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16.1.16

Memorabilia: Revistas / Magazines / Fanzines (153) - Option #25


Option
Music Alternatives

MAR/APR  1989  No. 25
$3.00

USA
140 páginas
interior - papel brilhante fino profusamente ilustrado com imagens e fotografias e com muitos textos de artigos de fundo, críticas, etc.
papel interior a p/b
capa e contracapa a cores.
Publisher And Executive Editor: Scott Becker





Tropeção no Êxtase Luminoso
Psychic TV & The Acid House Experience
by Neil Strauss



Os revolucionários frequentemente emergem da nobreza, clero, trabalhadores comuns, e artistas. Artistas têm sido considerados os pintores, os escritores, os criadores. Tradicionalmente, nenhum destes termos abarca o DJ, que trabalha com aquilo que já existe de forma a fornecê-lo às massas. Mas hoje em dia um DJ é quer um artista quer um revolucionário, enviando mensagens na forma de samples, misturas, e ácido, recriando o que que já foi criado, reenergizando a juventude sob uma bandeira psicadélica. "Uma vez, num clube de Brighton cheio com cerca de mil pessoas," relembra Genesis P-Orridge, "toda a gente dançou durante cinco horas de música ininterrupta. Então, de repente, o DJ, Danny Rampling, parou a música e passou 20 minutos de um discurso de Martin Luther King, sem qualquer música e toda a gente, cerca de 1000 pessoas, ficaram em silêncio durante esses 20 minutos a ouvi-lo atentamente. Depois do fim do discurso todos deram as mãos e aplaudiram."

A música House teve já uma longa viagem, começando em Chicago, no Warehouse Club, no seu lado Sul. O seu DJ, Frankie Knuckles misturou sons de comboios expresso de alta velocidade e animais da selva em implacáveis ritmos, forçando o público louco em montes de ecstasy à medida que ele ia remisturando ao vivo com caixas de ritmo e baterias electrónicas. Esta batida imparável, firmemente embebida em música africana e latina e também no disco dos anos setenta, acompanhado por sons simples encontrados em qualquer parte e vocalizações esparsas, foi rapidamente imitada e trazida para a Europa. O primeiro a fazê-lo foi o DJ londrino Mike Pickering que, com Simon Topping (ex-A Certain Ratio) e Richie Close, criaram os T-Coy, cujo "Carino" e "I Ain't Nightclubbing" são responsáveis pelo começo da house na Inglaterra.Pickering está agora no Hacienda Club, rodando vinis ácidos e gritando "Are you on one, matey?" para a juventude em êxtase completo, que ou estão a soprar bolas de sabão, refrescando-se na piscina ao ladfo da pista de dança, ou agitando os braços no ar, gritando "Aciiieed" acompanhados "It's a Trip" dos Children of The Night.
O fenómeno Acid House inglês é parcialmente devido a um erro por parte de Genesis P-Orridge, que com as suas Coum Transmissons, Throbbing Gristle, e agora Psychic TV, deu combustível à cultura underground e reacção política através da arte perfomativa, filosofia, e música. "Trouxemos uma carrada de discos de House para Inglaterra quando regressámos de Chicago," explica P-Orridge. "Eram realmente obscuros, de etiqueta branca, material de Chicago Acid Trax. Todos ficaram frenéticos com eles. Toda a gente disse 'Acid' sobre eles, e por isso nós pensámos que isso significava LSD, mas na realidade significava sampling. Nós não sabíamos disso; apenas pensámos 'ooh, LSD.'"
O termo impróprio resulta do calão de Chicago que significa roubar os sons de alguém, "acid burn". A Acid House inglesa resulta do casamento dos beats de Chicago (como aqueles de Phuture, Chip E., Tyree, e Adonis) com "o que fizemos por cima, todos os nossos bits idiossincráticos de programas de TV e tudo isso". Tecnicamente, a diferença entre acid house e house é a técnica de produção dos diferentes tons e frequências por modulação do grau de oscilação aplicado à sequência. Em termos plebeus, é uma batida hipnótica espaçada, a qual é, nas palavras de um dos loops de fita por Timothy Leary, dos Psychic TV, "concebido para produzir uma experiência psicadélica."
Genesis P-Orridge descreve a acid house como "a solução" para todas as experiências anteriores dos Psychic TV com a música de dança. "Nós estávamos habituados a falar acerca de como deveríamos fazer para encontrar discos de pista de dança que fossem realmente psicadélicos e também pudessem incorporar propaganda interessante. "Hits ácidos de verão como "Theme From S-Express" dos S-Express e "Beat Dis" dos Bomb The Bass parecem ter sido criados independentemente da política dos Psychic TV, masP-Orridge havia sido baby-sitter de Tim Simenon dos Bom The Bass quando ele tinha 15 anos, e Mark Moore dos S-Express tinha acompanhado as digressões dos Psychic TV quando era teenager. Enquanto isso na casa de house britância chamada Joy, dois DJs de um clube recentemente fechado pela polícia, The Trip, chegaram ao pé de P-Orridge e, levantando as suas T-shirts mostraram-lhe tatuagens com o símbolo da cruz dos Psychic. "Mesmo em Londres, "confidencia P-Orridge, "a a maioria dos media não perceberam quão perto do que nós tínhamos andado a fazer estava aquilo que estava a acontecer debaixo dos seus narizes na época."

Na Inglaterra, o acid house é um movimento unificador aceite por todos os adeptos da nova música. Mesmo o ícone da pop alternativa, Douglas Hart dos Jesus And Mary Chain compôs um êxito acid chamado "Speed Speed Ecstasy" sob o nome de Acid Angles, e os A Man Called Gerald (com Graham dos Biting Tongues) transformou o som do médio-oriente de Ofra Haza numa faixa de acid chamada "Voodoo Ray". O ex-Frankie Goes To Hollywood Paul Rutherford também editou singles acid house, perdoando a filosofia de livre-pensamento da cultura - a reacção contra a tendência da sociedade Britânica em forçar as pessoas a manter os seus sentimentos naturais dentro de si, enclausurada numa concha paranóica.
Agora, gigantes da música industrial começaram a contribuir para o género: Blixa Bargeld dos Einsturzende Neubauten forneceu entusiasticamente a sua voz em "Rock That" dos 2-Cult; o single dos Laibach, que foi capa recente da Rolling Stone, "Sympathy For The Devil" inclui duas versões ácidas imparáveis; e os Test Department editaram um single sob um psudónimo (e não é Acid Test). O single dos Residents "Kawliga" é um favorito nos clubes de house, assim como o looney toonesco "I Tawt I Taw a Puddy Cat" de Mel Blanc, e a faixa dos Diskonexion, "Make It Happen", que parece Kraftwerk on acid.
Acid está aberto a todos os músicos e devido a isso temos agora muitas pessoas a querer entrar para o comboio em andamento, mas o maior ímpeto deste movimento musical veio dos DJs de clubes. "Os DJs que fazem e editam discos estão aí para durar," prevê Tim Simenon. "Eles estão mais perto da pista de dança e vêem as reacções primeiro... Eu consigo dizer-te o que um disco vai ter sucesso ou não ouvindo os primeiros quatro segundos." Novos singles de música de dança editados por grandes nomes como Marc Almond, Mel & Kim, Camouflage, e outros caçadores de sucessos têm agora misturas acid feitas por DJs com vocalizações mínimas e o máximo de bips acid (reminiscências de um relógio despertador digital), modulação em frequência dos ritmos, e uma batida sólida entre 120 e 128 bpm - tudo providenciado pelo sintetizador de baixos standard, o Roland TB 303).
Com a tecnologia apropriada, fazer a música é relativamente simples; assim, pessoas sem qualquer background musical conseguiram produzir e editar faixas de dança. O cartoonista Brett Ewins (Just Dredd) editou um single, sob a capa de Mercy Giants, que incluía um livro de banda desenhada acid de 10 páginas. Os donos da loja The Big Jesus Trashcan, que vendiam roupas acid house e respectivos acessórios (incluindo crucifixos com smileys) até que a polícia os obrigou a verem-se livres do inventário acid, editaram o single "Prayer Tower, "o qual teve a participação da música de African Bhangra Punjabi, e cantos Gregorianos.
Os mais gozões dizem que "qualquer um pode pegar num sample e fazer uma faixa acid." Substitua a palavra sampler por guitarra, e perceberá o que eles queriam dizer acerca do punk rock há uma década atrás.
Todos os cavaleiros haviam saltado para o comboio da acid house. Até a indústria das drogas lucrou com isso. Baseado na popularidade do Ecstasy (banido de utilização psiquiátrica nos Estados Unidos apenas há quatro anos atrás), desenvolveram um híbrido de mescalina e anfetaminas, inteligentemente baptizado de "Fantasy". Os músicos que subiram na vida foram numerosos; felizmente, inúmeras compilações foram editadas de forma a pôr alguma ordem/organização nos excessos acid. A maioria do house inglês foi influenciado por Todd Terry, cujo "Black Riot" popularizou quer a progressão dos teclados inerente à maioria das canções house, quer a frase "Can you feel it," ecoou frequentemente entre os abençoados e suados dançadores.
Algumas das melhores, e mais originais, compilações de acid house são: North: The Sound of the Dance Underground (desconstruction/RCA), em que participam as bandas de Manchester T-Coy e Masters of Acid, assim como o projecto colateral dos A Certain Ratio, os ED209 (que foram convidados por John Peel para gravar no seu estúdio) e o seu trip-hit abrasivo-lento "Acid To Ecstasy." Também recomendáveis são os samplers Acid Trax, na Serious Records e a compilação In The Key of E (Urban), em que participam os Chicago Acid with Fingers, Inc. e os Bam Bam (que tiveram um hit arrasador com o projecto psych-pop The Shamen). Um dos melhores arquétipos, preenchido por canções pop e samples de filmes misturados com tecnologia Roland, é Out To Lunch With Ahead of Our Time, na editora Ahead of Our Time. Esta editora foi iniciada pelos Coldcut, cujo "Doctorin' the House", com a ex-modelo Yazz, trepou até aos topos das tabelas britânicas.

O género não está aberto apenas a músicos, DJs e hipsters, a todos é permitido participarem na experiência. A única razão para alguém não poder entrar na onda dos clubes de dança acid house é se estiver cheio; o úncio código de vestimenta é usar tão pouca roupa quanto possível, porque ficará a dançar e isso faz suar a sério. P-Orridge elabora, "Tu ias a todos esses clubes e havia toda aquela espécie de hooligans do futebol que seis meses antes nos teriam sovado apenas devido ao nosso aspecto, e todos eles vestiam agora calças às flores e fitas na cabeça e amavam badges e dançar uns com os outros, não beber cerveja de todo, nem tentar engatar as miúdas ou coisas do género. Havia montes de maneiras de desorientar as pessoas de modo a elas reavaliarem as coisas." Em muitas canções acid, há pelo menos meia dezena de fitas magnéticas a serem misturadas, enchendo o dançador com informação extra, criando uma espécie de "aceleração de experiências".
O Acid pode também ser um grande catalisador. "Podemos revirar tudo!" diz Mark Moore dos S-Express alegremente. Genesis P-Orridge concorda, terminando a sua segunda compilação Jack the Tab (Techno Acid Beat) com a conclusão de Margaret Tatcher numa mistura química experimental  ácida e alcalina mostrada a um grupo de crianças da escola: "Isso é que eu considero um teste real de acidez." Gozando hilariantemente com Tatcher através de cortes dos seus discursos abundam também em "Marvellous Person", single de Nick Sample and the Christmas Bunch.
"O que é maravilhoso acerca da samplagem," relata P-Orridge, "é que te faz olhar para tudo na forma de bits, mesmo uma palavra de cada vez. Pensas, 'Como posso eu rearranjar isto? O que acontece se eu juntar isto com aquilo?'" Toda a gente, de Cage a Stockhausen, até Burroughs, foram alvo de cortes das suas obras/vozes e foram colocadas juntas coisas que normalmente não resultariam bem misturadas. "Penso que a música Acid é exactamente o desenvolvimento lógico de todo o avantgarde. É a única maneira em que o vejo avançar," entusiasma-se P-Orridge.
A pseudo-compilação Jack The Tab juntou P-Orridge e os seus amigos a mostrar doze outras maneiras em que a a acid dance poderia avançar. Para além do acid house e das suas diversas possibilidades de sampling, os Zoskia (da editora Temple) faziam acid hip-hop há anos, e todas as formas de dance music têm ou podem ter remisturas acid. O Acid estende-se até para além da dance, incorporando verdadeiramente todos os outros géneros musicais. Os London's SLF dedicaram-se a ajudar o progresso do acid. "O Acid é uma forma de arte; deve ser explorada até ao infinito," insiste o seu líder, Keith Franklin que, com o resto dos SLF, se está a mover para o acid reggae. Giles Peterson criou uma editora chamada Acid Jazz, que incorporou o rapper beatnik Galliano e um único sample de velhos discos de jazz. Clubes como The Wag e o Dingwalls começaram com as suas noites acid jazz porque, como declara Gilles Peterson de forma simples, "As pessoas vão ficar rapidamente fartas e aborrecidas com o acid house." Genesis P-Orridge também compreendeu que o acid não está inextrincavelmente ligado ao house. "Se alguém me perguntar, 'Farias uma faixa acid com o Stranger in the Night do Frank Sinatra?,' eu diria, 'Sim, porque não?'... Se usas a palavra 'acid' como abordagem, podes fazer misturas acid de tudo. Acreditem ou não, fomos contactados pela Warner Brotheres que queriam saber se estávamos interessados em fazer uma remistura acid da banda sonora do filme Apocalypse Now."
o Acid e o Sampling deram acesso ao artista a todos os sons gravados. Pelo preço do aluguer de uma cassete vídeo, o artista acid pode utilizar sons em que os produtores do filme gastaram milhões de dólares a criar ou a gravar. Mesmo os próprios samples podem eles mesmos serem transformados em algo rítmico. "Assim ficas com a mão cheia desta explosão de possibilidades sem limites," refere P-Orridge, "Podes fazer fazer incríveis loops de baixo nível em fundo e realmente programar os ritmos de froma a obter efeitos físicos e mentais particulares". Todas aquelas coisas que nós falávamos desde que iniciámos os Throbbing Gristle. Nós estamos a comunicar com as pessoas para as alterar, para modificar o seu comportamento, as suas percepções, e basicamente para os tornarmos incapazes de se adaptar à sociedade normal. É esse o meu objectivo - sair e tentar apanhar o momento oportuno para desencorajar as pessoas a enquadrar-se nesta sociedade, para realmente tentar engendrar pregos quadrados."
A música acid paraece estar a fazer isso. As pessoas estão a entrar, sintonizar, e a sair da casdca como o fizeram nos anos sessenta. Hordas de pessoas jovens viajam por toda a Inglaterra, incluindo as zonas rurais, vestindo badges winkie e T-Shirts com smileys. A cara amarela sorridente que foi um cliché na América, tal como o "Have a nice day"," nunca ficou kitsch deste lado do Atlântico. O smiley invadiu a Inglaterra há um ano com o livro de banda desenhada Watchmen, depois os Bomb The Bass adaptaram o sangrento smiley como capa para o seu single "Beat Dis"; Afinal foi agrrado. "Quando toda a gente começa a vestir smileys, o que isso significa é que estão dentro da onda Acid House e a tomar ecstasy."


A Ecstasy está para os naos oitenta o que o ácido foi para os sessentas. A experiência sintética do clube de acid house, com o seu nevoeiro agradavelmente odoroso, luzes psicadélicas, recria uma espécie de viagem ácida, sobrecarregando os sentidos com informação.
Entretanto a juventude beatífica, entranhada no ecstasy, dança trance com consciência de si pr+oprios como parte da mesma energia que tinha criado tudo o resto. Genesis P-Orridge vê isso como um sentimento de amor e unificação que está a ser criado de modo a que "quando eu luto nas trincheiras, eu não tenho de me preocupar com as pessoas atrás de mim." O papel que as drogas psicadélicas desempenham no acid house é que elas são um método artifical (e não essencial) de transporte para um intelecto mais elevado que caminha para o retorno à unificação com todas as coisas. Não admira que a imprensa inglesa continue a bramar, "É de novo o verão do amor."
Tal como a música psicadélica dos anos sessenta foi baseada na experimentação com a nova tecnologia da altura, assim acontece também com a música acid dos finais dos anos oitenta, mas em vez dos wah-wahs, mellotrons, e efeitos de eco, temos samplers digitais e o Roland TB 303. Foram ainda adicionadas à luz de strobe original das discotecas, máquinas de fumos e shows de iluminação cor-de-rosa de alta tecnologia. Tal como os Doors citavam Blake e os Jefferson Airplane canatavam linhas de Joyce, as citações dos samples acid são de garndes (e menores) pensadores da nossa geração.
O sinal de paz CND que foi popularizado nos anos sessenta foi revivalizado pela dança acid, apenas que desta vez de cabeça para oar. Muito do simbolismo da acid house envolve a reversão de coisas; por exemplo, as pessoas que acompanham a moda acid tem agora smileys virados ao contrário ou Union Jacks invertidas nas suas T-Shirts. Mas a coisa engraçada acerca do sinal de paz, nota P-Orridge, é que quando o viras ao contrário "obténs a runa da Protecção. Assim eles enganaram-se nos anos sessenta e durante as duas últimas décadas, toda a gente desfilava sob o símbolo errado." A Union Jack também é um símbolo apropriado para a dança house porque a música punk e mod também usou a Union Jack, e todos estes três géneros musicais estão paradoxalmente ligados na medida em que foram todos adaptados dos Estados Unidos por bandas inglesas que lhe deram a volta e venderam essa música de volta nos Estados Unidos, como importações, espoletando uma invasão britânica por tropas armadas com música Americana.
Os símbolos são uma coisa tribal, e a indústria de fardamento esfomeada de dinheiro tem uma maneira de fazer símbolos tribais a uma alta taxa de renovação. A música acid também tem a ver com o retorno a estados tribais e ritualísticos, de celebração extática, particularmente nos clubes de dança acid trance, o que é o exacto contraponto às danças induzidas pelas drogas nas experiências místicas das tribos índias, Dervish e Africanas. "É música voodoo de dança acid porque estanmos a usar todo aquele ritmo extático voodoo também, atravessando simplesmente aquele filtro da ideia de Chicago, da ideia de DJ," diz P-Orridge. Muita da dança acid envolve hipnotismo, ritual Árabe, Bhangra, e música aborígene sequenciada a 125 bpm, produzindo, nas palavras de Genesis P-Orridge, "uma música trance, onde as pessoas se abanam e giram até atingir um estado de hiperventilação e experiência psicadélica de ondas-alfa... Podes pôr toda essa invocação extática na música contemporânea e pessoas que nunca ouviram a versão tribal original fazem isso. Ficam completamente fora de si, em estados alterados que se sentem abençoados apenas através desse excesso primitivo e físico. Assim temos toda esta energização pagã que apareceu e caminha como resultado desta dança de formas livres até este shamanismo high-tech."
Apesar disso, a imprensa musical britânica da moda está já a prever a queda da Acid House. O que as revistas inglesas não compreendem é que, como Genesis P-Orridge diz, "mesmo que a dança acid moresse agora, já é muito tarde, porque as ondas ainda caminham à volta do planeta e vêm de novo. Assim, ainda haverá pessoas como tu, a fazer a tua versão que será muito diferente da nossa versão do que se passou em Chicago. "Quando uma música estagna e não consegue mudar, tradicionalmente, ela morreu, mas o acid pode desenvolver-se tão rapidamente como se dão as mudanças na música.

Infelizmente, uma chave foi atirada aos trabalhos. Devido à exposição dos tablóides à ligação com as drogas, tem havido um grande bruá contra o "acid devil" no Reino Unido. As festas de garagen acid foram banidas e as lojas de aluguer de equipamento stereo ficaram sujeitas a multas por emprestar equipamento a organizadores de festas de garagem acid. As festas foram fiscalizadas por centenas de polícias de cassetete em punho com cães farejadores de drogas, e os clubes ficaram cheios de polícias à paisana usando T-Shirts com smileys em vez dos seus crachás. Muitos clubes tiveram de começar a fiscalizar as entradas à procura de drogas e a recusar a entrada a miúdos com t-shirts com smileys. Retalhistas, que anteriormente não estavam a par do significado do smiley retiraram as t-shirts das suas prateleiras, e aqueles que não estavam devidamente licenciados tiveram de se ver livres dos acessórios acid. Sinais onde se podia ler "Acid-Free Zone" foram colocados um pouco por todas as ruas da cidade e dentro das salas de concertos. Bandas como os D-Mob, contudo, recusaram-se a ver a música purgada, e assim criaram uma faixa acid house anti-drogas, chamada "We call It Ac-ieed"." No entretanto, o hino anti-Conservadores "It's A Party", dos Children of Night, foi retirado das prateleiras das discotecas.
Ainda assim a cultura ainda prospera; a atenção negativa tornou-a mais forte, mas mais discreta. Metade dos DJs continuaram a tradição underground, enquanto os outros baptizaram a chegada do New Beat e do Deep House. Ambos os géneros são versões mais moderadas do Acid House. O Deep House tem as suas raízes na soul dos finais dos anos 60 / inícios dos 70; é um híbrido R&B/gospel com uma batida pesada cuja força motora é o homem de Chicago, Marshall Jefferson (para saborear um pouco ouçam a compilação Sound of Deepest New York, da Republic Records). A New Beat é uma espécie de groove belga, lenta, tecnológica, desumanizada, sem alma e impessoal, mas ainda assim preenchida com samples e batidas acid (para uma amostra, ouçam a compilação New Beat Take One, da Subway). A música House é agora cautelosamente chamada de Garage, designação proveniente das explorações de Frankie Knuckle no New York's Paradise Garage.
Assim o acid está na New Beat e na Garage Music. Mas o rótulo não é o mais importante. Os símbolos da música house, como os smileys, alusões lisérgicas, e badges winkie, são dispensáveis; a imprensa, os donos dos clubes e os fabricantes de roupas encontraram novos nomes e símbolos para elevar os seus derivativos acid.
Como disse um músico que prefere manter o anonimato, "Ninguém quer dizer que é acid... mas são." Tem de ser compreendido que uma forma musical foi criada e que se baseia somente nos arranjos/tratamento do som. A música house de Chicago foi apenas o catalisador. Ela durará, misturando as suas energias com outras formas musicais. De modo a preparar-se para isso, o DJ Doctor Megatrip avisa "a nova degeneração dos Estados Alterados da América" para "acabar com o teu voodoo e com a tua dança e música acid, mas não não dances porque é apenas divertido. Dança nas trincheiras e esquece as autoridades."





15.1.16

Memorabilia: Revistas / Magazines / Fanzines (152) - Option #27


Option
Music Alternatives
JUL/AUG  1989  No. 27
$3.00

USA
132 páginas
interior - papel brilhante fino profusamente ilustrado com imagens e fotografias e com muitos textos de artigos de fundo, críticas, etc.
papel interior a p/b
capa e contracapa a cores.
Publisher And Executive Editor: Scott Becker




Sound On Sound
On Track With Wolfgang Press

by Andrew Jones
"O Acid House está moribundo. O Verão do Amor acabou."
Mick Allen, o guitarrista, vocalista e letrista, de 30 anos, dos Wolfgang Press, profetiza acerca das tendências actuais da música Britânica enquanto beberica um Molson, uma calorosa cerveja Canadiana, que lhe foi fortemente recomendada por Mark E. Smith. Allen encontra-se em Montreal com os seus companheiros de banda, Mark Cox e Andrew Gray, e esta tarde estão a puxar-se mutuamente para cima. Estás a ver, estes três Dukes de dança funk altrada vão abrir para os concertos de Nick Cave que está em digressão pela América do Norte, e estão a promover o seu quarto álbum, Bird Wood Cage (4AD / Rough Trade), por outro lado.


Apesar de o prospecto indicar que entram em palco antes do São Nick não seja nada comparado com a situação musical potencialmente perigosa agora encarada por Allen. Sentando-se muito perto do grande piano no hall do hotel, parece que a sua atenção é atraída por um velho bafiento que está a meio de aniquilar esta tarde. "Conheces algum filho de Duke Ellington?" , pergunta, inundando-nos com o hálito de um ou mais amarettos. "Oh, possivelmente não conseguirei tocar sem a minha pauta musical", diz Allen com um sorriso maroto na sua cara.
"Tem de ser posto no contexto certo," continua Allen depois do nosso jazzman ter terminado. "Não podes ouvir Acid House sentado numa cadeira. Vais a um clube e tens o teu hit, e isso é porreiro para mim, parece ser como era o punk. As pessoas querem algo. Ver-se livre deste nonsense e tentar que alguma coisa de interessante aconteça, algo excitante. É uma situação terrível quando tens 16, 17 anos, e está a acontecer apenas porcaria."
Nascidos em 1983 a partir do tédio dos subúrbios do lado Este de Londres a a partir das cinzas de 2 bandas post-punk, Rema Rema e Mass, os Wolfgang Press eram inicialmente compostos por 5 músicos nómadas que tinham um ódio comum por música a partir de pautas musicais.O teclista Mark Cox, que já tinha tido o seu quinhão de "não fazer puto" no que toca à música e que manipulou maliciosamente a sua idade em "20-10", encontrou Allen na altura em que este último estudava pintura na escola. Assinaram por uma etiqueta recém criada pelos ex-críticos musicais Ivo-Watts Russell e Nick Kent (4AD), e o duo editou um álbum ainda como Mass, "You and I". Foi de imediato surrado na imprensa britânica como uma "carga de droning opressivo e berraria".
Tentando um novo caminho, recrutaram o guitarrista Andrew Gray, que até aí trabalhava como "escravo" numa loja tipográfica, o baterista Richard Thomas, e Richard Thomas, dos Dif Juz, para os loops de percussão, piano e flauta.. "Quando iniciámos os Wolfgang Press não nos víamos como uma banda", recorda Cox. "Apenas nos víamos como uma espécie de Wolfgang Press, e quem fazia o quê não era particularmente importante. Eram apenas umas experimentações". "The Burden Mules" (1983) foi o primeiro resultado dessas experiências. Atmosférico e extremo, o álbum é uma espécie de saco de recolha de batidas e ondulações ao estilo PIL ("Complete & Utter"), pancada contundentes e abrasivas ("Journalists"), e peças ambientais assustadoras com letras decididamente retorcidas ("Slow As A Child").
Desde "The Burden Of Mules, os Wolfgang Press nunca mais utilizaram um baterista. O leve trio composto por Allen, Cox e Gray manipulam agora todas as percussões e baterias, e tornaram os ritmos fora de ordem como uma forma de semente para novas canções. "Nós gostamos de ter bateria ao vivo sobre o som dos padrões da máquina mecânica de ritmos, de modo a obtermos aquela temporização imperfeita", diz Cox. Aperfeiçoando as suas imperfeições também significa que são amaldiçoados com sons esporádicos, apesar de um que inclui a série de EPs de 12" que são autênticas obras-primas: "Scarecrow", "Water", "Sweatbox" (colectados no LP "The Legendary Wofgang Press and Other Tall Stories") e "Big Sex". Nós não nos retemos numa fórmula que tenhamos acordado e escrevemos uma canção," explica Cox. "O material que produzimos é orgânico, e é feito através de uma abordagem lenta e demorada".


Sons descartados, o lixo sonoro dos dias normais da vida quotidiana, são talvez as coisas mais importantes atiradas para a pilha de materiais de composição dos Wolfgang Press. Vinda de uma banda cujo saco de instrumentos musicais contém coisas tão exóticas como carrilhões, pixiphone, apitos, correntes, e clarinete, isso não é de forma nenhuma surpreendente. "Eu sempre gostei e utilizei instrumentos e sons estranhos," diz Cox de forma excitada. "Estou sempre à procura de coisas para gravar e samplar. Para nós, essas são as coisas que nos mantêm interessados na música. E eu penso que estamos a ficar cada vez melhores nesse aspecto. Porque as coisas em Bird Wood Cage estão muito mais simples, há espaço para ouvir o que está a acontecer. No passado nós usávamos bons sons, mas usávamo-los em tão grande quantidade que se confundiam uns aos outros.."
O assunto da samplagem e poluição sonora captou a atenção de Gray. Até ao momento ele tinha estado imerso nas texturas das linhas que pendiam de um buraco no joelho das suas calças. "Uma das melhores coisas que comprámos ultimamente foi um pequeno teclado Casio que nos custou 80 £," diz ele, com um brilho nos olhos. "E está por todo o álbum. É um sampler muito barato, na verdade é um brinquedo. Mas devido ao modo como os seus samples soam, eles não surgem do modo como os ouviste da primeira vez; dá-te uma nova interpretação. A maioria das vezes isso é mais interessante. "O que foi samplado para as canções de Bird Wood Cage? "Louis Armstrong. Pessoas. Amigos nossos perpassam por esses sons. Mas eles não fazem a mínima ideia que estão lá," diz Allen secamente.
Lembro-me de uma parte de uma cassete Tellus que ouvi cedo nessa manhã. "16 Great Turn-ons" consiste nos sons de 16 electrodomésticos a serem ligados uns a seguir aos outros. Cox ri-se. "É isso - as possibilidades são infinitas. Podes gravar uma amostra de 3 segundos de uma máquina de café a ser ligada, extrair daí 0,2 segundos e tens uma batida de baixo.
Seguindo os conselhos dos King of Ping, Brian Eno, que deitam cá +ara fora manuais de instruções e deixam os seus sintetizadores cair em elevados estados de irreparação, Cox descobriu alguns sons fortes e acidentes felizes. "O som de teclas principal em 'Shut That Door' (de Bird Wood Cage) é uma antiguidade, um ARP Odissey que eu tenho há 11 anos. Eu comprei-o quando ele estava mesmo velho, e tinha cancro terminal. Alguém deixou cair umas gotas de cerveja sobre ele há cerca de 4 anos atrás e agora está mesmo morto de poder. Mas por causa disso, ele consegue sons particulares, que não era suposto fazer, o que é bom. Tanto quanto é nossa preocupação não interessa o modo como obténs os teus sons e ruídos, é o som/ruído que é importante."
Com uma dezena de melodias nos seus inícios e os seus ruídos favoritos a reboque, os Wolfgang Press começaram a procurar um produtor compreensivo.Eles sentiram que o estilo de produção do seu Standing Up Straight, pelo produtor da casa - 4AD -, John Fryer, era um pouco densa, fria e húmida. Então fizeram uma audição com Simon Rodgers, que tinha passado algum tempo com os The Fall, e com Flood, que se tinha sentado por detrás da mesa de produção para trabalhos de Nick Cave, New Order, U2 e Anna Domino. Eles encontraram-se com os dois, gostaram de ambos, e gravaram duas faixas com cada um deles. Com Rodgers a coisa não funcionou. De acordo com Cox, Flood é que tinha o dom; uma combinação inusual de um elevado grau de sapiência técnica com uma empatia artística.
"Muitas das nossas ideias vinham-nos em casa, porque labutávamos na confusão e encontrávamos uma combinação particular de sons de que gostávamos. Por vezes o som de que gostávamos era o resultado de um processo que usávamos para o gravar.
Assim, o que fizemos em casa de modo a obter uma coisa acabada é diferente do que tínhamos feito no estúdio. Flood era mais capaz do qualquer outra pessoa com quem havíamos trabalhado, em ultrapassar esses problemas técnicos. Ele era muito bom em compreender que as coisas importantes para nós eram alguns dos sons, em vez da composição. Muitos produtores apenas querem misturar tudo com os acordes e nós não sabíamos nenhum. Apenas sabíamos o que soava bem."
"Eu sei um acorde," confessa Allen. "Eu toco-o na guitarra. É o G, não é?" pergunta ele a Gray.
Allen expande o seu acorde único juntando-lhe algumas bonitas letras , as quais são onomatopeicas, ominosas e, em geral acrescentadas em último lugar.. "Não é fácil escrever letras, tu sabes. Eu nunca me vi como um contador de histórias, no sentido de pessoas como Tom Waits. Eu faço-o numa espécie de sons, em certa medida. E têm de ter um certo significado. Para mim, pelo menos. Poderão não fazer muito sentido para outras pessoas. Pensando agora nisso, tenho reparado que as outras pessoas ficam um pouco confusas."
"Mas é a natureza abstracta das tuas letras aquilo com que eu me divirto mais," protesta Cox. "Não há muitas pessoas que utilizem as letras dessa forma. A maioria das pessoas limita-se a descarregar letras que são autênticos 'clichés', tipo 'I reaaly love you baby'. Quantas vezes escrevem as pessoas 'I love you baby'? suspira ele, cansado. Ok, então que tal coisas do Allen como "ela tem um meio, exactamente como o da sua mãe / Ela tem um meio, governado centralizadamente," ou "abençoa o meu irmão / escondido no caixote do lixo"? Se houvesse uma banda sonora necessária para o mundo caprichoso e repugnante filme de Raymond Briggs, Fungus the Bogeymanou para os contos góticos subtilmente cáusticos de Edward Gorey, os Wolfganag Press encarregar-se-iam eficaz e plenamente da tarefa.

Na Primavera passada os Wolfgang Press iniciaram a sua primeira grande digressão pelos Estados Unidos, e adoraram as coisas excelentes do corrupto modo de vida Americano - sanduíches de clubes, comida japonesa, canais religiosos 24 horas por dia. A sua recepção foi entusiástica, mas ainda assim eles foram cautelosos na tentativa de recriar o seu som em palco. "Parece que encontrámos pessoas que pareciam pretender que gravássemos os nossos espectáculos ao vivo, em disco, o que é interessante, porque nós nem sempre temos uma opinião muito positiva sobre as nossas actuações ao vivo., revela Cox. "Nós estamos realmente muito determinados em alterar essa situação e começar a executar tudo ao vivo. O problema é sempre o mesmo, tu sabes. Precisamos de duplicar em tamanho de imediato. Como ter mais três pessoas na bateria, baixo e percussões. E nós não estamos interessados em contratar nenhum daqueles velhos músicos do tipo Sindicato, queremos pessoas que estejam interessadas realmente naquilo que nós fazemos.."
Em palco os Wolfgang Press rockam como três dissidentes Russos a aquecer-se numa manhã fria em Smolensk. Com calças largas e apenas uma ligeira sugestão de pêlos na sua cabeça, Gray parece a toda a hora um doutor do ruído, pois dispara wahh-wah solos ensurdecedores desde o início. Vestido de cabedal e com um boné, Cox tem ao seu dispor uma bateria de sintetizadores primitivos enquanto Allen se arrasta à volta do microfone como o idiota da aldeia, abanando o seu corpo atarracado e as rastas prateadas. "Tirem o cu das cadeiras e dancem," pede ele, e o concerto termina com uma remistura cavernosa de "Sweatbox".
Ao vivo, o material de Bird Wood Cage também revela o funk escondido dos Wolfgang Press. Ouça-se "Hang On Me", uma remistura reggae atravessada com uma guitarra distorcida, ou o retorcido som tipo Motown de "King of Soul". "Raintime" tem uma batida de fundo lenta, tipo James Brown, enquanto o ponto alto da sua actuação, uma versão esteroizada de "Respect", que até faz abanar o chão. "Algumas pessoas pensam que essa canção é uma porcaria," nota Allen, "mas não é. É uma das nossas canções favoritas. Não há qualquer desrespeito para com Aretha".
Como que por magia, Stevie Wonder aparece no grande ecrã do bar, e todos nós paramos para relembrar os "setentas", quando as gravatas eram largas, Carter estava no poder, Burt Reynolds fazia furor a facturar, e o "disco" tresandava.
"Eu penso que é muito subconsciente, na verdade," diz Cox. "Mas nessa altura, eu entusiasmava-me realmente com James Brown e algumas importações Americanas de discos funk, no início dos anos setenta. Havia uma série de grupos de que gostava do primeiro e/ou segundo LPs, como os Fatback Band e os Ohio Players, que eram realmente crus e excitantes no seu início. Mas depois ficaram grandes, e começaram a produzir "papel de parede". Até Roy Ayers, eu tenho um álbum dele chamado Mystic Voyage que é brilhante".
Mesmo com tons leves explícitos de funk, Gray sente que a nova batida dos Wolfgang Press os trouxe a um ciclo vicioso. "Com Bird Wood Cage pensoq ue regressámos mais às raízes do nosso som e começámos a despojar-nos novamente, enquanto Big Sex tinha... como direi... mais groove nele. Era mais complicado, estava a começar a ficar um pouco faustoso, no mau sentido da palavra."
Allen mostra-se horrorizado. "Poderíamos ter começado a soar como os Kool & The Gang".



Reading Matters
by Richie Unterberger
Books

The Real Frank Zappa Book, by Frank Zappa with Peter Occhiogrosso.


Desde meados da década de sessenta, Frank Zappa tem sido um dos músicos mais populares e premiados, à falta de uma frase menos banal, iconoclasta. Ele derrubou convenções e atacou os standards públicos no que à música diz respeito, mas também na imprensa, e no seu discurso chave na American Society of University Composers (com as frases de abertura, "Não pertenço à vossa organização. Não sei nada sobre ela. Não estou sequer interessado nisso"). E finalmente, em 1985, os seus pontos de vista foram finalmente reconhecidos pela America mainstream como ele testemunhou antes de um congresso de um subcomité investigar a imoralidade na música rock. Como poderíamos esperar, a sua autobiografia não é muito linear, documentação linear dos seus feitos, mas uma visão anedótica e altamente pessoal dos seus altos e baixos, com muitas digressões pelo comentário social. As primeiras cerca de 100 páginas são dedicadas à sua infância, onde tudo começou, e à sua subsequente ascenção a rei da pop satírica nos anos sessenta e início dos anos setenta, e são ricas em factos pouco conhecidos, fascinantes, e, por vezes pequenas cócegas e petiscos para o público. Algumas preciosidades encontradas: o jovem Frank fez uma chamada telefónica de longa distância para o estrangeiro, para Edgar Varése, como presente do seu 15º aniversário ("Deduzi que uma pessoa que se parecia como um cientista louco só poderia viver num local chamado Greenwich Village"); recolecções de histórias sobre a produção para Captain Beefheart do seu Trout Mask Replica, no qual o Sr. Van Viet não conseguia cantar sincronizadamente com o fundo musical que lhe eram disponibilizados nos seus auscultadores, preferindo cantar através da ligação com "a conexão áudio que lhe vinha através de três painéis de vidro a que distava a janela da sala de controlo"; a abertura dos Simon & Garfunkel para os Mothers em Nova Iorque em 1967 disfarçados sob a capa do seu grupo original, o duo de doo-wop Tom & Jerry; a abertura para Vanilla Fudge e ser-lhe gritado pela audiência, "Vocês não prestam para nada! Tragam os Fudge!".
Depois entramos numa parte muito detalhada, com descrições quase filosóficas de como cada membro de um grupo rock funciona; como ele grava no estúdio; as imensas dificuldades em tocar e gravar trabalhos orquestrais; as imensas chatices legais e burocráticas do negócio da música e dos seus "patrões" (completado com um longo excerto de uma transcrição de um julgamento num tribunal britânico em que todos acusavam Zappa de tocar material obsceno). Os últimos capítulos são de crítica social, como Frank entende a PMRC, a família nuclear, e o nosso governo. Zappa é um homem cínico, mas tem uma inteligência aguçada, e, bem, é engraçado, na maioria do tempo. Não concordo com tudo o que profere, mas o que ele escreve faz-me põe-me quase sempre a pensar - seja acerca do complexo militar-industrial, a guerra às drogas, ou a banalidade das canções de amor. Gostaria que o livro contivesse mais material sobre como ele escreveu e produziu alguns dos seus álbuns - Ainda não consegui encontrar uma explicação plausível de como uma banda de R&B/blues chamada Mothers rapidamente se transformaram na melhor banda satírica da cena pop-rock de todos os tempos. Detalhes sobre clássicos como We're Only In It For The Money são surpreendentemente esparsos - será porque Zappa compreendeu, no seu coração, que os seus últimos discos dos finais da década de sessenta são de longe mais inovadores, e muito superiores às suas actuais produções? Apesar de tudo, esta é uma leitura compensadora que vai muito para além da biografia standard de músico rock, embora os não fanáticos por Zappa devam esperar pelo livro de bolso devido ao elevado preço a pagar por esta edição. (Poseidon, 352 pp., $19.95).






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