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28.7.16

Livros sobre música que vale a pena ler (e que eu tenho, lol) - Cromo #60: Ricardo Alexandre - "João Aguardela - Esta Vida De Marinheiro - Dos Sitiados à Naifa, A Rasgar A Vida"


autor: Ricardo Alexandre
título: João Aguardela - Esta Vida De Marinheiro - Dos Sitiados À Naifa, A Rasgar A Vida
editora: Quid Novi
país: Portugal
nº de páginas: 222
isbn: 978-989-554-870-5
data: 2011 (setembro)
1ª edição
prefácio: António Pires, jornalista


Ricardo Alexandre é natural do Porto. Director Adjunto de Informação da RTP-Rádio desde Novembro de 2005, coapresenta na Antena 1 o Programa Da Manhã e é autor e apresentador do programa Visão Global. Foi Editor na RTP (2001/2005) e na Antena 1 (1994-2001).
Licenciado em Sociologia pela Universidade do Porto e mestre em Sociedades e Políticas Europeias pelo ISCTE, deu aulas de Rádio na Universidade de Coimbra (2001/2008), bem como em Moçambique, Cabo Verde, Timor Leste e Macau.
Foi enviado especial aos conflitos nos Balcãs, Afeganistão, Timor e Médio Oriente, e também ao Irão, Paquistão, Indonésia, Líbia, Chipre, Irlanda, Estados Unidos, Brasil e Costa do Marfim.
Coautor do livro Visão Global - Conversas para Entender o Mundo, com José Cutileiro. Autor dos livros Por Uma Vida Normal: Era Uma Vez a Jugoslávia, Viver na Intifada e Irão, o país nuclear.
Distinguido com o 1º Prémio de Reportagem Rádio do Clube Português de Imprensa (1999) e Prémio Rádio da Casa da Imprensa (2005).
Autor de vários programas de rádio sobre Música Moderna Portuguesa em rádios locais e regionais nos anos 80, foi fundador e chefe de redacção da revista Ritual e criador das Noites Ritual Rock.
Amigo do João.

Prefácio
No filme de Tiago Pereira «Significado - A Música Portuguesa Se Gostasse Dela Própria» (título inspirado numa frase dita por João Aguradela), Nuno Paulino pergunta: «Como é que se dança Megafone?». A dúvida, pertinente, tem a ver com a dificuldade que é conciliar, musicalmente e depois «coreograficamente», danças do passado com danças do presente.
A mesma dúvida que se poderia pôr em relação aos Gotan Project, a Mercan Dede, aos Ojos de Brujo a Nitin Sawhney, isto é, a muitos outros que tal como o Megafone de Aguardela também vão às músicas (e danças) de raiz tradicional para as lançarem em direcção ao futuro.
A dúvida que, presumo eu, terá tido Ricardo Alexandre ao escrever este livro sobre a vida, amores, afectos e a imensa e variada obra do seu amigo João Aguardela terá sido diferente mas paralela a esta: «Como é que vou ao passado e transporto para o presente (e para o futuro) a vida riquíssima do João?». Se essa dúvida existiu, está mais que ultrapassada: João Aguardela - Esta Vida de Marinheiro é o retrato mais-que-perfeito de João Aguardela como Homem, como Artista e como Amigo.
Fazendo uso da sua memória pessoal - muitas vezes, este livro é também, e bem, sobre si próprio - e entrevistando igualmente as pessoas certas, Ricardo Alexandre traça fielmente o percurso singular de uma pessoa também ela singular, única e irrepetível da (na) música portuguesa. Está aqui, inevitavelmente, a história dos Sitiados, do Megafone, da Linha da Frente e d'A Naifa.Mas estão também aqui outros projectos, embrionários ou em desenvolvimento, em que João Aguardela esteve envolvido: os Hyperactive Child (depois chamados Meteoros, origem remota dos Sitiados), as suas parcerias com músicos dos Clandestinos (principalmente no Bar das Palmeiras, antiga sede do PSR), a banda de um concerto só Johnny Gordony & The Guys ou as jams que ele, Sandra Baptista e amigos faziam em casa por puro divertimento.
Também por isso, , estão neste livro muitos dos cúmplices de João Aguardela nas suas aventuras musicais. Mas também muitos outros, seja devido aos seus empenhamentos políticos, seja devido às várias amizades extramusicais que foi semeando. E, no meio disto tudo, Ricardo Alexandre vai deixando pistas sobre o amor de Aguardela pela música., a dele e dos seus companheiros mas também a dos outros. Pistas que podem servir como um manual perfeito para quem quer começar nas lides musicais ou até já lá está. O relato do que Aguardela sentiu quando viu Tim, o vocalista dos seus ídolos de juventude, Xutos & Pontapés, a cantar com a Resistência o tema A Noite, dos Sitiados, é absolutamente exemplar.
Se houvesse justiça neste mundo, este livro - na verdade - não devia existir. Ou, pelo menos, da maneira que existe. E basta ler um dos apêndices deste livro - as mensagens deixadas por fãs e amigos no site do jornal Público quando da morte de João Aguardela - para se perceber o que isto quer dizer. Mas, como não há, é mais que justo que exista. E que seja exactamente este.
António Pires, jornalista








6.5.16

Memorabilia: Revistas / Magazines / Fanzines (207) - Filhos De Viriato - Nº 1 - Agosto de 1989


FILHOS DE VIRIATO
PUBLICAÇÃO MENSAL DE MÚSICA MODERNA PORTUGUESA
PORTO
Nº 1
Agosto de 1989
Preço: 100$00
Impressão: 1000 exemplares
Nº páginas: 20
+ (mini)encarte de 8 páginas A6 (A5 dobradas ao meio) com o Roteiro - Verão 89
Papel normal de fotocópia A4 (A3 dobrado ao meio e encadernado mas sem agrafos), tudo a p/b



Director e Proprietário: Ricardo Alexandre
Redacção: Ricardo Alexandre, Cândido Resende Alves da Silva, João Nuno Coelho, António Pedro Pombo e Marco Fernandes
Colaboradores: Marta Correia, Ivone Santos
Lay-out: Paulo Alexandre, Ricardo Alexandre
Desenhos: Carlos Miguel, Álvaro Manuel
Fotografia: Nuno Olaio

Editorial
Razões De Querer
A falta de conteúdo na grande maioria das publicações musicais é, actualmente, um dos muitos “cancros” que afectam a imprensa periódica portuguesa. Nem mesmo as publicações marginais, os chamados “fanzines”, escapam a uma mediocridade de ideias, que é, por vezes, irresponsavelmente colmatada com “malabarismos” gráficos e visuais. É, no entanto, impossível dissociar este facto da actual situação do país, no que respeita à mentalidade e consciência social dos cidadãos. Num país onde o vazio ideológico assume proporções assustadoras, onde o tecnocrata bate o intelectual aos pontos, onde as pessoas são progressiva e gradualmente levadas a pensar, não em função de si próprias, mas em favor das estruturas que as integram, das máquinas, como será possível a existência de uma imprensa jovem idónea, coerente, militante e minimamente rica em termos de conteúdo?
O nosso objectivo é precisamente esse. Tentar quebrar as barreiras do superficialismo, tentar conquistar uma nova maneira de ler por parte do público, ainda que não possamos aliar a nossa assumida militância e contestação a uma componente gráfica de qualidade superior. Mas vamos por certo tentar. Coloca-se a questão: qual o papel da Música Moderna Portuguesa em tudo isto? Os músicos, a música, pela sua capacidade de (de)formação de opinião, pela sua função socializante, não podem, de forma alguma, ser abstraídos da realidade em que se inserem; cumpre a quem escreve, igualmente pela sua função socializante, inserir a Música Moderna Portuguesa ajudando-a, acarinhando-a, criticando-a, na realidade em que nos movemos.
Em suma, é para tal que aqui estamos. Procurar lutar contra a falta de condições, contra a falta de tempo e contra a acomodação. E estamos aqui porque gostamos. Sabe bem.
Ricardo Alexandre

Rui Reininho
Ressacadamente
“Posso Falar”?
O monólogo ocorreu há alguns meses atrás quando Rui Reininho e Miguel Esteves Cardoso promoveram uma sessão sobre o amor num conhecido bar portuense. Reininho autorizou-nos a carregar no “record” e perguntou “posso fala?”
Antes do “Amor”...
* Nunca fiz política, nunca votei, sou um anarquista.
Sou duro, para mim não há rei nem lei.
Faço as coisas por Amizade e por Amor.
Hoje venho cá só para falar de Amor.
Depois do “Amor”...
* Fui um idiota hoje, não fui? Falar de política! Eu quero é ver sangue, quero acção. Quero acordar de manhã e ver acção. Já tenho meio quilo na cabeça e queria ter lá fora um helicóptero à minha espera. Mas tenho um “espada”, um Mercedes, não é bom?
O meu Mercedes está aqui estacionado e eu hei-de ser sempre um bandido... Nunca hei-de pactuar com esses gajos da televisão...
* GNR é um grupo de bandidos. Não somos detectives. Somos Padrinhos da Mafia... O Padrinho é um dos meus filmes preferidos.
GNR é instituído? O caraças. Eu detesto essas merdas. Eu quero o poder, quero dirigir o poder, dar cabo daquela merda toda. E posso fazer isso.
* O GNR não é uma coisa acabada. É um verme que viaja. É um verme que escapa ao Estado, à Europa.
O nosso disco é muito cuidado? É.. é... na medida em que eu hoje falei de ternura e fui assobiado, acho que a ternura passa pela eficácia. Hoje em dia... posso ser sincero? É assim... hoje ouvi Mão Morta, eu adoro o Adolfo... e punhais e não sei quê... Acho que a eficácia passa por um certo conservadorismo em relação às instituições. Hoje expus-me aqui. Hoje fui uma “puta”. Fui a única gaja nua aqui. A certa altura pensei: isto não me interessa. Não me interessa a pátria... eu quero é crueldade. Quero sentir uma comoção. Eu trabalho para isso.
* Serei sempre o Rui Reininho. Hoje fiz de palhaço. Mas faço porque gosto de acção. Gosto de guarda-costas. Gosto de ir com eles para o Swing. Gosto dessa merda toda. É um filme. Sou o Al Capone do Rock. Acompanhei a subida dos UHF, dos Heróis, dos Xutos. Os GNR sempre estiveram um bocado à parte disso tudo, não foi? Eu sou muito mais decadente que eles todos!
Hoje em dia está tudo doido. Vai haver crimes esta noite, vai haver mortes... vocês estão a olhar para um crime. Eu ontem esganei a minha namorada e vocês não sabem... O Reininho estrangulou a namorada... vocês achariam o máximo não era? Se eu tivesse filmado isso num vídeo, vocês achavam que era comercial. Não é esse o limiar dos anos 90. Os anos 90 não vão ser assim... vão ser subtileza.
* A “Valsa dos Detectives” não é um álbum que venda. Há crueldade dentro daquilo. Há o encantamento da serpente, há uma serpente que quero encantar... não me tirem essa merda.
* Eu hoje bebi um litro de gin... é um luxo. Hoje tive uma noite de luxo... Sentei-me ali, bêbedo, (...) coca em casa... e o espectáculo era meu. O público não percebe isso porque é pobre. Não tenho medo dos pobres; eu sou é do ponto de vista do Marquês de Sade: os pobres devem ficar mais pobres para se revoltarem. Devem sofrer para lutarem. Daqui a 5 anos o meu amigo João Peste vai ser apresentado pelo Júlio Isidro nos Amigos Disney.
* Vai haver sangue esta noite... eu tenho 1,90 m, sou forte, vou ver strip-tease, vou ver o ódio, a crueldade, adoro a crueldade. O Teatro da crueldade começou hoje para mim, tenho este estupido relógio da Swatch que roubei hoje.
* Eu quero submeter a ordem deste país. Quero ir ao Alentejo. No Sábado vou a Évora e vou apanhar a alentejana nua... Pode ser o meu crime... e vocês não deixam... com a merda da vanguarda não me deixam cometer o meu crime. Quero o meu crime agora, quero três mil gajos a aplaudir-me, quero ser um ninja, cortar cabeças.
* Adoro o Jacques Brel. Posso cantar trinta músicas dele. Já conheci o Iggy Pop. Foi a semana passada. É um bêbedo, doido e milionário.
Adoro o “New York” do Lou Reed.
Quero conhecer a vida, o mundo, o Gorbachov. A minha missão é essa.
Para a próxima trago aqui o Gorbachov e o Mário Soares... mas são eles que têm que me procurar.
* As Delfin(a)s é um grupo piroso, fazem a nossa 1ª parte, eu vou para o palco e digo: Obrigada pela música de criada de Cascais, às Delfinas. Isso é grave. Um gajo avant-garde não tem coragem para fazer isso. Eu digo e assumo. Há para aí 4 gajos a quererem bater-me. Mas eu gosto disso. Quero ser Mafioso. É um imaginário. Gosto de ver sangue a correr, gosto de confronto.
* Sempre fomos (os GNR) as “putas” mais caras. Acho que é um bom princípio. Hoje expus-me aqui. Faz parte do meu show. É uma intuição. Nós fomos os gajos mais chiques quando estivemos em S. Paulo... eles têm 14 milhões de habitantes.
* Um gajo tem que mexer com a merda desta cidade. Nós somos um grupo do Porto e fazemos essa merda com orgulho. Chegámos a S. Paulo e eles sabiam que éramos do Porto... e não de Lisboa. É bom, não é? Quando um gajo faz uma coisa que acredita, não é piroso.
Ilustrações: Álvaro Manuel Morcela
Recolha de Som: Repórter X


Um Bacano De Chelas
Sob O Signo Da Aldrabice
Farinha:

Foi no passado dia 27 de Julho, no Pinguim Café, que Farinha Master, o popular artista de Chelas, apresentou o seu mais recente trabalho “Desperdícios”. Assessorado pelo divertidíssimo Grazina (que aqui revelou o seu elevado potencial como “entertainer”), Farinha demonstrou, perante uma plateia vibrante de entusiasmo, estar no auge da sua criatividade e imaginação. Apesar da falta de condições (é lamentável a inexistência de uma cuspideira), o mentor dos Ocaso Épico brilhou-nos com um espectáculo ímpar e inovador.
O trabalho pretende ser uma síntese experimental de correntes tão diversas como o fado e o hard-core, a música minimal e até o samba. O resultado excede as expectativas mais optimistas. A genialidade foi uma constante durante quase duas horas de espectáculo, que atingiu o seu auge com o “hit” mais recente deste artista conceptual – “Quero ir ao Frágil” é, acima de tudo, um libelo contra a miséria e a injustiça social, colocando definitivamente Farinha na 1ª linha da chamada corrente intervencionista, lado a lado com nomes como os Heróis do Mar e os Ibéria.
Na verdade, a crítica social foi uma constante – o preço dos medicamentos e o problema dos hospitais, a superlotação dos estabelecimentos prisionais, a questão premente da Selva Amazónia – tudo Farinha interpelou e questionou, formulando hipóteses, propondo iniciativas e sugerindo soluções. Enfim, uma noite de inspiração para uma das promessas mais sólidas da nossa música moderna. Gostaria de deixar uma última nota para a decoração – excelente! – e para o cuidado com que tudo foi planeado até ao mínimo pormenor, evitando demoras e quebras no ritmo do show.
O NOSSO MUITO OBRIGADO!
Ivone N.





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