Mostrar mensagens com a etiqueta Harmonia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Harmonia. Mostrar todas as mensagens

30.7.15

Memorabilia: Revistas / Magazines / Fanzines (115) - Monitor #52


Monitor
Nº 52

Ano V
Janeiro de 99
III série

24 páginas - p/b - A5 landscape, papel fino tipo jornal

Assinaturas - 12 números - 2000$00


Editores
Rui Eduardo Paes
Paulo Somsen
Colaboradores neste número
Pedro Ivo Arriegas
Vasco Durão
Gonçalo Falcão
Ivo Martins
Vítor Rua

Pedro Santos
Jorge Saraiva

As Profecias de Giovanni Freschi
por Vítor Rua

Em 17 de Janeiro de 1997, o musicólogo Robert Nestrovski é convidado a estudar e analisar certas partituras, pertença de Duke Vincenzo, chefe da corte de Gonzaga em Mantua, nobre renascentista, arrogante, déspota, imensamente rico e ostentador, mas com um interesse muito grande por Arte e Música (teve como figuras da sua corte o pintor Peter Paul Rubens e como maestro di cappella, o compositor Cláudio Monteverdi).
Este típico príncipe da Renascença tinha às suas ordens uma orquestra de 36 excelentes músicos, para os quais compositores como Benedetto Pallavicino, Lodovico Grossi da Viadana, Salamone Rossi e o próprio Monteverdi compunham. Foi na biblioteca deste príncipe de Mantua que Nestrovski fez uma descoberta que iria surpreender a comunidade musicológica do mundo inteiro, bem como compositores e estudiosos da História da Música: uma série de partituras de um compositor desconhecido até então, mas que cedo iria revelar-se uma espécie de Bosch da música renascentista, pela verdadeira originalidade e surpreendente revolução nas técnicas empregadas nas suas composições, bem como em extraordinários ensaios sobre notação (onde constam invenções de novos símbolos e técnicas que só muito recentemente viriam a ser utilizadas por compositores do pós-guerra).
Nestrovski estava a catalogar alguns Madrigais de Monteverdi, descobertos recentemente pelos descendentes do Vincenzo, quando deparou com algumas composições assinadas por um Giovanni Freschi 1653-1739 (Nestrovski viria mais tarde a saber por intermédio de cartas escritas por este à sua amante, que o seu mestre teria sido o compositor renascentista Mar Antonio Cesti - um dos primeiros compositores a compor uma ópera para o famoso Teatro Cassiano em Veneza, 1637.
A quase centena de composições assinadas por este compositor oscilava entre peças de grande envergadura instrumental e pequenos ensembles, duos e solos.
Nestrovski ficou surpreendido pelo exotismo instrumental de algumas das composições, tendo em conta a altura em que estas foram compostas (entre 1676 e 1737): «Le Nozze», 1696, foi escrito para 23 percussionistas (antecipando em quase 300 anos a famosa obra de Varése, «Ionization»); «Selva Spirituale», de 1683, foi composta para o instrumento de cordas turco zarib, oito violinos, 12 trompas e aplausi (seis músicos que usavam as mãos como instrumento de percussão); em «La Proserpina» contava com um coro de 10 crianças, 10 percussionistas e solo de rabab (instrumento de cordas persa). Mas a mais extraordinária descoberta foi uma série de composições escritas para um dos instrumentos criados por Bartolomeu Cristofori (o piano forte) e intitulada «Extravaganzas Sonnoras Per Gravicembalo Col Piano Forte», datada de 1730-1735, em que Freschi dispunha ao lado da partitura uma extensa lista de utensílios de cozinha (garfos, facas, colheres, pratos de cerâmica, copos, tachos de metal, etc.) disposta em esquemas gráficos, que mostrava a sua disposição ao longo do interior do piano, com indicações precisas quanto à sua utilização. O intérprete, segundo Freschi, utilizaria duas baquetas de timpani para percutir as cordas do instrumento, utilizando o pé direito para pressionar o pedal do sustém do gravicembalo, produzindo sons extravagantes e harmoniosos...
Estas partituras continham ainda ritmos irregulares e alternados (figuras de três, cinco e sete notas dispostas em compassos que alternavam de métrica com uma frequência espantosa), bem como escalas octatónicas e séries que viriam mais tarde a ser utilizadas por Messiaen ou Bartók, mas desconhecidas na altura.
Nestrovski imediatamente se deu conta da importância de tão bizarra descoberta (o prenúncio do piano preparado de Cage...) e imediatamente preparou um ensaio que viria a publicar no «Journal Perspectives of New Music», em Setembro de 1997 surpreendendo compositores e musicólogos pelo genial visionário que se lhes apresentava ser Giovanni Freschi.
As suas composições, além de revolucionárias, eram escritas meticulosamente, utilizando expedientes da notação tradicional mescladas com símbolos de sua invenção, sempre acompanhados de longas notas explicativas, bem como esquemas gráficos de uma imponente beleza e exactidão.
Esteticamente, as suas peças eram de uma beleza só comparável a obras de mestres como Orlando di Lasso, Gesualdo ou Gabrielli, tendo uma facilidade inusitada em criar belíssimas melodias aliadas a exóticos ritmos e extravagantes timbres alcançados pela utilização de invulgar instrumentação ou pelo uso anormal de novas técnicas por ele criadas.
Durante 1998, vários foram os intérpretes interessados em estudar e interpretar as suas obras. Entre eles contam-se Irvini Arditti, Pierre Ives Artaud, as Percussões de Estrasburgo e René Clemencic, dando origem a gravações agora publicadas em CD pela editora Col Legno.
A verdadeira importância deste compositor para a História da Música só o tempo o dirá, mas o seu lugar como revolucionário e visionário, esse parece já enraizado na memória de todos os que se deixaram contagiar por tão poderosa sensibilidade, beleza, lirismo, rigor científico, humor e, acima de tudo, uma antecipação verneana do que de melhor se viria a produzir no final do nosso século.

NOTA: este é o primeiro de uma série de dois artigos sobre a vida e obra de Giovanni Freschi. No segundo, vamos tentar dar um retrato do panorama sociocultural em que se desenrolou a obra deste compositor, bem como uma amostragem psicanalítica do seu carácter como homem.


Harmonia 76 - «Tracks & Traces» [CD Sony, 1997]
Os habituais seguidores de Brian Eno, entre os quais me incluo, aguardavam com particular expectativa a materialização sonora da notícia que falava de um misterioso disco gravado na Alemanha na segunda metade dos anos 70, com o grupo germânico Harmonia. Foi uma altura particularmente criativa e prolífera na sua carreira: a fase em que acompanhou Bowie em Berlim para gravar «Low» e «Heroes», o período em que gravou com os Cluster (que afinal são os Harmonia subtraídos de Michael Rother) e ainda o momento em que a sua carreira a solo vivia momentos excepcionais, dividido entre os restos da pop e a procura de um novo idioma musical que expressasse as suas ideias. Afinal, esta história de «discos perdidos», salvo raríssimas excepções tem mais a ver com um certo sentido de negócio que as editoras vão farejando, do que, propriamente, com a sua qualidade musical intrínseca. Quem estava à espera da continuação (ou melhor, da antecipação, já que estas gravações são cronologicamente anteriores) do magnífico «Cluster & Eno», ficará desiludido. Aliás, Michael Rother nunca me convenceu: sempre foi um elemento dissoante na estrutura compacta do duo musical Cluster, movendo-se em áreas mais afins da chamada «música para elevadores» e pouco contribuindo para criar novas alternativas no chamado rock alemão dos anos 70. E, o que é pior, é que parece ser a guitarra açucarada e delicodoce de Rother que comanda os temas, ou pelo menos parece contagiar negativamente os restantes membros, Eno incluído. As coisas até nem começam mal, Eno até compõe uma canção («Luneburg Heath») relativamente aceitável, mas vai-se caindo gradualmente na monotonia e no conformismo. Ou seja, «Tracks & Traces» não tem a dimensão da intemporalidade: provavelmente seria um disco interessante (não mais do que isso) em 1976; 23 anos depois, soa irremediavelmente a datado: veio muita gente nos anos seguintes fazer coisas bem mais interessantes do que esta. Claro que pode haver algum sentido de injustiça nestas comparações, mas a política de reedições sujeita-se a este tipo de confrontos e, como em quase tudo na vida, o tempo é um juíz infalível. E depois começam a notar-se os defeitos: pouca inspiração de ideias, temas excessivamente longos, indefinição melódica e processual e aquele irritante Rother com a sua «E-Guitar» enchendo todas as espiras para nosso desespero. Aliás, e em jeito de conclusão, não foi por acaso que «Tracks & Traces» ficou tantos anos na prateleira. Por mim poderia lá ter continuado indefinidamente.
[JS] - Jorge Saraiva





4.1.14

Krautrock - A Lista (quase) Definitiva... (Parte 8/26: letra H)


Segundo a melhor enciclopédia do género, recenseada em post anterior:

The Crack in the Cosmic Egg - Encyclopedia of Krautrock, Kosmische Musik, & Other Progressive, Experimental & Electronic Musics From Germany

. Quando o formato não é indicado, corresponde a LP.
. Esta lista (todas as partes) será actualizada com as indicações das obras que possuo e que poderei disponibilizar para audição (as de fundo colorido);
. Só estão listados os dados referentes às primeiras edições. A maioria das obras possui outras edições (em LP e, sobretudo, em CD.
. Existem artistas e bandas que se mantiveram, e alguns deles ainda se mantêm, em actividade, com novas edições, que não estão incluídas na Enciclopédia (nem aqui), mas que são acrescentadas no final da tabela - uma linha de intervalo (essas também tenho, obviamente).
Se quiserem ajudar... vão indicando erros, lapsos, obras ausentes, etc. para o email habitual. Grato.


Haboob
Haboob
Reprise
1971
REP 34002
Nina Hagen Band
Nina Hagen Band
CBS
1978
83136

Unbehagen
CBS
1979
84104
Hairy Chapter
Eyes
OPP
1970
5-21

Can’t Get Through
Bacillus
1971
6494 002
Hallelujah
Hallelujah Babe
Metronome
1971
MLP 15805
Peter Michael Hamel
Hamel (2xLP)
Vertigo
1972
6641 055

The Voice Of Silence
Vertigo
1973
6360 613

Buddhist Meditation East West (2xLP)
Harmonia Mundi
1975
29 22292-6

Nada
Wergo
1977
SM 1013

Colours Of Time
Kuckuck
1980
046

Bardo
Kuckuck
1981
048

Transition (2xLP)
Kuckuck
1983
063/064

Organum
Kuckuck
1985
074

Let It Play (comp. + 2 unreleased tracks)
Kuckuck
1987
078
Hammerfest
--> Vlotho-Winterberg




--> Umsonst Und Draussen Vlotho 1976




--> Umsonst Und Draussen Vlotho 1977




--> Umsonst Und Draussen Porta Westvlothica 1978




Hier Bei Uns
Maulschnauz
1978
MOL 007

Live (7”)
Maulschnauz
1980
001

Schleudertest
Schneeball
1981
3026
Hanuman
Hanuman
Kuckuck
1971
2375 012
Hardcake Special
Hardcake Special
Brain
1974
1060
Harlis
Harlis
Sky
1975
001

Night Meets The Day
Sky
1977
008
Harmonia
Musik Von Harmonia
Brain
1974
1044

Deluxe
Brain
1975
1073
Geff Harrison Band
Together
Jupiter
1977
25595
Kai Harster
Return To Nature & Other Delights
self-released
1981
161040
Harte 10
Harte 10
Moers Music
1983
2006
Alfred “23” Harth
Es Herrscht Uhu Im Land
Japo
1981
60037

This Earth!
ECM
1984
1264

Melchior
Biber
1985
66.240

Red Art
Creative Works
1986
CW 1004

Anything Goes
Creative Works
1986
CW 1005

Plan Eden
Creative Works
1987
CW 1008
Hellmut Hattler
Bassball
Harvest
1977
1C 064-32 523

Humanimal Talk
VeraBra
1988
2023
Hausmusik
Ear Mail (K7)
Transmitter
1980
06
Die Haut
Der Karibische Western (12”)
Zensor
1981
CM 02

Schnelles Leben (mLP)
Monogam
1982
008

Burnin’ The Ice
Paradoxx / Illuminated
1983
PA 5502 / JAMS 30

Die Hard
What’s So Funny About...
1989
2691
Haze
Hazecolor-Dia
Bacillus
1971
6494 007
Head Resonance
Line Of Eloquence
self-released
?
WR 25
Zeus B. Held
Zeus’ Amusement
Brain
1978
60.120

Europium
Strand
1979
6.23731

Attack Time
Aladin
1981
ALA 85240
Hans-Werner Henze




Wolfgang Hertz
--> Berliner In Berlin




Gift In Athen (K7)
Model
1982
E 1982
Klaus Hess
Sternentanz
Sky
1983
084
HHCC
--> Umsonst Und Draussen Papenburg 1983



Holger Hiller (selected discography...)
--> Das Ist Schönheit




Ding Dong / Gefuhl (7”)
Warning
1980
WR 004

Ein Bündel Faulnis In Der Grube
Ata Tak
1983
WR 020

As Is
Mute
1991
STUMM 60
Hirsche Nicht Aufs Sofa
Abwassermusik
Psychout
1985
PSYPRO 005

--> Ohrenschrauben




--> Ohrensausen




Die Drehorgel Als Feuerspritze (K7)
Dom
1986
77-21

Melchior
United Dairies
1986
UD 018

Küttel Im Frost
Dom
1986
V 77-04

Im Schatten Der Möhre
Dom
1987
V 77-07

Hunsruck / Ramon Der Monsterjunge (7”9
Dom
1987
V 7-08

Blumenstrauss Vor Eiffelturm (K7)
Dom
1987
77-28

--> Freedom In A Vacuum
Freedom In A Vacuum
1987
VACLP 1

The Book Of Dingenskirchen
Dom
1988
?

Bitte Werfen Sie Ihren Müll Aus Dem Fenster (mLP)
Freedom In A Vacuum
1988
VACMLP 003

--> Ciguri
Odd Size
1988
OS 01

--> Face To Face, Vol. 2
Odd Size
1988
OS 06

Ach, Dieser Bart! (LP+7”)
Electrip
1989
03/04

Vogelscheiss Und Seine Verrückten Krötten
KDF
1989
?

Musik Für Schuhgeschafte (CD)
Dragnet
1992
02

--> Ohren Des Kaiser Hirohito




Willkür Nach Noten (CD)
Dragnet
1993
06
Hirudo
The First Incarnation
self-released
1983
H 001
Hoelderlin
Hölderlins Traum
Pilz
1972
20 21314-5

Hoelderlin
Spiegelei
1975
26.511-6U

Clowns & Clouds
Spiegelei
1976
26.605-6U

Rare Birds
Spiegelei
1977
INT 160.608

Live Traumstadt (2xLP)
Spiegelei
1978
180.602

New Faces
Spiegelei
1979
INT 145.605

Fata Morgana
Spiegelei
1981
INT 145.626
Michael Hoenig
Departure From The Northern Wasteland
Warner Bros
1978
K 56464

--> Koyaanisqatsi (VHS)
Island
1983
083 448 3

Xcept One
Cinema
1987
1C 064-746919 / CLT 46919

The Blob (CD)
Filmtrax
1988
FUSD 103
Hoenig / Göttsching
Early Water (CD)
Musique Intemporelle
1995
74321299972
Hogweed
The Poet
Poet Songs
1985
655321
Peter Hollinger
Live
Kip
1989
2
Robert Julian Horky
Julian Dream
Apolys Music
?
122299

Trace Formations 1 (K7)
Apolys Music
?
140643

Journey To Ixtlan
Apolys & Seagull Music
?
040448

Musik Zur Meditation (K7)
Apolys Music
?
140582

Tales Of Power
Apolys & Seagull Music
?
161252

The Secret Power Of Tai Chi (K7)
Apolys Music
?
402540

IOS (CD)
Apolys Music
?
172239

Apolys (CD)
Apolys Music
?
150586

Narayama (CD)
Apolys Music
1990
252142
Ralf Hoyer
Kompositionen Für Klavier, Tonband Und Live Elektronik
Nova
1986
8 85 260
Human Music Association
Short Stories
Software
1982
SOWA 108















Harmonia 76
Tracks & Traces (digipak)
S3 (Germany)
1997
S3 488658 2
Die Haut
Head On
Triple X (USA)
1993
51148-2
Mani Neumeier & Peter Hollinger
Meet The Demons Of Bali
Think Progressive (Germany)
1998
TPCD 1.802.022
Hoelderlin
Somebody’s Callin’ / The Shouter (7”)
Intercord (Germany)
1979
INT 110.601


 




Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...