Mostrar mensagens com a etiqueta Brian Eno. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Brian Eno. Mostrar todas as mensagens

29.8.22

As Listas do FM - Brian Eno


 #60 - "Brian Eno (starsailor)"


Fernando Magalhães

08.01.2002 150308


Do período pop: 


Here Come the Warm Jets (1973) - 9/10 

Taking Tiger Mountain (by Strategy) (1974) – 9/10 


Período "Cluster" 


Another Green World (1975) – 10/10 

Before and after Science (1977) - 10/10 


Período "ambient" 


Discreet Music (1975) –8,5/10 

Music for Films (1978) – 9/10 

Ambient #1 Music for Airports (1978) – 9/10 

Ambient #4 On Land (1982) – 9,5/10 

Apollo Atmospheres & Soundtracks (1983) – 9/10 

Thursday Afternoon (1985) – 7/10 

The Shutov Assembly (1992) - 8/10 

Neroli (1993) - 7,5/10 


"Híbridos" 


Nerve Net (1992) – 7/10 

The Drop (1997) – 8/10 


BRIAN ENO & DAVID BYRNE 


My Life in the Bush of Ghosts (1981) – 8/10 


Os dois discos assinados como CLUSTER & ENO são ambos essenciais: "Cluster & Eno", de 1977 (9/10) e "After the Heat", 1978 (9/10) 


saudações enoeanas 


FM



starsailor

08.01.2002 231136


E os discos com o Fripp? São bons?



Fernando Magalhães

09.01.2002 160435


Não são bons, são...excelentes, mas também...terríveis! 

"No Pussyfootin'" (8/10) é, essencialmente, um disco de frippertronics e manipulação de tapes. Minimalista, obsessivo, influenciado pelas teorias de La Monte Young. 


"Evening Star" (9,5/10) é o disco luciferino por excelência. 

De cada vez que ouço a longa faixa que ocupa todo o lado 2 do vinilo, "An Index of Metals", tenho pesadelos (a sério!). Quem prestar atenção conseguirá ouvir no final deste tema o som, quase subliminar, de sinos - os sinos que andam associados à loucura! Terrífico, sem dúvida. 


saudações arrepiadas 


FM






19.6.17

Electrónica - Anos 70 - Best of...



» As electrónicas circulam pela música desde a alvorada do século 20. Das ondas Martenot às primeiras composições de nomes como Varèse, Pierre Henry e, mais tarde, Stockhausen ou pioneiros de ‘bricolage’ analógica como Raymond Scott, muitas bases foram definidas. Porém, só depois das primeiras experiências de Moog (com Walter Carlos) a música popular descobriu que tinha ali novos caminhos a desbravar...
» Tal como os Neu! Ou os Can, os Kraftwerk são ‘produto’ da cena ‘kraut-rock’ germânica. Contudo, foram eles a quebrar definitivamente amarras com o formato rock. O homem emulou a máquina, a música seguiu-a.




Sábado 9 de Agosto de 2003

64 ELECTRÓNICA – ANOS 70

Com o regresso dos Kraftwerk aos discos, após 17 anos de ausência, era quase imperativo recordar as primeiras aplicações das então emergentes ferramentas electrónicas a um contexto mais ou menos próximo do universo pop. Da música de Walter Carlos para um certo ‘Laranja Mecãnica’ a uns Human League pré reinvenção ‘electro-pop’, aqui deixamos 10 inventores de um determinado futuro.

1972. Walter Carlos
«Music From A Clockwork Orange»
Não se trata da famosa banda sonora da Laranja Mecânica de Kubrick, mas antes a totalidade da música que o compositor então criou, da qual o realizador seleccionou os fragmentos que o filme tornou famosos. Um mergulho nos bastidores de uma genial peça de trabalho electrónico feito sob regras absolutamente clássicas.

1973. Can
«Future Days»
Os álbuns anteriores, Tago Mago e Ege Bamyasi já apontavam uma «fuga» em direcção a prolongadas planagens atmosféricas, marcadas pela rigidez da marcação rítmica de Liebezeit e a liberdade introduzida por teclados e sintetizadores. Future Days é a concretização desses sinais, um prenúncio orgânico de futuro electrónico.

1974. Tangerine Dream
«Phaedra»
Disco característico de uma segunda etapa na vida do grupo, na qual o experimentalismo cede a algum melodismo, naquele que ficou como um claro manifesto de futurismo musical na Europa de meados de 70. Usa efeitos de som, mas sem esconder algum piscar de olho a pontuais formulações mais clássicas.

1975. Neu
«Neu75»
O kraut-rock regenerou o rock’n’roll pela sua fragmentação. A motorika dos Neu é disso exemplo perfeito. Ritmos minimais, space-rock nas guitarras, «cut’n’paste» de sons dispersos. A sua influência chegou a toda a gente, de Bowie aos Kraftwerk, chegando ao pós-rock e à electrónica da actualidade (tudo explicado em Neu 75).

1976. Vangelis
«Albedo 0.39»
Depois do flirt sinfónico no pomposo Heaven And Hell (que muitos conheceram mais tarde como banda sonora de Cosmos, de Carl Sagan), Vangelis apresenta um álbum de clara exploração de padrões e sequenciações que define regras que serão padrão de muita da electropop que então brota por toda a Europa.

1977. Jean Michel Jarre
«Oxygène»
Com preparação em estudos de electrónica e música concreta desde finais de 60, Jean Michel Jarre edita o seu primeiro registo de originais, do qual faz nascer um verdadeiro monumento conceptual com intençõe spolíticas e sociais no retratar de um tempo (o que a possante capa logo indicia). Um disco tão envolvente quanto glacial.

1977. David Bowie
«Low»
Primeiro álbum da chamada trilogia berlinense (registada em conjunto com Brian Eno e que comporta ainda os discos Heroes e Lodger), mostra como a linguagem rock se apropria das electrónicas, não só nas canções, como sobretudo num lado B todo ele constituído por gélidos retratos instrumentais da Berlim de então.

1978. Brian Eno
«Music For Films»
Um ano depois do sublime Before And After Science, este álbum recolhe peças electrónicas gravadas entre 1975 e 78 para filmes imaginários, lançando pistas para o futuro imediato de Eno. Basta dizer que o álbum que sucedeu a este na sua discografia tinha por título Ambient 1: Music For Airports. Diz tudo...

1978. Kraftwerk
«The Man Machine»
Depois dos princípios básicos definidos entre Autobahn (1974) e Trans Europe Express (1976), os Kraftwerk chegam a 1978 com a ideia de lançar um álbum electrónico todo ele feito de canções. Sem imaginarem, acabaram por definir o futuro imediato da pop electrónica, que toma The Man Machine como ‘bíblia’ de referência.

1979. The Human League
«Reproduction»

Fruto directo das influências dos anos mais recentes, a pop dos Human League reflecte um tom gélido, mecânico, quase catastrofista, que muitos designam por «cold wave». Neste seu primeiro álbum juntam a essa linguagem um sentido lúdico que Dare!, dois anos mais tarde, transformaria num ícone de referência da electro pop.





24.12.15

Memorabilia: Revistas / Magazines / Fanzines (132) - Música & Som #91


Música & Som
Nº 91

Maio de 1984
Publicação Mensal
Esc. 150$00





Director: A. Duarte Ramos
Chefe de Redacção: Jaime Fernandes
Propriedade de: Diagrama - Centro de Estatística e Análise de Mercado, Lda.
Colaboradores:
Amílcar Fidélis, Ana Rocha, Carlos Marinho Falcão, Célia Pedroso, Fernando Matos, Fernando Peres Rodrigues, Hermínio Duarte-Ramos, João Gobern, José Guerreiro, José Tavares, Manuel José Portela, Manuela Paraíso, Nuno Infante do Carmo, Pedro Ferreira, Rui Monteiro,Trindade Santos.
Correspondentes:
França: José Oliveira
Inglaterra: Ray Bonici

Tiragem 16 000 exemplares
Porte Pago
56 páginas A4
capa de papel brilhante grosso a cores
interior com algumas páginas a cores (8 exteriores + 16 centrais com brilho) e outras a p/b, todas elas também com um papel com um certo brilho mas de pesagem menor que as referidas anterioremente entre parênteses..



Como Voam As Aves E Correm As Águas
por Rui Monteiro

A música popular está a mudar. É, de certa forma, um lugar-comum, esta frase dita e repetida desde nem se sabe quando, mas acontece que a música popular, uma vez mais, se predispõe a mudar de princípios; quer dizer que agora se acabou a marmelada que o pop foi (e continua a ser para a grande massa dos consumidores), que não interessa mais fazer cançonetas mentirosas porque os novos valores pretendem-se belos e eternos, querem o que é impossível mas se deseja com o ardor de uma paixão.
A nova música popular tem já vários nomes e vários discos. Tem Virginia Astley e o álbum «From Gardens Where We Feel Secure», a chama lírica onde se alimenta de convicções, tem «The Smiths», o álbum do conjunto com o mesmo nome, onde as ideias ganham definitivamente as palavras.
Como é costume, antes das revoluções, os revolucionários conspiraram, em esconsos cantos semiclandestinos e relacionaram-se com as editoras mais ousadas, e um dia nasceram para consumo popular, quer dizer, chegaram aos ouvidos de um crítico esclarecido que de pronto os mitificou tão enfeitiçado ficou.
Mas, antes de tudo, antes dos novos líricos, um dos seus professores mais prestigiados: Brian Eno, o álbum «Apollo», e outros esclarecedores do seu direito de cátedra.

Antes de Virginia Astley

Escutem o silêncio. É como o espaço entre os pensamentos que nos escapam. Repousadamente declinem as preocupações e as agruras de todas as espécies, afastem-se da angústia, não se iludam com o sonho, pretendam que não sabem rir, nem sorrir, esqueçam-se até que existem e queiram-se sós, uma solidão verdadeira e crua e não classificável. O silêncio, só, como um enorme espaço sem formas nem cores onde se pode tudo imaginar e tudo querer, e tudo ter; é um espaço onde se pode fazer tudo, mas se permanece quedo, sem dor nem alegria que confundam. Se ouvirem um som não liguem, é a imaginação que, irrequieta, se introduz. O espaço, e o silêncio, e a música proporcionada pela imaginação, existem, afinal, são uma matéria sonora, um disco, «Apollo», de Brian Eno, existem para além da vontade de desejar o vazio porque podem sê-lo, como podem ser movimentos e cores e formas.
Usar a palavra «utilidade» relacionada com música popular tem sido uma tarefa vã, mas é este sentido de utilidade que a música popular começou a ter (naturalmente já o teve mas não é importante agora) com Brian Eno, e agora com Virginia Astley e os Smiths, mas que poucos, até «From The Gardens Where We Feel Secure», conseguiram concretizar e fazer sentir. A música que serve para entreter também pode servir para criar um sentido de espaço e de tempo, ter uma utilidade mais nobre dedicada à beleza e não pretender apenas o reles passar do tempo, era isto que queria Eno, encontrar esta utilidade para a criação de vários sentidos de espaço, e é a isto que se tem dedicado, entre muitas outras coisas, desde «Another Green World», de 1975, a «Apollo», de 1983, onde o seu trabalho atinge uma beleza permissiva e rara.
Digo música popular apesar de ser difícil fazer crer que Brian Eno é um artista popular, particularmente em Portugal onde o seu trabalho depois de abandonar os Roxy Music é praticamente desconhecido e, nada indica, que os seus mais recentes discos venham a ser editados deixando a ignorância continuar a grassar. Na realidade ele não tem um grupo, nunca faz concertos e digressões, e os seus discos têm modestos números de venda, que, se forem comparados aos volumes atingidos pelos frequentadores do topo das tabelas, são ridículos. Mas, o volume de pedidos para a colaboração de Eno no trabalho de outros músicos nunca pára de crescer e ele divide-se, fazendo com que o seu nome acabe por se tornar familiar a quem nunca lhe ouviu um disco próprio. Além dos dois discos com Roxy Music, Eno gravou uma trilogia com David Bowie, dois LP com Robert Fripp, outros dois com David Byrne dos Talking Heads, grupo para quem produziu três álbuns, produziu ainda o primeiro álbum de Ultravox e gravou com Jon Hassell e Harold Budd.
Durante anos recusou considerar-se músico e preferia ser tratado como manipulador de sons desde que apanhou a tremenda pancada que tem por gravadores e tudo o que meta fitas magnéticas. Outra pancada definitiva na sua formação, se alguma coisa, é definitiva em Brian Eno?, foi o trabalho do músico contemporâneo John Cage. Ao tempo de Roxy Music Eno estava com os maiores expoentes do chamado «glitter-rock», verdadeiramente empenhado no movimento, ostentando uma longa cabeleira, os olhos pintados e o rosto coberto de maquilhagem, mas o seu verdadeiro comprometimento traduzia-se na inovação dos conceitos de utilização de sintetizadores e fitas magnéticas pré-gravadas; enquanto trabalhava com Roxy Music entretinha-se nos projectos experimentalistas de Robert Fripp. Gravou «Here Comes The Warm Jets», o seu primeiro LP a sós e, até hoje, não só não parou de gravar como produziu algumas das melhores bandas norte-americanas, compôs música para filmes, fez (e faz) vídeo-arte (pode ver-se uma imagem de um vídeo seu na capa de «My Life In The Bush Of Ghosts»).
O seu projecto mais ambicioso foi a série «Music For Ambients», em que pretendia estabelecer uma relação entre as pessoas e o espaço substituindo os habituais arranjos muzaque por peças da sua autoria. No entanto, depois de «Another Green World» e até o recente «Apollo», não contando com o intervalo, digamos assim, de «My Life In The Bush Of Ghosts» e «The Catherine Wheel», com David Byrne, Brian Eno parece ter perseguido sempre o mesmo objectivo: criar uma música, ou um som se preferirem, que crie uma situação diferente em cada auditor e que permita a este diferentes opções.
«Apollo» é, provavelmente, o corolário desse projecto, pela disponibilidade que pressupõe do ouvinte e pelas imensas possibilidades de transformação sonora que o grau de disponibilidade em que seja recebido igualmente proporcionam.
E aqui começa outra história.



Discografia Seleccionada
«Roxy Music» ... Roxy Music
«For Your Pleasure» ... Roxy Music
«No Pussyfooting» ... com Robert Fripp
«Evening Star» ... com Robert Fripp
«Heroes» ... com David Bowie
«Lodger» ... com David Bowie
«Low» ... com David Bowie
«Fourth World (Possible Music)» ... com Jon Hassell
«The Plateaux Of Mirrors (Ambient 2» ... com Harold Budd
«Here Come The Warm Jets» ... Brian Eno
«Another Green World» ... Brian Eno
«Before And After Science» ... Brian Eno
«Discreet Music» ... Brian Eno
«Music For Films» ... Brian Eno
«Music For Airports» ... Brian Eno
«On Land (Ambient 4)» ... Brian Eno
«Apollo» ... Brian Eno

Depois de Brian Eno



Há um ribeiro por onde a água corre entre pedrinhas polidas e peixes pequenos deixam ver, sem medo de serem pescados, saracotear as escamas de cores brilhantes, e há um prado em cuja frescura já não se acredita apesar de as vacas ali pastarem e os pássaros debicarem entre as ervas. Estamos no Verão, os sinos da igreja chamam à missa os paroquianos, as crianças aproveitam o percurso para debicarem algumas árvores alheias e verificarem da segurança dos seus segredos escondidos entre as pedras dos muros, a passarada esvoaça para aqui e para ali numa actividade que parece preguiçosa e faz grande algazarra quando em bando pousam na copa de uma árvore e disputam os galhos onde se empoleirar melhor.
Virginia Astley tem uma voz maravilhosa que encanta e enternece mas «From Gardens Where We Feel Secure» é um disco totalmente instrumental, passado no Verão, de manhã e À tarde. O piano que soa não lembra uma canção popular enquanto cria um ambiente mas, a breve trecho, todo o desconhecimento da música de Virginia Astley parece desaparecer e as suas mensagens sonoras tornam-se claras na difusão encantada que se espraia pelo ar. Ao contrário da música de Brian Eno, não é preciso predisposição, basta deixar-se enredar e ter coragem para depois nos enfrentarmos em sobressalto de sentimentos. Este é o disco mais penetrante desde «Closer», de Joy Division, é a música onde nos perdemos entre a melancolia e o riso franco e ficamos sem jeito a tentar sorver as cores diáfanas da paisagem criada para um jardim interior a nós próprios.
Os novos líricos começaram a ser falados o ano passado, na Grã-Bretanha, e entre os novos géneros populares, ou a revisitação inspirada de antigos modelos, são quem mais beleza trouxe à música popular. Não é uma beleza vulgar a dos novos líricos, é uma beleza profunda que se entranha na pele quando procura as soluções que sabe não existirem. Não há desespero mas a esperança parece um pouco envergonhada, como se dissesse que as desfeitas sofridas já bastam, e insinua-se na pele como se se escondesse de algum mau devir, ou pelo contrário comporta-se assim para melhor servir os seus propósitos de traduzir a beleza e não se sujeitar à erosão das discussões sentimentais. Há Virginia Astley (cujo álbum de que falo tem edição prevista para Portugal) e há Troy Tate, velho conhecido dos Teardrop Explodes, ou Care, e ainda Durutti Column, cujo novo LP é muito prezado pelos novos líricos britânicos.
Mas há mais. Há Smiths (sem intenção de edição portuguesa anunciada) e Steven Morrissey que ali canta e escreve os melhores poemas dos últimos anos (de sempre?), para as melodias que Johnny Marr desenha nas guitarras. Como acontece com a música de Virginia Astley, as canções de Morrissey e Marr, entranham-se e provocam as maiores paixões com todo o seu dramatismo, desencadeiam furores desconhecidos e fulgores nos olhaares que se cruzam. As canções dos Smiths, mesmo quando não parecem trazer nada de novo à música popular encantam pelos versos e a voz de Steven Morrissey e o belo dedilhar subtil das guitarra de Marr mal chegam a recordar Tim Buckley. No seu único LP, «The Smiths», conseguiram a proeza magnífica e raras vezes alcançada de escrever dez maravilhosas canções de amor e de as interpretarem com uma fé nas palavras e na música que não se via desde o tempo de Joy Division e Ian Curtis, embora não haja outra comparação possível entre os dois grupos de Manchester.




Antes de retirar para o resguardo de uma sala com um gira-discos onde, mais uma vez, possa deleitar os sentidos escutando Virginia Astley e Smiths, não posso perder a oportunidade de referir o álbum «Soul Mining», de The The, ou Matt Johnson se preferirem, e o máxi-single «Uncertain Smile» / «Soul Mining» (apenas porque está editado em Portugal já que as duas canções constam do LP referido), e que é outro amor recente. O grupo de Matt Johnson não atinge a excelência de Virginia Astley ou Smiths - nem todos têm lugar no céu - mas as canções, canções como «This Is The Day» ou «The Twilight Hour», recordam momentos inesquecíveis de emoção e desejo, prazeres que escondidos na memória se perderiam não fora a música e as letras de Johnson; uma certa raiva, ainda, sobressai uma vez ou outra como uma necessidade de dizer, de contar para que não se esqueça e se recorde no futuro a lição.
Deixem as árvores voar, os rios correrem para a nascente, as aves plantarem-se e cantarem quando enraízam na terra fresca, permitam-se ao desejo de concretizar um sonho, tem uma música que os deixa livres para tudo, basta querer.


~Como Voam As Aves E Correm As Águas
por Rui Monteiro

A música popular está a mudar. É, de certa forma, um lugar-comum, esta frase dita e repetida desde nem se sabe quando, mas acontece que a música popular, uma vez mais, se predispõe a mudar de princípios; quer dizer que agora se acabou a marmelada que o pop foi (e continua a ser para a grande massa dos consumidores), que não interessa mais fazer cançonetas mentirosas porque os novos valores pretendem-se belos e eternos, querem o que é impossível mas se deseja com o ardor de uma paixão.
A nova música popular tem já vários nomes e vários discos. Tem Virginia Astley e o álbum «From Gardens Where We Feel Secure», a chama lírica onde se alimenta de convicções, tem «The Smiths», o álbum do conjunto com o mesmo nome, onde as ideias ganham definitivamente as palavras.
Como é costume, antes das revoluções, os revolucionários conspiraram, em esconsos cantos semiclandestinos e relacionaram-se com as editoras mais ousadas, e um dia nasceram para consumo popular, quer dizer, chegaram aos ouvidos de um crítico esclarecido que de pronto os mitificou tão enfeitiçado ficou.
Mas, antes de tudo, antes dos novos líricos, um dos seus professores mais prestigiados: Brian Eno, o álbum «Apollo», e outros esclarecedores do seu direito de cátedra.

Antes de Virginia Astley

Escutem o silêncio. É como o espaço entre os pensamentos que nos escapam. Repousadamente declinem as preocupações e as agruras de todas as espécies, afastem-se da angústica, não se iludam com o sonho, pretendam que não sabem rir, nem sorrir, esqueçam-se até que existem e queiram-se sós, uma solidão verdadeira e crua e não classificável. O silêncio, só, como um enorme espaço sem formas nem cores onde se pode tudo imaginar e tudo querer, e tudo ter; é um espaço onde se pode fazer tudo, mas se permanece quedo, semm dor nem alegria que confundam. Se ouvirem um som não liguem, é a imaginação que, irrequieta, se introduz. O espaço, e o silêncio, e a música proporcionada pela imaginação, existem, afinal, são uma matéria sonora, um disco, «Apollo», de Brian Eno, existem para além da vontade de desejar o vazio porque podem sê-lo, como podem ser movimentos e cores e formas.
Usar a palavra «utilidade» relaicionada com música popular tem sido uma tarefa vã, mas é este sentido de utilidade que a música popular começou a ter (naturalmente já o teve mas não é importante agora) com Brian Eno, e agora com Virginia Astley e os Smiths, mas que poucos, até «From The Gardens Where We Feel Secure», conseguiram concretizar e fazer sentir. A música que serve para entreter também pode servir para criar um sentido de espaço e de tempo, ter uma utilidade mais nobre dedicada à beleza e não pretender apenas o reles passar do tempo, era isto que queria Eno, encontrar esta utilidade para a criação de vários sentidos de espaço, e é a isto que se tem dedicado, entre muitas outras coisas, desde «Another Green World», de 1975, a «Apollo», de 1983, onde o seu trabalho atinge uma beleza permissiva e rara.
Digo música popular apesar de ser difícil fazer crer que Brian Eno é um artista popular, particularmente em Portugal onde o seu trabalho depois de abandonar os Roxy Music é praticamente desconhecido e, nada indica, que os seus mais recentes discos venham a ser editados deixando a ignorãncia continuar a grassar. Na realidade ele não tem um grupo, nunca faz concertos e digressões, e os seus discos têm modestos números de venda, que, se forem comparados aos volumes atingidos pelos frequentadores do topo das tabelas, são ridículos. Mas, o volume de pedidos para a colaboração de Eno no trabalho de outros músicos nunca pára de crescer e ele divide-se, fazendo com que o seu nome acabe por se tornar familiar a quem nunca lhe ouviu um disco próprio. Além dos dois discos com Roxy Music, Eno gravou uma trilogia com David Bowie, dois LP com Robert Fripp, outros dois com David Byrne dos Talking Heads, grupo para quem produziu três álbuns, produziu ainda o primeiro álbum de Ultravox e gravou com Jon Hassell e Harold Budd.
Durante anos recusou considerar-se músico e preferia ser tratado como manipulador de sons desde que apanhou a tremenda pancada que tem por gravadores e tudo o que meta fitas magnéticas. Outra pancada definitiva na sua formação, se alguma coisa, é definitiva em Brian Eno?, foi o trabalho do músico contemporâneo John Cage. Ao tempo de Roxy Music Eno estava com os maiores expoentes do chamado «glitter-rock», verdadeiramente empenhado no movimento, ostentando uma longa cabeleira, os olhos pintados e o rosto coberto de maquilhagem, mas o seu verdadeiro comprometimento traduzia-se na inovação dos conceitos de utilização de sintetizadores e fitas magnéticas pré-gravadas; enquanto trabalhava com Roxy Music entretinha-se nos projectos experimentalistas de Robert Fripp. Gravou «Here Comes The Warm Jets», o seu primeiro LP a sós e, até hoje, não só não parou de gravar como produziu algumas das melhores bandas norte-americanas, compôs música para filmes, fez (e faz) vídeo-arte (pode ver-se uma imagem de um vídeo seu na capa de «My Life In The Bush Of Ghosts»).
O seu projecto mais ambicioso foi a série «Music For Ambients», em que pretendia estabelecer uma relação entre as pessoas e o espaço substituindo os habituais arranjos muzaque por peças da sua autoria. No entanto, depois de «Another Green World» e até o recente «Apollo», não contando com o intervalo, digamos assim, de «My Life In The Bush Of Ghosts» e «The Catherine Wheel», com David Byrne, Brian Eno parece ter perseguido sempre o mesmo objectivo: criar uma música, ou um som se preferirem, que crie uma situação diferente em cada auditor e que permita a este diferentes opções.
«Apollo» é, provavelmente, o corolário desse projecto, pela disponibilidade que pressupõe do ouvinte e pelas imensas possibilidades de transformação sonora que o grau de disponibilidade em que seja recebido igualmente proporcionam.
E aqui começa outra história.

Discografia Seleccionada
«Roxy Music» ... Roxy Music
«For Your Pleasure» ... Roxy Music
«No Pussyfooting» ... com Robert Fripp
«Evening Star» ... com Robert Fripp
«Heroes» ... com David Bowie
«Lodger» ... com David Bowie
«Low» ... com David Bowie
«Fourth World (Possible Music)» ... com Jon Hassell
«The Plateaux Of Mirrors (Ambient 2» ... com Harold Budd
«Here Come The Warm Jets» ... Brian Eno
«Another Green World» ... Brian Eno
«Before And After Science» ... Brian Eno
«Discreet Music» ... Brian Eno
«Music For Films» ... Brian Eno
«Music For Airports» ... Brian Eno
«On Land (Ambient 4)» ... Brian Eno
«Apollo» ... Brian Eno

Depois de Brian Eno

Há um ribeiro por onde a água corre entre pedrinhas polidas e peixes pequenos deixam ver, sem medo de serem pescados, saracotear as escamas de cores brilhantes, e há um prado em cuja frescura já não se acredita apesar de as vacas ali pastarem e os pássaros debicarem entre as ervas. Estamos no Verão, os sinos da igreja chamam à missa os paroquianos, as crianças aproveitam o percurso para debicarem algumas árvores alheias e verificarem da segurança dos seus segredos escondidos entre as pedras dos muros, a passarada esvoaça para aqui e para ali numa actividade que parece preguiçosa e faz grande algazarra quando em bando pousam na copa de uma árvore e disputam os galhos onde se empoleirar melhor.
Virginia Astley tem uma voz maravilhosa que encanta e enternece mas «From Gardens Where We Feel Secure» é um disco totalmente instrumental, passado no Verão, de manhã e À tarde. O piano que soa não lembra uma canção popular enquanto cria um ambiente mas, a breve trecho, todo o desconhecimento da música de Virginia Astley parece desaparecer e as suas mensagens sonoras tornam-se claras na difusão encantada que se espraia pelo ar. Ao contrário da música de Brian Eno, não é preciso predisposição, basta deixar-se enredar e ter coragem para depois nos enfrentarmos em sobressalto de sentimentos. Este é o disco mais penetrante desde «Closer», de Joy Division, é a música onde nos perdemos entre a melancolia e o riso franco e ficamos sem jeito a tentar sorver as cores diáfanas da paisagem criada para um jardim interior a nós próprios.
Os novos líricos começaram a ser falados o ano passado, na Grã-Bretanha, e entre os novos géneros populares, ou a revisitação inspirada de antigos modelos, são quem mais beleza trouxe à música popular. Não é uma beleza vulgar a dos novos líricos, é uma beleza profunda que se entranha na pele quando procura as soluções que sabe não existirem. Não há desespero mas a esperança parece um pouco envergonhada, como se dissesse que as desfeitas sofridas já bastam, e insinua-se na pele como se se escondesse de algum mau devir, ou pelo contrário comporta-se assim para melhor servir os seus propósitos de traduzir a beleza e não se sujeitar à erosão das discussões sentimentais. Há Virginia Astley (cujo álbum de que falo tem edição prevista para Portugal) e há Troy tate, velho conhecido dos Teardrop Explodes, ou Care, e ainda Durutti Column, cujo novo LP é muito prezado pelos novos líricos britânicos.
Mas há mais. Há Smiths (sem intenção de edição portuguesa anunciada) e Steven Morrissey que ali canta e escreve os melhores poemas dos últimos anos (de sempre?), para as melodias que Johnny Marr desenha nas guitarras. Como acontece com a música de Virginia Astley, as canções de Morrissey e Marr, entranham-se e provocam as maiores paixões com todo o seu dramatismo, desencadeiam furores desconhecidos e fulgores nos olahares que se cruzam. As canções dos Smiths, mesmo quando não parecem trazer nada de novo à música popular encantam pelos versos e a voz de Steven Morrissey e o belo dedilhar subtil das guitarra de Marr mal chegam a recordar Tim Buckley. No seu único LP, «The Smiths», conseguiram a proeza magnífica e raras vezes alcançada de escrever dez maravilhosas canções de amor e de as interpretarem com uma fé nas palavras e na música que não se via desde o tempo de Joy Division e Ian Curtis, embora não haja outra comparação possível entre os dois grupos de Manchester.
Antes de retirar para o resguardo de uma sala com um gira-discos onde, mais uma vez, possa deleitar os sentidos escutando Virginia Astley e Smiths, não posso perder a oportunidade de referir o álbum «Soul Mining», de The The, ou Matt Johnson se preferirem, e o máxi-single «Uncertain Smile» / «Soul Mining» (apenas porque está editado em Portugal já que as duas canções constam do LP referido), e que é outro amor recente. O grupo de Matt Johnson não atinge a excelência de Virginia Astley ou Smiths - nem todos têm lugar no céu - mas as canções, canções como «This Is The Day» ou «The Twilight Hour», recordam momentos inesquecíveis de emoção e desejo, prazeres que escondidos na memória se perderiam não fora a música e as letras de Johnson; uma certa raiva, ainda, sobressai uma vez ou outra como uma necessidade de dizer, de contar para que não se esqueça e se recorde no futuro a lição.
Deixem as árvores voar, os rios correrem para a nascente, as aves plantarem-se e cantarem quando enraízam na terra fresca, permitam-se ao desejo de concretizar um sonho, tem uma música que os deixa livres para tudo, basta querer.


Nina Em Lisboa Sem Medo
por Célia Pedroso



Apesar do discurso religioso Nina Hagen não ultrapassou a imagem mitificada de cantora punk que inicialmente criou, conforme provaram o concerto de Alvalade e a posterior conferência de imprensa. Em relação ao concerto começou mal e terminou pior, isto em termos de organização e, sobretudo, de actuação das forças policiais. A (des)organização primou pela anarquia total em relação às entradas, o que gerou cenas de pancadaria e violência gratuitas, evitáveis se o acesso ao pavilhão estivesse devidamente facilitado. Depois há aquela mania policial de bater em tudo o que mexe, e o ripostar com calhaus que por acaso até estavam bem à mão de semear, quase de propósito. Enfim, o que é mais lamentável nisto tudo é a implantação deste hábito de pagar 750 (ou mais) escudos e ainda por cima ter de levar cacetada cada vez que se pretende assistir a um concerto de rock.
O pavilhão de Alvalade rebentou literalmente pelas costuras. Na parte superior do recinto irrompiam acrobatas decididos a não perder o concerto, originando cenas de pugilato nada meigas. O ambiente estava tenso, quente, pronto para que Nina despoletasse a bomba iminente. Ela e os seus acólitos entram no palco e é vê-los abanar a carola, comprimindo-se junto ao palco num vaivém humano movido sabe-se lá porque energia(s). Ela, vestida com umas vestas de cabedal, levou ao rubro um público que já estava em brasa, movendo-se divertida e provocatoriamente, cantando um reportório apunkalhado que incluía «White Punks On Dope» («TV-Glotzer»), «African Reggae», «Glória Aleluia», «O Sole Mio», «Smack Jack», e uma sexpistoliana versão de «My Way». Os temas sucediam-se ininterruptamente numa massa musical indistinta, produzida por um grupo de músicos (?) que mais pareceia um grupo de autistas, cada um a tocar para seu lado. Ainda por cima o som estava péssimo, como é aliás habitual neste pavilhão. Ressalve-se o cenário cuidado e atraente, e o jogo de luzes menos rotineiro do que é costume.
Nina Hagen não cantou «Naturtrane», mas fez uns exercícios vocais passando de graves aos falsetes com um poderio e amplitude que outra garganta dificilmente igualará, mesmo com o microfone dentro da boca... O público marado como estava, atirava-lhe com papéis, copos, beatas (o que levou Nina a gritar várias vezes «Don't hit me!») e muitas peças de roupa que ela divertida ia vestindo. No «encore» a alemã surge bem mais provocante com uma cabeça de touro estrategicamente colocada, numa sequência que seria a melhor do espectáculo. No final benzeu os presentes e a si própria com água mineral, que nunca teve tão delirante publicidade. No entanto, Hagen é, em 1984, uma desilusão para quem esperava um show compatível no mínimo com a sua divina loucura. Faltou aquele clic que se esperava de uma personalidade tão rica, mas não há dúvida que Nina Hagen continua a ser uma das referências imprescindíveis do rock, mesmo que ande tão mal acompanhada e se tenha acomodado à sua imagem.
Após o concerto de novo cacetada na zona do Campo Grande e só não sei por que carga de água eu própria não levei com a moca policial. Já no hotel, Nina Hagen deu uma conferência de imprensa a que compareceram também os elementos da banda. Inicialmente nervosa, esfregando as mãos constantemente e desatinando com as perguntas dos jornalistas (aliás as suas respostas foram sempre a dar para o azar), a vedeta guardada por dois gaurda-costas esquisitíssimos, surgiu very stylish com peruca verde eléctrico e maquilhagem carregadíssima. Ia respondendo às questões com uma malícia e ironia, trocando olhares e sorrisos cúmplices com Karl Rucker, o negro do turbante, e com uma louraça alemã provavelmente uma groupie ou lover, pouco interessa para o caso. Confesso que não sei se ela nos esteve a gozar a todos, tal a maluqueira do seu discurso. Entre outras coisas ficámos a saber que vai fazer um filme com Billy Idol, em Hollywood, um dueto com James Brown, de quem aliás é grande admiradora. Disse-me que ouvia todos os tipos de música, e como grupos favoritos citou Brown, David Bowie, Erythmics «e muitos outros que vocês não conhecem e provavelmente nunca conhcerão». Falou sobretudo da religião que contacta diariamente com Fátima e com todos os santos. Adiantou ainda que também em Berlim Oeste utilizam as suas músicas para ballets, e que os travestis também o fazem. Sobre como será o próximo álbum a resposta foi «Who knows?» para mais tarde corrigir para «Só Deus Sabe». Deu luta incessante aos jornalistas e, no fim, deu autógrafos mirabolantes aos numerosos presentes, onde se encontravam os fans que entretanto tinham conseguido entrar. Mas o culminar desta criatura branquíssima, irreverente e sabidona, mas de aspecto frágil quando olhada de perto, foi quando lhe perguntaram o porquê do sinal vermelho na testa e se tinha algum significado religioso: «Uso este sinal porque tenho de tapar este buraco onde mora um grande pássaro. Sim claro que o meu pássaro é muito religioso...»
Oito dias depois no Coliseu, Rui Veloso e a sua banda demosntraram que em toda a parte há bons e maus músicos.










Alguns artigos interessantes, para futura transcrição:
. Especial Inglaterra, por Célia Pedroso
. Métodos De Dança - Entrevista com Steve Rawlings e Lyndon Scarfe, por Manuela Paraíso
. Discos em Análise:
.. Cure - «Japanese Whispers: The Cure Singles Nov 82, Nov 83» [Polygram 817 470-1], por Rui Monteiro
. Rock Em Família - Biografia dos Yes, por Fernando Matos
. Thompson Twins - Breve Aventura No Reino Dos Algarves, por Manuela Paraíso




27.1.15

Memorabilia: Revistas / Magazines / Fanzines (19) - Op - Nº 15 - Inverno de 2004


Revista op (visões da matéria)
#15: Inverno de 2004 : ano 4, 2004: 2€
60 páginas


Ver o enquadramento desta revista neste post


O regresso dos balanços pessoais do século XX dá-se agora com as listagens de mais dois elementos da equipa da Op, Mário Lopes e Nuno Galopim

Mário Lopes
[100 discos - Fragmentos de uma discoteca caseira (semana 1 de 10/05)]
13th Floor Elevators - "The Psychedelic Sounds Of..." [International Artists, 1966]
Al Green - "Let's Stay Together" [The Right Stuff, 1972]
Alexander Skip Spence - "Oar" [Columbia, 1969]
António Variações - "Anjo Da Guarda" [Polygram, 1982]
The Beach Boys - "Pet Sounds" [Capitol, 1966]
The Beatles - "Revolver" [EMI, 1966]
The Beatles - "Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band" [EMI, 1967]
The Beatles - "White Album" [EMI, 1968]
Beck - "Odelay" [GeFFen, 1996]
Belle & Sebastian - "If You're Feeling Sinister" [Jeepster, 1996]
Black Sabbath - "Paranoid" [Warner, 1971]
Bob Dylan - "Bringing It All Back Home" [Columbia, 1965]
Bob Dylan - "Highway 61 Revisited" [Columbia]
Bob Dylan - "Blonde On Blonde" [Columbia, 1966]
Booker T & The MC'S - "Green Onions" [Stax, 1962]
Buffalo Springfield - "Again" [Atco, 1967]
The Byrds - "Younger Than Yesterday" [Columbia, 1967]
The Byrds - "The Notorious Byrd Brothers" [Columbia, 1968]
Caetano Veloso - "Caetano Veloso" [Philips, 1968]
Can - "Ege Bamyasi" [United Artists, 1972]
Captain Beefheart - "Safe As Milk" [Buddha, 1967]
The Clash - "London Calling" [Epic, 1979]
Clinic - "Internal Wrangler" [Domino, 2000]
Country Joe & The Fish - "Electric Music For The Mind And Body" [Vanguard, 1967]
The Creation - "Our Music Is Red & Purple Flashes" [Diablo, 1998]
Creedence Clearwater Revival - "Green River" [Fantasy, 1969]
Curtis Mayfield - "Curtis" [Curton, 1970]
David Bowie - "Low" [Virgin, 1977]
De La Soul - "3 Feet High And Rising" [Tommy Boy, 1989]
The Delta 72 - "The Soul Of A New Machine" [Touch & Go, 1997]
Fairport Convention - "Liege & Leaf" [A&M, 1969]
Fleetwood Mac - "Then Play On" [Reprise, 1969]
Frank Zappa - "We're Only In It For The Money" [Rykodisc, 1969]
The Fugs - "The Fugs Second Album" [ESP, 1966]
Gang Of Four - "Entertainment" [EMI, 1979]
Gorky's Zygotic Myncy - "Introducing" [Polygram, 1996]
Grateful Dead - "Aoxomoxoa" [Warner, 1969]
Iggy & The Stooges - "Raw Power" [Columbia, 1973]
The Impressions - "The Young Mods Forgotten Story" [Cutom, 1969]
The Incredible String Band - "Wee Tam & The Big Huge" [Elektra, 1968]
Isaac Hayes - "Hot Buttered Soul" [Stax, 1969]
Jacques Brel - "Olympia 64" [Polydor, 1964]
James Brown - "Sex Machine" [Polydor, 1970]
Jefferson Airplane - "After Bathing At Baxter's" [RCA, 1968]
The Jesus & Mary Chain - "Psychocandy" [Warner, 1985]
Jimi Hendrix - "Axis: Bold As Love" [MCA, 1967]
John Coltrane - "A Love Supreme" [Impulse, 1964]
John Lee Hooker - "Jack O'Diamonds: 1949 Recordings" [Eagle, 2004]
John Martyn - "Solid Air" [Island, 1973]
Joy Division - "Unknown Pleasures" [Factory, 1979]
The Kinks - "The Village Green Preservation Society" [Reprise, 1968]
The LA's - "The LA's" [Go! Discs, 1990]
Led Zeppelin - "II" [Atlantic, 1969]
Lee Hazlewood - "Trouble Is A Lonesome Town" [Mercury, 1963]
Love - "Forever Changes" [Elektra, 1967]
Lou Reed - "Transformer" [RCA, 1972]
The Make Up - "Save Yourself" [K Records, 1999]
Marvin Gaye - "In The Groove" [Motown, 1968]
Marvin Gaye - "What's Going On" [Motown, 1971]
MC5 - "Kick Out The Jams" [Elektra, 1968]
Michael Jackson - "Off The Wall" [Epic, 1979]
Os Mutantes - "Os Mutantes" [Polydor, 1968]
Neil Young - "After The Goldrush2 [Reprise, 1970]
Nick Drake - "Five Leaves Left" [Hannibal, 1969]
Nirvana - "In Utero" [GeFFen, 1993]
Olivia Tremor Control - "Dusk At Cubist Castle" [Flydaddy, 1996]
Orange Juice - "You Can't Hide Your Love Forever" [Polydor, 1982]
Otis Reding - "Otis Blue" [Atco, 1966]
Pink Floyd - "The Piper At The Gates Of Dawn" [Harvest, 1967]
Primal Scream - "Screamadelica" [Sire, 1991]
Prince - "Sign 'O' Times" [Paysley Park, 1987]
Public Enemy - "It Takes A Nation Of Millions To Hold Us Back" [DeF Jam, 1988]
Robert Johnson - "The Complete Recordings" [Columbia, 1990]
The Rolling Stones - "Aftermath" [ABCKO, 1966]
The Rolling Stones - "Exile On Main Street" [Virgin, 1972]
Sam Cooke - "Ain't That Good News" [RCA, 1964]
Scott Walker - "Scott Two" [Fontana, 1968]
Serge Gainsbourg - "Initials BB" [Polygram, 1968]
Sly & The Family Stone - "Stand!" [Epic, 1979]
Sly & The Family Stone - "There's A Riot Goin' On" [Epic, 1972]
The Smiths - "The Smiths" [Sire, 1984]
The Soft Boys - "Underwater Moonlight" [Rykodisc, 1980]
The Soft Machine - "The Soft Machine Vol. 1" [MCA, 1968]
The Sonics - "Introducing The Sonics" [Jerden, 1966]
Spiritualized - "Ladies And Gentlemen We Are Floating In Space" [Arista, 1997]
Stevie Wonder - "Intervisions" [Motown, 1973]
The Stone Roses - "The Stone Roses" [Silverstone, 1989]
Syd Barrett - "The Madcap Laughs" [Harvest, 1970]
T. Rex - "Electric Warrior" [Reprise, 1971]
Talking Heads - "77" [Sire, 1977]
Television - "Marquee Moon" [Elektra, 1977]
Temptations - "Psychedelic Shack" [Motown, 1970]
Tomorrow - "Tomorrow" [Decca, 1968]
Van Morrison - "Astral Weeks" [Warner, 1968]
V/A - "Nuggets: Original Artyfacts From The First Psychedelic Era 1965-1968" [Rhino, 1998]
The Velvet Underground - "The Velvet Underground & Nico" [Verve, 1967]
The Velvet Underground - "White Light / White Heat" [Verve, 1967]
The White Stripes - "De Stijl" [Sympathy For The Record Industry, 2000]
The Who - "Live At Leeds" [MCA, 1970]
Wilson Pickett - "The Exciting Wilson Picket" [Atlantic, 1966]

Nuno Galopim
[Stop Making Sense - Ou uma possível lista pessoal, definida a gosto, a 5 de Outubro de 2005. A 6, seria certamente diferente. E por aí adiante...]
Beach Boys - "Pet Sounds" [Capitol, 1966]
The Beatles - "Magical Mistery Tour" [EMI, 1967]
Love - "Forever Changes" [Elektra, 1967]
Jacques Brel - "Ces Gens Lá" [Barclay, 1967]
The Rolling Stones - "Their Satanic Majestie's Request" [ABCKO, 1967]
Pink Floyd - "The Piper At The Gates Of Dawn" [Harvest, 1967]
Doors - "Strange Days" [Elektra, 1968]
Nick Drake - "Five Leaves Left" [Island, 1969]
Scott Walker - "Scott 3" [Fontana, 1969]
Amália Rodrigues - "Com Que Voz" [Columbia, 1970]
José Mário Branco - "Mudam-se Os Tempos Mudam-se As Vontades" [Guilda Da Música, 1971]
Serge Gainsbourg - "L'Histoire De Melody Nelson" [Philips, 1971]
T-Rex - "Electric Warrior" [A&M, 1971]
Walter Carlos - "Clockwork Orange" [CBS, 1972]
Roxy Music - "Roxy Music" [EG, 1972]
Lou Reed - "Berlin" [RCA, 1973]
Sparks - "Kimono In My House" [Island, 1974]
Brian Eno - "Another Green World" [EG Records, 1975]
Patti Smith - "Horses" [Arista, 1975]
Abba - "Arrival" [Polydor, 1976]
David Bowie - "Low" [RCA, 1977]
Kraftwerk - "The Man Machine" [EMI, 1978]
Sérgio Godinho - "Pano Cru" [Orfeu, 1978]
Tom Waits - "Blue Valentine" [Elektra, 1978]
Adam And The Ants - "Dirk Wears White Sox" [CBS, 1979]
The B-52's" - "The B-52's" [Island, 1979]
Marianne Faithful - "Broken English" [Island, 1979]
Buggles - "The Age Of Plastic" [Island, 1980]
Joy Division - "Closer" [Factory, 1980]
Lene Lovich - "Flex" [Stiff, 1980]
Visage - "Visage" [Polydor, 1980]
Ultravox - "Vienna" [Chrysalis, 1980]
Duran Duran - "Duran Duran" [EMI, 1981]
Teardrop Explodes - "Wilder" [Island, 1981]
The Human League - "Dare" [Virgin, 1981]
Japan - "Tin Drum" [Virgin, 1981]
Heróis Do Mar - "Heróis Do Mar" [Philips, 1981]
Bauhaus - "Mask" [Beggars Banquet, 1981]
Soft Cell - "Non-Stop Electric Cabaret" [Some Bizarre, 1981]
The Sound - "From The Lion's Mouth" [Korova, 1981]
Heaven 17 - "Penthouse And Pavement" [Virgin, 1981]
Klaus Nomi - "Klaus Nomi" [RCA, 1981]
Street Kids - "Trauma" [Vadeca, 1982]
Laurie Anderson - "Big Science" [Warner Records, 1982]
Yazoo - "Upstairs At Eric's" [Mute, 1982]
Associates - "Sulk" [Elektra, 1982]
António Variações - "Anjo Da Guard" [Valentim De Carvalho, 1983]
New Order - "Power, Corruption And Lies" [Factory, 1983]
Tlaking Heads - "Stop Making Sense" [EMI, 1983]
Tears For Fears - "The Hurting" [Mercury, 1983]
Bronski Beat - "The Age Of Consent" [London, 1984]
Echo & The Bunnymen - "Ocean Rain" [Korova, 1984]
The Art Of Noise - "Who's Afraid Of The Art Of Noise?" [ZTT, 1984]
Prefab Sprout - "Steve McQueen" [Kitchenware, 1985]
The Jesus & Mary Chain - "Psychocandy" [Blanco Y Negro]
GNR - "Os Homens Não Se Querem Bonitos" [EMI, 1985]
Scritti Politti - "Cupid + Psyche '85" [Virgin, 1985]
Prince - "Around The World In A Day" [Paisley Park, 1985]
Love And Rockets - "Seventh Dream Of Teenage Heaven" [Beggars Banquet, 1985]
Philip Glass - "Songs From Liquid Days" [CBS, 1986]
This Mortal Coil - "Filigree And Shadow" [4AD, 1986]
The Smiths - "Strangeways Here We Come" [Rough Trade, 1987]
David Sylvian - "Secrets Of The Beehive" [Virgin, 1987]
Front 242 - "Front By Front" [Les Editions Confidentielles, 1988]
Sétima Legião - "Mar D'Outubro" [EMI, 1988]
Dead Can Dance - "The Serpent's Egg" [4AD, 1988]
Momus - "Don't Stop The Night" [Creation, 1989]
The Stone Roses - "The Stone Roses" [Silvertone, 1989]
De La Soul - "3 Feet High And Rising" [Tommy Boy, 1989]
Pixies - "Doolittle" [4AD, 1989]
Depeche Mode - "Violator" [Mute, 1990]
Dee-Lite - "World Clique" [Elektra, 1990]
Pet Shop Boys - "Behaviour" [Parlophone, 1990]
The KLF - "The White Room" [KLF Communications, 1990]
Dream Warriors - "And Now The Legacy Begins" [4th And Broadway, 1990]
Ryuichi Sakamoto - "Beauty" [Virgin, 1990]
Massive Attack - "Blue Lines" [Circa, 1991]
Bill Pritchard - "Jolie" [PIAS, 1991]
The Legendary Pink Dots - "The Maria Dimension" [PIAS, 1991]
Primal Scream - "Screamadelica" [Creation, 1991]
The Disposable Heroes Of Hiphoprisy - "Hipocrisy Is The Greatest Luxury" [4th And Broadway, 1992]
Björk - "Debut" [One Little Indian, 1993]
Leslie Winer - "Witch" [Transglobal Records, 1993]
Pizzicato Five - "Made In USA" [Matador, 1994]
David Bowie - "Outside" [BMG, 1995]
Pop Dell' Arte - "Sex Symbol" [Polygram, 1995]
Portishead - "Dummy" [Go! Discs, 1994]
Três Tristes Tigres - "Guia Espiritual" [EMI, 1996]
David Byrne - "Feelings" [Luaka Bop, 1997]
Yann Tiersen - "Le Phare" [Labels, 1997]
Mafalda Arnauth - "Mafalda Arnauth" [EMI, 1998]
Air - "Moon Safari" [Virgin, 1998]
Divine Comedy - "Fin De Siècle" [Setanta, 1998]
Beck - "Mutations" [Geffen, 1998]
Madonna - "Ray Of Light" [Warner, 1998]
Amon Tobin - "Permutations" [Ninja Tune, 1998]
Mercury Rev - Deserter's Songs" [V2, 1998]
Blur - "13" [Food, 1999]
Magnetic Fields - "69 Love Songs" [Circus Music, 2000]
Radiohead - "Kid A" [Parlophone, 2000]






Memorabilia: Revistas / Magazines / Fanzines (18) - Op - Nº 14 - Outono de 2004


Revista op (visões da matéria)
#14: Outono de 2004 : ano 4, 2004: 2€
60 páginas


Ver o enquadramento desta revista neste post


A série "séc XX: 100 anos / 100 discos" continua, por agora com as listas de um dos nossos jazz experts, Ivo Martins, e de um dos grandes divulgadores musicais portugueses, o DJ e radialista Rui Vargas.

Rui Vargas
[Free pop]
4 Hero - "Two Pages" [Talkin' Loud, 1998]
808 State - "Pacific State" [ZTT, 1989]*
A Guy Called Gerald - "Voodoo Ray [Warlock, 1988]*
Air - "Moon Safari" [Virgin, 1998]
Aretha Franklin - "I Say A Little Prayer" [Atlantic, 1969]
Augustus Pablo - "King Tubby Meets Rockers Uptown" [Yard, 1975]
Aztec Mystic - "Knights Of The Jaguar" [Underground Resistance, 1999]
Basement Jaxx - "Remedy" [XL, 1999]
Basic Channel - "Basic Channel" [Basic Channel, 1996]
Beach Boys - "Pet Sounds" [Capitol, 1966]
Beck - "Odelay" [GeFFen, 1996]
Billie Holiday - "Quintessential Billie Holiday" [Columbia, 1936]
Bjork - "Debut" [Elektra, 1993]
Bob Marley - "Legend" [TuFF Gong, 1984]
Brian Eno & David Byrne - "My Life In The Bush Of Ghosts" [Sire, 1981]
Caetano Veloso - "Estrangeiro [Elektra, 1989]
Curtis Mayfield - "Superfly" [Curtow, 1972]
Daft Punk - "Homework [Virgin, 1997]
David Bowie - "Scary Monsters" [Virgin, 1980]
De La Soul - "3 Feet High And Rising" [Tommy Boy, 1989]
Dee-Lite - "World Clique" [Elektra, 1990]
Depeche Mode - "Violator" [Sire, 1990]
Dinosaur L - "Go Bang!" [Sleeping Bag, 1982]*
DJ Shadow - "Entroducing" [Mo'Wax, 1996]
Donna Summer - "I Feel Love [Patrick Cowley Mix]" [Casablanca, 1982]
Echo & The Bunnymen - "Heaven Up Here" [Sire, 1981]
Elvis Presley - "In The Ghetto" [RCA, 1969]*
ESG - "A South Bronx Story" [Soul Jazz, 2000]
Grace Jones - "Nightclubbing" [Island, 1981]
Grandmaster Flash & The Furious Five - "The Message" [Sugarhill, 1982]
Happy Mondays - "Pills n' Thrills & Bellyaches" [Factory, 1990]
Herbert - "Around The House" - [Phonography, 1998]
Inner City - "Paradise" [10 Records, 1989]
James Brown - "(Get Up I Feel Like Being A) Sex Machine" [King, 1970]*
Jeff Buckley - "Grace" [Columbia, 1994]
Jill Scott - "Who Is Jill Scott? Words And Sound Vol.1" [Hidden Beach, 2000]
Joy Division - "Atmosphere" [Factory, 1980]*
Kraftwerk - "The Man-Machine" [Capitol, 1978]
Kruder & Dorfmeister - "K & D Sessions" [K7, 1998]
Leftfield - "Leftism" [Columbia, 1995]
Lil Louis - "From The Mind Of Lil'Louis" [Epic, 1989]
Linton Kwesi Johnson - "Making History" [Mango, 1984]
Madonna - "Immaculate Collection" [Sire, 1990]
Manu Dibango - "Soul Makossa" [Unidisc, 1978]*
Manuel Göttsching - "E2-E4" [Racket, 1984]
Marvin Gaye - "What's Going On" [Motown, 1971]
Massive Attack - "Blue Lines" [Virgin, 1991]
Michael Jackson - "Thriller" [Epic, 1982]
Miles Davis - "Kind Of Blue" [Columbia, 1959]
Missy Misdeneanour Elliot - "Supa Dupa Fly" [Elektra, 1997]
Moodymann - "A Silent Introduction" [Planet E, 1997]
Mr. Fingers - "Can U Feel It" [Trax, 1986]*
My Bloody Valentine - "Soon [Andrew Weatherall Remix]" [Creation, 1990]*
New Order - "Blue Monday" [Factory, 1983]*
Nina Simone - "Anthology" [RCA, 2003]
Nirvana - "Nevermind" [GeFFen, 1991]
Nuyorican Soul - "Nervous Track" [Nervous Records, 1993]*
Outkast - "Stankonia" [La Face, 2000]
Pascal Rogé - "Satie - 3 Gymnopédies, 6 Gnossienes, etc." [Decca, 1984]*
Phuture - "Acid Tracks" [Trax, 1987]*
Pop Dell' Arte - "Free Pop" [Ama Romanta, 1987]
Portishead - "Dummy" [Go! Discs, 1994]
Primal Scream - "Screamadelica" [Sire, 1991]
Prince - "Sign 'o' The Times" [Paisley Park, 1987]
Propaganda - "A Secret Wish" [Island, 1985]
Public Enemy - "It Takes A Nation Of Millions To Hold Us Back" [Def Jam, 1988]
Radiohead - "OK Computer" [Capitol, 1997]
Red Hot Chilli Peppers - "Bloodsugarsex magic" [Warner, 1991]
R.E.M. - "Automatic For The People" [Warner, 1992]
Rhythm Is Rhythm - "Strings Of Life" [Transwat, 1987]*
Robert Omens - "I'll Be Your Friend" [Perfecto, 1991]*
Robert Wyatt - "Shipbuilding" [Rough Trade, 1982]*
Roni Size / Reprazent - "New Forms" [Talkin' Loud, 1997]
Run DMC - "Raising Hell" [Profile, 1986]
Sabres Of Paradise - "Smokebelch II" [Sabres Of Paradise, 1993]
Screamin' Jay Hawkins - "I Put A Spell On You" [Okeh, 1956]*
Serge Gainsbourg - "Bonnie & Clyde" [Philips, 1968]*
Smiths - "How Soon Is Now?" [Rough Trade, 1985]*
Soft Cell - "Non-Stop Erotic Cabaret" [Sire, 1981]
Sonic Youth - "Evol" [GeFFen, 1986]
Soul II Soul - "Club Classics vol. I" [10 Records, 1989]
Stereo MC's - "Connected" [Gee Street, 1992]
Stevie Wonder - "Innervisions" [Motown, 1973]
Stone Roses - "Fools Gold" [Silvertone, 1989]*
Sugarhill Gang - "Rappers Delight" [Philips, 1979]*
Suicide - "Suicide" [Red Star, 1977]
Talking Heads - "Remain In Light" [Sire, 1980]
Temptations - "Papa Was A Rolling Stone" [Tamla Motown, 1972]*
Ten City - "That's The Way Love Is [Steve Silk Hurley Remix)" [Atlantic, 1989]
The B-52's - "The B-52's" [Warner, 1979]
The Clash - "Sandinista!" [Epic, 1980]
The Cure - "Faith" [Fiction, 1981]
The KLF - "Chill Out" [Wax Trax!, 1990]
The Orb - "Adventures Beyond The Ultraworld" [Island, 1991]
The Specials - "Ghost Town" [2 Tone / Chrysalis, 1981]*
The Verve - "Urban Hymns" [Virgin, 1997]
Tom Waits - "Swordfishtrombones" [Island, 1983]
Underworld - "Dubno basswithmyheadman" [Junior's Boys Own, 1993]
Velvet Underground - "Velvet Underground And Nico" [Verve, 1967]
Young Marble Giants - "Colossal Youth" [Rough Trade, 1980]
* singles

Ivo Martins
[Os 100 discos que mais ouvi nos últimos 30 anos]
Alan Rawsthorne - "Concerto For 10 Instruments; Sonatina Fro Flute, Oboe And Piano; Quintet For Clarinet, Horn, Violin, Cello And Piano; Suite For Flute, Viola And Harp; Quintet For Oboe, Clarinet, Horn, Bassoon And Piano" [ASV Digital, 1999]
Albert Ayler / Don Cherry / John Tchicai / Roswell Rudd / Gary Peacock / Sonny Murray - "New York Eye And Ear Control" [Base Records, 1966]
Alexander Knaifel - "Svete Tikhiy" [ECM, 2002]
Alexander Von Schlipencah Trio - "Pakistan Pomade" [Atavistic, reed., 2002]
Anne Sofie Von Otter / Bengt Forsberg - "Rendez-Vous With Korngold" [Deutsche Grammophon, 1994]
Anne Sofie Von Otter / Wiener Philarmoniker / Claudio Abado - "Alban Berg - Seven Early Songs, Wine, Three Pieces For Orchestra" [Deutsche Grammophon, 1995]
Anthony Davis - 2Undine" [Gramavision, 1987]
António Carlos Jobim / Elis Regina - "Elis & Tom" [Verve, 1974]
Archie Shepp - "Life At The Donaueschinngen Music Festival" [MPS, 1967]
Archie Shepp - "Mama Rose" [Enja, 1982]
Art Ensemble Of Chicago - "Fanfare For The Warriors" [Atlantic, 1974]
Art Ensemble Of Chicago - "Nice Guys" [ECM, 1979]
Art Pepper - "Straight Life" [Galaxy, 1979]
Arvo Part - "Tabula Rasa" [ECM, 1984]
Bill Evans - "You Must Believe In Spring" [Warner, 1981]
Bill Frissell - "Lookout For Hope" [ECM, 1988]
Chet Baker - 2Summertime" [Artists House, 1980]
Chet Baker - "The Touch Of Your Lips" [SteepleChase, 1979]
Chick Corea - "Inner Space" [Atlantic, 1974]
Chris Chalfant - "All In Good Time" [C. ChalFant Music, 1997]
Clusone Trio - "I Am An Indian" [Gramavision, 1994]
Codona - "Codona" [ECM, 1979]
David Holland 4tet - "Conference Of The Birds" [ECM, 1973]
David Distrakh / Czech Philarmonic Orchestra / Jiri Tomasek / Prague Radio Symphony Orchestra - "Shostakovich - Violin Concerts, Nº 1 Op. 77, Nº 2 Op. 129" [Le Chant Du Monde, 1994]
Dexter Gordon - "Go" [Blue Note, 1979]
Don Cherry / Dewey Redman / Charlie Haden / Eddie Blackwell - "Old And New Dreams" [Black Saint, 1977]
Don Cherry / Dewey Redman / Charlie Haden / Ed Blackwell - "Old And New Dreams" [Playing, ECM, 1981]
Edward Vesala - "Ode To The Death Of Jazz" [ECM, 1990]
Eric Dolphy - "Berlin Concerts, Vols. 1 & 2" [Enja, 1961]
Eric Dolphy - "Out To Lunch" [Blue Note, 1964]
Gavin Bryars - "Jesus Blood Never Failed Me Yet" [Point Music, 1993]
Gavin Bryars - "The Sinking Of The Titanic" [Point Music, 1994]
Gil Evans & The Monday Night Orchestra - "Live At Sweet Basil, Vols. 1 & 2 [Electric Bird, 1984]
Glenn Gould - "Bach - Goldberg Variations" [Sony, 1981]
Greg Bendian's Interzone - "Requiem For Jack Kirby" [Atavistic, 2001]
Hagen Quartet - 2Shostakovich - Streichquartette Nºs 4 - 11 - 14, String Quartets" [Deutsche Grammophon, 1995]
Hal Wilner - "Weird Nightmare, Meditations On Mingus" [CBS, 1992]
Heiner Goebbels / Heiner Muller - "Der Mann Im Fahrsthul" [ECM, 1988]
Herbert Von Karajan - "Webern - Passacaglia; Schöenberg - Variations op. 31; Berg - 3 Pieces From 'Lyric Suite', 3 Pieces For Orchestra op. 6" [Deutsche Grammophon, reed. 1999]
Italian Instable Oschestra - "Previsione Del Tempo" [IM print, 2002]
Jaco Pastorius - "Jaco" [Epic, 1976]
Jaco Pastorius - "Word Of Mouth" [Warner, 1981]
Jim Hall - "Commitment" [AM, 1976]
Jimi Hendrix - "Are You Experienced?" [Polydor, 1967]
Jimmy Giuffre - "Free Fall" [CBS, 1963]
Jimmy Giufre - 2Western Suite" [Atlantic, 1958]
Joe Henderson - "Black Miracle" [Milestones, 1975]
Joe Henderson - "In 'n Out" [Blue Note, 1964]
John Coltrane - "Blue Train" [Blue Note, 1957]
John Coltrane - "My Favorite Things" [Atlantic, 1960]
John Zorn - "Cobra" [Hat Now Series, 1991]
John Zorn - "The Big Gundown" [Nonesuch, 19890]
John Zorn / George Lewis / Bill Frisell - "News For Lulu" [Hat Jazz Series, 1990]
Jon Jang - "Two Flowers On A Stem" [Soul Note, 1996]
Julius Hemphill Big Band - "Julius Hemphill Big Band" [Elektra, 1988]
Jürg Solothrunmann - "A Deeper Season Than Reason, [Alive] According To E. E. Cummings" [Unit Records, s/d]
Keith Jarrett - "Ruta + Daitya" [ECM, 1973]
Kenny Wheeler - "Music For Large & Small Ensembles" [ECM, 1990]
Kim Bak Dinitzen - "Britten - Complete Works For Cello" [Kontra Punkt, 1992]
Leon Fleisher / Joseph Silverstein / Jaine Laredo / Yo-Yo Na - "Korngold - Suite For 2 Violins, Cello & Piano Left Hand, Op. 23; Franz Schmidt - Quintet In G Major For 2 Violins, Viola, Cello & Piano Left Hand" [Sony, 1998]
Lee Konitz Nonet - "Yes, Yes, Nonet" [SteepleChase, 1979]
Lester Bowie - "The Great Pretender" [ECM, 1981]
Mahavishnu Orchestra - "Birds Of Fire" [CBS, 1973]
Marc Johnson's Bass Desires - "Second Sight" [ECM, 1987]
Marianne Posseur / Ensemble Musique Oblique - "Schöenberg - Pierrot Lunaire" [Harmonia Mundi, 1992]
Max Roach Double Quartet - "Bright Moments" [Soul Note, 1987]
Michael Brecker - "Michael Becker" [Impulse, 1987]
Miles Davis - "Bitches Brew" [CBS, 1970]
Miles Davis - "In A Silent Way" [CBS, 1969]
Miles Davis - "Kind Of Blue" [CBS, 1959]
Mitsuko Uchida / Pierre Boulez / Cleveland Orchestra - "Arnold Schöenberg - Piano Concert, Three Piano Pieces, Six Little Piano Pieces; Anton Webern - Variations, Op. 27; Alban Berg - Piano Sonata, op.1" [Philips, 2001]
Muhal Richard Abrams - "One Line, Two Views" [New World Records, 1995]
NRG Ensemble - "Calling All Mothers" [Uinnah Records, 1994]
Ornette Coleman - "Body Meta" [Artist House, 1976]
Ornette Coleman - "Dancing In Your Heads" [A&M Records, 1975]
Ornette Coleman - "In All Languages" [Caravan Of Dreams, 1987]
Pat Metheny - "Song X" [GeFFen, 1986]
Paul Bley Trio - "Closer" [Base Record, 1966]
Peter Erskine - "Transition" [Passport, 1986]
Philip Glass - "Hydrogen Jukebox" [Electra, 1993]
Red Garland - "Crossings" [Galaxy Records, 1978]
Simon H. Fell - "Composition nº 30, Compilation III For Improvisers, Big Band And Chamber Ensemble" [Bruce's Fingers, 1998]
Sonny Fortune - "Awakening" [AM, 1975]
Sonny Rollins And The Contemporary Leaders - "Sonny Rollins And The Contemporary Leaders" [Contemporary Records, 1959]
Sonny Sharrock Band - "Asked The Ages" [Axiom, 1991]
Sun Ra - "The Magic City" [Impulse, 1973]
Thad Jones / Mel Lewis & Manuel De Sica And Jazz Orchestra - "Thad Jones / Mel Lewis & Manuel de Sica And Jazz Orchestra" [Pausa, 1973]
Thelonious Monk - "Brilliance" [Milestone, 1975]
The Instant Composers Pool - "30 Years" [edição limitada de autor, Livro/CD, 1997]
The Now Orchestra - "Wowow" [Spool, 1997]
Tom Waits - "One From The Heart" [CBS, 1982]
Tony Scott - "African Bird Come Back! Mother Africa - To The Spirit Of Charlie Parker" [Soul Note, 1984]
Uri Caine - "Toys" [JMT, 1995]
Valentin Silvestrov - "Symphony Nº 5, Postludium" [Sony, 1996]
Vandermark 5 - "Target Or Flag" [Atavistic, 1998]
Wayne Horvitz / Butch Morris / Robert Previte - "Todos Santos" [Sound Aspects, 1988]
Wayne Horvitz - "This New Generation" [Elektra Music, 1987]
Weather Report - "Tale Spin" [CBS, 1975]
Yasuaki Shinizu & Saxophonettes - "Bach - Cello Suites 1, 2 & 3" [Victor Entertainment Inc., 1996]
Zoot Sims - "Hawthorne House" [Pablo, 1976]



A Grande Ilusão

Before And After Brian Eno

Em 1995, a Microsoft lança para o mercado o seu primeiro sistema operativo da era multimédia, numa séria tentativa de morder verdadeiramente os calcanhares aos concorrentes Macintosh.
Brian Eno é, simbolicamente, o escolhido para sintetizar num breve instante wave a saudação do Windows 95 aos seus utentes - um par de segundos tão rico quanto desnecessário. Em 1978, em pleno auge do no wave, Eno compila "No New York", um disco demonstrativo e referenciável para entendermos parte da energia fugaz do movimento pré/pós-pumk nova-iorquino. James Chance, DNA, Mars e Teenage Jesus and the Jerks formaram os seleccionados por Eno para legar um ponto de partida ao movimento ou, quando muito, para apenas ficarmos com o instante possível de algo demasiado intenso para se prolongar no tempo. Hoje, quase 30 anos depois, recupera-se a música, mas também a suprema arte de estar no sítio certo na altura certa. Eno possuía essa qualidade quase ubíqua de se posicionar na linha da frente com a sua música e com a dos outros. Era assim em 1978, foi em 1995 e em mais uma boa mão cheia de oportunidades - Eno no momento oportuno, executando as suas estratégias oblíquas dentro da música contemporânea, movimentando e criando novas peças de um jogo demasiado grandioso para compreendermos em todo o seu fulgor.
Para uma história superficial da música, Eno representa paradoxalmente a figura menos óbvia de todas: a de esteta fundador da música ambiental moderna, o autor de "Music For Airports". Eis agora o melhor modo de retocarmos alguns pontos soltos e voltar a colocar Eno no panorama da pop - música pop para a qual contribuiu decisivamente nos dois primeiros álbuns dos Roxy Music. Depois, fruto de conflitos internos, Brian Eno decidiu desligar-se do grupo e construir sozinho e pausadamente a sua cartilha de canções. Apesar do longo caminho percorrido entre estes quatro discos que agora encontraram uma reedição cuidada (apenas remexendo o que era importante: o som), todos os álbuns fazem parte de um trajecto apenas, uma contínua busca feita de ideias fixas e resolutas convicções.
"Here Comes The Warm Jets" é a primeira declaração de princípios e a apresentação do Brian Eno pós-amizade de Bryan Ferry. Fúria eléctrica, velocidade de ponta, espasmos e convulsões ainda com trejeitos de glam recalcado. Humor corrosivo e surreal de quem quer chamar a atenção ("Baby's On Fire"); a manipulação como arte final ("Driving Me Backwards"); Eno anunciando Flying Lizards ("Dead Finks Don't Talk"). Está simultaneamente com um pé no seu passado e outro no futuro; e é talvez por isso mesmo que será apenas no segundo passo que a obra-prima nasce, no final de 1974 - "Taking Tiger Mountain (By Strategy)". E daqui até à consumação final, com "Another Green World" (1975) e "Before And After Science" (1977), foi um grande pequeno passo. Mais conquistas, mais cenários plausíveis, mais gritos e mais silêncios e sobretudo muitas canções que ainda hoje fazem todo o sentido serem apelidados como clássicas. As estranhas emulsões de produções e as incontáveis horas de estúdio projectaram Eno para o futuro e não há quase nada nos dois últimos discos que nos agarre às décadas que já passaram - tal como a sua música de ambientes, de filmes, de aeroportos, tal como a sua conceptualização do quarto mundo com Jon Hassell. Mesmo nos momentos esforçados, houve sempre um sopro de agitada criatividade.
Com estes quatro discos, Eno legou ao mundo quatro pedras fundamentais e incontornáveis para a vanguarda da pop que são, simultaneamente, contínuas fases de maturação e evolução da canção enquanto forma acabada, do estúdio como ferramenta principal de trabalho, de exemplos definitivos sobre a colaboração e o aproveitamento das artes de outros músicos. Todas estas peças juntas demonstram a modernidade, a vanguarda dentro dos limites, a rebeldia controlada, a necessidade suprema de romper com dogmas e criar novas actualizações. A eterna reciclagem estética deste novo século obriga-nos a uma constante confusão temporal; as obras ganham réplicas e venerações, o presente ganha uma duplicidade de referências que nos destrói a ordem natural das coisas. Talvez se percam para sempre estes pontos fixos de referência, mas, em contrapartida, a fruição encarrega-nos da nova legitimidade temporal. É assim o papel das obras-primas: eternamente influenciadoras e construtivas. 30 anos depois da sua verdadeira contribuição histórica, Brian Eno volta a ser contemporâneo e moderno, demonstrando uma qualidade que, afinal, para muitas gerações, nunca esteve em dúvida.

Nota: Já com edição internacional, mas ainda sem confirmação e data marcadas para o mercado português, também alguns dos álbuns ambientais de Brian Eno vêem agora a luz do dia, devidamente recuperados, remasterizados e reembalados. Hipótese, portanto, de reavaliar outras ondas de choque e consequentes revoluções. "Discreet Music" (1975), "Ambient 1: Music For Airports" (1978), "Ambient 2: The Plateaux Of Mirror" (1980) e "Ambient 4: On Land" (1982) reformularam conceitos para uma nova música ambiental, assente no silêncio e numa ideia alrgada de espaço e tempo, como uma nova música contemporânea erudita. Recuperando as lições da vanguarda americana - dos drones de Pauline Oliveros ao repetitivismo de Reich -, Brian Eno conseguiu elaborar delicadas paisagens sonoras que flutuam em imponderabilidade perfeita entre a brisa ligeira da genial indiferença e o subtil engodo da atraente intelectualidade. Algo tão simples e complexo, tão aparentemente invisível, foi mais um dos golpes criativos de Eno que duraraiam uma eternidade. E fica a faltar "Fourth World, vol. 1 - Possible Musics", outra das suas milagrosas invenções de modernidade, agora na companhia de outro ilustre: Jon Hassell.

BRIAN ENO
"Here Comes The Warm Jets"
"Taking Tiger Mountain (By Strategy)"
"Another Green World"
"Before And After Science"
todos Virgin / EMI-VC, reed. 2004

Pedro Santos




Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...