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26.5.16

Memorabilia: Revistas / Magazines / Fanzines (209)



O ROCK EM PORTUGAL .... nº 1
- suplemento de um dos Pop_Clube que foram recenseados em posts anteriores
- localizado na parte traseira das páginas centrais, que eram um poster do Cliff Richard.

O ROCK EM PORTUGAL .... nº 1
por: Juvêncio Pires e Carlos Lobo


Entrevista com o grupo TANTRA

PC - Em primeiro lugar, porquê Tantra, o nome do grupo?
T - O nome de Tantra tem muito a ver com o espírito do conjunto e da música. A ideia que está por detrás do nome, é mais ou menos a nossa. É, digamos, uma forma de YOGA que era praticada antigamente na Índia, hoje em dia está praticamente morta, e que se baseia exactamente em estar num estado constante de êxtase, e que era utilizado principalmente pelas artistas, e por todos aqueles que procuravam uma forma sublimada de experiência da realidade, portanto a música é uma forma tantrica, uma forma de extase. E todo o espírito do nosso conjunto está em comunicar esse exatse, que nós tentamos conseguir em nós, ao tocarmos, comunicá-lo a todos os que nos ouvem.
PC - Vocês sempre tocaram Rock?
T - Nós sempre tocámos Rock em português, embora tenhamos dois temas em inglês, um é um tema de country, é mais um tema simbólico não representativo da nossa música, e temos um outro tema cantado em inglês (por acaso), porque a letra foi feita em princípio em inglês, e ainda não nos demos ao trabalho de a pormos em português.
PC - Vocês só interpretam música vossa?
T - Sim, e quase na totalidade portuguesa.
PC - E porquê música portuguesa?



T - Nós partimos do princípio que a lírica portuguesa serve e dá.
Sendo a música Rock universal, nós somos absorvidos por isso, e como somos portugueses, a lírica é em português.
PC - Qual é o género de Rock que vocês adoptaram, e se possível comparem a algum conjunto conhecido internacionalmente.
T - Nós estamos a procurar uma forma de Rock progressiva, isto é, no sentido em que, de termos para tema hoje uma progressão tanto em qualidade como em técnica, em riqueza harmónica ou melódica, portanto a todos os níveis. Por isso é bastante difícil, dizer que nós nos comparamos com um conjunto, ou com outro.
PC - Quais são as influências de cada um de vós?
T - António José Almeida - baterista. Não cheguei a participar no disco, no meu lugar estava um percussionista e um baterista que saíram, (Sicóio e Lindo) por razões particulares.
Sou um aluno do Conservatório, já há alguns anos, e agora estou a tentar juntar o que sei, com o que estou a aprender.
Manuel Cardoso - viola e sintetizador. Comecei pelo folk depois passei aos blues, rock, jazz, tenho também algumas influências clássicas, não há nenhuma influência específica.
Luís Silva - baixo. Tenho algumas influências de Rock.
Hermando Gama - teclas. Influências clássicas e rock.
PC - Quem compõe as vossas letras? São todos ou algum em especial?
T - Até agora têm sido o Manuel Cardoso e Hermando Gama, mas agora há mais um compositor que é o baterista.
PC - A hipótese do disco, terá sido alguém conhecido no V.C., ou foram vocês que contactaram o V.C.?
T - Fomos nós, fizemos algumas gravações e levámos ao Mário Martins, ele gostou, e apareceu a possibilidade do disco.
PC - Essa gravação vocês antevêm que seja comercial ou isso não vos preocupa como primeiro disco?
T - Nós preocupamo-nos que seja comercial, pois é isso que pretendemos, ir até às pessoas e mostrar um pouco o que nós somos.
PC - Vocês dedicam-se apenas à música? Ou estudam, trabalham?
T - Não estamos todos entregues a vida profissional de músicos. Trabalhamos 8 horas por dia.
PC - Têm alguém que vos financie?
T - Não, foi à custa de cada um de nós, que pudemos comprar uma aparelhagem que em princípio será a melhor aparelhagem dum conjunto Rock português, para podermos em qualquer sítio que formos actuar, termos o som mais aproximado do disco.
PC - As letras são em português! Isso não vos leva, apesar de ser Rock, introduzirem-se em política?
T - A vossa política é a música, nós queremos que a nossa música seja uma «ponte» que ligue tudo o que está separado, seja a que nível for.
PC - Individualmente, qual o grupo ou artista preferido?
T - Gama - Principalmente Chick Corea embora haja mais.
Luís Silva - Genesis.
Manuel Cardoso - Jimmy Hendrix.
António Almeida - Chick Corea.
PC - Vocês querem acrescentar mais alguma coisa que não tenham dito, e achem que tem interesse?
T - Sim, um apelo à malta nova, e não só. Que procurem colaborar dentro do nível de corresponderem às tentativas que há, e que estão a ser feitas, por uma certa camada de músicos.
Entrevista conduzida por: Juvêncio Pires e Carlos Lobo




Festival de Outono

Por iniciativa do grupo «PERSPECTIVA» realizou-se no Barreiro no passado mês de Outubro o 2º Festival de Outono. Com a elaboração de um programa diverso e atraente, tudo fazia antever um verdadeiro sucesso musical, um verdadeiro sucesso comercial para esta iniciativa musical: Conjuntos «Sequência», «Apolo» e «Sound Five», o grupo «Araripa e Very Nice», Paco Bandeira, o grupo Pandemónio e o grupo organizador - «Perspectiva».
Inicialmente previsto o começo para as 21H30, o espectáculo apenas se iniciou uma hora depois, com o recinto completamente «pelas costuras».
O programa abriu com uma primeira parte dançante a cargo dos grupos, «Apolo» e «Sound Five». Uma primeira parte de alegria e franco convívio. Seguiu-se-lhe a actuação de Paco Bandeira, artista muito desejado pela população daquela simpática vila, que actuou com pleno agrado.
Veio depois a «sensação» deste II Festival de Outouno, a actuação do grupo organizador - Perspectiva. Ultrapassando todas as nossas perspectivas, o «Perspectiva» provou o seu extraordinário poder de criação e interpretação demonstrando que em Portugal existem bons grupos de Rock que deveriam ser executados e acarinhados pelas nossas editoras discográficas. «Perspectiva» é um grupo sensacional, com a extraordinária particularidade de só ter interpretado composições originais e de língua portuguesa!
«Perspectiva» merece a tua atenção, leitor. O máximo da tua atenção! Eis a composição do grupo: António Manuel - viola (elemento de um poder criador maracnte), Luís Miguel - baixo, Vítor Ferrão - bateria e Vítor e José Manuel - vocais.



Esperava-se ansiosamente a actuação do grupo «Araripa» com Very Nice. Chegado que foi a altura da sua actuação, começaram a ouvir-se, pouco depois, alguns protestos que, a pouco e pouco aumentariam, chegando a atingir momentos de franco repúdio pela actuação do grupo. E porquê? Que fazia com que o público apufane um dos melhores grupos portugueses? Muito simples. A hora era já muito avançada, qualquer coisa como quatro da madrugada, por outro lado há cerca de três horas que os espectadores se encontravam sentados ouvindo Paco Bandeira e depois o grupo Perspectiva. Surgiu-lhes então um grupo interpretando Afro-Jazz o que exigia a sua atenção e concentração.
Eles desejavam neste momento como é hábito dizer-se, «desopilar»! Desejavam algo como música para dançar.
Foi assim, num ambiente de franca hostilidade que o grupo Araripa e Very Nice, demonstrando enorme clama e respeito por quem o não respeitava, actuou cumprindo o seu contrato. Por tudo isto o grupo seguinte - Pandemónio, recusou-se a actuar por concluir que a sua música não era a mais desejada pelo público presente.
Deste modo, fazendo das «tripas coração», o grupo Perspectiva teve de voltar ao palco para interpretar alguns números de dança (?). E foi a primeira vez que vimos tanta gente dançar (satisfeita!) numa colectividade ao som de músicas de Pink Floyd e Camel.
Eram seis da madrugada quando abandonámos o recinto e... a «farra» continuava!
Juvêncio Pires
e Jorge Marreiros






Saga - Homo Sapiens

Saga é o nome do grupo vocal que nos aparece como responsável pelo 33 rotações recentemente divulgado - «HOMO SAPIENS»! Mas... a verdade é que este trabalho nacional é quase da inteira responsabilidade de JOSÉ LUÍS TINOCO, homem inteligente e de uma concepção poética extraordinária. JOSÉ LUÍS TINOCO é um arquitecto, pintor, músico e compositor. Não é um desconhecido para o leitor, pois são dele algumas das canções presentes em Festivais da TV e, em 1975 «MADRUGADA», interpretada por Carlos Mendes, chegou a Estocolmo. No presente ano eram dele as composições «OS LOBOS», «NO TEU POEMA» e «NINGUÉM». Para se conhecer JOSÉ LUÍS isso não é suficiente, torna-se necessário ouvir agora este magnífico trabalho e, então sim... ficar-se-á a conhecê-lo um pouco melhor.


Falemos agora dos restantes elementos que colaboraram neste trabalho de longa duração. Ainda integrados no grupo SAGA, encontramos os nomes de ZÉ DA PONTE (baixo) e FERNANDO FALÉ (baterista); o primeiro é já nosso conhecido através da gravação de um single que surgiu no mercado em Novembro de 1975, integrado no grupo vocal - «OS AMIGOS DO ZÉ»; o segundo é o ex-baterista do agrupamento «INÉDITUS».
Passemos agora à extensa lista de colaboradores: ZÉ T. BARATA e CLARA são duas vozes que também fizeram parte do ex-grupo vocal «AMIGOS DA ZÉ»; CARLOS RODRIGUES foi um dos fundadores do agrupamento vocal - «EFE 5», pertencendo posteriormente aos «AMIGOS DO ZÉ»; JOSÉ FARDILHA e DULCE NEVES são os únicos elementos novos nestas andanças, pois não temos conhecimento que tivessem anteriormente qualquer experiência em outro grupo; FERNANDO GIRÃO (mais conhecido por VERY NICE) é um nome sobejamente conhecido que ainda muito recentemente esteve presente no Festival de Jazz de Cascais e participou no longa duração de RÃO KYAO - «MALPERTUIS»; VASCO HENRIQUES é um jovem que toca para prazer pessoal e para os amigos, o que de modo algum quer significar que seja inexperiente, é um bom músico! Finalmente aparece-nos RÃO KYAO, o saxofonista, tenor, alto e soprano e flautas. Começou a tocar saxofone em 1963 e desde 1965 que se apresenta em público. Um dos nomes mais conhecidos e famosos do novo JAZZ.



Depois da apresentação dos componentes deste trabalho, falemos agora sobre o disco em si. Que é, afinal, HOMO SAPIENS?
Não é mais que um trabalho muito bem imaginado e executado sobre o Homem. O Homem/HUMANIDADE.
Em resumo: um bom disco a adquirir sem falta. Um enriquecimento para a canção portuguesa.
Carlos Lobo





11.1.16

Memorabilia: Revistas / Magazines / Fanzines (148) - Pop-Clube #9


Pop-Clube
(Trap-Magazine) Director: Juvêncio Pires
Nº 9
Fevereiro

10$00


 



Director: Juvêncio A. Pires
Administrador: Luís Vieira
Propriedade: Juvêncio Pires e Luís Vieira
Chefe de Redacção: Carlos Lobo
Redacção: Rua Luís António Verney, 19 1º-Dto. - Cova da Piedade
Administração: Rua Dr. Julião de Campos, Nº 9 R/C, Almada

20 páginas A4 - papel de peso médio p/b. A excepção é a capa que é de papel brilhante mais pesado e a cores (azul)

Tiragem: 20 mil exemplares.




Jimi
O Homem, O Músico, O Mito

Em 18 de Setembro de 1970, James Marshall Hendrix foi declarado morto no St. Mary Abbots Hospital, em Kensington, Inglaterra.
O professor Donald Teare, patologista, explicou a causa da morte como 'inalação' de vómito devido a intoxicação barbitúrica.
Embora não houvesse no corpo de Jimi droga suficiente para lhe causar a morte especulou-se sobre um possível suicídio. Isto foi negado por pessoas que tinham realmente conhecido Jimi Hendrix, pois, muitas delas afirmam que este adorava a vida.
Mas em qualquer aspecto a morte de Jimi Hendrix foi um trágico e inevitável acidente.
Gerry Stickels mandou por avião o corpo morto de Jimi para a sua terra Natal.
Acompanhado por Johnny Winter e Miles Davis, assim como pela maior parte dos músicos que tocaram com ele, o funeral realizou-se no dia um de Outubro de 1970 no Greenwood Cemetery, em Seattle.
Tentamos com esta pequena biografia dar vida àquilo que apelidámos de Jimi Hendrix - O Homem, O Músico, O Mito.
Quem foi Jimi Hendrix? O que é que ele representava para as pessoas que trabalharam e viveram com ele? O que era para Jimi a música que ele tocava?
É a tudo isto que vamos tentar dar resposta.
Em continuação ao número anterior, vamos neste reproduzir uma entrevista dada por Jimi Hendrix, em 1970, pouco antes da sua morte, a Noel Redding e Baron Wolman. Esta entrevista dá-nos um relance daquele que foi o grande génio da guitarra.
P - Ainda vives com muitos músicos na tua casa?
R - Não, agora só quero ter tempo para mim próprio, para poder escrever alguma coisa. Eu quero escrever mais.
P - Que espécie de escrita?
R - Não sei. Na maior parte material para 'cartoon'. Fazer este gajo que é engraçado, e que passa por todas estas cenas estranhas. Não posso falar sobre isso agora. Acho que se pode pôr isto em música. Tal como se podem pôr blues em música.



P - Estás a falar em grandes trechos? Ou somente em canções?
R - Bem, eu quero fazer aquilo a que chamas trechos, sim, peças, umas atrás das outras de maneira a criarem movimento. Tenho estado a escrever coisas assim.
P - Se tens o 'cartoon' na cabeça, tens também a música?
R - Sim, na cabeça, exactamente. A música vai acompanhando a história, tal como em 'Foxey Lady'. Qualquer coisa assim. A música e as palavras vão juntas.
P - Quando compões uma canção, ela ocorre, simplesmente, ou segues o processo de te sentares, com a guitarra ou ao piano, começando às dez da manhã e tentando fazer a canção?
R - A música que sinto não a consigo pôr na guitarra. Se pegar nela para tentar tocar o que sinto, só consigo estragar tudo. Não sou tão bom guitarrista que possa tocar tudo o que sinto e quero. Gostaria de ter aprendido a escrever para instrumentos. Acho que vou tentá-lo agora.
P - Então para coisas com 'Foxey Lady', ouves primeiro a música, para depois chegares à letra?
R - Bem, tudo depende. Em 'Foxey Lady', nós começámos a tocar, e ao microfone eu disse as palavras que me ocorreram. Com 'Voodoo Child', 'A Slight Return', alguém estava a filmar quando começámos a fazer isso. Fizé,o-lo umas três vezes porque eles queriam filmar-nos no estúdio.
P - Gostas de ouvir alguns tocadores de avant - garde jazz?
R - Sim, quando fomos à Suiça e ouvimos alguns músicos de lá que nunca tínhamos ouvido, músicos que tocam em pequenos clubs e caves não podíamos imaginar que eles fizessem música assim. A música deles é como uma onda: vai e vem.
P - Quais são, para ti, os melhores sítios para tocares?
R - Gosto de tocar em lugares pequenos, como um club. Aí obtém-se um outro sentimento, sentimento esse que se junta com outro que já temos. Não sei explicar... Acho que são as pessoas.
P - Como são aquelas duas diferentes experiências, aquilo que obténs da audiência?
R - Eu obtenho muito da audiência. Algo que me faz 'sair' dali. Eu não me esqueço da audiência mas sim de toda a paranóia, daquela coisa que me faz dizer: 'Oh Deus! Eu estou no palco, o que é que eu vou fazer agora? Então sinto qualquer outra coisa que se parece, de certa maneira, com uma brincadeira.
P - Que parte te toca na produção dos teus álbuns? Por exemplo, produziste o teu primeiro álbum 'Are You Experienced?'
R - Não, foram Chas Chandeler e Eddie Kramer quem mais trabalhou nisso. Eddie era o engenheiro e Chas como produtor mantinham as coisas juntos.
P - O último disco 'Electric Ladyland' apresenta-te como produtor. Fizeste realmente tudo?
R - Não, bem fui eu e Eddie Kramer. Tudo o que eu fiz foi estar lá e certificar-me que as canções certas e o som certo também lá estavam. Mas o som perdeu-se porque fomos fazer uma tournée antes de o disco estar completamente acabado. Eu depois ouvi-o e achei[...]
P - No último disco gravaste "All Along The Watchover". Há mais alguma coisa de Bob Dylan que queiras gravar?
R - Oh sim. Gosto daquela assim 'Please help me in my weakness' (Drifters Escape). Era bestial. Eu gostava de fazer isso. Eu gosto do seu 'Blonde on Blonde' e 'Highway 61, Revisited'. O seu material de campo também é bom. É mais clamo.
P - Costumas ouvir grupos como os 'Flying Burrito Brothers'?
R - Quem é o guitarrista dos Burrito Brothers? Esse moço toca. Gosto dele. Ele é realmente maravilhoso com a guitarra. É o que me faz ouvi-los, é a música.
P - Lembras-te de Bob Wills and the Texas Playboy?
R - Gosto deles. The Grand Ole Opry costumava vir ouvi-los. Eles têm bons guitarristas.
P - Que música admiras, fora do teu género?
R - Nina Simone e Moutain.
P - Que me dizes sobre um grupo como os Mac Coys?
R - O guitarrista é óptimo.
P - És fan de Pinkie Lee?
R - Costumava ser. Costumava usar meias brancas.
P - É verdade que costumas ensaiar com Band Of Gypsys doze a dezoito horas por dia?
R - Oficialmente é verdade. Mas maior tempo que tocámos juntos foi duas horas e meia, quase três.
P - Vais fazer um single e um L.P.?
R - É possível que um ou outro saiam em breve. Estas companhias de gravação só querem singles. Mas não nos podemos sentar e dizer 'vamos fazer uma faixa, ou vamos fazer um single'. Nós não vamos fazer isso, não podemos fazer isso.
P - Credence Clearwater Revival faz isso até ter material para um álbum, como nos tempos antigos.
R - Bem isso era nos velhos tempos. Eu considero-os mais músicos, mais dentro da música, compreendes?
P - Mas os singles fazem dinheiro, não fazem?
R - Bem, é por isso que eles se fazem.
* Quando Jimi Hendrix fala em cartoon, pensamos que se refira ao projecto que ele tinha de fazer em desenhos animados (cartoon) a história da sua vida.





Pink Floyd - "Animals"
Um Novo Álbum, Um Novo Êxito
Escreveu: Judite Maria Cid
Tudo começou em 1966 na "London's Polytechnica School Of Architecture", onde estudavam Nick Mason, Roger Waters e Richard Wright. O compositor inicial é Sid Barret, amigo de Roger e o responsável pelas noites loucas no clube U.F.O., onde se reuniam os avant-gard do tempo.
Foram o primeiro grupo a utilizar um show de luzes, com projecção em telas, nos músicos, e no público, slides e composições de Pop-Arte, coordenado por Mick Lowe.



A sua música inovadora que foi várias vezes apelidada de psicadélica, inquietante, etérea e selvagem, tentava recriar uma viagem de ácido lisérgico.
O seu primeiro trabalho de longa duração saiu no filme de 1967 "The Piper At The Gates Of Dawn", seguido em 68 por: "Saucerful of Secrets", trabalho de música irreal, suite sonora de vozes e estranhos coros, cantos de pássaros e barulhos bizarros. É depois da gravação deste disco que se verifica a partida de Syd Barret (que vai para um asilo de tratamento psiquiátrico), entrando em seu lugar o guitarrista David Gilmour.
É "MORE", saído em 69 que começa a criar fama ao grupo. Disco este que foi concebido para a banda sonora original de um filme com o mesmo nome.
Segue-se um duplo "ummagumma" que inclui o famoso "Careful With That Axe, Eugene" em gravação ao vivo.
Em 1970 acontece a grande "volta" nos processos de criação musical no grupo. Pink Floyd evolui para uma maior elaboração menos espectacular e imediato. É assim que surgem ainda em 70 "Atom Heart Mother", gravado com orquestra e coros, pouco acessível para os amantes do Rock da altura, e já em 71, "Meddle" cuja composição "Echoes" é um autêntico marco da música moderna, que nos oferece momentos sublimes de rara beleza e de grande força envolvente, tal como disse o crítico do "Rock et Folk" Paul Alessandrini.
Nesta altura já os shows ao vivo são feitos em quadrifonia sendo a sua parte visual considerada a mais bela do mundo.


Em 1972 surge "Obscured By The Clouds", considerado por alguns um autêntico acidente na discografia do grupo, e que serviu de banda sonora ao filme de Barbet Schroeder "La Valée".
"Dark Side of the Moon" sai em 1973, depois de ter sido tocado ao vivo durante um ano. Grande sucesso do grupo, este álbum é composto por um ciclo de canções sobre a devastação mental e emocional provocada pelas pressões sociais do medo, do falhanço, do envelhecimento, da pobreza, da solidão, e acima de tudo da loucura.


É nesta altura que alguns críticos saudam no Pink Floyd o agarrar humano no universo concentracionário do homem e do seu ego.
Depois de dois longos anos sem discos surge "Wish You Were Here". Deitando fora o fantasma de Syd Barret, os Pink Floyd conseguem um álbum mordaz, crítico, triste e cínico mas infinitamente belo.
Agora em 1977 o já celebérrimo grupo surge com um novo álbum: "Animals". O disco foi gravado no estúdio privativo dos Pink Floyd, situado na parte norte de Londres. Foi totalmente produzido pelo grupo e nele encontra-se o toque fundamental que é a sua característica essencial - a perfeição. É um disco concebido, evidentemente, sobre os animais, ou antes, sobre o Homem visto através dos animais.
"Animals" é uma visão pesimista e cínica da Humanidade, que se encontra dividida em três grupos distintos: os cães, os porcos e os carneiros. Waters torna-se duro pois apresenta-nos num estado bestial, não nos restando outra hipótese a não ser escolhermos qual a espécie que mais nos convém.






"Animals" é composto por quatro partes:
Na 1- face "Pigs on the Wing".
Na 2- face "Pigs", "Sheep" e "Pigs on the Wing".
O material não é totalmente original, pois "Dogs" e "Pigs" são temas antigos tocados ao vivo pelo grupo há cerca de dois anos. Nessa época "Dogs" intitulava-se "You Gotta Be Crazy", e "Pigs" era "Raving and Drooling".
"Pigs on the Wing" é introduzido por uma guitarra acústica, que vai ser a base contínua da faixa, especialmente na primeira parte. Os solos e a voz vão seguir este som acústico que se impõe como suporte essencial.
Esta faixa é uma concepção sobre as relações de desconfiança e violência entre as pessoas.
"Pigs" começa com grunhidos de porcos. Há uma óptima combinação de guitarra acústica e eléctrica, bateria e piano. Vozes recitam quatro linhas do antigo testamento, sendo a última mudada por Waters para qualquer coisa como: "Não se esqueça a sua lição de Karaté".
Balidos de carneiro introduzem "Sheep", a faixa mais ritmada do álbum, e, que faz lembrar "One Of These Days" do disco "Meddle". Têm ambas a mesma introdução, o mesmo ritmo, a mesma energia. Pássaros e carneiros acabam esta faixa.
É isto, em resumo, o último disco de Pink Floyd. Não deixes de o ouvir.



Rock Alemão
Jurgen Fritz, Teclista do Grupo Triumvirat esteve em Portugal
Suscitou enorme entusiasmo e surpresa a visita ao nosso país do teclista e leader do grupo de Rock - 'TRIUMVIRAT'. Na realidade não é hábito sermos visitados pelos músicos da música rock o que fez, naturalmente, espevitar toda a imprensa da especialidade (e não só) e grande parte do público informado.
JURGEN FRITZ deslocou-se até nós para receber o DISCO DE PRATA, atribuído pela venda dos seus três álbuns editados entre nós, de entre os quais sobressai com maior número de bandas - 'SPARTACUS'. JURGEN declarou-nos que, por sinal, foi o álbum que mais gostou de gravar por nele mais se notar o sentido de grupo.
Ficou admirado e surpreendido com as vendas dos seus discos em Portugal. Na realidade, atendendo às proporções das populações, é o segundo país em vendas. O Brasil ocupa o primeiro lugar. À escala da população vendem mais discos em Portugal do que no seu país (Alemanha Federal).
Surpreendeu-se também pelo facto dos seus principais auditores serem constituídos pela nossa camada mais jovem, enquanto que na Alemanha os seus álbuns são vendidos às pessoas de idade média. Confessou-nos que o grupo não era muito popular no seu país.



Presentemente procura um elemento para o grupo - o baterista. Com a saída do álbum o grupo desfez-se. FRITZ disse-nos já ter contactado BILL BRUDBORD (ex-Genesis e ex-Yes) para ocupar o lugar de baterista do grupo, uma vez que para baixo e vozes voltará BARRY PALMER que participara já no álbum 'SPARTACUS'.
Não se consideram intépretes do chamado Rock Alemão, chegando a afirmar-nos não existir Rock Alemão uma vez que o ritmo sanguíneo do povo Alemão é a marcha e daí as influências de Schultz ou de Kraftwerk. Pessoalmente não considera música o que esses grupos interpretam, mas sim experiências musicais. Sabe existirem grandes guitarristas na Alemanha, mas não de Rock. Sobre o próximo álbum a gravar, disse-nos que o tema principal seria sobre a explosão do vulcão Vesúvio e que retratará a vida antes e depois da explosão do mesmo.
Vão iniciar uma tournée pela Europa, Brasil, E.U.A.. Pensa fazer deslocar o grupo até nós devido ao enorme êxito dos seus álbuns entre a nossa juventude. Deslocar-se-ão mediante um 'cachet' simbólico. O grande problema parece estar na deslocação do enorme e pesado material para a actuação (10 toneladas), que faz pensar seriamente a possível agência organizadora do concerto.
Que tudo corra pelo melhor! Que tenhamos a oportunidade de ver a 'livre' um dos mais desejados grupos da actualidade.
Juvêncio Pires






Outro conteúdo interessante, eventualmente a divulgar posteriormente:
. Rick Wakeman - "O Rei do Rock Sinfónico" - artigo de fundo de 2 páginas, por Juvêncio Pires
. I Festival Jazz Contemporâneo 76 - Sintra - Reportagem de José Manuel Gomes.
 




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