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29.4.17
Fernando Magalhães - A Morte Do Crítico Musical - Homenagem no jornal Público
Público
Cultura
Terça-Feira, 17 de Maio de 2005
Morreu o crítico musical Fernando Magalhães
Fernando Magalhães, jornalista e crítico de música do
PÚBLICO, morreu anteontem em sua casa, no concelho de Loures, aos 50 anos, na
sequência de uma paragem cardíaca.
Nascido a 5 de Fevereiro de 1955, em Lisboa, licenciado
em Filosofia pela Universidade de Lisboa, Fernando Magalhães fazia crítica
musical no PÚBLICO desde a fundação do jornal (Março de 1990). Era ainda um
animador entusiasta de um site de discussão na Internet sobre música, o Fórum
Sons, e foi júri de vários concursos de atribuição de prémios de música, como o
Prémio José Afonso, da Câmara Municipal da Amadora, do qual fazia parte desde
1994.
Antes de integrar os quadros do jornal, colaborou com os
semanários Blitz e O Independente e foi professor de Filosofia em várias
escolas secundárias entre final dos anos 80 e início de 90, actividade da qual
falava regularmente com saudade. No final dos anos 80 teve um programa onde
divulgava música experimentalista na Rádio Universidade Tejo (RUT), ao mesmo
tempo que trabalhava na Contraverso, loja de discos que existia no Bairro Alto.
Como crítico musical Fernando Magalhães ajudou a dar
visibilidade à música rock dos anos 70, à música popular portuguesa, à
electrónica portuguesa, à world music, ao fado, à folk e ultimamente ao jazz.
Peter Hammill, o seu ídolo, Gaiteiros de Lisboa, Né Ladeiras, Nuno Rebelo, Nick
Drake, Nico, Carlos Paredes, Robert Fripp, Amália, Robert Wyatt, Diamanda
Galas, June Tabor, Brian Eno e Fátima Miranda eram alguns dos seus músicos de
eleição.
Fernando Magalhães tinha dois filhos, Sofia de 16 anos, e
João, de 12.
As datas do velório e funeral serão conhecidas hoje.
Vivo nas palavras
O Fernando pertencia, desde o início, à família que fez o
PÚBLICO nascer por entre resmungos e abraços. Ainda pertence, aliás. Trouxe até
nós o seu génio (nos dois sentidos), a sua arte de escrever, o seu conhecimento
vasto sobre as músicas que amava, a sua boa disposição temperada de ironia.
Quando ele começou a rarear na escrita – uma escrita que podia ser genial ou
desmesurada, mas nunca medíocre – esboçou-se diante de nós um vazio.
Porque ele revelava-se sobretudo nas palavras, perdia-se
nelas, perdia-se por elas: no jornal, nos suplementos, no universo transdimensional
da Internet. A 7 de Março de 1990, no número de estreia do VideoDiscos (pai e
avô dos posteriores PopRock, Sons e Y), o Fernando escrevia sobre Neil Young
mas também sobre a cantora indiana Najma ou sobre o panorama “confrangedor” das
videocassetes musicais (muito antes do agora banalizado DVD). Escrevia sobre o
que lhe interessava e sabia interessar-nos pelo que escrevia. Não são muitos os
que o conseguem e, por isso, nos temas onde era mestre, não terá verdadeiro
substituto. Na singularidade da sua escrita, viverá, sempre, a sua imagem
humana. E ele não desaparecerá enquanto ela durar.
NUNO PACHECO
Convicção filosófica
Se o Fernando escrevia sobre música era por convicção
filosófica. Era daí que ele vinha, era isso que o agarrava à música como expressão
superlativa da vida. Ele alcançou esse ponto (sem retorno?) em que se descobre
a transcendência, o para lá, a plenitude. Aprende-se, ou vislumbra-se nas
grandes narrativas, mas que está para além delas, uma experiência mística que
de modo algum cabe nos limites da... academia, ou sequer do quotidiano. Há
então que procurá-lo noutro lado, em dimensões mais próximas do sonho e da
fantasia e o Fernando reencontrou-a, ou melhor, reinventou-a onde menos se
poderia esperar: não na grande arte clássica, mas nas músicas populares e delas
decorrentes. Primeiro no rock conceptual e progressivo, depois na folk e
noutras músicas de raiz popular, finalmente no free jazz, num percurso de uma
coerência e originalidade raras no jornalismo musical português. Que é como
quem diz, fez carreira de filósofo escrevendo sobre artistas e idiomas
musicais, onde soube entrever a espiritualidade para além ou graças à conotação
popular, fazendo-nos do mesmo golpe ouvi-las de outro modo, dando-nos a
descobrir o barro místico em que se esculpiu alguma da mais inspirada música de
sempre. E também dizia muito mal, com a mesma clarividência e com um humor
devastador de toda a música demasiado medíocre, ou estritamente comercial. Para
ele não havia compromissos, nem sequer meios-termos, e esse radicalismo
frequentemente escandalizou e motivou veementes protestos. No final, podia
concordar-se ou não com as suas opiniões, mas uma coisa era segura: pouca gente
escrevia em Portugal sobre música de forma tão apaixonada, iluminada e visionária.
LUÍS MAIO
Fragmentos de textos no PÚBLICO
“As palavras, saídas da experiência ou arrancadas ao
inconsciente colectivo, que Hammill rompeu a golpes de uma introspecção
violenta, são arrebatadoras na exposição, por vezes trágica, do homem
apresentado na sua dimensão de divindade aprisionada. Pelo tempo, pela carne,
pelo pensamento, pelos outros, por si próprio.”
Sobre Peter Hammill, 19/06/92
“Os Pink Floyd da actualidade são do esterco mais fino e
sofisticado que há [...] Não chega a ser música. [...] O ácido esgotou a
validade. Lucy aposentou-se e faz tricô em pantufas frente à televisão.”
Sobre os Pink Floyd, 24/07/94
“Estados de alma que tanto exigem, para se fazerem ouvir,
do canto panfletário da Internacional Socialista, como se encolhem num
balbuciar triste e, por vezes, incoerente, de uma criança ferida. Ou de um
louco encarcerado na certeza das suas próprias convicções. De um poço como Rock
Bottom não se sai igual ao que se entrou.”
Sobre Robert Wyatt, 19/09/97
“A que dançou iluminada pelas fogueiras do flamenco e
separou a voz em dois no throat singing das altas montanhas da Mongólia. A que
meditou com os ragas indianos e fez soar os sinos num jardim da China. A que
sugou o sangue com um vampiro dos Balcãs e fez a corte ao amor, como o trovador
medieval. A que tem a voz das equilibristas e dos palhaços, dos animais e das
plantas.”
Sobre Fátima Miranda, 22/07/98
“Os subúrbios da capital inglesa na última década deste
século, com o cinzento do cimento polido pela chuva e a vida aprisionada nos
reflexos das poças de água das ruas.”
Sobre Richard Thompson, 10/09/99
“Amália possuía essa capacidade rara de se concentrar no
ponto exacto onde tudo conflui, se dilacera e floresce. O lugar da cruz.”
Sobre Amália, 07/10/99
“Meira Asher, como Diamanda Galas, é uma figura do
Inferno. Nela a Bíblia [...] transmuta-se num livro negro de pragas. Como
Diamanda Galas, a israelita profetiza a morte e o caos, revolvendo-se na
abordagem de temáticas como a sida, a masturbação feminina e o incesto. Mas
enquanto Galas encarcera a ópera, os blues e o gospel no quarto de lua do
Romantismo, Meira usa maquinaria electrónica pesada, desfaz-se na podridão e
clama que o Apocalipse é agora.”
Sobre Meira Asher, 29/09/00
“Metáfora da infiltração subterrânea, da vitória das
trevas sobre a luz, da noite sobre o dia, são obras-primas de pop electrónica,
loucura, método e paradoxo. E metem medo.”
Sobre os Residents, 28/09/01
“Ao escutarmos e, melhor ainda, ouvirmos O Mundo Segundo
Carlos Paredes sentimo-nos mais sãos e menos sós. Mas essa é a essência da
Saudade. Saudade do que somos.”
Sobre Carlos Paredes, 07/03/03
“A velha lua morreu ontem com a nova nos braços. June
Tabor traz a eternidade no seu canto. Curioso: a sua voz soa em An Echo of
Hooves menos grave. Como se tivesse subido um degrau das escadarias que
conduzem ao céu.”
Sobre June Tabor, 02/01/04
(DE ENTRE CENTENAS DE TEXTOS QUE FERNANDO MAGALHÃES
ASSINOU NO PÚBLICO AO LONGO DE 15 ANOS, ESTES FRAGMENTOS REFEREM-SE APENAS A
ALGUNS DOS MÚSICOS QUE OUVIU APAIXONADAMENTE E, NO CASO DOS PINK FLOYD, TAMBÉM
SOUBE DEMOLIR, QUANDO ENCONTROU RAZÕES PARA ISSO.)
leitores
excertos de mensagens colocadas, ontem, num fórum de
discussão da Internet em www.forumsons.com,
que Fernando Magalhães animava regularmente.
Graças ao Fernando tive a sorte de descobrir muita muita,
muita música nova – a sua lista dos melhores discos dos anos 80 acompanhou-me
durante anos a fio.
PEDRO SANTOS
[DISTRIBUIDORA FLUR]
Tinha pelo Fernando Magalhães enorme admiração. Adorava a
sua capacidade de ser corrosivo, fracturante e eficaz. Quando essas mesmas
características recaíam sobre um evento meu não conseguia disfarçar uma certa
irritação tal era o brilhantismo do seu texto.
VASCO SACRAMENTO
[SONS EM TRÂNSITO]
Sei que o primeiro texto que me marcou foi a reportagem
dele ao concerto-tributo a Feddie Mercury em Wembley. Uma prosa com um humor e
uma lata que me deixaram deliciado. Nunca mais perdi o rasto ao jornalista. JG
Era poético, delicado, cínico, corrosivo, delirante,
festivo, correndo o risco de ser incompreendido.
NUNO JORGE
Pelas imensas horas de prazer que tive a ler os seus
textos, críticas e sugestões (que tanta música me deu a conhecer, sobretudo nos
tempos loucos da faculdade) nunca o esquecerei.
FILIPE
28.4.17
Van Der Graaf Generator - Artigo de Fundo + Crítica a "The Box"
DIÁRIO DE NOTÍCIAS | 20 DE JANEIRO DE 2001
POP/ROCK
VAN DER
GRAAF GENERATOR
VISÕES E FICÇÕES
A importante memória dos Van der Graaf Generator é
revisitada numa caixa que percorre a obra mais importante do rock progressivo
cuja redescoberta faz hoje todo o sentido.
Por oportuno exercício de memória, que poderá ter
conhecido importante catalizador de atenções na maneira como o percurso recente
dos Radiohead devolveu à ordem do dia alguns nomes do chamado rock progressivo,
eis que chega finalmente aos escaparates aquela que parece ser a primeira
manifestação de saudável restauração da inesquecível obra dos Van der Graaf
Generator, sem dúvida a mais importante e marcante das bandas do seu tempo
nesta mesma área.
O simples enunciar da expressão «prog rock» assustou,
durante muitos anos, muitas almas que o associaram, sobretudo, à má memória dos
subprodutos que gerou. Nomeadamente os tristes depoimentos de uns Yes, Emerson
Lake And Palmer e de uns Genesis pós-Peter Gabriel... Afastada das atenções
«grossitas», a obra dos Van der Graaf Generator marcou, todavia, o seu tempo.
As letras plenas de um misticismo que Peter Hammill sempre cultivou e um
inteligente suporte instrumental que nunca mostrou sinais de açúcar
desnecessário, rasgaram o seu presente vislumbrando novos patamares de
consciência estética, sugerindo uma noção de música acima de fronteiras e
convenções que, regra nos nossos dias, era motivo para ditatorial jogo de
política de fronteiras na alvorada de 70. O todo da proposta dos Van der Graaf
Generator, contra o que nos mostravam então uns Pink Floyd ou Genesis, apontava
à essência dos sons, em detrimento dos complementos directos (sobretudo os
visuais). A sua música era mais profunda, negra e, sobretudo, desafiante, que a
de outros contemporâneos. E hoje, quase 30 anos depois, soa estranhamente
familiar e contemporânea. As visões de futuro além das formas, afinal, eram
pertinentes.
EM BUSCA DE UMA IDENTIDADE
As origens dos Van der Graaf Generator remontam a uma
viagem de Chris Judge Smith a São Francisco no marcante Verão de 1967. De
regresso a Manchester, onde em pouco tempo se viu a trabalhar com o cantor e
compositor Peter Hammill e o teclista (então usava-se o termo «organista») Nick
Peame. Como nome escolheram um dos que Chris trazia da lista escrita na viagem
à Califórnia, Van der Graaf Generator (para abreviar, VdGG: uma máquina que
cria electricidade estática)...
Vencida uma etapa de troca de line-up (situação
recorrente ao longo de toda a história dos VdGG), que determinou inclusivamente
a saída de Chris Judge Smith e Nick Peame, editado um primeiro single por uma
etiqueta que não aquela à qual se encontravam ligados por contrato (o que determinou
a sua imediata retirada do mercado), o soberbo álbum de estreia «The Aerosol
Grey Machine» (que começou a ser gravado como se de um disco a solo de Hammill
se tratasse) mostrava interessantes sinais de uma banda que procurava um
caminho seu, emergindo directamente das recentes e marcantes experiências no
domínio do psicadelismo.
A resposta minimal do público não demoveu os VdGG, que
entre 1969 e 1971 gravam três álbuns determinantes na definição da ideia de uma
música que parte de estruturas rock para, por processos de desconstrução,
procurar contaminações por via da abolição de fronteiras com o jazz e a música
clássica. Contra a corrente, a música demarcava-se imediatamente pelo desvio do
centro melódico para o jogo entre as teclas dos órgãos de Hugh Banton e o
saxofone de David Jackson. Não havia guitarrista protagonista, e a própria
presença de um baixista não foi constante em todos os períodos da vida do
grupo. Sem a pompa excessiva e flácida de outros contemporâneos, a música dos
VdGG evidencia uma consistência invulgar, em muito sugerida pela excelência do
edifício instrumental e pela presença vocal de Hammill, cuja teatralidade e
escrita determinam uma das forças maiores da visão que na alvorada de 70 era
proposta pelos VdGG. O épico «A Plague Of Lighthouse Keepers» (do álbum «Pawn
Hearts, de 1971), será talvez o expoente maior da versatilidade cromática e da
complexidade interior característica da música dos VdGG e que, ao vivo, fez do
grupo uma das grandes referências de palco na alvorada de 70, em absoluta
oposição à cenografia mais garrida da contemporânea primeira geração do
emergente glam rock.
A SEGUNDA GERAÇÃO
Separados em 1972 depois de um calendário de intensa
actividade na estrada, os VdGG reuniram-se em 1975 depois de três anos de percursos
a solo. Os três álbuns editados entre 1975 e 76 reflectem uma maturação da
ideia original, refinando arestas, implodindo as energias em favor de
manifestos de procura de novas formas dentro das formas. Genial, o clássico
«Still Life» (de 1976), recolhe os momentos mais significativos desta segunda
etapa da vida do grupo. A canção volta a merecer nova abordagem estrutural, e
sentem-se claras manifestações de ordem «clássica» nos arranjos com que os
novos temas se apresentam. Se a etapa 69-71 definiu as linguísticas mais negras
e desafiantes do rock progressivo, o período 1975-77 reflecte a busca de um
sentido de «belo» determinado pelas regras reveladas nos dias da
pós-adolescência criativa do grupo. É também deste frutuoso período que datam
as referências «prog rock» que alguns grupos revisitaram na recta final de 90.
Escute-se o tema-título do álbum «Still Life» e todo o percurso dos Radiohead
depois de «The Bends» terá nova leitura.
A segunda etapa da vida dos VdGG não foi, como a
primeira, alheia a convulsões internas, determinando mudanças de alinhamento. A
mais marcante destas mudanças deu-se depois de terminada a digressão de 1976,
com a saída (sem substituição possível) do organista Hugh Banton, que levou o
colectivo sobrevivente a mudar de nome para Van der Graaf. Com a derradeira
formação foi gravado mais um álbum de originais «The Quiet Zone The Pleasure
Dome», ao que se seguiu a digressão mundial que os trouxe a Portugal para três
concertos em Lisboa, Coimbra e Porto em Setembro de 1977. Desta digressão
nasce, depois, o álbum ao vivo «Vital» que assinala, em 1978, o final da
carreira do grupo.
CAIXA DE SURPRESAS
A edição desta caixa, que poderá prenunciar a reedição
integral da obra dos VdGG (certamente bem vinda numa altura em que muitos novos
admiradores serão certamente cativados pelas memórias aqui recolhidas). Mas
antes de sonhar com a devolução aos escaparates dos álbuns do grupo, «The Box»
permite-nos um olhar representativo do seu legado. Elaborada em estreita
colaboração com os antigos elementos dos VdGG (Peter Hammill foi frequentemente
consultado no decurso da produção), a caixa propõe mais que uma simples recolha
antológica. É certo que parte de uma ordenação cronológica dos eventos, mas
evita a simples compilação de faixas dos álbuns e singles dos VdGG. Pelo
contrário, usa frequentemente sessões gravadas para a BBC e inúmeros registos
de concertos ao vivo (muitos provenientes de velhos «bootlegs», em alguns casos
denotando o envelhecimento dos originais, nem todos de restauro fácil) para
completar a história que os álbuns (todos reeditados em CD) já contaram. Os
velhos admiradores encontrarão nestas raridades e na própria remasterização do
som das faixas retiradas da discografia oficial motivos suficientes para
justificar o reencontro com a banda que mais interessantes visões
«progressivas» nos mostrou em inícios de 70. Falha, apenas, a informação do
«inlay» de designa apelativo mas de conteúdo diminuto, sobrevalorizando a
listagem integral das datas ao vivo em detrimento de uma biografia mais cuidada
e de uma discografia devidamente ilustrada.
Na essência, a obra dos VdGG está aqui devidamente
recordada. «The Box» é um monumento a uma memória marcante e um documento de
absoluta referência. Venham, agora, as reedições remasterizadas álbum a
álbum...
N.G.
VAN DER
GRAAF GENERATOR
«The
Box»
Virgin / EMI-VC
+++++
DISCOGRAFIA
ÁLBUNS
1968. «Aerosol
Grey Machine»
1969.
«The Least We Can Do Is Wave To Each Other»
1970. «H
To He Who Am The Only One»
1971.
«Pawn Hearts»
1972.
«68-71»
1975.
«Godbluff»
1976.
«Still Life»
1976.
«World Record»
1977.
«The Quiet Zone The Pleasure Dome»
1978.
«Vital»
1994.
«Maida Vale (BBC Sessions)»
2000.
«Introduction»
2000.
«The Box»
SINGLES
1969.
«People You Were Going To»
1970.
«Refugees»
1972.
«Theme One»
1976.
«Wondering»23.2.09
Klaus Schulze - Entrevista e Artigo
Entrevista e Artigo (KLAUS SCHULZE)
publicado na Revista/Fanzine Espanhola
Syntorama - Nº11 de Março/Abril/Maio de 1987
Freebies:
Discografia com Richard Wahnfried:
Time Actor
Tonwelle
Megatone
Miditation
Trancelation
Trance Appeal
Drums 'n' Blass (The Gancha Dub)
Syntorama: Como foi o teu início?
Klaus Schulze: Fiz o meu primeiro trabalho "experimental" com um trio chamado PSY FREE, muito selvagem, uma espécie de free jazz (embora não soubéssemos nada disso). Isso era o que se fazia em 1969 nos clubes underground de Berlim. Edgar Froese ouviu-nos e pediu-me para tocar bateria (o que ue era nessa altura). Por um ano e um disco fui membro dos TANGERINE DREAM.
S: Que significa para ti a vanguarda?
KS: A marca vanguarda não significa nada para mim. Somente sou cauteloso quando a oiço. Essa etiqueta mostra ignorância da gente que não entende alguma música ou alguns "artistas" e podem cobrir-se atrás dela para esconder a escassez de ideias.
S: Que pensas acerca dos sintetizadores?
KS: Sinceramente me encantam. Todavia recordo que quando comecei não havia um desses instrumentos que estivesse disponível especialmente para mim. Não tinha dinheiro, como muitos artistas quando começam. Era jovem e a minha cabeça estava cheia de ideias. Todos esses anos tive de lutar contra a ignorância no que concerna aos sintetizadores. Esta luta por um novo instrumento, esta constante interpretação dos meus sintetizadores levaram-nos a um pedestal aonde eles não pertencem. Um sintetizador ou um estúdio de música são simples meios para a música. Hoje um sintetizador é algo tão normal como uma guitarra eléctrica.
S: Porque deixaste os Tangerine Dream?
KS: Queria ir mais além na música electrónica. Usava já estranhas maquetas durante os concertos de T.DREAM. Edgar queria uma bateria "normal". Conny Schnitzler tinha também ideias estranhas . Ele seguiu.
S: Como compões os teus temas?
KS: Nos primeiros tempos, maioritariamente de forma improvisada. Pouco a pouco aprendi a formar a minha música, isto é a "compôr". Porém, não escrevo peças sobre o papel, toco-as sobre K7 e toco na minha cabeça. Porque na maioria do tempo faço música, tenho muitas K7s cheias de ideias de música. Sucede que gravo um lado de um LP numa noite, mas isso significa normalmente muitos meses de trabalho duro.
S: Que pensas acerca de outras músicas?
KS: Raramente escutava outra música que não fosse a minha própria. Isso mudou um pouco comecei produzir para a minha etiqueta (IC). Hoje ouço de tudo, mas todavia não tenho sensibilidade para o jazz. Aborreço-me com gente como Jan Hammer ou Hancock e o que eles fazem com os sintetizadores Quando era jovem gostava de grupos como os "VENTURES" e os "SPUTNICKS"
S: De que forma trabalhas em estúdio?
KS: Eu estou muito contente comigo mesmo. Se trabalho não posso estar com ninguém ao meu redor. Não creio que alguém seja capaz de fazer o meu tipo de música sem a mudar. Sentar-me no misturador é parte do meu trabalho. Sempre faço o que quero sem compromissos. Essa é possivelmente a razão porque sou respeitado, e por outro lado a razão para nã ter nenhum hit.
S: Qual a tua opinião sobre a música ao vivo?
KS: Diverte-me. Tive a oportunidade de dar concertos ou fazer digressões desde 1973. Ao lado dos T.DREAM fui o único neste campo da música que tocava ao vivo. Nos primeiros tempos éramos 2 pessoas, uma pequena Ford Transit, um show de luz de 8 lâmpadas de 100W, e viajávamos através de França, a maioria das vezes na primavera, tocávamos aqui e ali, concertos maiores ou menores, organizados por fans. Hoje somos 7 ou mais, usamos um camião de 11 toneladas, e só a organização leva meio ano e amaior parte do tempo. Os concertos que mais prefiro são os da Polónia de Junho de 1983. Essa é a razão porque fiz um disco ao vivo desses concertos.
S: Porquê RICHARD WAHNFRIED?
KS: Estou casado e tenho 2 filhos. O maior chama-se Richard. Nasceu quando fundei a IC, e gravei debaixo do pseudónimo de Richard Wahnfried em modo livre de sessão de grupo com alternância de membros. Todos os lucros dessas gravações vão para os outros músicos e para o meu filho Richard.
S: Que se passou com a INNOVATIVE COMMUNICATIONS?
KS: Em 1974 tive a ideia de uma editora própria (de música electrónica), porém não tinha dinheiro nem conhecimentos. Em 1978 tentei de novo. Primeiro com o dinheiro e a pressão da WEA (Warner Brothers). As vendas foram boas, porém não osuficiente para o "irmão maior". Eles queimaram-nos. Por esses tempos tínhamos algumas produções terminadas e contratos com artistas. Outras grandes companhias recusaram as nossas ofertas, pelo que tivémos de prosseguir como independentes ... e tivémos um milhão de vendas com o nosso LP "IDEAL". Infelizmente não era de música electrónica. IC foi a mais, eu segui uma longa digressão a solo. À volta do Verão de 1983, a política da IC havia mudado drasticamente a música M.O.R. Vendi a IC e voltei ao meu estúdio. Juntamente com Rainer Bloss formei uma nova editora: INTEAM. É estritamente para a música electrónica que amo e prefiro.
S: O que é a INTEAM?
KS: INTEAM produz música electrónica e tenta pô-la em discos. Os discos que prefiro devem ser os do selo INTEAM, outras produções tentaremos que saia por outras labels. Ao meu lado e de Rainer Bloss temos uma equipa de três pessoas desde os dias da IC: Claus Cordes, que faz video, capas e publicidade. Michael Garvens que faza contabilidade e coordenação, e Klaus D. Mueller, que está no negócio de Berlim com ideias e promoção.
S: Que pensas acerca das novas técnicas?
KS: Quando comecei não tinha sintetizadores. Usava um velho orgão e um aparelho de eco barato, feed-back, e tapes e a minha fantasia. O primeiro sintetizador tive-o por muito tempo, foi um EMS. Poer esse EMS percebi a lógica de todos os sintetizadores que se seguiram. Tive que aprender de novo somente quando chegaram os digitais e o computador. Essa é outra história.
S: Estás interessado nos ritmos feitos com instrumentos acústicos?
KS: Isso é importante. Cada músico devia tocar bateria. Obteria assim um sentimento pelo ritmo, mesmo quando normalmente toque teclados, sax ou qalquer outra coisa. Eu percebi isso quando trabalhava com Michael Shrieve. Ele não conseguia manejar os sequenciadores, porém podia falar da maneira como eu tocava os sequenciadores: tentava caminhar com esse ritmo. Eu não podia. Portanto com a ajuda de Michael eu mudei o sequenciador até que podia caminhar com o seu ritmo, até que o meu corpo se sentisse bem com ele. O ritmo é importante, mesmo quando não é audível.
S: Estás de acordo com as modas?
KS: Na minha carreira vi modas musicais ir e vir. Uma moda musical é curta, e tenho sorte de nunca ter feito música da moda. Quando a minha música alguma vez foi sensação para alguém por causa da novidade superficial da inovação que pressupunham os sintetizadores e sequenciadores, eu senti-me muito responsável. Todas essas questões técnicas! Hoje esses instrumentos são normais, e todas os combos de discoteca os têm, até as mais pequenas. (No bar de um hotel em Hamburgo ouvi uma vez o habitual pianista. Tinha ao seu redor três sintetizadores, a melhor máquina-bateria desses tempos.) Nos anos 70 tinha que explicar o que era um sintetizador, tinha de lutar contra todos os preconceitos exixtentes sobre este aparelho. Em cada texto de promoção, em cada entrevista tinha que explicar: O que é um sintetizador?. Hoje os grupos jovens em moda em Inglaterra podem usá-lo, construí-lo e seguir adiante com eles. Tocam outra música, são comerciais. Eles devem tudo aos KRAFTWERK (energia eléctrica) e sabem-no, espero. Porém está na própria natureza das modas que tenham de sucumbir. Voltam as guitarras e os temas dos 60... até à sguinte moda. Eu estou todavia vivo e activo.
S: Estás muito interessado em comercializar os teus produtos?
KS: O comércio não é bom nem amu. O comércio é necessário. Sem comércio a música seria somente superior. Não há que misturar a música com os jogos olímpicos. Ou com desportos de alto rendimento. O comércio é necessário para a multidão. A multidão torna possível que toda a sociedade viva em e com a música, essa música actualmente pode ser produzida. A música comercial precisa de diferentes talentos que bem ou mal contam.
S: Qual é o teu melhor disco?
KS: Por princípio é sempre o último disco, de outra maneira não o teria feito. Desde as minhas gravações mais antigas isso era e é uma constante.
S: Tu fizeste muitas gravções. Estás contente com o trabalho que realizaste?
KS: Muitos anos de trabalho intensivo sobre a música fioram indispensáveis para descobrir um som adequado nos sintetizadores. O uso adequado dos efeitos especiais, as características de um som em locais e espaços. Este saber como que se converteu numa segunda natureza minha. No entanto ainda tenho que aprender algo de novo no dia a dia. Eu realmente acredito na intuição do génio artístico, mas devo dizer que a maioria do êxito vem do trabalho duro. Como eu uma vez escrevi sobre uma questão, não há truques, só o conhecimento adquirido e experimentação sobre a própria intenção, a tentativa das próprias ideias e falta de respeito às convenções sempre que necessário.
S: Que pensa dos críticos?
KS: Têm preferência pela música da moda, tentam criar modas. A maioria são jovens, e assim têm que provar que estão em cima do acontecimento. Alguns deles se sentem como músicos frustrados, e alguns são simplesmente invejosos. Falta-lhes experiência e conhecimento. Em Janeiro criam 20 discos do ano, no ano seguinte o mesmo. Alguns tornam-se melhores assim que mudam de trabalho. Fico contente sempre que escrevem o meu nome correctamente, desde que não escrevam sobre concertos que não tiveram lugar. Alguns sabem escrever e têm expressão.
S: Porque não deste concertos na America?
KS: Não vejo nenhuma oportunidade, no futuro próximo, de dar concertos no Canadá, Estados Unidos ou qualquer outro sítio desse continente. O mesmo sucede com o Japão. Não tenho uma grande distribuidora que me apoie e o transporte marítimo é muito car, e o negócio musical na America, ... melhor é ficar em casa e vivo.
S: Fazes video?
KS: Quando tinha a IC tinha um estúdio de vídeo. Fizémos vídeos de todos os nossos artistas, excepto de mim.
S: Que pensas acerca dos computadores?
KS: Os computadores digitais modernos são excelentes e flexíveis ferramentas. Um chip para mim não é algo de sagrado, sim uma comodidade. O medo sobre os computadores desaparece se trabalharmos com eles com carinho. Uso a tecnologia unicamente para o meu ideal musical. As ferramentas técnicas têm de funcionar como eu quero. Isto pressupõe muito esforço.
Alguns podem dizer que temem os computadores, porém o que eles temem é o trbalho que pressupõem. Perdem a paciência. Outros brincam com os computadores como se fossem jogos de crianças. Às vezes encontram o que pensam ser único... Isto tem a ver também com os modernos sintetizadores e com os antigos, assim como com cada instrumento ou com cada ferramenta em cada profissão. Imagino...
S: Que instrumentos utilizas agora?
KS: Em geral é todo o sampling e equipamento MIDI e muito, muito pequeno.
S: Que novos projectos tens para a INTEAM?
KS: Não haverá novas edições na INTEAM.
S: Que novos projectos e previsão de concertos tens?
KS: A minha próxima digressão será no Outono de 1987 mas ainda não há cidades.
S: Que novos projectos tens?
KS: Fiz um longo trabalho junto a ANDREAS GROSSSER. A gravação dura mais de 50 minutos, mas de momento não sei em que companhia será editdo, nem sequer se alguma vez será editado. Também há um ballet americano de Nova York que está utilizando "SPIELGLOCKEN" do "AUDENTITY" para a sua representação. Estarão em Amsterdão em 2 de Fevereiro e então comentaremos novos projectos com o ballet e qiçá haja um trabalho específico para eles.
NOTA: A tradução da presente entrevista foi realizada por ROSI, a quem agradecemos a sua colaboração
Todos os discos de Klaus Schulze podem-se conseguir através da LOTUS RECORDS, escrevendo para a seguinte morada: (Nota: Escrevi em 1997 e ninguém respondeu)
LOTUS RECORDS 14-20 BRUNSWICK STREET HANLEY STOKE-ON-TRENT STAFFS, ST1 1DR ENGLAND
CRÍTICAS
The Dresden Perfomance - Nº 19 da Syntorama
Último trabalho de Klaus Schulze gravado parcialmente ao vivo. É uma das suas melhores obras dos últimos tempos com temas que ultrapassam os 40 minuts, voltando às suas ideias primitivas de largos desempenhos instrumentais. Electrónicos, rítmicos e cósmicos.
ARTIGO
Neste momento falar de Klaus Schulze no fanzine era obrigatório, ainda que através de outros números hajamos seguido pontualmente os seus últimos discos. Poucos músicos haverá, dentro da cena da música electrónica, que não reconheçam haver sido influenciados em maior ou menor medida por este músico, que ao longo dos seus muitos anos de experiência soube criar um movimento em torno da "Escola de Berlim", dentro da qual se agrupariam a maioria dos músicos electrónicos de antes e de agora.
Em 1969 começou a tocar bateria com um grupo denominado PSY FRE, na cena de Berlim, até que em 1970 entrou para os TANGERINE DREAM, com quem gravou um LP "ELECTRONIC MEDITATION", juntamente com FROESE e SCHNITZLER. No fim deste disco, SCHULZE abandonaria o grupo para começar a sua prolífica carreira a solo.
"IRRLICHT" foi o seu primeiro LP, com o sugestivo subtítulo: "SINFONIA CUADROFÒNICA PARA ORQUESTRA E MÁQUINAS ELÉCTRICAS". SCHULZE deixou de tocar bateria, segundo ele devido à limitação do instrumento, e começa a investigar com aparatos electrónicos (ecos, cassettes e feedbacks). Este primeiro disco é realmente corrosivo, sobretudo o tema que ocupa o 2º lado "EXIL SILS MARIA" e constitui um verdadeiro avanço musical para o que então se fazia. Juntamente com SCHULZE colabora a orquestra, composta por vozes, cellos, saxs, oboe, flautas e contrabaixo.
Por esta época (1971) fundou os ASH RA TEMPLE, com quem tocou bateria no seu primeiro LP. "CYBORG", gravado em 1973, ao mesmo tempo que os TANGERINE DREAM fazem "ZEIT", ambos os Lps são comparáveis em estilo, completamente estático e minimal. Quatro faixas, uma por lado, neste LP duplo, que te faz levar a imaginação para partes insuspeitadas, o que te pode aborrecer se realmente não entrares nas suas esferas de sons etéreos. SCHULZE faz-se acompanhar também de orquestra e utiliza pela 1ª vez o sintetizador, um EMS SYNTHI A (VCS 3), continua com um 4 pistas (um velho TELEFUNKEN).
1973 foi um dos anos mais prolíficos na carreira de SCHULZE. Por um lado, realiza uma digressão com ASH ARA TEMPLE, outra com TANGERINE DREAM, e toca a solo em alguns concertos. Colabora com ASH RA TEMPLE no seu LP "JOIN INN" e em inumeráveis Lps dos COSMIC JOKERS (formação variável que agrupava vários músicos electrónicos de Berlim) e finalmente grava o seu LP "PICTURE MUSIC", uma autêntica maravilha de música electrónica.
"TOTEM" no lado 1 e "MENTAL DOOR" no lado 2, são duas verdadeiras maravilhas da música flutuante e atmosférica, às vezes rítmica, às vezes pausada. Juntamente com o seu VCS 3 e o orgão FARFISA, SCHULZE incorpora dois novos sintetizadores: o ARP 2600 e o ODYSEE, também da ARP.
Em 1974 realiza uma digressão por França e Holanda, junto a MICHAEL HONIG (teclados), participa na fundação do DELTA-ACCUSTIC STUDIO de BERLIM, e continua gravando com os amigos dos COSMIC JOKERS (MANUEL GOTTSCHING, HARMUT ENKE, DIETER DIERKS, JORGEN DOLLASE e KLAUS D: MULLER, entre outros) e grava o seu fantástico "BLACKDANCE2 já com contrato para a VIRGIN RECORDS. "WAYS OF CHANGES" tema rítmico onde SCHULZE utiliza a percussão, junto com outros instrumentos, guitrra e obviamente sintetizadores. "SOME VELVET PHASING" completamente stereo, fecha o primeiro lado. "VOICES OF SYN" ocupa todo o segundo lado, começa com a voz baixa de ERNST WALTER SIEMON executando uma colagem de VERDI, para dar lugar a SCHULZE, magistral com os sintetizadores.
"TIMEWIND" é o seu primeiro disco editado no nosso país (Espanha) e graças a ele, muitos de nós que procurávamos algo de novo dentro da música, pudémos apreciar que havia um movimento mais além das fronteiras do rock. "TIMEWIND" é genial, completamente estático e atmosférico, sensual e etéreo. Uma hora de música que no nosso país, desgraçadamente em muitos casos, terminou nos caixotes dos saldos.
Na contracapa há um bonito diagrama visual que indica a utilização dos sintetizadores. Junto aos que já possuía SCHULZE incorpora o ELKA-STRING. O disco é dedicado a RICHARD WAGNER de quem é grande admirador.Nessa época colabora com a recém formada dbanda do JAPÃO, FAR EAST FAMILY BAND, a quem ajuda a gravar os seus primeiros Lps "NIPPONJIN" e "PARALLEL W:", nesta banda se encontrava KITARO.1976 foi um ano muito prolífico para SCHULZE. Deu 27 concertos na Europa (Londres, França, Bélgica, Holanda e Alemanha), gravou junto com STOMU YAMASHTA "GO" e "GO LIVE" e gravou 2 Lps "MOONDAWN" e "BODY LOVE I". "MOONDAWN foi gravado em Janeiro de 76 e publicado simultaneamente em Espanha. É acompanhado na sua totalidade por HARALD GROSSKOPF na bateria, sendo este proveniente dos WALLENSTEIN. Indubitavelmente a inclusão de percussão dá um toque rítmico de que SCHULZE não se pode desprender, não esqueçamos que começou também como baterista. Por outro lado, segue aumentando a sua já grande dotação de sintetizadores e sequenciadores.
"MIRAGE" é segundo o meu critério pessoal, o melhor disco de SCHULZE. Uma verdadeira obra de arte de princípio ao fim, um disco que, penso, todos os aficionados da música electrónica deveriam escutar. Supõe uma introspecção da música de SCHULZE, donde as ideias simplesmente fluiem deixando voar a imaginação até ao infinito, até ao infinito do cosmos.
Entre 1976 e 1977 grava 2 Lps: "BODY LOVE I" e "BODY LOVE II", este denominado também "MOOGETIQUE". É a banda sonora da película com o mesmo nome dirigida por LASSE BRAUN. É evidente que a sua música vai na perfeição para dotar o filme da nata que cola ao pastel, e os que viram o filme dizem que realça até limites insuspeitados o resultado final da película. Em "BODY LOVE II" é acompanhado de HARALD GROSSKOPF na bateria.
E chegamos a uma das obras cume de SCHULZE "X". Um duplo LP dedicado a magnificar a sua obra com temas cujo nome diz tudo: "FRIERICH NIETZSCHE", "GEORGE TRAKL", "LUDWIG II. VON BAYERN", "FRANK HERBERT", "FRIEDEMANN BACH" e "HEINRICH VON KLEIST". Sem dúvida do melhor.
"DUNE" foi publicado em 1979. A inclusão do vocalista ARTHUR BROWN, que canta no tema título que ocupa todo o lado 1 e WOLFGANG TIEPOLD que toca cello, dá um toque mais diversificado à música de SCHULZE, mas sempre dentro dos altos parâmetros a ue nos tem habituado. Nsse mesmo ano funda a sua própria editora INNOVATIVE COMMUNICATION, que editou discos de R. SCHRODER, P'COCK, LORRY, POPOL VUH, KLAUS KRUGER, CLARA MONDSHINE, MICKIE DUWE, BAFFO BANFI, etc... e RICHARD WAHNFRIED. Dentro deste pseudónimo esconde-se a ideia de SCHULZE de tocar com uma banda a música que toda ela decide. O seu primeiro LP como RICHARD WAHNFRIED é "TIME ACTOR" e junto a ele tocam ARTHUR BROWN, HARMONY BROWN (vozes), VINCENT CRANE, SCHULZE (teclados), MIKE SHRIEVE (percussão) e W.TIEPOLD (cello). É uma experiência entre a vanguarda e o musak..
Em 1980 participa na "ARS ELECTRONICA" de Linz (Austria), com um show que alucina todo o público. Uma autêntica montagem. E dos seus inumeráveis concertos grava um duplo LP denominado simplesmente "LIVE". Dois lados a o solo, uma junto a H.GROSSKOPF (bateria) e outra com ARTHUR BROWN (vozes), quatro maravilhosos lados de música electrónica. Gravado dos seus concertos de AMSTERDAM, BERLIN e PARIS.
A continuação vem com "DIG IT" através do qual SCHULZE se introduz no mundo dos computadores, interpretando toda a sua música com o G.D.S. COMPUTER. Recebe a ajuda do grupo IDEAL para o lOOPING de bateria em "WEIRD CARAVAN" o seu tema mais rítmíco. Aparece um novo personagenm em cena, MIKE SHRIEVE, que se encarregará de tocar percussão em "TRANCEFER", junto a W.TIEPOLD que toca cello. Um LP dedicado por inteiro à música electrónica rítmica, sacando todas as possibilidades do G.D.S. COMPUTER. SCHULZE vai aperfeiçoando o seu estúdio que conta já com 24 pistas.
Também é lançado o 2º LP de RICHARD WAHNFRIED, "TONWELLE" con: MICHAEL GARVENS (voz), MANUEL GOTTSCHING (guitarra), SCHULZE (teclas), MIKE SHRIEVE (percussão) e KARL WAHNFRIED (guitarra).
"AUDENTITY" supõe a busca da própria identidade de SCHULZE através dos sons e da música. Esta é outra das suas obras primas, um duplo LP que é dedicado à glorificação dos sintetizadores e das novas técnicas musicais. A que mais gosto é "CELLISTICA" para elogio pessoal de W.TIEPOLD, "OPHEYLISSEM", o mesmo para SHRIEVE e atenção porque aparece um novo homem em cena, RAINER BLOSS, um homem que revolucionou as ideias de SCHULZE quase por completo e que me deixou um grande amargo de boca. "AUDENTITY" publicou-se em alguns países como disco sem selo.
Em 1983 deu uma grande digressão pela EUROPA incluindo POLONIA, graças a um contacto que o seu manager KLAUS D: MULLER possuía aí. Das suas actuações na Polónia, SCHULZE editou um duplo LP, junto ao seu inseparável parceiro RAINER BLOSS. O resultado é bom mas não tanto como seria de esperar. Indubitavelmente, e isso é algo que não me sai da cabeça, a influência de BLOSS tirou-lhe imaginação. Os título de "LIVE IN POLAND" são bem explícitos "KATOWICE", "WARSAW", "LODZ", "GDANSK", e "DZIEKUJE" cidades onde se gravaram os temas. Foi gravado na consola digital SONY PCM 100.
Em 1984 vende a IC e funda a sua nova etiqueta INTEAM. O primeiro a editar foi o LP "APHRICA" junto a ERNST FUCHS (vozes), BLOSS e o próprio SCHULZE. Hoje em dia esse LP está totalmente esgotado e a sua aquisição é bastante difícil. Depois "DRIVE INN" junto a BLOSS, é o pior que fez.
"ANGST" é a banda sonora de uma película, gravada a solo por ele, sem acompanhantes de nenhum tipo e isso se nota, a qqualidade sobe muitos degraus.
Também há um terceiro LP da aventura R.WAHNFRIED "MEGATONE". Junto a SCHULZE destavez: MICHAEL GARVENS, OLDAUER MAIDEN CHOIR, MIKE SHRIEVE, ULLI SCHOBER, AXEL e HARALD KATZSCH.
Em 1985 publica os seus medíocres "MACKSY" (maxi), com um tema de "ANGST" e outro inédito, e "INTER-FACE", do pior que fez, e não sou só eu que tenho esta opinião.
Em 1986 é editado "MIDITATION" como R.WAHNFRIED e averdade é que gosto bastante ainda que não seja do melhor. E por fim o seu ultimo Lp gravado em Agosto de 1986 e recém editado "DREAMS". Surpreendeu-me muito este trabalho porque já não esoerava nada de bom de SCHULZE. Este "DEAMS" trata de enlaçar com o seu passado, com as suas melhores obras como "MIRAGE", como o seu extenso tema de fecho "KLAUS TROPHONY" que ocupa todo o 2º lado testemunha.
Creio e espero que se deu conta de que o seu caminho estava errado e voltou à senda dos músicos que fazem as coisa com qualidade e esmero, tentando sempre impressionar a audiência.
A seguir se transcreve uma entrevista realizada com SCHULZE em duas partes, graças à colaboração do seu manager KLAUS D. MULLER, a quem obviamente tenho de agradecer a sua ajuda. A entrevista foi realizada por correio e foi fechada em Dezembro de 1986.
Para contactar o clube oficial de fans (OFFICIAL FAN CLUB), os interessados podem escrever à seguinte morada: MIX MUSIC 33 PEEL ROAD NORTH WEMBLEY MIDDLESEX HA9 7 LY ENGLAND
Recentemente publicou-se um livro acerca de KLAUS SCHULZE, escrito em Alemão por MICHAEL SCHWINN (180 páginas e 15-20 fotos). Os interessados em consegui-lo podem enviar 13,80 DM para: POSTGIROAMT HANNOVER POSTGIRO 378499-302 (BLZ 25010030)
Tags: Krautrock, Syntorama, Klaus Schulze, Entrevistas, Artigos
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