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25.4.17

BANDAS SONORAS (As Dez Melhores Bandas Sonoras De Sempre) - Listas -


BANDAS SONORAS
(As Dez Melhores Bandas Sonoras De Sempre)

Escolher dez bandas sonoras representativas do género não foi fácil. A opção centrou-se no assumir dos discos como peça autónoma e não apenas da música enquanto parte do filme em questão (o que afasta «2002» e outros tantos), ficando ainda o importantíssimo espaço do musical reduzido a um representante de referência. Prometemos, regressar, um dia, a estes domínios...

1951. GEORGE GERSWINN
«An American In Paris»
EMI
«Serenata à Chuva» (1952) pode servir de emblema popular do musical clássico «made in Hollywood. Mas é em «An American In Paris», filme dirigido um ano antes por Vicente Minnelli, que o conceito (musical) do próprio género encontra uma das suas concretizações mais puras. O retorno aos temas de George Gershwin (1898-1937) faz-se através de uma lógica em que as canções se vão inscrevendo num fascinante aparato sinfónico, ao mesmo tempo que suscitam a expressão dos corpos que dançam.

1958. BERNARD HERRMANN
«Vertigo»
Varese
Se Alfred Hitchcock inventou a linguagem do «suspense», então Bernard Herrmann conferiu-lhe uma sonoridade própria. Teia de melodias dramáticas, orquestrações exuberantes e cordas sempre angustiadas, a música de «Vertigo» é a apoteose de uma relação de trabalho de oito filmes, entre 1955 («O Terceiro Tiro») e 1964 («Marnie»). O todo existe como peça sinfónica autónoma e fascinante, mesmo se foi concebido para servir os desígnios fantásticos do filme e do seu retrato da mulher «que viveu duas vezes».

1966. HERBIE HANCOCK
«Blow-Up»
EMI
Ao convidar Hancock, Antonioni marcava um capítulo decisivo da música moderna. Em 1966, Hancock tinha uma pequena, mas brilhante, discografia que desembocava em «Maiden Voyage” (1965). Nela se exprimia uma relação mais «free» com a história do jazz, disponível, por exemplo, para as experimentações electrónicas. Na sua riqueza rítmica, fundindo sonoridades rock, jogos funky e deambulações jazzísticas, «Blow-Up» é o momento zero de um fascinante processo de reconversão da música nos filmes.

1971. WALTER CARLOS
«A Laranja Mecânica»
Warner Bros
Depois do determinante «2001: Odisseia No Espaço», Kubrick voltou a encarar a música como elemento fulcral do filme seguinte. Baseado num livro de Anthony Burgess, o filme contou com brilhante banda sonora na qual se cruza Beethoven e Rossini com uma ousada aventura de pioneirismo electrónico conduzida por Walter Carlos. Num espaço de travo futurista (que sublinha a identidade estética do filme), um plano novo nasce do encontro entre a tradição clássica e o desenho de um futuro electrónico.

1977. VÁRIOS
«Saturday Night Fever»
Polydor
Editada em Dezembro de 1977, «Saturday Night Fever» é a banda sonora mais vendida de sempre, o que é por si pomposo muito embora esse não tenha sido o seu feito maior. O «pequeno filme» revelou-se um fenómeno cultural ímpar definindo uma geração, testemunhando todo o movimento, a forma de ser, de estar, de vestir, de dançar do disco sound. A par de clássicos dos Bee Gees surgem outros hinos e nomes como Yvonne Elliman e K. C. & The Sunshine Band num documento histórico.

1977. JOHN WILLIAMS
«Star Wars»
RCA Victor
John Williams era já um veterano (inclusivamente premiado com dois Óscares) quando aceitou o desafio de George Lucas para cenografar com música um épico intergaláctico que acabou por marcar a história do cinema. Herdeiro da tradição sinfonista (uma das mais ricas e recheadas escolas de música ao serviço do cinema), John Williams condensou na banda sonora de «A Guerra Das Estrelas» uma amálgama de referências funcionais, dela nascendo uma sólida e inesquecível sinfonia universal.

1982. VANGELIS
«Blade Runner»
Wea
De certa forma, encontramos na música que Vangelis compôs para «Blade Runner» uma actualização (revista e aumentada) das potencialidades das electrónicas ao serviço da mais clássica escrita de música para cinema, escola com primeiro mestre em Walter Carlos. Ridley Scott adapta aqui um conto de Philip K. Dick e, para conceber os ambientes de uma Los Angeles opressiva e sobrepovoada no século XXI, recorre a uma dialética entre o épico e o negro que a música de Vangelis aqui tão bem sugere.

1990. ANGELO BADALAMENTI
«Twin Peaks»
Warner Bros
Numa chamada de atenção aos universos da música composta para televisão, a presença de «Twin Peaks» serve nesta lista para exemplificar como pode ser importante o entendimento estético entre um realizador (Lynch) e um compositor (Badalamenti) na criação da alma de uma obra total. A música de «Twin Peaks», que contamina depois a própria adaptação ao cinema em «Fire Walk With Me» (em 1992), decorre de um trabalho que realizador e músico vinham a desenvolver, na companhia da cantora Julee Cruise.

1995. GORAN BREGOVIC
«Underground»
PolyGram
A obra-prima de um dos mais invulgares autores europeus de música para cinema é um exercício de composição que parte de referências de tradições populares da música balcânica para um espaço de contemporaneidade, naquele que é também o mais recomendável dos trabalhos de escrita musical na filmografia de Emir Kusturica. Depois de interessantes ensaios em «Arizona Dream», «O Tempo dos Ciganos» (ambos de Kusturica) e «A Rainha Margot» (de Chéreau), Bregovic atinge aqui a plenitude da sua escrita.

1996. VÁRIOS
«Natural Born Killers»
Interscope

Momento alto de uma tradição que conheceu o primeiro momento histórico na banda sonora de «Os Amigos de Alex», a de «Assassinos Natos» é uma das mais poderosas compilações de canções ao serviço da sétima arte. A música que serve este filme de Oliver Stone reúne figuras tão díspares quanto as de Leonard Cohen, Patti Smith, Patsy Cline, Nine Inch Nails ou Barry Adamson. Na concepção e coordenação da banda sonora encontramos Trent Reznor, que depois trabalhou com David Lynch em «Estrada Perdida».




15.2.17

DN:música - Série: Os Melhores Álbuns De Sempre (1)


DN:música
Os melhores álbuns de sempre
02 de Setembro de 2005

[52] WALTER CARLOS
A CLOCKWORK ORANGE




Na banda sonora de A Laranja Mecânica, de Stanley Kubrick desvendou-se uma das primeiras obras-primas da música electrónica ‘popular’. Música visionária, pioneira, herdeira das descobertas de Moog, em diálogos entre a tradição clássica e a invenção de novas linguagens

TÍTULO A Clockwork Orange (Original Soundtrack
ALINHAMENTO Title Music From A Clockwork Orange (W. Carlos / R. Elkind) / The Thieving Magpie (Rossini / Theme From A Clockwork Orange (W. Carlos / R. Elkind) / Ninth Symphony – second movement (Beethoven) / March From A Clockwork Orange (Beethoven, arr. W. Carlos) / William Tell Overture (Rossini) / Pomp And Circumstance March No 1 (Elgar) / Pomp And Circumstance March No 4 (Elgar) / Timesteps (W. Carlos) / Overture To The Sun (Terry Tucker) / I Want To Marry A Lighthouse Keeper / Suicide Scherzo (Beethoven, arr. W. Carlos) / Ninth Symphony – fourth movement (Beethoven, arr. W. Carlos) / Singin’ In The Rain
ANO 1972
EDITORA Warner Records

Em 1971 Stanley Kubrick apresentou A Laranja Mecânica, um dos mais marcantes dos seus filmes, adaptação de um romance de Antony Burgess no qual se revela a história de Alex, um jovem cujos interesses são apenas sexo, ultra-violência e Beethoven. O filme, um dos mais citados entre fundamentais por sucessivas gerações de músicos, juntou a uma realização de mestre e a um argumento notável uma interpretação arrebatadora de Michael MacDowell, um aprumo visual iconográfico e uma banda sonora que fez história, revelando-se uma das primeiras obras-primas da música electrónica “popular”.
Colaborador de Robert Moog no desenvolvimento do seu sintetizador, o norte-americano Walter Carlos (hoje Wendy, depois de uma operação de mudança de sexo em 1972) levou as potencialidades das novas tecnologias ao serviço da música a bom porto com dois discos nos quais ousou cruzar referências da música clássica com as emergentes máquinas electrónicas de fazer som. Em Switch On Bach (1968) e The Well Tempered Clavier (1969), reinterpretou leituras de obras seculares à luz do que se sonhava ser o som do futuro.
Kubrick desafiou Walter Carlos a criar as músicas e paisagens sonoras de A Laranja Mecânica, procurando em algumas diálogos visionários entre passado e futuro, entre a música clássica e os novos instrumentos, em tudo seguindo pistas fulcrais na definição dos jogos éticos do próprio filme. Walter Carlos partiu precisamente da lógica de adaptação livre que praticara nos anos recentes e reinventou, para Kubrick, a abertura de Guilherme Tell de Rossini e, claro, elementos diversos da Nona de Beethoven, peças que quase adquirem uma lógica narrativa. Numa das variações em torno de Beethoven, à qual chamou March From A Clockwork Orange (definida sobre excertos do quarto andamento da nona sinfonia), Walter Carlos estreou um instrumento que depois se tornaria acessório em muita produção musical posterior: o vocoder.
A estas peças interpretativas, Walter Carlos juntou composições suas, uma delas o gatilho primeiro para o interesse de Kubrick, o expressivo e texturalmente deslumbrante Timesteps, o hoje célebre tema de abertura do filme e alguns elementos incidentais. O resto da banda sonora é constituído por gravações “clássicas” de obras de Rossini, Elgar, Tucker e Beethoven e as canções Singing In The Rain de Gene Kelly e I Want To Marry A Lighthouse Keeper de Erik Eigen.
Três meses depois da banda sonora, Walter Carlos editou um disco complementar com a versão integral de Timesteps e porções de música adicional que acabaram fora da montagem final do filme.

Nuno Galopim


A Clockwork Orange Soundtrack (Vinyl) from Patrick Kelly on Vimeo.




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