Mostrar mensagens com a etiqueta Masahiro Shinoda. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Masahiro Shinoda. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 2 de abril de 2021

Himiko (Himiko) 1974

A deusa do sol responsável pela fundação do Japão é vista como a conivente Himiko, que governa uma pequena porção de ilhas japonesas durante o século III através da sua influência sobre diversos homens poderosos. Médium, xamã e adoradora do deus do sol, Himiko vê tanto os seus poderes espirituais como os de persuasão abandonarem-na com a chegada do meio-irmão, um forasteiro adepto do culto dos deuses da terra, e o despertar de um amor incestuoso.
"Himiko" conta uma antiga lenda japonesa de uma raínha Xamã. Uma história atemporal e universal, mas o mundo de Himiko é um mundo muito particular, no qual os deuses do sol e da terra controlam directamente a vida das pessoas. O espectador é puxado para o passado, pela bela floresta intocada e paisagens montanhosas, os costumes e rituais das pessoas, e mais intensamente pelas intensidade das interpretações - principalmente da protagonista Shima Iwashita. 
Realizado pelo japonês Masahiro Shinoda, que já três anos atrás tinha visto um filme seu ser exibido em Cannes, "Silêncio", vê agora um novo trabalho seu concorrer para o principal prémio deste festival. Um belíssimo trabalho de art-house.

terça-feira, 31 de maio de 2016

Pale Flower (Kawaita Hana) 1964

Muraki, um gangster da Yakuza, acaba de ser libertado da prisão depois de cumprir uma pena por assassinato. Revisitando o seu velho vício do jogo ele conhece Saeko, uma mulher notável da classe alta que procura emoções, e cuja presença apimenta os antiquados rituais do antiquado submundo masculino. Muraki torna-se o seu mentor, e simultaneamente envolve-se com ela, levando-o a envolver-se mais com o mundo do crime.
"Pale Flower", de Masahiro Shinoda, abre com uma sequência quase perfeita que diz praticamente tudo o que o filme tem a dizer sobre as personagens principais. Centrado à volta de uma casa de apostas, a câmara move-se à volta de muitas pessoas que tentam a sua sorte, onde se encontram a mulher bonita e o presidiário. É uma sequência virtuosa, mas o que a torna tão inebriante é a fantástica música de Toru Takemitsu, um dos maiores compositores japoneses de todos os tempos.
"Pale Flower" é um dos filmes mais poderosos sobre o mundo da Yakuza, com Masahiro Shinoda a homenagear o film noir americano, embora com algum desespero. Passado na década de 40, vamos encontrar um protagonista solitário com um carácter obsessivo. Shinoda vai buscar muita influência ao Film Noir Americano e à Nouvelle Vague, com uma história sombria, niilista, que não oferece redenção ou qualquer recompensa emocional para os moralmente corruptos protagonistas.
O preço para a liberdade criativa por vezes é elevado, e este filme esteve arquivado durante meses, depois do co-argumentista Masaru Baba acusar o próprio realizador de anarquista, considerando o filme mais preocupado com a parte visual do que com a história. Shinoda acabou por conseguir lançar o seu filme, mas os estragos já tinham sido feitos. O realizador, com outros realizadores que trabalhavam para o Shochiku, acabaram por deixar o estúdio para sempre.

Link
Imdb