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27.8.20

Novos de Portugal por Portugueses: Folclore Impressionista - "A New Sensation: Music For Television"


Mais uma obra-prima dos Folclore Impressionista, que deixaram a hauntologia electrónica mais experimental e, agora, para uma coisa completamente nova e espectacular. Não estava à espera de mudança tão radical mas a faixa que publicaram na compilação "Ululating Waters" já dava pistas. Está lá a "livraria" toda desde os anos 50, 60 e 70 até aos Boards of Canada, não esquecendo a "folktronica" e o EDM. Uma autêntica enciclopédia e de qualidade que nem os mestres do assunto conseguem amiúde. As faixas que estou a gostar mais (sim, porque se continuara ouvir, geralmente vão aparecendo outras a substituí-las) são a "From A to B" e "Time Travel".

Mas o melhor é ouvir o álbum completo aqui abaixo/bandcamp e, se ainda restar algum exemplar não hesitar na compra imediata. Depois pode já ser tarde. Ah, e de preferência tentem obter a edição especial de 30 exemplares que, além do LP, contém um single de 7", lathe cut, com uma faixa extra.










17.2.17

DN:música - Série: Os Melhores Álbuns De Sempre (3)


DN:música
Os melhores álbuns de sempre
26 de Agosto de 2005


[51] QUARTETO 111

QUARTETO 111



No pobre panorama pop português de 60, afastado da efervescência vivida entre Inglaterra e os Estados Unidos pela ditadura de Salazar e Caetano, os Quarteto 1111 de José Cid foram um oásis de modernidade. O seu álbum de estreia, homónimo, mantém-se como um manifesto à criatividade em regime de experimentação febril.

TÍTULO Quarteto 1111
ALINHAMENTO Prólogo / João Nada / Domingo em Bidonville / Uma Estrada Para a Minha Aldeia / A Fuga dos Grilos / As Trovas do Vento que Passa / Pigmentação / Maria Negra / Lenda de Nambuangongo / Escravatura / Epílogo
ANO 1970 (reedição em CD pela EMI Music Portugal)
PRODUTOR Quarteto 1111

Na década de 60, enquanto a maioria do Ocidente vivia uma revolução social ancorada numa cultura juvenil que assumia declaradamente a cisão com as gerações anteriores, ao Portugal governado pela ditadura salazarista chegavam apenas ecos abafados dessa ebulição.
A maioria das bandas, com pouco espaço para mais que animação de bailes de finalistas e afins, entregavam-se a versões de êxitos ou a originais que não escondiam um evidente desejo de emulação do que se fazia em Inglaterra ou nos Estados Unidos.
Como excepções, tínhamos os Sheiks, trabalhando freneticamente sobre a explosão despoletada pelos Beatles, ou uns Jets cujo único EP editado, fosse outro o país de edição, se inscreveria como título de culto da emergente vaga psicadélica. O grande marco pop do Portugal de 60, contudo, seria da responsabilidade de uma banda que, de forma inédita, conjugava a modernidade além fronteiras com língua e motivos portugueses. Eram os Quarteto 1111 e revelaram-se com uma A Lenda D’el Rei D. Sebastião sobre a qual Cândido Mota aos microfones do Rádio Clube Português, opinava em 1967: “é um tema eterno, de criação nacional e validade perene e universal”. Depois dele, continuariam a caber ao Quarteto 1111 liderado por José Cid as mais excitantes manifestações pop portuguesas, quer fosse nos acessos folk de Dona Vitória e Dragão ou nas divagações ácidas de Os Monstros Sagrados e Génese. Em 1970, a criatividade que até então se dispersara por singles e EPs concretiza-se finalmente em longa-duração, o segundo da história da pop nacional – um ano antes, a Filarmónica Fraude editava a sua brilhante estreia, Epopeia.
Quarteto 1111, álbum conceptual dedicado à emigração e à Guerra Colonial, politicamente interventivo – também aí, em contexto rock, o Quarteto foi pioneiro -  e febrilmente experimentalista, não teve vida longa. Pouco depois da edição, a censura retirava-o das lojas, passando à clandestinidade de cópia pirata.
Contudo, aqueles que o conseguiram ouvir em tempo real e todos os outros que, ao longo dos anos, com ele se foram deparando encontram ali um magnífico manifesto à criatividade sem amarras. A folk de João Nada, o funk de Pigmentação, o denso psicadelismo de Maria Negra ou Escravatura, as experiências sónicas de Epílogo – quase impensáveis tendo em conta os meios disponíveis aos músicos portugueses de então -, as colagens sonoras de Fuga dos Grilos ou a sofrida melancolia de Domingo em Bidonville, todas elas, representam uma sintonia entre anseio pela modernidade e desejo de vincar uma identidade própria que o pop/rock português só conseguiria concretizar satisfatoriamente quase uma década depois.
Mário Lopes






12.2.17

Rock Psicadélico - Dossier


Rock Psicadélico

Dossier de 5 páginas, no
DN:música de 09 de Setembro de 2005
Autor: Mário Lopes

DOSSIER
ROCK PSICADÉLICO

Entre 1966 e 1969, o universo musical transformou-se. Na Califórnia, os Grateful Dead reabriram as portas da percepção. Em Londres, reescreviam-se as regras da pop numa espiral experimentalista inaudita. O psicadelismo anunciou-se e nunca nada mais foi o mesmo.



Em 1954, quando Aldous Huxley publicou As Portas da Percepção, inspirado num poema de William Blake, estava longe de imaginar que o “porta” descoberto em gotas de mescalina despoletaria uma revolução em forma artística ainda não oficialmente fundada – falamos do rock’n’roll cujo nascimento se assinala à volta de 1956, ano do primeiro álbum de Elvis Presley. No livro, o escritor partia da sua primeira experiência alucinogénea e traçava um retrato histórico da experiência psicadélica ao longo da história da Humanidade. Na Idade Média, o povo vivia-a olhando a luz reflectida pelos vitrais das Catedrais, explosão de cor incandescente para olhos habituados a escuridão e a cores desmaiadas. Cinco séculos depois, essa luz continuava a impressionar, mas num mundo de televisão, cinema e néons, num mundo tornado eléctrico, os vitrais de Catedrais medievais eram mais experiência estética calmante, absorvente, que extática e transportadora. Aldous Huxley, antes do rock’n’roll, antes de psicadélico ser palavra cunhada no léxico comum – a primeira vez que foi publicada num jornal britânico, já na década de 60, foi acompanhada de nota de rodapé explicativa -, deu de caras, assombrado, com novos vitrais. Por umas horas, despediu-se do mundo como o conhecemos e descreveu a essência da vida que julgava ver na textura de uma folha de árvore, num pô-do-sol de glória até então escondida., numa sensação de plenitude sobre a qual lera em textos de religiões orientais. Essa alteração do estado de consciência, vista como anúncio de chagada a um patamar superior, tornar-se-ia uma década depois um dos principais motores de mudança de uma cultura que, então, tentou fazer do escapismo realidade constante. Assim foi com o advento do psicadelismo que, em meados da década de 60, transformaria para sempre o cenário da música popular urbana e, durante um período de tempo alargado por quase meia década, a própria paisagem social e cultural na sua globalidade.
Por agora, contudo, voltemos ao 1954 de Aldous Huxley. Enquanto o escritor britânico, refugiado na Califórnia, entrava no último período da sua carreira, um canadiano por nascença, americano de espírito, Jack Kerouac, preparava-se para editar, em 56, aquele que seria, juntamente com o poema Howl, de Allen Ginsberg, o documento definitivo da geração beat. Pela Estrada Fora, misto de viagem iniciática e relato de uma nova forma de vida pulsando nos interstícios da normalidade – em viagem, sempre em viagem -, distorcia as regras narrativas clássicas ao abrir-se a influências que lhe eram exteriores. Kerouac queria inscrever nas frases o ritmo e a respiração do jazz de Charlie Parker e Dizzy Gillespie e fazia da escrita um fluxo de consciência onde revisão era palavra interdita e a pontuação estrutura moldável. A sua vida em vertigem – excessiva, diletante, boémia, insaciável, um poético titubear em busca de satisfação sempre incumprida na sua plenitude – vertia-se no papel com a mesma voracidade e consciente ausência de planeamento que as aventuras Estados Unidos fora na companhia de Dean Moriarty. A geração beat, centro espiritual em São Francisco, inventou-se como refúgio de desalinhados de uma América que tentavam reinventar pela poesia, literatura e música, por uma vivência feita conjugação paradoxal de zen budista com prazeres mundanos sorvidos intensamente.
Os químicos de Huxley e a personalidade libertária dos beatnicks encontrar-se-iam, anos mais tarde, reunidos numa mesma atitude perante a criatividade cujo objectivo era quebrar barreiras pela invenção de uma nova paleta de cores, garridas e faiscantes.

PSICADELISMO AMERICANO. Quando os Beatles aterraram em Nova Iorque, em 1964, encontraram-se rodeados de um ambiente de excitação adolescente e de extrema curiosidade mediática. Contudo, a British Invasion que despoletaram e que definiria o curso futuro da música pop não foi recebida com igual entusiasmo em todos os quadrantes.
No Beatles First US Visit realizado pelos irmãos Moysles, ouvimos as vozes da discórdia. Enquanto, no próprio aeroporto, a maioria declarava a passagem de Elvis à categoria de “velhote”, enquanto David Crosby e uma série de futuros actores principais da cena musical americana esperavam a actuação no Ed Sullivan Show para viverem uma epifania definidora do que seriam daí para a frente, a câmara dos Moysles captava a opinião de alguns hipsters saídos, imaginamos, do esclarecido Greenwich Village de folk e jazz. Que sim, diziam, agradava-lhes o fenómeno pelo corte que representava com o cinzento conservadorismo da geração anterior. Que não, acrescentavam, não era aquela a música mais excitante e inovadora que o mundo recebia na altura: coisa básica e demasiado adolescente, sentenciavam.
Nessa mesma noite, imaginamos, terão regressado ao seu campo de acção e, com sorte, depararam com um concerto em que Bob Dylan, apresentando as novidades de Another Side of Bob Dylan, tocou Chimes of Freedom e antecipou a transformação de inspiradíssimo cantor de intervenção em poeta folk imprescindível – metade beatnick, metade surrealista, todo Dylan.
Os Beatles libertaram o som, Dylan, através da palavra, libertou a música pop para outros universos além do habitual boy meets girl e, rondando a Universidade de Berkeley, Timothy Leary, ex-professor universitário – expulso de Harvard pelos estudos com drogas aluconogénas que ali desenvolveu -, preparava o “turn on, tune in, drop out” que se tornaria lema do rock psicadélico em gestação.
Entretanto, os dois “folkies” pouco excitados com a música dos Beatles não demorariam a deixar-se entusiasmar por ela, à medida que She Loves You e I Wanna Hold Your Hand davam lugar a Ticket To Ride e I Feel Fine. Tal como eles, toda uma geração de jovens folkies não tardaram a insuflar a sua formação neo-beatnick da electricidade do rock’n’roll, acrescentando-lhe pelo caminho um desejo de criar música verdadeiramente nova, onde a liberdade do jazz, a espiritualidade oriental e o escapismo colorido do LSD se uniam sob o mote: “a regra é não haver regras”.
O grande centro criativo, pólo onde o psicadelismo como o viémos a conhecer se alargaria a todo o mundo, foi a Califórnia de São Francisco e Los Angeles. É do estado americano que Ken Kesey (autor de Voando Sobre Um Ninho de Cucos) parte com o colectivo Merry Pranksters para “iniciar” a juventude americana na revelação dos Acid Tests (antepassados das actuais raves, festas onde a música das bandas em palco e a profusão de jogos de luzes psicadélicos potenciavam o efeito do LSD, cuja proibição só chegaria no final de 1966, distribuído gratuitamente pelos organizadores). Como banda residente dos eventos encontrávamos uns Warlocks que se revelariam fundamentais na definição e propagação do psicadelismo América fora. Actuando em palcos onde a distância entre o grupo e o público era inexistente, também eles participantes activos no “teste ácido”, os seus concertos eram verdadeiros “happenings” prolongados pelas horas que durasse o efeito do LSD nos corpos na assistência. Clássicos folk e r&b distorciam-se pelo longo improviso e pelas mutações provocadas pelo ambiente e estado químico dos elementos da banda e transformavam-se em prolongados jams com o cosmos por objectivo último.
Nesta altura, estávamos em 1965. No ano seguinte, já os Warlocks eram conhecidos pelo nome com que ficariam para a história, Grateful Dead, e o seu centro de operações, uma mansão vitoriana na zona de Aight-Ashbury, em São Francisco, tornava-se foco central da revolução em construção. O bairro, a 10 minutos de distância da Universidade de Berkeley e muito procurado pela população jovem pelo baixo preço das rendas, transformar-se-ia em viveiro de bandas e numa espécie de Meca da contracultura de 60, que suscitava curiosidade mundo fora. Seria visitada pelos Stones e por George Harrison e teria direito pouco depois, no final da década, a visitas turísticas organizadas.
É neste contexto que surgem as bandas mais marcantes do psicadelismo americano. Os folkies deixaram-se tocar pelo rock’n’roll, ingeriram ácidos de boa colheita e, “mente expandida”, partiram numa viagem em busca dos sons que melhor representassem a experiência. Assim foi com os Jefferson Airplane, com os Country Joe & The Fish, com os Big Brother & The Holding Company que serviram de rampa de lançamento a Janis Joplin, com os HP Lovecraft e uma série de outras bandas nascidas na cidade ou que para lá se deslocaram a partir do momento em que se espalha a sua fama como capital psicadélica mundial. A música que ali floresce passa a olhar com desdém para o limite temporal estabelecido para uma canção, privilegia o improviso e a procura de novos sons – quer na utilização de instrumentos até então arredios da tradição pop, quer naqueles que, depois do impacto de Sgt. Peppers, se descobriam no estúdio – e liberta em verso o imaginário surreal das experiências alucinogéneas. Farfisas e Hammonds reverberam como nunca antes, as guitarras descobrem-se ácidas e repletas de fuzz, o bucolismo folk ganha sentido cósmico e o rock’n’roll o sentido exploratório do jazz, transformando-se em mero ponto de partida para a descoberta de novos universos musicais.
Movidos por um forte sentido comunal, todos pareciam comprometidos à causa. Artistas plásticos desenvolviam os cartazes que se tornariam indissociáveis da música da época, fotógrafos traduziam-na em grandes angulares e em mil manipulações de cor, realizadores levavam a contracultura ao grande ecrã, em filmes como Psych Out, The Trip (argumento de Jack Nicholson) ou Head (a transformação da boys-band Monkees em hipsters alucinados) e promotores de concertos anunciavam bilhetes a 5 dólares (notas queimadas à entrada, s.f.f.).
Num ápice, a onda psicadélica varria todo o território americano e o underground atingia o mainstream. Em 1967 o Monterey Pop Festival, o primeiro grande festival rock, organizado pelos The Mamas & The Papas, consagra a nova geração – por lá passaram os Jefferson Airplane, os Byrds, os Buffalo Springfield, Janis Joplin, Jimi Hendrix ou The Who. No ano seguinte, os Airplane chegam à capa da Life e a revista, pegando nos autores de White Rabbit, nos Cream, Country Joe & The Fish e Big Brother & The Holding Company, apresenta aos mais desatentos o “novo rock”. Nesse mesmo ano, Grace Slick e Marty Balin transformariam o Ed Sullivan Show e televisões de milhões de lares americanos em palco para projecção psicadélica pouco consentânea com o horário nobre.
Do Texas, os 13th Floor Elevators apresentam a versão mais negra e psicótica do psicadelismo, em LA os Byrds passam do jingle-jangle de Mr. Tambourine Man para as planagens e as vozes encantatórias de Eight Miles High, os Doors criam o épico definitivo do período, The End e os Love fazem com Da Capo a mais elegante estilização da estética da época.
Se, na sua génese e na definição das suas (rarefeitas) coordenadas, o psicadelismo está umbilicalmente ligado ao consumo de drogas alucinogéneas, a partir do momento em que se multiplicam as referências e em que se definem traços característicos do género, o psicadelismo é abraçado por todos e manifesta-se mesmo na música de quem não tinha por hábito pintalgar o chá de aditivos – os Temptations não eram propiramente dados ao LSD, mas Psychedelic Shack tem as propiredades ácidas indispensáveis, o mesmo acontecendo com os delírios sónicos desenvolvidos pelos Sagitarius sobre as lições de Pet Sounds.
Durante um breve período, que podemos balizar entre 1966 e 1969, cores e sons psicadélicos brotaram de todo o lado, inclusivé dos locais mais suspeitos. Até os Bee Geees o exploraram em início de carreira, mesmo os Status Quo aplicaram o “turno on, tune in, drop out” a pop distante do boogie rock pelo qual se tornaram conhecidos na década de 70 – é só ouvir Pictures of Matchstick Man. E com a referência aos autores de Whatever You Want, saltamos até Inglaterra ao encontro do outro grande centro difusor de psicadelismo como definido em 60.

PSICADELISMO BRITÂNICO. Os primeiros sinais vinham de trás. Os Kinks, em 1965, editavam uma See My Friends que levava a ideia de canção pop, escorreita, até ao onirismo da música tradicional indiana. Psicadelismo era palavra sussurrada por poucos, mas não tardaria a fazer-se ouvir. Deste lado do Atlântico, o grande propulsor surge da decisão dos Beatles em abandonarem as digressões. Imersos nas potencialidades do estúdio, libertam a sua música e quando, em 1966, editam Revolver, as mudanças são já evidentes. Os drones orientais criados com cítaras e tablas de Love You Too alimentam a divagação, o riff para um acorde só, a voz repleta de eco, a batida insistente e os ruídos em loop de Tomorrow Never Knows fazem o resto. Fechados no estúdio, os Beatles tornam-se pesquisadores sónicos irrecuperáveis e, reflectindo o sabor dos tempos deparam-se fascinados com o psicadelismo. Um ano depois, todas essas explorações são extremadas em Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band.
Os motivos circenses, o vaudeville reflectido nos ângulos de um caleidoscópio, as canções que se desdobram em várias suites organizadas segundo a lógica pouco rígida do sonho. A Day in the Life, Fixing a Hole, Being For The Benefit of Mr. Kytee, obviamente, Lucy In The Sky With Diamonds, todas elas compõem o retrato de uma banda que partira À descoberta de novas formas. Segundo reza a lenda, no decorrer da gravação do álbum, os Beatles escapavam-se do estúdio para, longe do olhar de George Martin, sorver umas pitadas de ácido. Tal como na Califórnia dos Grateful Dead e dos Acid Tests de Ken Kesey, viagens regadas a LSD serviram de ponto de partida para outras músicas. No Reino Unido, contudo, não eram a folk e o blues as linguagens que maioritariamente se distorciam para criar uma nova (apesar dos Cream operarem sobre o segundo, apesar dos The Incredible String Band erigirem a partir da primeira a obra definitiva no que à folk psicadélica diz respeito – está tudo em Wee Tam & The Big Huge).
Território pop por excelência, foi no seu âmago que se operaram as maiores transformações. Os sinais vinham de trás, nos raveups dos Yardbirds, na violência distorcida dos riffs dos Creation ou nos feed-backs que os The Who exploravam em Anyway, Anyhow, Anywhere, mas é no contexto dos três minutos de uma canção pop que o psicadelismo britânico primeiro se manifesta.
Na avassaladora sequência de acontecimentos que foi a segunda metade da década de 60, o psicadelismo surge quando alguns ainda acabavam de comprar fatos de melhor recorte mod. Os Small Faces, por exemplo, nem se deram ao trabalho de se metamorfosearem, limitaram-se a fundir a atitude dandy dos mods com o abandono à delícias da divagação psicadélica enquanto inventavam passeios por Itchycoo Park.
Com um underground fervilhando de actividade – com direito a jornal e a clube “oficiais”, o International Times e o UFO de Totenham Court Road -, a swinging London tornou-se um centro criativo ímpar. Estudantes de Arte abandonavam as escolas para formar bandas, as que existiam previamente como combos de r&b adoptavam a nova ordem e, numa mistura explosiva de excentricidade britânica, ecos distantes do psicadelismo californiano e levitação tripada (Maharishi facultativo), o cenário pop alterava-se definitivamente.


Donovan chegava de Glasgow como elfo armado de guitarra para cantar sobre Hurdy Gurdy Men e para nos dizer que, em South Kensignton, “Mary Quant and Jean Paul Belmondo got stoned to say the least”. Os Cream, três “veteranos” do british blues revival – Jack Bruce, Ginger Baker e Eric Clapton -, editavam Disraeli Gears e sobrepunham um arco-irís incandescente sobre os riffs clássicos do blues e um americano resgatado para Londres por Chas Chandler, ex-baixista dos Animals, surge em palco como feiticeiro eléctrico de uma outra galáxia – o seu nome, claro, é Jimi Hendrix e depois dele o rock’n’roll nunca mais foi o mesmo.
Enquanto isso, os Tomorrow, estetas pop da escola Ray Davies, tornam-se heróis do underground britânico ao editarem um álbum de estreia homónimo que se ouve como versão psicadélica dos Kinks e, no UFO, o público dança ao som de uma banda que estilhaça todas as fronteiras conhecidas quando a ressonância dos instrumentos faz com que o Interstellar Overdrive anunciado se cumpra. São os Pink Floyd de Syd Barrett e, com os dois singles iniciais – Arnold Layne e See Emily Play, pérolas pop gloriosamente danificadas -, com os concertos tornados matéria de mito e com o álbum de estreia, The Piper At The Gates Of Dawn, fazem desaparecer todos os traços de matéria reconhecível para dar lugar a uma expressão única, intensíssima, da experiência psicadélica.
Até os Stones cedem ao momento para, 10,000 Light Years From Home, criar o magnífico Their Satanic Majesties Request, os proto-punks Troggs cantam sobre borboletas gigantes e os Moody Blues oferecem-se como cobaias de teste de um novo sistema sonoro para cruzar opulência orquestral e medievalismo britânico com resquícios de pop. Víamos Michael Caine fazer um cameo em filme experimental com Syd Barrett em destaque, um gigantesco armazém vitoriano tornava-se palco para a celebração da comunidade underground – 0 14 Hour Technicolor Dream -, os The Who declaravam I Can See For My Miles e todos acreditávamos, McCartney confessava em entrevistas o consumo de LSD, víamos Magical Mistery Tour e não tínhamos dúvidas que assim era. Neste profícuo e fecundo ritual iniciático, todas as excentricidades eram não só permitidas como incentivadas – Arthur Brown levava à letra a esquizofrenia para órgão, baixo e bateria de Fire e transformava-se em fósforo humano, Marc Bolan dava vida à Terra Média e, como Tyranossaurus Rex, criava alguma da folk mais fora deste mundo que ouvidos lúcidos já ouviram.
Todos os excessos conduziriam, inevitavelmente, a uma prolongada ressaca. A experiência, contudo, tornar-se-ia fascinante ponto de partida para toda uma série de exploradores e sonhadores que, desde então, prosseguiram nos trilhos aí desvendados. O rock progressivo e o kraut-rock, pouco depois, seriam exemplos perfeitos disso. Essas contudo, são história que guardaremos para outras páginas.





ESTAVAM TODOS COMPROMETIDOS
Em 1970, Timothy Leary, professor de Harvardtransformado em guru do psicadelismo, gravava You Can Be Anyone this Time Around, álbum de spoken word em que o autor da frase “turn on, tune in, drop out” era ladeado por Stephen Stills, John Sebastian, Jimi Hendrix e Buddy Miles. Anos antes, ele e Allen Ginsberg eram os oradores em destaque no primeiro Human Be-In de São Francisco, evento celebratório da contra-cultura em desenvolvimento na cidade na década de 60. O autor de Howl, aliás, assinava textos de apresentação de álbuns dos nova-iorquinos Fugs, aproximava-se de Bob Dylan e, décadas depois, confessava a Paul McCartney o seu sonho nunca cumprido de pertencer a uma banda rock’n’roll.
Se o advento da cultura pop gerou entusiasmo e empatia junto de muitos dela aparentemente distantes, o psicadelismo surge como um momento em que todas as manifestações culturais são contaminadas pela sua ética e estética – quer por convicção, quer como aproveitamento.



Como se lia num dos posters de promoção a concertos tornados imagem de marca do período, da autoria de Rick Griffin, um dos seus autores mais celebrados: “Renaissance or Die”. De facto, da literatura ao cinema, da arquitectura ao design, da moda à pintura, passando pela fotografia, toda uma série de expressões extra-musicais tornam-se extensões de uma mesma atitude.
Olhamos para o design de interiores que Verner Panton criou no período e as cores garridas, as formas resgatadas à natureza, distantes de qualquer precisão geométrica, utilizadas pelo designer dinamarquês parecem saídas, salvaguardadas as devidas distâncias, do mesmo universo que originou a estética imaginada por Roger Vadim para Barbarella – que não seria possível sem o psicadelismo. A liberdade que lhe está em génese terá tido a sua influência no cimentar do gonzo journalism de Tom Wolfe ou Hunter S. Thompson – The Electric Kool-Aid Acid Test ou Fear & Loathing in Las Vegas são, de facto, versões psicadélicas de jornalismo e literatura beatnick. Reunindo tudo, quando deparávamos com espirais op-art a espreitar de um vestido, tornava-se claro: todos estavam comprometidos.



SEMPRE PRESENTE
A partir do momento em que se abriu a caixa de Pandora já não havia retrocesso.  Imersos no momento, ou indiferentes às suas tendências, os conspiradores continuaram a magicar fugas à realidade.
Primeiro, os descendentes directos do psicadelismo de 60, prog-rockers como Yes ou King Crimson, pretenderam criar um universo próprio onde se pudessem instalar. À medida que cada vez mais se perdiam no barroquismo arquitectónico erigido, psicadelismo pareceu tornar-se palavra interdita. Claro que era só fogo de vista. Em Inglaterra, em pleno pós-punk, os Soft Boys aplicavam tratamento Barrettiano à ideia de canção, os XTC preparavam-se para homenagear os criadores do paradigma psicadélico no projecto Dukes of Stratosphear e os Teardrop Explodes de Julian Cope faziam da electrónica palco para delírios alucinógeneos. Algures pelos Estados Unidos, os sempre delirantes Flaming Lips davam os primeiros passos, ainda em busca de um futuro que projectaria a alma do psicadelismo em glorioso Technicolor. Já em plena década de 90, os Estados Unidos seriam palco para uma reposição da explosão criativa de 60, quando o colectivo Elephant 6, que reunia Olivia Tremor Control, Neutral Milk Hotel ou Apples In Stereo recuperou métodos pop do passado para nova viagem. Nessa altura, já Manchester tinha encontrado correspondência para o hedonismo escapista do psicadelismo no acid-house e os Spacemen 3 desaparecido em levitação espiralada num riff dos Velvet Underground. Actualmente, free-folkies pintalgam paisagens bucólicas de ácidos da melhor colheita, alienados do trance procuram transcendência em cítaras e beats impossíveis e artífices armados de laptop, como os Boards of Canada ou Caribou, dizem que, por mais mutações que sofra, a experiência psicadélica não mais desaparecerá da música popular urbana.



ENTRETANTO EM PORTUGAL
Se as manifestações pop no Portugal de 60 eram na sua maioria pálidas imagens da efervescência vivida no exterior, a explosão do psicadelismo teve por cá ecos ainda menos audíveis. O Quarteto 1111 foi o que a absorveu e apresentou de forma mais consistente. A par dele, é imprescindível referir os Jets que, com o EP Let Me Live My Life – o tema título é encontro magnífico dos Byrds com os Zombies -, criaram um oásis de cor e modernidade no Portugal pop de então.





A DISCOGRAFIA
Os anos da explosão do psicadelismo foram de uma fertilidade criativa ímpar na história da música pop. 1967, por exemplo, é um ano paradigmático, sendo certo que poucos haverá a congregar tantos álbuns fundamentais. Ao lado escolhemos nove, tentando o equilíbrio possível entre o inequivocamente essencial e o mais representativo das diversas formas assumidas pelas experiências do psicadelismo.
A verdade é que, no limite, por cada um deles, outro poderia tomar-lhe o lugar sem que isso enfraquecesse a representatividade daquilo que foram aqueles anos de pesquisa frenética.
Poderíamos lembrar-nos dos descendentes da British Invasion que, depois de entranhadas as lições de Rolling Stones, Animals ou The Who, partiram em busca de ácido de colheita própria e acabaram exclamando I Had Too Much To Dream Last Night (Electric Prunes) ou Pushin’ Too Hard (The Seeds).
Inseridos no viveiro que era, naquela altura, Los Angeles e São Francisco, seria inevitável referir uns Byrds fazendo um jingle-jangle do passado ponto de partida para novos voos.
Depois de criarem uma das canções mais marcantes da época, Eight Miles High, chegariam à sua obra-prima, Notorious Bird Brothers. Também da cidade dos Anjos, os desalinhados Doors – Jim Morrison não era propriamente uma alma dada a encontros comunais – davam sequência à bem sucedida estreia com um Strange Days cuja música era correspondência directa dos estranhos saltimbancos da capa.
Não muito longe, a São Francisco concentrada na zona de Haight-Ashbury tinha como representantes principais os Grateful Dead e os Jefferson Airplane que, com Surrealistic Pillow, o segundo álbum, o primeiro com Grace Slick como vocalista, e principalmente com o genial After Bathing At Baxters, se tornariam para sempre indissociáveis do psicadelismo – por perto, como inseparáveis companheiros de viagem, encontrávamos os Quicksilver Messenger Service e os Big Brother & The Holding Company de Janis Joplin (Cheap Thrills é indispensável na cartografia musical da cidade no período).
Por esta altura, os ecos da nova cultura dispersavam-se em todas as direcções e o psicadelismo tornava-se fenómeno global.
Se os Iron Butterfly aproveitavam para deixar a sua marca com In-A-Gadda-Da-Vida, se Alexander Skip Spence – um ex-Jefferson Airplane e ex-Moby Grape – se isolava em Nashville para compor “o” manifesto psicadélico a uma alma em colapso, Oar, se os Kaleidoscope, com Side Trips, acrescentavam música turca e ragtime à banda sonora e se os Vanilla Fudge, com o álbum de estreia homónimo, faziam a ponte entre a trip de hoje e o hard-rock de amanhã, o Brasil, por exemplo, mostrava com os fantásticos Mutantes a versão tropical da atitude criativa disseminada mundo fora.
Neste intricado processo de intercâmbios, poderíamos mesmo voltar atrás no tempo e lembrar-nos que, em plena British Invasion, os The Who de Sell Out e os Yardbirds de Roger the Engineer exploravam terrenos sónicos que, pouco depois, serviriam de mote para novas construções. Depois disso, contudo, todos pareciam em sintonia. Os Small Faces passavam a “psymodelics” com Odgen’s Nut Gone Flake, os Cream faziam um acid-test sobre o blues e gravavam Disraeli Gears e até os Kinks, pouco dados aos excessos coloridos da época, distorciam o bucolismo idealizado inglês em Village Green Preservation Society. De obra-prima em obra-prima, cada um dos anos em que o psicadelismo foi rei pareciam guardar em si material para uma década inteira.

13TH FLOOR ELEVATORS
1966. The Psychedelic Sounds Of...



Era na Califórnia que, com Grateful Dead, Jefferson Airplane, Quicksilver Messenger Service ou Country Joe & The Fish, o psicadelismo começava a espalhar os seus raios de luz mundo fora, contudo, no Texas, Rocky Erickson liderava uns 13th Floor Elevators que se estrearam discograficamente antes de qualquer um dos pesos pesados de São Francisco e Los Angeles. Quase tétrico – o jug eléctrico dá-lhe uma estranheza inimitável -, o álbum explora como nenhum outro o mistério e a psicose do psicadelismo.

THE BEATLES
1967. Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band

Sgt. Peppers foi editado e, a partir dele, nada foi o mesmo. Hoje pode não ser tão indis cutível como foi durante longos anos, ams a sua relevância como despoletador de mudanças radicais no cenário pop é inquestionável. A utilização do estúdio como instrumento, o surrealismo sónico e lírico e o recolher de influências tão díspares quanto o vaudeville e a música indiana, fizeram dele o disco mais importante do seu tempo, abrindo caminho a um período em que todas as experiências se tornaram possíveis.

COUNTRY JOE & THE FISH
1967. Electric Music For The Mind And Body



Poucas bandas haverá que representem tão bem o que foi o psicadelismo de 60. Liderados por um ex-folkie, Country Joe McDonald, os Country Joe & The Fish de Electric Music For The Mind and Body são um caleidoscópio de sons reverberantes, de melodias encantatórias, de trips feitas canção – ora acelerada vertigem, ora lentas, narcóticas – e de etórica do lado certo do flower-power. Folkies místicos transformados em exploradores eléctricos, os Country Joe & The Fish são um filme de época fascinante.


THE JIMI HENDRIX EXPERIENCE
1967. Are You Experienced?

Considerado por muitos o álbum de estreia mais influente de sempre, Are You Experienced? Dá início à carreira de Jimi Hendrix como feiticeiro eléctrico inultrapassável. Gravado nos curtos espaços de tempo permitidos pelo intenso calendário de concertos, abre a guitarra eléctrica a todo um novo universo. Intenso, feérico, alucinante, onírico, são blues, rock’n’roll, r&b, divagações jazzy ou maquinações de estúdio transformadas pelas mãos de um talento de génio, único e inclassificável.

LOVE
1967. Da Capo



Com Forever Changes, os Love assinaram um dos melhores álbuns da história da música popular urbana. Antes dele, contudo, editaram um Da Capo que é estilização perfeita do colorido psicadélico. Do lado A, uma sequência imbatível em que melodias delico-doces feitas de jazz, folk, música latina e pop desalinhada convivem com a explosão punk de 7 & 7 is. Do lado B, uma jam de r&b agressivo, Revelations, estabelecendo ponto com o passado da banda. Em conjunto, a primeira obra-prima dos Love.

PINK FLOYD
1967. The Piper At The Gates Of Dawn



Antes da estreia em longa duração, os Pink Floyd tinham editado Arnold Layne e See Emily Play, dois singles de pop excentricamente britânica, deliciosamente psicadélica. The Piper At The Gates Of Dawn, o disco que se lhes seguiu, é uma experiência completamente diferente. Liderados pelo génio de Syd Barrett, os Floyd saltam para a linha da frente do psicadelismo britânico com um disco em que paisagens medievais e futuristas, lullabies e viagens espaciais compõem um hino ao sonho e à liberdade criativa.

THE ROLLING STONES
1967. Their Satanic Majesties Request



Durante muitos anos foi o álbum maldito dos Rolling Stones, desvalorizado como resposta a Sgt. Peppers. A passagem dos anos, contudo, colocou-o no lugar que merece. OVNI na discografia da banda, é também a magistral concretização das experiências pop que a banda vinha realizando nos anos anteriores. Marcado pelas pesquisas e viagens da época, abraça ficção científica, festins comunais e uma miríade de instrumentos para fazer dos Stones príncipes negros do psicadelismo.

THE SOFT MACHINE
1968. Volume 1



Enquanto se congeminava a revolução psicadélica em Londres, Los Angeles e São Francisco, em Canterbury nascia uma terceira via. Nos Soft Machine de Robert Wyatt, Kevin Ayers e Mike Ratledge – Syd Barrett como fã número 1 -, não havia vestígios de folk, blues, Tolkien ou vaudeville. Na sua música, a libertinagem do jazz cruzava-se com um irreprimível anseio experimentalista bem no coração pop e rock’n’roll. Resultado? Música de uma inventividade e uma capacidade transportadora como poucas desde então.

THE GRATEFUL DEAD
1969. Live/Dead



Os Grateful Dead tornaram-se exemplo máximo do rock psicadélico americano quando a banda residente dos Acid Tests que Ken Kesey e os seus Merry Pranksters levavam a toda a América. Dessas actuaçõesnada mais resta que o mito. Live/Dead, álbum duplo editado em 1969, é o mais próximo que dele nos podemos aproximar. Nele, os Grateful Dead como máquina cósmica revolvendo as entranhas do rock’n’roll. Jerry Garcia apontando às estrelas e levando-nos consigo ao longo dos 25 minutos de Dark Star.





1.5.16

Memorabilia: Revistas / Magazines / Fanzines (206) - Op. - Nº 18 - Primavera de 2006


Revista Op. (visões da matéria)
#18: Primavera de 2006 : ano 6, 2006: 3.50€76 páginas
papel maior que A4, toda a cores em papel de luxo brilhante.

Ver o enquadramento desta revista neste post


O Melhor de 2005
Início de ano que se preze não pode deixar de ter os balanços dos momentos altos da edição e criação cultural. Apresentamos aqui a nossa contribuição para essas ousadias de sistematização histórica.

Bruno Bènard-Guedes
Tom Zé “Estudando O Pagode”
Common “Be”
Ablaye Cissoko “Le Griot Rouge”
William Parker Quartet “Sound Unity”
M. Ward “Transistor Radio”
Quasimoto “The Further Adventures Of Lord Quas”
Sharon Jones & The Dap-Kings “Naturally”
Isolée “We Are Monster”
Ed Motta “Aystelum”
Seu Jorge “Cru”
FME “Cuts”
Pierre Boulez / Ensemble Intercontemporain “Boulez – Le Marteau Sans Maître, Dérive 1 & 2”
One Self 2Children Of Possibility”
Electrelane “Axes”
Beck “Guero”
Delia Gonzalez & Gavin Russom “The Days Of Mars”
Boubacar Traoré “Kongo Magni”
LCD Soundsystem – “LCD Soundsystem”
Jan Jelinek “Kosmischer Pitch”
James Finn Trio “Plaza De Toros”
Pete Philly & Perquisite “Mindstate”
Smog “A River Ain’t Too Much To Love”
The Vandermark 5 “The Color Of Memory”
Daedelus “Exquisite Corpse”
Jon Hassell “Maarifa Street – Magic Realism 2”

José António Moura
[45 em 2005]
Atom TM “Acid Evolution 1988-2003”, álbum
Delia Gonzalez & Gavin Russom “The Days Of Mars”, álbum
“Fragments Of Fear” mixed with blood by Quiet Village, mixtape
Jackson, primeira meia hora na festa da Rádio Oxigénio, ao vivo
Janie Lidell “Game For Fools”, canção
Lindstrom & Prins Thomas “Lindstrom & Prins Thomas”, álbum
Map Of Africa “Black Skinned Blue Eyed Boys”, single
New Young Pony Club “The Get Go”, single
“O Castelo Andante”, Hayao Miyazaki, filme
Strawberry Force Fields Forever, acid house / bleep techno no Passos Manuel, Porto e Lux, Lisboa
Peter Shapiro “Turn The Beat Around – The Secret History Of Disco”, livro
Tim Lawrence “Love Saves The Day – A History Of American Dance Music Culture 1970-1979”, livro
“Rub n Tug Present Campfire”, compilação
DJ Harvey de novo no spotlight
Wax Poetics, revista
Loosers em mudança permanente
Songs Of The Green Pheasant “Nightfall (For Boris P)”, canção
Bobbie Marie “Stay Away”, canção
Whatever We Want, editora
Konono Nº 1, Sines, ao vivo
Sleeparchive”1-4”, singles
“Acid: Can You Jack?”, compilação
Omar-S & Shadow Ray “Oasis Collaborating I”, álbum
Omar-S, Detroit new school
Jamal Moss, Chicago new school
Fiery Furnaces “EP”, álbum
Sterolab “Interlock”, canção
Liars “ItFit When I Was A Kid”, single
Mark Broom “Any Number Between 1 & 17”, remistura de Autechre
Tokyo Black Star “Violent Rush”, música
Ennio Morricone “Crime And Dissonance”, compilação
BBI Elite Force, action figures
“Beat Street” (Atan Lathan), dvd
Ceephax Acid Crew “Fak005”, mini-álbum antigo
Bunker, editora
Kenner, figuras Star Wars vintage
“Das Boot”, Wolfgang Petersen, dvd
Sahko, editora + mixtapes
The Residents “Diskomo”, single antigo
Frankie Valli “Grease”, single antigo
Sei Miguel no concerto de Pop Dell’Arte no Lux
Black Leotard Front “Casual Friday”, single
Andre Agassi vs James Blake quartos de final US Open Ténis

Mário Lopes
[2005 visto e (reouvido)]
!!! @ Paredes de Coura
Adam Green “Gemstones”
Ali Farka Touré @ Monsanto
Amadou & Marian @ Músicas do Mundo, Sines
Andrew Bird @ Lux, Lisboa
Animal Collective “Feels”
Animal Collective @ Floresta do Ginjal, Cacilhas
Arcade Fire “Funeral”
Black Mountain “Black Mountain”
Black Rebel Motorcycle Club “Howl”
Bright Eyes “I’m Wide Awake, It´s Morning”
d3ö “7 Heartbeat Tracks”
Dan Sartain “Dan Sartain vs. The Serpientes”
Destroyer @ ZDB, Lisboa
Devendra Banhart @ Sudoeste
“Dig” Ondi Timoner
The Fall “Fall Heads Roll”
Fiery Furnaces “EP”
Franz Ferdinand “You Could Have So Much Better”
Gary Higgins “Red Hash”
The Go! Team “Thunder Lightning Strike!”
Howling Hex “You Can’t Beat Tomorrow”
Jamie Lidell “Multiply”
Joe Bataan “Call My Name”
Kaiser Chiefs “Employment”
Kanye West “Late Registration”
The Kills “No Wow”
Kings Of Leon “Aha Shale Heartbreak”
Konono Nº 1”Congotronics”
LCD Soundsystem “LCD Soundsystem”
LCD Soundsystem @ Lux, Lisboa
Loosers “For All The Round Suns”
Magnolia Electric Co. “What Comes After The Blues”
Matt Elliot “Drinking Songs”
“No Direction Home” Martin Scorsese
Old Jerusalem “Twice The Humbling Sun”
Panda Bear @ ZDB, Lisboa
Paul McCartney “Chaos And Creation In The Backyard”
Pop Dell’Arte @Fórum Lisboa
Sagas “Rostu Limpu”
Six Organs Of Admittance “School Of The Flower”
Six Organs Of Admittance + Joanna Newson @ Lux, Lisboa
The Skygreen Leopards “Life And Love In Sparrow’s Meadow”
Sons And Daughters “Reputation Box”
Stephen Malkmus “Face The Truth”
Vários “Tropicália: A Brazillian Revolution In Sound”
Weird War “Illuminated By The Light”
The White Stripes “Get Behind Me Satan”
Willy Mason “Where The Humans Eat”

Nuno Galopim
[música > discos > internacional]
Arcade Fire “Funeral
Sufjan Stevens “Illinoise”
Rufus Wainwright “Want Two”
Brian Eno “Another Day On Earth”
Animal Collective “Feels”
Antony And The Johnsons “I Am A Bird Now”
Patrick Wolf “Wind In The Wires”
Franz Ferdinand “You Could Have It So Much Better”
Editors “The Back Room”
Khonnor “Handwriting”

[música > discos > nacional]
Bernardo Sassetti “Alice”
Mariza “Transparente”
Clã “Vivo”
David Fonseca “Our Hearts Will Beat As One”
Rocky Marsiano “The Pyramid Sessions”
Mafalda Arnauth “Diário”
Kátia Guerreiro “Tudo Ou Nada”
The Ultimate Architects “Soma”
Post Hit “Post Hit”
Bernardo Sassetti “Ascent”

Ricardo Sérgio
(música > discos]
Arcade Fire “Funeral”
Architecture In Helsinki “In Case We Die”
Fiery Furnaces “EP”
Sufjan Stevens “Illinoise”
Antony And The Johnsons “I Am A Bird Now”
Franz Ferdinand “You Could Have It So Much Better”
LCD Soundsystem “LCD Soundsystem”
Bebe “Pafuera Telaranas”
Kaiser Chiefs “Employment”
Margarida Pinto “Apontamento”
Frank Black “Honeycomb”
William Shatner “Has Been”
Old Jerusalem “Twice The Humbling Son”
Archer Prewitt “Wilderness”
Factor Activo “Em Directo Do Fim Do Mundo”

Rui Miguel Abreu
[música > discos]
Atom TM “Acid Evolution 1988-2003”
Beat Konducta “Movie Scenes”
Boards Of Canada “The Campfire Headphase”
Common “Be”
David S. Ware “Live In The World”
Dwele “Some Kinda”
Edan “Beauty And The Beat”
Flanger “Spirituals”
Isolèe “We Are Monster”
Harmonic 33 “Music For Film, Television & Radio, Volume One”
Jamie Lidell “Multiply
Joe Bataan “Call My Name”
Kanye West “Late Registration”
Lindstrom & Prins Thomas “Lindstrom & Prins Thomas”
Platinum Pied Pipers “Triple P”
Prince Paul “Instrumental”
Quantic Soul Orchestra “Pushin On”
Quasimoto “The Further Adventures Of Lord Quas”
Roots Manuva “Awfully Deep”
Sharon Jones & The Dap Kings “Naturally”
Shawn Lee’s Ping Pong Orchestra Sound Directions “The Funky Side Of Life”
Steve Spacek “Space Shift”
Thelonius Monk Quartet with John Coltrane “At Carnegie Hall”
Whomadewho “Whomadewho”

[música > discos > compilações]
Juan Atkins “20 Years”
“The Free Design – The Now Sound Redesigned”
“Cold Heat”
“Love’s A Real Thing”
“New Thing”
“Soul Gospel”
The Soulsavers Soundsystem “Staring At The Radio Staying Up All Night”
Mizell Bros “Mizell”
David Axelrod “The Edge”
“Rub ‘n’ Tug present Campfire”
Idjut Boys “Press Play”
Greg Wilson “Credit To The Edit”
“This Is Melting Pot Music”

Vicente Pinto de Abreu
[música > discos]
AGF / Vladislav Delay “Explode Baby”
The Books “Lost And Safe”
Electrelane “Axes”
Jamie Lidell “Multiply”
Jan Jelinek “Komischer Pitch”
Joe Bataan “Call My Name”
LCD Soundsystem “LCD Soundsystem”
Six Cups Of Rebel “Arp She Said”
M.I.A. “Arular”
One Self “Children Of Possibility”
Sharon Jones & The Dap Kings “Naturally”
TBA “Annule”
Who Made Who “Who Made Who”

 
 



A GRANDE ILUSÃO

texto Pedro Santos
ilustração Liliana Mendes

30th century pop

Milhares de horas de polimento acústico nunca poderiam ter criado outra coisa para além do gigante encantamento sonoro que ouvimos na nova obra-prima de Scott Walker.

Scott Walker
“The Drift”
4AD / Popstock, 2006


Não conseguiremos encontrar, hoje, personagem mais enigmática na música do que Scott Walker. Na companhia de Brian Wilson, tem tentado emergir do longo período de reclusão que se seguiu ao fim da época de ouro dos anos 60 – um com Walker Brothers, o outro com Beach Boys. E se os dois norte-americanos são nomes fundamentais para vislumbrarmos uma arquitectura suprema da escrita de canções, um é claramente mais lúcido que outro. Wilson apenas recuperou a sua chama de génio com a remontagem em 2004 da sua obra-prima “Smile”, disco com 40 anos de conceptualização, enquanto que Scott Walker reaparece irregularmente para editar peças-chave da sua muito particular visão musical. Se Wilson é um desajustado em quem notamos um forte desequilíbrio físico e mental, já em Walker é o silêncio que ocupa demasiado espaço nas explicações das suas ausências. Tem sido essa falta de comunicação com o mundo exterior que tem colocado o músico na prateleira dos génios loucos: não dá entrevistas há décadas, conhecem-se poucas imagens e o paradeiro exacto é sempre desconhecido. Enormes suposições tomam o lugar dos factos e quase todas têm sido falaciosas e pejorativas. Numa recente, curta e inesperada entrevista à BBC, a propósito de “The Drift”, muitos são os mitos que caem por terra, mas o principal é vermos o músico totalmente lúcido e comunicativo, mostrando um desarmante humor, explicando todos os equívocos, as ausências e processos de criação e, até, mostrando o desejo em voltar rapidamente aos discos.
Sendo recorrente relembrarmo-nos de Scott Walker como autor dos quatro “Scott”, mais pausa, mais “Tilt”, mais pausa, mais o novo álbum, o discurso demonstra como o mito se sobrepõe à realidade: entre estes marcos, existe um programa de televisão, álbuns menores, incursões pela country, banda sonora para “Pola X”, curadoria do festival Meltdown em 2000 ou a produção dos Pulp. Aliás, não precisaríamos mais do que os factos para perceber que o exílio nunca o foi – talvez tenha sido só o modo mais fácil de lidarmos com o seu peculiar universo. Explicou ainda que os últimos sete anos foram devorados pelo aperfeiçoamento de “The Drift”, deixando que o processo de criação fosse feito com o ritmo adequado. No documentário “Scott Walker: 30 century man”, de Stephen Kijak, ainda por estrear, podemos espreitar o estúdio onde se gravou o álbum durante mais de um ano e perceber o estado de complexa estruturação sonora que foi levado a cabo, compreendendo o trabalho de equipa para uma invulgar montagem e orquestração.
Podemos ver blocos de cimento (ou blocos de som) ou pedaços de carne do talho (ou pedaços de som) a serem testados ao pormenor como elementos de percussão, e esta doentia curiosidade acústica apenas sugere um obstinado desejo de estudo e pesquisa em que os estúdio é, mais uma vez na História da música, o laboratório e veículo principal numa estética sonora vanguardista.
“The Drift” tem de se colocar exactamente onde “Tilt” ficou. Dez anos de pausa, de interregno, mas de progressão silenciosa. De volta ao estúdio para testar novos sons, diálogos, instrumentos, arranjos, mantendo uma voz com impecável detalhe ribombante. O tempo passa a ser uma tela branca sem preparo, sem qualquer esboço que indique o que vai mostrar no final. Vê-se um gigantesco puzzle e uma chuva de sons possíveis que apenas ganham o direito ao seu lugar após exigente escrutínio. Cada som é único e apenas deve servir os seus propósitos imediatos. Scott Walker é livre, a sua música é livre, “The Drift” nasce livre. Não se impõem sentidos proibidos, não vemos setas obrigatórias, nem mesmo indicações que facilitem. Há instinto, é tudo sobre instinto, sobre uma linguagem fluída, nova. Lemos um enredo simples, como uma história com poucas palavras, mas onde todas as palavras têm múltiplos significados. A cada solução é-nos entregue mais uma chave críptica, a cada mistério é-nos confiado um desfecho. Não há castigos ou penitências, é tudo sobre prémios e conqusitas. “The Drift” é um poço vertiginoso de energia condensada que raramente irradia em toda a sua potência. Milhares de horas de polimento acústico nunca poderiam ter criado outra coisa para além de um gigante encantamento sonoro. As suas palavras continuam afiadas, reflectindo uma luz ofuscante no fio do corte. Scott Walker permanece polémico e brutalmente dramático nas citações. Milosevic espreita, o fascínio russo continua presente, “Jesse” fala-nos de alguém que sobrevive à queda das torres em Nova Iorque. Outra torre em Nova Iorque teve um dia um “Cremaster” e a música de Jonathan Bepler – e é esse o único ponto de contacto que consigo fazer com “The Drift”. Dificilmente será um disco para ficar atrás de outro em 2006.






27.1.15

Memorabilia: Revistas / Magazines / Fanzines (19) - Op - Nº 15 - Inverno de 2004


Revista op (visões da matéria)
#15: Inverno de 2004 : ano 4, 2004: 2€
60 páginas


Ver o enquadramento desta revista neste post


O regresso dos balanços pessoais do século XX dá-se agora com as listagens de mais dois elementos da equipa da Op, Mário Lopes e Nuno Galopim

Mário Lopes
[100 discos - Fragmentos de uma discoteca caseira (semana 1 de 10/05)]
13th Floor Elevators - "The Psychedelic Sounds Of..." [International Artists, 1966]
Al Green - "Let's Stay Together" [The Right Stuff, 1972]
Alexander Skip Spence - "Oar" [Columbia, 1969]
António Variações - "Anjo Da Guarda" [Polygram, 1982]
The Beach Boys - "Pet Sounds" [Capitol, 1966]
The Beatles - "Revolver" [EMI, 1966]
The Beatles - "Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band" [EMI, 1967]
The Beatles - "White Album" [EMI, 1968]
Beck - "Odelay" [GeFFen, 1996]
Belle & Sebastian - "If You're Feeling Sinister" [Jeepster, 1996]
Black Sabbath - "Paranoid" [Warner, 1971]
Bob Dylan - "Bringing It All Back Home" [Columbia, 1965]
Bob Dylan - "Highway 61 Revisited" [Columbia]
Bob Dylan - "Blonde On Blonde" [Columbia, 1966]
Booker T & The MC'S - "Green Onions" [Stax, 1962]
Buffalo Springfield - "Again" [Atco, 1967]
The Byrds - "Younger Than Yesterday" [Columbia, 1967]
The Byrds - "The Notorious Byrd Brothers" [Columbia, 1968]
Caetano Veloso - "Caetano Veloso" [Philips, 1968]
Can - "Ege Bamyasi" [United Artists, 1972]
Captain Beefheart - "Safe As Milk" [Buddha, 1967]
The Clash - "London Calling" [Epic, 1979]
Clinic - "Internal Wrangler" [Domino, 2000]
Country Joe & The Fish - "Electric Music For The Mind And Body" [Vanguard, 1967]
The Creation - "Our Music Is Red & Purple Flashes" [Diablo, 1998]
Creedence Clearwater Revival - "Green River" [Fantasy, 1969]
Curtis Mayfield - "Curtis" [Curton, 1970]
David Bowie - "Low" [Virgin, 1977]
De La Soul - "3 Feet High And Rising" [Tommy Boy, 1989]
The Delta 72 - "The Soul Of A New Machine" [Touch & Go, 1997]
Fairport Convention - "Liege & Leaf" [A&M, 1969]
Fleetwood Mac - "Then Play On" [Reprise, 1969]
Frank Zappa - "We're Only In It For The Money" [Rykodisc, 1969]
The Fugs - "The Fugs Second Album" [ESP, 1966]
Gang Of Four - "Entertainment" [EMI, 1979]
Gorky's Zygotic Myncy - "Introducing" [Polygram, 1996]
Grateful Dead - "Aoxomoxoa" [Warner, 1969]
Iggy & The Stooges - "Raw Power" [Columbia, 1973]
The Impressions - "The Young Mods Forgotten Story" [Cutom, 1969]
The Incredible String Band - "Wee Tam & The Big Huge" [Elektra, 1968]
Isaac Hayes - "Hot Buttered Soul" [Stax, 1969]
Jacques Brel - "Olympia 64" [Polydor, 1964]
James Brown - "Sex Machine" [Polydor, 1970]
Jefferson Airplane - "After Bathing At Baxter's" [RCA, 1968]
The Jesus & Mary Chain - "Psychocandy" [Warner, 1985]
Jimi Hendrix - "Axis: Bold As Love" [MCA, 1967]
John Coltrane - "A Love Supreme" [Impulse, 1964]
John Lee Hooker - "Jack O'Diamonds: 1949 Recordings" [Eagle, 2004]
John Martyn - "Solid Air" [Island, 1973]
Joy Division - "Unknown Pleasures" [Factory, 1979]
The Kinks - "The Village Green Preservation Society" [Reprise, 1968]
The LA's - "The LA's" [Go! Discs, 1990]
Led Zeppelin - "II" [Atlantic, 1969]
Lee Hazlewood - "Trouble Is A Lonesome Town" [Mercury, 1963]
Love - "Forever Changes" [Elektra, 1967]
Lou Reed - "Transformer" [RCA, 1972]
The Make Up - "Save Yourself" [K Records, 1999]
Marvin Gaye - "In The Groove" [Motown, 1968]
Marvin Gaye - "What's Going On" [Motown, 1971]
MC5 - "Kick Out The Jams" [Elektra, 1968]
Michael Jackson - "Off The Wall" [Epic, 1979]
Os Mutantes - "Os Mutantes" [Polydor, 1968]
Neil Young - "After The Goldrush2 [Reprise, 1970]
Nick Drake - "Five Leaves Left" [Hannibal, 1969]
Nirvana - "In Utero" [GeFFen, 1993]
Olivia Tremor Control - "Dusk At Cubist Castle" [Flydaddy, 1996]
Orange Juice - "You Can't Hide Your Love Forever" [Polydor, 1982]
Otis Reding - "Otis Blue" [Atco, 1966]
Pink Floyd - "The Piper At The Gates Of Dawn" [Harvest, 1967]
Primal Scream - "Screamadelica" [Sire, 1991]
Prince - "Sign 'O' Times" [Paysley Park, 1987]
Public Enemy - "It Takes A Nation Of Millions To Hold Us Back" [DeF Jam, 1988]
Robert Johnson - "The Complete Recordings" [Columbia, 1990]
The Rolling Stones - "Aftermath" [ABCKO, 1966]
The Rolling Stones - "Exile On Main Street" [Virgin, 1972]
Sam Cooke - "Ain't That Good News" [RCA, 1964]
Scott Walker - "Scott Two" [Fontana, 1968]
Serge Gainsbourg - "Initials BB" [Polygram, 1968]
Sly & The Family Stone - "Stand!" [Epic, 1979]
Sly & The Family Stone - "There's A Riot Goin' On" [Epic, 1972]
The Smiths - "The Smiths" [Sire, 1984]
The Soft Boys - "Underwater Moonlight" [Rykodisc, 1980]
The Soft Machine - "The Soft Machine Vol. 1" [MCA, 1968]
The Sonics - "Introducing The Sonics" [Jerden, 1966]
Spiritualized - "Ladies And Gentlemen We Are Floating In Space" [Arista, 1997]
Stevie Wonder - "Intervisions" [Motown, 1973]
The Stone Roses - "The Stone Roses" [Silverstone, 1989]
Syd Barrett - "The Madcap Laughs" [Harvest, 1970]
T. Rex - "Electric Warrior" [Reprise, 1971]
Talking Heads - "77" [Sire, 1977]
Television - "Marquee Moon" [Elektra, 1977]
Temptations - "Psychedelic Shack" [Motown, 1970]
Tomorrow - "Tomorrow" [Decca, 1968]
Van Morrison - "Astral Weeks" [Warner, 1968]
V/A - "Nuggets: Original Artyfacts From The First Psychedelic Era 1965-1968" [Rhino, 1998]
The Velvet Underground - "The Velvet Underground & Nico" [Verve, 1967]
The Velvet Underground - "White Light / White Heat" [Verve, 1967]
The White Stripes - "De Stijl" [Sympathy For The Record Industry, 2000]
The Who - "Live At Leeds" [MCA, 1970]
Wilson Pickett - "The Exciting Wilson Picket" [Atlantic, 1966]

Nuno Galopim
[Stop Making Sense - Ou uma possível lista pessoal, definida a gosto, a 5 de Outubro de 2005. A 6, seria certamente diferente. E por aí adiante...]
Beach Boys - "Pet Sounds" [Capitol, 1966]
The Beatles - "Magical Mistery Tour" [EMI, 1967]
Love - "Forever Changes" [Elektra, 1967]
Jacques Brel - "Ces Gens Lá" [Barclay, 1967]
The Rolling Stones - "Their Satanic Majestie's Request" [ABCKO, 1967]
Pink Floyd - "The Piper At The Gates Of Dawn" [Harvest, 1967]
Doors - "Strange Days" [Elektra, 1968]
Nick Drake - "Five Leaves Left" [Island, 1969]
Scott Walker - "Scott 3" [Fontana, 1969]
Amália Rodrigues - "Com Que Voz" [Columbia, 1970]
José Mário Branco - "Mudam-se Os Tempos Mudam-se As Vontades" [Guilda Da Música, 1971]
Serge Gainsbourg - "L'Histoire De Melody Nelson" [Philips, 1971]
T-Rex - "Electric Warrior" [A&M, 1971]
Walter Carlos - "Clockwork Orange" [CBS, 1972]
Roxy Music - "Roxy Music" [EG, 1972]
Lou Reed - "Berlin" [RCA, 1973]
Sparks - "Kimono In My House" [Island, 1974]
Brian Eno - "Another Green World" [EG Records, 1975]
Patti Smith - "Horses" [Arista, 1975]
Abba - "Arrival" [Polydor, 1976]
David Bowie - "Low" [RCA, 1977]
Kraftwerk - "The Man Machine" [EMI, 1978]
Sérgio Godinho - "Pano Cru" [Orfeu, 1978]
Tom Waits - "Blue Valentine" [Elektra, 1978]
Adam And The Ants - "Dirk Wears White Sox" [CBS, 1979]
The B-52's" - "The B-52's" [Island, 1979]
Marianne Faithful - "Broken English" [Island, 1979]
Buggles - "The Age Of Plastic" [Island, 1980]
Joy Division - "Closer" [Factory, 1980]
Lene Lovich - "Flex" [Stiff, 1980]
Visage - "Visage" [Polydor, 1980]
Ultravox - "Vienna" [Chrysalis, 1980]
Duran Duran - "Duran Duran" [EMI, 1981]
Teardrop Explodes - "Wilder" [Island, 1981]
The Human League - "Dare" [Virgin, 1981]
Japan - "Tin Drum" [Virgin, 1981]
Heróis Do Mar - "Heróis Do Mar" [Philips, 1981]
Bauhaus - "Mask" [Beggars Banquet, 1981]
Soft Cell - "Non-Stop Electric Cabaret" [Some Bizarre, 1981]
The Sound - "From The Lion's Mouth" [Korova, 1981]
Heaven 17 - "Penthouse And Pavement" [Virgin, 1981]
Klaus Nomi - "Klaus Nomi" [RCA, 1981]
Street Kids - "Trauma" [Vadeca, 1982]
Laurie Anderson - "Big Science" [Warner Records, 1982]
Yazoo - "Upstairs At Eric's" [Mute, 1982]
Associates - "Sulk" [Elektra, 1982]
António Variações - "Anjo Da Guard" [Valentim De Carvalho, 1983]
New Order - "Power, Corruption And Lies" [Factory, 1983]
Tlaking Heads - "Stop Making Sense" [EMI, 1983]
Tears For Fears - "The Hurting" [Mercury, 1983]
Bronski Beat - "The Age Of Consent" [London, 1984]
Echo & The Bunnymen - "Ocean Rain" [Korova, 1984]
The Art Of Noise - "Who's Afraid Of The Art Of Noise?" [ZTT, 1984]
Prefab Sprout - "Steve McQueen" [Kitchenware, 1985]
The Jesus & Mary Chain - "Psychocandy" [Blanco Y Negro]
GNR - "Os Homens Não Se Querem Bonitos" [EMI, 1985]
Scritti Politti - "Cupid + Psyche '85" [Virgin, 1985]
Prince - "Around The World In A Day" [Paisley Park, 1985]
Love And Rockets - "Seventh Dream Of Teenage Heaven" [Beggars Banquet, 1985]
Philip Glass - "Songs From Liquid Days" [CBS, 1986]
This Mortal Coil - "Filigree And Shadow" [4AD, 1986]
The Smiths - "Strangeways Here We Come" [Rough Trade, 1987]
David Sylvian - "Secrets Of The Beehive" [Virgin, 1987]
Front 242 - "Front By Front" [Les Editions Confidentielles, 1988]
Sétima Legião - "Mar D'Outubro" [EMI, 1988]
Dead Can Dance - "The Serpent's Egg" [4AD, 1988]
Momus - "Don't Stop The Night" [Creation, 1989]
The Stone Roses - "The Stone Roses" [Silvertone, 1989]
De La Soul - "3 Feet High And Rising" [Tommy Boy, 1989]
Pixies - "Doolittle" [4AD, 1989]
Depeche Mode - "Violator" [Mute, 1990]
Dee-Lite - "World Clique" [Elektra, 1990]
Pet Shop Boys - "Behaviour" [Parlophone, 1990]
The KLF - "The White Room" [KLF Communications, 1990]
Dream Warriors - "And Now The Legacy Begins" [4th And Broadway, 1990]
Ryuichi Sakamoto - "Beauty" [Virgin, 1990]
Massive Attack - "Blue Lines" [Circa, 1991]
Bill Pritchard - "Jolie" [PIAS, 1991]
The Legendary Pink Dots - "The Maria Dimension" [PIAS, 1991]
Primal Scream - "Screamadelica" [Creation, 1991]
The Disposable Heroes Of Hiphoprisy - "Hipocrisy Is The Greatest Luxury" [4th And Broadway, 1992]
Björk - "Debut" [One Little Indian, 1993]
Leslie Winer - "Witch" [Transglobal Records, 1993]
Pizzicato Five - "Made In USA" [Matador, 1994]
David Bowie - "Outside" [BMG, 1995]
Pop Dell' Arte - "Sex Symbol" [Polygram, 1995]
Portishead - "Dummy" [Go! Discs, 1994]
Três Tristes Tigres - "Guia Espiritual" [EMI, 1996]
David Byrne - "Feelings" [Luaka Bop, 1997]
Yann Tiersen - "Le Phare" [Labels, 1997]
Mafalda Arnauth - "Mafalda Arnauth" [EMI, 1998]
Air - "Moon Safari" [Virgin, 1998]
Divine Comedy - "Fin De Siècle" [Setanta, 1998]
Beck - "Mutations" [Geffen, 1998]
Madonna - "Ray Of Light" [Warner, 1998]
Amon Tobin - "Permutations" [Ninja Tune, 1998]
Mercury Rev - Deserter's Songs" [V2, 1998]
Blur - "13" [Food, 1999]
Magnetic Fields - "69 Love Songs" [Circus Music, 2000]
Radiohead - "Kid A" [Parlophone, 2000]






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