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Programas
e Nomes da Rádio Portuguesa – Uma história pessoal de ouvinte, ao
sabor da memória (1976-2002)
70’s
– O DESPERTAR DO ENCANTO
Sobre as Marcas da Revolução, a Música Continua a Progressão
Humberto Boto - “Dois Pontos” – Rádio Comercial
ver ainda, sobre este ponto, as preciosas informações complementares prestadas por um visitante desta página, bem como os comentários e informações de um outro visitante.
Os ecos mais distantes que ainda permanecem na minha memória relativamente à paixão da rádio remontam a finais da década de 70 e ao programa “Dois Pontos”. Relembro perfeitamente a parte (variável) falada do indicativo que, sobre um fundo musical, emergia, provocando uma expectativa enorme, a maioria das vezes recompensada. Era qualquer coisa como isto: “Dois Pontos hoje vamos ficar, nesta primeira parte, com a audição integral do álbum dos Hawkwind – ...” , ou dos Wire, ou de Jacques Higelin, ou de tantos outros, de que já não recordo, mas sempre na linha da qualidade, pertinência e actualidade sugerida pelos nomes mencionados. A voz (excelente, por sinal) que me lembro era de Humberto Boto, de quem perdi completamente o rasto desde essa altura. Lembro-me que outros realizaram o programa, mas a névoa do tempo passado não me deixa focalizar os seus nomes. Apenas a impressão que um deles era Jorge Lopes, hoje na RTP, departamento de desporto, secção de Atletismo. Para além do prazer imenso que era sempre ouvir o programa, completamente alheado do resto do mundo durante 2 horas (11h00-13h00), cultivando um gosto e uma exigência musical que me marcaram indelevelmente para resto da vida; era-nos propiciada a possibilidade de gravação integral dos trabalhos (LPs), naquela altura em K7. Confesso que poucas coisas gravei e que nenhuma delas sobreviveu aos tempos, mas a marca permanece cá dentro. O motivo de tão parcas gravações prendiam-se apenas com a prosaica razão de falta de verba na altura, o que me levava a comprar (poucas) K7s, de ferro (porque mais baratas) e, depois, na falta de disponibilidade de fitas virgens, proceder à gravação sobre gravação, o que conduzia, passado algum tempo, à destruição da fita que ficava completamente enleada dentro do aparelho rasca da altura, um Silvano, de mala, 3 em 1 (gira-discos, rádio e leitor/gravador de cassetes). Outros tempos. Com a fúria e voragem dos tempos, os sound bytes e a publicidade tudo tomaram e deixou rapidamente de ser possível ouvir programas destes na rádio portuguesa; programas de 2 horas com interrupção apenas a meio, para sinal horário e serviço noticioso, e em que o locutor/realizador do programa apenas intervinha, sintética e objectivamente, no início e no fim de cada hora, ora para informar sobre o que iríamos ouvir ora para dizer o que tínhamos escutado, para os retardatários. Se bem me lembro, o programa passava na Rádio Comercial (antigo Rádio Clube Português), na altura estatal, entre as 11 e as 13 horas dos dias úteis. ver ainda, sobre este ponto, as preciosas informações complementares prestadas por um visitante desta página, bem como os comentários e informações de um outro visitante. Quando a RDP Antena 1 era Serviço Público do Melhor
Jorge Lopes –Aníbal Cabrita – Maria José Mauperrin - José Manuel Nunes - “Fórum” – “Café Concerto” – RDP Antena 1
ver ainda, sobre este ponto, as preciosas informações complementares prestadas por um visitante desta página, bem como os comentários e informações de um outro visitante.
Da mesma altura, ou talvez um pouco mais tarde, recordo, na Antena 1 da RDP, o programa “Fórum”, este sim, com toda a certeza, com realização de Jorge Lopes, com apoio de uma equipa. Ainda relembro o indicativo: sobre um pano de fundo musical, “Fórum”, um trabalho de equipa com a realização de Jorge Lopes”. Tratava-se de um tipo de programa diferente do “Dois Pontos”. Decorria, se não estou em erro, diariamente entre as 21 e as 24 horas, de 2ª a 6ª, e embora o seu ponto forte fossem os debates que levava a cabo, sobre os mais diversos temas candentes da actualidade, a música que passava primava também pela qualidade iniludível. Será daqui que lembro pela 1ª vez a presença do excelente animador de rádio Aníbal Cabrita? Tenho uma ténue ideia que sim, mas não posso assegurar. Aníbal Cabrita que me voltou insistentemente a acompanhar ao longo dos tempos. Trata-se de um animador radiofónico da “velha guarda”, com um bom gosto extremo a nível musical e sempre a par das novidades mais importantes desse mesmo circuito musical. Não recordo um programa da sua autoria (mea culpa?), antes o preenchimento por si de inúmeros espaços radiofónicos, na RDP, na Rádio Comercial, na XFM, na TSF, sempre aprazíveis para os apreciadores da música de qualidade e actual. Depois do “Fórum”, lembro-me do substituto “Café Concerto” realizado por Maria José Mauperrin, mais ligado às artes e com formato semelhante ao “Fórum”. Se calhar o Aníbal Cabrita “vem daqui”... Também deste período de ouro da RDP, salta à minha memória o nome de José Manuel Nunes, um dos homens que mais sabe do média rádio, Presidente da RDP até há pouco tempo (2002), cargo que ocupou durante cerca de 6 anos. O nome dele paira sobre os programas que referi antes, embora não possa assegurar se foi responsável por algum deles ou apenas participante, ou ainda se realizou outro programa da altura. Sei apenas que ouvi, com agrado, programas que o mesmo realizou ou participou activamente. ver ainda, sobre este ponto, as preciosas informações complementares prestadas por um visitante desta página, bem como os comentários e informações de um outro visitante. 80’s
– O AUGE DA MAGIA
Águas Paradas Não Movem
Moinhos
António Sérgio – “Som Da Frente” – Rádio Comercial
ver ainda, sobre este ponto, as preciosas informações complementares prestadas por um visitante desta página.
Se tudo o que foi referido antes se passou na adolescência, com a chegada da idade adulta, coincidente com a entrada na Universidade e consequente abertura de horizontes a todos os níveis, um nome e um programa tornaram-se todo um mundo de novas descobertas musicais: O “Som da Frente” e o seu mentor António Sérgio. Coincidiu tudo com a transformação do punk (que nunca me disse nada e que aliás via como o principal responsável pelo ensombramento dos meus anteriores heróis progressivos) em new wave. Dessa
época relembro as tardes passadas fechadas no quarto, sem quaisquer
obrigações, estudando e aguardando pelas 16 horas para escutar o
programa religiosamente em silêncio absorvendo todos os sons emitidos
pelo rádio. A
voz rouca e mágica do apresentador, as músicas de nomes como Joy Division,
Cure, Feelies, Sisters of Mercy, REM,
U2, Comsat Angels, Altered Images, Dead
Kenedys, Bow Wow Wow, Pig Bag, Yello Magic
Orchestra, Gang Of Four, Echo &
The Bunnymen, New Order, The The, Teardrop
Explodes, Simple Minds (de então), Smiths, John
Cale, entre muitos outros. Todos nós, nas fases da vida em que estamos mais susceptíveis à absorção de influências marcantes para o resto da nossos dias, apanhamos com alguma coisa. Eu apanhei com o “Som da Frente” pela frente. Ainda bem. É sobretudo devido a ele que ainda hoje adquiro carradas de música, sempre à procura, qual graal, da batida, da melodia, do efeito, do ruído, enfim... do som perfeito. O sistema de armazenamento continuava artesanal, como anteriormente, em que as K7s de ferro desempenhavam o papel principal, não tendo sobrevivido nenhuma para contar como foi. Para quem quiser apreciar os sons dessa época, a compilação, no formato de CD Duplo, “António Sérgio apresenta Som da Frente 1982-1986”, editada em 2002 é um bom ponto de partida, valendo também como recordação nostálgica para aqueles que, como eu, ouviram as músicas na altura da sua edição.
Era a altura dos “vanguardistas”, figuras vestidas preferencialmente de negro, com a imprescindível gabardina preta ou cinzenta sempre presente, deslizando subrepticiamente pelas ruas da cidade, num mimetismo importado da enevoada Londres. Segundo me lembro, o programa manteve o formato 16h-18h na Rádio Comercial por vários anos. O António Sérgio esse não era um novato nestas andanças da rádio. Antes tinha realizado o famoso “Rotações” na Rádio Renascença, onde a inovação foi já nessa altura a palavra chave, passando música que mais nenhum programa da rádio portuguesa passava, designadamente o emergente punk. Seguiu-se o “Rolls Rock” já na Rádio Comercial, entre as 0H e as 2H da madrugada. Depois do “Som da Frente”, o John Peel português seguiu o seu caminho e ainda hoje possui o seu programa “A Hora do Lobo” dedicado ao rock que se vai fazendo por estes dias. Este seu humilde admirador alterou significativamente os seus gostos musicais, a sua vida pessoal também foi sempre mudando, como é natural, e o acompanhamento da carreira do mestre deixou de ser efectuada. ver ainda, sobre este ponto, as preciosas informações complementares prestadas por um visitante desta página. Nem
Praxe, Nem Fitas, a Universidade Pode Ser Uma Coisa Diferente Paulo Somsen, Fred Somsen, Eugénio Teófilo – “ O Crepúsculo dos Deuses” – “DDD60M” – R.U.T. + Manuela Paraíso
ver ainda, sobre este ponto, as preciosas informações complementares prestadas por um visitante desta página.
A ligação forte seguinte aconteceu com o advento das rádios piratas, na década de 80, sobretudo da RUT – Rádio Universidade Tejo. Sediada no edifício da Associação de Estudantes do Instituto Superior Técnico e herdeira do pioneirismo da secção Sonora que emitia internamente aquando da minha passagem por aquele estabelecimento de ensino, foi, do ponto de vista de influência pessoal, a estação mais importante de todos os tempos, tendo contribuído duma forma incomensurável para o gosto e formação musical que nunca mais esmoreceram. Nessa altura, a maior parte do tempo que passava em casa, estava a ouvir música (sobretudo, mas não só) na RUT. E digo ouvir mesmo, não apenas como música de fundo mas com uma atenção e concentração totais e prazer imenso. Os programas excelentes sucediam-se em catadupa. A todas as horas passava música excelente, nova, original, que não conseguíamos ouvir em mais lado nenhum, a não ser, um pouco, no “Som da Frente”. Mas este ocupava apenas 2 horas diárias, enquanto na RUT havia uma continuidade difícil de acreditar. E não se pense que os programas eram todos iguais. Realmente nunca mais (a única comparação será a futura XFM, de que falarei adiante) houve uma tal concentração de programas tão originais, pessoais, diversos. Ainda por cima, feitos exclusivamente por amadores, ou quase. Bom, querem nomes. Tenho imensa pena de não ter escrito este artigo há mais tempo. Os nomes que me lembro, obviamente porque me marcaram mais, são o “Crepúsculo dos Deuses” dos irmãos Paulo e Fred Somsen e ainda do hoje, segundo julgo saber, médico Eugénio Teófilo. A par do “Dois Pontos”, do “Som da Frente” este foi um dos 3 programas estruturantes da forma como hoje aprecio a arte musical, a nível ideológico, formal e de conteúdo. Foi com este programa que descobri a cena industrial e os seus nomes mais importantes como Nurse With Wound, Coil, Death In June, Esplendor Geométrico, Cabaret Voltaire, In The Nursery, Whitehouse e tantos outros, que passaram a fazer parte do meu dia a dia. Lembro-me que o programa passava todas as noites, no horário nobre, e que nessa altura, obviamente não via muita televisão. A minha memória relembra vários programas a abrir com o 3xLP dos Nurse With Wound – “Soliloquy For Lilith”, um disco composto por Steve Stapleton para a sua filha e que é formado por 6 partes completamente minimalistas com um “drone” lento e leve, mas obscuro, sobre o qual sobrevinham ao longo do tempo alguns esparsos efeitos eléctrónicos e pequenas variações, num estilo completamente contemplativo e hipnótico . Aquilo que muitos pode considerar “uma grande seca”, mas que, na altura, fazia as minhas delícias e que ainda hoje revisito amiúde. Recordo ainda os programas especiais dedicados a editoras como “Cramned Discs”, “Some Bizarre”, “Play It Again Sam”, etc. Infelizmente o movimento das rádios piratas foi abafado e a RUT desapareceu ao fim de uns poucos anos. Alguns dos seus elementos, como por exemplo os citados responsáveis pelo “Crepúsculo dos Deuses”, ainda realizaram outros programas noutras pequenas estações, como o saudoso “DDD60M”, na Rádio Mais ou na Rádio Nova (só me lembro que ficava ali antes do Príncipe Real, do lado esquerdo de quem sobe) mas, neste momento, não tenho conhecimento que algum deles esteja no activo. Foram eles que criaram depois, a partir de casa, a Ananana, loja de discos e editora hoje no Bairro Alto, herdeira do Monitor, iniciado aquando da actividade da RUT. Também penso que já não estão ligados a esta loja especializada em importações e edições musicais menos comerciais. Mas a RUT não era só o “Crepúsculo...”. Aliás a grelha era completamente louca mas duma qualidade, energia e criatividade como nunca se alcançou em Portugal (lá perto apenas chegaria a XFM). A aposta forte era na música, em que se ouvia tudo o que era inovador no campo da música popular e onde não passava nada do que as outras 1358 estações passavam. A inteligência, espontaneidade e diversidade grassavam naquela estação universitária. Durante este período de relevo da RUT nos meus hábitos radiofónicos, num jornal musical de relativamente curta duração (comparado com o Blitz), o LP, deliciava-me com as palylists de um programa conduzido por uma senhora (raro neste meio, ainda hoje) de seu nome Manuela Paraíso. O seu programa, de que não recordo o nome, ia para o ar na setubalense Rádio Azul que, infelizmente não conseguia captar. As Playlists semanais eram compostas por nomes como 93 Current 93, Coil, Nurse With Wound, Danielle Dax, Wiseblood, Foetus, o que me deixava sempre a salivar e com imensa pena de não poder ouvir o programa. Entretanto ela saiu da estação e foi trabalhar para a Rádio Marginal, que eu conseguia apanhar. Embora nessa altura, por força da vida de estudante já ter terminado e assim as responsabilidades serem outras, não pudesse acompanhar a programação radiofónica como pretendia, lembro-me de ouvir algumas vezes o seu programa, sempre com música excelente. Ainda cheguei a gravar alguns programas em K7, que preservo. A propósito, vou agora ouvir algumas delas para rememorar alguns dos nomes e músicas aí presentes. Desde essa altura, já lá vão mais de 10 anos, nunca mais ouvi falar da Manuela Paraíso. Alguém sabe se ainda continua ligada aos meandros radiofónicos? (novo) 12-04-2006 Através de um reparo feito por um visitante desta página fui chamado à atenção para o imperdoável esquecimento da referência a um dos programas mais importantes e inovadores da rádio portuguesa, no ar na Rádio Comercial FM, se não estou em erro, entre meados da década de 80 e inícios da década de 90. Trata-se do programa "Musonautas" da autoria do músico das vanguardas da música electrónica improvisada e experimental, musicólogo e professor universitário, crítico e escritor, professor universitário, entre outras actividades. Falo, obviamente, de Jorge Lima Barreto. E o que lembro agora sobre a audição assídua e sempre ansiosamente esperada do seu programa. Bom, recordo os longos (no bom sentido do termo) e completos intróitos à música que nos iria apresentar na sequência, verdadeiros enquadramentos históricos e teóricos sobre a música e os autores da música que emergiria no éter logo de seguida. mas estas introduções ainda tinham mais sal e pimenta pois o autor conseguia ainda encaixar, em pleno discurso erudito, diversos comentários políticos e sociais irónicos, ácidos e certeiros, para além de frequentes outras diatribes sobre a música comercial em geral e sobre a música e os músicos que vogavam pelo Portugal desse tempo. Consigo lembrar-me, por exemplo, de uma crítica em que "desancava" completamente os GNR, particularmente o músico daquela banda pop, Jorge Romão, ou antes uma crítica em que o músico era classificado de músico hiperactivo e hiperenergético, ou algo do género, em que Jorge Lima Barreto questionava "o que é isso de um músico hiparactivo" eh, eh; isto a propósito, se bem me lembro, do lançamento de um álbum de Vitor Rua, como PSP, na altura das polémicas guerrilhas sobre a legitimidade do uso do nome GNR entre aquele músico e a banda de Rui Reininho. Polémicas, bastas, à parte, recordo, quando o programa passou a ser transmitido em horário para guardas-nocturnos (madrugada), de, com enorme sacrifício (pois trabalhava e levantava-me muito cedo), esperar ansiosamente pelo programa. Muitas vezes acabava por perdê-lo porque entretanto me deixava dormir; outras vezes conseguia estar acordado na hora do seu início, o suficiente para colocar o gravador de K7s no REC e ouvir o programa, ou parte dele, no dia seguinte. Era um programa de divulgação das músicas mais experimentais, avantgarde, e em que a música pop comercial não tinha qualquer hipótese de ser adimitida. Foi lá que consegui tomar conhecimento da existência e da beleza de movimentos como o minimalismo (música minimal repetitiva), a música improvisada, as franjas mais avançadas do jazz e ouvi, pela primeira vez músicos como Philip Glass, Wim Mertens (o "Maximizing The Audience", a sua obra-prima, em minha opinião, foi lá que contactei em priomeira mão), Glenn Branca, etc. Lembro-me ainda, penso que após a partida dos Musonautas para outro planeta, de ouvir mais ou menos regularmente um outro programa similar, da autoria do Rui Neves. Aqui a memória trai-me completamente e não consigo sequer recordar o noma do programa. Segundo informação de um visitante desta página, poderá tratar-se do "mesmo" Musonautas herdado de Jorge Lima Barreto ou realizado em regime de "conluio". Ou terá sido isso e depois terá havido também um outro programa? Bem, não consigo precisar, apelando à vossa prestimosa ajuda para esclarecer estes pontos nebulosos. Muito agradeço se alguém conseguir completar esta informação, fornecendo mais elementos sobre esse programa (nome, horário, estação, anos em que foi transmitido, etc.) ou outros dados sobre o que (não) digo no parágrafo anterior. ver ainda, sobre este ponto, as preciosas informações complementares prestadas por um visitante desta página. 90’s
– O CONTACTO MAIS SUPERFICIAL
XFM
– Para Uma Imensa Minoria
XFM – José Carlos Tinoco – “Auto-Retrato Sobre Transístor Molhado” – Aníbal Cabrita – Ricardo Saló
ver ainda, sobre este ponto, as preciosas informações complementares prestadas por um visitante desta página,
Seguidamente há um hiato da minha relação com a rádio portuguesa derivado e ter estado a trabalhar 2 anos e meio fora do país. Quando regressei, embora a vida já não permitisse um acompanhamento intensivo, entusiasmei-me ainda com o projecto da XFM, onde pontuavam nomes enormes da nossa rádio, como Aníbal Cabrita, António Sérgio e Ricardo Saló, entre outros. Se a escuta foi esporádica e errante no que toca à maioria dos programas, pela sua regularidade semanal, a horas em que podia ouvir, e porque a música era muito do meu agrado, acompanhei sistematicamente o programa “Auto Retrato Sobre Transístor Molhado” da autoria de José Carlos Tinoco. A programação consistia na evolução natural de programas como o “Crepúsculo dos Deuses”, acompanhando as novas edições dos músicos que cultivavam a música electrónica de cariz mais ambiental industrial e sombrio. O programa tinha o patrocínio da discoteca portuense “A Orelha de van Gogh”, especializada nessa área. Passado pouco tempo, a XFM fechava as suas portas. ver ainda, sobre este ponto, as preciosas informações complementares prestadas por um visitante desta página, VOXX
– ESPECIALISTAS EM KARATE COLOMBIANO VOXX – Carlos Cardoso – Rui Vargas – Ricardo Saló – “Radar” – “Gerente Comercial” – “Casa, Bateria & Baixo” - “Galinhas no Horizonte”
ver ainda, sobre este ponto, as preciosas informações complementares prestadas por um visitante desta página.
Bom, nesta fase da minha vida ( e a curva, por enquanto, tem tido sempre o mesmo sentido) ouvia cada vez menos rádio. O único projecto que, apesar de todos os altos e baixos que vem revelando já há alguns anos, depois do fecho da XFM, vale a pena manter debaixo de olho, é a Voxx. Nos seus tempos áureos, há cerca de 2 anos, chegou a contar no seu seio com a participação de Ricardo Saló, Rui Vargas, Carlos Cardoso, Miguel Quintão, Silvia Alves e outros, que asseguravam uma programação moderna e de grande qualidade. Hoje a coisa está um bocado em piloto automático e, apesar de ainda por lá se ouvir música que não se ouve nas outras estações, é tudo um bocado anódino, sem, praticamente, programas de autor, limitando-se a passar música a metro (ainda que acima da média) durante a esmagadora parte do dia. Parece-me que o único programa que ainda vale a pena é o “Galinhas no Horizonte” do Ricardo Saló, uma sumidade em tudo o que diz respeito a música soul/dance/electrónica. Da fase áurea da Voxx e porque o horário coincidia com o final da tarde, início da noite, altura para um pequeno período de relaxe após a chegada de um dia de trabalho, acompanhei com assiduidade e prazer enorme o programa “Radar” (18h-21h) , sobretudo quando a responsabilidade do mesmo esteve a cargo de Carlos Cardoso, um DJ que caracterizo como tendo um extremo bom gosto. Se para alguns a música de dança soa toda ao mesmo, a prova de como as coisas não são bem assim podia ser tirada ouvindo diariamente o programa Radar. É que embora eu próprio reconheça que, hoje em dia, com a avalancha de produtos musicais (“dançáveis”) que sai cá para fora, a maioria deles de duvidosa qualidade, se corre o risco de nos perdermos nesse labirinto de edições e de as músicas poderem começar a parecer todas idênticas, anódinas, sintéticas e inócuas, o “Radar” era um programa que nos orientava nesta selva editorial, com uma selecção extremamente criteriosa e deliciosa. O Carlos Cardoso, fez também, por essa altura, durante um período considerável, o programa “Gerente Comercial” e a sua influência era por demais notória, perdendo o programa todo o seu fulgor sempre que era substituído, fruto da indecisão editorial, motivada pela falta de meios que sempre caracterizou a estação. É ainda de salientar o programa “Casa, Bateria & Baixo” que veio ocupar o espaço do “Radar” e que, embora menos do meu gosto, especialmente devido à maior variedade de estilos apresentados, isto é, dentro do panorama das edições de música de dança, a selecção nunca foi tão criteriosa como a do programa seu precedente; manteve sempre uma bitola acima da média, contando com a responsabilidade, principalmente, de Rui Vargas. ver ainda, sobre este ponto, as preciosas informações complementares prestadas por um visitante desta página, Planando
Sobre o Rio Judeu
Rádio Baía – Desidério Murcho – “Opus Nigrum” – “Refúgio”ver ainda, sobre este ponto, as preciosas informações complementares prestadas por um visitante desta página.
Para terminar não queria deixar de falar numa rádio local aqui da zona do Seixal, ou antes de um ou dois programas (sobretudo um) que o seu proprietário sempre permitiu, apesar do notório deslocamento que manifestavam face à restante programação. Falo da Rádio Baía, onde recordo, há algum tempo já, a audição do programa “Refúgio” da autoria de Zé Moura (José António Moura), nome ligado à cena da RUT que descrevi acima (é bem possível que também tenha realizado algum ou alguns programas naquela estação – a memória atraiçoa-me). O programa, musical, passava essencialmente música dita electrónica, tipo mais industrial, entre outras vanguardas da música popular. Nomes como Front 242, Front Line Assembly, Cabaret Voltaire, Klinik, Memorandum, Mental Destruction, e outros menos conhecidos, eram presença assídua nas antenas daquela estação, por via do "Refúgio". O programa, ao que julgo saber teve uma passagem relativamente curta pela programação da estação. Pelo contrário o “Opus Nigrum”, da autoria de Desidério Murcho manteve-se no ar durante cerca de 7 anos, numa regularidade metronómica, todos as noites de sábado para domingo, das 0 às 2 horas da madrugada. Embora num registo mais especializado, o programa repetiu em certa medida o espírito do saudoso “Dois Pontos” no que toca à passagem frequente de discos completos, sem interrupções para publicidade ou de qualquer outra espécie. Conheço quem tenha aproveitado para fazer umas boas gravações. A
temática do programa era a música electrónica de pendor mais relaxante
e ambientalista, mas sem nunca cair na xaroposa new age. Nomes
como Kraftwerk, Klaus Schulze, Pete Namlook,
STOA, Radio Massacre International, Red
Shift, Dweller of the Treshold, entre outros,
marcavam regularmente presença. O programa terminou a sua actividade há cerca de 2 anos, por força da ida do seu mentor para fora do país, para aí seguir uma carreira académica. ver ainda, sobre este ponto, as preciosas informações complementares prestadas por um visitante desta página. (a continuar e a completar, num processo iterativo e incremental) Estes apontamentos devem ser entendidas como um “work in progress”. Regurgitações de memória serão acrescentadas ao sabor da disponibilidade. Apela-se ainda à colaboração externa no sentido de corrigir imprecisões, clarificar ideias, acrescentar dados/informações, contraditar opiniões, e tudo o mais que vos ocorrer. Obrigado.
FEEDBACK__________________________________________________________________ 1. Pedro Miguel Pereira - Almada - 02.04.2006 Caro Luís, 2. Domingos - Guimarães 05-03-2004 Viva
Luis! Caro Luís
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| 12 Abr 2006 | © Luis Jerónimo - mig.pand@netc.pt |
14.6.24
Já Agora...
4.7.22
VOXX - excertos de programas - "Gerente Comercial" e "Casa, Bateria & Baixo" #1
VOXX - excertos de programas - "Gerente Comercial" e "Casa, Bateria & Baixo" #1
pequeno excerto de "Gerente Comercial" + parte de um programa "Casa, Bateria e Baixo", da Voxx... # 1 de alguns...
VOXX, A Rádio da Melinha
18.4.22
VOXX, a Rádio da Melinha - Rádios que eram Rádios- Homenagem
A Voxx, como a XFM e a RUT foram as rádios que mais ouvi desde sempre.
Havia outras estações, sobretudo no saudoso tempo das "rádios pirata" com programas altamente recomendáveis e que aparecem, de certeza, neste blog.
Hoje em dia temos a SBSR e a Radar, que são as únicas que ouço regularmente. Não sei se são melhores ou piores... mas a minha idade é que já não é a mesma :-)
Fica aqui esta pequena homenagem à VOXX
GRELHA DE PROGRAMAS
O TIO JUVENAL DÁ BANHO A PORTUGAL
(um programa de disco sal)
Patrocínio: Águal do Canal.
NEVRALGIA (LEMBRAS-TE QUERIDO?...)
Inspiração: andar de baixo.
VOXX: sempre a considerar os andares inferiores.
O HOMEM QUE MORDEU O HOMEM QUE MORDEU O CÃO
Francamente!... Então tem algum jeito andar praí um gajo a morder os pobres dos animais? Já não bastava a rapaziada de Barrancos.
Sinceramente… dediquem-se mas é à pesca.
VOXX: cada escavadela uma minhoca.
REFOGADO E HORTELÃ
O sei programa da manhã; um espaço de esfregona e avental…
Com o patrocínio do Arroz Unidos Venceremos
Ó MELINHA, MELINHA
Anda cá querida. Traz a lancheira ao papá. Obrigado querida. Depois diz à mamã que o papá fica a fazer serão até mais tarde.
VOXX: A rádio da Melinha.
PROFISSÃO: GERENTE COMERCIAL
Casado, dois filhos, mulher encantadora e uma confortável conta bancária.
Hobbies: fugir ao fisco e caçar gajas.
VOXX: uma rádio com inveja.
CASA, BATERIA E BAIXO
(House e drum ‘n’ bass)
Do stress da cidade ao aconchego do lar.
ULTRAVOXX
Um espaço de voz na VOXX
Inclui: Vidas alternativas (espaço da responsabilidade da comunidade gay), fórum de debates sobre rádio, experiências de viagens, música e arte em geral.
ESPAÇO TOMALÁ MIX
A melhor música cá do prédio misturada pelo pessoal cá da casa.
O programa preferido do nosso ouvinte Toino, carpinteiro, lá de Valongo.
DJING ON
VOXX (VI O DOUBLE EX)
The new
trends of dance music, at VOXX listeners favored radio station.
Everyday
by midnight on 90.0 and 91.6.
VOXX: o
queêa?
FRACTAL MATRIX
(Uma solução radical pára um sono difícil).
Uma selecção musical dificilmente enquadrável no casamento da sua irmã.
VOXX: o conflito de gerações também passa por aqui.
A LUZ FRIA DA MANHÃ
Imagino!... Levou um flash que nem conseguia abrir os olhos.
Ora bem,… esteve a noite inteira a fumar e beber copos e quando saiu já o sol ia no zénite. Claro! Estava à espera de quê?
Quantas vezes o ouvi dizer que já não se metia mais nesses números; e que não tinha pedalada para isto?...
Bem, ao menos agora vai para casa sem dar de caras com a polícia.
VOXX: Uma r´dio à coca.
BRITISH PETROLEUM ou BRIT POP
Que é como quem diz: nem só de derivados do crude vive a indústria inglesa. VOXX: a rádio da Rainha (quando vem a Portugal).
BONANZA
O Oeste da nossa memória.
Da pradaria para a periferia, com a música a condizer.
VOXX: tira os olhos da aveia cavalo.
OBJECTIVO GANZA
O único espaço na rádio portuguesa dedicado à aromaterapia e prevenção do glaucoma.
VOXX: uma rádio open-minded.
TENRINHO
Um Disc-Jockey que não vai longe. Um basa pistas!...
Mal poua o vinyl, o pessoal começa logo a dar de frosques.
Passagens? Só se for as de nível.
VOXX: a melhor música de todos os apeadeiros.
OS PEDREIROS LEVANTAM-SE ÀS setembro O homem molda a paisagem… mas o pedreiro domina o betão.
Pedreiro um dos vectores mais importantes da qualidade de vida…
Sem os pedreiros que seria dos mais poderosos do mundo?
VOXX: não compar a obra-prima com a prima do mestre-de-obras.
LA LAGARES DE AZEITE
Um espaço nobre num país de eleição, onde a comida é boa, o clima é óptimo, os deputados têm direito a reforma vitalícia ao fim de oito anos de trabalho e onde os inquéritos ficam sempre me águas de bacalhau. LA Lagares de Azeite: a música que você gostaria de ouvir ao chegar a qualquer capital europeia, mas que nunca consegue.
VOXX a melhor música cá do prédio.
MARCIANO PACÍFICO
Músicas do outro mundo na VOXX, um programa de João Chato.
1,2
1,2 , 3, 4, 5 AQUI JAZZ
Pa ram pa ram pam
Pa ram pa rap am
Música do além
Todos os dias na VOXX
NO YOUTUBE
27.1.15
Memorabilia: Revistas / Magazines / Fanzines (18) - Op - Nº 14 - Outono de 2004
Revista op (visões da matéria)
#14: Outono de 2004 : ano 4, 2004: 2€
60 páginas
Ver o enquadramento desta revista neste post
A série "séc XX: 100 anos / 100 discos" continua, por agora com as listas de um dos nossos jazz experts, Ivo Martins, e de um dos grandes divulgadores musicais portugueses, o DJ e radialista Rui Vargas.
Rui Vargas
[Free pop]
4 Hero - "Two Pages" [Talkin' Loud, 1998]
808 State - "Pacific State" [ZTT, 1989]*
A Guy Called Gerald - "Voodoo Ray [Warlock, 1988]*
Air - "Moon Safari" [Virgin, 1998]
Aretha Franklin - "I Say A Little Prayer" [Atlantic, 1969]
Augustus Pablo - "King Tubby Meets Rockers Uptown" [Yard, 1975]
Aztec Mystic - "Knights Of The Jaguar" [Underground Resistance, 1999]
Basement Jaxx - "Remedy" [XL, 1999]
Basic Channel - "Basic Channel" [Basic Channel, 1996]
Beach Boys - "Pet Sounds" [Capitol, 1966]
Beck - "Odelay" [GeFFen, 1996]
Billie Holiday - "Quintessential Billie Holiday" [Columbia, 1936]
Bjork - "Debut" [Elektra, 1993]
Bob Marley - "Legend" [TuFF Gong, 1984]
Brian Eno & David Byrne - "My Life In The Bush Of Ghosts" [Sire, 1981]
Caetano Veloso - "Estrangeiro [Elektra, 1989]
Curtis Mayfield - "Superfly" [Curtow, 1972]
Daft Punk - "Homework [Virgin, 1997]
David Bowie - "Scary Monsters" [Virgin, 1980]
De La Soul - "3 Feet High And Rising" [Tommy Boy, 1989]
Dee-Lite - "World Clique" [Elektra, 1990]
Depeche Mode - "Violator" [Sire, 1990]
Dinosaur L - "Go Bang!" [Sleeping Bag, 1982]*
DJ Shadow - "Entroducing" [Mo'Wax, 1996]
Donna Summer - "I Feel Love [Patrick Cowley Mix]" [Casablanca, 1982]
Echo & The Bunnymen - "Heaven Up Here" [Sire, 1981]
Elvis Presley - "In The Ghetto" [RCA, 1969]*
ESG - "A South Bronx Story" [Soul Jazz, 2000]
Grace Jones - "Nightclubbing" [Island, 1981]
Grandmaster Flash & The Furious Five - "The Message" [Sugarhill, 1982]
Happy Mondays - "Pills n' Thrills & Bellyaches" [Factory, 1990]
Herbert - "Around The House" - [Phonography, 1998]
Inner City - "Paradise" [10 Records, 1989]
James Brown - "(Get Up I Feel Like Being A) Sex Machine" [King, 1970]*
Jeff Buckley - "Grace" [Columbia, 1994]
Jill Scott - "Who Is Jill Scott? Words And Sound Vol.1" [Hidden Beach, 2000]
Joy Division - "Atmosphere" [Factory, 1980]*
Kraftwerk - "The Man-Machine" [Capitol, 1978]
Kruder & Dorfmeister - "K & D Sessions" [K7, 1998]
Leftfield - "Leftism" [Columbia, 1995]
Lil Louis - "From The Mind Of Lil'Louis" [Epic, 1989]
Linton Kwesi Johnson - "Making History" [Mango, 1984]
Madonna - "Immaculate Collection" [Sire, 1990]
Manu Dibango - "Soul Makossa" [Unidisc, 1978]*
Manuel Göttsching - "E2-E4" [Racket, 1984]
Marvin Gaye - "What's Going On" [Motown, 1971]
Massive Attack - "Blue Lines" [Virgin, 1991]
Michael Jackson - "Thriller" [Epic, 1982]
Miles Davis - "Kind Of Blue" [Columbia, 1959]
Missy Misdeneanour Elliot - "Supa Dupa Fly" [Elektra, 1997]
Moodymann - "A Silent Introduction" [Planet E, 1997]
Mr. Fingers - "Can U Feel It" [Trax, 1986]*
My Bloody Valentine - "Soon [Andrew Weatherall Remix]" [Creation, 1990]*
New Order - "Blue Monday" [Factory, 1983]*
Nina Simone - "Anthology" [RCA, 2003]
Nirvana - "Nevermind" [GeFFen, 1991]
Nuyorican Soul - "Nervous Track" [Nervous Records, 1993]*
Outkast - "Stankonia" [La Face, 2000]
Pascal Rogé - "Satie - 3 Gymnopédies, 6 Gnossienes, etc." [Decca, 1984]*
Phuture - "Acid Tracks" [Trax, 1987]*
Pop Dell' Arte - "Free Pop" [Ama Romanta, 1987]
Portishead - "Dummy" [Go! Discs, 1994]
Primal Scream - "Screamadelica" [Sire, 1991]
Prince - "Sign 'o' The Times" [Paisley Park, 1987]
Propaganda - "A Secret Wish" [Island, 1985]
Public Enemy - "It Takes A Nation Of Millions To Hold Us Back" [Def Jam, 1988]
Radiohead - "OK Computer" [Capitol, 1997]
Red Hot Chilli Peppers - "Bloodsugarsex magic" [Warner, 1991]
R.E.M. - "Automatic For The People" [Warner, 1992]
Rhythm Is Rhythm - "Strings Of Life" [Transwat, 1987]*
Robert Omens - "I'll Be Your Friend" [Perfecto, 1991]*
Robert Wyatt - "Shipbuilding" [Rough Trade, 1982]*
Roni Size / Reprazent - "New Forms" [Talkin' Loud, 1997]
Run DMC - "Raising Hell" [Profile, 1986]
Sabres Of Paradise - "Smokebelch II" [Sabres Of Paradise, 1993]
Screamin' Jay Hawkins - "I Put A Spell On You" [Okeh, 1956]*
Serge Gainsbourg - "Bonnie & Clyde" [Philips, 1968]*
Smiths - "How Soon Is Now?" [Rough Trade, 1985]*
Soft Cell - "Non-Stop Erotic Cabaret" [Sire, 1981]
Sonic Youth - "Evol" [GeFFen, 1986]
Soul II Soul - "Club Classics vol. I" [10 Records, 1989]
Stereo MC's - "Connected" [Gee Street, 1992]
Stevie Wonder - "Innervisions" [Motown, 1973]
Stone Roses - "Fools Gold" [Silvertone, 1989]*
Sugarhill Gang - "Rappers Delight" [Philips, 1979]*
Suicide - "Suicide" [Red Star, 1977]
Talking Heads - "Remain In Light" [Sire, 1980]
Temptations - "Papa Was A Rolling Stone" [Tamla Motown, 1972]*
Ten City - "That's The Way Love Is [Steve Silk Hurley Remix)" [Atlantic, 1989]
The B-52's - "The B-52's" [Warner, 1979]
The Clash - "Sandinista!" [Epic, 1980]
The Cure - "Faith" [Fiction, 1981]
The KLF - "Chill Out" [Wax Trax!, 1990]
The Orb - "Adventures Beyond The Ultraworld" [Island, 1991]
The Specials - "Ghost Town" [2 Tone / Chrysalis, 1981]*
The Verve - "Urban Hymns" [Virgin, 1997]
Tom Waits - "Swordfishtrombones" [Island, 1983]
Underworld - "Dubno basswithmyheadman" [Junior's Boys Own, 1993]
Velvet Underground - "Velvet Underground And Nico" [Verve, 1967]
Young Marble Giants - "Colossal Youth" [Rough Trade, 1980]
* singles
Ivo Martins
[Os 100 discos que mais ouvi nos últimos 30 anos]
Alan Rawsthorne - "Concerto For 10 Instruments; Sonatina Fro Flute, Oboe And Piano; Quintet For Clarinet, Horn, Violin, Cello And Piano; Suite For Flute, Viola And Harp; Quintet For Oboe, Clarinet, Horn, Bassoon And Piano" [ASV Digital, 1999]
Albert Ayler / Don Cherry / John Tchicai / Roswell Rudd / Gary Peacock / Sonny Murray - "New York Eye And Ear Control" [Base Records, 1966]
Alexander Knaifel - "Svete Tikhiy" [ECM, 2002]
Alexander Von Schlipencah Trio - "Pakistan Pomade" [Atavistic, reed., 2002]
Anne Sofie Von Otter / Bengt Forsberg - "Rendez-Vous With Korngold" [Deutsche Grammophon, 1994]
Anne Sofie Von Otter / Wiener Philarmoniker / Claudio Abado - "Alban Berg - Seven Early Songs, Wine, Three Pieces For Orchestra" [Deutsche Grammophon, 1995]
Anthony Davis - 2Undine" [Gramavision, 1987]
António Carlos Jobim / Elis Regina - "Elis & Tom" [Verve, 1974]
Archie Shepp - "Life At The Donaueschinngen Music Festival" [MPS, 1967]
Archie Shepp - "Mama Rose" [Enja, 1982]
Art Ensemble Of Chicago - "Fanfare For The Warriors" [Atlantic, 1974]
Art Ensemble Of Chicago - "Nice Guys" [ECM, 1979]
Art Pepper - "Straight Life" [Galaxy, 1979]
Arvo Part - "Tabula Rasa" [ECM, 1984]
Bill Evans - "You Must Believe In Spring" [Warner, 1981]
Bill Frissell - "Lookout For Hope" [ECM, 1988]
Chet Baker - 2Summertime" [Artists House, 1980]
Chet Baker - "The Touch Of Your Lips" [SteepleChase, 1979]
Chick Corea - "Inner Space" [Atlantic, 1974]
Chris Chalfant - "All In Good Time" [C. ChalFant Music, 1997]
Clusone Trio - "I Am An Indian" [Gramavision, 1994]
Codona - "Codona" [ECM, 1979]
David Holland 4tet - "Conference Of The Birds" [ECM, 1973]
David Distrakh / Czech Philarmonic Orchestra / Jiri Tomasek / Prague Radio Symphony Orchestra - "Shostakovich - Violin Concerts, Nº 1 Op. 77, Nº 2 Op. 129" [Le Chant Du Monde, 1994]
Dexter Gordon - "Go" [Blue Note, 1979]
Don Cherry / Dewey Redman / Charlie Haden / Eddie Blackwell - "Old And New Dreams" [Black Saint, 1977]
Don Cherry / Dewey Redman / Charlie Haden / Ed Blackwell - "Old And New Dreams" [Playing, ECM, 1981]
Edward Vesala - "Ode To The Death Of Jazz" [ECM, 1990]
Eric Dolphy - "Berlin Concerts, Vols. 1 & 2" [Enja, 1961]
Eric Dolphy - "Out To Lunch" [Blue Note, 1964]
Gavin Bryars - "Jesus Blood Never Failed Me Yet" [Point Music, 1993]
Gavin Bryars - "The Sinking Of The Titanic" [Point Music, 1994]
Gil Evans & The Monday Night Orchestra - "Live At Sweet Basil, Vols. 1 & 2 [Electric Bird, 1984]
Glenn Gould - "Bach - Goldberg Variations" [Sony, 1981]
Greg Bendian's Interzone - "Requiem For Jack Kirby" [Atavistic, 2001]
Hagen Quartet - 2Shostakovich - Streichquartette Nºs 4 - 11 - 14, String Quartets" [Deutsche Grammophon, 1995]
Hal Wilner - "Weird Nightmare, Meditations On Mingus" [CBS, 1992]
Heiner Goebbels / Heiner Muller - "Der Mann Im Fahrsthul" [ECM, 1988]
Herbert Von Karajan - "Webern - Passacaglia; Schöenberg - Variations op. 31; Berg - 3 Pieces From 'Lyric Suite', 3 Pieces For Orchestra op. 6" [Deutsche Grammophon, reed. 1999]
Italian Instable Oschestra - "Previsione Del Tempo" [IM print, 2002]
Jaco Pastorius - "Jaco" [Epic, 1976]
Jaco Pastorius - "Word Of Mouth" [Warner, 1981]
Jim Hall - "Commitment" [AM, 1976]
Jimi Hendrix - "Are You Experienced?" [Polydor, 1967]
Jimmy Giuffre - "Free Fall" [CBS, 1963]
Jimmy Giufre - 2Western Suite" [Atlantic, 1958]
Joe Henderson - "Black Miracle" [Milestones, 1975]
Joe Henderson - "In 'n Out" [Blue Note, 1964]
John Coltrane - "Blue Train" [Blue Note, 1957]
John Coltrane - "My Favorite Things" [Atlantic, 1960]
John Zorn - "Cobra" [Hat Now Series, 1991]
John Zorn - "The Big Gundown" [Nonesuch, 19890]
John Zorn / George Lewis / Bill Frisell - "News For Lulu" [Hat Jazz Series, 1990]
Jon Jang - "Two Flowers On A Stem" [Soul Note, 1996]
Julius Hemphill Big Band - "Julius Hemphill Big Band" [Elektra, 1988]
Jürg Solothrunmann - "A Deeper Season Than Reason, [Alive] According To E. E. Cummings" [Unit Records, s/d]
Keith Jarrett - "Ruta + Daitya" [ECM, 1973]
Kenny Wheeler - "Music For Large & Small Ensembles" [ECM, 1990]
Kim Bak Dinitzen - "Britten - Complete Works For Cello" [Kontra Punkt, 1992]
Leon Fleisher / Joseph Silverstein / Jaine Laredo / Yo-Yo Na - "Korngold - Suite For 2 Violins, Cello & Piano Left Hand, Op. 23; Franz Schmidt - Quintet In G Major For 2 Violins, Viola, Cello & Piano Left Hand" [Sony, 1998]
Lee Konitz Nonet - "Yes, Yes, Nonet" [SteepleChase, 1979]
Lester Bowie - "The Great Pretender" [ECM, 1981]
Mahavishnu Orchestra - "Birds Of Fire" [CBS, 1973]
Marc Johnson's Bass Desires - "Second Sight" [ECM, 1987]
Marianne Posseur / Ensemble Musique Oblique - "Schöenberg - Pierrot Lunaire" [Harmonia Mundi, 1992]
Max Roach Double Quartet - "Bright Moments" [Soul Note, 1987]
Michael Brecker - "Michael Becker" [Impulse, 1987]
Miles Davis - "Bitches Brew" [CBS, 1970]
Miles Davis - "In A Silent Way" [CBS, 1969]
Miles Davis - "Kind Of Blue" [CBS, 1959]
Mitsuko Uchida / Pierre Boulez / Cleveland Orchestra - "Arnold Schöenberg - Piano Concert, Three Piano Pieces, Six Little Piano Pieces; Anton Webern - Variations, Op. 27; Alban Berg - Piano Sonata, op.1" [Philips, 2001]
Muhal Richard Abrams - "One Line, Two Views" [New World Records, 1995]
NRG Ensemble - "Calling All Mothers" [Uinnah Records, 1994]
Ornette Coleman - "Body Meta" [Artist House, 1976]
Ornette Coleman - "Dancing In Your Heads" [A&M Records, 1975]
Ornette Coleman - "In All Languages" [Caravan Of Dreams, 1987]
Pat Metheny - "Song X" [GeFFen, 1986]
Paul Bley Trio - "Closer" [Base Record, 1966]
Peter Erskine - "Transition" [Passport, 1986]
Philip Glass - "Hydrogen Jukebox" [Electra, 1993]
Red Garland - "Crossings" [Galaxy Records, 1978]
Simon H. Fell - "Composition nº 30, Compilation III For Improvisers, Big Band And Chamber Ensemble" [Bruce's Fingers, 1998]
Sonny Fortune - "Awakening" [AM, 1975]
Sonny Rollins And The Contemporary Leaders - "Sonny Rollins And The Contemporary Leaders" [Contemporary Records, 1959]
Sonny Sharrock Band - "Asked The Ages" [Axiom, 1991]
Sun Ra - "The Magic City" [Impulse, 1973]
Thad Jones / Mel Lewis & Manuel De Sica And Jazz Orchestra - "Thad Jones / Mel Lewis & Manuel de Sica And Jazz Orchestra" [Pausa, 1973]
Thelonious Monk - "Brilliance" [Milestone, 1975]
The Instant Composers Pool - "30 Years" [edição limitada de autor, Livro/CD, 1997]
The Now Orchestra - "Wowow" [Spool, 1997]
Tom Waits - "One From The Heart" [CBS, 1982]
Tony Scott - "African Bird Come Back! Mother Africa - To The Spirit Of Charlie Parker" [Soul Note, 1984]
Uri Caine - "Toys" [JMT, 1995]
Valentin Silvestrov - "Symphony Nº 5, Postludium" [Sony, 1996]
Vandermark 5 - "Target Or Flag" [Atavistic, 1998]
Wayne Horvitz / Butch Morris / Robert Previte - "Todos Santos" [Sound Aspects, 1988]
Wayne Horvitz - "This New Generation" [Elektra Music, 1987]
Weather Report - "Tale Spin" [CBS, 1975]
Yasuaki Shinizu & Saxophonettes - "Bach - Cello Suites 1, 2 & 3" [Victor Entertainment Inc., 1996]
Zoot Sims - "Hawthorne House" [Pablo, 1976]
A Grande Ilusão
Before And After Brian Eno
Em 1995, a Microsoft lança para o mercado o seu primeiro sistema operativo da era multimédia, numa séria tentativa de morder verdadeiramente os calcanhares aos concorrentes Macintosh.
Brian Eno é, simbolicamente, o escolhido para sintetizar num breve instante wave a saudação do Windows 95 aos seus utentes - um par de segundos tão rico quanto desnecessário. Em 1978, em pleno auge do no wave, Eno compila "No New York", um disco demonstrativo e referenciável para entendermos parte da energia fugaz do movimento pré/pós-pumk nova-iorquino. James Chance, DNA, Mars e Teenage Jesus and the Jerks formaram os seleccionados por Eno para legar um ponto de partida ao movimento ou, quando muito, para apenas ficarmos com o instante possível de algo demasiado intenso para se prolongar no tempo. Hoje, quase 30 anos depois, recupera-se a música, mas também a suprema arte de estar no sítio certo na altura certa. Eno possuía essa qualidade quase ubíqua de se posicionar na linha da frente com a sua música e com a dos outros. Era assim em 1978, foi em 1995 e em mais uma boa mão cheia de oportunidades - Eno no momento oportuno, executando as suas estratégias oblíquas dentro da música contemporânea, movimentando e criando novas peças de um jogo demasiado grandioso para compreendermos em todo o seu fulgor.
Para uma história superficial da música, Eno representa paradoxalmente a figura menos óbvia de todas: a de esteta fundador da música ambiental moderna, o autor de "Music For Airports". Eis agora o melhor modo de retocarmos alguns pontos soltos e voltar a colocar Eno no panorama da pop - música pop para a qual contribuiu decisivamente nos dois primeiros álbuns dos Roxy Music. Depois, fruto de conflitos internos, Brian Eno decidiu desligar-se do grupo e construir sozinho e pausadamente a sua cartilha de canções. Apesar do longo caminho percorrido entre estes quatro discos que agora encontraram uma reedição cuidada (apenas remexendo o que era importante: o som), todos os álbuns fazem parte de um trajecto apenas, uma contínua busca feita de ideias fixas e resolutas convicções.
"Here Comes The Warm Jets" é a primeira declaração de princípios e a apresentação do Brian Eno pós-amizade de Bryan Ferry. Fúria eléctrica, velocidade de ponta, espasmos e convulsões ainda com trejeitos de glam recalcado. Humor corrosivo e surreal de quem quer chamar a atenção ("Baby's On Fire"); a manipulação como arte final ("Driving Me Backwards"); Eno anunciando Flying Lizards ("Dead Finks Don't Talk"). Está simultaneamente com um pé no seu passado e outro no futuro; e é talvez por isso mesmo que será apenas no segundo passo que a obra-prima nasce, no final de 1974 - "Taking Tiger Mountain (By Strategy)". E daqui até à consumação final, com "Another Green World" (1975) e "Before And After Science" (1977), foi um grande pequeno passo. Mais conquistas, mais cenários plausíveis, mais gritos e mais silêncios e sobretudo muitas canções que ainda hoje fazem todo o sentido serem apelidados como clássicas. As estranhas emulsões de produções e as incontáveis horas de estúdio projectaram Eno para o futuro e não há quase nada nos dois últimos discos que nos agarre às décadas que já passaram - tal como a sua música de ambientes, de filmes, de aeroportos, tal como a sua conceptualização do quarto mundo com Jon Hassell. Mesmo nos momentos esforçados, houve sempre um sopro de agitada criatividade.
Com estes quatro discos, Eno legou ao mundo quatro pedras fundamentais e incontornáveis para a vanguarda da pop que são, simultaneamente, contínuas fases de maturação e evolução da canção enquanto forma acabada, do estúdio como ferramenta principal de trabalho, de exemplos definitivos sobre a colaboração e o aproveitamento das artes de outros músicos. Todas estas peças juntas demonstram a modernidade, a vanguarda dentro dos limites, a rebeldia controlada, a necessidade suprema de romper com dogmas e criar novas actualizações. A eterna reciclagem estética deste novo século obriga-nos a uma constante confusão temporal; as obras ganham réplicas e venerações, o presente ganha uma duplicidade de referências que nos destrói a ordem natural das coisas. Talvez se percam para sempre estes pontos fixos de referência, mas, em contrapartida, a fruição encarrega-nos da nova legitimidade temporal. É assim o papel das obras-primas: eternamente influenciadoras e construtivas. 30 anos depois da sua verdadeira contribuição histórica, Brian Eno volta a ser contemporâneo e moderno, demonstrando uma qualidade que, afinal, para muitas gerações, nunca esteve em dúvida.
Nota: Já com edição internacional, mas ainda sem confirmação e data marcadas para o mercado português, também alguns dos álbuns ambientais de Brian Eno vêem agora a luz do dia, devidamente recuperados, remasterizados e reembalados. Hipótese, portanto, de reavaliar outras ondas de choque e consequentes revoluções. "Discreet Music" (1975), "Ambient 1: Music For Airports" (1978), "Ambient 2: The Plateaux Of Mirror" (1980) e "Ambient 4: On Land" (1982) reformularam conceitos para uma nova música ambiental, assente no silêncio e numa ideia alrgada de espaço e tempo, como uma nova música contemporânea erudita. Recuperando as lições da vanguarda americana - dos drones de Pauline Oliveros ao repetitivismo de Reich -, Brian Eno conseguiu elaborar delicadas paisagens sonoras que flutuam em imponderabilidade perfeita entre a brisa ligeira da genial indiferença e o subtil engodo da atraente intelectualidade. Algo tão simples e complexo, tão aparentemente invisível, foi mais um dos golpes criativos de Eno que duraraiam uma eternidade. E fica a faltar "Fourth World, vol. 1 - Possible Musics", outra das suas milagrosas invenções de modernidade, agora na companhia de outro ilustre: Jon Hassell.
BRIAN ENO
"Here Comes The Warm Jets"
"Taking Tiger Mountain (By Strategy)"
"Another Green World"
"Before And After Science"
todos Virgin / EMI-VC, reed. 2004
Pedro Santos
