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26.5.16

Memorabilia: Revistas / Magazines / Fanzines (209)



O ROCK EM PORTUGAL .... nº 1
- suplemento de um dos Pop_Clube que foram recenseados em posts anteriores
- localizado na parte traseira das páginas centrais, que eram um poster do Cliff Richard.

O ROCK EM PORTUGAL .... nº 1
por: Juvêncio Pires e Carlos Lobo


Entrevista com o grupo TANTRA

PC - Em primeiro lugar, porquê Tantra, o nome do grupo?
T - O nome de Tantra tem muito a ver com o espírito do conjunto e da música. A ideia que está por detrás do nome, é mais ou menos a nossa. É, digamos, uma forma de YOGA que era praticada antigamente na Índia, hoje em dia está praticamente morta, e que se baseia exactamente em estar num estado constante de êxtase, e que era utilizado principalmente pelas artistas, e por todos aqueles que procuravam uma forma sublimada de experiência da realidade, portanto a música é uma forma tantrica, uma forma de extase. E todo o espírito do nosso conjunto está em comunicar esse exatse, que nós tentamos conseguir em nós, ao tocarmos, comunicá-lo a todos os que nos ouvem.
PC - Vocês sempre tocaram Rock?
T - Nós sempre tocámos Rock em português, embora tenhamos dois temas em inglês, um é um tema de country, é mais um tema simbólico não representativo da nossa música, e temos um outro tema cantado em inglês (por acaso), porque a letra foi feita em princípio em inglês, e ainda não nos demos ao trabalho de a pormos em português.
PC - Vocês só interpretam música vossa?
T - Sim, e quase na totalidade portuguesa.
PC - E porquê música portuguesa?



T - Nós partimos do princípio que a lírica portuguesa serve e dá.
Sendo a música Rock universal, nós somos absorvidos por isso, e como somos portugueses, a lírica é em português.
PC - Qual é o género de Rock que vocês adoptaram, e se possível comparem a algum conjunto conhecido internacionalmente.
T - Nós estamos a procurar uma forma de Rock progressiva, isto é, no sentido em que, de termos para tema hoje uma progressão tanto em qualidade como em técnica, em riqueza harmónica ou melódica, portanto a todos os níveis. Por isso é bastante difícil, dizer que nós nos comparamos com um conjunto, ou com outro.
PC - Quais são as influências de cada um de vós?
T - António José Almeida - baterista. Não cheguei a participar no disco, no meu lugar estava um percussionista e um baterista que saíram, (Sicóio e Lindo) por razões particulares.
Sou um aluno do Conservatório, já há alguns anos, e agora estou a tentar juntar o que sei, com o que estou a aprender.
Manuel Cardoso - viola e sintetizador. Comecei pelo folk depois passei aos blues, rock, jazz, tenho também algumas influências clássicas, não há nenhuma influência específica.
Luís Silva - baixo. Tenho algumas influências de Rock.
Hermando Gama - teclas. Influências clássicas e rock.
PC - Quem compõe as vossas letras? São todos ou algum em especial?
T - Até agora têm sido o Manuel Cardoso e Hermando Gama, mas agora há mais um compositor que é o baterista.
PC - A hipótese do disco, terá sido alguém conhecido no V.C., ou foram vocês que contactaram o V.C.?
T - Fomos nós, fizemos algumas gravações e levámos ao Mário Martins, ele gostou, e apareceu a possibilidade do disco.
PC - Essa gravação vocês antevêm que seja comercial ou isso não vos preocupa como primeiro disco?
T - Nós preocupamo-nos que seja comercial, pois é isso que pretendemos, ir até às pessoas e mostrar um pouco o que nós somos.
PC - Vocês dedicam-se apenas à música? Ou estudam, trabalham?
T - Não estamos todos entregues a vida profissional de músicos. Trabalhamos 8 horas por dia.
PC - Têm alguém que vos financie?
T - Não, foi à custa de cada um de nós, que pudemos comprar uma aparelhagem que em princípio será a melhor aparelhagem dum conjunto Rock português, para podermos em qualquer sítio que formos actuar, termos o som mais aproximado do disco.
PC - As letras são em português! Isso não vos leva, apesar de ser Rock, introduzirem-se em política?
T - A vossa política é a música, nós queremos que a nossa música seja uma «ponte» que ligue tudo o que está separado, seja a que nível for.
PC - Individualmente, qual o grupo ou artista preferido?
T - Gama - Principalmente Chick Corea embora haja mais.
Luís Silva - Genesis.
Manuel Cardoso - Jimmy Hendrix.
António Almeida - Chick Corea.
PC - Vocês querem acrescentar mais alguma coisa que não tenham dito, e achem que tem interesse?
T - Sim, um apelo à malta nova, e não só. Que procurem colaborar dentro do nível de corresponderem às tentativas que há, e que estão a ser feitas, por uma certa camada de músicos.
Entrevista conduzida por: Juvêncio Pires e Carlos Lobo




Festival de Outono

Por iniciativa do grupo «PERSPECTIVA» realizou-se no Barreiro no passado mês de Outubro o 2º Festival de Outono. Com a elaboração de um programa diverso e atraente, tudo fazia antever um verdadeiro sucesso musical, um verdadeiro sucesso comercial para esta iniciativa musical: Conjuntos «Sequência», «Apolo» e «Sound Five», o grupo «Araripa e Very Nice», Paco Bandeira, o grupo Pandemónio e o grupo organizador - «Perspectiva».
Inicialmente previsto o começo para as 21H30, o espectáculo apenas se iniciou uma hora depois, com o recinto completamente «pelas costuras».
O programa abriu com uma primeira parte dançante a cargo dos grupos, «Apolo» e «Sound Five». Uma primeira parte de alegria e franco convívio. Seguiu-se-lhe a actuação de Paco Bandeira, artista muito desejado pela população daquela simpática vila, que actuou com pleno agrado.
Veio depois a «sensação» deste II Festival de Outouno, a actuação do grupo organizador - Perspectiva. Ultrapassando todas as nossas perspectivas, o «Perspectiva» provou o seu extraordinário poder de criação e interpretação demonstrando que em Portugal existem bons grupos de Rock que deveriam ser executados e acarinhados pelas nossas editoras discográficas. «Perspectiva» é um grupo sensacional, com a extraordinária particularidade de só ter interpretado composições originais e de língua portuguesa!
«Perspectiva» merece a tua atenção, leitor. O máximo da tua atenção! Eis a composição do grupo: António Manuel - viola (elemento de um poder criador maracnte), Luís Miguel - baixo, Vítor Ferrão - bateria e Vítor e José Manuel - vocais.



Esperava-se ansiosamente a actuação do grupo «Araripa» com Very Nice. Chegado que foi a altura da sua actuação, começaram a ouvir-se, pouco depois, alguns protestos que, a pouco e pouco aumentariam, chegando a atingir momentos de franco repúdio pela actuação do grupo. E porquê? Que fazia com que o público apufane um dos melhores grupos portugueses? Muito simples. A hora era já muito avançada, qualquer coisa como quatro da madrugada, por outro lado há cerca de três horas que os espectadores se encontravam sentados ouvindo Paco Bandeira e depois o grupo Perspectiva. Surgiu-lhes então um grupo interpretando Afro-Jazz o que exigia a sua atenção e concentração.
Eles desejavam neste momento como é hábito dizer-se, «desopilar»! Desejavam algo como música para dançar.
Foi assim, num ambiente de franca hostilidade que o grupo Araripa e Very Nice, demonstrando enorme clama e respeito por quem o não respeitava, actuou cumprindo o seu contrato. Por tudo isto o grupo seguinte - Pandemónio, recusou-se a actuar por concluir que a sua música não era a mais desejada pelo público presente.
Deste modo, fazendo das «tripas coração», o grupo Perspectiva teve de voltar ao palco para interpretar alguns números de dança (?). E foi a primeira vez que vimos tanta gente dançar (satisfeita!) numa colectividade ao som de músicas de Pink Floyd e Camel.
Eram seis da madrugada quando abandonámos o recinto e... a «farra» continuava!
Juvêncio Pires
e Jorge Marreiros






Saga - Homo Sapiens

Saga é o nome do grupo vocal que nos aparece como responsável pelo 33 rotações recentemente divulgado - «HOMO SAPIENS»! Mas... a verdade é que este trabalho nacional é quase da inteira responsabilidade de JOSÉ LUÍS TINOCO, homem inteligente e de uma concepção poética extraordinária. JOSÉ LUÍS TINOCO é um arquitecto, pintor, músico e compositor. Não é um desconhecido para o leitor, pois são dele algumas das canções presentes em Festivais da TV e, em 1975 «MADRUGADA», interpretada por Carlos Mendes, chegou a Estocolmo. No presente ano eram dele as composições «OS LOBOS», «NO TEU POEMA» e «NINGUÉM». Para se conhecer JOSÉ LUÍS isso não é suficiente, torna-se necessário ouvir agora este magnífico trabalho e, então sim... ficar-se-á a conhecê-lo um pouco melhor.


Falemos agora dos restantes elementos que colaboraram neste trabalho de longa duração. Ainda integrados no grupo SAGA, encontramos os nomes de ZÉ DA PONTE (baixo) e FERNANDO FALÉ (baterista); o primeiro é já nosso conhecido através da gravação de um single que surgiu no mercado em Novembro de 1975, integrado no grupo vocal - «OS AMIGOS DO ZÉ»; o segundo é o ex-baterista do agrupamento «INÉDITUS».
Passemos agora à extensa lista de colaboradores: ZÉ T. BARATA e CLARA são duas vozes que também fizeram parte do ex-grupo vocal «AMIGOS DA ZÉ»; CARLOS RODRIGUES foi um dos fundadores do agrupamento vocal - «EFE 5», pertencendo posteriormente aos «AMIGOS DO ZÉ»; JOSÉ FARDILHA e DULCE NEVES são os únicos elementos novos nestas andanças, pois não temos conhecimento que tivessem anteriormente qualquer experiência em outro grupo; FERNANDO GIRÃO (mais conhecido por VERY NICE) é um nome sobejamente conhecido que ainda muito recentemente esteve presente no Festival de Jazz de Cascais e participou no longa duração de RÃO KYAO - «MALPERTUIS»; VASCO HENRIQUES é um jovem que toca para prazer pessoal e para os amigos, o que de modo algum quer significar que seja inexperiente, é um bom músico! Finalmente aparece-nos RÃO KYAO, o saxofonista, tenor, alto e soprano e flautas. Começou a tocar saxofone em 1963 e desde 1965 que se apresenta em público. Um dos nomes mais conhecidos e famosos do novo JAZZ.



Depois da apresentação dos componentes deste trabalho, falemos agora sobre o disco em si. Que é, afinal, HOMO SAPIENS?
Não é mais que um trabalho muito bem imaginado e executado sobre o Homem. O Homem/HUMANIDADE.
Em resumo: um bom disco a adquirir sem falta. Um enriquecimento para a canção portuguesa.
Carlos Lobo





14.1.16

Memorabilia: Revistas / Magazines / Fanzines (151) - Pop-Clube #8


Pop-Clube
(Trap-Magazine)
Apartado 54 Almada
Director: Juvêncio Pires
Nº 8
Dezembro 76 / Janeiro 77

15$00

Director: Juvêncio A. Pires
Administrador: Luís Vieira
Propriedade: Juvêncio Pires e Luís Vieira
Chefe de Redacção: Carlos Lobo
Redacção: Rua Luís António Verney, 19 1º-Dto. - Cova da Piedade
Administração: Rua Dr. Julião de Campos, Nº 9 R/C, Almada

36 páginas A4 - papel fino um pouco brilhante p/b. A excepção é a capa que é de papel brilhante mais pesado e a cores.




AREA
Ao Vivo Na F.I.L.E A Boa Música Ao Serviço Do Povo
De entre os muitos artistas de renome internacional que participaram activamente na realização da grandiosa festa do Avante, saliente-se o grupo italiano - «AREA».
A sua actuação era aguardada com grande expectativa. Dadas as qualidades musicais por eles demonstradas através dos seus trabalhos em disco, colocando-os como um dos grandes na música rock contemporânea. Assim ansiava-se a todo o momento a chegada da hora prevista, mas eis que o tempo foi passando e os «AREA» não apareciam, enquanto um enorme coro de vozes gritava: «Area! Area! Area!...», e o palco permanecia vazio até que alguém veio esclarecer o imenso público sobre o que se passava. Foi então anunciado que era impossível a actuação dos «AREA» nesse dia (sábado dia 25 de Setembro). Devido ao facto de não ter havido tempo suficiente para transportar o material que os acompanhava, como também para o instalar devidamente em palco. Perante tal situação foi pedida a maior compreensão por parte do público, que apesar de tudo se manifestou decepcionado e desiludido. No entanto, no dia seguinte seriam dados dois espectáculos pelos «AREA» como estava programado. Diferindo apenas nos dias e os esclarecimento estava dado.
Parte do público que estava presente abandonou o recinto. Apesar de a festa ter continuado com outros artistas, mas a realidade é que os «AREA» eram a grande atracção para o público mais jovem que compareceu em massa a esta festa.
No dia seguinte, pouco antes do início da primeira actuação dos «AREA» marcada para as 15 horas, deparávamo-nos com um ambiente extenuante, onde milhares e milhares de pessoas vindas de todas as partes do país, enchiam por completo todo o recinto interior da F.I.L. e zonas exteriores de acesso às entradas, criando um clima pesado e tenso, quase irrespirável e intransitável, mas tudo decorria sem quaisquer problemas dentro dum sentido cívico digno de realce.
A hora desejada aproximava-se e o local onde se encontrava o palco, sobre o qual o grupo actuaria, estava repleto de gente de todas as idades, cuja participação na festa era transmitida por uma vivacidade, uma força, um sentimento de luta e uma unidade digna de um povo que quer libertar-se definitivamente das amarras da opressão e da exploração, sobre o palco podia-se ver todo o enorme conjunto de colunas, amplificadores, instrumentos musicais, microfones, fios, etc.... como uma amostra exterior e ao mesmo tempo a certeza de que os «AREA» iriam lá estar presentes.


Depois de uma breve apresentação sobre o grupo e a sua música, feita pela sua compatriota Io Apoloni, os elementos dos «AREA» entram em palco um por um, tomando as perspectivas posições junto dos seus instrumentos por entre as palmas e assobios, e o ruído ensurdecedor dos «AREA» em terras de Portugal.
Os instrumentos são afinados e em seguida dá-se início à sua exibição que, de exibicionismo nada teria, pois o grupo actuando como um todo homogéneo não punha em evidência qualquer um dos seus elementos. Não utilizava quaisquer artifícios comerciais para conquistar um público como a maior parte dos grupos rock fazem uso em festivais alienatórios e burgueses. Antes, demonstram sim a consciencialização de um trabalho positivo e válido dentro duma linha revolucionária, assente na plena liberdade de execução em que o rock progressivo da sua música é acentuado pelas palavras progressistas dos textos. Os «AREA» tentaram fazer desta nova música uma poderosa arma de luta, em prol das classes menos privilegiadas, que aqui correspondiam activamente com aplausos incansáveis que só por si demonstravam a sua extraordinária actuação, mesmo perante o insólito incidente surgido na bancada central - devido à elevada potência da música que provocou alguns distúrbios auditivos nos ouvidos de um assistente, o qual se exteriorizava através de gestos de dor, sendo alvo das atenções e de especulações da maior parte do público. Não quebraram no entanto a boa harmonia em que se desenrolava a actuação. Actuação em que a música do grupo é elaborada através da pesquisa de novos sons electrónicos com base essencialmente nos instrumentos de teclas (órgão, moog, sintetizador), reforçados pela guitarra eléctrica de P. Tofani que em «Setembro Negro» obtém solos magníficos e pela voz inconfundível do grego D. Slatos que por entre as mais variadas simulações vocais transmite-nos um sentimento de revolta, de dor, e de angústia de um povo oprimido, atingindo o seu mais alto valor em «Comgta» cantada em grego e dedicada a este povo.
A determinada altura os instrumentos param e D. Slatos com P. Farizgllo, põem-se a comer maçãs em frente aos microfones produzindo sons estranhos o que cria um ambiente invulgar e ao mesmo tempo interessante, mas o seu gesto posterior quer consistiu em partilhar estes frutos com o público, enviando-os para a assistência, exemplifica a sua tomada de posição, revelando um espírito de camaradagem e de solidariedade com o povo português. Ao terminar executaram um arranjo extraordinário da «Internacional» que teve o acompanhamento do público, sob um clima vivo e revolucionário, no auge de uma festa em que demonstraram a força que os une e ao mesmo tempo a solidariedade para com todos os povos oprimidos e para com o movimento internacionalista proletário.
Em resumo assistiu-se à presença de um grupo em que a sua qualidade musical e criatividade conseguem erguer uma estrutura musical servindo simultaneamente as necessidades e os objectivos tanto dos jovens como das massas trabalhadoras. O que é importante!!
Domingos Manuel Santana




Rock Alemão
Tangerine Dream
Este é um dos grupos que podemos considerar iniciadores do chamado «Rock Alemão».
As formas musicais por eles exploradas alguém chamou de espaciais ou cósmicas, decerto devido ao ambiente de misteriosa serenidade que compõem.
As influências principais destes músicos andam à volta dos trabalhos dos Pink Floyd, principalmente de «Ummagumma».
Os Tangerine Dream iniciaram-se em 1970 com a apresentação do álbum «Electronic Meditation». Nota-se neste primeiro trabalho uma procura de recursos musicais que os seus aparelhos electrónicos podem emitir em número quase infindável.
Nesta obra encontrámos Klaus Schultz que prefeiru uma carreira a solo, diga-se em verdade prometedora e convincente. Restou na formação dos T.D. os seus actuais elementos: Edgar Froese, Chris Franke e Peter Baumann.
O seu segundo trabalho foi «Alpha Centaury» saído em 1971 e a sua sonoridade base é idêntica ao anterior. O mesmo som planante apoiado em acordes harmoniosos mas pouco melódicos, o que torna difícil a sua audição.
O álbum seguinte foi um duplo de nome «Zeit» que ocupa uma faixa completa. O padrão musical é na essência o mesmo dos anteriores acetatos e do seguinte: Os efeitos sonoros, de maior ou menor evocação natural, de calma, suscita visões de sonho ao ouvinte atento. No ano seguinte, o de 1973, gravam «Atem» que termina esta fase de pesquisa musical e simples emissão sonora. É a partir daqui que nos aparece o álbum que chamou a atenção os T.D. - «Phaedra», em que a criação de melodia base, própria ao devaneio dos Moog Synthesizer perfeitamente dominados pelos executantes, torna-a admiravelmente agradável às primeiras audições.


Esta característica é aperfeiçoada e aumentada na produção do ano posterior - 1975.
Em «Rubycon», obra referida, as oportunidades concedidas aos Synthesizers e violas eléctricas «VCS3» até aí despercebidas, acentuam-se.
A criação de um ritmo bem compassado a apoiar a livre instrumentalização mantém um clima de paz interior e leveza espiritual que cativa o ouvinte menos receptivo a esta forma musical. Entretanto, chegou-se ao ano de 76 e, até aqui, os T.D. apenas possuíam obras de estúdio, aliás compreensível pois a produção destes sons ao vivo é tarefa muito difícil, exigindo um domínio perfeito das aparelhagens e uma compenetração bem apurada. Mas os T.D. iniciaram e levaram à prática uma gravação ao vivo já este ano. E curiosamente é um trabalho de excepcional técnica e grandeza musical.
Os T.D. puseram em palco o mesmo, ou melhor até, que tinham posto em estúdio. Nesta produção nota-se contudo a aproximação a uma som mais tradicional, a saliência do piano e por vezes da viola é maior que nos trabalhos anteriores. O álbum não se denomina «Line» mas sim «Ricochet» aludindo ao balanço sonoro conseguido, por vezes lembrando ecos e repercussões sonoras.
Desta escola musical podemos salientar Edgar Froese que pôs no mercado dois álbuns a solo. O primeiro é um trabalho experimental e que é limitado à produção de efeitos aquáticos essencialmente. Saído em 74, é um trabalho bastante curioso mas sem grande interesse musical. Tem o nome de «Aqua», simplesmente!
O segundo lançamento «Epsilon in Malaysan Pale» vindo a público este ano, é diferente em relação ao primeiro. Possui uma estrutura simples mas com situações de exuberante suavidade, uma melodia constante e muito bem harmonizada. Uma obra-prima dentro da música erudita que facilmente entrará no gosto dos mais sensíveis apreciadores da mesma.
Os Tangerine Dream, um dos grupos mais importantes dentro da música erudita, tem um largo horizonte a descobrir e mostrar a todos aqueles que a aceitem. E serão muitos!
José M. Abreu






Jimi Hendrix
O Homem, O Músico, O Mito
Local - Seattle, Washington.
Ano - 1942.
Lucille Hendrix, esposa de James Hendrix, dá à luz aquele que viria a ser um dos expoentes máximos da música americana contemporânea - James Marshall Hendrix, conhecido entre nós como Jimi Hendrix.
Passando grande parte da sua infância em Vancouver, onde frequentou a escola primária, James foi guiado nos primeiros passos musicais, por seu pai, organista na Dunlap Baptist Church.
Com doze anos de idade já Jimi James toca guitarra acústica, notando-se no adolescente, tendências para tocar com a mão esquerda.
Em Seattle Jimi frequenta a Garfield High School, embora nunca ponha a música de lado.
Em 1959, quando tinha 17 anos, Jimi convence o pai a assinar os papéis do alistamento militar voluntário.
Assim entra para a 101ª Divisão de Páraquedistas. Parte o pé e algumas costelas no seu 26º salto, sendo por isso afastado do serviço militar.
Entre 1963 e 1964, depois de uma longa convalescença, Jimi desloca-se ao sul da América fixando-se então em Nova York.
Em 1965 já tinha trabalhado com Ike e Tina Turner, Little Richard, Joey Deee, Jackie Wilson, James Brown, Wilson Pickett, B. B. King, The Isley Brother e Curtis Knight and the Squires.
É então que ele forma o seu próprio conjunto ao qual dá o nome de «The Blue Flames».
Em 1966 Jimi James aceita um lugar como principal guitarrista de John Hammond Jr., o que o levou a criar nome, mesmo entre a «elite» dos grandes músicos, a qual incluía Bob Dylan, The Beatles e The Animals.
Foi este lugar que o levou a ter uma visita fortuita de Bryan «Chas» Chandler, o baixo dos Animals, que depois de uma longa conversa o presenteou com um bilhete para Londres, algum dinheiro e a promessa de um encontro com Eric Clapton.
Alguns dias depois da partida do filho, o Sr. Hendrix, recebe um telefonema em que aquele lhe dizia que ia ser transformado numa super-estrela, e que a partir daí iria ser conhecido como Jimi Hendrix.
É em Londres que Jimi grava o seu primeiro álbum «Experience», que tendo o nome do conjunto formado por Jimi Hendrix nessa cidade, obteve grande êxito na Europa, principalmente com as canções «Hey Joe» e «Purple Haze».
Também nos E. U. o grupo não se manteria desconhecido, assim nos dias 16 e 18 de Junho de 1967, actua no Monterey Pop Festival. É aqui que pela primeira vez, Jimi se apercebe de tudo o que pode fazer com uma guitarra eléctrica.
Ainda em 1967 o grupo «Experience» fez uma tournée pelos E. U. com os «Monkees», o que não foi uma ideia brilhante, pois os fans dos «Monkees» não estavam preparados para a sensualidade selvagem da música de Jimi Hendrix.


Depois de 12 espectáculos, o grupo desiste da tournée e Jimi volta para Inglaterra onde a sua popularidade se mantinha.
Em 1968, com Buddy Miles na bateria e Bill Cox como baixo, Jimi forma outro conjunto: «The Band of Gypsys», tendo actuado no Filmore East em New York.
Em 1970 Jimi Hendrix atravessa um período de grande revalorização para a sua música:
Na Primavera e Verão fez várias tournées na companhia de Mitch Mitchel e Billy Cox, em Agosto tocou em Inglaterra no «Isle of Wight Festival», depois de ter estado acordado toda a noite com Eric Barrett para a abertura do seu próprio estúdio de gravação: Electric Lady Sutdios em Nova York.
Na Ilha de Wight a sua actuação foi bastante má, o que foi tomado como indicativo de depressão ou de declínio das suas habilidades.
Tentamos com esta pequena biografia dar vida àquilo que apelidámos de Jimi Hendrix - O Homem, O Músico, O Mito.
Quem foi Jimi Hendrix?
O que é que ele representava para as pessoas que trabalharam e viveram com ele? O que era para Jimi a música que ele tocava?
É a tudo isto que vamos tentar dar resposta nos próximos números.
Judite Cid






Cascais Jazz 76

1º Espectáculo
Sexta - 21,30
Com uma reduzida afluência de público esta primeira noite do Cascais-Jazz, revelou-se «fria» (o habitual), apesar do bom «naipe» de músicos. Com os Swing Machine, aliás experientes músicos, o ambiente não se modificou, a não ser na actuação «a solo» do baterista Sam Woodyard, que trouxe um toque de bateria, carregado dos melhores sentimentos de jazz. Com Swing Machine; Gérard Badini - saxofone tenor; Raymond Fol - piano; Michel Gandry - contrabaixo e Sam Woodyard - baterista, o público não reagiu.
Com Martial Solal, que veio substituir o grupo brasileiro Index de Marcos Resende, que à última hora cancelou o contrato, ressentiu-se fortemente a indiferença do público.
Com problemas técnicos, Gil Evans demonstrou uma virtuosidade pianística, mas a orquestra de que é leader, não se encontrava a si própria, pouco homogénea.
Com a onda de tédio que se tinha generalizado, a noite fria tornou o jazz frio.

2º Espectáculo
Sábado - 21,30
I - O Espectáculo
Passavam alguns minutos das 21,30 quando Luís Villas-Boas deu início à 2º sessão do VI Cascais-Jazz. O público ocupava quase por completo o pavilhão.
O programa compunha-se de Rao Kyao c/ trio, Betty Carter c/ seu trio e a completar a sessão actuaria o quinteto do saxofonista Sonny Rollins.
Embora o programa da 1ª sessão tenha sofrido algumas modificações este foi rigorosamente cumprido neste capítulo, já que na fase inicial a coisa não «andou» lá muito bem e já veremos porquê.
Rao Kyao com trio iniciou a sua actuação. Formavam o trio, António Pinho da Silva em piano acústico e eléctrico; Jean Sarbib em contrabaixo e George Brown - bateria. Rao no sax confirmou em absoluto a sua classe de músico conseguindo «solos» de muito boa qualidade e desenvolvendo magnificamente os temas. António Pinho da Silva teve bons apontamentos embora não demonstrasse aquela exuberância que tem de existir no som afro-americano. Sarbib teve uma participação discreta. Mas no tocante a George Brown tudo foi nau, revelando-se um bateria sem a menor capacidade de execução, não procurando acompanhar o trabalho dos seus companheiros, Brown parecia que estava a tocar só para ele quando o trabalho a realizar era de conjunto.
Este pormenor teve o condão não só de estragar a actuação de Rao como também provocar no público uma certa frieza que se veio a manter durante toda a sessão. Até onde iria Rao se tivesse tido músicos de qualidade a apoiar o seu esforço?
Seguiu-se depois um pequeno intervalo e foi a vez de surgir em cena Betty Carter acompanhada por: John Hicks - piano; Dennis Irwin - contrabaixo e Clifford Barbaro - bateria. A actuação de Betty fez com que parte do ambiente frio que existia no Pavilhão. Ela revelou uma capacidade interpretativa muito pessoal conseguindo expressar na sua voz todas as «nuances» existentes nos temas, chegando ao ponto de imitar o som de um instrumento. Ao contrário do primeiro grupo Betty contou com o apoio dos seus músicos os quais revelaram para além duma técnica de execução bastante apurada demonstraram uma perfeita ligação de esforços prova bem evidente de um trabalho seguido conscientemente pois só assim é que se poderá construir algo de positivo.
Pouco passava das o horas quando começou a actuação do prato forte da 2ª sessão deste VI Cascais-Jazz era ele: Sonny Rollins e o seu quinteto composto por: Michael Blieden Wolff - piano acústico e eléctrico; Aurell Ray - guitarra eléctrica; Donald C. Pate - contrabaixo; Fender e Edward Moore bateria.
E na verdade a expectativa não foi iludida Sonny Rollins em sax-tenor demonstrou em Cascais a sua inegável classe construindo temas e desenvolvendo-os magnificamente conseguindo efeitos de rara beleza, aqui o jazz a brotar límpida e objectivamente numa execução correcta. Um excelente trabalho dos restantes elementos com especial destaque para Edward Moore que na bateria foi excepcional.
O certo ar frio que durante a maior parte do concerto existiu, dissipou-se completamente com a actuação de Sonny o qual executou extra-programa um outro tema que foi bem a apoteose final desta 2ª sessão da 6ª edição do Festival Internacional de Jazz de Cascais o que de certo modo não deixou frustrada a molde imensa de público que se deslocou ao Pavilhão para ouvir o som afro-americano, que teve altos e baixos.
II - Nota À Margem
Cada Cascais-Jazz passa por ser uma luta contra tudo e todos e sobretudo denota a «teimosia» de Luís Villas-Boas em divulgar a música afro-americana em Portugal.
É certo, é normal e sobretudo humano que esta realização encerre algumas limitações, mas qual será a realização que não as tenha isto mesmo em países com melhores condições do que nós para se efectuarem acontecimentos do género.
Só é de lamentar que certas pessoas confundam (?) Música com snobismo e que aproveitem estas reuniões para dizerem aos amigos ou amigas que também no Jazz em Cascais e «que aquilo foi porreiro pá» quando efectivamente a  música que ouviam não lhes dizia nada. Aliás quando perguntamos a uma certa pessoa como estava a achar o festival, a resposta foi esta «sabem, eu não gosto de jazz»! É triste, não acham? Até quando continuarão a existir casos destes?
José Salvador





Música Portuguesa
Coordenação de: Artur Vaz

Banda do Casaco - Autobiografia
Começámos há pouco mais de dois anos e parecem passados dois séculos.
É o fruto que teremos de trincar pelo caminho que escolhemos, mesmo que seja verde o fruto.
De início logo se pressentiram as dificuldades, grupo formado para registar em disco grande uma obra previamente escrita: «Dos Benefícios Dum Vendido No Reino Dos Bonifácios».
Éramos de procedências tão diversas e distintas, cheios todos de boas intenções, o que nem sempre é tudo como é sabido.
Do Plexus vinham o Carlos Zíngaro, o Celso de Carvalho e o Nélson Portelinha.
Da Filarmónica Fraude, o Luís Linhares e o António Pinho.
Da Música Novarum, a Judo Brennam e o Nuno Rodrigues.
Da Gulbenkian, a Helena Afonso.
Da casa de seus pais, o José de Campos e Sousa.

 Muitos, fizémos muito num LP que nos agradou especialmente fazer. Um erro neste trabalho (entre outros que haverá por certo) reconhecemos agora ao olhar para trás: No excesso do gozo de realizar fomos levados - inconscientemente é facto - a formas de música e texto menos fáceis, mais «invulgares» no nosso nacional panorama de música popular, se acaso este existe.
Se por um lado, tal proporcionou à crítica palavras que nos agradou sobremaneira ler e ouvir, já no público, por outro, causou estranheza e distanciação que em nada beneficiaram a banda.
Um de nós disse uma vez sobre isto... «Dos Malefícios Dum Vendido No Reino Dos Bonifácios».
Junte-se ao exposto contra a posição marcadamente anti-partidária do grupo (como grupo), posição que, aliás, é princípio que se mantém e manterá enquanto a banda for do Casaco.
Tudo isto conduz à receita ideal para atingir o ponto mais alto no gráfico instituído das dificuldades caseiras.
Não há lamentos: Se assim quizemos, como poderia havê-los?
Há apenas pena, é pena que assim cá seja.
Mas teimosia era connosco e acreditámos. (Já é preciso ser-se teimoso para acreditar!...).
E as dificuldades pressentidas foram-se concretizando.
Alguns saíram, quase todos.
Luís Linhares forma o «Pedra e Cal» e grava.
Helena Afonso, além da Gulbenkian tinha agora aos «Segréis de Lisboa».
Nélson Portelinha, desaparece.
Carlos Zíngaro segue no Plexus e nos «Cómicos».
Judi Brennam regressa a Londres.
António Pinho e Nuno Rodrigues (excessivamente teimosos nos seus propósitos de acreditar), vão escrevendo, entretanto, novo álbum - «Coisa Do Arco Da Velha» - e voltam a perguntar-se: com que Banda?
Restavam eles, restava o Celso. José Campos e Sousa vagueava Europa adentro.
Apesar de tudo, com as preciosas ajudas de vários músicos, volta-se ao estúdio e o LP vai tomando forma.
É então que se encontrava nova constituição para o grupo.
António Pinho, Nuno Rodrigues, Celso de Carvalho.
Cândida Soares, surgida a cantar nos ensaios lá em casa.
Mena Amaro, vinda duma sinfónica qualquer coisa e sequiosa de fazer algo.
José Campos e Sousa, o bom filho a casa torna.
Armindo Neves, revelado excelente guitarrista tem passagem meteórica pelo grupo;
Aqui descoberto, daqui o levam para o «1111» onde o «Roque» proporcionará o vil metal.
E persistem sempre os problemas. Como actuar? Como estarmos «vivos»?
Sabemos que há que exigir de nós próprios condições técnicas que não defraudem seja quem for: nós, a música, o público.
Que aparelhagem? Que dinheiro? Que ajudas?
Dificuldades caseiras de quem não faz «Roques» ao fim-de-semana.
Até que tudo se resolva será preferível a Clausura por mais triste que a nossos olhos nos apareça.
Seguimos, sofrendo as consequências, mas como queremos, na desvantajosa viagem que margina a partidarite. Mas acreditar em nós próprios é já vantagem, como o é acreditar na saída que terá de haver. Caso contrário confirmar-se-á: a anti-cultura está instituída e estatuída.
Simplificámos os processos de trabalho, temas de maior acesso e adaptámos de tradicionais portugueses: desejo que vinha desde a Filarmónica Fraude à Música Novarum.
Não é, ainda (não será a nossa meta), um álbum fácil, mas, seguramente, estável e tal importa para que seja, ao menos, eficaz - mais próximo de quem ouve.
Como nos «Benefícios...» ficam nele respostas por dar. É intencional.
Competirá ao ouvinte «Compor» o que falta como se um jogo fosse.
E é-o de facto. A música popular terá de ser como um jogo onde todos participem: quem a faz, quem a divulga, quem a ouve, quem a critica.
Banda do Casaco





11.1.16

Memorabilia: Revistas / Magazines / Fanzines (148) - Pop-Clube #9


Pop-Clube
(Trap-Magazine) Director: Juvêncio Pires
Nº 9
Fevereiro

10$00


 



Director: Juvêncio A. Pires
Administrador: Luís Vieira
Propriedade: Juvêncio Pires e Luís Vieira
Chefe de Redacção: Carlos Lobo
Redacção: Rua Luís António Verney, 19 1º-Dto. - Cova da Piedade
Administração: Rua Dr. Julião de Campos, Nº 9 R/C, Almada

20 páginas A4 - papel de peso médio p/b. A excepção é a capa que é de papel brilhante mais pesado e a cores (azul)

Tiragem: 20 mil exemplares.




Jimi
O Homem, O Músico, O Mito

Em 18 de Setembro de 1970, James Marshall Hendrix foi declarado morto no St. Mary Abbots Hospital, em Kensington, Inglaterra.
O professor Donald Teare, patologista, explicou a causa da morte como 'inalação' de vómito devido a intoxicação barbitúrica.
Embora não houvesse no corpo de Jimi droga suficiente para lhe causar a morte especulou-se sobre um possível suicídio. Isto foi negado por pessoas que tinham realmente conhecido Jimi Hendrix, pois, muitas delas afirmam que este adorava a vida.
Mas em qualquer aspecto a morte de Jimi Hendrix foi um trágico e inevitável acidente.
Gerry Stickels mandou por avião o corpo morto de Jimi para a sua terra Natal.
Acompanhado por Johnny Winter e Miles Davis, assim como pela maior parte dos músicos que tocaram com ele, o funeral realizou-se no dia um de Outubro de 1970 no Greenwood Cemetery, em Seattle.
Tentamos com esta pequena biografia dar vida àquilo que apelidámos de Jimi Hendrix - O Homem, O Músico, O Mito.
Quem foi Jimi Hendrix? O que é que ele representava para as pessoas que trabalharam e viveram com ele? O que era para Jimi a música que ele tocava?
É a tudo isto que vamos tentar dar resposta.
Em continuação ao número anterior, vamos neste reproduzir uma entrevista dada por Jimi Hendrix, em 1970, pouco antes da sua morte, a Noel Redding e Baron Wolman. Esta entrevista dá-nos um relance daquele que foi o grande génio da guitarra.
P - Ainda vives com muitos músicos na tua casa?
R - Não, agora só quero ter tempo para mim próprio, para poder escrever alguma coisa. Eu quero escrever mais.
P - Que espécie de escrita?
R - Não sei. Na maior parte material para 'cartoon'. Fazer este gajo que é engraçado, e que passa por todas estas cenas estranhas. Não posso falar sobre isso agora. Acho que se pode pôr isto em música. Tal como se podem pôr blues em música.



P - Estás a falar em grandes trechos? Ou somente em canções?
R - Bem, eu quero fazer aquilo a que chamas trechos, sim, peças, umas atrás das outras de maneira a criarem movimento. Tenho estado a escrever coisas assim.
P - Se tens o 'cartoon' na cabeça, tens também a música?
R - Sim, na cabeça, exactamente. A música vai acompanhando a história, tal como em 'Foxey Lady'. Qualquer coisa assim. A música e as palavras vão juntas.
P - Quando compões uma canção, ela ocorre, simplesmente, ou segues o processo de te sentares, com a guitarra ou ao piano, começando às dez da manhã e tentando fazer a canção?
R - A música que sinto não a consigo pôr na guitarra. Se pegar nela para tentar tocar o que sinto, só consigo estragar tudo. Não sou tão bom guitarrista que possa tocar tudo o que sinto e quero. Gostaria de ter aprendido a escrever para instrumentos. Acho que vou tentá-lo agora.
P - Então para coisas com 'Foxey Lady', ouves primeiro a música, para depois chegares à letra?
R - Bem, tudo depende. Em 'Foxey Lady', nós começámos a tocar, e ao microfone eu disse as palavras que me ocorreram. Com 'Voodoo Child', 'A Slight Return', alguém estava a filmar quando começámos a fazer isso. Fizé,o-lo umas três vezes porque eles queriam filmar-nos no estúdio.
P - Gostas de ouvir alguns tocadores de avant - garde jazz?
R - Sim, quando fomos à Suiça e ouvimos alguns músicos de lá que nunca tínhamos ouvido, músicos que tocam em pequenos clubs e caves não podíamos imaginar que eles fizessem música assim. A música deles é como uma onda: vai e vem.
P - Quais são, para ti, os melhores sítios para tocares?
R - Gosto de tocar em lugares pequenos, como um club. Aí obtém-se um outro sentimento, sentimento esse que se junta com outro que já temos. Não sei explicar... Acho que são as pessoas.
P - Como são aquelas duas diferentes experiências, aquilo que obténs da audiência?
R - Eu obtenho muito da audiência. Algo que me faz 'sair' dali. Eu não me esqueço da audiência mas sim de toda a paranóia, daquela coisa que me faz dizer: 'Oh Deus! Eu estou no palco, o que é que eu vou fazer agora? Então sinto qualquer outra coisa que se parece, de certa maneira, com uma brincadeira.
P - Que parte te toca na produção dos teus álbuns? Por exemplo, produziste o teu primeiro álbum 'Are You Experienced?'
R - Não, foram Chas Chandeler e Eddie Kramer quem mais trabalhou nisso. Eddie era o engenheiro e Chas como produtor mantinham as coisas juntos.
P - O último disco 'Electric Ladyland' apresenta-te como produtor. Fizeste realmente tudo?
R - Não, bem fui eu e Eddie Kramer. Tudo o que eu fiz foi estar lá e certificar-me que as canções certas e o som certo também lá estavam. Mas o som perdeu-se porque fomos fazer uma tournée antes de o disco estar completamente acabado. Eu depois ouvi-o e achei[...]
P - No último disco gravaste "All Along The Watchover". Há mais alguma coisa de Bob Dylan que queiras gravar?
R - Oh sim. Gosto daquela assim 'Please help me in my weakness' (Drifters Escape). Era bestial. Eu gostava de fazer isso. Eu gosto do seu 'Blonde on Blonde' e 'Highway 61, Revisited'. O seu material de campo também é bom. É mais clamo.
P - Costumas ouvir grupos como os 'Flying Burrito Brothers'?
R - Quem é o guitarrista dos Burrito Brothers? Esse moço toca. Gosto dele. Ele é realmente maravilhoso com a guitarra. É o que me faz ouvi-los, é a música.
P - Lembras-te de Bob Wills and the Texas Playboy?
R - Gosto deles. The Grand Ole Opry costumava vir ouvi-los. Eles têm bons guitarristas.
P - Que música admiras, fora do teu género?
R - Nina Simone e Moutain.
P - Que me dizes sobre um grupo como os Mac Coys?
R - O guitarrista é óptimo.
P - És fan de Pinkie Lee?
R - Costumava ser. Costumava usar meias brancas.
P - É verdade que costumas ensaiar com Band Of Gypsys doze a dezoito horas por dia?
R - Oficialmente é verdade. Mas maior tempo que tocámos juntos foi duas horas e meia, quase três.
P - Vais fazer um single e um L.P.?
R - É possível que um ou outro saiam em breve. Estas companhias de gravação só querem singles. Mas não nos podemos sentar e dizer 'vamos fazer uma faixa, ou vamos fazer um single'. Nós não vamos fazer isso, não podemos fazer isso.
P - Credence Clearwater Revival faz isso até ter material para um álbum, como nos tempos antigos.
R - Bem isso era nos velhos tempos. Eu considero-os mais músicos, mais dentro da música, compreendes?
P - Mas os singles fazem dinheiro, não fazem?
R - Bem, é por isso que eles se fazem.
* Quando Jimi Hendrix fala em cartoon, pensamos que se refira ao projecto que ele tinha de fazer em desenhos animados (cartoon) a história da sua vida.





Pink Floyd - "Animals"
Um Novo Álbum, Um Novo Êxito
Escreveu: Judite Maria Cid
Tudo começou em 1966 na "London's Polytechnica School Of Architecture", onde estudavam Nick Mason, Roger Waters e Richard Wright. O compositor inicial é Sid Barret, amigo de Roger e o responsável pelas noites loucas no clube U.F.O., onde se reuniam os avant-gard do tempo.
Foram o primeiro grupo a utilizar um show de luzes, com projecção em telas, nos músicos, e no público, slides e composições de Pop-Arte, coordenado por Mick Lowe.



A sua música inovadora que foi várias vezes apelidada de psicadélica, inquietante, etérea e selvagem, tentava recriar uma viagem de ácido lisérgico.
O seu primeiro trabalho de longa duração saiu no filme de 1967 "The Piper At The Gates Of Dawn", seguido em 68 por: "Saucerful of Secrets", trabalho de música irreal, suite sonora de vozes e estranhos coros, cantos de pássaros e barulhos bizarros. É depois da gravação deste disco que se verifica a partida de Syd Barret (que vai para um asilo de tratamento psiquiátrico), entrando em seu lugar o guitarrista David Gilmour.
É "MORE", saído em 69 que começa a criar fama ao grupo. Disco este que foi concebido para a banda sonora original de um filme com o mesmo nome.
Segue-se um duplo "ummagumma" que inclui o famoso "Careful With That Axe, Eugene" em gravação ao vivo.
Em 1970 acontece a grande "volta" nos processos de criação musical no grupo. Pink Floyd evolui para uma maior elaboração menos espectacular e imediato. É assim que surgem ainda em 70 "Atom Heart Mother", gravado com orquestra e coros, pouco acessível para os amantes do Rock da altura, e já em 71, "Meddle" cuja composição "Echoes" é um autêntico marco da música moderna, que nos oferece momentos sublimes de rara beleza e de grande força envolvente, tal como disse o crítico do "Rock et Folk" Paul Alessandrini.
Nesta altura já os shows ao vivo são feitos em quadrifonia sendo a sua parte visual considerada a mais bela do mundo.


Em 1972 surge "Obscured By The Clouds", considerado por alguns um autêntico acidente na discografia do grupo, e que serviu de banda sonora ao filme de Barbet Schroeder "La Valée".
"Dark Side of the Moon" sai em 1973, depois de ter sido tocado ao vivo durante um ano. Grande sucesso do grupo, este álbum é composto por um ciclo de canções sobre a devastação mental e emocional provocada pelas pressões sociais do medo, do falhanço, do envelhecimento, da pobreza, da solidão, e acima de tudo da loucura.


É nesta altura que alguns críticos saudam no Pink Floyd o agarrar humano no universo concentracionário do homem e do seu ego.
Depois de dois longos anos sem discos surge "Wish You Were Here". Deitando fora o fantasma de Syd Barret, os Pink Floyd conseguem um álbum mordaz, crítico, triste e cínico mas infinitamente belo.
Agora em 1977 o já celebérrimo grupo surge com um novo álbum: "Animals". O disco foi gravado no estúdio privativo dos Pink Floyd, situado na parte norte de Londres. Foi totalmente produzido pelo grupo e nele encontra-se o toque fundamental que é a sua característica essencial - a perfeição. É um disco concebido, evidentemente, sobre os animais, ou antes, sobre o Homem visto através dos animais.
"Animals" é uma visão pesimista e cínica da Humanidade, que se encontra dividida em três grupos distintos: os cães, os porcos e os carneiros. Waters torna-se duro pois apresenta-nos num estado bestial, não nos restando outra hipótese a não ser escolhermos qual a espécie que mais nos convém.






"Animals" é composto por quatro partes:
Na 1- face "Pigs on the Wing".
Na 2- face "Pigs", "Sheep" e "Pigs on the Wing".
O material não é totalmente original, pois "Dogs" e "Pigs" são temas antigos tocados ao vivo pelo grupo há cerca de dois anos. Nessa época "Dogs" intitulava-se "You Gotta Be Crazy", e "Pigs" era "Raving and Drooling".
"Pigs on the Wing" é introduzido por uma guitarra acústica, que vai ser a base contínua da faixa, especialmente na primeira parte. Os solos e a voz vão seguir este som acústico que se impõe como suporte essencial.
Esta faixa é uma concepção sobre as relações de desconfiança e violência entre as pessoas.
"Pigs" começa com grunhidos de porcos. Há uma óptima combinação de guitarra acústica e eléctrica, bateria e piano. Vozes recitam quatro linhas do antigo testamento, sendo a última mudada por Waters para qualquer coisa como: "Não se esqueça a sua lição de Karaté".
Balidos de carneiro introduzem "Sheep", a faixa mais ritmada do álbum, e, que faz lembrar "One Of These Days" do disco "Meddle". Têm ambas a mesma introdução, o mesmo ritmo, a mesma energia. Pássaros e carneiros acabam esta faixa.
É isto, em resumo, o último disco de Pink Floyd. Não deixes de o ouvir.



Rock Alemão
Jurgen Fritz, Teclista do Grupo Triumvirat esteve em Portugal
Suscitou enorme entusiasmo e surpresa a visita ao nosso país do teclista e leader do grupo de Rock - 'TRIUMVIRAT'. Na realidade não é hábito sermos visitados pelos músicos da música rock o que fez, naturalmente, espevitar toda a imprensa da especialidade (e não só) e grande parte do público informado.
JURGEN FRITZ deslocou-se até nós para receber o DISCO DE PRATA, atribuído pela venda dos seus três álbuns editados entre nós, de entre os quais sobressai com maior número de bandas - 'SPARTACUS'. JURGEN declarou-nos que, por sinal, foi o álbum que mais gostou de gravar por nele mais se notar o sentido de grupo.
Ficou admirado e surpreendido com as vendas dos seus discos em Portugal. Na realidade, atendendo às proporções das populações, é o segundo país em vendas. O Brasil ocupa o primeiro lugar. À escala da população vendem mais discos em Portugal do que no seu país (Alemanha Federal).
Surpreendeu-se também pelo facto dos seus principais auditores serem constituídos pela nossa camada mais jovem, enquanto que na Alemanha os seus álbuns são vendidos às pessoas de idade média. Confessou-nos que o grupo não era muito popular no seu país.



Presentemente procura um elemento para o grupo - o baterista. Com a saída do álbum o grupo desfez-se. FRITZ disse-nos já ter contactado BILL BRUDBORD (ex-Genesis e ex-Yes) para ocupar o lugar de baterista do grupo, uma vez que para baixo e vozes voltará BARRY PALMER que participara já no álbum 'SPARTACUS'.
Não se consideram intépretes do chamado Rock Alemão, chegando a afirmar-nos não existir Rock Alemão uma vez que o ritmo sanguíneo do povo Alemão é a marcha e daí as influências de Schultz ou de Kraftwerk. Pessoalmente não considera música o que esses grupos interpretam, mas sim experiências musicais. Sabe existirem grandes guitarristas na Alemanha, mas não de Rock. Sobre o próximo álbum a gravar, disse-nos que o tema principal seria sobre a explosão do vulcão Vesúvio e que retratará a vida antes e depois da explosão do mesmo.
Vão iniciar uma tournée pela Europa, Brasil, E.U.A.. Pensa fazer deslocar o grupo até nós devido ao enorme êxito dos seus álbuns entre a nossa juventude. Deslocar-se-ão mediante um 'cachet' simbólico. O grande problema parece estar na deslocação do enorme e pesado material para a actuação (10 toneladas), que faz pensar seriamente a possível agência organizadora do concerto.
Que tudo corra pelo melhor! Que tenhamos a oportunidade de ver a 'livre' um dos mais desejados grupos da actualidade.
Juvêncio Pires






Outro conteúdo interessante, eventualmente a divulgar posteriormente:
. Rick Wakeman - "O Rei do Rock Sinfónico" - artigo de fundo de 2 páginas, por Juvêncio Pires
. I Festival Jazz Contemporâneo 76 - Sintra - Reportagem de José Manuel Gomes.
 




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