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9.5.26

Livros sobre música que vale a pena ler - Cromo #120: José António Moura - "Cadernos De Divulgação - Teoria E Prática 1.4"


 

autor: José António Moura
título: Cadernos De Divulgação - Teoria E Prática 1.4
editora: Marte Instantânea
nº de páginas: 100
isbn: N/A
data: 2025
1ª Edição - Primeira tiragem de 50 exemplares




«A Canção da Família surgia agora atrás de Kino. E o ritmo da canção da família era a pedra de moer onde Juana trabalhava o milho para os blocos matinais (…) Juana cantou suavemente uma canção antiga que só tinha três notas e no entanto infindável variedade de intervalos. E isto também era parte da canção da família. Tudo era parte. Por vezes ascendia a um acorde doloroso que apanhava a garganta, dizendo isto é segurança, isto é calor, isto é o Todo.»

 

John Steinbeck, The Pearl, 1947

 

 

Todas as imagens digitalizadas para escala de cinza a partir de objectos de arquivo pessoal.

 

José António Moura: textos (excepto onde creditado ou óbvio), recolha e manipulação de imagens, composição gráfica, paginação, tradução, revisão (assistida por Pedro Santos).

 

Na face: Aspecto da capa do LP Schafttjdsamba (De Fabriek, 1982).

Página 2: Reprodução da grelha na capa do LP Gold Is The Metal (Coil, 1987).

Página 99: Repetição do nome do projecto do LP Escorts And Models (Borghesia, 1989).

 

Impresso em risografia no estúdio DESISTO. Primeira tiragem de 50 exemplares.

 

Marte Instantânea, 2025.

 

 

Páginas de texto e imagens que assinalam muitos anos de divulgação de música. Demonstra-se como, a partir da perspectiva de fã, se circula para outros papéis mais activos. Nada se inventa, propriamente, mas tudo se ergue do nada. Como em outros percursos, são as ligações que se fazem que identificam a personalidade, são as escolhas de umas coisas em detrimento de outras, incontáveis vezes, que distinguem o nosso percurso de outros. Curiosidade, anotações, cópia, iniciativa e aprendizagem com quem já fazia o mesmo. Benefício da generosidade de pessoas que abriram portas, facilitaram contactos, gravaram e emprestaram música, deram oportunidades. Sem elas, tudo seria mais difícil e menos interessante.

 

O arquivo espelha o percurso e as sensações com bastante evidência e, por isso, o texto está a o seu serviço, não funciona em autonomia nem se reclama biográfico. Por isso, também, encontra-se fragmentado de acordo com a sequência cronológica / temática das imagens, frequentemente como legenda. Ainda assim, espera-se fluído e suficientemente elucidativo.

 

Segunda temporada do programa de rádio Refúgio. 19 emissões, respectivas playlists mensais e folhas de trabalho ilustradas com património real: arte, cartas e infos relacionadas com a música transmitida. Tempo ainda de colagens e letras decalcadas para formar as composições gráficas. A passagem de Almada para Lisboa sugeriu necessidade de conceptualização mais apurada e um certo peso de responsabilidade. Avançar no terreno e ter de lidar com maior fluxo de solicitações.

 

 

 

PARTE 5

Refúgio na Rádio Univeridade Tejo, Front de L’Est, Front Line Assembly, Johnson Engineering Co., 400 Blows, Sprung Aus Den Wolken, etc.

 

Em Julho de 1988 começava a segunda temporada do programa de rádio Refúgio, agora acolhido na Rádio Universidade Tejo, com estúdio no Instituto Superior Técnico, Lisboa.

Objectivo concretizado, fazer parte da grelha de uma rádio que emitia programas que respeitava. Explicado o Refúgio ao coordenador Rui Brazuna, não parece ter existido resistência de maior. Algum excesso de zelo na apresentação, procurar fundamentos teóricos sobre o tipo de música a divulgar, algo que parecesse sério e empenhado. Foi entregue um pequeno dossier dedicado à Máquina, deixando claro que se trataria sobretudo de música electrónica. Trabalho caseiro de corte e colagem, na apresentação visual , e confiança de que a proposta era original, apesar de pontuais semelhanças com um dos pilares da RUT, o Crepúsculo dos Deuses.

 

Investimento e dedicação durante os seis meses de vida do Refúgio (Julho a Dezembro), em entrevistas exclusivas, emissões especiais, passatempos com ofertas, experimentação formal na organização das emissões, elaboração de playlists e uma assinatura gráfica que começou com um carimbo desenhado por António Carvalho, progressivamente co-autor e co-apresentador do programa. O carimbo destinava-se, em primeira instância, a marcar as cartas que seguiam para artistas e editoras; as playlists mensais, com grafismo “a rigor”, seguiam também nas cartas como prova de que a música desses artistas e editoras estava efectivamente a ser divulgada. Um dos pontos fulcrais na apresentação do projecto à RUT foi, aliás, a correspondência já mantida no estrangeiro como base e fonte para emissões distintas, com música e informações exclusivas.

 

(p.6 a p.11) Amostras de envelopes recebidos durante cerca de 7 anos de correspondência regular.




Johnson Engineering Co. - Block Mania

Prima Linea 'Nitchevo' video clip. 1986

Ǝ!Truncheon - Afghan Washed Brain

Total Beat Factor 1988 Side B +Mix Total+

Perennial Divide ~ Beehead




12.11.25

Crepúsculo Dos Deuses - Programa Nº 510 - Especial Pornosect / Entrevista


O Crepúsculo dos Deuses Ep.510 (30 Set. 1988) -

Especial Pornosect/Concrete Productions.

Entrevista com Andrew B.

Um programa de Paulo Somsen, Eugénio Teófilo e

Fred Somsen na Rádio Universidade Tejo (RUT).

30.07.1988

"DA SUBMERSÃO DOS ECOS...À EXUMAÇÃO DOS SONS"

Crepúsculo Dos Deuses - Programa Nº 510 - Especial "Pornosect"

CDD510_Especial Entrevista Pronosect / Andrew B.

Thanks: Fred Somsen, Paulo Somsen, Eugénio Teófilo.






18.12.23

Crepúsculo Dos Deuses - Programa Nº 561 - Especial "Royal Family and The Poor" / Entrevista


 

12.12.1988

"DA SUBMERSÃO DOS ECOS...À EXUMAÇÃO DOS SONS"

Crepúsculo Dos Deuses - Programa Nº 561 - Especial "Royal Family And The Poor"

CDD561_Especial Entrevista Royal Family And The Poor-19881212

Thanks: Fred Somsen, Paulo Somsen, Eugénio Teófilo.

CDD561_Entrevista Royal Family And The Poor-19881212

The Royal Family And The Poor* – The Project Phase 5 - Portuguese Radio Show - October 1988

https://www.discogs.com/release/1182833-The-Royal-Family-And-The-Poor-The-Project-Phase-5-Portuguese-Radio-Show-October-1988

The Royal Family And The Poor* – The Project Phase 5 - Portuguese Radio Show - October 1988

Limited edition with photocopied sleeve of 66 copies, a bonus gift for those who ordered all three Royal Family And The Poor reissue CDs directly from Boutique in 2003.

A mixture of album tracks spanning the career of the band, interspersed with interviews.











3.11.23

Entrevista a Douglas P. - Death In June - 13.06.1988


Interview | Entrevista a Douglas P. - Death In June - 13.06.1988

Programa de Rádio "O Crepúsculo Dos Deuses", na RUT, Rádio Universidade Tejo, Lisboa, Portugal, da responsabilidade de Fred Somsen, Paulo Somsen e Eugénio Teófilo.

SÓ AS RESPOSTAS do Douglas P.






25.9.23

Crepúsculo Dos Deuses - Programa Nº 362 - Especial "Sol Invictus"


 0 visualizações 25/09/2023 (acabado de colocar)









13.9.23

Crepúsculo Dos Deuses - Programa Nº ??? - Especial SWEATBOX - 15.12.1987


 

15.12.1987 Crepúsculo Dos Deuses - Especial SWEATBOX
















8.9.23

Crepúsculo Dos Deuses - Programa Nº 397 - Especial "The Fruits of Yggdrasil"


18 visualizações  07/09/2023 (youtube - colocado a 07.09.2023)

04.03.1988

"DA SUBMERSÃO DOS ECOS...À EXUMAÇÃO DOS SONS"

Crepúsculo Dos Deuses - Programa Nº 397 - Especial "The Fruits of Yggdrasil"

CDD397_The Fruits of Yggdrasil-19880304

Thanks: Fred Somsen, Paulo Somsen, Eugénio Teófilo. 













8.7.22

Crepúsculo Dos Deuses - K7 #3 - 8/87 - Lado A + Lado B


Cassete Nº 3 do programa

Crepúsculo dos Deuses

RUT / R.U.T. / Rádio Universidade Tejo

100.7 MHz, Lisboa

Programa de Fred Somsen, Paulo Somsen e Eugénio Teófilo.

Esta K7 foi gravada em Agosto de 1987, directamente do rádio, por mim...






















21.5.22

Fernando Magalhães no "Fórum Sons" - Intervenção #2 - "Só para entreter..." | Programa de Rádio "Estranhas Frequências" (As Listas do FM)


 #2 - Só para entreter...

Fernando Magalhães

25.07.2001 170522

“ESTRANHAS FREQUÊNCIAS” - 23/3/88 a 14/12/88 (30 programas)

Pela ordem que foram passando:

NEGATIVLAND
DAVID GARLAND
WHA HA HA
SCOTT JOHNSON
FRED FRITH
O YUKI CONJUGATE
SEVERED HEADS
ELLIOTT SHARP
JOHN ZORN
CLUSTER
LAIBACH
HENRY COW/SLAPP HAPPY
HOLGER HILLER
CASSIBER
HECTOR ZAZOU
STRANGLERS (THE)
PICTURES
EINSTURZENDE NEUBAUTEN
CABARET VOLTAIRE
KRAFTWERK
SPK
OLIVIER MESSIAEN
DANIELL SCHELL & KARO
JON HASSELL
MICHAEL NYMAN
BLAINE L. REININGER
SKELETON CREW
STEVE REICH
ROBERT FRIPP
ANDREW POPPY
CHRISTOPHER HOBBS
BENJAMIN LEW & STEVEN BROWN
THIS HEAT
TERRY RILEY
TENKO
STEPHAN MICUS
DAVID THOMAS & THE PEDESTRIANS
FAUST
TEST DEPT.
RESIDENTS (THE)
BRIAN ENO/HAROLD BUDD
LEYTON BUZZARDS
RENALDO AND THE LOAF
GRAEME REVELL
FLYING LIZARDS (THE)
FRENCH, FRITH, KAISER & THOMPSON
MINIMAL MAN
SINGLE GUN THEORY
DEFICIR DES ANNÉES ANTERIEURES
TEAR GARDEN (THE)
JEANNE MOREAU & MARGUERITE DURAS
KAHONDO STYLE
LAURIE ANDERSON
KEVIN AYERS
ROBERT WYATT
PHIL MANZANERA
MOEBIUS, PLANK, NEUMEIER
SUSSAN DEYHIM & RICHARD HOROWITZ
ZAZOU/BIKAYE/CY1
CAN
PERE UBU
FRIPP & ENO
CHROME
THROBBING GRISTLE
CAMBERWELL NOW (THE)
CHRIS & COSEY
URBAN SAX
BRIAN ENO
D.A.F.
FRONT 242
TELEX
SLAGERIJ VAN KAMPEN
JOHN ADAMS
STRAFE FÜR REBELLION
CURVED AIR
BRIAN ENO & DAVID BYRNE
UNIVERS ZERO
PETER BLEGVAD
WHITE NOISE
RECOIL
POLAR PRAXIS
BRUCE GILBERT
ANTHONY MOORE
DON KING
HOLY TOY
HEAVEN 17
MAGMA
BILL LASWELL
MIKEL ROUSE BROKEN CONSORT
FRONT LINE ASSEMBLY
HEAVENLY BODIES
PETER DE HAVILLAND
RICHARD WAGNER
LUDWIG VAN BEETHOVEN
ALÉSIA COSMOS
COIL
MINIMAL COMPACT
DIF JUZ
YASUAKI SHIMIZU
HENRY COW
AKSAK MABOUL
ART ZOYD
CATALOGUE
PINK FLOYD
SNAKEFINGER
ADRIAN BELEW
STARTLED INSECTS
OFFICER
SYD BARRETT
IVOR CUTLER
KAS PRODUCT
GABI DELGADO
LAST EXIT
FAD GADGET
MARTIN REV
DAVE BALL
LASK
THOMAS LEER & ROBERT RENTAL
PETER PRINCIPLE
HEINER GOEBBELS
GABRIEL YARED
FRED FRITH, BOB OSTERTAG, PHIL MINTON
LOUNGE LIZARDS (THE)
GLENN BRANCA
GOLDEN PALOMINOS (THE)
MICHAEL MANTLER
ANNETTE PEACOCK
RON PATE
GOEBBELS & HARTH
JAH WOBBLE, THE EDGE, HOLGER CZUKAY
MARK STEWART
SUICIDE
ROY NATHANSON, CURTIS FOWLKWES & THE JAZZ PASSENGERS
SLAPP HAPPY
KEVIN AYERS & THE WHOLE WORLD
GONG
PETER HAMMILL
JAH WOBBLE
HOLGER CZUKAY
R. STEVIE MOORE
YELLO
MONOCHROME SET (THE)
REGULAR MUSIC
DIAMANDA GALAS
HAROLD BUDD
MICHAEL BROOK
CLAIRE THOMAS & SUSAN VEZEY
ROGER ENO
BLACK SHEEP
HANS-JOACHIM ROEDELIUS
POPOL VUH
PHNATOM BAND
PASCAL COMELADE
SKIN
IRMIN SCHMIDT
BIOTA
MEREDITH MONK
SUSO SAIZ
MOTHER TONGUE
STEVE MOORE
JOCELYN ROBERT
ROBERTO MUSCI & GIOVANNI VENOSTA
AFTER DINNER
NIMAL
CARLA BLEY BAND
STATE (THE)
ART BEARS
NEWS FROM BABEL
DOUBLE-X-PROJECT
GEOFF LEIGH7FRANK WUYTS
JAD FAIR
MNEMONISTS
POPULAR MECHANICS
HENRY KAISER
SEMANTICS
RENÉ LUSSIER
WONDEUR BRASS
DEROME/LUSSIER
SOFT VERDICT
CARLOS D’ALESSIO
DÉBILE MENTHOL
LIGHTS IN A FAT CITY
BENJAMIN LEW
CORE
NURSE WITH WOUND
ETRON FOU LELOUBLAN
CONVENTUM
VIDEO AVENTURES
KLAUS SCHULZE
NEU!
MICHAEL KAROLI & POLLY ELTES
TUXEDOMOON
TOY PLANET
GAVIN BRYARS
ASHRA
JOHN & BEVERLEY MARTYN
KING CRIMSON
JOHN FOXX
TONY CONRAD & FAUST
GESTALT ET JIVE
CHARLES HAYWARD
STEVE BERESFORD, DAVID TOOP, JOHN ZORN, TONIE MARSHALL
AKSAK MABOUL/HONEYMOON KILLERS
POLKA DOT FIRE BRIGADE
ZOVIET FRANCE
PRUNES
FOETUS INTERRUPTUS
FELT
SOFT MACHINE
CARAVAN
MATCHING MOLE
EGG
HATFIELD AND THE NORTH
NATIONAL HEALTH
PETER HAMMILL & GUY EVANS
LAST FEW DAYS
INCREDIBLE STRING BAND
TOM WAITS
STEELEYE SPAN
STOMU YAMASHTA & COME TO THE EDGE
DAVID BYRNE
NEW PERCUSSION GROUP OF AMSTERDAM
Z’EV
STEVE FISK
5 UU’S
ZERO POP
POULES (LES)
ORTHOTONICS
WHEN
CONRAD SCHNITZLER & MICHAEL OTTO
GIOVANNI VENOSTA
GEORG KATZER
PATRICK PORTELLA & JOSEPH RACAILLE
FERDINAND RICHARD
BRUNIFERD
GUIGOU CHENEVIER
ROBERT-MARCEL LePAGE
ZNR
AMATI ENSEMBLE
ARTO LINDSAY
CAROLINE GAUTIER & OLIVIER FOY

 

Herbsman

26.07.2001 160406

 

programa de rádio


É pena saber hoje que o programa de rádio do Fernando Magalhães me passou completamente ao lado. Pela lista de nomes que aí rodavam, dá para aquilatar da sua importância.

Já agora, pergunto-te, Fernando, em que rádio é que trabalhavas? E se não estás a pensar em voltar ao activo radiofónico?

Saudações

Herbsman

 

Fernando Magalhães

26.07.2001 160418

 

Re: programa de rádio


“Já agora, pergunto-te, Fernando, em que rádio é que trabalhavas?”


Na RUT (Rádio Universidade Tejo). Também tive outro programa ,de folk, chamado "O Templo dos Celtas". Entretanto, e para grande pena minha e de todos os que lá faziam rádio, a RUT fechou as portas. Por motivos políticos e nunca bem esclarecidos...

"E se não estás a pensar em voltar ao activo radiofónico?"

Lá pensar, penso. O pior é o tempo (que não tenho) e também o facto de não existirem hoje - creio eu - no espectro radiofónico português, estações potencialmente interessadas em transmitir o tipo de programa que me interessaria fazer. O "Estranhas Frequências" era bastante experimental, tanto na música que passava como pela própria estrutura (havia para cada emissão, de hora e meia, primeiro, duas horas e meia, depois, um guião temático que tanto podia ser "animais", como "O céu e o inferno"...).

FM





2.2.22

Mais um excerto (+/- 20 minutos) do Crepúsculo dos Deuses, q encontrei aqui numa k7 pirata da altura


 

Mais um excerto (+/- 20 minutos) do Crepúsculo dos Deuses, q encontrei aqui numa k7 pirata de então.

#ArqueologiaMusical #CrepusculosDosDeuses #RUT #radiouniversidadetejo








8.4.21

Crepúsculo Dos Deuses - Última Emissão - Emissão 565 - 16.12.1988


 Crepúsculo Dos Deuses - Última Emissão - Emissão 565 - 16.12.1988

(R.U.T. - Rádio Universidade Tejo)


A última edição de um programa marcante pessoalmente e para muitos da minha geração. O programa durou cerca de 2 anos e nove meses e o "suicídio" foi involuntário. Obrigado a Fred Somsen, Paulo Somsen e Eugénio Teófilo.








26.9.19

Die Neue Sonne - Número 4 (fanzine)


Die Neue Sonne 
Nº 4

Preço: 100$00 (Via CTT acrescentar 30$00)
Para pedidos de K7s ou fanzines, enviar o respectivo dinheiro para Rua Dr. Alberto Cruz, 50 4700 Braga Portugal
Colaboram neste número: Jorge Pereira, José Moura, Abel Raposo, Faísca.








































2.1.19

Memorabilia: O Crepúsculo Dos Deuses


O Crepúsculo Dos Deuses - Especial L.A.Y.L.A.H. (parte 1).

Programa da RUT, da autoria de Paulo Somsen, Fred Somsen e Eugénio Teófilo.
Aqui fica um exemplo de um desses programas.








O Crepúsculo Dos Deuses - Especial L.A.Y.L.A.H. (parte 2). 



Não tem o Bela Lugosi's Dead... O Youtube primeiro cancelou-me o "video" a dizer qualquer coisa sobre reclamação de copyright, pelo que fui a uma das opções do youtube e removi essa canção... não sei o que é que aparece em vez dela... se é que aparece alguma coisa. Para audição completa (por enquanto...) ouçam a versão do mixcloud, abaixo.





8.7.17

"O Crepúsculo Dos Deuses" - Recordações


Um dos programas de rádio que mais me marcou. O outro foi, obviamente, o "Som da Frente" do António Sérgio.

Paulo Somsen, Fred Somsen, Eugénio Teófilo, R.U.T. - #respect!

aqui: 10h30 - 11h30 (pm) - RUT: 100.7MHz


(memo: espaço para pôr embed do mixcloud de programas que gravei - primeiro tenho de passar cassete para digital - para já fica um encontrado no youtube)









19.9.16

Programas e Nomes da Rádio Portuguesa – Uma história pessoal de ouvinte, ao sabor da memória - Complemento -


Na sequência de um post anterior, descobri no meu arquivo uma folha A3 onde registava os programas interessantes de rádio que se podiam ouvir (que eu ouvia, melhor dizendo) numa certa época.
Aqui fica o registo e a homenagem aos seus autores.

Expresso Avalanche - 13h30 / 16h00 - Segunda a Sexta - R.U.T. (100.7 MHz) (cada dia da semana uma equipa de realização diferente)
Som da Frente - 16h00 / 17h00 - Segunda a Sexta - Rádio Comercial FM-Stereo (97.4 MHz) - ANTÓNIO SÉRGIO
Filhos do Tejo - 18h30 / 19h30 - Segunda a Sexta - R.U.T. (100.7 MHz) - RUI PORTEIRO + IDIOTA CHAPADO + JOÃO PORTELA + LUÍS PORTELA
Registo Criminal - 19h30 / 20h30 - Segundas e Quintas - R.U.T. (100.7 MHz)
Dança Na Lua - 20h30 / 22h30 - Segunda a Sexta - R.U.T. (100.7 MHz)
Crepúsculo Dos Deuses - 22h30 / 23h30 - Segunda a Sexta - R.U.T. (100.7 MHz) - PAULO SOMSEN (SEG/QUI) / FRED SOMSEN (SEX)
Juke-Box - 16h30 / 18h30 - Terças e Quintas - R.U.T. (100.7 MHz)
Sinais de Vida - 19h30 / 20h30 - Terças e Sextas - R.U.T. (100.7 MHz)
Passeio Na Broadway - 19h30 / 20h30 - Quartas - R.U.T. (100.7 MHz)
Um Passeio Pelos Telhados - 23h30 / 01h30 - Quintas - R.U.T. (100.7 MHz) - ANA PAULA COSTA + RICARDO SALÓ
Musonautas - 02h00 / 03h00 - Quintas - Rádio Comercial FM-Stereo (97.4 MHz) - JORGE LIMA BARRETO
Siderurgia - 23h30 / 01h30 - Sextas - R.U.T. (100.7 MHz)
Rebébeu Pardais Ao Ninho - 10h00 / 13h00 - Sábados - Rádio Comercial FM-Stereo (97.4 MHz) - HERMAN JOSÉ
Sons de Fim De Século - 15h30 / 16h30 - Sábados - R.U.T. (100.7 MHz)
Luso Clube - 20h00 / 21h00 - Sábados - Rádio Comercial FM-Stereo (97.4 MHz) - PITA
Sábado Suave - 21h00 /24h00 - Sábados - Antena 1 (95.7 MHz) - RICARDO SALÓ







Programas e Nomes da Rádio Portuguesa – Uma história pessoal de ouvinte, ao sabor da memória (1976-2002)


Programas e Nomes da Rádio Portuguesa – Uma história pessoal de ouvinte, ao sabor da memória (1976-2002)
NOMESPROGRAMASESTAÇÕES
Humberto BotoDois PontosRádio Comercial
Jorge LopesFórumRDP Antena 1
Maria José MauperrinCafé-ConcertoRDP Antena 1
José Manuel NunesRDP Antena 1
Aníbal Cabrita
António SérgioSom da FrenteRádio Comercial
Paulo SomsenCrepúsculo dos DeusesR.U.T.
Fred SomsenDDD60MRádio Nova (?)
Eugénio TeófiloCrepúsculo dos DeusesR.U.T.
Manuela ParaísoRádio Azul + Rádio Marginal
José Carlos TinocoAuto-Retrato Sobre Transístor MolhadoXFM
Ricardo SalóGalinhas no HorizonteVOXX
Carlos CardosoRadar + Gerente ComercialVOXX
Rui VargasCasa, Bateria & BaixoVOXX
Desidério MurchoOpus NigrumRádio Baía
José António MouraRefúgioRádio Baía
Jorge Lima BarretoMusonautasRádio Comercial
Rui Neves
FEEDBACKFEEDBACKFEEDBACK

70’s – O DESPERTAR DO ENCANTO

Sobre as Marcas da Revolução, a Música Continua a Progressão

Humberto Boto - “Dois Pontos” – Rádio Comercial


ver ainda, sobre este ponto, as preciosas informações complementares prestadas por um visitante desta página, bem como os comentários  e informações de um outro visitante.

Os ecos mais distantes que ainda permanecem na minha memória relativamente à paixão da rádio remontam a finais da década de 70 e ao programa “Dois Pontos”. Relembro perfeitamente a parte (variável) falada do indicativo que, sobre um fundo musical, emergia, provocando uma expectativa enorme, a maioria das vezes recompensada.
Era qualquer coisa como isto: “Dois Pontos hoje vamos ficar, nesta primeira parte, com a audição integral do álbum dos Hawkwind – ...” , ou dos Wire, ou deJacques Higelin, ou de tantos outros, de que já não recordo, mas sempre na linha da qualidade, pertinência e actualidade sugerida pelos nomes mencionados.
A voz (excelente, por sinal) que me lembro era de Humberto Boto, de quem perdi completamente o rasto desde essa altura. Lembro-me que outros realizaram o programa, mas a névoa do tempo passado não me deixa focalizar os seus nomes. Apenas a impressão que um deles era Jorge Lopes, hoje na RTP, departamento de desporto, secção de Atletismo.
Para além do prazer imenso que era sempre ouvir o programa, completamente alheado do resto do mundo durante 2 horas (11h00-13h00), cultivando um gosto e uma exigência musical que me marcaram indelevelmente para resto da vida; era-nos propiciada a possibilidade de gravação integral dos trabalhos (LPs), naquela altura em K7. Confesso que poucas coisas gravei e que nenhuma delas sobreviveu aos tempos, mas a marca permanece cá dentro. O motivo de tão parcas gravações prendiam-se apenas com a prosaica razão de falta de verba na altura, o que me levava a comprar (poucas) K7s, de ferro (porque mais baratas) e, depois, na falta de disponibilidade de fitas virgens, proceder à gravação sobre gravação, o que conduzia, passado algum tempo, à destruição da fita que ficava completamente enleada dentro do aparelho rasca da altura, um Silvano, de mala, 3 em 1 (gira-discos, rádio e leitor/gravador de cassetes). Outros tempos.
Com a fúria e voragem dos tempos, os sound bytes e a publicidade tudo tomaram e deixou rapidamente de ser possível ouvir programas destes na rádio portuguesa; programas de 2 horas com interrupção apenas a meio, para sinal horário e serviço noticioso, e em que o locutor/realizador do programa apenas intervinha, sintética e objectivamente, no início e no fim de cada hora, ora para informar sobre o que iríamos ouvir ora para dizer o que tínhamos escutado, para os retardatários.
Se bem me lembro, o programa passava na Rádio Comercial (antigo Rádio Clube Português), na altura estatal, entre as 11 e as 13 horas dos dias úteis.
ver ainda, sobre este ponto, as preciosas informações complementares prestadas por um visitante desta página, bem como os comentários  e informações de um outro visitante.

Quando a RDP Antena 1 era Serviço Público do Melhor

Jorge Lopes –Aníbal Cabrita – Maria José Mauperrin - José Manuel Nunes - “Fórum” – “Café Concerto” – RDP Antena 1


ver ainda, sobre este ponto, as preciosas informações complementares prestadas por um visitante desta página, bem como os comentários  e informações de um outro visitante.

Da mesma altura, ou talvez um pouco mais tarde, recordo, na Antena 1 da RDP, o programa “Fórum”, este sim, com toda a certeza, com realização de Jorge Lopes, com apoio de uma equipa. Ainda relembro o indicativo: sobre um pano de fundo musical, “Fórum, um trabalho de equipa com a realização de Jorge Lopes”.
Tratava-se de um tipo de programa diferente do “Dois Pontos”. Decorria, se não estou em erro, diariamente entre as 21 e as 24 horas, de 2ª a 6ª, e embora o seu ponto forte fossem os debates que levava a cabo, sobre os mais diversos temas candentes da actualidade, a música que passava primava também pela qualidade iniludível. Será daqui que lembro pela 1ª vez a presença do excelente animador de rádio Aníbal Cabrita? Tenho uma ténue ideia que sim, mas não posso assegurar.Aníbal Cabrita que me voltou insistentemente a acompanhar ao longo dos tempos. Trata-se de um animador radiofónico da “velha guarda”, com um bom gosto extremo a nível musical e sempre a par das novidades mais importantes desse mesmo circuito musical. Não recordo um programa da sua autoria (mea culpa?), antes o preenchimento por si de inúmeros espaços radiofónicos, na RDP, na Rádio Comercial, na XFM, na TSF, sempre aprazíveis para os apreciadores da música de qualidade e actual.
Depois do “Fórum”, lembro-me do substituto “Café Concerto” realizado por Maria José Mauperrin, mais ligado às artes e com  formato semelhante ao“Fórum”. Se calhar o Aníbal Cabrita “vem daqui”...
Também deste período de ouro da RDP, salta à minha memória o nome de José Manuel Nunes, um dos homens que mais sabe do média rádio, Presidente daRDP até há pouco tempo (2002), cargo que ocupou durante cerca de 6 anos. O nome dele paira sobre os programas que referi antes, embora não possa assegurar se foi responsável por algum deles ou apenas participante, ou ainda se realizou outro programa da altura. Sei apenas que ouvi, com agrado, programas que o mesmo realizou ou participou activamente.
ver ainda, sobre este ponto, as preciosas informações complementares prestadas por um visitante desta página, bem como os comentários  e informações de um outro visitante.

80’s – O AUGE DA MAGIA

Águas Paradas Não Movem Moinhos

António Sérgio – “Som Da Frente” – Rádio Comercial


ver ainda, sobre este ponto, as preciosas informações complementares prestadas por um visitante desta página.

Se tudo o que foi referido antes se passou na adolescência, com a chegada da idade adulta, coincidente com a entrada na Universidade e consequente abertura de horizontes a todos os níveis, um nome e um programa tornaram-se todo um mundo de novas descobertas musicais: O “Som da Frente” e o seu mentor António Sérgio.
Coincidiu tudo com a transformação do punk (que nunca me disse nada e que aliás via como o principal responsável pelo ensombramento dos meus anteriores heróis progressivos) em new wave.
Dessa época relembro as tardes passadas fechadas no quarto, sem quaisquer obrigações, estudando e aguardando pelas 16 horas para escutar o programa religiosamente em silêncio absorvendo todos os sons emitidos pelo rádio. A voz rouca e mágica do apresentador, as músicas de nomes como Joy DivisionCure,FeeliesSisters of MercyREMU2Comsat AngelsAltered ImagesDead KenedysBow Wow WowPig BagYello Magic OrchestraGang Of Four,Echo & The BunnymenNew OrderThe TheTeardrop ExplodesSimple Minds (de então), SmithsJohn Cale, entre muitos outros.
Todos nós, nas fases da vida em que estamos mais susceptíveis à absorção de influências marcantes para o resto da nossos dias, apanhamos com alguma coisa. Eu apanhei com o “Som da Frente” pela frente. Ainda bem. É sobretudo devido a ele que ainda hoje adquiro carradas de música, sempre à procura, qual graal, da batida, da melodia, do efeito, do ruído, enfim... do som perfeito.
O sistema de armazenamento continuava artesanal, como anteriormente, em que as K7s de ferro desempenhavam o papel principal, não tendo sobrevivido nenhuma para contar como foi.
Para quem quiser apreciar os sons dessa época, a compilação, no formato de CD Duplo, “António Sérgio apresenta Som da Frente 1982-1986”, editada em 2002 é um bom ponto de partida, valendo também como recordação nostálgica para aqueles que, como eu, ouviram as músicas na altura da sua edição.
Era a altura dos “vanguardistas”, figuras vestidas preferencialmente de negro, com a imprescindível gabardina preta ou cinzenta sempre presente, deslizando subrepticiamente pelas ruas da cidade, num mimetismo importado da enevoada Londres.
Segundo me lembro, o programa manteve o formato 16h-18h na Rádio Comercial por vários anos. O António Sérgio esse não era um novato nestas andanças da rádio. Antes tinha realizado o famoso “Rotações” na Rádio Renascença, onde a inovação foi já nessa altura a palavra chave, passando música que mais nenhum programa da rádio portuguesa passava, designadamente o emergente punk. Seguiu-se o “Rolls Rock” já na Rádio Comercial, entre as 0H e as 2H da madrugada.
Depois do “Som da Frente”, o John Peel português seguiu o seu caminho e ainda hoje possui o seu programa “A Hora do Lobo” dedicado ao rock que se vai fazendo por estes dias.
Este seu humilde admirador alterou significativamente os seus gostos musicais, a sua vida pessoal também foi sempre mudando, como é natural, e o acompanhamento da carreira do mestre deixou de ser efectuada.
ver ainda, sobre este ponto, as preciosas informações complementares prestadas por um visitante desta página.
Nem Praxe, Nem Fitas, a Universidade Pode Ser Uma Coisa Diferente

Paulo Somsen, Fred Somsen, Eugénio Teófilo – “ O Crepúsculo dos Deuses” – “DDD60M” – R.U.T.    +    Manuela Paraíso


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A ligação forte seguinte aconteceu com o advento das rádios piratas, na década de 80, sobretudo da RUT – Rádio Universidade Tejo. Sediada no edifício da Associação de Estudantes do Instituto Superior Técnico e herdeira do pioneirismo da secção Sonora que emitia internamente aquando da minha passagem por aquele estabelecimento de ensino, foi, do ponto de vista de influência pessoal, a estação mais importante de todos os tempos, tendo contribuído duma forma incomensurável para o gosto e formação musical que nunca mais esmoreceram. Nessa altura, a maior parte do tempo que passava em casa, estava a ouvir música (sobretudo, mas não só) na RUT. E digo ouvir mesmo, não apenas como música de fundo mas com uma atenção e concentração totais e prazer imenso.
Os programas excelentes sucediam-se em catadupa. A todas as horas passava música excelente, nova, original, que não conseguíamos ouvir em mais lado nenhum, a não ser, um pouco, no “Som da Frente”. Mas este ocupava apenas 2 horas diárias, enquanto na RUT havia uma continuidade difícil de acreditar. E não se pense que os programas eram todos iguais. Realmente nunca mais (a única comparação será a futura XFM, de que falarei adiante) houve uma tal concentração de programas tão originais, pessoais, diversos. Ainda por cima, feitos exclusivamente por amadores, ou quase.
Bom, querem nomes. Tenho imensa pena de não ter escrito este artigo há mais tempo. Os nomes que me lembro, obviamente porque me marcaram mais, são o“Crepúsculo dos Deuses” dos irmãos Paulo e Fred Somsen e ainda do hoje, segundo julgo saber, médico Eugénio Teófilo. A par do “Dois Pontos”, do “Som da Frente” este foi um dos 3 programas estruturantes da forma como hoje aprecio a arte musical, a nível ideológico, formal e de conteúdo.
Foi com este programa que descobri a cena industrial e os seus nomes mais importantes como Nurse With WoundCoilDeath In JuneEsplendor Geométrico,Cabaret VoltaireIn The NurseryWhitehouse e tantos outros, que passaram a fazer parte do meu dia a dia.
Lembro-me que o programa passava todas as noites, no horário nobre, e que nessa altura, obviamente não via muita televisão. A  minha memória relembra vários programas a abrir com o 3xLP dos Nurse With Wound – “Soliloquy For Lilith”, um disco composto por Steve Stapleton para a sua filha e que é formado por 6 partes completamente minimalistas com um “drone” lento e leve, mas obscuro, sobre o qual sobrevinham ao longo do tempo alguns esparsos efeitos eléctrónicos e pequenas variações, num estilo completamente contemplativo e hipnótico . Aquilo que muitos pode considerar “uma grande seca”, mas que, na altura, fazia as minhas delícias e que ainda hoje revisito amiúde.
Recordo ainda os programas especiais dedicados a editoras como “Cramned Discs”, “Some Bizarre”, “Play It Again Sam”, etc.
Infelizmente o movimento das rádios piratas foi abafado e a RUT desapareceu ao fim de uns poucos anos. Alguns dos seus elementos, como por exemplo os citados responsáveis pelo “Crepúsculo dos Deuses”, ainda realizaram outros programas noutras pequenas estações, como o saudoso “DDD60M”, na Rádio Mais ou naRádio Nova (só me lembro que ficava ali antes do Príncipe Real, do lado esquerdo de quem sobe) mas, neste momento, não tenho conhecimento que algum deles esteja no activo.
Foram eles que criaram depois, a partir de casa, a Ananana, loja de discos e editora hoje no Bairro Alto, herdeira do Monitor, iniciado aquando da actividade da RUT. Também penso que já não estão ligados a esta loja especializada em importações e edições musicais menos comerciais.
Mas a RUT não era só o “Crepúsculo...”. Aliás a grelha era completamente louca mas duma qualidade, energia e criatividade como nunca se alcançou em Portugal (lá perto apenas chegaria a XFM). A aposta forte era na música, em que se ouvia tudo o que era inovador no campo da música popular e onde não passava nada do que as outras 1358 estações passavam. A inteligência, espontaneidade e diversidade grassavam naquela estação universitária.
Durante este período de relevo da RUT nos meus hábitos radiofónicos, num jornal musical de relativamente curta duração (comparado com o Blitz), o LP, deliciava-me com as palylists de um programa conduzido por uma senhora (raro neste meio, ainda hoje) de seu nome Manuela Paraíso. O seu programa, de que não recordo o nome, ia para o ar na setubalense Rádio Azul que, infelizmente não conseguia captar. As Playlists semanais eram compostas por nomes como 93 Current 93Coil,Nurse With WoundDanielle Dax, WisebloodFoetus, o que me deixava sempre a salivar e com imensa pena de não poder ouvir o programa.
Entretanto ela saiu da estação e foi trabalhar para a Rádio Marginal, que eu conseguia apanhar. Embora nessa altura, por força da vida de estudante já ter terminado e assim as responsabilidades serem outras, não pudesse acompanhar a programação radiofónica como pretendia, lembro-me de ouvir algumas vezes o seu programa, sempre com música excelente. Ainda cheguei a gravar alguns programas em K7, que preservo. A propósito, vou agora ouvir algumas delas para rememorar alguns dos nomes e músicas aí presentes.
Desde essa altura, já lá vão mais de 10 anos, nunca mais ouvi falar da Manuela Paraíso. Alguém sabe se ainda continua ligada aos meandros radiofónicos?
(novo) 12-04-2006
Através de um reparo feito por um visitante desta página fui chamado à atenção para o imperdoável esquecimento da referência a um dos programas mais importantes e inovadores da rádio portuguesa, no ar na Rádio Comercial FM, se não estou em erro, entre meados da década de 80 e inícios da década de 90. Trata-se do programa "Musonautas" da autoria do músico das vanguardas da música electrónica improvisada e experimental, musicólogo e professor universitário, crítico e escritor, professor universitário, entre outras actividades. Falo, obviamente, de Jorge Lima Barreto.
E o que lembro agora sobre a audição assídua e sempre ansiosamente esperada do seu programa. Bom, recordo os longos (no bom sentido do termo) e completos intróitos à música que nos iria apresentar na sequência, verdadeiros enquadramentos históricos e teóricos sobre a música e os autores da música que emergiria no éter logo de seguida. mas estas introduções ainda tinham mais sal e pimenta pois o autor conseguia ainda encaixar, em pleno discurso erudito, diversos comentários políticos e sociais irónicos, ácidos e certeiros, para além de frequentes outras diatribes sobre a música comercial em geral e sobre a música e os músicos que vogavam pelo Portugal desse tempo. Consigo lembrar-me, por exemplo, de uma crítica em que "desancava" completamente os GNR, particularmente o músico daquela banda pop, Jorge Romão, ou antes uma crítica em que o músico era classificado de músico hiperactivo e hiperenergético, ou algo do género, em que Jorge Lima Barretoquestionava "o que é isso de um músico hiparactivo" eh, eh; isto a propósito, se bem me lembro, do lançamento de um álbum de Vitor Rua, como PSP, na altura das polémicas guerrilhas sobre a legitimidade do uso do nome GNR entre aquele músico e a banda de Rui Reininho.
Polémicas, bastas, à parte, recordo, quando o programa passou a ser transmitido em horário para guardas-nocturnos (madrugada), de, com enorme sacrifício (pois trabalhava e levantava-me muito cedo), esperar ansiosamente pelo programa. Muitas vezes acabava por perdê-lo porque entretanto me deixava dormir; outras vezes conseguia estar acordado na hora do seu início, o suficiente para colocar o gravador de K7s no REC e ouvir o programa, ou parte dele, no dia seguinte.
Era um programa de divulgação das músicas mais experimentais, avantgarde, e em que a música pop comercial não tinha qualquer hipótese de ser adimitida. Foi lá que consegui tomar conhecimento da existência e da beleza de movimentos como o minimalismo (música minimal repetitiva), a música improvisada, as franjas mais avançadas do jazz e ouvi, pela primeira vez músicos como Philip GlassWim Mertens (o "Maximizing The Audience", a sua obra-prima, em minha opinião, foi lá que contactei em priomeira mão), Glenn Branca, etc.
Lembro-me ainda, penso que após a partida dos Musonautas para outro planeta, de ouvir mais ou menos regularmente um outro programa similar, da autoria doRui Neves. Aqui a memória trai-me completamente e não consigo sequer recordar o noma do programa. Segundo informação de um visitante desta página, poderá tratar-se do "mesmo" Musonautas herdado de Jorge Lima Barreto ou realizado em regime de "conluio". Ou terá sido isso e depois terá havido também um outro programa? Bem, não consigo precisar, apelando à vossa prestimosa ajuda para esclarecer estes pontos nebulosos.
Muito agradeço se alguém conseguir completar esta informação, fornecendo mais elementos sobre esse programa (nome, horário, estação, anos em que foi transmitido, etc.) ou outros dados sobre o que (não) digo no parágrafo anterior.
ver ainda, sobre este ponto, as preciosas informações complementares prestadas por um visitante desta página.

90’s – O CONTACTO MAIS SUPERFICIAL

XFM – Para Uma Imensa Minoria

XFM – José Carlos Tinoco – “Auto-Retrato Sobre Transístor Molhado” – Aníbal Cabrita – Ricardo Saló


ver ainda, sobre este ponto, as preciosas informações complementares prestadas por um visitante desta página,

Seguidamente há um hiato da minha relação com a rádio portuguesa derivado e ter estado a trabalhar 2 anos e meio fora do país. Quando regressei, embora a vida já não permitisse um acompanhamento intensivo, entusiasmei-me ainda com o projecto da XFM, onde pontuavam nomes enormes da nossa rádio, como Aníbal CabritaAntónio Sérgio e Ricardo Saló, entre outros. Se a escuta foi esporádica e errante no que toca à maioria dos programas, pela sua regularidade semanal, a horas em que podia ouvir, e porque a música era muito do meu agrado, acompanhei sistematicamente o  programa “Auto Retrato Sobre Transístor Molhado” da autoria de José Carlos Tinoco. A programação consistia na evolução natural de programas como o “Crepúsculo dos Deuses”, acompanhando as novas edições dos músicos que cultivavam a música electrónica de cariz mais ambiental industrial e sombrio. O programa tinha o patrocínio da discoteca portuense “A Orelha de van Gogh”, especializada nessa área.
Passado pouco tempo, a XFM fechava as suas portas.
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 VOXX – ESPECIALISTAS EM KARATE COLOMBIANO

VOXX – Carlos Cardoso – Rui Vargas – Ricardo Saló – “Radar” – “Gerente Comercial” – “Casa, Bateria & Baixo” - “Galinhas no Horizonte” 


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Bom, nesta fase da minha vida ( e a curva, por enquanto, tem tido sempre o mesmo sentido) ouvia cada vez menos rádio.  O único projecto que, apesar de todos os altos e baixos que vem revelando já há alguns anos, depois do fecho da XFM, vale a pena manter debaixo de olho, é a Voxx. Nos seus tempos áureos, há cerca de 2 anos, chegou a contar no seu seio com a participação de Ricardo SalóRui VargasCarlos CardosoMiguel QuintãoSilvia Alves e outros, que asseguravam uma programação moderna e de grande qualidade.
Hoje a coisa está um bocado em piloto automático e, apesar de ainda por lá se ouvir música que não se ouve nas outras estações, é tudo um bocado anódino, sem, praticamente, programas de autor, limitando-se a passar música a metro (ainda que acima da média) durante a esmagadora parte do dia. Parece-me que o único programa que ainda vale a pena é o “Galinhas no Horizonte” do Ricardo Saló, uma sumidade em tudo o que diz respeito a música soul/dance/electrónica.
Da fase áurea da Voxx e porque o horário coincidia com o final da tarde, início da noite, altura para um pequeno período de relaxe após a chegada de um dia de trabalho, acompanhei com assiduidade e prazer enorme o programa “Radar” (18h-21h) , sobretudo quando a responsabilidade do mesmo esteve a cargo de Carlos Cardoso, um DJ que caracterizo como tendo um extremo bom gosto. Se para alguns a música de dança soa toda ao mesmo, a prova de como as coisas não são bem assim podia ser tirada ouvindo diariamente o programa Radar. É que embora eu próprio reconheça que, hoje em dia, com a avalancha de produtos musicais (“dançáveis”) que sai cá para fora, a  maioria deles de duvidosa qualidade, se corre o risco de nos perdermos nesse labirinto de edições e de as músicas poderem começar a parecer todas idênticas, anódinas, sintéticas e inócuas, o “Radar” era um programa que nos orientava nesta selva editorial, com uma selecção extremamente criteriosa e deliciosa.
Carlos Cardoso, fez também, por essa altura, durante um período considerável, o programa “Gerente Comercial” e a sua influência era por demais notória, perdendo o programa todo o seu fulgor sempre que era substituído, fruto da indecisão editorial, motivada pela falta de meios que sempre caracterizou a estação.
É ainda de salientar o programa “Casa, Bateria & Baixo” que veio ocupar o espaço do “Radar” e que, embora menos do meu gosto, especialmente devido à maior variedade de estilos apresentados, isto é, dentro do panorama das edições de música de dança, a selecção nunca foi tão criteriosa como a do programa seu precedente; manteve sempre uma bitola acima da média, contando com a responsabilidade, principalmente, de Rui Vargas.
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Planando Sobre o Rio Judeu

Rádio Baía – Desidério Murcho – “Opus Nigrum” – “Refúgio”

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Para terminar não queria deixar de falar numa rádio local aqui da zona do Seixal, ou antes de um ou dois programas (sobretudo um) que o seu proprietário sempre permitiu, apesar do notório deslocamento que manifestavam face à restante programação. Falo da Rádio Baía, onde recordo, há algum tempo já, a audição do programa “Refúgio” da autoria de Zé Moura (José António Moura), nome ligado à cena da RUT que descrevi acima (é bem possível que também tenha realizado algum ou alguns programas naquela estação – a memória atraiçoa-me). O programa, musical, passava essencialmente música dita electrónica, tipo mais industrial, entre outras vanguardas da música popular. Nomes como Front 242Front Line AssemblyCabaret VoltaireKlinikMemorandumMental Destruction, e outros menos conhecidos, eram presença assídua nas antenas daquela estação, por via do "Refúgio". O programa, ao que julgo saber teve uma passagem relativamente curta pela programação da estação.
Pelo contrário o “Opus Nigrum”, da autoria de Desidério Murcho manteve-se no ar durante cerca de 7 anos, numa regularidade  metronómica, todos as noites de sábado para domingo, das 0 às 2 horas da madrugada. Embora num registo mais especializado, o programa repetiu em certa medida o espírito do saudoso “Dois Pontos” no que toca à passagem frequente de discos completos, sem interrupções para publicidade ou de qualquer outra espécie. Conheço quem tenha aproveitado para fazer umas boas gravações.
A temática do programa era a música electrónica de pendor mais relaxante e ambientalista, mas sem nunca cair na xaroposa new age. Nomes como Kraftwerk,Klaus SchulzePete NamlookSTOARadio Massacre InternationalRed ShiftDweller of the Treshold, entre outros, marcavam regularmente presença.
O programa terminou a sua actividade há cerca de 2 anos, por força da ida do seu mentor para fora do país, para aí seguir uma carreira académica.
ver ainda, sobre este ponto, as preciosas informações complementares prestadas por um visitante desta página.
 (a continuar e a completar, num processo iterativo e incremental)
NOTA FINAL
Estes apontamentos devem ser entendidas como um “work in progress”. Regurgitações de memória serão acrescentadas ao sabor da disponibilidade. Apela-se ainda à colaboração externa no sentido de corrigir imprecisões, clarificar ideias, acrescentar dados/informações, contraditar opiniões, e tudo o mais que vos ocorrer. Obrigado.

FEEDBACK__________________________________________________________________
1. Pedro Miguel Pereira - Almada - 02.04.2006
Caro Luís,
    Estive a ler atentamente as considerações sobre a rádio feita em Portugal desde finais de setenta e resolvi acrescentar duas ou três coisas que respeitam, principalmente, à segunda metade de oitenta e princípios da década seguinte.
    Antes, gostaria de dizer que me "formei", numa primeira fase, a ouvir o "Som da Frente" e depois, numa posterior, a acompanhar o tal boom das "estações piratas".
   Quanto ao histórico programa do António Sérgio, julgo que é justo afirmar que foi o mais influente entre todos aqueles que foram realizados no âmbito da música Pop, facto que se fundamenta em dois aspectos:
               - tinha dimensão nacional;
               - arriscava de forma invulgar: recordo de ouvir pela primeira o tema "To Drown a Rose" dos então obscuros Death in June numa das emissões do programa...à tarde, o que seria impensável nos dias tristonhos que vão correndo.
     No entanto, parece-me que as compilações que recordam o programa dão uma pálida imagem do que por lá se passou, ou seja, não revelam o tal factor risco, verdadeira alma do "Som da Frente".
     Quanto às ditas locais, destaco obviamente a aventura RUT, acrescentando ao "Crepúsculo dos Deuses" o sensacional "Estranhas Frequências" do malogrado jornalista Fernando Magalhães, que trabalhou no Blitz, no LP e, nos últimos anos, no Público. Foi publicado no Blitz um célebre balanço do melhor de oitenta pelo autor do programa que traduz bem a sua invulgaridade melómana, muitas vezes demonstrada com o seu entusiamo enquanto colaborador da loja Contraverso.
    Quanto à Manuela Paraíso, o seu programa na Rádio Azul chamava-se "O Fogo e o Gelo" e era um dos meus preferidos- a minha condição de almadense permitia-me ouvi-lo-, principalmente pela energia transbordante que a autora conseguia transmitir. Queria também dizer que as tais listas- interna e externa- eram publicadas no Blitz e não no jornal LP. Nos últimos tempos, a Manuela Paraíso trabalhava na Rádio Paris-Lisboa.
    No que respeita ao José António Moura, actualmente um dos responsáveis pela loja Flur e membro dos Major Eléctrico, queria recordar que ele começou na almadense Rádio Urbana (onde hoje se encontra um fast-food...) com o seu Refúgio, do qual recordo a estranha sensação de ouvir o "Planet Earth" dos Duran Duran quase emparelhado com os Coil. Depois, o Moura prosseguiu as suas ideias na RUT e no Seixal.
    Finalmente, uma palavra para outro histórico, Ricardo Saló. A emergência de novas tendências com origem na música negra permitiram-lhe uma visibilidade que não tinha tido durante o período de tom mais acinzentado que ocupou uma boa parte da década de oitenta. No príncipio de noventa, dois programas por si realizados na Antena 1 foram uma lufada de felicidade no éter nacional: "Em busca do acorde perdido" e "Janela Indiscreta". De certa maneira, a década de noventa pertenceu-lhe e ele moldou-a na rádio e no jornal Expresso.
   Um Abraço!!
   Pedro Miguel Pereira  
2. Domingos - Guimarães 05-03-2004
Viva Luis!
Olha tive a ler alguma coisa na tua página e, chamuo-me a atençao isto:
 "Os ecos mais distantes que ainda permanecem na minha memória relativamente à
paixão da rádio remontam a finais da década de 70 e ao programa "Dois Pontos".
Relembro perfeitamente a parte (variável) falada do indicativo que, sobre um
fundo musical, emergia, provocando uma expectativa enorme, a maioria das vezes
recompensada.
Era qualquer coisa como isto: "Dois Pontos hoje vamos ficar, nesta primeira
parte, com a audição integral do álbum dos Hawkwind - ..." , ou dos Wire, ou
de Jacques Higelin, ou de tantos outros, de que já não recordo, mas sempre na
linha da qualidade, pertinência e actualidade sugerida pelos nomes
mencionados."
Eu também ouvia este programa do Humberto Boto aliás cheguei a trocar
correspondencia com ele. Ele gostava era do Michael Rother. Mas passou também
o Romance 76 do Peter Baumann. O dos Wawkwind que to fazes referência
foi "Sonic Attack" este lembro-me eu muito bem.
É curioso não fazeres referência ao programa "Os Musonauatas" do J.L.Barreto e
Rui Neves, na Rádio Comercial. Penso que foi o programa que mais diversificou
nos estilos de música.
Saudações
Domingos
3. Anónimo - 30-01-2004 
Caro Luís
 Muitas das suas referências de Rádio e também gostos coincidem com os
meus.
Aqui ficam algumas notas Que podem ajudar a "enquadrar" alguns dos nomes
 referidos.
Humberto Boto depois do Dois Pontos realizou  " O Rock Pode Esperar".
Continua na RDP mas deixou os programas para se dedicar à Informática.
Aníbal Cabrita foi "animador" do CONTRAPONTO (RDP1 até 1978)realizado por
José Manuel Nunes.
 Depois esteve  ainda em 1978 e 1979 no FÓRUM de Jorge Lopes com o Humberto
 Boto.
 No mesmo período eram também os responsáveis de HORA DE PONTA ,isto
no Programa 4 da Rdp que deu origem á Rádio Comercial em 1980.
 De 1980 a 1983 Aníbal Cabrita foi co-realizador do CAFÉ CONCERTO (Rádio
Comercial) com Maria José Mauperrin.
 Em 83-84 ainda realizou na Comercial RIMAS e RUMOS da Música Portuguesa
com Eduardo Pais Mamede.
EM 84-85 Aníbal Cabrita realizou na Antena 1 NOITES DE LUAR . Na equipa
estava entre outros Ricardo Saló.
Em 86 voltou à Comercial para realizar GENÉRICO (onda média) e também MIL
UMA NOITES (fm).
Nos anos 90 passou pela VIGÉSIMA (onda média).
De 93 a 97 na XFM realizou CAFÉ VIRTUAL e HETEROFONIAS.
De 97 a 2000(?) na TSF realizou  ZONA RESERVADA  e também durante algum
tempo deste período ESTA INQUIETANTE ESTRANHEZA com Carlos Amaral Dias.
Actualmente continua na TSF como "animador de antena". Não é responsável
por qualquer programa.
Quanto à Manuela Paraíso suponho que continua na Paris Lisboa.
Um Abraço e boas audições




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