2021

Desapareceu Bunny Lake (Bunny Lake is Missing) 1965

 Filmado a partir de um argumento adaptado do livro de Marryam Modell, escrito como Evelyn Piper, "Bunny Lake is Missing" é um filme assustador que sugere que o personagem principal vive num mundo de fantasia. Ann Lake, uma jovem mãe solteira, recentemente restabeleceu-se em Londres com a sua filha Bunny, e o irmão Stephen. Quase depois de chegar, Ann matricula a sua filha num colégio, e quando vai buscá-la depois do primeiro dia de aulas, não há qualquer registo da menina, nem ninguém se lembra de a ver. As suspeitas caem sobre o irmão de Ann, que parece mentalmente perturbado. 
"Bunny Lake is Missing" é um de dois filmes selecionados pela Columbia Pictures para servir como teste para provar que as leis da censura no Kansas eram inconstitucionais. Apesar da condenação informal do filme pelo retrato de uma mãe solteira, e pela sugestão de uma relação incestuosa entre dois irmãos, o filme não foi censurado nem banido pelo conteúdo em todo o país. Em Novembro de 1965, sete meses depois do Supremo Tribunal dos Estados Unidos acabar com a lei da censura no estado de Maryland, a Columbia resolveu testar estes dois filmes no Kansas, distribuindo-os sem buscar aprovação prévia, e informando a Kansas Board of Reviews que não submeteriam futuros filmes que decidissem exibir no estado.
O Procurador-Geral do estado moveu logo uma acção contra a Columbia para impedir o distribuidor de distribuir filmes sem primeiro obter autorização. O ex-governador do Kansas, John Anderson Jr, viria a defender a Columbia em tribunal, num caso que acabou por ser decidido em tribunal, e que levou finalmente a distribuidora a conseguir obter a razão nas suspeitas em que tanto este filme, como "The Bedford Incident" seriam censurados.

sexta-feira, 3 de setembro de 2021

Anatomia de um Crime (Anatomy of a Murder) 1959

 Baseado num best seller de 1958 escrito por Robert Traver, vagamente baseado num caso real, um assassinato ocorrido em Michigan em 1952. A história, passada principalmente num tribunal, gira à volta da morte do proprietário de um bar por um tenente do exército, Manion, que afirma ter agido com uma apaixonante raiva depois do proprietário do bar ter violado a sua esposa. A defesa de Manion cabe a Paul Bigler que, desde que foi eleito procurador local, passou mais tempo a pescar do que a exercer a sua actividade. Biegler concorda defender o tenente, mas o caso começa a ficar mais complicado por causa do comportamento sedutor de Laura Manion, e à medida que a história se desenvolve começam a ser questionadas as motivações do crime. 
Em 1959, a cidade de Chicago invocou uma portaria de 1907 para recusar a licença à Columbia Pictures para exibir "Anatomy of a Murder". Os censores da cidade, chefiados pelo superintendente da policia, opôs-se ao filme devido ao uso de termos como "violação", "esperma", "penetração", "contracepção" no depoimento do julgamento. Os membros do conselho também se opuseram ao relato de Laura Manion sobre a violação e argumentaram que o utilização de tal terminologia tornavam o filme obsceno de acordo com a portaria da cidade. Representando a Columbia Pictures, o realizador e produtor Otto Preminger, abriu um processo contra a cidade, para obter licença para a exibição do filme.
Ao preferir a decisão, o tribunal determinou que a comissão de censores tinha ultrapassado os limites constitucionais, e reverteu a decisão dos censores. O juiz aplicou a medida estabelecida em relação a livros e peças que exigia que a obra fosse julgada como um todo em termos do seu efeito sobre um leitor ou espectador. Mais um caso complicado, em que a justiça venceu em tribunal.

quinta-feira, 5 de agosto de 2021

Ingénua... Até Certo Ponto (The Moon is Blue) 1953

 Um dos casos mais famosos de filmes estreados sem o selo de aprovação da PCA foi "The Moon is Blue", baseado numa peça com o mesmo título, também escrita por F. Hugh Herbert, hoje parece  uma comédia leve e muito datada, Patty O´Neal, uma jovem actriz de televisão lutadora e ingénua conhece Donald Gresham, um jovem arquitecto, no Empire State Building. Ele convida-a para jantar, ela aceita, mas pelo caminho pergunta-lhe se podem passar pelo seu apartamento para costurar um botão que caíu. Ela pergunta-lhe se ele tentará seduzi-la ou se as suas intensões são honrosas, ao que ele a repreende por ter sido directa demais. 
Foi negado o selo de aprovação ao filme por causa da sua forma despreocupada como lidava com o assunto do adultério, apesar de não acontecer nenhum adultério durante todo o filme. A LOD classificou-o como "C" de condenado, mas a importância deste filme perante os censores de Hollywood não foi por questões técnicas, mas sim porque os censores esperavam que o distribuidor perdesse dinheiro por não ter conseguido um selo de aprovação. Em vez disso, o filme que tinha custado 450 mil dólares, acabaria por ser exibido em mais de 4000 cinemas, facturando 6 milhões de dólares na estreia. O seu sucesso enfraqueceu os poderes do PCA e fez outros estúdios tomarem nota, principalmente quando a United Artists deixou de ser membro da MPAA, em apoio a este filme.
Alguns anos depois, e depois do PCA ter revisto os seus padrões extensivamente, a United Artists voltou aderir ao MPAA, mas o filme ainda enfrentaria uma grande luta para conseguir o selo de aprovação para ser exibido em todos os cinemas, tendo sido proibido em várias cidades.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Exodus (Exodus) 1960

Judeus sobreviventes do Holocausto tentam emigrar para a Palestina, então sobre controle britânico. Estes, no entanto, restringem a migração apreendendo os navios que transportam os judeus e confinando-os no Chipre. Um combatente da Haganá, Ari Ben Canaan, é enviado ao local para fazer o que for necessário para que 611 passageiros cheguem a Palestina. O plano é descoberto instantes antes do navio zarpar. A maioria dos passageiros recusam-se a regressar ao confinamento, permanecem a bordo do Exodus, novo nome dado por eles ao navio, e iniciam uma greve de fome.
Baseado no best seller de Leon Uris, Exodus (1960) concentra-se no nascimento de Israel depois da Segunda Guerra Mundial. Centra-se em Ari Ben Canaan, um líder da resistência israelita que tenta ajudar um grupo de 600 judeus que tentam escapar de um bloqueio britânico para a palestina.
Otto Preminger, o realizador, era um homem que gostava de controvérsia, e desde o inicio que esta adaptação do livro de Leon Uris tinha os seus detratores. Primeiro Preminger decidiu descartar o argumento de Uris, porque considerava que o autor não podia escrever os diálogos, o que foi causar uma enorme controvérsia entre os dois durante anos. Depois convidou Albert Maltz, um argumentista da lista negra para escrever o argumento, mas este entregou-lhe uma versão de 400 páginas. O trabalho final iria parar às mãos de Dalton Trumbo, mais um da lista negra, que escrevia o argumento com o seu próprio nome. Mais ou menos na mesma altura, Kirk Douglas contratou Trumbo para escrever "Spartacus", e seria o reaparecimento de Trumbo que acabaria com o poder da Lista Negra.
Paul Newman, o protagonista, e Otto Preminger, o realizador, tinham dois estilos muito diferentes de trabalhar. Newman gostava de discutir as motivações do seu personagem com o realizador, mas este queria que Newman só fizesse o que ele lhe mandava. Um dia Newman entregou várias páginas de notas a Preminger, ao que este respondeu: "If you were directing the picture, you would use them. As I am directing the picture, I shan't use them."
A natureza não comprometedora de Preminger foi bem escolhida para esta produção específica. Havia discussões contra o filme pelos líderes de Israel, onde foi filmado em exteriores, assim como por líderes de grupos de terroristas, que levaram Preminger a enfrentar grandes pressões, e críticas à produção. Na sua autobiografia Preminger disse: "I think that my picture...is much closer to the truth, and to the historic facts, than is the book. It also avoids propaganda. It's an American picture, after all, that tries to tell the story, giving both sides a chance to plead their case." 

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