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22.8.17

Memorabilia - Bilhetes (23) - Carnaval - Rock Rock Na Tenda de Circo, Seixal


Carnaval - Rock Rock Na Tenda de Circo 
Montada no Seixal - no Largo dos Bombeiros
16/2/88 (deve ter sido no dia de Carnaval 
com: 
--> Margem Sul
--> D'Age
--> Tranz It
--> UHF









D'Age
Tranz It





6.7.17

A Arte Eléctrica De Ser Português - 25 Anos de Rock'N'Portugal - A Lista: "Discografia Selectiva"


Esta lista refere-se ao livro referenciado no post anterior.

DISCOGRAFIA SELECTIVA

SINGLES E EP’s

CONJUNTO ACADÉMICO ORFEU: Nivran – Alvorada (Rádio Triunfo)
PEDRO OSÓRIO E O SEU CONJUNTO: Namorico da Rita – Alvorada (Rádio Triunfo)
DANIEL BACELAR E OS GENTLEMEN: O Tema dos Gentlemen – Alvorada (Rádio Triunfo)
DANIEL BACELAR AND HIS GENTLEMEN: Mi Cancíon Del Recuerdo – Marfer (Discos Marfer)
DANIEL BACELAR: Porque Será? – Marfer (Discos Marfer)
DANIEL BACELAR: I Wonder Why (Pergunto Poquê?) – Marfer (Discos Marfer)
ZECA DO ROCK: Dezassete – Alvorada (Rádio Triunfo)
FERNANDO CONDE: A Luz – Alvorada (Rádio Triunfo)
CONJUNTO «OS TUBARÕES»: Poema do Homem Rã – Alvorada (Rádio Triunfo)
OS DIAMANTES: O Telefone – Marfer (Discos Marfer)
OS DEMÓNIOS NEGROS: Bailinho Da Madeira – Alvorada (Rádio Triunfo)
SHEIKS: Yesterday Man – Parlophone (Valentim de Carvalho)
SHEIKS: Lonely – Parlophone (Valentim de Carvalho)
SHEIKS: Lord, Let It Rain – EMI (Valentim de Carvalho)
OS KRIPTONS: Paula – (edição de: Lello & C.ª, Lda. – Luanda)
TÁRTAROS: Serei Feliz Com Teu Amor – Rapsódia (Discos Rapsódia)
OS EKOS: Só – Alvorada (Rádio Triunfo)
OS EKOS: Sol e Paz – Alvorada (Rádio Triunfo)
OS EKOS: I Saw That Girl – Alvorada (Rádio Triunfo)
SÉRGIO BORGES E O CONJUNTO JOÃO PAULO: Mar (meu pão, casa, pedra, fome) – Columbia (Valentim de Carvalho)
SÉRGIO BORGES: Onde Vais Rio Que Eu Canto – Columbia (Valentim de Carvalho)
MÚSICA NOVARUM: Barca de Flores – Decca (Valentim de Carvalho)
QUARTETO 1111: A Lenda de El-Rei D. Sebastião – Columbia (Valentim de Carvalho
QUARTETO 1111: Meu Irmão – Columbia (Valentim de Carvalho)
GRUPO 5: Ballad Of Bonnie And Clyde – A Voz Do Dono (Valentim de Carvalho)
GRUPO 5: Wigth Is Wigth – A Voz Do Dono (Valentim de Carvalho)
ÁLAMOS: Stop That Game (Álamos Na Boîte) – Sonoplay (Discos Sonoplay)
OBJECTIVO: A Place In The Sky – Sonoplay (Discos Sonoplay)
PAULO DE CARVALHO: Ana – Movieplay 8Discos Movieplay)
MINI POP: Delta Queen – Movieplay (Discos Movieplay)
MINI POP: My Holyday Girl – Movieplay 8Discos Movieplay)
ALBATROZ: It Could Happen – Orfeu (Arnaldo Trindade)
POP FIVE MUSIC INCORPORATED: Page One - Orfeu (Arnaldo Trindade)
POP FIVE MUSIC INCORPORATED: Orange - Orfeu (Arnaldo Trindade)
POP FIVE MUSIC INCORPORATED: Stand By - Orfeu (Arnaldo Trindade)
POP FIVE MUSIC INCORPORATED: Take Me To The Sun - Orfeu (Arnaldo Trindade)
SMOOG: Smoogin – Orfeu (Arnaldo Trindade)
JOSÉ CID: Camarada – Columbia (Valentim de Carvalho)
JOSÉ CID: Olá Vampiro Bom – EMI (Valentim de Carvalho)
JOSÉ CID: Rock Rural – Decca (Valentim de Carvalho)
JOSÉ CID: Mosca Super-Star – Decca (Valentim de Carvalho)
JOSÉ CID: Vida (Sons do Quotidiano) – Decca ( Valentim de Carvalho)
JOSÉ CID: A Minha Música – Orfeu (Arnaldo Trindade)
GREEN WINDOWS: Doce e Fácil Reino do Blá, Blá, Blá – Decca (Valentim de Carvalho)
BEATNICKS: Cristine Goes To Town – Tecla (Discos Tecla)
BEATNICKS: Money – Tecla (Discos Tecla)
BEATNICKS: Somos o Mar – Alvorada (Rádio Triunfo)
BEATNICKS: Blue Jeans  - RT (Rádio Triunfo)
PETRUS CASTRUS: Marasmo – Decca (Valentim de Carvalho)
XARHANGA: The Great Goat – Zip (Discos Zip-Zip)
XARHANGA: Acid Nightmare – Zip (Discos Zip-Zip)
VERY NICE (Fernando Girão): Brothers Of The Sun – Toma Lá Disco (Toma Lá Disco)
FERNANDO GIRÃO: O Velhinho Moderno – Diapasão (Sassetti)
DIADÁGUA: Este Livro Que Vos Deixo – EMI (Valentim de Carvalho)
PSICO: Al’s – Alvorada (Rádio Triunfo)
TANTRA: Novos Tempos – EMI (Valentim de Carvalho)
ARTE & OFÍCIO: Festival – Orfeu (Arnaldo Trindade)
ARTE & OFÍCIO: The Little Song Of Little Jimmy – Orfeu (Arnaldo Trindade)
ARTE & OFÍCIO: Come Hear The Band – Orfeu (Arnaldo Trindade)
ARTE & OFÍCIO: Marijuana – Gira (Discos Gira)
PERSPECTIVA: Lá Fora A Cidade – Imavox (Imavox)
PERSPECTIVA: Rei Posto Rei Morto – Imavox (Imavox)
PESQUISA: Dude’s Serenade – Search (edição dos autores)
AQUI D’EL ROCK: Há Que Violentar O Sistema – Metro-Som (Discos Metro-Som)
AQUI D’EL ROCK: Eu Não Sei – Metro-Som (Discos Metro-Som)
CORPO DIPLOMÁTICO: Festa – Da Nova (Nova)
WARM: Tired Of Waiting For You – Da Nova (Nova)
PANCHITO + HI ROCKERS: Strive To Be Our Own Hero – Devgo Records 8Devgo Records)
GO GRAAL BLUES BAND: They Send Me Away – Imavox (Imavox)
GO GRAAL BLUES BAND: Lay Down – RCS (Discos RCS)
UHF: Jorge Morreu – Metro-Som (Discos Metro-Som)
UHF: Cavalos de Corrida – EMI (Valentim de Carvalho)
GNR: Portugal na CEE – EMI (Valentim de Carvalho)
GNR: Sê Um GNR – EMI (Valentim de Carvalho)
STREET KIDS: Let Me Do It – VDC (Vadeca)
STREET KIDS: Super Wen – VDC (Vadeca)
IODO: Malta À Porta – VDC (Vadeca)
TRABALHADORES DO COMÉRCIO: Chamem A Polícia – Polydor (Polygram)
SALADA DE FRUTAS: Robot – Som (Edison)
ROXIGÉNIO: Song At Middle Voice – Orfeu (Arnaldo Trindade)
ROCK & VARIUS: Totobola – RT (Rádio Triunfo)
VODKA LARANJA: O Papel – Som (Edison)
MANUELA MOURA GUEDES: Foram Cardos, Foram Rosas – EMI (Valentim de Carvalho)
LENA D’ÁGUA: Vígaro Cá, Vígaro Lá – EMI (Valentim de Carvalho
XUTOS E PONTAPÉS: Sémen – Rotação (Rossil)
MAU MAU: Xangai – Rotação (Rossil)
CARLOS MARIA TRINDADE: Princesa – Musa (Vimúsica)
ANTÓNIO VARIAÇÕES: Povo Que Lavas No Rio – EMI (Valentim de Carvalho)
HERÓIS DO MAR: Amor – Polydor (Polygram)

ÁLBUNS (LP’S)

OS TÁRTAROS / OS ESPACIAIS
OS MORGANS / OS 5 BAMBINOS: Recordando... (Colectânea) – Rapsódia 8Discos Rapsódia)
SHEIKS: Os 20 Mais dos Sheiks (Colectânea) – EMI (Valentim de Carvalho)
SHEIKS: Pintados de Fresco – Boom (Nova)
SHEIKS: Sheiks Com Cobertura – Da Nova (Nova)
CONJUNTO ACADÉMICO JOÃO PAULO: Conjunto Académico João Paulo (Colectânea: Antologia da Música Popular Portuguesa, nº 4) – EMI (Valentim de Carvalho)
QUARTETO 1111: Quarteto 1111 (Colectânea: Antologia da Música Popular Portuguesa, nº 1) – EMI (Valentim de Carvalho)
QUARTETO 1111: Quarteto 1111 – Columbia (Valentim de Carvalho)
QUARTETO 1111 com FREI HERMANO DA CÂMARA: Bruma Azul do Desejado – EMI (Valentim de Carvalho)
QUARTETO 1111: Onde Quando Como Porquê Cantamos Pessoas Vivas – Decca (Valentim de Carvalho)
JOSÉ CID: 10 000 Anos Depois Entre Vénus e Marte – Orfeu (Arnaldo Trindade)
JOSÉ CID: José Cid – Columbia (Valentim de Carvalho)
OBJECTIVO E DUO OURO NEGRO: Blackground – EMI (Valentim de Carvalho)
POP FIVE MUSIC INCORPORATED: A Peça – Orfeu (Arnaldo Trindade)
FILARMÓNICA FRAUDE: Filarmónica Fraude – Philips (Philips)
PETRUS CASTRUS: Mestre – Guilda da Música (Sassetti)
PETRUS CASTRUS: Ascensão e Queda – Decca (Valentim de Carvalho)
BANDA DO CASACO: Dos Benefícios Dum Vendido No Reino Dos Bonifácios – Philips (Phonogram)
BANDA DO CASACO: Coisas do Arco-Da-Velha  - Philips (Phonogram)
BANDA DO CASACO: Hoje Há Conquilhas Amanhã Não Sabemos – Imavox (Imavox)
BANDA DO CASACO: Contos da Barbearia – EMI (Valentim de Carvalho)
BANDA DO CASACO: No Jardim da Celeste – EMI (Valentim de Carvalho)
BANDA DO CASACO: Também Eu – EMI (Valentim de Carvalho)
BANDA DO CASACO: A Arte e a Música de Banda do Casaco (Colectânea) – Philips (Polygram)
JORGE PALMA: Com Uma Viagem Na Palma Da Mão – Decca (Valentim de Carvalho)
JORGE PALMA: ‘Té Já – Diapasão (Lamiré / Sassetti)
JORGE PALMA: Qualquer Coisa Pá Música – Da Nova (Nova)
JORGE PALMA: Acto Contínuo – Philips (Polygram)
TANTRA: Mistérios e Maravilhas – EMI (Valentim de Carvalho)
TANTRA: Holocausto – EMI (Valentim de Carvalho)
TANTRA: Humanoid Flesh – EMI (Valentim de Carvalho)
SAGA / JOSÉ LUÍS TINOCO: Homo Sapiens – Movieplay (Discos Movieplay)
VERY NICE (Fernando Girão): Discretamente – Imavox (Imavox)
FERNANDO GIRÃO: Contos da Europa Tropical – RT (Rádio Triunfo)
JÚLIO PEREIRA: Fernandinho Vai Ó Vinho – Diapasão (Lamiré / Sassetti)
CARLOS ALBERTO VIDAL: Changri-Lá – Imavox (Imavox)
ARTE & OFÍCIO: Faces – Orfeu (Arnaldo Trindade)
ARTE & OFÍCIO: Danza – Polydor (Polygram)
GO GRAAL BLUES BAND: Go Graal Blues Band – Imavox (Imavox)
GO GRAAL BLUES BAND: White Traffic – VDC (Vadeca)
ANANGA-RANGA: Regresso Às Origens – Metro-Som (Discos Metro-Som)
ANANGA-RANGA: Privado – Metro-Som (Discos Metro-Som)
CORPO DIPLOMÁTICO: Música Moderna – Da Nova (Nova)
JAFUMEGA: Estamos Aí – Metro-Som (Discos Metro-Som)
JAFUNMEGA: Jafumega – Polydor (Polygram)
JAFUMEGA: Pecados – Polydor (Polygram)
RUI VELOSO: Ar de Rock – EMI (Valentim de Carvalho)
RUI VELOSO: Fora de Moda – EMI (Valentim de Carvalho)
ROXIGÉNIO: Roxigénio – Gaf (A. Fonseca Guimarães)
UHF: À Flor Da Pele – EMI (Valentim de Carvalho)
UHF: Estou de Passagem – EMI (Valentim de Carvalho)
UHF: Persona Non Grata – RT (Rádio Triunfo)
UHF: Ares e Bares de Fronteira – RT (Rádio Triunfo)
TRABALHADORES DO COMÉRCIO: Tripas À Moda Do Porto – Polydor (Polygram)
TRABALHADORES DO COMÉRCIO: Na Brasa – Polydor (Polygram)
SALADA DE FRUTAS: Sem Açúcar – Rossil (Discos Rossil)
SALADA DE FRUTAS: Se Cá Nevasse... – Som (Edisom)
TAXI: Táxi – Polydor (Polygram)
SALADA DE FRUTAS: Crime Perfeito – Som (Edisom)
TAXI: Cairo – Polydor (Polygram)
PAULO DE CARVALHO: Abracadabra – Philips (Polygram)
HERÓIS DO MAR: Heróis Do Mar – Philips (Polygram)
FRODO: Noites de Lisboa – VDC (Vadeca)
FRODO: Zbaboo Dança – Som (Edisom)
STREET KIDS: Trauma – VDC (Vadeca)
JOSÉ MÁRIO BRANCO: Ser Solidário – Som (Edisom)
FM: Procurem Na Sara – Roda / Rock (Vadeca)
GNR: Independança – EMI (Valentim de Carvalho)
OPINIÃO PÚBLICA: No Sul Da Europa – Rotação (Rossil)
LENA D’ÁGUA & BANDA ATLÂNTICA: Perto de Ti – EMI (Valentim de Carvalho)
ANTÓNIO VARIAÇÕES: Anjo Da Guarda – EMI (Valentim de Carvalho)
TELECTU: Ctu Telectu – EMI (Valentim de Carvalho)

TELECTU: Belzebu – Cliché (Cliché)










6.1.16

Memorabilia: Revistas / Magazines / Fanzines (145) - Musicalíssimo #1


Musicalíssimo
Dezembro - 78
Preço 50$00
Nº 1




Director e Editor: Jacques C. Rodrigues
Chefe de Redacção: J. Afonso Costa
Fotógrafos: J. Marques, Abel Dias e A. Capela
Propriedade: Editorial Globo - Apartado 10 - Queluz

54 páginas A4 - papel de peso médio - páginas a cores e a p/b numa proporção de cerca de fifty-fifty.
Poster A3 (centrais), papel brilhante - Phil Collins


Banda do Casaco
Entrevista
Nuno Rodrigues e António Pinho. Eles são indiscutivelmente os «leaders» de um dos mais importantes grupos da música portuguesa dos últimos anos - a «Banda do Casaco».


Esta banda, com cerca de 4 anos de existência, já produziu 3 álbuns cujos títulos são (por ordem cronológica) «Dos Benefícios Dum Vendido no Reino dos Bonifácios», «Coisas do Arco da Velha» (que mereceu a classificação de melhor álbum de música portuguesa produzido durante 1976, classificação dada por um grupo de críticos de música ligados a jornais, rádio e televisão) e «Hoje Há Conquilhas, Amanhã Não Sabemos», que conquistou idêntico «galardão» também.
A banda tem pronto para sair, um novo álbum cujo título genérico é «Contos da Barbearia». Como eles vão dizer mais adiante «este novo álbum» é muito simplesmente a história de um indivíduo que como todos nós vai ao barbeiro, adormece, e como na história da «Alice no País das Maravilhas» passa para lá do espelho e sonha coisas diversas»...
O «gozo» do trabalho desenvolvido ao longo destes 4 anos, o novo disco, a música portuguesa, foram os temas duma longa conversa que tivémos com o Nuno Rodrigues e o António Pinho e que fica aqui reproduzida.
Uma conversa com a «Banda» por alturas de «Contos da Barbearia». «Banda» que continua teimosa nos seus propósitos de acreditar na música popular portuguesa. E como alguém da «Banda» disse um dia - «a música popular terá de ser um jogo onde todos participem - quem a faz, quem a divulga, quem a ouve, quem a critica...» Jogamos nessa...
M - O que há de concreto acerca do vosso novo álbum?
BC - Já gravámos um disco que deve sair durante o mês de Outubro. Será o 4º álbum da «Banda do Casaco».
M - Isso quer dizer que a «Banda» ainda existe?
BC - Nunca deixou de existir.
M - Quem constitui a «Banda do Casaco» neste momento ou se preferires, quem participa neste novo trabalho de estúdio?
BC - António Pinho, o Nuno Rodrigues, o Celso de Carvalho, a Mena Amaro e o Tó Pinheiro da Silva. Portanto pessoas que participaram noutros discos.
M - E os outros elementos que participaram em discos anteriores?
BC - Esses elementos saíram... como as pessoas saem dos empregos. Não há incompatibilidades, no caso da «Banda», mas como as pessoas têm outras actividades e o grupo não lhes pode proporcionar uma permanência fixa é natural que algumas saiam.
M - Chegou a falar-se da formação de um grupo, que para além dos álbuns estava na disposição de orientar o seu trabalho para outros campos, como por exemplo a organização de espectáculos regulares?
BC - É evidente que nós estávamos cheios de boa vontade, fizémos ainda alguns espectáculos e demos provas de ser capazes. Mas desistimos porque, como temos afirmado noutras ocasiões, é preciso um grande «staff» de material, que nós não temos hipóteses de ter, e portanto preferimos, de momento, suspender esses projectos. Isto não quer dizer que seja um projecto abandonado definitivamente; o que acontece é que de momento não temos hipóteses de fazer concertos amplificados condignamente. Nós fizemos esta experiência 4 ou 5 vezes e resultou muito satisfatoriamente para nós e para as pessoas. Sucede que isso era uma coisa diabólica. Por exemplo, fomos tocar uma vez ao pé de Aveiro, o «cachet» era bom, mas desse «cachet» cada um de nós ganhou apenas 1200$00, porque tivemos de alugar aparelhagem a um grupo de rock, o que nos custou os olhos da cara...
M - Portanto só podemos contar com a «Banda» a nível de registos em estúdio?
BC - É evidente que ainda que cheguemos à conclusão de que não faremos mais espectáculos, continuaremos pelo menos a fazer discos, o que já não é mau num país onde há muita gente a fazer espectáculos e maus discos... Portanto dos discos não desistiremos tão depressa.


M - Daí a saída próxima dum novo álbum?
BC - Exacto. O nosso 4º ábum chama-se «Contos da Barbearia» e é uma série de contos desligados uns dos outros e têm como elo comum o facto de começarem com uma historieta que se chama «Na cadeira do barbeiro», que é muito simplesmente a história de um indivíduo que como todos nós vai ao barbeiro, adormece, e como na história da «Alice nos País das Maravilhas» passa para lá do espelho e sonha coisas diversas que vão constituir o disco. Portanto histórias perfeitamente desligadas umas das outras mas à que demos o título genérico de «Contos da Barbearia». Digamos que este disco é a continuação mais ou menos lógica do «Coisas do Arco da Velha». Provavelmente este disco deveria ter sido o 3º e as «Conquilhas» o 4º. Será portanto natural que no futuro disco (o do ano que vem) retomemos o esquema das «Conquilhas». Aliás acho que um dos aspectos curiosos da «Banda» é que ao ouvirmos os trabalhos que foram feitos já há 4 anos eles continuam perfeitamente actuais.
M - A continuidade deste novo disco em relação ao «Coisas do Arco da Velha», com o «Hoje Há Conquilhas...», pelo meio, terá implicações a nível musical; terá implicações na vossa maneira de fazer as coisas; de compor?
BC - Posso adiantar que vocês vão encontrar neste novo disco uma coisa que se chama «Godofredo cheio de medo» que vai sugerir, embora sendo diferente na linguagem de texto e musical, o «Virgolino faz o pino», ou seja, a descrição de um personagem típico. Vão ter um romance tradicional cantado em Mirandez, que poderá ser o paralelo em relação ao «Romance de Branca Flor», etc....
M - Como vocês sabem a maior parte da crítica e toda a gente que ouviu bem os vossos dois últimos álbuns, fizeram referências ao «Coisas do Arco da Velha» em relação ao «Hoje Há Conquilhas...», como um disco com um som muito mais apreensível, sendo este último um trabalho muito mais amadurecido, de mais difícil assimilação. Este o que é que vai ser?
BC - Digamos que é o retomar do caminho do «Coisas do Arco da Velha» dois anos depois. Não há grandes pormenores de facilidade, mas há um esquema que lembra este nosso álbum. De qualquer forma passaram-se dois anos e as pessoas evoluem.
M - Tu Nuno, continuas a inspirar-te nos tradicionais?
BC - Continuo; se bem que pelo facto de termos pesquisado durante bastante tempo e de termos estudado as nossas características etnográficas, agora começam a surgir temas com essas características populares de forma espontânea. Chegámos portanto a uma altura em que pelo facto de estarmos a pesquisar os instrumentos populares e as próprias melodias as coisas acontecem espontaneamente. Neste álbum acontece uma coisa curiosa. Aparecem canções com música minha e texto baseado ou inspirado em temas tradicionais e da autoria do António Pinho; aparece o inverso e aparecem ainda temas completamente originais mas que têm já um sabor tradicional.


M - Uma constante do vosso trabalho é a pesquisa. Há alguma novidade neste novo álbum por exemplo em relação a instrumentos tradicionais ou formas musicais?
BC - Não. Em relação a instrumentos populares não aparece nada de novo, excepto o bombarda que não é propriamente um instrumento tradicional português mas mais bretão. Mas como há afinidades muito grandes, pelo menos nós temo-las descoberto, entre o nosso folclore e aquilo que se faz na Bretanha e na Galiza, nós vamos usar este instrumento que aliás é muito idêntico à gaita de foles na sua sonoridade. Exceptuando este pormenor não há grandes novidades a nível instrumental no novo álbum da «Banda». Usamos também uma cítara indiana na introdução de um dos temas, porque é uma fábula que se chama «Retrato de homenzinho pequenino com frasco». E não nos repugna nada meter ou utilizar instrumentos de culturas completamente distintas da nossa. Achamos que o importante é a forma como esses instrumentos são utilizados.
M - Será legítimo falar de fases distintas em relação ao trabalho que vocês desenvolveram em disco até agora?
BC - Os trabalhos feitos até agora são completamente distintos uns dos outros. O 1º é-o totalmente do 2º e este do terceiro. Talvez que o próximo álbum seja mais um trabalho de ligação. Os álbuns anteriores foram de pesquisa sonora, de forma de expressão. Este talvez seja o não nos atirarmos para outros voos e comentarmos um pouco mais as descobertas feitas nas etapas anteriores, ou seja nos anteriores álbuns, se bem que se possa considerar que alguns temas de «Hoje Há Conquilhas...», eram do «Hoje Há Conquilhas...», eram temas mais de vanguarda do que aquilo que estamos a fazer agora. Aliás este aspecto poderá vir a tornar-se polémico ou seja, até que ponto é menos na sua escalada! Há um outro aspecto que importa realçar que é o de entretanto terem aparecido outros grupos a tratar a música popular portuguesa. Se não estamos em erro só pouco tempo depois do aparecimento da «Banda» surgiu o GAC e agora existem vários grupos a trabalhar a nossa música tradicional. Havendo já uma série de escolas, de tendências, de trabalhar a música portuguesa, a nós dá-nos um certo prazer continuar a trabalhá-la de maneiras diferentes e descobrir novas formas.
M - Para além dos nomes já indicados há mais gente a colaborar neste novo álbum?
BC - Exactamente. Por exemplo o Armindo Neves (guitarra), o Carlos Zíngaro, o Zé Eduardo que nunca tinha trabalhado connosco e fez baixo-eléctrico, o Rui Reis (piano e órgão) e o Victor Mamede (bateria). E parece que não esquecemos ninguém.
M - E a nível de vocais?
BC - A esse nível não há novidades. É evidente que não houve preocupação de lançar pessoas através da «Banda». Parece que a «Banda» é que tem servido a várias pessoas para se lançarem. Isto não é uma crítica mas apenas uma observação. Neste LP não aparece nenhuma Cândida Branca-Flor ou Gabriela Shaaaf. Utilizámos como coro umas pessoas com quem estamos a trabalhar agora num álbum de música tradicional portuguesa, recolhas totalmente puras. É um grupo que estava ligado à Juventude Musical Portuguesa mas que vai ter um nome próprio e que verá o seu 1º álbum lançado no início do próximo ano.
M - «Benefícios...», «Coisas do...» e «Hoje Há Conquilhas...» são os álbuns editados até agora e que fizeram chegar até ao público o vosso trabalho desenvolvido ao longo de alguns anos, trabalho de pesquisa e tratamento da música tradicional portuguesa. Naturalmente a receptividade desse mesmo público foi diferente de álbum para álbum. Qual terá sido o mais bem aceite?
BC - O segundo foi o que vendeu mais e isso é um indicador. O 1º vendeu pouco, talvez porque foi o 1º. O 2º, talvez por ser o 2º ou pelas suas características, ou ainda por ter passado mais na rádio, foi aquele êxito de vendas. O 3º, por deficiências de promoção, porque já era mais difícil ou mais de vanguarda não foi um grande êxito mas apesar de tudo vendeu-se bem. Pelo menos no nosso entender!
M - Este é o vosso 4º álbum e a vossa 3ª editora. Até que ponto é que este pormenor pode ter tido influência no aspecto criativo dos elementos da «Banda» enquanto músicos? O facto de vocês poderem contar com mais ou com menos da editora não tem qualquer influência no produto final apresentado?
BC - Feito o balanço das editoras por onde passámos e aquela onde estamos, pode-se dizer que temos vindo a subir uma escada nas condições que nos são oferecidas para gravar os discos. De qualquer modo queremos salientar que não tem surgido qualquer tipo de limitação com a mudança de editora, nem essas mudanças nos têm condicionado para um tipo de reportório mais fácil ou mais difícil. Não há condicionantes de qualquer espécie. A única vez que tivemos de mostrar à editora aquilo que se pretendia fazer em disco (o que é perfeitamente natural), e nós numa situação de produtores sentimo-nos na obrigação de exigir isso das pessoas novas que apareçam, foi apresentar uma estrutura, uma maquete daquilo que se iria fazer no primeiro disco. Uma editora não aposta num LP duma coisa nova, sem saber o que é que se vai passar. A partir daí não houve uma editora que nos dissesse «Eu quero ver o que é que se vai fazer». E isto não será uma excepção connosco. Estas mudanças sucedem-se por diversos factores. Até pela mudança da nossa vida. Nós antes éramos «out-siders» da música e em determinada altura assentámos arraiais.
M - Voltando ao vosso novo álbum. Mias algum pormenor de relevo?
BC - Para nós o facto mais importante é que ele é uma súmula do que foi o passado da «Banda do Casaco» no aspecto de conhecimentos. Não demos outro salto para a frente, porque se todos os anos esse salto fosse dado havia qualquer coisa que não estava a funcionar bem. Se é verdade que apareceram vários grupos tratando a música portuguesa, pensamos que ainda não há nenhum que se identifique com a linha seguida pela «Banda». É provável que quando outros grupos começarem a trabalhar, duma maneira mais ou menos idêntica à nossa, a música portuguesa, a «Banda», dê mais um salto em frente.
M - E vocês pensam que isso possa vir a acontecer, a curto ou mesmo a médio prazo? Que apareçam portanto vários grupos tratando a música portuguesa duma forma semelhante à vossa?
BC - Pelo menos até agora, a forma como se tem estado a trabalhar a música portuguesa compreende algumas variantes. Há grupos que estão a fazer a pesquisa e a apresentar os temas da mesma maneira como os foram encontrar. Há grupos que seguem o mesmo esquema, mas ao nível de textos imprimem-lhe um cunho político-partidário. Será uma sequência natural e lógica que se comece a tratar a música popular de várias formas. A este respeito há um aspecto que queria salientar. Como no nosso país não temos um cancioneiro-geral, é muito difícil encontrarmos as fontes. É natural que daqui a dois ou três anos vários grupos estejam a tratar os mesmos temas, precisamente porque não há tantos temas como isso. Desta forma parece-me que estamos a caminhar para um ponto em que haverá tratamentos mais ou menos idênticos.
M - Vamos pensar que apareciam vários grupos tratando a música popular portuguesa. Vocês acreditam que todos esses grupos tinham possibilidade de sobreviver, de se manter a trabalhar a sério, sem o incentivo que é a gravação de um disco, considerada a eternização do trabalho desenvolvido, muitas vezes um trabalho árduo...
BC - ... Desculpa interromper, mas não estou de acordo, até porque os grupos que são conhecidos e que estão a trabalhar a música tradicional estão todos a ser postos em disco. Dá-me a sensação é que se esses grupos não evoluírem na forma de tratar essa música, então poder-se-á cair numa situação de apatia. Não se pode eternamente tratar as coisas ficando pela recolha pura, pondo o acordeão, a guitarra braguesa ou o adufe e mais nada. Há que evoluir dentro disso e essa é a nossa preocupação de facto. É evidente que temos uma canção tratada só com adufes, castanholas, um violoncelo e pouco mais, portanto quase no estado puro, como nós a apreendemos na origem. Achamos é que não se deve ficar por aí criando uma outra sonoridade para se fugir a essa apatia. Nota que nós, encontramos no nosso país os mesmos temas tratados de maneira diferente, de aldeia para aldeia, por vezes bem perto uma da outra. Acontece nestes casos que um tema foi assimilado pela cultura própria duma determinada aldeia duma maneira específica. Se havia naquela aldeia um indivíduo que tocava por exemplo bandolim, esse tema começava a ser interpretado com o bandolim, enquanto noutra aldeia era só cantado e com adufes. Ainda noutra aldeia (a 50 ou 70 km) o mesmo tema podia passar a ter outros instrumentos. Ora nós estamos em Lisboa, estamos no século XX, e temos portanto possibilidades de dispor de determinados instrumentos.
M - Isso é a velha discussão entre os puristas da folk e os modernistas, e sobre a qual se continuará sempre a dizer o mesmo. Uns dizem que sim, outros dizem que não...
BC - ... Resta saber é se às vezes a capa de purista não serve pura e simplesmente para encobrir incapacidades. De facto, muitas vezes, e por aquilo que nos é dado ouvir é essa a conclusão a que chegamos.



M - A existência de vários grupos tratando a música portuguesa pressupõe naturalmente a existência de muitos músicos. Na vossa opinião, existem neste país músicos para garantir o mínimo de qualidade ao trabalho desenvolvido por esses grupos que poderão vir a aparecer?
BC - Aí é que me parece que a situação é mais difícil. Parece-me que haveria músicos mas é preciso uma grande dose de «carolice», de trabalho e de dedicação à música para funcionar como nós funcionamos. Todos nós sabemos que lá fora os intérpretes, os grupos, etc.... não começam em disco mas sim por espectáculos. Cá em Portugal acontece normalmente o contrário. Começa-se pelo disco e raramente se fazem espectáculos. Ora, enquanto não houver condições para se fazerem espectáculos, é difícil surgirem os tais novos valores e por outro lado empurram-se as editoras para o papel ingrato de investirem um pouco às escuras. Parece-nos que para além do pôr o fado ao vivo, ou a balada, ou ainda por exemplo os «cantos livres», as coisas tornam-se mais complicadas. Também será mais ou menos fácil a um grupo coral que cante música tradicional portuguesa e não necessita de grandes meios de amplificação, bastar-se numa sala. No nosso caso, se calhar escolhemos o caminho mais difícil, e temos esse drama que é misturar num palco um violino, uma guitarra acústica, uma guitarra eléctrica, um órgão se necessário, uma bateria em determinada altura, etc. Portanto uma miscelânea de instrumentos acústicos com eléctricos, que exigem requisitos técnicos que custam fortunas.
M - De qualquer modo temos tido a oportunidade de assistir a alguns concertos de rock feito por músicos portugueses...
BC - Isso tem sido verdade nos últimos anos, mas atenção! A maior parte deles angariaram os fundos necessários para comprar a aparelhagem sofisticada que é necessária, muitas vezes indo por essas terras fora tocando em bailes os Cha-Cha-Chas, sambas, tangos e «carnavais», antes de poderem tocar as suas coisas em concertos. A maior parte desses grupos tiveram que passar por uma fase crítica, fazendo muita porcaria, para conseguirem chegar ao ponto em que se encontram neste momento.
M - Vocês pensam que a Televisão e a Rádio poderiam dar uma ajuda nesse aspecto, organizando concertos, mesmo em estúdio, onde fosse possível apresentar os grupos portugueses que existem, ou mesmo novos grupos?
BC - Em relação à Televisão, não sei quais são os seus planos futuros. No entanto parece-me que continua a passar pelas coisas. De facto os magazines são importantes como noticiários, mas depois passa superficialmente pelas coisas. Por exemplo a TV vai filmar os Festivais de Jazz de Cascais. Sim senhor, está no seu direito e na sua obrigação, mas há bons concertos de rock feitos por grupos portugueses e que não são aproveitados, e aí dá-me a sensação que é uma falha da televisão. Em relação à rádio, pois se neste momento tu estivesses a formular um convite para fazer um concerto em estúdio eu diria «Estamos interessados, vamos a isso», mas a médio prazo. Uma vez que estamos nesta situação de não fazer espectáculos, não ensaiamos tanto como ensaiaríamos se estivéssemos a funcionar em pleno ao vivo. Mas parece-me que era um passo importante a dar.
Entrevista conduzida por
João Filipe Barbosa
e Fernando Quinas








Van Der Graaf
O Fim De Um Ciclo

 
Na Universidade de Manchester, em 1967, cinco amigos resolvem formar um grupo - Keith Ellis, Peter Hammill, Hugh Banton, Guy Evans e Chris Judge Smith. Este último, foi quem deu o nome ao grupo mas pouco mais fez, já que passado pouco tempo o abandonaria. E pouco tempo depois, ainda sem terem gravado qualquer trabalho, dava-se a primeira dissolução dos V.D.G.G.
Peter Hammill continuou a trabalhar a solo, intensamente, aparecendo constantemente em pequenos espectáculos, cumprindo alguns compromissos que o grupo efectuara. No final de 1968, P.H., tem já uma proposta elaborada para um álbum, que é aceite. Durante as sessões de gravação, vão aparecendo todos os músicos, à excepção de Smith, que compunham os Van Der Graaf Generator, e que servirá de pretexto para a reformação do grupo. Assim, é editado, ainda em 1968, «Aerosol Grey Machine», primeiro álbum dos Van Der Graaf Generator.
Não passava ainda um ano sobre a data do lançamento do primeiro álbum e já o grupo sofrera novas alterações. Keith Ellis (baixo) abandona o grupo, entrando para o seu lugar Nic Potter. Nessa altura ingressa também um novo membro, Dave Jackson, que vem acrescentar ao grupo novas sonoridades com saxes e flautas. E é com esta formação que são gravados os dois seguintes álbuns, «The Last We Can Do Is Wave To Each Other», e «H to He I'm The Only One».
«H To He...» é um álbum que marca importantes mudanças no som do grupo. Peter Hammill, exímio guitarrista acústico, recusava o som da guitarra eléctrica nos álbuns do grupo. Neste álbum, esse som aparece pela primeira vez, no entanto não pela mão de Hammill mas por um amigo, nessa época um ilustre desconhecido que começava a chamar a atenção, e hoje mais que famoso, Robert Fripp.
Em «Pawn Hearts» Nic Potter já não aparece: - havia abandonado o grupo ainda durante as gravações do álbum anterior. O disco conta com a participação de Fripp nalgumas passagens, como artista convidado - o único na vida do grupo até hoje.


«Pawn Hearts», editado em 1971, marca também o fim do segundo ciclo da vida do Van Der Graaf Generator e o início da carreira a solo de Hammill.
Assim, ainda no decorrer de 1971, é editado «Fools Mate» sob o nome de Peter Hammill, e onde vamos encontrar de novo os V.D.G.G., a tocarem com ele. E é esta situação, com pequenas alterações, que se vai verificar nos quatro álbuns seguintes, «Chameleon In The Shadow Of Night», «The Silent Corner In An Empty Stage», «In Camera» e «Nadir«s Big Chance». *
«Nadir's Big Chance» é o apogeu da sua carreira como solista. É uma sátira Rock ao Rock, através da história de uma fictícia Pop-Star. Este álbum anteced a reestruturação do grupo, que irá produzir três novos trabalhos, com Peter Hammill nas guitarras e voz, Hugh Banton nos teclados, Guy Evans na bateria e percussão e David Jackson no sax e flautas. Este é o único período cujos álbuns são possíveis de se encontrarem no nosso país.
«God Bluff», «Still Life» e «World Record» não são três obras díspares mas formam uma autêntica trilogia, dinâmica e evolutiva. Um período de enorme riqueza criativa de Hammill. Musicalmente, o grupo expande-se para além de fronteiras inimagináveis, tornando-se definitivamente, quanto a mim, no mais extraordinário grupo musical dos nossos dias. Após os climas acústicos, tão ao gosto de Hammill nos primeiros tempos da existência do grupo, os Graaf passam a utilizar os mais sofisticados meios tecnológicos ao seu alcance, utilizados cada vez, maior insistência, dominando-os e manipulando-os de uma forma tão original quanto subtil. Geram climas emocionais intensíssimos, arrazantes. Uma música incrivelmente elaborada, trabalhada e desenvolvida; tão irreal por fora quanto real por dentro; fluxos sonoros que se sucedem numa cadência delirante, deixando-nos perfeitamente extasiados. Por vezes solene e grandiosa, outras, duma simplicidade e pureza notáveis. E Peter Hammill é um poeta, um verdadeiro poeta em toda a acepção da palavra. Místico, gnóstico, biófilo, desencantado, lúcido, angustiosamente lúcido. Crítico feroz, mesmo sarcástico por vezes. Ficcionista. Simbolista. Apaixonado.


Peter Hammill canta com tanta paixão e devoção, como se desse acto dependesse a sua vida. A sua voz, de dicção pura e cristalina, extraordinariamente melodiosa, é trabalhada na perfeição, muitas vezes dobrada em vários tons. Tanto pode expressar júbilo como desespero. Torna-se áspera quando necessário e suave quando lhe é exigido. Um ligeiro sussurro, quase inaudível e calmo, transforma-se num imenso grito de angústia, lancinante e dilacerante. Uma voz cristalina como uma gota de água, vigorosa como a terra, abrasadora como o fogo. Variando entre nuances de enorme beleza, é fascinante a projecção alcançada, sempre com a exacta expressividade.
Em 1977, Jackson e Banton abandonam o grupo, sendo substituídos por Nic Potter, que regressa ao grupo, e pelo violinista, ex-String Driven Thing, Graham Smith. Já com a nova formação grava Peter Hammill novo trabalho a solo, «Over». Um trabalho intimista, que é como uma reflexão, uma breve paragem, a busca de um sentido desaparecido. Um dos mais belos trabalhos de Hammill, tanto no aspecto musical como literário. Infelizmente não foi publicado no nosso país.


Pouco tempo depois grava novo álbum dos Van Der Graaf (agora sem Generator), «The Quiet Zone / The Pleasure Dome», que trás grandes alterações a nível estrutural e sonoro. O regresso de Nic Potter dá uma maior liberdade de movimentos a Guy Evans, impondo simultaneamente uma marcação mais forte e cerrada. Mas a grande novidade sonora é-nos dada através do violino de Graham Smith. O violino é um instrumento de enorme versatilidade, muito mais que o sax, deixando a Hammill uma maior amplitude de escolha de estruturas rítmicas e melódicas. O violino vem tomar um lugar de destaque, quer em solos, quer como suporte de todos os desenvolvimentos e discursos musicais. Os temas ganham uma nova flexibilidade. Dão-se frequentes mudanças rítmicas em cada tema, chegando mesmo por vezes a uma mudança radical do tempo, dando-lhes um novo dinamismo e vigor. A música ganha novos contrastes e uma maior unidade.
Era a entrada do grupo numa nova era. Infelizmente, hoje sabemos que efémera. Os Van Der Graaf desapareceram mais uma vez. Deixam um vazio que ninguém jamais poderá preencher até um novo regresso!?1
Mas Peter Hammill não ficou parado. Na altura em que a notícia do fim do grupo foi dada, acabava de gravar novo álbum-solo «Future Now».
«Future Now», como não podia deixar de ser, é um álbum fabuloso, que se segue a linha (se é que se pode chamar «linha» à evolução constante do grupo por caminhos tão pouco esperados como surpreendentes), iniciada em «Over».
Van Der Graaf, o mais espantoso grupo rock, voltará de novo um dia, quando ninguém esperar. Ficam-nos as obras a solo de Hammill, não menos espantosas. E esperemos que Peter Hammill passe a aparecer regularmente no nosso mercado discográfico. Pode ser que lá pelo Natal, como presente, a Polygram portuguesa edite «Future Now».
Van Der Graaf, patético. A emoção de se estar vivo.

G.T.

* No ano de 1974 a «família» Van Der Graaf Generator publicou um trabalho, que segundo informações que possuo somente foi editado em Itália e cujo título genérico é «The Long Hello». Um álbum totalmente instrumental em que participam David Jackson, Guy Evans, Nic Potter, e Hugh Banton. Curiosamente o próprio Peter Hammill aparece sob o nome de Pietro Messina, executando guitarras acústica e eléctrica e piano. O álbum regista ainda a participação dum tal Ced Curtis. Edição do LP na etiqueta United Artists.




O Rock Português
BEATNICKS



«Musicalíssimo» divulgará em todos os números nomes que constituem o panorama rock português, que por mais que certos detractores queiram evitar, existe mesmo e em força.
Para iniciar esta secção, que incluirá num futuro próximo também entrevistas com músicos rock portugueses, seus problemas e demais assuntos ligados com o movimento rock em Portugal, nada melhor que começar com os Beatnicks, que acabam de ver lançado no mercado discográfico português o seu primeiro trabalho em single, um trabalho bem esquematizado e promissor, que nos alerta para futuros discos e nos dá a consoladora certeza de em Portugal ser possível fazer rock do bom, e sobretudo apoiado por textos em português!
Os Beatnicks são actualmente: Jorge Casanova (guitarra-solo), Luís Araújo (bateria), António Emiliano (teclas), Ramiro Martins (guitarra-baixo) e António «Stratos» Leal (vos), e têm como não poderia deixar de ser uma história para contar: Reuniram-se há cerca de três anos Jorge Casanova e Ramiro Martins (que havia integrado uma formação mais antiga do grupo) e resolveram começar a tocar os dois. O «genesis» aconteceu numa peça de teatro cujo título era «Viagem à Íris».
Entretanto o nome Beatnicks, havia sido escolhido, uma vez que Ramiro tinha tocado nesse mesmo grupo e logicamente isso ajudaria imenso, por ser um nome já conceituado, que disfrutava inclusivamente de certo prestígio no meio musical português. Aliás, Ramiro é neste momento o único «sobrevivente» da formação original.
Sobre as influências que se evidenciam na música praticada pelos Beatnicks, Casanova acha que o grupo tem forçosamente que sofrer certas influências por tudo aquilo que os membros ouvem, porque é praticamente impossível uma pessoa alhear-se de várias coisas, nomeadamente pelo facto de toda a gente ouvir rádio todos os dias!
Sobre aquilo que para certos músicos é extremamente difícil - cantar em português - o grupo tem as suas próprias convicções e é de opinião, que se os habituais ouvintes da sua música são portugueses, a maneira mais eficaz e correcta de se expressarem será em língua portuguesa! O grupo afirma mesmo: - «As pessoas em Portugal tem a mania de que aqui nunca nada é bom, lá fora é que é! Mas nós, não pensamos do mesmo modo: - temos uma língua própria, devemos cantar nessa língua, até porque assim é muito mais fácil fazê-las sentir o que queremos dizer!». Todavia o grupo faz questão de frizar que este sentir, é apenas uma opção do grupo, e não uma dificuldade de «fabricar» as letras em inglês.
O responsável pelas líricas dos Beatnicks é Jorge Casanova; a música vem na continuação. Quando um trecho tem letra, o que nem sempre acontece, ou quando acontece ter só música, ou até ter só voz, Jorge Casanova faz o que falta, completando posteriormente o grupo os arranjos, que são feitos em conjunto.
Para já os Beatnicks ensaiam numa sala instalada num andar, em relação ao qual o senhorio impôs terminantes condições: - só poderiam ensaiar ali, se conseguissem isolar acusticamente o local. O isolamento foi feito - até porque se isso não se verificasse o grupo ficava de repente sem sítio para poder ensaiar-se - e assim, pouco a pouco, nasceu o estúdio onde o quinteto ensaia hoje em dia, produzindo rock, que a avaliar pela amostra contida no trabalho discográfico de lançamento - «Somos o Mar» e «Jardim Terra» - é do melhor que se tem feito no nosso País até ao momento, apoiado sobretudo nas potencialidades vocais de Tó «Stratos», a grande revelação do conhecido Musical Açores de 1977!
«Musicalíssimo» cá fica à espera de novos trabalhos e notícias dos Beatnicks, e de outros grupos rock portugueses claro!
J.A.C.


Outro conteúdo interessante, eventualmente a divulgar posteriormente:
. Dossier sobre os Genesis
--> GENESIS - «...Ant Then There Were Three...» - Entrevista (10 pgs.), por J. Afonso Costa
--> Keith Moon - baterista dos WHO - Morreu Uma Estrela Do Rock (artigo de 3 pgs.), por J.A.C.
--> O 8º Festival de Jazz de Cascais - reportagem de 3 pgs., por Fernando Quinas
--> Colosseum II - Artigo/Reportagem do Concerto de Lisboa (3 pgs.), por J. Afonso Costa
--> Uma Boite - Scarllaty
--> Novidade - Discos
Blondie - «Plastic Letters», por G.T.
Squeeze - «Squeeze», por G.T.
Stranglers - «Black And White», por G.T.
Moody Blues - «Octave», por JAC
Brand X - «Livestock», por JAC
Sparks - «Introducing Sparks», por JAC
Renaissance - «A Song For All Seasons», por JAC





4.1.16

Memorabilia: Revistas / Magazines / Fanzines (143) - Musicalíssimo #5


Musicalíssimo
Junho 79
Preço 50$00
Nº 5




Director e Editor: Jacques C. Rodrigues
Chefe de Redacção: J. Afonso Costa
Corpo Redactorial: João Filipe Barbosa; João Pedro Araújo, Gonçalo Tello, Fernando Quinas, Carlos J. Gomes, J. Afonso Costa, José Pedro Reis.
Fotógrafo: Jorge Jacinto
Propriedade: Editorial Globo - Apartado 10 - Queluz

54 páginas A4 - papel de peso médio - páginas a cores e a p/b numa proporção de cerca de fifty-fifty.
Poster A3 (centrais) - Village People


Os leitores também escrevem...
Rock Em Almada No Canecão
O rock new wave português deu boa conta de si no Canecão, no passado dia 17 de Fevereiro. Estiveram presentes, apesar da deficiente propaganda, cerca de 200 pessoas (sala quase cheia), numa das cenas mais curtidas da nova geração de músicos rock portugueses.
Uma boa surpresa naquele fim de tarde ali em Cacilhas, entre a velha-nova cidade de Almada e o ancoradouro de petroleiros da Lisnave, onde o rock gritou toda a sua carga social através do decibeis sonoros dos dois únicos grupos sobreviventes da new wave portuguesa - o AQUI D'EL ROCK e o UHF (grupo este originário da cidade-dormitório) - que convenceram e fizeram vibrar quantos pagaram 50 paus pela cena.
Parece-nos bastante inútil falar da sala, acústica, etc. (como certos cátedras da pena), porque, amigos meus, as boas salas de concerto portuguesas não estão abertas ao rock, nem o rock (este) se faz para acomodar os corpos da assistência. Assim como quem vive na cidade e circula na vida.
Daí que tudo foi bom. Distúrbios não os houve, a não ser uma pequena confusão, sanada ali pelo pessoal, mas de certeza menos violenta que as batalhas campais do futebol português institucionalizado. Uma questão de culturas e frustrações. Afinal nós até somos uns tipos porreiros. O rock é um retrato social, um erro como o álcool, uma fuga parada, e a sua violência é despertante, purificadora.
Os grupos deram tudo. Energia, vibração plena, a força do rock, o nervosismo da luz, os temas que vão fazendo o cancioneiro do rock em Portugal, este universalismo de sentimentos, este sofrer os malefícios da vida obrigatória - vida na cidade.
Primeiro os UHF, foram mais longe do que se esperava. Grupo quase desconhecido, mostrou-se avassalador no palco, dominando-nos com um sentido perfeito do rock-concept. Temas de grande inteligência poética, no rock e nos blues. Quase hora e meia de espectáculo e no fim não os queriam ver dali para fora. Gostámos. A merecerem outra atenção.
O AQUI D'EL ROCK Mais seguro dos últimos tempos. Melhor que em Novembro no BROWNS. Maior dinamismo mais profissionalismo, uma barreira de som a tornar-se imponente. Em resumo, um segundo disco gravado e »EU NÃO SEI», bisado. Grupo leader da cena. Músicos do couro, filhos descontentes do orgulho banal.
Com estes dois grupos fez-se a melhor cena (ou a única) da new wave portuguesa destes últimos tempos.
Parabéns à malta e ao CANECÃO pela coragem.
SID VICIOUS IS NOT DEAD.
Assinam dois lunáticos do rock:
Carlos Ribeiro
Lídia Abreu





(alguns dos) Discos em Análise:
Jean Luc Ponty - «Cosmic Messenger»
Blondie - «Parallel Lines»
David Bowie - «Stege»
Weather Report - «Mr. Gone»
Supertramp - «Breakfast In America»
Roxy Music - «Manifesto»






29.6.15

Memorabilia: Revistas / Magazines / Fanzines (93)


Que É Feito Dos Heróis Do Rock Português?
Os Percursos Dos Protagonistas Do "Boom" Do Início Dos Anos 80

Dossier de 14 páginas na revista Pública (Suplemento do jornal Público) - 14 de Novembro de 1999
Por Dulce Furtado



Além do artigo de fundo com opinião e apontamentos de entrevistas sobre muitos grupos, há destaques especiais (à parte) sobre os grupos:
UHF
Grupo de Baile
Da Vinci
Heróis do Mar
Tantra
NZZN
RoxigénioTáxi
Já Fumega
CTT
Trabalhadores do Comércio

Tantra
Cinema e Restaurantes

Manuel Cardoso, 46 anos, despiu definitivamente as vestes do seu alter-ego Frodo e, depois do fim dos Tantra, chegou ainda a editar dois álbuns a solo. Mais tarde virou-se para a produção de discos para outras
bandas e depois enveredou pela composição de música para jingles publicitários. Profissionalmente está hoje ligado ao cinema desempenhando funções de director de estúdio de pós-produção de filmes. Nos
intervalos do trabalho, vai tocando com uma banda, a Everness, num restaurante macrobiótico de Lisboa. Entretanto, reformulou os Tantra com novos músicos e promete gravar entre o final deste ano e o princípio do próximo. Sem tentações de regressar à vida de músico está o baterista Tó Zé Almeida, 43 anos, há muito mergulhado nas actividades da empresa de produção publicitária e televisiva Panavídeo, da qual é um dos proprietários. A prematura dissolução dos Tantra permitiu-lhe estar disponível para outros projectos musicais, então já embalados pelo "boom" do rock português. Levou a sua inesgotável energia rítmica para os "Heróis do Mar", uma das mais carismáticas bandas da época, e aí permaneceu até à dissolução do grupo, trocando só então e definitivamente a bateria pelas cãmaras de filmar. Pedro Luís, 37 anos, o teclista que substituiu Armando Gama nos Tantra logo após a edição do álbum "Mistérios e Maravilhas", também foi a tempo de apanhar nova boleia na vaga do rock português dos anos 80. Apareceu logo em 1982 com os Da Vinci, banda que, embora não se dê muito por isso, ainda anda por aí. Do baixista Américo Luís, o primeiro dissidente dos Tantra, na altura substituído por Pedro Ayres de Magalhães para a gravação do último álbum da banda, "Humanoid Fleshj", não se encontrou o rumo.





24.4.15

Livros sobre música que vale a pena ler (e que eu tenho, lol) - Cromo #53: Edgar Raposo e Luís Futre - "Portugal Eléctrico!" - Contracultura Rock 1955 - 1982


Autor: Edgar Raposo e Luís Futre
título: "Portugal Eléctrico!" - Contracultura Rock 1955 - 1982
editora: Groovie Records
nº de páginas: 162
isbn: 989-20-4344
data: 2013



Introdução por Paulo Furtado e Daniel Bacelar
Afonso Cortez:
(Textos biográficos 1955 a 1967)
João Carlos Callixto:
(Introdução aos capítulos e biografias de 1970 a 1975)
Luís Piedade:
(Textos e biografias - Punk em Portugal)

O Rock Português sempre foi um mistério para nós, que crescemos na década de 80 e 90. Sempre pensámos que o Rui Veloso fosse o pai do rock nacional e que para trás não existia nada. A indústria discográfica e os media da altura vendiam, e ainda hoje o fazem, o "Boom do rock português" como o nascimento do rock em Portugal ou como sendo a época de mais relevância nessa matéria. Nada poderia ser mais incorrecto e negligente com a nossa história e cultura musical. Incorrectos mais de 50 anos.
Os últimos anos foram de algum desafio e ao mesmo tempo uma descoberta de algo novo para nós: o rock 'n' roll dos 50's, a música surf, o beat, o garage e o psicadelismo feito em Portugal, por portugueses. Em simultâneo com o que estava a acontecer lá fora. Fizemos amigos, inimigos, corremos o país, visitámos caves empoeiradas, feiras de velharias e sótãos cheios de "tralha" em busca daquela foto, revista, disco...
Todas essas descobertas são aqui partilhadas neste livro.
Fizemos um levantamento exaustivo do Pop Rock feito em Portugal, a partir das nossas colecções pessoais e de acervos de músicos e curiosos que viveram as épocas em questão e ainda dos maiores coleccionadores de registos fonográficos do nosso país.
O conteúdo aqui apresentado é uma ínfima parte desse material recolhido ao longo de quase 7 anos. Obviamente teve de ser feita uma selecção, pois é sempre complicado separar e escolher um determinado disco, foto ou outro material para ser incluído.
Right-click here to download pictures. To help protect your privacy, Outlook prevented automatic download of this picture from the Internet.
Claro, haverá sempre quem diga "falta isto, ou aquilo", outros dirão "eu teria colocado aquela foto ou aquele disco". Pois falta, falta muita coisa, mas é isso o interessante de fazer este trabalho de pesquisa e recolha, saber que teremos sempre algo novo a descobrir e a aprender.
Este livro obedece a um critério bastante pessoal dos autores, era esse o objectivo.
E assim muita coisa ficou de fora, outras por encontrar e descobrir, mas teremos outras oportunidades para incluir tudo isso numa outra edição, aumentada, segundo volume, quem sabe?
Os autores

Depois de "A Arte Eléctrica de Ser Português", o histórico livro de António Duarte editado em 1984 e há muito esgotado, este "Portugal Eléctrico" que a Groovie Records agora nos apresenta é o mais significativo documento para a compreensão da memória rock do nosso país. Os textos, os artefactos fotográficos e as capas de discos constituem um acervo crucial para a iluminação de uma época que até há pouco vivia na sombra de factos mais recentes e tornam um pouco menos secreta uma história de que ainda hoje sentimos os electrificados efeitos.
Rui Miguel Abreu, Blitz

Taking in the celebrated and the forgotten, Portugal Eléctrico is a thoroughly engaging rock'n'roll page-turner housing a delightful cornucopia of record cover images and other ephemera from homegrown Portuguese talent. As an added bonus it also shares a truly intoxicating picture library of some of the nation's rarest releases by international groups; and for whom still many worldwide collectors salivate over for even just a glimpse.
Lenny Helsing, Shindig / Ugly Things





31.5.13

Livros sobre música que vale a pena ler (e que eu tenho, lol) - Cromo #30: Aristides Duarte - "Memórias Do Rock Português"


autor: Aristides Duarte
título: Memórias Do Rock Português
editora: Edição do Autor
nº de páginas: 229
isbn: 989-20-0396-9
data: 2006 (2ª edição)

sinopse:


A história da música Rock portuguesa, desde os primórdios até à actualidade, é aqui contada de uma forma sucinta, numa linguagem simples e directa, sendo a obra enriquecida por inúmeras ilustrações.
Biografias de inúmeras bandas e artistas são apresentadas por ordem alfabética e há espaço ainda para uma entrevista e para crítica discográfica.
"Memórias do Rock Português" é, por outro lado, um recanto de saudade.
Os jovens poderão aprender que nem tudo começou como imaginam e os mais velhos sentirão a nostalgia de tempos fantásticos.

Para saber mais sobre o autor, um segundo volume que já foi editado e, claro, sobre o rock português, visite o blog do autor: Rock Em Portugal






4.4.13

Livros sobre música que vale a pena ler (e que eu tenho, lol) - Cromo #25: Luís Maio - "Afectivamente GNR"


autor: Luís Maio
título: Afectivamente GNR
editora: Assírio & Alvim (colecção Rei Lagarto - 17)
nº de páginas: 147
isbn: 972-37-0225-8
data: 1989

sinopse:
Apresentação
Este livro é em princípio uma estreia. O primeiro entre nós publicado a respeito de uma formação portuguesa na área da chamada «música moderna». Um acontecimento que desde logo remete para o espaço cultural onde se vem inscrever, para eventualmente forçar a estreiteza dos seus actuais parâmetros.
A tradicional subalternidade do sector pop/rock no círculo musical nacional pode considerar-se, a nível de produção, em fase de ser superada. Processo germinal nos inícios da década, ainda incluído ou requerendo ulterior reiteração, não parece por isso menos irreversível. Porque, embora pese a fragilidade inerente ao sinuoso fluir local do género, é também incontestável o crescendo quantitativo, e sobretudo qualitativo, que nele se tem vindo a testemunhar. Deu-se o grande safanão musical no complexo de inferioridade perante o estrangeiro, durante cerca de três decénios pouco ou nada disfarçado por glosas desinspiradas, quando não desastrosamente incompetentes. Graças às aquisições cada vez mais seguras da geração de 80, estamos agora no ponto em que se torna improvável a regressão ao obscurantismo, pelo menos, em que se esconjurou a empecida apatia do passado.
Se a incriatividade traumática no capítulo pop/rock foi aqui ultrapassada, em contrapartida não se chegou sequer a visar o bloqueio anexo que por sistema o tem relegado para o charco das artes menores. Aliás, a submersão no embrutecimento não fez senão radicalizar-se por via de uma espécie de aliança tácita dos músicos com os média e o público, como se a desqualificação do estatuto artístico fosse certificado de vitalidade das obras. Assim, evitando higienicamente quaisquer conotações passadistas com a concorrência moribunda da mpp, a nossa música moderna ergueu-se e persistiu empunhando a diversão como exclusivo estandarte. Rejeitou-se, portanto, a marca da intelectualização, dispensou-se a própria intencionalidade, incluindo circunstâncias onde «leituras» trivializantes por força soaram a falso.
Ao promover a descuidada negligência que é a de se reflectir como endémica e estouvada, a nova comunidade musical tem resvalado continuamente para o precipício das aberrações culturais. Daí, em particular, a situação de «alegre analfabetismo» que faz o grosso do luso discurso metamusical, a futilidade mentecapta da maioria das entrevistas, a ignara ligeireza das revisões críticas e, a rematar tudo isto, a ausência de uma leitura adequada a quase quatro décadas, em especial aos agitados últimos anos da nossa história pop/rock.

Os GNR aparecem neste contexto em posição privilegiada a exigir um tipo de tratamento diferente. São uma das bandas mais resistentes da nossa «vaga moderna», uma das raras sobreviventes do seu primeiro «boom» em 80 a conservar-se actualmente em actividade. Apesar de, ou graças às sucessivas mudanças de formação e variações de estilo, a apreciação do seu trabalho em termos globais aponta para um saldo francamente positivo, por certo sem rival à escala nacional. Não embarcaram na onda do rock português, nem na moda mais recente dos revivalismos de veia popularista. No entanto, ou não obstante se terem sabido manter à margem dos movimentos que têm dominado a nossa cena pop/rock, poucos serão aqueles que como eles se podem vangloriar de a terem tanto e tão bem servido. Descolando de qualquer tipo de tributagem mimética, colhendo influências nos mais diversos estilos musicais para as devolver em configurações próprias e com frequência brilhantes, eles criaram um estilo. Foram e são exemplo paradigmático de uma independência que se reconhece como apanágio do mais apurado escol cultural lusitano. Depois, na sua atitude artística, a exemplaridade tem vindo a par com a excepcionalidade. Desde os primórdios, e cada vez mais, os GNR pautam a sua actividade por um princípio de prazer, imediato e pregnante, perfeitamente ajustado aos requisitos do campo pop/rock. Nisso têm alinhado a concurso e boa parte das vezes vencido aos pontos os mais sérios candidatos a «entertainers» surgidos entre nós nesse âmbito. As músicas nunca deixaram de ser sedutoras e contagiantes, recentemente também muito dançáveis, as palavras só têm ganho calo na ludicidade hilariante e irresistível, ao passo que os concertos já foram delirantes para agora se tornarem de uma espectacularidade mais mesurada e profissional. No entanto, no grupo portuense, o encanto e a fruição são possíveis na medida em que se desencadeiam, como bem mais que puro entretenimento. É discutível se a música dos GNR corresponde aos objectivos dos instrumentalistas que a têm rubricado e, como mesmo aqui se poderá constatar, várias são as situações de declarada discrepância que a este respeito há a citar. Contudo, desde o semi-experimental «Avarias» aos instrumentais de Alexandre Soares, passando pelo vasto rol de canções de estrutura pouco ortodoxa que amiúde constela todos os álbuns, esta banda nunca se rendeu à facilidade e simplismo acreditados nos tops. Por outro lado, se é também duvidoso Rui Reininho ter alguma vez ambicionado algo mais que divertir divertindo-se, convenhamos que por regra escolhe vias pouco pacíficas de saciar semelhante propensão. Será um ponto a aprofundar mais tarde, mas é evidente desde o primeiro contacto que o riso que investe em palavras, voz e perfomance, é tudo menos o «saudável» conformismo. A sua gargalhada é sempre a «outra» a que provoca o poder e o instituído, a que faz alvo da «seriedade trágica» no esteio das normas e usos correntes.
Assim tem evoluído o grupo pop/erock português rompendo a autocastradora malha dualista onde o género se vem a arrastar, apostando na sensualidade e na inteligência como duas faces da uma única moeda. Tendo em vista a relevância da banda na nossa música moderna e a especificidade do seu posicionamento, sobre outro nome não poderia recair este projecto. Porque se reclama refractário no espírito àquela antítese de que eles são os detractores autorizados, porque, complementarmente, se supõe inaugural na fórmula literária que eles melhor que ninguém entre nós justificam.
Este livro não é, portanto, o tipo de brochura singela feita de encomenda para aterrar nas estantes dos adolescentes entre os compêndios escolares e os policiais de bolso. Não se satisfaz no desvendamento de «segredos escaldantes», supondo que os há na vida privada dos artistas, nem no historial epicamente relatado do seu currículo. É claro que a história do grupo e a vida dos músicos nos importam, mas apenas na medida em que possam contribuir para elucidar a obra. Porém, o objectivo não é académico, estando longe do nosso propósito impor abordagens na linha de uma musicologia científica ao que pela sua natureza própria é estranho a esse aparelho conceptual. A análise interessa-nos, todavia, na perspectiva de uma abertura de pistas que em vez de fornecer uma única chave de interpretação possa sugerir várias. Pretendemos expor os GNR tal como os entendemos e, em última análise, acreditamos que a moderna música portuguesa na sua globalidade é qualquer coisa de estimulante entre o prazer e a razão. Evidentemente, o facto de se tratar de um ensaio para o qual partimos sem rodagem prévia, num espaço em que não se encontram precedentes locais, dificulta e contingencia tal experiência.
É provável, em particular, que surjam acusações quanto à atitude genérica que assumimos sobre o nosso objecto. Não adoptamos a apologia incondicional, rejeitamos o olhar distanciado do observador imparcial. Mantemo-nos antes numa espécie de meio termo entre a objectividade analítica e a apreciação valorativa, quase, mas nem sempre, favorável. Para muitos será um erro metodológico, sê-lo-á provavelmente, para nós é uma opção ditada pelos pressupostos de onde toda a empresa descola. Não interpelamos uma banda de que gostamos numa óptica de desempenhamento, como não deixamos de examinar com rigor crítico os aspectos nela estimados negativos.
Uma última questão preliminar: o aparecimento deste livro não representará para os GNR, como já sucedeu com tantas estrelas pop em situação análoga, uma sentença de morte, ou pelo menos de declínio? Não é este, faça-se notar, o nosso ponto de vista. É opinião corrente entre os especialistas e auditores mais qualificados sertem os mais recentes trabalhos da banda portuguesa os seus piores até à data, e é bem possível que seja o caso. Não obstante, pensamos que por enquanto merecem o benefício da dúvida. Este livro nasceu das razões que já indicámos, e também porque sendo nós capazes ou não de lhes fazer justiça, é verdade que os GNR já há muito conquistaram o direito a um tributo deste tipo.





17.3.12

Livros sobre música que vale a pena ler (e que eu tenho, lol) - Cromo #14: António Pires - "As Lendas do Quarteto 1111"


autor: António Pires
título: As Lendas do Quarteto 1111
editora: Ulisseia
nº de páginas: 134
isbn: 978-972-568-582-2
data: 2007


sinopse:
Há 40 anos nascia entre nós um grupo musical que mudaria a maneira de compor, tocar e ouvor música em português.
Um grupo que partia do rock anglo-saxónico, sem a ele se limitar, e que integrava no seu som elementos da música medieval, da música tradicional portuguesa, e ainda de outras proveniências, como a música árabe. Um grupo que cantou, com ironia e espanto, temas da nossa História (D. Sebastião, D. Inês, o «Todo o Mundo e Ninguém» de Gil Vicente...) mas que também cantou odes aos Beatles ou canções claramente anti-regime, como as que integraram o seu primeiro álbum, destruído pela censura, onde a guerra colonial, a emigração e a exploração dos trabalhadores eram evocadas com desassombro.

Em As Lendas do Quarteto 1111, José Cid, Michel Silveira, Tó Zé Brito e Mike Sergeant contam-nos a sua versão da história, alguns episódios de tempos passados e dão-nos a conhecer, em discurso directo, algumas verdadeiras revelações, aqui compiladas e apresentadas da forma brilhante por António Pires.




6.1.09

Linha Geral






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Os Linha Geral foram um grupo único e genial da era pós-punk portuguesa. Integrados naquilo a que podemos chamar a geração Rock Rendez-Vous, sala de concertos da capital portuguesa, onde se reuniam e actuavam todas as vanguardas musicais da altura, os Linha Geral foram únicos pela originalidade e idiossincrasias desde sempre manifestadas e essencialmente consubstanciadas na voz poderosa e inimitável de Carlos Manso. A esta originalidade acresce a qualidade das canções que produziam e dos concertos que promoveram na época.
Foram, no entanto, uma banda efémera, de que conhecemos apenas esta gravação, obra da saudosa Ama Romanta.
Mais um dos grupos injustamente menosprezados da época que podiam, se os ouvidos da turba fossem mais exigentes e atentos. Uma pena.
Fiquem pois com esta pérola preciosa… e agradeçam à Ama Romanta ter salvado mais uma pedra do rock português.

Carlos Manso (voz e guitarra)
Fernando Soares (bateria)
Tiago Lopes ( Guitarras)
Pedro Alvim (Baixo)
Produção de Nuno Rebelo

Ama Romanta 1988 – AMRO 007

Lado A:
1. Porque os Outros – 3.28
2. Dança de Sombras – 3.01
3. Formas Estranhas – 1.55
4. Coro Jovem – 3.01
Lado B:
5. Auto de Fé – 3.20
6. Sinais do Tempo – 1.49
7. Ousadia – 2.33
8. Riscando os Céus – 1.26




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