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19.6.17
Electrónica - Anos 70 - Best of...
» As electrónicas circulam pela música desde a alvorada
do século 20. Das ondas Martenot às primeiras composições de nomes como Varèse,
Pierre Henry e, mais tarde, Stockhausen ou pioneiros de ‘bricolage’ analógica
como Raymond Scott, muitas bases foram definidas. Porém, só depois das
primeiras experiências de Moog (com Walter Carlos) a música popular descobriu
que tinha ali novos caminhos a desbravar...
» Tal como os Neu! Ou os Can, os Kraftwerk são ‘produto’
da cena ‘kraut-rock’ germânica. Contudo, foram eles a quebrar definitivamente
amarras com o formato rock. O homem emulou a máquina, a música seguiu-a.
Sábado 9 de Agosto de 2003
64 ELECTRÓNICA – ANOS 70
Com o regresso dos Kraftwerk aos discos, após 17 anos de
ausência, era quase imperativo recordar as primeiras aplicações das então
emergentes ferramentas electrónicas a um contexto mais ou menos próximo do
universo pop. Da música de Walter Carlos para um certo ‘Laranja Mecãnica’ a uns
Human League pré reinvenção ‘electro-pop’, aqui deixamos 10 inventores de um
determinado futuro.
1972.
Walter Carlos
«Music
From A Clockwork Orange»
Não se trata da famosa banda sonora da Laranja Mecânica
de Kubrick, mas antes a totalidade da música que o compositor então criou, da
qual o realizador seleccionou os fragmentos que o filme tornou famosos. Um
mergulho nos bastidores de uma genial peça de trabalho electrónico feito sob
regras absolutamente clássicas.
1973. Can
«Future Days»
Os álbuns anteriores, Tago Mago e Ege Bamyasi já
apontavam uma «fuga» em direcção a prolongadas planagens atmosféricas, marcadas
pela rigidez da marcação rítmica de Liebezeit e a liberdade introduzida por
teclados e sintetizadores. Future Days é a concretização desses sinais, um
prenúncio orgânico de futuro electrónico.
1974. Tangerine Dream
«Phaedra»
Disco característico de uma segunda etapa na vida do
grupo, na qual o experimentalismo cede a algum melodismo, naquele que ficou
como um claro manifesto de futurismo musical na Europa de meados de 70. Usa
efeitos de som, mas sem esconder algum piscar de olho a pontuais formulações
mais clássicas.
1975. Neu
«Neu75»
O kraut-rock regenerou o rock’n’roll pela sua
fragmentação. A motorika dos Neu é disso exemplo perfeito. Ritmos minimais,
space-rock nas guitarras, «cut’n’paste» de sons dispersos. A sua influência
chegou a toda a gente, de Bowie aos Kraftwerk, chegando ao pós-rock e à
electrónica da actualidade (tudo explicado em Neu 75).
1976. Vangelis
«Albedo 0.39»
Depois do flirt sinfónico no pomposo Heaven And Hell (que
muitos conheceram mais tarde como banda sonora de Cosmos, de Carl Sagan),
Vangelis apresenta um álbum de clara exploração de padrões e sequenciações que
define regras que serão padrão de muita da electropop que então brota por toda
a Europa.
1977. Jean Michel Jarre
«Oxygène»
Com preparação em estudos de electrónica e música
concreta desde finais de 60, Jean Michel Jarre edita o seu primeiro registo de
originais, do qual faz nascer um verdadeiro monumento conceptual com intençõe
spolíticas e sociais no retratar de um tempo (o que a possante capa logo
indicia). Um disco tão envolvente quanto glacial.
1977. David Bowie
«Low»
Primeiro álbum da chamada trilogia berlinense (registada
em conjunto com Brian Eno e que comporta ainda os discos Heroes e Lodger),
mostra como a linguagem rock se apropria das electrónicas, não só nas canções,
como sobretudo num lado B todo ele constituído por gélidos retratos
instrumentais da Berlim de então.
1978.
Brian Eno
«Music
For Films»
Um ano depois do sublime Before And After Science, este álbum
recolhe peças electrónicas gravadas entre 1975 e 78 para filmes imaginários,
lançando pistas para o futuro imediato de Eno. Basta dizer que o álbum que
sucedeu a este na sua discografia tinha por título Ambient 1: Music For
Airports. Diz tudo...
1978. Kraftwerk
«The Man Machine»
Depois dos princípios básicos definidos entre Autobahn
(1974) e Trans Europe Express (1976), os Kraftwerk chegam a 1978 com a ideia de
lançar um álbum electrónico todo ele feito de canções. Sem imaginarem, acabaram
por definir o futuro imediato da pop electrónica, que toma The Man Machine como
‘bíblia’ de referência.
1979. The Human League
«Reproduction»
Fruto directo das influências dos anos mais recentes, a
pop dos Human League reflecte um tom gélido, mecânico, quase catastrofista, que
muitos designam por «cold wave». Neste seu primeiro álbum juntam a essa
linguagem um sentido lúdico que Dare!, dois anos mais tarde, transformaria num
ícone de referência da electro pop.
25.4.17
BANDAS SONORAS (As Dez Melhores Bandas Sonoras De Sempre) - Listas -
BANDAS SONORAS
(As Dez Melhores Bandas Sonoras De Sempre)
Escolher dez bandas sonoras representativas do género não
foi fácil. A opção centrou-se no assumir dos discos como peça autónoma e não
apenas da música enquanto parte do filme em questão (o que afasta «2002» e
outros tantos), ficando ainda o importantíssimo espaço do musical reduzido a um
representante de referência. Prometemos, regressar, um dia, a estes domínios...
1951. GEORGE GERSWINN
«An American In Paris»
EMI
«Serenata à Chuva» (1952) pode servir de emblema popular
do musical clássico «made in Hollywood. Mas é em «An American In Paris», filme
dirigido um ano antes por Vicente Minnelli, que o conceito (musical) do próprio
género encontra uma das suas concretizações mais puras. O retorno aos temas de
George Gershwin (1898-1937) faz-se através de uma lógica em que as canções se
vão inscrevendo num fascinante aparato sinfónico, ao mesmo tempo que suscitam a
expressão dos corpos que dançam.
1958. BERNARD HERRMANN
«Vertigo»
Varese
Se Alfred Hitchcock inventou a linguagem do «suspense»,
então Bernard Herrmann conferiu-lhe uma sonoridade própria. Teia de melodias
dramáticas, orquestrações exuberantes e cordas sempre angustiadas, a música de
«Vertigo» é a apoteose de uma relação de trabalho de oito filmes, entre 1955
(«O Terceiro Tiro») e 1964 («Marnie»). O todo existe como peça sinfónica
autónoma e fascinante, mesmo se foi concebido para servir os desígnios
fantásticos do filme e do seu retrato da mulher «que viveu duas vezes».
1966. HERBIE HANCOCK
«Blow-Up»
EMI
Ao convidar Hancock, Antonioni marcava um capítulo decisivo
da música moderna. Em 1966, Hancock tinha uma pequena, mas brilhante,
discografia que desembocava em «Maiden Voyage” (1965). Nela se exprimia uma
relação mais «free» com a história do jazz, disponível, por exemplo, para as
experimentações electrónicas. Na sua riqueza rítmica, fundindo sonoridades
rock, jogos funky e deambulações jazzísticas, «Blow-Up» é o momento zero de um
fascinante processo de reconversão da música nos filmes.
1971. WALTER CARLOS
«A Laranja Mecânica»
Warner Bros
Depois do determinante «2001: Odisseia No Espaço»,
Kubrick voltou a encarar a música como elemento fulcral do filme seguinte.
Baseado num livro de Anthony Burgess, o filme contou com brilhante banda sonora
na qual se cruza Beethoven e Rossini com uma ousada aventura de pioneirismo
electrónico conduzida por Walter Carlos. Num espaço de travo futurista (que
sublinha a identidade estética do filme), um plano novo nasce do encontro entre
a tradição clássica e o desenho de um futuro electrónico.
1977. VÁRIOS
«Saturday Night Fever»
Polydor
Editada em Dezembro de 1977, «Saturday Night Fever» é a
banda sonora mais vendida de sempre, o que é por si pomposo muito embora esse
não tenha sido o seu feito maior. O «pequeno filme» revelou-se um fenómeno
cultural ímpar definindo uma geração, testemunhando todo o movimento, a forma
de ser, de estar, de vestir, de dançar do disco sound. A par de clássicos dos
Bee Gees surgem outros hinos e nomes como Yvonne Elliman e K. C. & The
Sunshine Band num documento histórico.
1977.
JOHN WILLIAMS
«Star Wars»
RCA
Victor
John Williams era já um veterano (inclusivamente premiado
com dois Óscares) quando aceitou o desafio de George Lucas para cenografar com
música um épico intergaláctico que acabou por marcar a história do cinema.
Herdeiro da tradição sinfonista (uma das mais ricas e recheadas escolas de
música ao serviço do cinema), John Williams condensou na banda sonora de «A
Guerra Das Estrelas» uma amálgama de referências funcionais, dela nascendo uma
sólida e inesquecível sinfonia universal.
1982. VANGELIS
«Blade Runner»
Wea
De certa forma, encontramos na música que Vangelis compôs
para «Blade Runner» uma actualização (revista e aumentada) das potencialidades
das electrónicas ao serviço da mais clássica escrita de música para cinema,
escola com primeiro mestre em Walter Carlos. Ridley Scott adapta aqui um conto
de Philip K. Dick e, para conceber os ambientes de uma Los Angeles opressiva e
sobrepovoada no século XXI, recorre a uma dialética entre o épico e o negro que
a música de Vangelis aqui tão bem sugere.
1990.
ANGELO BADALAMENTI
«Twin
Peaks»
Warner
Bros
Numa chamada de atenção aos universos da música composta
para televisão, a presença de «Twin Peaks» serve nesta lista para exemplificar
como pode ser importante o entendimento estético entre um realizador (Lynch) e
um compositor (Badalamenti) na criação da alma de uma obra total. A música de
«Twin Peaks», que contamina depois a própria adaptação ao cinema em «Fire Walk
With Me» (em 1992), decorre de um trabalho que realizador e músico vinham a
desenvolver, na companhia da cantora Julee Cruise.
1995. GORAN BREGOVIC
«Underground»
PolyGram
A obra-prima de um dos mais invulgares autores europeus
de música para cinema é um exercício de composição que parte de referências de
tradições populares da música balcânica para um espaço de contemporaneidade,
naquele que é também o mais recomendável dos trabalhos de escrita musical na
filmografia de Emir Kusturica. Depois de interessantes ensaios em «Arizona
Dream», «O Tempo dos Ciganos» (ambos de Kusturica) e «A Rainha Margot» (de
Chéreau), Bregovic atinge aqui a plenitude da sua escrita.
1996. VÁRIOS
«Natural Born Killers»
Interscope
Momento alto de uma tradição que conheceu o primeiro
momento histórico na banda sonora de «Os Amigos de Alex», a de «Assassinos
Natos» é uma das mais poderosas compilações de canções ao serviço da sétima
arte. A música que serve este filme de Oliver Stone reúne figuras tão díspares
quanto as de Leonard Cohen, Patti Smith, Patsy Cline, Nine Inch Nails ou Barry
Adamson. Na concepção e coordenação da banda sonora encontramos Trent Reznor,
que depois trabalhou com David Lynch em «Estrada Perdida».
15.2.17
DN:música - Série: Os Melhores Álbuns De Sempre (1)
DN:música
Os melhores álbuns de sempre
02 de Setembro de 2005
02 de Setembro de 2005
[52] WALTER CARLOS
Na banda sonora de A Laranja Mecânica, de Stanley Kubrick
desvendou-se uma das primeiras obras-primas da música electrónica ‘popular’.
Música visionária, pioneira, herdeira das descobertas de Moog, em diálogos
entre a tradição clássica e a invenção de novas linguagens
TÍTULO A
Clockwork Orange (Original Soundtrack
ALINHAMENTO
Title Music From A Clockwork Orange (W. Carlos / R. Elkind) / The Thieving
Magpie (Rossini / Theme From A Clockwork Orange (W. Carlos / R. Elkind) / Ninth
Symphony – second movement (Beethoven) / March From A Clockwork Orange
(Beethoven, arr. W. Carlos) / William Tell Overture (Rossini) / Pomp And Circumstance
March No 1 (Elgar) / Pomp And Circumstance March No 4 (Elgar) / Timesteps (W.
Carlos) / Overture To The Sun (Terry Tucker) / I Want To Marry A Lighthouse
Keeper / Suicide Scherzo (Beethoven, arr. W. Carlos) / Ninth Symphony – fourth
movement (Beethoven, arr. W. Carlos) / Singin’ In The Rain
ANO 1972
EDITORA
Warner Records
Em 1971 Stanley Kubrick apresentou A Laranja Mecânica, um
dos mais marcantes dos seus filmes, adaptação de um romance de Antony Burgess
no qual se revela a história de Alex, um jovem cujos interesses são apenas
sexo, ultra-violência e Beethoven. O filme, um dos mais citados entre
fundamentais por sucessivas gerações de músicos, juntou a uma realização de
mestre e a um argumento notável uma interpretação arrebatadora de Michael
MacDowell, um aprumo visual iconográfico e uma banda sonora que fez história,
revelando-se uma das primeiras obras-primas da música electrónica “popular”.
Colaborador de Robert Moog no desenvolvimento do seu
sintetizador, o norte-americano Walter Carlos (hoje Wendy, depois de uma
operação de mudança de sexo em 1972) levou as potencialidades das novas
tecnologias ao serviço da música a bom porto com dois discos nos quais ousou
cruzar referências da música clássica com as emergentes máquinas electrónicas
de fazer som. Em Switch On Bach (1968) e The Well Tempered Clavier (1969),
reinterpretou leituras de obras seculares à luz do que se sonhava ser o som do
futuro.
Kubrick desafiou Walter Carlos a criar as músicas e
paisagens sonoras de A Laranja Mecânica, procurando em algumas diálogos
visionários entre passado e futuro, entre a música clássica e os novos
instrumentos, em tudo seguindo pistas fulcrais na definição dos jogos éticos do
próprio filme. Walter Carlos partiu precisamente da lógica de adaptação livre
que praticara nos anos recentes e reinventou, para Kubrick, a abertura de
Guilherme Tell de Rossini e, claro, elementos diversos da Nona de Beethoven,
peças que quase adquirem uma lógica narrativa. Numa das variações em torno de
Beethoven, à qual chamou March From A Clockwork Orange (definida sobre excertos
do quarto andamento da nona sinfonia), Walter Carlos estreou um instrumento que
depois se tornaria acessório em muita produção musical posterior: o vocoder.
A estas peças interpretativas, Walter Carlos juntou composições
suas, uma delas o gatilho primeiro para o interesse de Kubrick, o expressivo e
texturalmente deslumbrante Timesteps, o hoje célebre tema de abertura do filme
e alguns elementos incidentais. O resto da banda sonora é constituído por
gravações “clássicas” de obras de Rossini, Elgar, Tucker e Beethoven e as
canções Singing In The Rain de Gene Kelly e I Want To Marry A Lighthouse Keeper
de Erik Eigen.
Três meses depois da banda sonora, Walter Carlos editou
um disco complementar com a versão integral de Timesteps e porções de música
adicional que acabaram fora da montagem final do filme.
Nuno Galopim
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