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19.5.16

Memorabilia: Revistas / Magazines / Fanzines (208) - Lime Lizard - Agosto de 1993


LIME LIZARD
UK

Agosto de 1993
Preço: £2,95
Editor: Patrick Fraser

Nº páginas: 92
Papel um pouco maior que A4 a cores e papel brilhante fino





Telefonei a Ivo para escritório da 4AD da Califórnia, onde ele se encontrava a passar duas semanas. Eu, entretanto, estou instalado nos escritórios deles, em South London, numa sala bela e espaçosa, dominada por uma extraordinária pilha de equipamento hi-fi. Ivo é amigável e loquaz, orgulhoso e entusiasta acerca da música que edita.
Em 1986, disseste que estavas a editar a música mais original e excitante dessa época; pensas que ainda o continuas a fazer , nos dias de hoje?
“Sim, na maioria dos caos. Especialmente durante este ano.”
Que bandas me particular?
“Os Red House Painters, para o meu gosto pessoal. Mas, sabes, tudo o que editámos ou finalizámos até aqui faz-me ficar delirantemente feliz com: The Breeders, Dead Can Dance (novos álbuns serão editados no Outouno), Belly... pessoalmente gosto muito do disco do Frank Black – sei que não é a coisa mais popular na Inglaterra neste momento – e His Name Is Alive, claro.”
Parece que o álbum dos Red House Painters preencheu um vazio; é um álbum realmente incrível...
“É – apesar de eu não pensar que vá vender muito. É como, eu olho para a mentalidade futebolística e isso não existe no meu interior algo que consiga compreender porque é que as pessoas vão assistir a jogos de futebol. Da mesma forma, compreendo que não existe no íntimo da maioria das pessoas algo que os faça responder e compreender e gostar do tipo de música que o Mark Kozelek faz.”
A 4AD alterou, ao longo do tempo, aquilo que tu imaginavas que iria ser?
“Nunca pensei nisso, mas não poderia nem conseguiria acreditar que iria editar a quantidade e qualidade de discos que foi feito. Foi tudo muito para além do que os meus melhores sonhos poderiam fazer-me esperar.”
Agora que tens bandas com tanto sucesso na editora, estás já acima dos constrangimentos financeiros com que te costumavas preocupar?
“Oh, não. Foda-se, não, porque o que aconteceu então é que toda a gente se envolveu com agentes e advogados. O tipo de fundos que as pessoas precisam antecipadamente multiplicou de valor por vinte ou trinta vezes. É absurdo. Tens uma situação onde uma banda venderá milhões e milhões, e a indústria é atraída, como que magneticamente, para esse tipo de música, sem discriminação, sem qualquer tipo de entendimento.
Não podes acusar as pessoas por lucrar, por tentar tirar dividendos da absurdez desta indústria, mas penso que isso não é saudável para a música.
“É fácil para mim dizer que o barómetro do sucesso é o artigo acabado antes de alguém sequer o ouvir, mas a maioria das pessoas precisa e quer ter a aclamação de todo o mundo, posições nas tabelas de venda, etc. Assim, de forma a manter e aguentar tudo isso, foda-se, nós somos apenas como uma companhia de gravação tradicional!”
Tens planos para fazer mais coisas sob a capa “This Mortal Coil”?
“Não, This Mortal Coil já não existe como projecto e por agora comecei os Son Of This Mortal Coil, ou que diabo seja que lhe iremos chamar! – Não tenho intenções de trabalhar com ninguém da 4AD, de facto é bastante importante que assim seja.”
Então estás a trabalhar em coisas novas.
“Pensei nisso durante anos, e Deus abençoe Warren DeFever por me ter dado um pontapé no cu mensalmente e dizer ‘Faz qualquer coisa!’ Fui para um estúdio na Escócia por alguns dias e ensaiei algumas peças, interpretações de músicas de outras pessoas, conseguindo 5 canções. Espero que seja principalmente acústico, e quero trabalhar com muito menos pessoas num disco. Tive um monte de ideias este fim de semana no deserto. Um dos grandes bónus de se viver na Califórnia é que o deserto está tão acessível, e tu podes ir para lá e pensar nas coisas...”
Tens algumas teorias sobre a razão de ter uma tal explosão da música ‘indie’ a transformar-se em mainstream nestes últimos anos – porque me parece que isso aconteceu com a 4AD e com os Pixies muito antes dos Nirvana.
“Haverá sempre alguém que incorporará uma data de trabalho e criatividade que foi feita antes. Ninguém é único, e obviamente os Pixies pagam tributo a bandas como aquelas em que esteve Bob Mould – É apenas uma questão de tempo para que as coisas sejam filtradas. E depois há sempre uma segunda e terceira geração depois dos originais... os Velvet Underground são o exemplo clássico. Ou os Big Star, foda-se! Mesmo até há 4 anos atrás ninguém conhecia os Big Star. Às vezes isso preocupa-me, obviamente não por mim, porque eu estou a tirar prazer disso, mas por causa de pessoas como Kurt Ralske ou His Name Is Alive. Quantos Velvet Underground ou Big Stars trabalhámos nós?”

“Eu fiz uma grande porcaria às dez e meia desta manhã”, começa a responder a uma particularmente estúpida questão acerca da peça preferida da sua própria obra.
Não a espécie de comportamento que esperes do príncipe do redemoinho, capa misteriosa, Vaughan Oliver. A sua auto-depreciação da própria inteligência (a citação de Tommy Cooper “vidro, garrafa, garrafa, vidro” do prefácio do seu catálogo de exposição em França, ao lado de outra do fotógrafo parisiense Robert Doisneau) meramente se adiciona ao enigma que ele criou para a companhia de discos que emprega os seus serviços. Nos últimos 12 anos Vaughan coordenou e realizou o design das capas para a famosa etiqueta independente 4AD, envolvendo a música dos Pixies e dos Lush, entre outros, com profundidade de ideias e também alguma provocação à mistura.
Capas genuínas de discos mantêm-se em alta estima de todos, formando parte da recente exposição Twentieth Century, no V&A.
Apesar dele e da sua equipa de designers, a V23, tenha também feito trabalhos para outras áreas (capas de livros, posters de exibições e, de forma bizarra, designa de apresentação para o agora em dúvida ramal ferroviário de King’s Cross / Chunnel) ele é ainda mais conhecido por aquilo que criou para a 4AD e dentro dos quadrados de 12 polegadas de cartão que envolvem os discos – trabalho que destrói a imagem do disco como mero produto de consumo.
Ele fornece um lado físico à música que a imagem complementar é escolhida para rodear – uma pista visual dos sons no interior, ajudando o ouvinte a apegar-se mais ao disco e à arte da capa como uma entidade artística única.
“A razão principal por que faço isto é que eu irei comprar a maior parte da música, de qualquer forma. Não é como se estivesse a trabalhar. Sou genuinamente inspirado pela música e coloco uma capa num disco que estará na minha colecção em casa e por isso quero que seja uma coisa que valha a pena. Não há nada pior do que uma peça de música com uma capa de merda nela – apenas te afasta dela. Eu pretendo tornar a música o mais próxima das pessoas possível.”
O cliché acerca da arte das capas da 4AD é que é um cliché por si próprio. Sobre-desenhadas, imagem de marca da etiqueta discreta sem lugar a preocupações com o seu baixo custo, um beco indie lo-fi. Mas a marca semigenérica dada por Vaughan e os seus contemporâneos dos anos 80, a etiqueta Postcard Records da Escócia e Peter Saville na Factory, formaram os Mandamentos para a adesão quando se pensa em formar uma pequena etiqueta independente. A Too Pure, Wiiija e a Sub Pop dos seus inícios, têm todas as suas capas com um débito a esses pioneiros na sua abordagem. A influência de Vaughan alargou-se ainda mais. As páginas do catálogo do obscuro designer de moda belga Wim Neel’s, supostamente feitas nos escritórios de todo o mundo, são quase-reproduções do trabalho de Vaughan para o primeiro LP dos This Mortal Coil e para os Cocteau Twins, era Garlands.
E isto é apenas um exemplo entre dezenas de capas de discos, capas de livros e catálogos que incorporaram a sua arte gráfica. Vaughan reconhece a frequentemente criticada consistência entre as suas capas para artistas individuais e para a 4AD como um todo, mas apesar disso dar a uma empresa “sem face” identificativa e que está no mercado, alguma identidade e personalidade, ele arrepende-se o efeito que frequentemente lhe é apontado.
“Em certo sentido, eu devia ter evitado essa identificação da editora porque entra depois em conflito com as personalidades de cada banda de per si. No final do dia, se as pessoas respondem ao logótipo na contracapa, o facto é que é um disco da 4AD, então isso é bom. Mas isso tende a dar às pessoas uma ideia pré-concebida de como tudo será e soará. Mas numa análise sobre a criatividade, é muito difícil fazer tudo completamente diferente.”

Vaughan colabora com uma vasta gama de artistas na sua empresa V23 e a sua equipa parece toda ela partilhar os mesmos ideais quanto à boa arte, enquanto trabalham num contexto de artes gráficas comerciais. É o que faz a V23 tão diferente e única e permite que um humilde designer de uma capa de disco seja aclamado nas suas aparições em França (com apoio do Ministério da Cultura Francês) e no Japão.
Quer a sua opinião seja a de que o que Vaughan realiza é realmente arte, o seu impacto é indiscutível e criou uma imagem que se destaca no meio da infinidade de edições discográficas. Ele acredita firmemente que “não consegues ter o mesmo impacto com as capas dos CDs. Toma como exemplo as capas dos Pixies, onde existe uma fotografia de um cão, ou de um bebé a chorar, ou o que quer que seja. Há um elemento de choque numa coisa como essas – que é incrementado quando passas para o tamanho do poster. Se o passares para o tamanho do Cd fica logo inestético e diluído”.
Podemos estar a falar de tecnologia ultrapassada, mas há qualquer coisa de orgânico quando se trata do tal quadrado de cartão com 12 polegadas de lado. Tu precisas e queres ter muito cuidado com ele, o que te dá um envolvimento muito mais pessoal com o objecto/disco, se fores um velho sentimental como eu. Ou Vaughan.
“Sabes, levas o teu disco para casa, tiras a capa interior e metes de novo o vinilo dentro dela e oh! É um sentimento muito forte e agradável! Muito mais do que abrir uma caixa de plástico de um CD e ficares com uma coisa pequena na mão. Como objecto é muito mais apetecível.”
Pronto para dar a sua contribuição artística em outros media (o actual calendário da 4AD e uma série que vai sair de capas para livros para a editora Serpent’s Tail, só para citar dois exemplos), Vaughan e V23 transformam artigos de consumo em artigos de que tu nunca mais vais querer separar-te. Ele está a lutar na retaguarda contra a pressão para consumir e dispensar cada vez mais os objectos – simplesmente colocando o seu amor à música em utilização e de uma forma construtiva.
“Sabes, eu passei/dei doze anos da minha vida a peças de cartão quadradas com doze polegadas,” diz Vaughan, “falando muito a sério acerca de uma peça de memorabilia.”
O terceiro poster da série 23 Envelope, será disponibilizado ainda este ano.



A 4AD está a celebrar 30 anos como incubadora natural de música de qualidade, esplendidamente apresentada. Lucy Cage e Razor olham para trás sobre a história lustrosa da editora, Lucy Cage falou com Ivo Watts-Russelll acerca das suas inspirações, enquanto Gareth Grundy se encontrou com Vaughan Oliver, da 23 Envelope.

A menos que seja confrontado por uma daquelas perguntas de questionário “Que Discos Mudaram A Sua Vida?”, não é provável que a evolução do seu gosto musical venha à tona e seja objecto de escrutínio público. E mesmo assim, pode sempre mentir. Mas não se você for o patrão da 4AD, Ivo Watts-Russell. A história da sua estética pessoal está gravada em vinilo para todos poderem ouvir. Felizmente, quer para ele quer para nós, o seu ouvido conduziu-o a trabalhar frequentemente com as melhores bandas de diversos géneros, ou até, frequentemente, com bandas cujos discos e aparição na cena musical definiram elas próprias um novo género. A 4Ad tornou-se num símbolo de qualidade e integridade num mercado geralmente com menos cuidados com o consumidor.
Oh My Goth
É fácil esquecermo-nos que a etiqueta que renovou os gostos, com música etérea de bandas como os Cocteau Twins, os naquela época deliciosamente sensaborões Bauhaus e os Birthday Party. Claro que, naqueles tempos até os Cocteau Twins eram góticos. O seu álbum de estreia – Garlands (1982) – é marcadamente repetitivo, carregado de ira e geralmente fornecia razões para comprar antes (ou a par) o EP dos Sisters Of Mercy “Reptile Houde”. Os Birthday Party utilizavam uma abordagem mais guerilheira, espalhando cacos de horror como o lentamente triturador “The Friend Catcher” ou a lasticidade monstruosa de “Mr. Clarinet”. Algures no meio encontramos os Bauhaus de Peter Murphy, mestres do humor negro em vez da magia negra, com canções doidas mas sem expressividade como “God In An Alcove”, “Small Talk Stinks”, “Telegram Sam”. Quando os Bauhaus partiram para a companhia mãe Beggars Banquet, em 1981, levaram consigo o co-fundador Peter Kent com eles e a 4AD tornou-se (virtualmente) uma editora autónoma sob o domínio de Ivo.
Atacados Pela Imprensa
Sem surpresa, a maioria das edições iniciais da 4AD foram singles. Ao lado de discos de bandas como os Modern English e os Birthday Party – a espinha dorsal da sua lista em desenvolvimento – estiveram lá muitas bandas de um só disco, o que fazia parecer que a editora estava a flexibilizar o seu estilo. Entre eles estava o 12” pelos já extintos Rema-Rema, uma das canções que seria mais tarde refeita e editada no primeiro LP dos This Mortal Coil, e cuja formação incluía Marco Peroni, que mais tarde se juntou aos Adam & The Ants e Gary Asquith, agora com os Renegade Soundwave; enquanto Mark Cox e Mick Allen formaram equipa com Andy Gray para constituir os In Camera -  - um outro grupo estranho da 4AD, que trabalhava nas franjas do pop psicológico – para formar os Wolfgang Press. Considerando que Allen descreve ele próprio a banda como “quase um hobby” durante os primeiros anos da sua existência – quando ela produziu uma linha de, moderadamente, - discos inacessíveis – isso é testemunho da força de Ivo e da sua forte convicção neste último sobrevivente da 4AD, neste período de “Raincoat”, em que os Wolfgang Press sairam com um álbum de brilho incontestável: o subtil Bird Wood Cage, de 1988,. Com “Queer”, o qual – paradoxalmente – Allens reconhece como o mais experimental depois do seu primeiro, Foi o que fez os Wolfgang Press atingirem o mainstream, vingando retrospectivamente anos de ostracismo imerecido.
Pinte Com Qualquer Cor Excepto O Preto
O que tem de especial o dubpop cool de caixas de ritmos dos Colourbox que atraíram a atenção de Ivo no mesmo ano em que assinou com os Cocteau Twins? “Não faço a mínima ideia”, revela elusivamente Martin Young, o líder da banda na sua primeira entrevista da última meia década. Na altura, eles eram conhecidos como uma editora negra e assustadora. Nós nunca lhe envia ríamos uma demo tape.” Mas um nosso amigo enviou, e os Colourbox puseram cá fora um álbum que, com um fluxo lento mas constante, no meio do material da 4AD, alcandorou o sucesso entre ’82 e ’86.
Aplicando chocantes excessos de efeitos de estúdio – atrasos de voz sonantes, estranhas paragens, efeitos electrónicos fantasmáticos – Às suas canções pop cheias de soul, ou passando meramente diálogos de filmes, iluminou as suas canções de forma infecciosa (uma vez ouvidas..., tentem o seu “Official World Cup Theme”, nunca mais nos saem da cabeça). Mas foi preciso esperar por 1987 e a colaboração entre MARRS e A.R.Kane para os Colourbox conseguirem os seu primeiro (e da editora) número um no top.
“Eu não quero acreditar que o Martyn e o Steve Young – tão talentosos – não tivessem encontrado a inspiração para acabar alguma coisa”, diz Ivo tristemente. Não houve produção dos Colourbox desde “Pump Up The Volume”. Paguei-lhes adiantadamente para fazerem o álbum seguinte. Se Martyn alguma vez acabasse alguma coisa, eu editava, mas parece-me que cada vez mais isso se está a tornar menos provável.”
Martyn admite: “Eu passei por um longo período em que o meu interesse pela música foi nulo”. Mas ele está agora a trabalhar em material novo, embora não deva sair sob o nome de Colourbox. E já não se sente mais intimidado pelo seu hit. “Certamente que não devo e não vou tentar repeti-lo. É melhor que tenha morrido e fique enterrado, na verdade”. Dito isto, à custa dele foi-nos permitido viver durante seis anos. Esse aspecto da questão está ok!”
Vivendo Num Mundo Etéreo
Depois de Garlands, foi-se tornando gradualmente claro que os Cocteau Twins tinham um lado mais forte na sua música. Nos EPs “Lullabies” e “Peppermint Pig” os sons da bateria eram ainda mais crocantes, a guitarra de Robin Guthrie ainda guinchava e dava a base, mas as harmonias começaram a ser mais quentes, e essa característica vocal de contraponto, obtida com a técnica de overdub, de Liz Fraser veio para a frente. Em Head Over Heels (1983), o processo de género-fracassado estava concluído quando eles prenderam a máquina de ritmos através de um efeito de reverberação em vez de apenas um delay. O resultado? Um afofamento. Mas que magnífico, apocalíptico afofamento ele foi: o espírito do Etéreo estava entre nós.
Elevar A Morte
Os Cocteau Twins tornaram-se a banda da 4AD que mais vendia e a principal banda no papel de atrair novos ouvintes para a editora (com a qual eles estavam fortemente identificados). Além deles, isto é, de um duo Australiano – largamente ignorado até aqui, mas certeiramente incensado no resto do mundo – conhecido como Dead Can Dance. Se os Cocteau Twins tinham as suas raízes no Gótico, a principal inspiração dos DCD era estritamente gótica: tímbalos e pandeiretas, metais e instrumentos chineses combinados com a voz angélica de Lisa Gerrard e mais os tons base de Brendan Perry, que relembra a história:
“Na Austrália não havia muito interesse no tipo de música que estávamos a fazer, por isso decidimos vir para a Europa – Conhecíamos a 4AD através dos dos Birthday Party. Apesar de termos enviado uma demo para quatro companhias, a 4AD foi a única que nos deu uma resposta positiva. Recebemos uma carta do Ivo, mas na altura ele não estava em posição de nos ajudar. Isso foi por volta de 1982. Mas mantivemos o contacto.”
Em 1984 quer a banda (orquestra é uma palavra que talvez mais se ajustasse) e a editora estavam prontos para uma relação de trabalho. Apesar de o seu álbum inicial ser um pouco sombrio, não é exagero dizermos que todos e cada LP subsequente dos DCD é perfeito. Desfalecimento.
Dreampop
Na altura em que fizeram Heaven Or Las Vegas, os Cocteau Twins redefiniram-se novamente: Com as suas fortes linhas que agarravam o ouvinte, batidas balanceantes e grandes vendas, este é um álbum eminentemente pop. Ao lado de My Bloody Valentine, o som dos Cocteau – apesar de inimitável – influenciou uma onde de novas bandas, desde a muito analisada ‘blissed-out pop’ dos A. R. Kane, Lush e Pale Saints e os shoegazers, Guthrie mostrava progressivamente sinais de suaves mudanças e os arpeggios tornaram-se definitivamente um tipo particular de indie-pop.
O Céu Vermelho Não Pode Esperar
Quando as Throwing Muses assinaram, em 1986, elas representaram uma mudança definitiva de direcção por parte da editora. “Ivo, que é o único executivo editorial, que conheci, que ouvia realmente as demos – e ainda o faz – chamou-nos”, relembra Kristin Hersh.
“Nós éramos um bando de miúdos a viver em Boston – havia dezanove pessoas a viver no mesmo apartamento – e tínhamos todos dezassete anos ou perto disso. Ele chamou-nos e disse “Isto é Ivo”, e eu não percebi o que ele queria dizer. Pensei que era um dos namorados de Leslie (Langston, a baixista original dos Throwing Muses). Nós mantivemos uma lista de todos os namorados de Leslie e que eram suposto saberem, algum deles, onde Leslie se encontrava quando precisávamos dela, e que era suposto mentirem também. Assim, eu limitei-me a sussurrar “Uh-huh...?” Ele disse que tinha gostado da demo, mas que não assinava com bandas americanas. Eu fiquei tipo “Ok, bem, seja. “Bye ‘Ivo’”. Eu nunca tinha ouvido aquele nome também. Então ele voltou a contactar umas semanas depois e disse. “Ainda é uma boa demo, mas eu também ainda não assino com bandas americanas”. Eu fiquei tipo “Quem é este maluco?” Então, finalmente, ele chamou-nos de novo e disse “Okay, eu vou assinar com uma banda americana MAS apenas para um disco.”
No seu aclamado disco de início, as canções de Hersh desgastavam e impacientavam entre arrebatamentos delirantes e dançáveis de estábulo, country e western lamentoso e ritmos nervosos, tudo com uma cativante imprevisibilidade. Na altura da edição de Real Ramona em 1991 a banda soava mais segura e confiante mas ainda assim inclassificável, produzindo canções pop entre os seus dentes e preocupações introduzidas com uma guitarra frenética e harmonias bizarra, de tão assustadoras que eram.
De Barriga Lisa
A meia-irmã de Kristin, Tanya Donelly, abandonou as Muses em 1992 para se concentrar na sua própria banda. Belly conquistou o seu caminho para os corações dos ouvintes com a voz sussurrante de Tanya e a força pura dos seus ganchos pop. Canções como ‘Low Red Moon’ e ‘Dancing Gold’ do primeiro EP utilizam guitarras límpidas que deslizam e arranham à volta de vocalizações sussurrantes que nos contam histórias de forte desolação. Belly tem na capa um sorriso tão grande como uma talhada de melancia, e as linhas de guitarra são tão irresistivelmente charmosas que até as letras torcidas como eram soavam doces na terra da MTV.
Baixando Até O Bunuel
Tal como as Throwing Muses, os Pixies eram originários de Boston e trouxeram a 4AD na direcção pop/rock, apesar de sempre à beira do precipício. Ivo relembra: “Lembro-me da altura em que me deram a primeira demo dos Pixies: estava em Nova Iorque, fazendo uma caminhada e divertindo-me imenso, mas a pensar “Será que isto é muito próximo do rock & roll? Será que me quero envolver com isto?” Foi a Deborah, que trabalhava na 4AD, que me disse que eu não devia ter esse tipo de dúvidas estúpidas. “Os ganidos inarticulados de Black Francis e a guitarra guinchante de Joey Santiago formavam um apreciável conjunto apesar assombrar a audiência. Os caracteres fora de ordem que habitavam as canções dos Pixies poderiam muito bem trepar até contos de fadas de um mundo paralelo esquisito. Mick Allen dos Wolfgang Press rogou para que assinasse com eles um contrato. “Eu penso que ele trouxe para a frente pessoas que possivelmente nunca ninguém teria ouvido, e em certo sentido os Pixies foram o princípio do grunge. Com toda a certeza, Surfer Rosa é um dos melhores discos desse tipo de música. Uma série de grupos pegaram no que eles estavam a fazer e nas possibilidades que eles levantaram.”
A Comichão Do Décimo Terceiro Ano
O gosto impecável de Ivo conduziu-o recentemente a um ângulo mais orientado para as canções: “Eu penso que o mundo já não precisa de mais grupos americanos liderados por um guitarrista, em que tu não consegues perceber as palavras. Eu agora estou mais numa de música mais espacial e acústica.” O seu projecto This Mortal Coil é patente o testemunho reverente que ele presta em The Song – em cada um dos três álbuns dos TMC encontramo-la estirpada profundamente até aos ossos frágeis, tocada e cantada com uma elegíaca (e apropriadamente gótica) adoração, embelezada com veludo auditivo. As assinaturas recentes da editora foram Heidi Berry e Red House Painters, ente outros, que exemplificam a nova onda da editora. As canções elegantes e gentilmente nostálgicas de Berry, com um fundo plangente de cordas e piano, são reminiscentes do herói de Ivo, Nick Drake, assim como de Joni Mitchell; enquanto Mark Kozelek dos Red House Painters escreve com uma melancolia autobiográfica, as suas letras desconfortavelmente abertas, complementadas subtileza calma da sua música baseada na guitarra.
A nova estrela da editora é o freak Mark Robinson dos Unrest, que tem a sua própria editora em Washington DC – TeenBeat – que ainda mantém os direitos para editar os singles 7”. Os Unrest acabaram de gravar um novo álbum para a 4AD, apesar de Mark vangloriara-se “Vamos editar uma caixa de seis 7” do álbum na TeenBeat”. O seu pop aparado tem mais em comum com os preferidos pelos fanzines, como os Tsunami ou os Velocity Girl do que com os colegas de editora, mas estando na 4AD tem as suas vantagens: “Tínhamos sempre pelo menos uma pessoa em cada concerto nos Estados Unidos com uma t-shirt dos Cocteau Twins ou dos Lush vestida. As pessoas iam aos nossos concertos só porque estávamos na 4AD”.
Apesar da partida dos Cocteau Twins e da fragmentação dos Pixies, é ainda muito cedo para demover a 4AD de ser a editora independente mais vital em todo o mundo. Ivo está excitado o suficiente com a sua lista de bandas para pôr juntos alguns artistas menos conhecidos nos concertos de Julho no ICA, sob o lema “A Sarna dos Trinta Anos”: “Isto pode ser um momento breve em que uma grande parte destas pessoas podem tocar juntas e divertir-se; O ICA é suficientemente pequeno que não importa quem é o cabeça de cartaz ou outra coisa qualquer. Apenas interessa aparecer e dizer, “Bem, isto é aquilo que nós fazemos”, e sentir-se muito orgulhoso por isso durante uma semana.”

Discografia Essencial, Tal Como Recomendado Próprios Integrantes da 4AD
IVO:
Cocteau Twins – Heaven Or Las Vegas LP
Red House Painters – Red House Painters LP
His Name Is Alive – Home Is In Your Head LP
MICK ALLEN:
Pixies – Surfer Rosa LP
Dif Juz – Huremics LP
Cocteau Twins – Heaven Or Las Vegas LP
BRENDAN PERRY:
A.R.Kane – Lolita EP
The The – Burning Blue Soul LP
Michael Brook – Sleep With The Fishes LP
MARTYN YOUNG:
Modern English – Swans On Glass
Cocteau Twins – Head Over Heels LP
Pixies – Velouria EP
KRISTIN HERSH
Pixies – Come On Pilgrim LP
(“Prefiro não dizer mais pois seria injusta para muitas outras pessoas que teriam de ficar de fora”)
MARK ROBINSON:
The Tintwistle Brass Band – 7” of two Pale Saints’ songs as played by a brass band...
In Camera – 13 (Lucky For Some) LP
Lush – Scar LP
Modern English – After The Snow LP






2.2.16

Memorabilia: Revistas / Magazines / Fanzines (156) - Lime Lizard#???


Lime Lizard
Nº????
OCTOBER - 1993
£2.95

UK
92 páginas
formato um pouco maior que A4

Revista totalmente a cores e de papel brilhante, tudo de alta qualidade. Capa com papel mais grosso e interior de papel mais fino, menor pesagem.
POSTER em formato A2: One Dove



Stereolab
stere'o babies
Os Stereolab já editaram tantos discos na sua curta carreira que eles próprios já não sabem quantos foram. Nick Terry deu um salto a Brixton para falar com Tim e Laetititia acerca do situacionismo, da crise e da 'repetição espontânea'.

"Eu gosto disso como um caroço denso, uma protuberância primitiva da música, " diz Tim Gane. "O modo como fazemos o disco não é nada projectado. As canções vêm frequentemente do som que eu imagino que estará ali, como o som de... não de um instrumento em particular, mas uma espécie de caroço daquele bloco de música, com um ritmo sob ele. Eu não quero fazer parte de uma banda de guitarras."
É um músico raro de facto que descreve o seu trabalho como primitivo, mas no caso dos Stereolab, não é assim tão inadequado. Os Stereolab têm tudo a ver com o drone - o efeito hipnótico de uma canção pop, um riff de teclado marado, um pântano lo-fi.
"Eu gosto do facto de teres carradas de pequenas melodias, " continua Tim, "para mim é como um milhar de pequenas melodias a cristalizarem um pouco e desaparecerem e não irem nunca para iriam de uma forma mais normal. Não são realmente as canções que são importantes, é a ideia da banda. Alguém me perguntou recentemente qual era a minha canção ideal, favorita, e eu disse que não tinha uma canção favorita, é um som."
"Ali está aquilo," interpõe-se Laetitia, "mas também como compositora de canções que escreve a canção, podemos obter belos sons, mas se não há canção por detrás isso pode tornar-se um pouco aborrecido. Também escreves canções. Penso que estás a tentar obscurecer esse facto!"
Isto acontece muitas vezes.. O Tim fará queixas expansivas e vagas acerca dos da música dos Stereolab, apenas para fazer-se de criança, criticado e corrigido por Laetitia. Isso torna a entrevista engraçada; Também deixa lugar para uma variantes de interpretações.
Ao vivo, os Stereolab evocam uma série de descrições parciais e semi-contraditórias. O grupo de cinco elementos, groove, drone, palpitação, canções vocalizadas, melodias, mantras de uma nota só. Pontos de referência incluem os Band of Susans, Spacemen 3, Flying Nuns, bandas como os Snapper e The Chills (o ex-baixista dos Chills Martin fez uma perninha recentemente na banda); comparações com bandas mais antigas poderão conduzir aos Modern Lovers ('Roadrunner'), Beach Boys, Velvets, Neu, Faust, Can. Ainda que para cada grupo Tim admita essas influências que são depois deformadas na sua ideia original, há todo um outro conjunto de razões pelas quais os Stereolab não soam como essa banda.
"Eu não me importo se sabem que eu gosto dos Neu," encolhe os ombros Tim. "Pensam que eles chegaram até nós aos trambolhões, mas nós somos mais originais que uma banda que se diz original. As pessoas suspeitam realmente das influências. Tudo está aberto a ser usado e reutilizado, através, por exemplo da colagem ou montagem."
"Não penso que as pessoas pensem que nós somos dos Sixties," diz Laetitia. "Ouço mais pessoas a dizer que a nossa música é nova do que as que dizem que é antiquada."
A grande diferença entre os Stereolab e uma banda retro é a sua elevada taxa de produtividade, and, fluindo nesse aspecto, a sua quase completa falta de preciosidade.
"Uma coisa que eu não gosto no facto de editar álbuns é que tens aquela pressão psicológica para fazer um disco peculiar e eu odeio fazer isso," diz Tim, "porque nós apenas gostamos de fazer os singles quando temos um dia para os gravar."
"Penso que a melhor energia que podes obter na música é a primeira vez, a primeira depois de teres praticado, de forma a poderes captar isso no disco," diz Laetitia. "Nós fizemos ainda melhor recentemente gravando um single para a Sub Pop, sem nenhum ensaio prévio, basicamente ninguém sabia nada, excepto o Tim e eu, o que estavam a tocar como deveria sequer soar.. Quantos singles já fizémos, Tim?"
"Não sei. Reconheço que devemos ter escrito cerca de cem canções em disco."
"Verdade?! Tantos! Não, não... talvez setenta."
"Bem, pensando, creio que fizemos 4 álbuns CD compilação cheios de singles. Devido ao facto de gravares tantas canções, tendes a não te focar em nenhuma coisa em particular. Se alguém lança um outro álbum que demorou dois anos a gravar/fazer e toda a tensão estará concentrada aí, não é? Eu prefiro as faixas que fazemos à primeira, como o single com os Nurse With Wound."
Vêem? Eles podem até concordar na quantidade que já gravaram, deixemos de lado pois o modo como soa a música.


A relação dos Stereolab com a Too Pure (através da qual lançaram Peng! e o mini-álbum The Groop Played Space Age Bachelor Pad Music) agora fechada, obrigou a banda a assinar um acordo global com a Warner, deixando de lado o seu United Kingdom para a sua própria editora, a Duophonic. Tal como a música que tocam, a sua carreira até agora tem sido sobretudo um deixar andar e percorrer o caminho que lhes surge pela frente, de tal forma que é extraordinário e difícil de compreender o como se tornaram grandes duma forma tão discreta. Também torna difícil sacar as edições correntes para fora do continuum e manteres-te a par de todas elas, como fazes com qualquer outra banda normal, mas o single 'Jenny Ondioline' e o álbum Transient Random Noise Bursts With Announcements são, diga Tim o que disser, excepcionais. Abrangendo toda a gama de comparações mencionadas até aqui, embelezamentos como samples, pedaços de fita magnética, efeitos de vocoder, deixa-o numa indecisão firme entre o lo-fi e a precisão estilo-MBV, como os His Name Is Alive no seu melhor.
"Não sei," diz Tim, "o modo como o gravámos, tudo foi escrito e ensaiado em duas semanas antes de gravarmos o LP, não havia nada escrito antes disso, foi realmente tudo muito rápido."
Muitas pessoas associam a música espontânea com improvisação, espalhando-se por tudo e mais alguma coisa, mas a vossa é uma espontaneidade repetitiva.
"Essa é a restrição que obtivemos. Não se trata de sair dos limites, ou se é, é acerca de de fazer as coisa muito... tu podes improvisar com apenas uma nota. Uma improvisação de trinta notas significa pôr o mais que puderes na música, e eu realmente gosto disso, como os Thinking Fellers, mas nós não somos bons nisso, é tão simples como isto."

Num encontro que tivemos há tempos, numa festa do ano passado, Tim confessou-me que citaria movimentos artísticos como Dada e o Situacionismo como influências, inclinando-se contra o balcão do bar e discutindo o surrealismo, e sem ser conversa de bêbedo.
"Obviamente não do ponto de vista musical, mas do ponto de vista inspiracional, sim. É apenas a ideia de fazer algo que não foi ainda feito, ou coisas melhores do que tu provavelmente és capaz. Com os Situacionistas, havia a ideia de pôr dois elementos completamente opostos e juntá-los num só, ou mudar as coisas de forma subtil, tal como mudar algumas letras num aviso pode alterar completamente o seu significado. Esse tipo de pequenas travessuras atrai-me... tal como eles quando iam em manifestações e em vez de gritar 'revolução!' gritavam 'chocolate quente, comprem o vosso chocolate quente aqui' Uma outra coisa é a ideia da anti-estrela. Eu penso realmente que alguém com uma ideia pode realmente fazer coisas boas, o que não tem nada a ver com a ideia que nasceste para ser uma estrela. O que de facto essas pessoas acabam por transmitir é que que soam a toda a gente que é realmente uma estrela, uma visão muito estreita do que uma estrela é."
"Enquanto que algumas pessoas realmente têm carisma," acrescenta Laetitia.
"A tirania da musicalidade é também algo a ser combatido frontalmente, aquela ideia que a menos que estejas treinado e sejas bom tecnicamente..."
"Mas a também a tirania em sentido lato," acrescenta Laetitia. "Apenas tirania e ponto final. Há a tirania que infligimos a nós próprios também, aquela que começa em casa até à do estado, que deve ser combatida ferozmente."
Laetitia é como um tição de sossego e calma. Já notada por uma linha de Peng! que diz qualquer coisa como "civilização cristã burguesa", ela escreveu algumas letras para 'Jenny Ondioline' que parece voar na face da superfície do som. Mas como disse Tim, justaposição e paradoxos são uma grande parte dos Stereolab, e se isso significa uma clama, não proselitista mas antes um forte conjunto de convicções políticas, que assim seja.
"Metade das letras neste álbum são pessoais," explica Laetitia, "metade são políticas. Decidi que se quero mudar o mundo, tenho de me modificar a mim primeiro, assim estou naquela fase em que foi mais fundo e agito as coisas de forma a mudá-las, e escrever letras é uma excelente forma de tornar isso tudo de forma a que faça sentido. Assim a outra metade é ainda socialmente conscenciosa, ainda sabendo que acções precisam ser tomadas, a forma como devemos manter a esperança na luta, e, como para mim própria, o capitalismo é vencível, depende apenas de nós, e se construirmos isso significa também que podemos destruí-lo. Na realidade o sistema não está a funcionar, está a colapsar por todos os lados.
"'Jenny Ondioline' é uma espécie de paralelo com os anos 30 e o que está a acontecer agora, sabes, uma crise, uma daquelas mesmo profundas. E é aqui que a comparação pára. É verdade que o fascismo está a crescer, mas não é suficientemente importante que ele tome conta do mundo. Penso também que as pessoas estão, em geral, numa espécie de mancha política; mesmo o fascismo não lhes traz o que elas procuram, nem sequer clarifica o que que eles gostariam, assim a esse respeito não penso que o fascismo seja um grande inimigo."
"Há certamente agora um clima propício para evitar a política," acrescenta Tim. "A política não resulta, não funciona, seja lá o que quer que isso queira dizer, deve ser deixada às pessoas que percebem desses assuntos, pensam as massas, e isso significa que eles ganharam quando estamos nesta situação. To apanhas com estas ondas argumentos de política e música indo e vindo, e a essência é que tu fazes a música que queres fazer, e assim as pessoas cantam acerca de coisas políticas o que é pop como qualquer outra coisa. Também põem no mesmo pé política dura com música dura, é esta a metáfora simples do que acontece. Porquê? Será que as pessoas com pontos de vista políticos não gostam de ouvir música melódica? O perigo de misturar a política com a música na imprensa musical é que é tudo uma coisa superficialmente tratado, as contradições ou o significado analítico foi perdido..."
"É tudo superficial em todo o lado!" exclama Laetitia.
É tudo superficial no Guardian... ou no Living Marxism. Eu não posso pois pretender que seja muito mais profundo no Lime Lizard, ou na 'Jenny Ondioline', ou que possas subscrever os pontos de vista dos Stereolab como o farias com uma facção de partido. De certo modo, o que os Stereolab fazem é mais do que admirável - pôr as suas crenças e interesses no todo da banda, nesse contexto primeiro e principal, com nada em primeiro plano, e se isso significa escrever canções acerca da crise num mantra pop de três minutos, então devemos saborear a contradição. Chega a té ti em stereo, ao fim e ao cabo.







Artigos de fundo interessantes, eventualmente a transcrever no futuro:
- Cocteau Twins
- The Other Two
- Dead Can Dance




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