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18.4.17
DN - Série: Discos Pe(r)didos (16)
DN - Diário de Notícias
27 Julho 2002
Discos Pe(r)didos
Tal como o californiano Darin Pappas nos anos 90 (ver
entrevista ao lado), Sheila Charlesworth encontrou em Portugal os estímulos que
a levaram a encetar uma carreira na música. Nascida em Toronto (Canadá) em
1949, viveu parte da infência e juventude em Montreal, onde conheceu os
primeiros sucessos como actriz e modelo.
Por ocasião de uma viagem a França, em 1970, assiste em
Paris a uma representação do musical «Hair», e algum tempo depois faz parte do
elenco, como actriz. É aí que conhece Sérgio Godinho, com quem terá uma relação
pessoal e em quem conhecerá um importante parceiro musical. Em 1971, Sheila
participa nas gravações de «Os Sobreviventes», álbum de estreia de Sérgio
Godinho, no qual surge depois creditada com «coros, sanduíches e amor».
Com Sérgio Godinho vive, então uma série de episódios
históricos. Juntam-se ao Living Theatre (com o qual vivem o «caso» brasileiro
de 71, com dois meses de prisão em Ouro Preto), residem temporariamente em
Amsterdão, regressam a Paris para gravar «Pré-Histórias» e, em 1972, partem
para o Canadá onde casam e se dedicam ao teatro.
Já com a filha Jwana, o casal regressa definitivamente a
Portugal. Sheila colabora então numa série de discos: «À Queima-Roupa» (Sérgio
Godinho, 1974), «Semear Salsa Ao Reguinho» (Vitorino, 1975), «De Pequenino Se
Torce O Destino» (Sérgio Godinho, 1976), «Fernandinho Vai Ao Vinho» (1976)...
Em 1977 grava finalmente, então já com o nome artístico
de Shila, um álbum de canções que conta com um lote de colaboradores de luxo já
que, além de Sérgio Godinho, estão presentes Fausto, Carlos Zíngaro, Júlio
Pereira, Paulo Godinho (ex-Pop Five Music Incorporated), Guilherme Scarpa,
Francisco Fanhais e uma bem jovem Eugénia Melo e Castro. O disco, que receb por
título «Doce de Shila» é um magnífico conjunto de canções, a maior parte delas
da autoria de Sérgio Godinho (duas em colaboração com Carlos Zíngaro, uma num
trabalho conjunto de adaptação de um tema popular com Fausto), uma de Júlio
Pereira e uma de Fausto (sobre poema de Reinaldo Ferreira). Os arranjos são
assinados por Godinho e Fausto, à excepção de «Entre a Flor e a Enxada», de
Júlio Pereira.
Tiveram particular exposição os temas «Chula»
(tradicional, com letra adaptada e transformada por Sérgio Godinho e Fausto,
dando origem ao conhecido refrão «P’ra melhor está bem está bem / P’ra pior já
basta assim») e «Mais Um Filho». Contudo, o «caso» deste álbum será
inevitavelmente o tema de abertura: «Espectáculo». Esta corresponde à primeira
gravação de um tema que Sérgio Godinho gravou, mais tarde em «Canto da Boca» e
que, recentemente, conheceu nova leitura na colaboração com os Clã para o
espectáculo (e disco) «Afinidades». Um ainda suave e delicioso «sotaque»
pontua, todavia, esta versão original de Shila, num momento histórico ainda à
espera de passaporte para a era digital.
Nos anos seguintes, Shila gravaria ainda o álbum
«Lengalengas e Segredos» (editado em 1979) e ainda alguns singles. Dedica-se
essencialmente ao teatro antes de, já em 1990, abandonar definitivamente a vida
artística.
N.G.
SHILA
«Doce de Shila»
LP, Lá Mi Ré (1977)
Lado A: «Espectáculo», «Chula», «Doce de Shila», «Mais Um
Filho», «Entre a Flor e a Enxada»;
Lado B: «Rapa Tira Deixa e Põe», «Parteira do Mar»,
«Dança de Amargar», «Rosie», «Gente Assim».
Engenheiro de Som: José Fortes
21.7.13
Livros sobre música que vale a pena ler (e que eu tenho, lol) - Cromo #33: Sérgio Godinho e Arnaldo Saraiva - "Canções de Sérgio Godinho"
autor: Sérgio Godinho e Arnaldo Saraiva (estudo crítico e notas)
título: Canções De Sérgio Godinho
editora: Assírio & Alvim
nº de páginas: 192
isbn: N/A
data:1977
sinopse:
A Canção E a Canção de Sérgio Godinho
Aqui e agora, a canção é, ainda, sinal de divisão. Há os que, fanáticos, mesmo que não inscritos em fan-clubes, não podem ou não sabem viver sem ela: os que por ela se colam ao transístor, ao rádio, à televisão, ao pick-up, ao gravador, ao juke-box; os que morreriam se perdessem, ao vivo ou em transmissão, um festival, um music-hall, um serão para trabalhadores, um canto livre (ou equivalentes), um programa de discos pedidos; os que sabem tudo da vida e da obra de um (de uma) cançonetista; os que, sós ou em grupo, no trabalho ou no descanso, parados ou em viagem, ao ar livre ou em casa, não passam uma hora sem trautear, cantarolar, interpretar as velhas ou as novas canções da moda.
Mas há também os que recusam a canção - por vezes com um fanatismo que pede meças ao dos que a defendem: os que a acham (só) ligeira, banal, medíocre, repetitiva, cansativa, deseducativa, alienante.
Não é difícil dar o nome geral de uns e outros, que aliás se dividem também perante outras produções que circulam na sociedade de consumo: as massas - e os intelectuais; as pessoas vulgares - e as élites. [...]
Etiquetas:
Arnaldo Saraiva,
Assírio e Alvim,
Canção,
livros,
MPP,
Música Popular Portuguesa,
pós-25 de Abril,
Sérgio Godinho
31.1.12
Livros sobre música que vale a pena ler (e que eu tenho, lol) - Cromo #10: Nuno Galopim - "Retrovisor - Uma Biografia Musical de Sérgio Godinho"
autor: Nuno Galopim
título: Retrovisor - Uma Biografia Musical de Sérgio Godinho
editora: Assírio & Alvim
nº de páginas: 215 (>A4)
isbn: 972-37-1097-8
data: Maio de 2006
sinopse:
Através de um retrovisor podemos olhar o que ficou para trás, mas estamos cientes de um caminho ainda a percorrer à nossa frente, e para o qual projectamos a atenção. O Retrovisor que se apresenta nestas páginas é como os que, espelho bem apontado ao terreno já ultrapassado, nos permite recordar as muitas histórias da obra de Sérgio Godinho até este momento, estando nós certos de novas canções, espectáculos, livros, ainda a caminho, por aí, algures mais à nossa frente.
Com mais de 20 álbuns editados desde inícios da década de 70, e uma vida musical que recua ainda mais atrás no tempo, com obra também vivida no cinema, no teatro, nos livros, Sérgio Godinho é uma das mais destacadas figuras da vida cultural portuguesa das últimas décadas, estabelecendo pontes entre artes, linguagens, gentes e gerações. Inevitavelmente, o seu percurso primordial como músico (o que implica o ser autor de pessoalíssimas letras que cruzaram tempos e públicos) inscreve-o como uma das mais determinantes referências da história da música portuguesa, reconhecido como poucos em todos os quadrantes da criação musical (e demais artes). Mas esse é apenas um dos seus espaços de expressão. Afinal, isto anda tudo ligado...
Este livro apresenta-se, essencialmente, como uma biografia musical de Sérgio Godinho. Parte das suas memórias de infância e juventude, ruma estrada fora pela Suíça, França, Holanda, Brasil e Canadá, à descoberta de uma personalidade artística e de uma vida longe de um destino numa Guerra Colonial em que não acreditava. Regressa a Portugal em 74 para se afirmar como uma das mais marcantes vozes do seu tempo, e logo uma das que não fez de uma certa urgência de liberdade e afirmação ideológica o destino único da sua criação, abrindo antes espaço à exploração de histórias vivenciais, de amores, de figuras ficcionais, também de ideias e convicções (caminhos, todos eles, expressos logo nas canções do seu disco de estreia). Mas estes são caminhos que se revisitam pela demanda das histórias subjacentes a cada canção, procurando-se aqui o que as estimulou tematicamente, como cresceram musicalmente, que vidas ganharam depois em disco, em palco, por vezes em outras vozes.
A selecção de imagens foi feita em conjunto, procurando revisitar tempos, lugares e parceiros de vida e trabalho. Mas sendo a maioria das imagens provenientes da colecção pessoal do Sérgio, optámos por ser ele mesmo a assumir, na primeira pessoa, a sua apresentação. As legendas, assim, falam-nos como se ele mesmo se dirigisse a quem o está a ver, aos seus amigos e memórias.
Retrovisor (um título sugerido por Jorge Colombo que logo agradou ao Sérgio e a mim) nasceu de uma longa série de conversas gravadas, das quais surgiu um tronco de histórias e ideias que depois ganharam vida no papel. Foram muitas e longas noites onde o trabalho era entremeado com as conversas do momento, novos e velhos discos que se escutaram.
Este Retrovisor é, necessariamente, uma história incompleta, capítulos, muitos, a acrescentar no futuro, mais discos e histórias certamente para continuar a contar. Esse reencontro fica já marcado. Para, então, pôr de novo os pontos nos iis...
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