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24.7.15

Memorabilia: Revistas / Magazines / Fanzines (109) - Monitor #46


Monitor
Nº 46

Ano V
Junho de 98
III série

24 páginas - p/b - A5 landscape, papel fino tipo jornal

Assinaturas - 12 números - 2000$00
Tiragem 500 exemplares


Editores
Rui Eduardo Paes
Paulo Somsen
Colaboradores neste número
Vasco Durão
Gonçalo Falcão
José António Moura
Pedro Santos
Jorge Saraiva

Edgar Varèse
por Gonçalo Falcão

«Há sempre uma incompreensão entre o compositor e a sua geração. A explicação habitual deste fenómeno é que o artista avança em relação à sua época, mas parece-me absurda. De facto o criador é, de uma maneira particular, o testemunho da sua época; então, é porque o público - pela sua disposição e experiência - está 50 anos atrasado que há este desacordo entre ele e o compositor.»



Varèse morreu a 6 de Novembro de 1965, há 34 anos, e hoje parece que teremos de esperar mais 20 para que a sua música seja ouvida e apreciada pelo público. Mesmo em disco são raras as edições que lhe são exclusivamente dedicadas, tendo eu só encontrado duas: da Erato e da Sony Classical, dirigida por Pierre Boulez com a New York Philharmonic e o Ensemble Intercontemporain. Apesar da sua produção ter sido exígua (apenas 13 composições conhecidas), desassociou-se de toda a tradição e avançou. Depois das suas peças de juventude terem sido queimadas por um incêndio, partiu para os Estados Unidos em 1915. Entre 1918 e 21 compôs «Ameriques», título que não considerou «exclusivamente geográfico, mas símbolo de descobertas de novos mundos na terra, no céu e no espírito dos homens». E que mundos extraordinários abriu!
Concebia a música como espacial, movimentos de corpos sonoros no espaço - «a corporeização da inteligência que está dentro dos sons» - libertando-se do temperamento da escala, através da «recusa dos limites impostos pelos instrumentos em uso, e por todos estes anos de maus hábitos a que chamamos, erradamente, de tradição», e procurando nos instrumentos de altura indeterminada (percussão) ou variável (sirenes), um novo universo de relações sonoras: «... o músico pode obter vibrações sonoras que não correspondem necessariamente a tons e meios tons tradicionais, mas que variam de um som para o outro. Não poderemos explorar verdadeiramente a arte do som (ou seja, a música) se não procurarmos meios de expressão completamente novos.» Procurou a abertura da composição para todo o universo dos sons e antecipou o uso dos instrumentos eléctricos e electrónicos: «Estou pouco a pouco a convencer-me de que, na nova e autêntica música, as máquinas serão necessárias e terão um papel importante. Talvez até a indústria tenha algo a desempenhar no desenvolvimento e metamorfose da estética.»
«Que a música soe! O nosso alfabeto é pobre e ilógico. A música que deve viver e vibrar necessita de novas formas de expressão e a ciência apenas lhe pode incutir uma seiva adolescente»; a sua música é emotiva. Varèse compôs com um profundo sentido do desenvolvimento musical: «Tudo o que não é síntese de inteligência e vontade, é inorgânico.» Além disso, recusou o primado da razão na arte e encontrou na mudança a via para o belo. No ritmo procurou não somente a vida, mas também a coerência e a coesão: «A base do ritmo é a carga imóvel da sua pujança.» O ritmo é o seu elemento de estabilidade. No entanto, tem pouco a ver com a cadência, ou seja, com a sucessão regular de tempos e acentuações. O ritmo nas suas obras provém de «efeitos recíprocos e simultâneos de elementos independentes que intervêm em lapsos de tempo previstos, mas irregulares. Isto corresponde à concepção do ritmo na física e na filosofia, que é uma sucessão de estados alternativos opostos ou correlativos».
Os seus elementos musicais, feitos de fricção, percussão, assobios, estalos, conduziam-no para a integração no movimento futurista, filiação essa que recusou com vigor, criticando-a pela sua simplicidade, ao limitar-se a reproduzir a «trepidação do quotidiano».
«A nossa época tem demasiada sede de desconhecido para que o artista aceite obedecer a sistemas arbitrários, ou de seguir a influência estéril da ortodoxia coerciva. À questão: o que pensa deste ou daquele movimento, escola ou tendência, a resposta resume-se sempre a: «... depende... quem é o compositor?»






21.7.15

Memorabilia: Revistas / Magazines / Fanzines (106) - Monitor #43


Monitor
Nº43

Ano V
Março de 98
III série

24 páginas - p/b - A5 landscape, papel fino tipo jornal

Assinaturas - 12 números - 2000$00
Tiragem 500 exemplares


Editores
Rui Eduardo Paes
Paulo Somsen
Colaboradores neste número
Pedro Ivo Arriegas

Vasco Durão
Gonçalo Falcão

Pedro Santos
Jorge Saraiva


Tim Hodgkinson
«Não Toco Para As Pessoas»

por Gonçalo Falcão

No passado dia 2 de Fevereiro, realizou-se nas Caldas da Rainha um concerto dos Telectu com Tom Hodgkinson. Organizado por um grupo de professores do ensino superior, este foi um evento singular, não
obstante, pela sua natureza, se esperar uma muito maior naturalidade e frequência destes acontecimentos, mormente em escolas de ensino artístico. Assim não é em Portugal, estando o ensino superior e os seus
estudantes normalmente mais despertos para o pimba e para a música ligeira.
Aproveitámos a oportunidade para entrevistar Tim Hodgkinson, Antropólogo de formação, é um importante improvisador inglês, com uma abertura invulgar a outras áreas musicais.
- Como se pode explicar a um não-músico, o interesse pela improvisação total?
. É sempre uma coisa circunstancial. Apanhar alguém no momento certo e que por acaso está a tocar a música certa. Ok, pode dizer coisas, mas é sempre algo que tem de acontecer a ele. O ideal é que já as
tenha dito; o que acontecer, vai acontecer quando ele ouvir uma determinada música, de uma determinada forma. E ele vai dizer: «que esquisito, acho que nunca estive numa coisa destas antes».
E eu já vi isto acontecer a pessoas que nunca estiveram em contacto com a música improvisada e ficaram impressionadas, comovidas e entusiasmadas.
- E qual pode ser o «click»?
. Pode ser tanta coisa, não há uma só resposta. Tudo é diferente, e porque tudo está em mutação contínua, nunca se experimenta a mesma coisa duas vezes.
Uma pessoa tem todas as experiências da sua vida até um determinado momento. Vai a um concerto e muda qualquer coisa em si. É algo que lhe atrai a atenção, alguma coisa que brota do acto de tocar, porque
tudo se passa à frente dele. Já toquei em sítios onde as pessoas têm uma resposta quase religiosa e dizem aquele tipo de coisas: «Fechei os olhos e parecia que estava a voar». Não me importo, é uma das
entradas possíveis. Mas claro que não é a reacção que mais gostaria de provocar.
- Há alguma em particular que goste de provocar?
. Não, acho que não; a reacção dos «olhos fechados a voar» é um bocado programática. É um processo psicológico paralelo, não tem a ver com a música. Não quero dizer que estejam errados, mas gostaria que se tivessem agarrado mais á música ela própria.
Uma noite, no Laurie Driver's Cafe, serviram comida caríssima e requintadíssima, mas ao mesmo preço que a comida normal, e tentaram avaliar as respostas das pessoas. Só que os camionistas estão-se nas tintas,
acharam as ostras sensaboronas, preferiram ovos com batatas. Por outras palavras, a ideia de expor as pessoas a estas coisas, ou a ideia de as ensinar tem de ser feita da maneira correcta, de forma a que seja
real. Provavelmente, teríamos de operar uma inversão na definição cultural de cada indivíduo, de forma muito profunda; não vivemos num ambiente neutral e as pessoas estão expostas à música permanentemente.
- E não podem evitá-la?
. Não, não podem. Quando trabalhei (de facto foi o único emprego que tive, durante três dias) numa fábrica notei que a forma como usavam as canções pop na rádio tem a ver com o modo como o horário laboral está estruturado, que corresponde a um determinado ritmo e tem, obviamente, uma determinada função. E se estamos a falar de pessoas que experimentam a música desta forma, não estamos a partir do zero, mas de uma determinada ideia do que é a música, e temos de mudá-la. Talvez fosse mais fácil começar com pessoas que não têm qualquer noção do que é a música.
- Acha então que é uma obrigação social tentar mudar esta ideia?
. Não, de forma alguma. Não acho que seja o tipo de coisa em que nos temos de empenhar, ou o tipo de projecto em que devamos investir. Acho que cada um deve fazer as suas coisas sem se preocupar se vão ser ouvidas ou não; é esta a minha posição, não toco para as outras pessoas.
- Toca só para si?
. Sim. Claro que, ao mesmo tempo, gosto de algum «input» dos espectadores, mas pode ser muito pequeno e indirecto.
- Tem alguma preocupação central com a sua música, algum elemento que ache intrínseco à sua maneira de tocar, que ache exclusivamente seu?
. Depende da situação em que estou a tocar. O que eu tento sempre fazer é descobrir qual é a música que tem de ser tocada numa determinada situação. Na teoria, não tem nada a ver com aquilo que quero tocar,
ou com aquilo que acho que sou bom a tocar. Na prática, claro que está tudo lá, o que resulta num encontro criativo entre estas duas perspectivas. No entanto há pessoas que trazem sempre uma coisa fixa para
cada concerto. Eu não o faço, pelo menos num nível consciente. Claro que inconscientemente... Bem, você sabe que o que um bom falsificador de arte estuda é a parte inconsciente, uma ângulo particular do pincel
na mão, aquilo que o pintor faz sem pensar nisso, ao passo que para o falsificador isso é o mais importante. O objectivo principal do seu trabalho é descobri-lo. Quando escrevo música, tento começar o mais longe
possível do «scratch», mas sei que, qualquer que seja a minha aproximação, existem alguns elementos característicos que muito provavelmente vão ocorrer nas minhas peças. Posso estar convencido de que estou a fazer algo de uma forma totalmente nova, mas quando ouço reconheço-lhe uma sensibilidade harmónica que é minha e à qual não consigo escapar.
Neste sentido, podemos falar na improvisação de uma dialéctica de esquecimento, porque o ponto central da improvisação é trabalhar com a indeterminação, sendo que a maior indeterminação é não saber como é
que os ouvintes (outros músicos) estão a entender a música. E há ainda a indeterminação relativa ao próprio instrumento.
- E se estiver a tocar a solo?
. Provavelmente, tocar a solo é um dueto internalizado. Acho que se mantêm os aspectos dialógicos.
- Esse diálogo interno é nihilista? Uma luta contra o conhecimento?
. Não, nihilista não. Quando falamos connosco estamos a interiorizar um processo social. Tocar a solo pode ser assim.
- Acha qua a seguir a um concerto existe uma avaliação imediata da música? Existe uma verdade intrínseca à música?
. Não creio, já khe aconteceu certamente acabar de tocar e achar que foi óptimo, e depois ouvir a gravação e achar que foi uma desgraça, ou ao contrário. E não lhe aconteceu ir tocar com outras pessoas e quando
sai do palco lhe dizerem que foi óptimo, mas achar que nunca conseguiu entrar na música? Acho, pois, que não posso subscrever a ideia de verdade, neste contexto. Consigo entender o significado de uma declaração
falsa e de uma verdadeira, mas no contexto da semiótica, da linguagem, e você está a falar de estética. E se há alguma coisa que a estética é sempre, é ambígua.- Em alguns países existe uma tradição improvisacional maior do que em outros - e não estou a falar da diferença entre Europa e África, mesmo dentro da Europa existem países que sempre tiveram vontade de improvisar, o que não acontece, por exemplo, com Portugal. Acha que assim sendo não podemos esperar muito da nossa comunidade, porque também não lhes estamos a dar tanto?
. Do meu ponto de vista, todos os países têm pessoas que vivem num mundo moderno, com audiências potenciais para a música improvisada. Num qualquer país da Europa, em qualquer cidade pequena, um
pequeno grupo de pessoas pode começar alguma coisa e criar uma audiência; construí-la.
Frequentemente, inicia-se com uma ou duas pessoas que começam a ouvir este tipo de música e começam a tocar para elas próprias, e depois os amigos sabem disto e resolvem organizar um pequeno concerto. As
pessoas interessam-se e convidam outras que v~em de outro local qualquer, a coisa começa a movimentar-se, associam-se, e depois conhecem alguém numa rádio que tem um espírito anarquista e a coisa funciona;
mais tarde ou mais cedo há um concerto nessa cidade com uma audiência igual àquela que teria numa cidade que tem música improvisada há anos, tudo porque há uma audiência potencial em qualquer sociedade
urbana.
- É então uma coisa que se pode provocar?
. É uma coisa que se pode detonar; esta é uma das coisas únicas que se podem obter com a música improvisada.
- Qual pode ser o detonador?
. Fala como promotor ou como músico?
- Como músico...
. Então depende de como se toca, se é bom. A improvisação é uma arte. Conheço em Londres alguns intérpretes brilhantes de música contemporânea que tentaram aderir à improvisação. E viram que é difícil.
Pensavam que era fácil, porque são intérpretes fantásticos. E na verdade são maus improvisadores, porque não pensaram sobre a improvisação, não perceberam do que se trata. Acabaram por não ser contratados
para dar concertos e não perceberam porquê, visto toda a gente continuar a querer contratá-los como intérpretes.
- Consegue-se explicar-lhes porquê?
. Sim, claro que se consegue, eu consigo, mas eles não percebem. Se estiver sentado com um deles, no final de um concerto, com algumas cervejas, consigo. Mas nunca aconteceu. Além disso, devemos ser
cautelosos.










17.7.15

Memorabilia: Revistas / Magazines / Fanzines (104) - Monitor #41


Monitor
Nº41

Ano IV
Janeiro de 98
III série

28 páginas - p/b - A5 landscape, papel fino tipo jornal

Assinaturas - 12 números - 2000$00
Tiragem 500 exemplares


Editores
Rui Eduardo Paes
Paulo Somsen
Colaboradores neste número
Victor Afonso
Pedro Ivo Arriegas
Martin Davidson
Vasco Durão
Gonçalo Falcão
Jorge Mantas
José António Moura
Pedro Santos
Jorge Saraiva

Os Melhores de 1997

Paulo Somsen
Poderá parecer absurdo, mas à medida que mais seriamente me envolvo com a música mais dificuldade tenho na elaboração das listas anuais (quanto mais envelheço mais noção tenho que nada sei). Este ano, aind
apor cima a gestão de tempo não me proporcionou bons momentos auditivos. Recorri inúmeras vezes ao método (que critico) de «picar» os discos na procura de momentos altos, e acreditem, só dois ou três
trabalhos me mereceram maior atenção. Penso que, independentemente do álbum que se ouve, há sempre a necessidade de as condições e os ambientes que nos circunscrevem serem favoráveis. A existência de
crianças viciadas nos cartoons da TV (ou no biberão) proporciona sossego mas cria um ruído de fundo irritante. Sugeriram-me, para contornar esta situação, o uso de uma carapuça almofadada nas orelhas, por onde debitava o som. Não surtiu efeito. Para além de, passado um tempo, começar a incomodar, a ausência completa de realidade também não me seduziu. Resolvi ainda apetrechar o meu local de trabalho com
CD-player incorporado. Em vão. O trimmmmmm do telefone e os permanetes «posso»? dominaram o panorama 9 to 5.
Bom, vamos ao que interessa: é a música que me traz aqui e não uma divagação pelo meu diário de bordo.
Vários - «Burt Bacharach» [Tzadik]
Orchester 33 1/3 - «s/t» [Rhiz!/PDN]
Robert Wyatt - «Shleep» [Hannibal]
Jim O'Rourke - «Bad Timing» [Drag City]
Shabotinski - «Stenimals» [Plag Dich Nicht]
Thievery Corporation - «Sound From...» [18th Street Loung Music]
Isotope 217 - «The Unstable Molecule» [Thrill Jockey]
Stock, Hausen & Walkman - «Organ Transplants» [Hot Air]
Ground Zero - «Consume Red» [ReR]
To Rococo Rot - «Veiculo» [City Slang]

Victor Afonso
Squarepusher - «Hard Normal Daddy» e «Burningn' Tree» [Warp]
Jim O'Rourke - «Bad Timing» [Drag City]
Amon Tobin - «Bricolage» [Ninja Tune]
Art Zoyd - «Haxan» [Atonal]
Fuschimuschi Math-Ice - «Short Stories» [Maniffatture Criminali]
Kreidler - «Weekend» [Kiff]
Autechre - «Chiastic Slide» [Warp]
Meira Asher - «Dissected» [Crammed]
Photek - «Modus Operandi» [Science]
David Holmes - «Let's Get Killed»

Pedro Ivo Arriegas
Rome - «Rome» [Thrill Jockey]
Stock, Hausen & Walkman - «Organ Transplants Vol. I» [Hot Air]
Ben Neill - «Triptycal» [Antilles]
Gerd - «This Touch Is Greater Than Moods» [Universal Language]
Berger, Hodge, Moufang & Ruit - «Conjoint» [KM20]
Bob Marley - «Dreams Of Freedom» [Sony]
Sofa Surfers - «Transit» [Klein]
The Rootsman Vs Muslimgauze - «City Of Djinn» [Third Eye]
Tipsy - «Trip Tease» [Asphodel]
Karma - «Pad Sounds» [Groove Attack]
Air - «Premiers Symptomes» [Source]
Fresh Moods - «Fresh Moods» [Electrolux]
Tuatara - «Breaking The Ethers» [Epic]
We - «As Is» [Asphode]
Vários - «Double Articulation» [Sub Rosa]
Tosca - «Opera» [G-Tone]
Reflection - The Errornormous World» [Clear]
David Shea - ««Satyricon» [Sub Rosa]
Beanfield «Beanfields» [Compost]
Hendrik Lorenzen - «Bastard Memory» [Maniffatture Criminali]
A Small Good Thing - «Block» [Leaf]

Vasco Durão
Pós-Rock
Jim O'Rourke - «Bad Timing» [Drag City]
David Grubbs - «Banana Cabbage, Potato Lettuce, Onion Orange» [Table of Elements]
Boxhead Ensemble - «Dutch Harbor: Where The Sea Breaks Its Back» [Atavistic]
Sea And The Cake - «The Fawn» [Thrill Jockey]
Trans Am - «Surrender To The Night» [Thrill Jockey / City Slang]
Salaryman - «s/t» [City Slang]
Him - «Interpretive Belief System» [WordSound Recordings]
John Fahey & Cul de Sac - «The Epiphany Of Glenn Jones» [Thristy Ear Records]
Kante - «Zwischen Den Orten» [Kitty-Yo Int.]
Pop-Rock
Coctails - «Live At Louge Ax» [Carrot Top Records]
Pavement - «Brighten The Corners» [Domino]
Yo La Tengo - «I Can Hear The Heart Beating As One» [Matador]
Will Oldham - «Joya» [Drag City]
Dinosaur Jr. - «Hand It Over / Take A Ride At The Sun» [Warner Music]
Folk Implosion - «Dare To Be Surprised»
One-man band
Fuschimuschi - «Short Stories» [Maniffatture Criminali]
The Lonesome Organist - «Collector Of Cactus Echo Bags» [Thrill Jockey]
Jazz
Wayne Horwitz - «Cold Spell» [Knitting Factory
Isotope 217
Tzadik
Burt Bacharach - «Burt Bacharach - Great Jewish Music» [Tzadik]
Serge Gainsbourg - «Serge Gainsbourg - Great Jewish Music» [Tzadik]
Naftule's Dream - «Search For The Golden Dreydl» [Tzadik]
John Zorn - «Filmworks VII» [Tzadik]
Electrónica
Stock, Hausen & Walkman / Die Veteranen - «Venetian Deer» [Systhema]

Gonçalo Falcão
György Ligeti - «Gyöorgy Ligeti edition 1-6» [Sony Classical]
Harry Partch - «The Harry Partch Collection vol 1-4» [CRI]
Christian Marclay - «More Encores» [ReR]
Frank Zappa - «Lather» [Ryko]
Christian Marclay - «Records» [Atavistic]
Derek Bailey, Pat Metheny, Gregg Bendian & Paul Wertico - «The Sign Of 4 [Knitting Factory Works]
Han Bennink & Dave Douglas - «Serpentine» [Songlines]
Loren Mazzacane Connors - «In Pittsburgh» [Dexter's Cigar]
Louis Andriessen - «Zilver» [New Albion]
Matthew Shipp "String" Trio - «By The Law Of Music» [Hat Art]
Orchester 33 1/3 - «s/t» [Rhiz!]
John Fahey - «Womblife» [Table Of The Elements]
Stock, Hausen & Walkman - «Buy Me Sue Me» [7" Hot Hair]
The Jon Spencer Blues Explosion - «Now I Got Worry» [Mute]

Jorge Mantas
Fushitsusha - «The Caution Appears» [Disques Du Soleil et L'Acier]
Fushitsusha - «Pathetique» [PSF]
Fushitsusha  «Double Live» [PSF]
Vários - «A Way Out - New Music From Portugal Vol. I» [AnAnAnA]
Swans - «Soundtracks For The Blind» [Atavistic]
Gerry Miles, Alan Licht & Haino Keiji - «s/t» [Atavistic]
Elliott Shap (V/A) - «State Of The Union» [Atavistic]
Arcado String Trio - «Live In Europe» [Avant]
Cro Magno - «Bull?» [Lowlands]
Dave Douglas - «Sanctuary» [Avant]
Andy Haas - «Amhem Land» [Avant]
Deutsch Nepal - «!Compreendido... Time Stop!» [Release / Cold Meat Industry]
Dissecting Table - «Human Breeding» [Release]
Flux [James Plotkin] - «Protoplasmic» [Release]
Caspar Brötzmann & Page Hamilton - «Zulutime - Subsonic» [Sub Rosa / Blast First]

Rui Neves
1. Muhal Richard Abrams - «Song For All» [Soul Note]
2. Derek Bailey, Pat Metheny, Gregg Bendian & Paul Wertico - «The Sign Of 4 [Knitting Factory Works]
3. Paul Bley & Gary Peacock - «Mindset» [Soul Note]
4. Anthony Braxton - «Composition nº 193» [Braxton House]
5. Uri Caine - «Primal Light-Gustav Mahler» [Winter & Winter]
6. Clusone Trio - «Love Henry» [Gramavision]
7. Ornette Coleman & Joachim Kuhn - «Colors» [Harmolodic Verve]
8. Scott Colley - «Portable Universe [Freelance]
9. Marilyn Crispel, Gary Peacock & Paul Motian - «Nothing Ever Was, anyway» [ECM]
10. Dave Douglas - «Sanctuary» [Avant]
11. James Emery - «Standing On A Whale» [Enja]
12. Ellery Eskellin - «One Great Day» [Hat Hut]
13. Jim Hall - «Textures» [Telarc]
14. Keith Jarrett - «La Scala» [ECM]
15. Daunik Lazro - «Dourou» [Bleu Regard]
16. Jeanne Lee, Mal Waldron & Toru Tenda - «Travellin' In Soul time» [BVhaast]
17. Joe Maneri - «In Full Cry» [ECM]
18. Masada / John Zorn - ««Het» [DIW]
19. Misha Mengelberg - «No Idea» [DIW]
20. Nils Petter Molvaer - «Khmer-Remixes» [ECM]
21. Joe Morris - «You Be Me» [Soul Note]
22. Matthew Shipp - «Duo With Joe Morris: Thesis» [Hat Hut]
23. Sonny Simons - «Transcendence» [CIMP]
24. Chris Speed - « «Yeah No» [Songlines]
25. Thomas Stanko - «Litania» [ECM]
26. Bill Stewart - «Telephaty» [Blue Note]
27. Steve Swallow - «Descronstructed» [x-TRAWatt]
28. Henry Threadgill & Make a Move - «Where's Your Cup?» [Columbia]
29. Tom Warner - «Martian Heartache» [Soul Note]
30. Kenny Wheeler - « Angel Song» [ECM]

Rui Eduardo Paes
1. Helmut Lachenmann, Salvatore Sciarriono e Iancu Dimitrescu - qualquer disco disponível no mercado português, independentemente da data de edição
2. Terry Riley com stefan Scodanibbio - «Lazy Afternoon Among The Crocodiles» [Al - reedição]
3. Evan Parker Electro-Acoustic Ensemble - «Toward The Margins» [ECM]
4. Christian Marclay - «Records» [Atavistic]
5. Vienna Art Orchestra - «20th Anniversary» [Verve]
6. John Zorn - «New Traditions In East Asian Bar Bands» [Tzadik]
7. Robert Wyatt - «Schleep» [Hannibal]
8. Nick Cave And The Bad Seeds - «The Boatman's Call» [Mute]
9. John Fahey - «Womblife» [Table of the Elements]
10. Derek Bailey, Pat Metheny, Gregg Bendian & Paul Wertico - «The Sign Of 4 [Knitting Factory Works]
Extra: Carlos Zíngaro - «Release From Tension» [AudEo]

Pedro Santos
1. Orchester 33 1/3 [Plag Dich Nicht]
2. The Boxhead Ensemble - «Dutch Harbor» [Atavistic]
3. We - «As Is» [Asphodel]
A Small Good Thing - «Block» [Leaf]
Autechre - «Chiastic Slide» [Warp]
Boymerang - «Balance of Force» [Regal]
Curd Duca - «Easy Listening Vol 5» [Plag Dich Nicht]
David Grubbs - «Banana Cabbage» [Table of the Elements]
Elliott Sharp - «Tectonics» [Atonal]
Fuschimuschi - «Short Stories» [Maniffatture Criminali]
Genf - «Import/Export» [Compost]
Isotope 217 - «The Unstable Molecule» [Thrill Jockey]
Jim O'Rourke - «Bad Timing» [Drag City]
John Fahey - «Womblife» [Table of the Elements]
John Zorn - «Duras:Duchamp» [Tzadik]
Karl Berger, Jamie Hodge, Gunter 'Ruit' Kraus & David Moufang - «Conjoint» [KM20]
Kreidler - «Weekend» [Kiff]
Lydia Lunch - «Matrikamantra» [Atavistic]
Luke Vibert - «Big Soup» [Mo'Wax]
Mamoru Fujieda - «Paterns of Plants» [Tzadik]
Maurizio - «M» [M]
Roni Size & Reprazent - «New Forms» [Talkin'Loud]
Shabotinski - «Stenimals» [Plag Dich Nicht]
Sofa Surfers - «Transit» [Klein]
Stock, Hausen & Walkman - «Organ Transplants Vol 1» [Hot Air]
Thievery Corporation - «Sound From The Thievery Hi-Fi» [8th Street Lounge Music]
Tied + Tickled Trio - «s/t» [Payola]
Tipsy - «Trip Tease» [Asphodel]
Tom Rechion - «Chaotica» [Tiny Organ]
Uri Caine - «Primal Light - Gustav Mahler» [Winter & Winter]

Jorge Saraiva
1. Mamoru Fujieda - «Patterns of Plants» [Tzadik]
2. Orchester 33 1/3 - «s/t» [Rhiz!/PDN]
3. Autechre - «Chistaic Slide» [Warp]
4. Marc Ribot - «Shoe String Symphonettes» [Tzadik]
5. Robert Wyatt - «Shleep» [Hannibal]
6. Vários - «Great Jewish Music - Burt Bacharach» [Tzadik]
7. Louis Andriessen - «Zilver» [New Albion]
8. Musci, Venosta & Marianni - «Loosing The Ortodox Path» [Victo]
9. John Scott - «In These Great Times» [Tzadik]
10. Squarepusher - «Hard Normal Daddy» [Warp]
11. Compostela - «Wadachi» [Tzadik]
12. Paul D. Miller - «The Viral Sonata» [Asphodel]





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