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6.7.22

Syntorama Nº 11 – MAR | ABR | MAI de 1987 - artigo seleccionado #1: George Garside


 


GEORGE GARSIDE

GEORGE GARSIDE é um dos que eu denominaria como um novo talento da nova música electrónica do Reino Unido, uma geração de sintezistas cujas ideias estão muito próximas de Berli School. Até ao momento Garside produziu três cassetes distribuídas por ele próprio. O seu interesse pela música electrónica começou quando tinha 15 anos. Começou experimentando com 2 decks de tape mono e utilizando um velho órgão electrónico.


Abandonou os seus estudos de música electrónica na escola e durante as tardes tocava bateria juntamente com os amigos em Londres. Em 1984 construiu o seu primeiro sintetizador montado com circuitos que adquiriu numa loja de materiais electrónicos. Posteriormente substituiu a sua bateria por uma SYNDRUM. Com isto e mais um ROLAND SH101, um sintetizador OCTAVE CAT e a ajuda de dois pratos gravou “OASIS”, a sua primeira cassete.

Um bom trabalho de música electrónica, onde as passagens sinfónicas e electrónicas se eregem como verdadeiras porta-vozes das ideias de GARSIDE. Possui verdadeiras maravilhas como “JOURNEY TO OASIS”, “LANDSCAPES”, “GATES OF OASIS”, ou “RIVERSIDE DUB” , este último gravado através do sistema de “Cabeça artificial” e se deve escutar com auriculares, de forma a captar todo o efeito no seu máximo esplendor. Foi editada na INTEGRATED CIRCUITS RECORDS, de YORK, na GRÃ-BRETANHA.


Em 1985, GARSIDE autoeditou a sua segunda cassete “RAINSONG” acrescentando ao seu conjunto de instrumentos um YAMAHA SK10 (sintetizador de cordas). Segue os caminhos já pisados anteriormente ainda que, quiçá, o som se tenha refinado um pouco e a a composição nota-se que foi mais trabalhada. Em geral, gosto de todo o trabalho, mas o tema que ocupa todo o lado 2 da cassete, “MONOLITH” é um autêntico prazer, onde se pode dizer que GARSIDE alcança elevados níveis de imaginação e técnica nos teclados. A última aquisição deste músico britânico é um sintetizador polifónico CASIO CZ101 e um gravador de 4 pistas.

Juntamente com a reconstrução da sua mesa de mistura e o seu novo kit de bateria electrónica, GARSIDE gravou a sua terceira cassete: “NEW LAND”, sem dúvida a melhor de todas e também ela autoproduzida. Como disse, “NEW LAND” é a sua obra mais trabalhada e mais técnica. Nada se desperdiça, ainda que saliente “LIZARD POINT” e “THERE AND BACK”, os seus temas mais rítmicos.


A história de GARSIDE como podem constatar é pois muito curta ainda, mas através das suas três cassetes demonstrou já que é uma dessas personalidades cuja carreira, a partir de agora, devemos seguir com atenção.

Todas as cassetes gravadas são de Chrome, a apresentação é boa e a sua música muito interessante e altamente recomendada para todos os que gostam de música electrónica. Assegura-nos que não é influenciado por nada, mas que gosta dos Tangerine Dream, um bom ponto, penso, para referenciar a sua música. Encontra-se neste momento a preparar a sua quarta cassete, que ainda não foi pois publicada. GARSIDE distribui as suas cassetes por correio ao preço de 3,5£ cada, incluindo os portes de envio.

GEORGE GARSIDE

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obter as 3 k7s de George Garside AQUI









1.7.22

Syntorama Nº 12 – meados de 1987 - artigo seleccionado #2: Ian Boddy (artigo + entrevista)


 


IAN BODDY

IAN BODDY é sem dúvida, um músico importante dentro da música electrónica. Já há algum tempo que desejava falar dele e agora, aproveitando a sua recente edição do seu terceiro LP decidi-me então a fazê-lo. Ele começou como a maioria dos músicos, fazendo música em casa. Em 1980 publicou a sua primeira cassete, intitulada “IMAGES” através do selo independente (especializado em cassetes) MIRAGE. A verdade é que parece mentira que uma pessoa que acabava de começar pudesse fazer semelhantes jóias como “FLOATING” ou “VICEVERSA”, que merecem, por mérito próprio ser alcandorados à categoria de “soberbo”. Os sintetizadores, principalmente os ROLAND (CSQ-100, RE-501 e SH-2) dominam esta música fantástica.

Em 1981, também pela MIRAGE, edita a sua segunda cassete “ELEMENTS OF CHANCE”. O melhor deste trabalho, o extenso “FOUR VIEWS”, um tema genial, dividido em quatro partes, passando de uma para outra quase imperceptivelmente, sem te dares conta. Começa, durante uns poucos minutos com flauta, até que os sintetizadores terminam abrangendo tudo.


“OPTIONS” é a sua terceira cassete, editada igualmente pela MIRAGE. Contém material de estúdio e parte de um concerto no SPECTRO ART WORKSHOP de NEWCASTLE UPON TYNE. Indubitavelmente IAN BODDY encontrou e assentou o seu estilo, e esta não é mais do que outra preciosidade como aquelas que já nos tinha habituado. Nesse mesmo ano, 1982, colabora com dois temas para o LP “FLOWMOTION”, publicado pela INTEGRATED CIRCUIT RECORDS. Em 1983 colabora com temas para as cassetes “VISIONS”, “RISING FROM THE RED SAND VOL 4” da THIRD MIND RECORDS e “INTEGRATION” na ICR.

“THE CLIMB” é o seu primeiro LP, publicado pela etiqueta independente SIGNAL (actualmente descatalogado). Para mim é o seu melhor disco. “KINETICS” é totalmente rítmico, em boa parte devido ao labor de GLYN BUSH no baixo, mas o que mais me entusiasma é “DEJA VU”, um extenso tema de mais de 12 minutos, tema chave na carreira de I. BODDY. À parte a grande quantidade de sintetizadores, mostrados na contracapa, utiliza ainda o FAIRLIGHT C.M.I.


“SPIRITS” é o seu trabalho seguinte. Gravado entre 1983/84 pelo selo NEWCASTLE MEDIA WORKSHOP. É também um bom trabalho de música electrónica, mas não tão bom como “THE CLIMB”. O melhor é o extenso tema que ocupa todo o lado 2 e que dá o título ao disco. Além de I. BODDY nos sintetizadores, ele é acompanhado por BRIAN ROSS (vozes) e IAN McCORMACK (bateria). Menção especial para DAVID BERKELEY, acompanhante de BODDY nos concertos e um pouco o seu assessor cerebral, na sombra.


Depois da gravação de “SPIRITS”, I. BODDY embarca em digressão através das ILHAS. Inclui concertos no MAN & MACHINE FESTIVAL de STOCKTON, IPSWICH TOW HALL, RIVERSIDE, NEWCASTLE UPON TYNE e finaliza a sua tournée no UK ELECTRONICA’85 de SHEFFIELD.

O seu ultimo LP, “PHOENIX” apareceu há alguns meses, na sua própria etiqueta, SOMETHING ELSE RECORDS. Ainda que sendo um disco electrónico desvia-se um pouco para essa outra faceta que é o sinfonismo. O bombástico é por vezes a nota dominante. O melhor, “THE NECROMANCES” e “WATERSWAY”. É acompanhado por DAVID BERKELEY (sintes), PETE GREENWAY (saxos), STUART HAIKNEY (percussão) e ANNA ROSS (vozes). Foi gravado em NEWCASTLE entre Janeiro e Maio de 86. Nesse mesmo ano dá alguns concertos (algo que IAN BODDY está acostumado a fazer) no PURCELL ROOM de Londres e de novo no LOTUS ELECTRONICA’86 em STOKE ON TRENT.


As cassetes de I. BODDY podem conseguir-se, todavia, através da MIRAGE, e ainda que estejam esgotadas aconselho-os a pedir o catálogo da MIRAGE, onde encontrareis verdadeiras surpresas, pois é, quiçá, o melhor catálogo especializado em cassetes da GRÃ-BRETENHA.

MIRAGE

612 SOUTHMEAD ROAD

FILTON

BRISTOL BS12 7RF

ENGLAND

“SPIRITS” e “PHOENIX” podem obter-se por correio através do contacto com o próprio IAN BODDY, ou seja, da sua editora, a SOMETHING ELSE RECORDS.

Eu importei 10 cópias, das quais só me restam 3, para os primeiros que cheguem, sendo o seu preço 1.100, - Ptas. Contra reembolso.

SOMETHING ELSE RECORDS

P.O. BOX 3, ROWLANDS GILL

TYNE & WEAR, NE 39 1 HP

ENGLAND

 

ENTREVISTA COM IAN BODDY

SYNTORAMA: Tu já editaste trabalhos em cassete e em LP, pensa editar mais trabalhos em cassete?

IAN BODDY: Não, penso que a partir de agora toda a minha música será editada em vinyl, e espero que num futuro não muito longínquo, também em disco-compacto (CD). Este último media é o ideal para a música electrónica porque reproduz os sons com clareza.

SYNTORAMA: Como vês o panorama dos concertos ao vivo? Normalmente tocas ao vivo?

I. BODDY: Gosto muito de tocar ao vivo. Parece-me que as horas e horas de programação no estúdio têm mais valor. Não há muita gente que toque música electrónica ao vivo, e dos que tocam muitos não o fazem como deve ser. Gostaria de actuar em mais concertos. De resto, planeámos em INGLATERRA mais concertos dos que na realidade conseguimos depois contratar (à volta de 50). Penso que é muito importante tocar ao vivo porque muda a mística da música electrónica e faz parece-la mais humana, em vez de ser apenas criada por computadores no estúdio.

SYNTORAMA: Quais são os principais problemas com que te deparas para distribuir os teus discos?

I. BODDY: O meu problema (e objectivo) principal no que toca à distribuição é ter bons contactos, especialmente no estrangeiro. São eles que me ajudam a arriscar nos meus discos.

SYNTORAMA: Manténs-te interessado nas novas técnicas e instrumentos?

BODDY: Sempre estive. Apenas posso dominar aquilo com que trabalho, elegendo para isso os instrumentos que uso actualmente. Procuro para cada tema o instrumento que me dá o som correcto para o mesmo, seja a pandeireta, o saxofone ou o YAMAHA DX7. Recentemente ocupei muito do meu tempo em experimentações com amostras de som (samples), usando o AKAI S900, que me dá acesso a muitas texturas étnicas e me fez trabalhar com um pouco de calma. Sons como a flauta de bambu, a sitar ou o gamelão.

SYNTORAMA: Por que incluis outros instrumentos e vozes nos teus discos?

I. BODDY: Basicamente, penso que as fontes puramente sintéticas de som não são o único caminho com o qual eu quero compor. Usarei sempre aquilo que creia necessário para fazer um tema.

SYNTORAMA: Pensas que a música electrónica em INGLATERRA está neste momento com a qualidade da música electrónica na Alemanha e nos EUA (em geral)?

I. BODDY: Creio que a música electrónica em Inglaterra melhorou muito nos últimos cinco anos, e agora pode considerar-se de qualidade equivalente aos exemplos que me citaste. O mal da Alemanha é que infelizmente resvalou devido a muitas produções de qualidade inferior. Os EUA têm, provavelmente, a cadeia mais organizada e comum de artistas de qualidade similar e superior.

SYNTORAMA: Quais são os teus próximos projectos?

I. BODDY: Incluem a preparação de outra série de concertos. O primeiro foi realizado em Maio em Newcastle. O seguinte será em Agosto, em Londres. Também estou a trabalhar num novo álbum que me está a dar um prazer enorme. Terá um som distinto dos anteriores trabalhos. Nele utilizarei muitos samples de sons étnicos. Em muitos dos temas uso escalas orientais, tais como a pentatónica e a javanesa. Não tenho ainda, todavia, data de términus.

-- Entrevista realizada por correio em finais do mês de Junho. --









 

 






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