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26.12.22
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15.6.20
5.2.15
Memorabilia: Revistas / Magazines / Fanzines (22) - Ritual - Nº 10 - Dezembro 1989 / Janeiro de 1990
Ritual
Nº 10
Dezembro de 1989 / Janeiro de 1990
Revista Bimestral - Liége - Bélgica (em Francês)
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Collection d'Arnell-Andréa
Entrevista
No número 8 dei-vos conta do meu entusiasmo pelos Collection d'Arnell-Andréa. Dum ponto de vista puramente chauvinista, entusiasmou-me o facto de descobrir, enfim, um grupo francês que produz uma música tão forte e inebriante como a dos Cocteua Twins e ou Dead Can Dance. Mas, digamos a verdade, Cd'AA não é uma cópia afrancesada dos grupos britânicos: os cinco músicos deste grupo, formado em 1986, desenvolveram nas suas composições uma ambiência muito particular, uma atmosfera sombria e uma nostalgia dos dias de antanho (alguns falarão em romantismo). O grupo rapidamente seduziu, tanto entre nós como no outro lado do Canal: o seu primeiro maxi saiu, com efeito, numa editora inglesa, e deram em Março último um concerto no Rock Garden de Londres. Em resumo, os Collection d'Arnell-Andréa são um grupo que têm um caminho próprio, um grupo que não deve tardar a voos mais altos. A alguns dias da saída do seu primeiro álbum, a Ritual pediu a Jean-Christophe d'Arnell que desvendasse um pouco os mistérios da Collection.
RITUAL: Os clichés, são muito bons, mas nada vale mais que a opinião dos interessados quanto à imagem mediática do grupo. O Romantismo diz-vos algo?
Jean-Christophe d'Arnell: A minha definição de Romantismo é: «a transformação lírica da vida em arte: a aurora do Simbolismo». Se dizem que nós somos «românticos», eu respondo: «O Outono é o berço do nosso silêncio...»
RITUAL: Não há pesadelos, mas creio discernir uma certa oposição entre o belo e o horror que reaproxima a ambiência dos vossos textos de certos escritos de Lautréamont.
J.-C. A.: Eu não penso verdadeiramente que a oposição entre o belo e o horror seja flagrante. De facto, aquilo que pode parecer como o registo do horror, parece-se mais facilmente e mais naturalmente com acontecimentos simples e trágicos que são, pela força com que emergem, parte integrante de uma certa beleza de que falas. Assim, não há oposição, mas uma multitude de impressões que seria injusto reduzir a esses dois pólos: horror/beleza.
RITUAL: Eu senti uma grande importância na evocação ou na imagem da Natureza, nas vossas palavras/textos.
J.-C.A.: É certo que a Natureza, no sentido de livre e trágico do termo, conta enormemente naquilo que escrevemos; a «natureza-assassina», a «natureza-cúmplice», a natureza, o último refúgio lírico do Homem.
RITUAL: Certo: uma grande parte da alma dos Collection d'Arnell-Andréa está nessas duas frases. O grupo está fascinado pelo período de finais do século XIX, princípios do século XX. Isso requer, sem dúvida, algumas explicações.
J.-C.A.: Bem mais do que um interesse por esse período, trata-se de uma paixão; quando digo «bem mais», que dizer na verdade «para além de», ou «contrariamente». Há, de facto, dentro da paixão uma espécie de impotência de estar cara-a-cara do que o circunda e das coisas que ele impõe; nós não estávamos lá. Eu penso que esta dificuldade interior se repercute na nossa música. Penso mesmo, sinceramente, que esta paixão tende a exprimir-se apesar de nós, quer dizer que a ressonância da nossa música nos escapa por vezes e também nos transtorna. Muitas obras, acontecimentos, personagens dessa época fascinam-nos, mas nós retemos essencialmente o movimento Simbolista, tanto na literatura como na pintura e nas Artes em geral. Ignoro se a música permite exprimir de forma satisfatória os nossos sentimentos: tenho dificuldade em ter essa «impressão». Dito isto, creio muito nesta alquimia fascinante, entre a literatura e a música.
RITUAL: Ao lado de tudo o que exprimem por palavras, a música parece como que despojada, como que para realçar o valor das palavras.
J.-C.A.: Isso não é feito de todo nessa óptica pois, como já realçaste, o canto não é verdadeiramente colocado «à frente» do resto dos outros instrumentos. A nossa música é despojada por acaso, tal qual ela se nos impõe; é certo que nós não procuramos a todo o preço este ou aquele arranjo, ou instrumento suplmentar, que de todo o modo nos forçará obrigatoriamenre à impressão primitiva.
RITUAL: Abordemos este capítulo. Há, neste maxi single uma dedicatória a Wim Wenders. É, no entanto, surpreendente que, apesar de evoluirem dentro dessa ambiência nostálgica, façamos de Wim Wenders um representante dessa época, pois ele é uma imagem de modernidade, muito actual, muito inovador. Não há aqui uma contradição?
J.-C.A.: Não penso assim. O problema não é de saber onde se situa a modernidade; o filme Les Ailes du Désir (As Asas do Desejo) demonstra um testemunho soberbo dum problema mais profundo. Penso que o problema é pois mais forte que a decalagem entre o mundo e o mundo interior é grande.
Tudo o que foi dito aqui deve convencer-vos que os Collection d'Arnell-Andréa é um grupo à parte. Isso é tanto mais interessante que mesmo que toquem uma música que consideramos como tipicamente britânica, eles não se contentam em repetir os clichés. A Collection reclama a sua afeição à cultura francesa. O seu novo álbum deverá aliás precisar este interesse de modo mais nítido, confirmando o grupo na sua originalidade, longe dos clones continentais dos Joy Division. Um grupo como já não esperávamos.
Vincent Laufer
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Vincent Laufer
30.1.15
Memorabilia: Revistas / Magazines / Fanzines (21) - Ritual - Nº 11 - Maio/Junho de 1990
Ritual
Nº 11
Maio / Junho de 1990
Revista Bimestral - Liége - Bélgica (em Francês)
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Em primeiro lugar, queremos agradecer-vos pelas vossas respostas. Elas chegaram em número suficiente para nos permitir elaborar as listas abaixo, listas que podemos imaginar serem representativas dos gostos do conjunto de todos os nossos leitores.
O prometido é devido e uma trintena de ente vós (sorteados) receberão, daqui a alguns dias, um álbum, para vos recompensar pelo vosso esforço, se é que o houve.
Os Melhores Momentos Musicais de 1989
Grupos ou Artistas do Ano
1. Pixies
2. Cure
3. And Also The Trees
4. Swans
5. Stone Roses
6. Jesus & Mary Chain
7. Einstürzende Neubauten
8. Happy Mondays
Xymox
10. Wedding Present
11. House of Love
Ian Mc Culloch
Nitzer Ebb
14. Dominic Sonic
15. Lenny Kravitz
New Model Army
Siglo XX
Sem surpresas notáveis, à excepção do quarto lugar dos Swans e da ausência dos Young Gods, New Order, My Bloody Valentine. À excepção de Sonic, os franceses fazem parte de uma categoria/lisa à parte desta. Com efeito, passámos Trisomie, la Mano, Noir Désir... ? Bom lugar de House of Love que se coloca em décimo primeiro lugar sem ter qualquer trabalho saído em 1989.
Álbuns do Ano
1. Doolittle - Pixies
2. Disintegration - The Cure
3. Farewell To The Shades - And Also The Trees
4. Automatic - Jesus & Mary Chain
5. The Stone Roses - The Stone Roses
6. The Burning World - Swans
7. Bizarro - Wedding Present
Haus Der Luege - Einstürzende Neubauten
9. Showtime - Nitzer Ebb
10. Candleland - Ian Mc Culloch
11. Blow - Red Lorry Yellow Lorry
12. Borderline - Asylum Party
Blood And Thunder - Neon Judgment
Here Today, Tomorrow Next Week - Sugarcubes
15. L'Herbe Rouge - Young Gods
Singles / Maxis Do Ano
1. Can't Be Sure - Sundays
2. Lovesong - The Cure
3. Works - Trisomie 21
4. Just Like Heaven - Dinosaur JR
Sowing The Seeds Of Love - Tears For Fears
6. Revolution - Spacemen 3
My Lady D'Arbanville - And Also The Trees
I Wanna Be Adored - Stone Roses
9. Pure - The Lightning Seeds
10. Barging Into The Presence Of God - Pale Saints
Aux Sombres Héros De L'Amer - Noir Désir
Os esquecidos: Mc Culloch, New Order, Front 242, Pixies... Lugar aos Novos: Sundays, Dinosaur JR, Stone Roses, Lightning Seeds, Pale Saints. Só os Cure e And Also The Trees salvam a honra do convento.
Melhores Grupos em Palco
1. The Cure
2. Xymox
3. Litfiba
Front 242
5. The Nits
6. Young Gods
Wedding Present
Noir Désir
9. My Bloody Valentine
10. Jesus & Mary Chain
11. Nick Cave
Mano Negra
13. The Cult
Dead Can Dance
15. Wim Mertens
Xymox?... Ah, bom. Tirar o chapéu a Litfiba, um inacreditável terceiro lugar. Décima terceira posição para os DCD.
Descobertas Do Ano
1. Collection d'Arnell-Andréa
2. The Stone Roses
3. Lenny Kravitz
4. The Sundays
5. Pixies
Dominic Sonic
7. Young Gods
8. The Field Mice
9. Pale Saints
10. Mary Goes Round
Lush
Collection DAA faz jus à artilharia grossa da bretanha. Os Pixies e os Young Gods são ainda esperanças? Nono lugar para os Field Mice sob a base de 2 singles, obrigado Inrock.
Grupos Belgas do Ano
1. Front 242
2. Poésie Noire
3 Arno
Siglo XX
5. Neon Judgement
6. Casual Sanity
7. Billy & The Ep's
8. Wim Mertens
The Paranoiacs
10. La Muerte
Sttellla
A Split Second
13. Minimal Compact
Noise Gate
15. The Arch
Parade Ground
Arno e Parade Ground mantêm-se sem ter nada editado em 1989. Lugar póstumo para os Minimal Compact. A Body está sempre lá. Parcela rock com os Paranoiacs e La Muerte. Bom lugar para Billy & The EP's
Grupos Franceses do Ano
1. Trisomie 21
2. Little Nemo
Noir Désir
4. Asylum Party
5. Bérurier Noir
6. Les Thugs
Mano Negra
8. Les Négresses Vertes
9. The Grief
10. Collection d'Arnell-Andréa
Dominic Sonic
Etienne Daho
13. Parkinson Square
Neva
15. Les Innocents
Jean-Louis Murat
Encontramos um pouco de tudo, desde artistas acessíveis (Négresses Vertes, Daho, Murat) que se misturam com grupos menos abordáveis (Neva, The Grief). A Touching Pop está muito ausente. Onde está Daniel Darc?
Os Melhores Momentos Musicais Da Década
Grupos ou Artistas dos Anos Oitenta
1. The Cure
2. Joy Division
3. Jesus & Mary Chain
4. The Smiths
5. Echo & The Bunnymen
6. Dead Can Dance
7. Bauhaus
8. Cocteau Twins
9. And Also The Trees
U2
11. Sisters of Mercy
12. Sonic Youth
13. Xymox
14. Pixies
15. New Order
16. Nick Cave
Front 242
18. Siouxsie & The Banshees
19. Einstürzende Neubauten
Trisomie 21
21. The Mission
22. Wedding Present
REM
24. Elvis Costello
25. Minimal Compact
Os Cure são, sem dúvida, o melhor grupo da década. Os New Order não são unânimes, ao contrário dos Joy Division que em dois anos e três álbuns se colocaram na segunda posição, culto, disseram culto? Os "Góticos" são definitivamente esquecidos (Sisters em décimo primeiro, Mission na posição 21) A parte Front, a EBM e a electrónica não são mais a receita.
Álbuns dos Anos Oitenta
1. Closer - Joy Division
2. Psychocandy - Jesus & Mary Chain
3. Faith - The Cure
4. Pornography - The Cure
5. The Queen Is Dead - The Smiths
Medusa - Xymox
7. Heaven Up Here - Echo & The Bunnymen
8. 17 Seconds - The Cure
Garlands - Cocteau Twins
10. First, Last And Always - Sisters of Mercy
11. Treasure - Cocteau Twins
Doolittle - Pixies
13. 1979-1983 - Bauhaus
14. Floodland - Sisters of Mercy
15. The Smiths - The Smiths
Ocean Rain - Echo & The Bunnymen
Within The Realm Of A Dying Sun - Dead Can Dance
18. Hatful of Hollow - The Smiths
19. War - U2
20. The Joshua Tree - U2
Hyena - Siouxsie & The Banshees
Official Version - Front 242
23. London Calling - The Clash
Tocsin - X-Mal Deutschland
25. EVD - Sonic Youth
Fireside Favourite - Fad Gadget
From The Lion's Mouth - The Sound
Seria impossível traçar um panorama mais completo da década. A salientar, ainda assim, as várias entradas dos Cure (ainda eles) e dos Smiths, e o excelente segundo lugar de Psychocandy.
Singles / Maxis dos Anos Oitenta
1. Love Wil Tear Us Apart - Joy Division
2. Temple of Love - Sisters of Mercy
3. Blue Monday - New Order
4. Hand In Glove - Smiths
5. Charlotte Sometimes - The Cure
6. She's In Parties - Bauhaus
Killing Moon - Echo & The Bunnymen
Lullabies - Cocteau Twins
9. Collapsing New People - Fad Gadget
10. Flower - Sonic Youth
Yu Gung - Einstürzende Neubauten
12. Heaven - Psychedelic Furs
13. Incubus Sucubus II - X-Mal Deutschland
Nenhum single recente conseguiu entrar nesta categoria, já se esqueceram de Christine, Monkey's Gone To Heaven, Birthday, Mercy Seat... Ausência incompreensível de This Charming Man, dos The Smiths.
Melhores Grupos Ao Vivo
1. The Cure
2. Dead Can Dance
3. U2
4. Front 242
5. And Also The Trees
6. Xymox
7. Simple Minds
8. Siouxsie & The Banshees
9. The Cramps
Happy Mondays
11. The Mission
Jesus & The Mary Chain
13. Joy Division
UT
15. Echo & The Bunnymen
In The Nursery
E ainda e mais uma vez os The Cure que reinam verdadeiramente em toda a década. Por que não os New Order, Sugarcubes, Nick Cave... Ah sim, uma questão, quem viu os Joy Division em concerto?
29.11.14
Memorabilia: Revistas / Magazines / Fanzines (5) - Ritual - Nº 12 - Setembro / Outubro de 1990
Ritual
Nº 12
Setembro / Outubro de 1990
Revista Bimestral - Liége - Bélgica (em Francês)
A Ritual foi uma revista / Magazine musical dedicada à música indie, conforme se pode constatar na foto da capa que vos deixo abaixo.
Fica aqui a referência ao seu número 12, cujo conteúdo e tipologia musical abordados facilemnte se podem inferir a partir das chamadas de capa que a figura abaixo representa.
Talhada Independentemente & de Mentalmente Estranha
A cena musical independente francesa tem deixado uma impressão desagradável de trabalho por fazer, de inactividade, de tédio. As tentativas de algumas etiquetas e distribuidores são por isso louváveis e interessantes. A cena underground / alternativa beneficiou fortemente do trabalho de gente como Vita Nova (Grenoble), Les Ballets Mécaniques (Toulouse) ou ainda dos Les Disques Du Soleil Et De L'Acier. Mais recentemeente, a Permis de Construire e a Odd Size parecem ter ganho algum relevo. O último número da Ritual mencionava as edições de Dreaming Togheter e do álbum colaborativo (split album) Face To Face, com Die Form e Asmus Tietchens para a Odd Size. Impõem-se pois algumas palavras sobre esta nova editora.
Os H.N.A.S. (Hirsche Nicht Auf Sofa) de Aix La Chapelle propõem-nos uma música fora de qualquer categorização evitando todas as conotações fáceis e apresentando um estilo muito próprio. Fazendo lembrar os Nurse With Wound de início, os H.N.A.S. criam a sua própria ambiência musical onde cada parcela sonora evoca o mistério e provoca uma escuta atenta que nos embebe num ambiente de sonho. Os Vox Populi ! são originários de Paris. O seu primeiro álbum, Mysticismes, de 1986, maravilha-nos pela sua atmosfera planate e envolvente. A formação aqui presente, Home, Femme, Autruche Ou Radiateur parece mais trabalhado, mais cuidado e melhor produzido. As cinco faixas oferecem-nos cada uma um aspecto particular colocando em evidência os recursos de Axel Kyrou e dos seus companheiros. Permanent Revolution, por exemplo, é uma peça pessoal de funk original. Permanent Revolution Part 15 faz sobressair as guitarras tortuosas, que criam um clima pesado e lânguido.
Paralelamente à actividade de editora de discos, a Odd Size lançou-se também no papel de distribuidora e abriu uma loja. O catálogo de distribuição está já bem fornecido e compreende uma série de pequenas etiquetas (K7 e outras) francesas que até ao momento têm encontrado grandes dificuldades de distribuição: Vox Man, V.P.231, Electro-Institut, Illusions Productions... As etiquetas de outros países, tais como a Dossier (RFA), Atonal (RFA), Sterile (UK), Touch (UK), Insane Music (Bélgica), SST (USA) estão também representadas na distribuição.
Paradoxo: o negócio do catálogo com a SJ Organisation que já estava especializado na distribuição em França da maior parte das etiquetas supracitadas. O fim provável das suas actividades não entristecerá os fãs, pois a Odd Size virá, certamente, ocupar o seu lugar.
Finalmente, a abertura do armazém é uma boa coisa. Uma cidade como Paris tinha necessidade de , depois de muito tempo, ter uma coisa assim para os musicófilos, que seja uma alternativa ao mercantilismo das grandes superfícies do disco e à inevitável New Rose. Lugar de descobertas sonoras mas também um ponto de encontro e de comunicação. Numa fase posterior, a Odd Size prevê, de acordo com a sua política de independência, construir o seu próprio estúdio de gravação e de possuir a sua própria estrutura de produção. Esperemos que consigam atingir os seus objectivos e que as suas intenções não se tiornem letra morta
Eric Therer
Odd Size Records, rue de Laghornat 24, F-75018 Paris
10.11.12
"Zeuhl" - Parte 4: "O Zeuhl à Volta do Mundo", secção 1/9: Bégica
“Zeuhl”
Parte 4 – O Zeuhl À Volta Do Mundo
Nota: Como o Zeuhl é um conceito tão abstracto,
recomendamos vivamente que, antes de ler este artigo, leia os anteriores
(partes 1 a 3). Depois, então, pode ser que tudo faça mais sentido.
Nos três anteriores artigos você leu, sem dúvida, tudo o
que há para saber sobre o Zeuhl, e se este for um tema de interesse para si,
certamente que os leu com atenção redobrada.
No anterior vimos o legado do movimento e, reparámos,
entre muitas outras coisas, que o Zeuhl permeou também o RIO, para além de
outros movimentos.
Mas... e no mundo? Bem, você conseguirá encontrar
referências Zeuhl nos lugares mais improváveis, e existem inúmeras dedicatórias
bizarras ao espírito dos Magma, à linguagem Kobaia e ao Zeuhl em geral. Neste
artigo vamos tentar destilar o interessante e o curioso, numa qualquer forma de
viagem coerente, ao longo do globo.
Bélgica
As estrelas Zeuhl mais óbvias na Bélgica são os Univers
Zero e os seus correlatos Present. Ambas as bandas forçaram o modelo Zeuhl a
tomar formas mais complexas, reescrevendo as regras à medida que iam produzindo
as suas obras, fazendo a ponte com tudo, desde o heavy rock até à música
clássica.
Mas talvez você não conheça (os também relacionados) Cos.
Começaram como Classroom (em 1966) tocando uma mistura de música jazz e
clássica. O fundador Daniel Schell era apaixonado por novas ideias aplicadas à
música, sendo também um dedicado fan de música jazz. Uma reformação dos
Classroom, em 1970, contou na sua composição com o extremamente talentoso
Pascal Son. Então a música dos Classroom mudou quando eles descobriram os
Magma, tendo tocado como sua banda de suporte em vários concertos que aqueles
deram na Bélgica na altura. Nesta fase, os Classroom eram formados por Jean-Luc
Manderlier, anteriormente nos Arkham (pre-Univers Zero) e depois nos Magma.
Demos gravadas para a CBS nesta altura
foram incluídos no CD dos Cos que reedita o seu primeiro LP, composto por uma
mistura de fusão-jazz e neo-classicismo, tendo ainda um pé no psicadelismo dos
anos 60.
Mudando o nome para Cos, eles apoiaram os seus amigos
ex-Magma, os ZAO, em digressão e no trabalho POSTAEOLIAN TRAIN ROBBERY,
combinando muito mais do que Zeuhl assimilado, jazz, clássica e elementos rock.
A sua música intricada misturando de forma igual características do Zeuhl e
estilismos Canterbury/RIO. Em VIVA BOMA o estilo de canções bizarras de Pascal
e modo de cantar em ‘scating’ tornaram os Cos reconhecíveis aos primeiros
acordes, e aqui, o senhor “Aksak Maboul” Marc Hollander substituiu Charles Loos
nos teclados (ele saiu para os Julverne), tornando os Cos tão confusos
estilisticamente que é como se por vezes os ZAO tivessem Phil Miller e Hugh
Hopper na sua formação, tocando por cima de uma louca canção pop-funk! De admirar
e francamente a sério, este era o paradoxo que mais tarde esteve na origem do
desmembramento dos Cos, mas com os álbuns que apontámos, cada momento foi um
sucesso.
Mais tarde, Daniel Schell formou outra banda chamada
Karo, explorando o seu novo brinquedo, o Chapman Stick, com uma fusão
instrumental que era um passo atrás em relação aos primeiros Cos, sem muita
influência Zeuhl. Charles Loos’ Julverne trouxe o lado sério da música de
câmara dos Cos, criando uma música que era mais Satie que Zeuhl, mas ainda
assim dentro do campo Zeuhliano.
O seu segundo LP, A NEUF (“É novo”, em Português),
mergulhou o anterior folk dos Wallon num pot-pourri de fusionismo, parecido com
o lado mais soft dos Univers Zero.
Mais recentemente, os Cro Magnon apareceram a tocar uma
música que é uma mistura de todos os estilos e referências citadas acima, uma
espécie de híbrido de rock de câmara/clássica/RIO, e muito mais séria do que a
sua imagem. Em essência, o oposto dos Cos, que projectavam uma imagem de
seriedade mas eram, na realidade, totalmente excêntricos.
Cos –
VIVA BOMA (LP: IBC 4B 062-23.605) 7/76
1976 (CD: Musea FGBG 4159.AR) «plus 4 bonus tracks» 1997
Cos –
BABEL (LP: IBC 4C 058-23.794) 1979
Cos –
SWISS CHALET (LP: IBC 4C 064-23.902) 1980
Cos –
PASSIONES (LP: Boots 08 1804 ou Lark INL 3539) 1983
Cos –
Hotel Atlantic (12” EP GeeBeeDee 60-1815) 1984
Cro
Magnon – ZAPP! (C: Het Verkeerde Been 9201) 992
Cro
Magnon – BULL? (CD: Lowlands LOW 008) 1996
Julverne
– COULONNEUX (LP: EMI 4B 58-99069) 19??
Julverne
– A NEUF (LP: Crammed CRA 274) 1981
Julverne – EMBALLADE (LP: Igloo IGL 037) 1983
Julverne – NE PARLONS PAS DE MAHLEUR (LP: Igloo IGL 089)
1994
Julverne
– LE RETOUR DU CAPTAIN NEMO (CD: Igloo IGL 089) 1994
Daniel
Schell & Karo – IF WINDOWS THEY HAVE (LP/CD: Made To Measure MTM 13) 1986/1988
Daniel
Schell & Karo – THE SECRET OF BWLCH (CD: Made To Measure MTM 27) 1992
Daniel
Schell & Karo – GIRA GIRASOLE (CD: Materiali Sonori MASOCD 90057) 1994
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