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9.10.24

Listas e mais listas - Audion #12


 Há a NWW List e há as listas das contracapas da Audion.

Aqui fica uma:







20.9.24

Audion #11 - Março de 1989


 





AUDION

The New-Music Magazine

Issue No 11. March 1989, £1.20

(ver conteúdos abaixo)

N/A

1989

(Março)

1ª Edição

N/A

Em Inglês

32


Audion #11

Contents:

Hello! (Editorial) – 3

Feedback  (Readers Letters) – 3

News – 3

Publications (Further Reading) – 3

Readers Poll Results – 4

Without Warning… David Torn! – 6

Better Days Distribution – 7

New Peter Frohmader Releases – 7

Lost Classics #1 – Friendsound – 7

Behind The Iron Curtain: Part 3 – East Germany – 8

Due – A Mail Interview – 10

Entrevista Con Eduardo Polónio – 11

Musea Records New Releases – 12

Pierrot Lunaire – Na Italian Rock Legend – 13

Classic Labels: #1 – The Brain 1000 Series – 14

Los Tiempos Modernos de Clonicos – 18

Turning Japanese With Circadian Rhythm – 19

Auricle Music Cassettes Catalogue (Advertisement) – 20

Audion Back-Issues And Subscriptions – 20

Reviews – 21

Inc. ICR Distribution – 21

Dawn Awakening – 23

Hearts of Space – 25

Rcommended Records & Distribution – 26

Miriodor – 27

Arcane Device – 27

Tonspur Tapes – 28

Discos Esplendor Geometrico – 28

Generations Unlimited – 29

New Release Bulletin – 30

Mail Order and Retail Contacts – 31

Advertisements – 32

 

Editors’ Recommendations

This list features our favourite Top 20 currently available items described in this issue, in order of preference (with review page no.)

1. Pierrot Lunaire: Gudrun (RCA) LP – 13

2. Arachnoid: Arachnoid (Musea) LP – 12

3. Peter Frohmader: Homunculus Volume 2 (Multimood) LP – 7

4. Uludag: Mau Mau (Review) LP – 26

5. Michael Stearns: Encounter (Hearts of Space) CD, MC – 25

6. Pierrot Lunaire: Pierrot Lunaire (RCA) LP – 13

7. Peter Frohmader: Spheres (Private) MC – 7

8. Jabir: Vuelo Por Las Alturas De Alhambra (Discos EG) LP – 28

9. Propeller Island: Hermeneutic Music (Erdenklang) LP, MC, CD – 22

10. Con-Hertz: Contrasts (Auricle) 2MC – 23

11. Constance Demby: Novus Magnificat (Hearts of Space) CD, MC – 25

12. Andrew Chalk: Harvest (ICR) MC – 21

13. Musci & Venosta: Urban And Tribal Portraits (ReR) LP – 26

14. “Re Records Quaterly Vol.2 No.3” (ReR) LP+Mag – 27

15. Context: Product 1 – Muzak For An Exhibition (Tonspur) MC – 28

16. Clive Bell & Max Reed: Kailash Mandala (Dawn Awakening) MC – 23

17. Robert Rutman: Steel Cello Ensemble (Rutdog) MC – 29

18. David Prescott: Studies In Static And Stasis (Tonspur) MC – 28

19. Terpandre: Terpandre (Musea) LP – 12

20. Clonicos: Figuras Espanolas (Grabaciones Accidentales) LP – 19

 

Audion

Editorial Adress

Steve & Alan Freeman, P.O. Box 225, Leicester, LE2 1DX, England

[telephone: (0533) 557489}

Editor / Typography / Layout

Steve Freeman

Assistant Editor / Artwork

Alan Freeman

Cover Art

Front cover of Thisty Moon’s first album (Brain 1021)

Artist: Gil Funcius

Photo-Screening

Clive Graham, Miniprints

Contributors

Cruz Gorostegui, Nigel Harris, Calvin Smith, Peter Tedstone

Reviwers

Kevin O’Neill, Carl Sugar, Dean Suzuki, Alan Terrill

Special Thanks…

Arcane Device, Better Days, Tim Boone, Canadian Music Centre, Cuneiform, Dawn Awakening, Deutsche Austrophon, Discos Esplendor Geometrico, Erdenklang Records, Fonix Music, Peter Frohmader, Generations Unlimited, Guardian Tapes, Hamster Records, Hearts of Space, ICR Distribution, Mensch Production, Multimood Records, Musea Records, New World Company, No Man’s Land, Poultry Productions, Reckless Records, Recommended Distribution, Henry Schneider, Sky Records, Synfinity, Tonsput Tapes, Toracic Tapes, Karl Von Horsten.





Aqui é para pôr as 4 páginas da lista de discos editados na Brain série 1000 verde

Quem quiser a revista toda telefone para aqui.





19.11.20

Memorabilia: Audion #44 (feat.) ZEUHL - PART IV


 

AUDION

explorations in sound and music…

issue #44

Spring 2001

Out Of Focus, Clearlight, Zeuhl part 4

Boheme, Electroshock, Empreintes Digitales, Endgame, Lars Hollmer, Multimood & other features, new releases, reissues, news, info, chat, etc.






 

CONTENTS

HELLO (editorial, etc.) - 3

DIVERSIONS (news, new releases, magazines, etc.) - 4

RESCUED RELICS (reissue reviews) - 8

BOHEME (label feature) -9

THE AVANT-GARDE SECTOR (reviews) - 10

IQ – Oakwood Centre, Rotherham, 16/12/00 - 11

ROEDELIUS & ALQUIMIA – York, 25/10/00 - 11

“MUSIC FOR THE 3rd MILLENNIUM – 14/10/00 - 11

CLEARLIGHT – The eternal symphony - 12

ENDGAME – “Catalyst” (review) - 15

THE SAMLA/ZAMLA/HOLLMER LEGACY (reviews) - 15

ELECTROSHOCK RECORDS (reviews) - 16

MULTIMOOD – (reviews) - 17

ZEUHL PART 4 – Zeuhl around the world - 18

OUT OF FOCUS (article & interview) - 21

KLAUS SCHULZE – “The Ultimate Edition” (review) - 28

“JAZZ-ROCK: A HISTORY” (book review) - 28

REVIEWS - 29

BORDERLAND (other news, short reviews, etc.) - 41

USEFUL CONTACT ADRESSES – 43

 

“Zeuhl”

part 4 – O Zeuhl em todo o Mundo

“Zeuhl”

parte 4 - Zeuhl pelo mundo

Importante - como o Zeuhl é um conceito abstrato, recomendamos fortemente que antes de ler este artigo leia os artigos anteriores sobre Zeuhl na Audion # 41, # 42 e # 43! Então, eventualmente, tudo fará sentido!

 Nos últimos três números da Audion, leu tudo sobre Zeuhl, e sendo do seu interesse, terá com certeza tem seguido a série de artigos com grande interesse, tendo lido na Audion # 43 acerca do legado francês deste campo único na nova música. De qualquer forma, também devem saber que o Zeuhl também permeou o campo RIO (verifique Audion # 30) e talvez você próprio conheça alguns outros cruzamentos, mas e o resto do mundo? Bem, você consegue encontrar referências de Zeuhl nos lugares mais improváveis, e há inúmeras dedicatórias bizarras ao espírito do Magma, à língua Kobaiana e ao Zeuhl em geral. Aqui, tentarei destilar o interessante e o curioso num tipo de viagem possível ao redor do globo.

BÉLGICA

As estrelas óbvias relacionadas com o Zeuhl na Bélgica são os Univers Zero e os Present  (ambos cobertos com alguns detalhes em nosso primeiro artigo RIO, na Audion # 30), ambas as bandas, inter-relacionadas, empurraram de forma contínua o modelo Zeuhl para formtos cada vez mais complexos, reescrevendo as suas regras à medida que iam avançando, ligando tudo, desde o rock pesado à música clássica.

Mas, talvez não conheça (os também relacionados) Cos. Começaram como Classroom (em 1966) tocando uma mistura de jazz e música clássica. O fundador Daniel Schell tinha a paixão pelas novas ideias na música, além de ser um grande fã de jazz. Uma “sala de aula” reformada, em 1970, apresentou o extremamente talentoso Pascal Son. Supostamente, a música dos Classroom mudou quando eles descobriram os Magma, tocando numa série de shows destes na Bélgica. Nessa época, os Classrooom incluíam Jean-Luc Manderlier, ex-Arkham (pré-Univers Zero) e mais tarde Magma. Demos da CBS dessa época foram incluídas no CD de estreia dos Cos, com uma mistura neoclássica e jazz-fusion, com um pé na psicadelia dos anos 60.

Mudando o nome para Cos, passaram a apoiar seus ex-amigos Magma ZAO em digressão, e em POSTAEOLIAN TRAIN ROBBERY combinaram muito mais do que elementos assimilados de Zeuhl, jazz, clássico e rock. A sua música intrincada combinou perfeitamente com as características de Zeuhl com os estilismos da cena Canterbury / RIO. Em VIVA BOMA, o caprichoso estilo de música de Pascale e o canto scat tornaram Cos instantaneamente reconhecíveis. Foi então que Monsieur "Aksak Maboul" Marc Hollander substituiu Charles Loos nos teclados (que formou então os Juleverne), deixando a música dos Cos tão confusa que às vezes parecia com que se os ZAO tivessem Phil Miller e Hugh Hopper nas suas fileiras, tudo encabeçado por uma música pop funky maluca! Tongue-in-cheek e mortalmente sério, era o paradoxo de Cos que mais tarde se tornou a causa da sua queda, mas com esses álbuns cada momento foi um sucesso.

Mais tarde, Daniel Schell formou outra banda, chamada Karo, explorando seu novo brinquedo, o Chapman Stick, com uma fusão instrumental que foi um retrocesso em relação aos primeiros Cos, sem tanta influência de Zeuhl. Juleverne de Charles Loos assumiu o lado sério da música de câmara dos Cos, praticando uma música que era mais Satie do que Zeuhl, mas ainda dentro do escopo do género. O seu segundo LP, A NEUF (“It’s new ”,em inglês) mergulhou o folk valão antigo num potpourri de fusão, semelhante aos Univers Zero mais suaves.

Mais recentemente, os Cro Magnon apareceram a tocar uma música que é uma mistura de todos os estilos e referências mencionadas acima, uma espécie de híbrido de camerística / clássico / RIO, e muito mais sério do que a sua imagem pode fazer transparecer. No essencial, o oposto de Cos, que projetavam uma imagem séria, mas eram totalmente excêntricos.


INGLATERRA

A primeira banda britânica a reconhecer os Magma como uma influência da sua música devem ter sido os Metabolist, embora eles se tenham inspirado também nos Can. Crescendo na esteira do movimento indie new-wave, os Metabolist nunca receberam a atenção que mereciam, e sua carreira foi perdida, fracassando antes que eles realmente revelassem todo o seu potencial. A mistura  dos Metabolist evoluiu através de muitas fases, duros cânticos do tipo Kobian, riffs de baixo brilhantes e bateria agitada, todos presentes em muitas de suas músicas. Um dia destes, gostaria de escrever um artigo sobre os Metabolist e também lançar uma coleção 2CD com toda a sua produção editada. Embora essenciais, os seus lançamentos estão ficando mais escassos à medida que o tempo corre. É uma pena que os Metabolist nunca tenham conseguido a atenção que os This Heat teve. Mas, em 1980, um híbrido Zeuhlian / Can não era a moda mais popular!

Tal é a importância da criação genérica única dos Magma que a mais improvável das bandas: Astralasia, lançou um EP de 12 "chamado" Univeria Zekt - uma oferta "(Magick Eye t11) em 1993, transformando samples dos Magma na sua própria música espacial-techno. Soleil d'Ork (do Udu Wudu dos Magma) é o loop fonte no repetitivo Kobian Love Chant, e em outras músicas os extratos menos identificáveis ​​de Magma fazem parte de loops usados pela banda. Os resultados são totalmente removidos de Zeuhl, mas é uma esquisitice curiosa!

A única outra relação de britânicos com o Zeuhl, que conheço, é uma banda chamada Groon (em homenagem à faixa dos King Crimson, e também conhecida como Grüne) que toca um híbrido ardente dos estilos King Crimson, Krautrock, Zeuhl e Canterbury, todos numa mistura instrumental . Apenas marginalmente Zeuhl, na verdade, e às vezes, como a Mahavishnu Orchestra, ficam mais impro-jazzística e não tanto Zeuhl.


ALEMANHA

Apesar do toque teutónico da língua kobiana, os Magma e a música Zeuhl não foram muito notadas na Alemanha. Havia uma banda da nova onda alemã que se autodenominava Mekanik Destruktiw Kommandoh, mas não eram nem um pouco Zeuhl!

O maior inovador neste campo foi Peter Frohmader. No início dos anos 80, inspirado pelo uso inovador do baixo, de Jannick Top, Peter gravou alguns clássicos instrumentais de Zeuhl no seu segundo LP, NEKROPOLIS 2. Também explorou outros caminhos que o levaram a esse género, mas mais na direção do Krautrock pesado, em NEKROPOLIS LIVE, deu um toque funky na fusão do estilo Magma com um toque de Miles Davis e Material em THE FORGOTTEN ENEMY, e depois para reinos mais abstratos com WINTER MUSIC e com as suas “sinfonias de baixo”. Não apenas interessado nos Magma, Peter também utilizou alguns maneirismos dos Art Zoyd e dos Univers Zero, movendo-se para uma música clássica dark que se assemelha aos Art Zoyd no álbum HOMUNCULUS.

O único outro artista alemão que encontrei neste campo é Uwe Ruediger, baterista e multi-instrumentista que lançou uma cassete chamada SHAPE ONE (1984) com influências new-wave e Zeuhl. Mais tarde tocou com Peter Frohmader na banda de free rock Peter Ström.


ITÁLIA

Os Banco foram a primeira banda italiana a atacar qualquer coisa parecida com Zeuhl, embora  ache que isso mais uma coincidência que consistiu no facto de os seus álbuns instrumentais possuírem um uso semelhante de piano percussivo, ao estilo Stravinsky, e influências clássicas dark e jazz. Mais perto estiveream os Nome, que só lançaram um single (que eu saiba) que era uma mistura bizarra de RIO, Zeuhl e prog operístico.

A maior parte da música Zeuhl italiana apareceu nos últimos 10 anos. Os Stick & String Quartet tiraram partido da música de câmara de Zeuhl (território dos Art Zoyd e dos Juleverne) e transformaram-na num estilo ágil próprio. Os Kraken In The Maelstrom misturaram todos os tipos de influências para uma mix complexa improvável de Zeuhl, Van der Graaf Generator e estilos italianos dos anos 70. Os mais prolíficos têm sido os Runaway Totem, uma banda bem peculiar, meio Magma no espírito, misturada com estilos de hard rock, jazz e ópera até! As suas vocalizações são um tipo de Kobian rock também, mas não são totalmente plagiadores, já que há muito mais em actividade na sua música, influências do vanguardista italiano, RIO e arestas clássicas, chegando a assemelharem-se aos Birdsongs Of The Mesozoic. Foram-se acalmando um pouco com cada disco que iam lançando ao longo dos tempos, mudando o foco para uma Universal Totem Orchestra muito mais sombria e estranha.

 

SUÉCIA

Penso que o ângulo sueco sobre o Zeuhl veio das actuações RIO tocadas em festivais no final dos anos 70 e 80. Não é assim tão surpreendente, julgo, que uma banda conectada com os Samla Mammas Manna funcionaria neste campo, embora os Ensemble Nimbus não sejam totalmente do estilo Magma, mas sim um toque moderno e animado de Zamla / RIO / Zeuhl tipo de som.

Uma série de actuações mais influenciados pelo Zeuhl envolvem pessoas da Bauta Records, como os Kultivator que tocaram uma fusão progressiva, Kinf de Hatfield's Meet Samla's com uma dose inebriante de Magma, e Myrbein que tocava uma fusão progressiva que misturava Zampla, Arbete e Fritid, Zeuhl, Henry Cow e muito mais! Vários projetos relacionados com Lars Jonsson (de Bauta, ou seja, Ur Kaos, J. Lachen, Na Margon, Songs Between, etc.) também actuaram um pouco neste campo, mas apenas de forma temporária.

Também relacionados com esta trupe está o principal explorador de Zeuhl da Suécia: Simon Steensland, que interpreta uma falsificação Zeuhl / RIO do mais alto calibre. O seu LONESOME COMBAT ENSEMBLE definiu o cenário com uma mistura sombria de estilos, do clássico ao rock, embora apenas parcialmente Zeuhl. THE ZOMBIE HUNTER possui uma riqueza de influências e texturas combinadas, e está cheio de motivos clássicos sombrios, texturas góticas, bombástica e energia furiosa tipo Zeuhl. Touches of When, J. Lachen, Art Zoyd, Shub Niggurath, o que quiserem, até mesmo o personagem do complexo esquizofrênico denominado King Crimson está lá. O mais recente LED CIRCUS é ainda mais bizarro, com alguns estranhos elementos operáticos e uma infinidade de novos ângulos atacados por toda lado. Simon também trabalhou com o vanguardista Sten Sandell, assim como Lars Jonsson; na verdade, todo o underground sueco recente parece estar interconectado!

 

MÉXICO

Parece uma possibilidade improvável, mas existem algumas bandas do México que cujo som era baseado no Zeuhl. Os primeiros e mais inovadores foram os Decibel, que era realmente mais parecidos um Henry Cow improvisado, embora era mais eletrónicos, e tinham algumas texturas tipo Magma na sua música. Semelhante, mas com uma base mais folk / jazz, os Banda Elastica formaram um caldeirão bizarro em que eu nunca realmente consegui penetrar.

Os mais Zeuhl dos anos 80 foram Nazca, que estavam mais relacionados com o género ficcional dos Juleverne, Vortex, Art Zoyd  e da Música de Câmara do Século 21! Eram na verdade incríveis na sua destreza e inventividade, especialmente por se tratar de uma banda essencialmente acústica, mas conseguiam criar uma tempestade, com uma interação complexa através de uma mistura de violinos, viola, piano, fagote, oboé, baixo, violão e percussão. Alguns membros da banda reapareceram mais tarde na banda gótica / medieval Culto Sin Nombre.

 

CANADÁ

Com a cultura franco-canadiana quebequiana, é óbvio que ocorreria sempre uma correlação na cena musical, especialmente porque já existia uma versão híbrida canadense dos ZAO a uma dada altura.

Os L'Infonie foram, de certa forma, uma espécie canadiana paralela aos Magma, inovadora na mistura de culturas e estilos tão abrangentes como o jazz, psicadelia e vanguarda. Eles também podem ser considerados verdadeiramente clássicos e são famosos pela sua versão Zeuhl rock de In C. de Terry Riley. No entanto, devem dar uma olhadela no LP1 de seu VOL duplo. 333, que capta um espírito muito próximo ao som do início dos Magma, mas agora em LP. O seu cantor Raoul Duguay tornou-se famoso na cena pop canadiana.

A banda canadiana Maneige, dos anos 70, também contou com Raoul Duguay como convidado no seu segundo álbum, LES PORCHES, e apresentava um leve toque de Zeuhl na sua música. Tudo o que está disponível do seu período clássico inicial (na altura) é LIVE MONTREAL 1974/1975, que é mais parecida com uma mistura Henry Cow / jazz / folk peculiar na sua maioria. Os herdeiros do trono dos Maneige foram os Miriodor, formados por volta de 1980 na cidade de Quebec, mudando-se para Montreal em 1985. Os seus primeiros álbuns eram como uma progressão lógica, diferente dos Maneige, com elementos de música sistémica (Michael Nyman, Lost Jockey) e Zeuhl / nova música de câmara (Art Zoyd, Univers Zero), mas desde então mudaram-se para outros poisos.

 

ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA

Na verdade, não existe realmente um Zeuhl EUA, embora várias bandas se tenham aproximado do género, nomeadamente os Birdsongs Of The Mesozoic dos seus primeiros tempos, com seu estilo único de fusão de rock vanguardista e de piano-percutido. Os Motor Totemist Guild (e por vezes os U Totem) aproximaram-se um pouco do lado mais sombrio dos Univers Zero, e um pouco de Zeuhl também se pode encontrar em alguns trabalhos dos Doctor Nerve, embora de forma um tanto efémera. Uma nova banda, os Yeti, são o que de mais próximo alguém, nos EUA, já conseguiu no que ao Zeuhl diz respeito, embora seu álbum THINGS TO COME deixe cair muitos dos movimentos clássicos do duo Vander-Top em favor de outros estilos progressivos franceses. Confira minha análise no Audion # 43.

 

JAPÃO

Todos nós sabemos que os japoneses adoram copiar e reinventar as coisas. Assim não é nenhuma surpresa que tenha havido muitas criações estranhas do tipo Zeuhl ao longo dos anos. Aqui está um resumo de alguns que encontrámos ao longo dos anos ...

Entre os primeiros exploradores: Os Il Berlione eram uma espécie de fusão RIO étnica / de câmara com laivos de Univers Zero e Art Zoyd. Os Lacrymosa também se encaixavam no mesmo lugar, embora seu álbum BUGBEAR tivesse um toque oriental muito mais forte.

Na ruidosa armada noise japonesa encontramos várias bandas inspiradas no Zeuhl. Os mais conhecidos (por terem sido apadrinhados por John Zorn e Derek Bailey) são os Ruins. Tocam uma fusão frenética que alterna entre o Zeuhl e o free-jazz, e quase tudo o mais que eles se lembrem de acrescentar, e que é muito. Os Koenji estão ligados aos Ruins e aplicam a ética “Japanoise” a uma fusão inspirada nos Magma. Ouvir o seu álbum HUNDRED SIGHTS OF KOENJI é como ser espancado, sobrepondo-se depois uns gritinhos furiosos ao estilo Magma, uma espécie de KOHNTARKOSZ e UDU WUDU híbrido, coberto com vocais selvagens. Imagine os Fushitsusha interpretando as músicas dos Shub Niggurath mais selvagens! Os Bondage Fruit pegaram num monte de estilos folk europeu e jazz-fusion, e adicionaram-lhe uma ponta maníaca de Magma, usando com multi-vocalizações femininas e apresentando um baixo dominante, juntando tudo isso com tudo o que possa imaginar, menos a pia da cozinha! Às vezes fazem lembrar os Eskaton com uma ponta de metal brilhante! Lançamentos posteriores lembram os Nekropolis e os King Crimson, e, mais tarde os Mahavishnu de rock / riff livre, ficando, é bom de ver, cada vez menos Zeuhl.

Os Happy Family são, sem dúvida, as estrelas da tradição japonesa RIO / Zeuhl, uma banda que se incorporou neste género complexo, mas criando seu próprio estilo furiosamente excessivo. Enquanto os  Bondage Fruit e os Koenji tendem a não manter um equilíbrio artístico, os Happy Family parecem ter tudo na proporção certa. Uma parte RIO (Henry Cow, Univers Zero, Present, The Muffins), uma parte Zeuhl (Weidorje, UDU WUDU era Magma), adicionando o tecnicismo japonês e uma pontinha de rock mais forte (um pouco daquele desenho animado, canto de pássaros do tipo mesozóico de estilo moderno), e teremos uma Família Feliz! Zeuhl liderado pela guitarra, uma música cheia de solos e furiosa complexidade. A sua primeira cassete ao vivo foi recebida com espanto, e o seu CD homónimo ainda mais. Em TOSCCO levaram seu estilo de fusão para um novo território, ainda mais complexo, ao estilo do rock progressivo, levando a questionar-me que caminho percorrerão em seguida.

 

 

DISCOGRAFIA

Banda Elastica – Banda Elastica (LP: Tiradero BE 1001) © 1986

Banda Elastica – Banda Elastica 2 (CD: Tiradero CDDP 1102) 1990 © 1991

Il Berlione – 3 tracks on: LOST YEARS IN LABYRINTH (CD: Belle Antique BELLE 9119) 4-5/90+5/91 ©1991

Il Berlione – IL BERLIONE (CD: Belle Antique BELLE 9229) ©1992

Il Berlione – IN 453 MINUTES INFERNAL COOKING (CD: Belle Antique BELLE 9483) ©1994

Bi Kyo Ran – GO-UN (CD: Belle Antique BELLE 95149) 9/95 © 1995

Birdsongs of the Mesozoic – Birdsongs of the Mesozoic (12” EP: Ace of Hearts AHS 1008) 8/81-12/82 © 1983

Birdsongs of the Mesozoic – MAGNETIC FLIP (LP: Ace of Hearts AHS 10018) 10/83-1/84 © 1984

Birdsongs of the Mesozoic – Beat Of The Mesozoic (12” EP: Ace of Hearts AHS 1018) 3-8/85 © 1985

Birdsongs of the Mesozoic – FAULTLINE (LP/CD: Cuneiform RUNE 19) © 1989

Birdsongs of the Mesozoic – PYROCLASTICS (CD: Cuneiform RUNE 35) 12/89-6/91 © 1992

Birdsongs of the Mesozoic – THE FOSSIL RECORD 1980-1987 (CD: Cuneiform RUNE 55) 5/80-8/87 © 1993

Birdsongs of the Mesozoic – DANCING ON A’A (CD: Cuneiform RUNE 69) © 1995

Birdsongs of the Mesozoic – PETROPHONICS (CD: Cuneiform RUNE 137) © 2000

Bondage Fruit – Bondage Fruit (CD: Isis ISI-0111) © 1994

Bondage Fruit – II (CD: Maboroshi No Sekai MABO-006) © 1996

Bondage Fruit – III – RÉCIT (CD: Maboroshi No Sekai MABO-009) © 1997

Cos – POSTAEOLIAN TRAIN ROBBERY (LP: IBC 4C 054-97.146) 8/74 © 1975 (CD: Musea FGBG 4028.AR) «plus 4 bonus tracks» © 1990

Cos – VIVA BOMA (LP: IBC 48 062-23.605) 7/76 © 1976 (CD: Musea FGBG 4159.AR) «plus 4 bouns tracks» © 1997

Cos – BABEL (LP: IBC 4C 058-23.794) © 1979

Cos – SWISS CHALET (LP: IBC 4C 064-23.902) © 1980

Cos – PASSIONES (LP: Boots 08 1804 or Lark INL 3539) © 1983

Cos – Hotel Atlantic (12” EP: GeeBeeDee 60-1815) © 1984

Cro Magnon – ZAPP! (CD: Het Verkeerde Been 9201) © 1992

Cro Magnon – BULL? (CD: Lowlands LOW 008) © 1996

Culto Sin Nombre – HALLAZGOZ NERICOSOS (CD: Eibon) © 19??

Decibel – EL POETA DEL RUIDO (LP: Orfeón LP-12-1113) 7-8/79 © 1980

Decibel – CONTRANATURA (CD: Momia 03) 1977-92 © 1992

Derek & The Ruins – SAISORO (CD: Tzadik TZ 7202) © 199?

Doctor Nerve – SKIN (CD: Cuneiform RUNE 70) © 1995

Ensemble Nimbus – KEY FIGURES (CD: APM 9403 AT) 1993-94 © 1994

Ensemble Nimbus – SCAPEGOAT (CD: Record Heaven RHCD12) ©1998

Peter Frohmader – NEKROPOLIS: MUSIK AUS DEM SCHATTENREICH (LP: Nekropolis RP 10122) © 1981 (CD: Ohrwaschl OW OW042) «plus 4 bonus tracks» © 1998

Peter Frohmader – NEKROPOLIS 2 (LP: Hasch Platten KIF 002) © 1982

Peter Frohmader – NEKROPOLIS LIVE (LP: Schneeball 1037) 25-27/7/83 © 1983 (CD: Ohrwaschl OW033) «plus 2 bonus tracks (14/1/83» © 1995

Peter Frohmader – THE FORGOTTEN ENEMY (MLP: Hasch Platten KIF 008) 1983-84 © 1984

Peter Frohmader – WINTERMUSIC (MLP: Multimood MRC-006) 1984 © 1987

Peter Frohmader – STRINGED WORKS (CD: Multimood MRC-006) 1982-84 © 1994 «WINTERMUSIC plus 2 unreleased works»

Peter Frohmader – THE AWAKENING: NEKROPOLIS LIVE ’79 (CD: Ohrwaschl OW035) © 1997

Groon – REFUSAL TO COMPLY (CD: Progressive Interntional PRO 050/Dissenter DIS 002) © 1994

Happy Family – FLYING SPIRIT DANCE (MC: Rotter’s Paper RPT001) 16/4/94 © 1994

Happy Family – HAPPY FAMILY (CD: Cuneiform RUNE 73) 1994 © 1995

Happy Family – TOSCCO (CD: Cuneiform Rune 93) © 1997

Julverne – COULONNEUX (LP: EMI 4B 58-99069) © 19??

Julverne – A NEUF (LP: Crammed CRA 274) © 1981

Julverne – EMBALLADE (LP: Igloo IGL 037) © 1983

Julverne – NE PARLONS PAS DE MAHLEUR (LP: Igloo IGL 042) © 1986

Julverne – LE RETOUR DU CAPTAIN NEMO (CD: Igloo IGL 089) © 1994

Koenji – HUNDRED SIGHTS OF KOENJI (CD: Good Mountain 2.800) © 199?

Kraken In The Maelstrom – EMBRYOGENESIS (CD: Mellow MMP 165) © 1993

Kultivator – BARNODENS STAGAR (LP: Bauta BAR 8101) 1980 © 1981 (CD: APM 9201) «plus 2 bonus tracks (9/6/79 + 1992)» © 1992

Lacrymosa – BUGBEAR (LP: ?) 8-10/84 © 1984 (CD: SSE-8201) «plus “Flash Back” single & 5 bonus tracks (6-8/83)» © 1993

Lacrymosa – Flash Back / Metamorphosis / Lacrymosa (7”: LLE-3004) 7+9/85 © 1985

Lacrymosa – JOY OF THE WRECKED SHIP (CD: SSE-4033) 10-12/93 © 1994

Metabolist – Drömm/Slaves/Eulam´s Beat (7” EP: Drömm DRO 1) © 1979

Metabolist – HANSTEN KLORK (LP: Drömm DRO 2) © 1980

Metabolist – Identify/Tiz Oz Nam (7”: Drömm DRO 3) © ?

Metabolist – GOATMANAUT (MC: Drömm) © ?

Metabolist – STAGMANAUT (MC: ?) © ?

Metabolist – Le Grand Prique (7”: Bain Total ?) © ? «B-side is by Die Form»

Miriodor – RENCONTRES (LP: Rio 43) 3/84-7/85 © 1986 (CD: Cuneiform RUNE 108) «plus 4 tracks from TÔT OU TARD» © 1998

Miriodor – TÔT OU TARD (MC: Rio 57) 3+5/84 & 12/86 © 1987

Miriodor – MIRIODOR (LP: Cuneiform RUNE 14) 1/88 © 1988 (CD: Cuneiform RUNE 14) «plus 5 tracks from TÔT OU TARD» © 1993

Miriodor – 3RD WARNING (CD: Cuneiform RUNE 32) 3/91 © 1991

Miriodor – JONGLERIES ÉLASTIQUES (CD: Cuneiform RUNE 78) 3/95 © 1996

Myrbein – MYRORNAS KRIG (LP: ?) 1980-81 © ? (CD: APM 9302) «plus 2 bonus tracks» © 1993

Na Margon – Death’s Angel (CDS: Bauta BAR 9302) © 1993

Nazca – NAZCA (LP: Naja NN 1001) © 1983

Nazca – ESTACIÓN DE SOMBRA (LP: Naja NN 1002) 7/86 © 1986

Nome – Marte Alla Volta/Trine (7”: GN 001) 4+9/89 © 1990

Uwe Ruediger – SHAPE ONE (MC: U.R.) 1984 © 1992

Ruins – STONEHENGE (CD: Shimmy Disc 037) © 199?

Ruins – HYDEROMASTGRONIGEM (CD: Tzadik TZ 7202) © 199?

Runaway Totem – TRIMEGISTO (CD: Black Widow BWRCD 004-2) © 1995

Runaway Totem – ZED (CD: Black Widow BWRCD 013-2) © 1996

Runaway Totem – ANDROMEDA (CD: Musea FGBG 4299.AR) © 1999?

Daniel Schell & Karo – IF WINDOWS THEY HAVE (LP/CD: Made To Measure MTM 13) © 1986/1988

Daniel Schell & Karo – THE SECRET OF BWLCH (CD: Made To Measure MTM 27) © 1992

Daniel Schell & Karo – GIRA GIRASOLE (CD: Materiali Sonori MASOCD 90057) © 1993

Songs Between – Cities & Waterholes (CDS: Bauta BAR 9303) 4/92 © 1993

Simon Steensland – THE SIMON LONESOME COMBAT ENSEMBLE (CD: Musea MP 3013.AR) © 1993

Simon Steensland – THE ZOMBIE HUNTER (CD: APM 9509 AT) 12/94-3/95 © 1995

Simon Steensland – LED CIRCUS (CD: Ultimae Audio Entertainment UAE DISC 11)) 1997-98 © 1999

The Stick & String Quartet – THE STICK & STRING QUARTET (CD: Kaliphonia KRC 005) 4/92+4/93 © 199?

Tipographica – TIPOGRAPHICA (CD: God Mountain GMED 005) © 199?

Tipographica – MAN WHO DOES NOT NOD (CD: Pony Canyon) © 199?

Tipographica – GOD SAYS I CAN’T DANCE (CD: Pony Canyon PCCR-00204) © 199?

Tipographica – FLOATING OPERA (CD: Sistema Records SICD-1) © 1997

Universal Totem Orchestra – RITUALE ALIENO (CD: Black Widow BWRCD 022-2) © 2000

Ur Kaos – A TERRIBLE BEAUTY IS BORN (LP: Bauta BAR 9002) © 1990

Yeti – THINGS TO COME… (CD: Two Ohm Bop 008CD) 10/99-2/00 © 2000

Zypressen – 2 tracks on: LOST YEARS IN LABYRINTH (CD: Belle Antique BELLE 9119) 4-5/90+5/91 © 1991

Zypressen – ZYPRESSEN (CD: Belle Antique BELLE 96195) © 1996





18.3.20

Nurse With Wound - Entrevista - Face Out Fanzine issue #8


Face Out
Issue #8
Entrevista com Nurse With Wound (Steven Stapleton)
Recolhido de um post do facebook, do grupo Nurse With Wound Fan group, postado por Alan Freeman.













10.7.19

Memorabilia: Audion #46 (feat.) Karlheinz Stockhausen


Revista / Fanzine
Audion
Nº 46
Verão de 2002
44 páginas A4 (A3 dobrado e agrafado ao meio) - brochado
Muito boa apresentação
Capa e Contracapa a 2 cores Creme / Preto
Interior a Preto e Branco




Índice



Chris Conway assiste...

3 Concertos de Stockhausen

Karlheinz Stockhausen Electronic Festival
no Barbican Centre, Londres
13 a 18 de Outubro de 2001

Decidi tratar-me bem e assistir a um fim de semana completo de Karlheinz Stockhausen. Tinha falhado o Hymnen, devido a estar a trabalhar na altura, mas havia ainda muito para ouvir. Para começar, o foyer tinha uma instalação sonora pelo membro dos Can, o Irmin Schmidt, aqui com o Kuomo. Sons electrónicos filtrados sobre um enorme número de altifalantes, espalhados por todo o espaço, o que realmente funcionava beme colocava os espectadores na onda para o festival. Também tinham o filme "In Absentia", pelos Quay Brothers com música (Zwei Paare) do Stockhausen (recentemente exibido na BBC) em loop permanente, numa sala pequena, o que era excelente - Eu vi-o uma série de vezes enquanto esperava pelos espectáculos. Raramente tenho visto filme e música tão bem combinados entre si.

Fui a três concertos em dois dias...

Cenas Da Luz
Não era para ter ido ver este espectáculo, mas estava sem nada para fazer e em Londres... e o bilhete era barato, apenas 6£. Também queria ver o génio do trompete, Markus Stockhausen, pois já não o via actuar há algum tempo, e sou grande fan. Karlheinz Stockhausen apareceu e deu uma explicação sobre o que iríamos assistir - vestido num fato branco e algumas hesitações no seu inglês, mas as suas notas foram importantes para interpretar o que iríamos ver e ouvir.
A primeira peça era para um solo de entrada de Markus, Entrance and Formula, pequenas peças da obra THURSDAY FROM LIGHT. Markus estava vestido de uma forma negligente em veludo azul e com uma camisola com o símbolo do Michael estampado. Alternando 4 diferentes silêncios obtendo um belo efeito. Depois foi a vez da peça para piano Klavierstuck X, que não conseguiu manter o meu interesse por muito tempo. Consigo perceber o ponto em utilizar as cordas sustenidas e em grupo, mas penso que a duração foi demasiado longa e, talvez apenas para mim, pareceu-me um pouco datado. Depois do intervalo veio então o grande tratado da tarde - Mission e Ascension para trompete e trompa tocados por Markus e uma muito bela Barbara Bouman. Estas peças são também de THURSDAY FROM LIGHT e eu estava familiarizado com elas através da edição de MICHAEL REISE para a ECM. Os protagonistas tocaram as partes à medida que tocavam a música e houve uma grande interacção entre eles, o que encantou a audiência. A última peça era estilisticamente não muito dissimilar pois também era para trompa (tocada por Suzanne Stevens) e flauta (Kathinka Pasveer) e era de MONDAY FROM LIGHT. De novo os intérpretes apareceram com vestimentas exóticas e tocaram e actuaram as várias partes através da música. Eu cometi o erro de não ter lido antecipadamente o programa acerca desta peça o que tornou muito difícil o acompanhamento da história.

Música Electrónica
Nessa mesma noite com apenas um pouquinho de tempo para beber uma vodka ou duas no bar, começou a performance de música electrónica, de um dos primeiros "estudos" de Karlheinz Stockhausen, de 1953, até Telemusic, de 1996. O Professor Stockhausen (quase parecendo um cientista) introduziu a primeira peça Electronic Study I (ele veio cá abaixo, saindo da mesa de mistura, para introduzir cada peça). Foi a primeira peça totalmente sintetizada a ser feita apenas a partir de ondas sinusoidais. Para mim foi mais de interesse académico assim como o Electronic Study II, que foi diferente devido à utilização de novas escalas e envelopes musicais. Foi interessante ouvir a explicação acerca das técnicas e do que está por trás do resultado final.
Depois foi a vez de uma peça que eu há muito andava à procura de ouvir ao vivo - Gesang Der Junglinge onde os sons electrónicos se misturam com uma voz juvenil e a primeira peça onde Karlheinz utilizou arranjos sonoros espaciais - de modo que os sons flutuavam à volta de toda a sala. Karlheinz recomendou a todos que fechassem os olhos quando ouvem música espacial e WOW! Confesso que subestimei o efeito 3D. Depois foi a vez de Telemusik, que utiliza world music como fonte sonora parcial e um anel de moduladores que fez, para muitos, um zunido de frequências - também usou o efeito espacial o que foi maravilhoso.
Depois do intervalo chegou o tempo de apresentar o mais pesado Kontakte, que tomou conta de toda a segunda parte. Utilizou pulsos electrónicos como a sua fonte de material e usou também efeitos rotacionais que Karlheiz Stockhausen gravou com um altifalante rotativo rodeado de microfones. Quanto à música achei-a um pouco seca, mas os seus efeitos 3D foram incríveis e têm de ser ouvidos para se acreditar. Ouvir um som de besouro a andar dentro da tua cabeça no sentido dos ponteiros do relógio, enquanto um som de um zumbido roda no sentido contrário é uma experiência realmente incrível.
Karlheinz foi muito simpático e desta forma consegui um autógrafo como um verdadeiro e triste fan. Também conheci o Markus que estava na audiência e obtive o seu álbum de duetos ao vivo CLOSE TO YOU (que é excelente e obtenível a partir do seu website www.markusstockhausen.com). Ele contou-me que não tinha planos para mais trabalhos com Terje Rypdal e que o último álbum que gravaram juntos foi todo gravado á primeira numa única sessão toda de seguida. Também não tem planos imediatos para um álbum futuro com o seu irmão Simon, o que é uma pena pois eles fazem grande música em conjunto. Um bom dia de audições e aquele buzzing está ainda dentro da minha cabeça a rodar, a rodar...

Sexta-Feira Da Luz
Há alguns anos eu fui ver THURSDAY FROM LIGHT na ópera e nunca mais o esqueci. Eu não gosto, em geral, do som da voz operática e fiquei agradavelmente surpreendido e não sendo muito estridente e não muito longe da ópera Kilingon. Foi uma performance quasi-concerto da obra e por isso os coros de adultos e crianças estavam pré-gravados em fita magnética. Os personagens principais desempenaram os seus papéis (soprano, baixo e barítono mais trompa e flauta) sobre um fundo de sons electrónicos e sons das cenas. Eu conhecia bem os sons de fundo pois tenho o CD de ELECTRONIC MUSIC AND SOUND SCENES FROM "FRIDAY FROM LIGHT". Mais uma vez, estava totalmente impreparado para os efeitos 3D, que transformam radicalmente a música. Os "sons de cena" que tinham lugar a cada 5 ou 10 minutos mais ou menos apareceram e ajudaram a marcar o ritmo de progressão da peça - na qual vozes são moduladas com outros pares de coisas (fotocópia / máquina de escrever, cão / gato, etc.). A única coisa estranha foi que com as cenas das crianças e com o coro final sem estar em palco, isso significou que uma boa parte da ópera que estava a ser apresentada não estava no palco, e assim foi-nos dito para fecharmos os olhos e usarmos a nossa imaginação. Eu não me importei, pois como disse, gosto da música e estava a curtir o som 3D, mas imagino que deveria ter sido bastante curioso para aqueles que são novições na audição das obras de Karlheinz Stockhausen. As cenas finais, quando todas as cenas sonoras estavam a tocar em simultâneo sobrepondo-se por todos os cantos, foi de cortar a respiração e fez-em compreender o quanto Karlheinz compõe no espaço. O stereo parece-em maçador a partir de agora.
No átrio encontrei-me com Irmin Schmidt que é uma pessoas simpática. Cometi alguns ligeiros erros (pois não estou familiarizado com o trabalho dos Can) por isso quando ele disse que era dos Can, eu percebi que ele tinha dito que era de Cannes - ele pareceu ficar curioso com a minha resposta de que devia ser um lugar adorável. A conversa mudou depois. Ele tem um álbum novo com o Kumo "Masters of Confusion", que é um álbum ao vivo. Em resumo, passei uns belos dias na terra da electrónica - havia montes de outras coisas a acontecerem no festival mas o que relatei foi o que vi - louvor para o Barbican por este programa aventureiro e por ter trazido Karlheinz Stockhausen e a sua equipa de volta a estas paragens.







The Audion #46 Top 10 New Releases
Arkham - Arkham (Cuneiform) CD
Embryo - Live 2001, Vol 1 (Schneeball / Indigo) CD
Eruption - Lava (Auricle) CDR
Fred Frith - Accidental (Fred R´R) CD
Goblin - Nohosonno (Cinevox) CD
The Muffins - Bandwith (Cuneiform) CD
NeBeLNeST - Nova Express (Cuneiform) CD
Rouge Ciel - Rouge Ciel (Monsieur Fauteux) CD
Univers Zero - Rhythmix (Cuneiform) CD
Volcano the Bear - Guess The Birds (Beta Lactam Ring) 10"






1.7.19

Memorabilia: Audion #47 (feat.) Nurse With Wound + Italian Rock: (Nouva Idea / New Trolls family tree)


Revista / Fanzine
Audion
Nº 47
Outono de 2002
40 páginas A4 (A3 dobrado e agrafado ao meio) - brochado
Muito boa apresentação
Capa e Contracapa a cores
Interior a Preto e Branco






Alan Apanha Alguns Nurses Perdidos!
Encontros casuais e automáticos com os Nurse With Wound, Alice The Goon & The Man With The Woman Face



As edições dos Nurse With Wound parecem aparecer em todos os formatos e tamanhos nestas dias, e também em diferentes estilos. Como sempre, Seteve Stapleton & Co., continua a sacar novos truques para fora das suas capas. O problema é, para mim pelo menos, que com tantas edições (não é uma queixa) absorver completamente tanta coisa de forma a que se possam fazer as críticas/recensões de forma competente. São precisas dezenas de escutas para conseguir desenvencilhar uma maneira de julgar um álbum e o que dizer dele. E, raramente uma edição dos Nurse With Wound é uma coisa simples de descrever! Habitualmente sendo arte-sonora (sound-art), em oposição a música normal, palavras descritivas de significado compreensível podem ser difíceis de conseguir.
Com uma tal matriz confusa de  de edições, é fácil ficarmos perdidos nela, e (que horror) perder alguma coisa importante. Assim, vamos andar um pouco para trás. As minhas mais recentes críticas de trabalhos de edições dos Nurse With Wound aqui na Audion, foram: WHO CAN I TURN ON TO STEREO (#37), ACTS OF SENSELESS BEAUTY (#38), A MISSING SENSE (#39) e AN AWKWARD PAUSE (#43); vamos em tão ver o que está em falta...
Bem, em primeiro lugar, há o reempacotado, remixado, remasterizado, e em versão extendida do primeiro trabalho dos Nurse With Wound (CHANCE MEETING OF A SEWING MACHINE... o qual não soa de todo bem para os meus ouvidos. Falando com Steve Stapleton ao telefone, ele disse "não foi possível de todo alterar alguma coisa nele, pois as fitas magnéticas multipista não existem", contudo, eu não fiquei convencido, visto que muitas das partes instrumentais estão muito vívidas e "trazidas para a frente da palete sonora", com o som a ser muito mais preciso e limpo. Pessoalmente, eu prefiria muito mais o LP ou CD originais, apesar do bónus da novela que se tinha com a leitura da "Nurse With Wound List".
Também remisturado e extendido foi THUNDER PERFECT MIND, remasterizado para ser editado como LP duplo (Streamline 1020) com uma faixa extra adicionada, e também editado pela United Dairies no formato CD (UD 040CD). No caso deste álbum, temos a razão oposta para preferir o original, pois este não soa tão limpo. Uma grande parte da clareza da mistura original perdeu-se, que uma boa parte daquilo que soava como instrumentos reais soa agora muito FM, muito digital. Eu devo-me estar a tornar um tipo muito exigente no que concerne a este tipo de coisas, pois não gosto também da faixa extra, "Miss Ticker".
No que parece ser um estábulo sem fim de remarketing está também a colecção estranha THE SWINGING REFLECTIVE (United Dairies UD 069CD) 2CD que é composto por um turbilhão que nos conduz a todas as coisas que não são exactamente Nursey! Colaborações com: Diana Rodgerson, Tony Wakeford, Legendary Pink Dots, Foetus, Current 93, Stereolab, William Benntt, Aranos, Coil, Wallis/Bogg, etc., misturas e remisturas, incluindo uma série de raridades, apesar de pouco essenciais para o já comprometido coleccionador dos NWW; será mais para o iniciado e raridades!

Mas agora o material real. Veremos que existem montes de novas boas edições dos Nurse With Wound a sair por aí...

NURSE WITH WOUND
FUNERAL MUSIC FOR PEREZ PRADO
(United Dairies UD 098CD) CD 78m
Uma série de miudezas a retalho, parcialmente composto pelos EPs YAGGA BLUES e SORESUCKER para aqueles que já os têm em CD, tendo como extras montes de outro material. Uma ideia estranha, na verdade. Gosto realmente da pequena inserção vocal entre os dois Yagga's "A nondescript man gets pregant and is consumed by a planet" - muito esquisito, ao estilo de David Lynch!
Funeral Music For Perz Prado (versão completa) por sua vez, é na verdade muito Aeolina String Ensemble, muito atmosférico ao estilo dos Ash Ra Tempel num território muito modo glissando estático, e não faz mais nada durante mais de 20 minutos realmente fixes. I Am The Poison parece inalterado em relação ao original, enquanto o seu lado B Journey Through Cheese é estendido consideravelmente em duração... bateria metálica, brocas, kjunk, kjunk, bang... e assim continua e continua... Realmente desafiador!

ALICE IN THE GOON
(United Dairies UD 081) CD/LP 30m
Se voltarmos atrás, à Audion #33, eu queixei-me que o "ALICE IN THE GOON EP... tinha desaparecido antes que alguém soubesse sequer que ele existia" e na Audion #34 revelei o motivo "Editado para um festival em França como uma edição extremamente limitada (um 12" de apenas um lado), foi feito para aborrecer os fans dos Nurse With Wound, pois é o seu melhor registo de há anos a esta parte. Um passo à frente em relação a Cooloorta Moon e tripando em terrenos mais cósmicos..."
Agora em CD (o vinil acho que está esgotado) toda a gente pode descobrir esta pequena maluquice: [I don't want to have] Easy Listening Nightmares (9´28) viaja para longe com um sax granuloso e groove jazzístico, enquanto efeitos fora do contexto voam á volta (muito Cooloorta) e é-nos assim reassegurado por quma qualquer donzela peculiar que "É tão fácil, querido, é tão fácil!" - sim, é - o meu tipo de música lounge! Prelude To Alice The Goon (12'51") é mais uma divertida, se não demasiado excêntrica, ela é o prelúdio para o último MAN WITH THE WOMAN FACE de muitas maneiras, com o seu revolteio dronístico em fundo, com guitarras abafadas ao fundo, conduzidas por por um ritmo percussivo que forma um quadro infeccioso, com o arrefecimento por vozes femininas bonitas e frágeis mutiladas.
Não damos nenhuma informação acerca de como é a faixa extra, de bónus, mas com apenas 7'25" ela poderia ter sido muito mais longa, com um sentido de vocalizações e vibrações cósmicas de som contido como o dos inícios dos Ash Ra Tempel, apesar de se notar logo que é distintivamente Nursey, ela actua como um coda para a calma.

SANTOOR LEENA BICYCLE
(United Dairies UD 053CD) CD 63m
Criado para uma exposição de arte, esta colaboração com Aranos, aparecece-nos ensanduichada entre duas peças de arte, com um programa da exposição em 3 dobras, tudo num saco de plástico resselábvel. Foram editadas apenas 50 cópias, vendidas a pelo menos £24,00 - e por isso teria de ser bom, e era!
Um pot-pourri total dos estilos dos Nurse, e mais, ele é um disco decididamente mais excêntrico para agradar também aos fans mais antigos do som dos NWW, mas com lotes de novas ideias a saltarem dele, desde o belo, ao trivial e totalmente insano, e ao cegamente entorpecente para os ouvidos. Um álbum impossível de recensear e criticar, na realidade, e completamente esgotado e fora de circulação nos dias de hoje.

MAN WITH THE WOMAN FACE
(United Dairies UD 0102) CD/LP 38m
Um novo álbum do corrente duo que compõe os NWW, designadamente Steven Stapleton e Colin Potter, este é um disco que de certeza vos irá surpreender e deliciar a todos.
Logo desde o início de Beware The African Moquito [Ring The Doorbell, Put You To Sleep] sabes que estás imerso por 13'14" de algo muito diferente, um novo Nurse With Wound: silêncio, para drone, rabiscos, "vrrt vrrt k-tunnn..." a escorrer, figas, "tilintares, gaguejos, boing bong..." drone "Espera só um segundo" (repete alguém como refrão), apenas aos 11 minutos recebemos o prometido enxame de insectos besourais. Enigmático, criativo, surpreendente, é tudo isso e muito mais. Uma espécie de visão estática dos terrenos pisados por SPIRAL INSANA.
Ag Canadh Thuds Sa Speir (8'37") tem um tom de zoada frugal que cresce, modifica-se (dobra-se e circula sobre si próprio) mudando completamente aos 5 minutos, quando entra um ritmo rock, cai, explode, faz!!!, antes de um pouco de rock psicadélico se ir sumindo para dar lugar a um violino a ser arranhado, rabiscos, buzzes, plonks, um violoncelo do avesso, e depois pára, mesmo antes de nós já estarmos à espera de tudo ficar completamentre freked-out. Uma pena.
Finalmente, White Light From The Stars In Your Mind [A Paramechanical Development] (15'48") título bem colocado tomar o texto de fundo de Kotrill de Pôle e de Paramechanical World dos Amon Düü (mas não nesta ordem), unificando estes textos num contexto totalmente diferente, como que crescendo parado, muito musical (para Nurse With Wound, entenda-se), crescendo numa batida percussiva, inchando com o seu decurso com banhos de electrónica, sons de órgão dispersos (muito "Wired") e arrebatamentos de cantos étnicos, morrendo à medida que o texto "Withe light.." é repetido sobre um sintetizador imitando umas cordas suspensas.
Uma edição brilhante, e muito diferente, surpreendente, de facto - sobre a qual quase toda a gente comenta "é um bocado curta, não é?" Bem, é melhor uma pequena jóia do que um grande balde de merda, digo eu!

AUTOMATING, VOLUME ONE
(United Dairies UD 053CD) CD 51m
AUTOMATING, VOLUME TWO
(United Dairies UD 054CD) CD 51m
Originalmente, Steve tinha a intenção de reeditar os dois LPs / volumes AUTOMATING (colecções de contribuições para compilações) como um duplo CD, incluindo como bónus AUTOMATING, VOLUME THREE, o qual incluiria "tudo de A New Dress para a frente", isto citando o próprio. Mas isso não aconteceu, principalmente porque os NWW deixaram de colaborar muito em contribuições para compilações, e assim (então e a s outras edições que incluíam avulsos) não havia material suficiente para um verdadeiro VOLUME THREE. Assim, em vez disso temos dois CDs, cada qual com uma faixa de bónus (editada atrás em Outubro de 2000) uma editada há algum tempo, e a segunda editada em Julho de 2002. Eu já fiz as críticas respectivas anteriormente, aqui na Audion. Assim, não irei entrar em grande detalhe...
O VOL. I junta: Duelling Banjos (a versão remisturada das duas faixas "Registered Nurse"), Stick That Chick And Feel My Steel Through Your Last Meal (de THE FIGHT IS ON), Nana Or A Thing Of Uncommon Nonsense (de THE ELEPHANT TABLE ALBUM), Fashioned To A Device Behind A Tree (de FUR ILSE KOCH), I Was No Longer His Dominant (de AN AFFLICTED MANS MUSICA BOX), Ciconia (de MASSE MENSCH), e o bónus de Automating (de BORN OUT OF DREAMS, se bem me lembro).
O VOL. 2 abre com A Strange Play Of The Mouth (vocalizações estranhas, de IN FRACTURED SILENCE), Elderly Man River / Dance Of Fools (completamente excêntrica, de DEVASTATE TO LIBERATE, e COULD YOU WALK ON THE WATERS, por qualquer motivo que desconheço colocadas aqui juntas numa só faixa), Lonely Poisonous Mushroom (uma colaboração de The Local Band, Nurse With Wound e os Organum, de FREEDOM IN A VACUUM), Lea Tantaaria (aqui creditada como Wolfli, de NECROPOLIS, AMPHIBIANS AND REPTILES, do qual Great-God-Father-Nieces ainda permanece un-Automated), Human Human Human (num registo muito Negativland doentio, de THE PORTABLE ALTAMONT, do qual Psychedelic Underground e Scapegoat aparecem somente algures no CD), e o bónus de A New Dress (de A BEAD TO A SMALL MOUTH).
Tratam-se ambas de excelentes colecções, boas introduções à diversidade da obra do grupo, e ideal para fans e coleccionadores.

outros trabalhos de...
TIBET & STAPLETON
OCTOPUS
(Durtro 044CD) CD 77m
Uma vez perguntei às pessoas da World Serpent se o então apenas em vinyl MUSICALISCHE  KURBS HUTTE veriam algum dia a luz do dia em CD. Como versão alternativa de MUSICAL PUMPKIN COTTAGE, certamente merecia uma edição em CD. Apesar disso, o que apareceu foi esta mistura, um disco que vem com uma faixa nunca publicada, e uma outra que não é na verdade um trabalho conjunto de Tibet e Stapleton.
Track 1: I Left Her For A Cartoon Octopus possui tons intensos, sonoridades filtradas, modulações de ondas quadradas, pode ser indutora de náuseas se tocada com o volume muito elevado! Os 16'58" são um exagero de uma ideia que deveria apenas durar 2 ou 3 minutos. Faixa 2: The Fire Of The Mind que tinha aparecido anteriormente como bónus de um livro publicado por David Tibet. Na verdade um trabalho da Aeolian String Ensemble, é excelente, mas parece um pouco deslocada neste contexto deste álbum. As faixas 3 e 4 (41'23") são as excelentes MUSICALISCHE KURBS HUTTE das quais pode ler a crítica que fiz na Audion #36!
Este é um trabalho de grande valor, uma espécie de fecho de uma trilogia, mas na realidade, eu tê-la-ia editado sem a faixa de abertura.

MUSIC FOR THE HORSE HOSPITAL
CURRENTE 93: .... 41m
SOUNDS FROM THE HORSE HOSPITAL
NURSE WITH WOUND: SALT 62m
(Pan Durtro 001/2) 2Cd
Com exactidão, para que serve esta edição eu não sei dizer, excepto que é uma espécie de documento de uma performance numa galeria. O design sonoro parece ser para uma instalação, não música para ouvir normalmente em casa, por isso é estranho que tenha sido sequer editado.
O disco dos Current 93 soa como se não fosse dos C93, pois nunca ouvimos nada deles parecido com isto, com o úncio factor reconhecível a ser as palavras de abertura e fecho do próprio David Tibet, "Alpha" e "Omega". No meio, é tudo muito neo-clássico, barroco-futurista, La Monte Young, muito tipo John Cale ou Tony Conrad, violinos, com um piano ao jeito de Pascal Comelade, aqueles meandros com diferentes arpeggios entralaçados pela música fora. Existe e muda, mas não vai a lado nenhum.
O SALT dos Nurse With Wound faz ainda menos, menos que SOLILOQUY... até, pois parece apenas um tom enriquecido de sintetizador digital (uma mistura de um sopro de órgão, cordas e tons de ondas quadradas) colocados com filtros e deixados parados no tempo. Parece que não há mais nada, na forma de uma real performance, em toda a peça, excepto que opera mudanças subtis (filtros aleatórios ligados ao arpeggiador podem fazer isso) mas de modo quase imperceptível as ondas tendem a crescer e mover-se de tempos a tempos, mas não mais que isso. Isto já existe há muito.
Para sons ambientais numa galeria de arte moderna, consigo imaginar que esta música funcione bem. Gostaria de saber como soam a tocar em simultâneo?

Para além destes discos saíram também uma série de outras edições...

No capítulo da esquisitice temos o álbum promovido como "a primeira colaboração entre os Current 93 e os Nurse With Wound", intitulado BRIGHT YELLOW STARS, que eu não classifico de todo. As razões porque os créditos são dados como Current 93 e Nurse With Wound, não sei, especialmente porque ambos os donos dos projectos trabalharam em conjunto em dezenas de ocasiões! A mim soa-me só a C93. É aparentemente um trabalho inspirado pela experiência de quasi-morte vivida por David Tibet, aquando de uma ruptura do seu apêndice, e por isso é muito pessoal, mas que me espanta não ser dado como um álbum de apenas David Tibet.
Ainda mais estranho é o caso da edição creditada como sendo dos The Sonic Catering Band, ARTIFICIAL ADDITIVES (Peripheral Conserve PH-06) o qual é também um esforço de colaboração ou um álbum de vários artistas. Abre com os próprios The Sonic Catering Band, com uma peça muito ao jeito de Steve Roach, na veia de de Four Organs, seguida por um par de faixas que misturam músicos industrial-synth e techno. A faixa 5, creditada a Clear Spot, é uma excelente peça de krautrock género freak-out. Mas, de maior interesse para aqui é a faixa atribuída Nurse With Wound, Hindu Monastery Breakfast (8'37") e tocada por S. Stapleton, P. Vastl e M. Waldron (assim é lá dito), que se parece com o fundo musical da música I Was No Longer Hi Dominant, dos Nurse With Wound, encimada por ruídos originários de utensílios de cozinha a serem "tocados" por alguém. Interessante, mas gostaria de saber se é uma peça inédita dos Nurse With Wound, ou alguém a fazer uma reconstrução / remistura.?

Para pôr os pontos nos ii sobre o que foi editado na United Dairies, eis abaixo uma lista condensada...
UD 00CD NWW: Ladie's Home Tickler
UD 01CD NWW Chance Meeting...
UD 02 Lemon Kittens: We Buy... (CD)
UD 03CD NWW: To The Quiet Men...
UD 04CD NWW: Merzbild Schwet
UD 05 The Bombay Ducks: Dance Music
UD 06 Hoisting The Black Flag
UD 07 Lemon Kittens: Cake Beast, 12" EP
UD 08 NWW: Insect And Individual Silenced
UD 09CD NWW: 150 Murderous Passions
UD 010 Musique Concret: Bringing Up Baby
UD 011CD Operating Theatre: Rapid Eye...
UD 012 An Afflicted Mans Music Box
UD 013CD NWW: Homotopy To Marie
UD 014 Asmus Tietchens: Formen Letzer...
UD 015 In Fractured Silence
UD 016 Nihilist Spasm Band: 1x-x=x (CD)
UD 017 Diana Rogerson: The Inevitable...
UD 018 H.N.A.S.: Melchior
UD 019 NWW: Automating, Volume One (CD)
UD 020 NWW / Organum: A Missing Sense / Rasa
UD 021 Chrystal Belle Scrodd: Belle De Jour
UD 022 Current 93: In Menstrual Night (CD)
UD 023 Organum: Submission (CD)
UD 024 Guru Guru / Uli Trepte: Hot On Spot... (CD)
UD 025 NWW: Drunk With The Old Man...
UD 026 Robert Haigh: Valentine Out Of Season
UD 027 NWW: Alas The Madonna..., 12" EP
UD 028 Masstishaddhu: Shekinah (CD)
UD 029 Current 93: Earth Covers Earth (CD)
UD 030 NWW: Automating, Volume Two (CD)
UD 031CD NWW: Soresucker (deleted)
UD 032CD NWW: A Sucked Orange
UD 033CD Current 93: Crooked Crosses
UD 034CD NWW: Live At Bar Maldoror
UD 035CD NWW: Soliloquy For Lilith
UD 036CD NWW: Sugarfishdrink
UD 037CD Stapleton / Tibet: The Sadness Of Things
UD 038CD NWW: Large Ladies With Cake In Oven
UD 039CD Rock 'n' Roll Station
UD 040CD NWW: Thunder Perfect Mind
UD 041CD Chrystal Belle Scrodd: Beastings (deleted)
UD 042CD NWW: A Missing Sense
UD 043CD NWW: 2nd Pirate Sessions
UD 049CD NWW: Who Can I Turn To Stereo
UD 053CD NWW: Automating Volume 1 (re)
UD 055CD Volcano The Bear: The Inhazer Decline
UD 056CD NWW: An Awkward Pause
UD 059CD NWW: Crumbduck (w/ Stereolab)
UD 069CD NWW, etc: Swinging Reflective
UD 072CD NWW: Sylvie and Babs... (re)
UD 073CD NWW: Spiral Insana (re)
UD 081CD NWW: Alice The Goon (re)
UD 098CD NWW: Funeral Music For Perez Prado
UD 099CD NWW: Yagga Blues (deleted)
UD 100CD NWW: Acts of Senseless Beauty
UD 102CD NWW: Man With The Woman Face
UD 500CD NWW: Volcano The Bear: 500 Boy Piano

Nota: os itens a bold estão disponíveis na United Dairies em CD na altura em que fizemos esta compilação. Aqueles que têm a indicação (CD) no fim foram reeditados noutra editoras ou com números de catálogo diferentes. Como pode ver, o catálogo tem sentido, numericamente, até ao UD 43 (excepto do item UD 36 para a frente foram todos editados pela ordem errada), então saltámos para UD 49 e os número começaram a saltar. Isto pode significar 1 de 2 coisas, ou o Steve tinha montes de álbuns em preparação já com números alocados para eventual edição ou reedição com esses números, ou ele estava apenas a tentar fazer o catálogo parecer mais impressivo, especialmente com o UD 500!









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