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1.9.22

Zoviet France - Syntorama Nº 11 – MAR | ABR | MAI de 1987 - artigo


 


ZOVIET-FRANCE

SOVIET FRANCE é neste momento um dos grupos com mais future dentro do panorama da música experimental. O seu estilo particular de entender a música, a sua ideia acerca da arte, a sua apresentação (de que falarei mais adiante) e a sua filosofia, configuram os SOVIET FRANCE como um dos meus grupos favoritos, a ter em conta a seguir a suas pisadas.

Para a maioria, na qual me incluo, são um grupo fantasma, nunca incluíram créditos pessoais nos seus trabalhos, e em muitas ocasiões nem sequer títulos.

A sua primeira obra foi uma cassete autoproduzida “GARISTA”. A primeira que ouvi, e de onde partiu o meu interesse por eles. Esta cassete possui uma mistura de música primitiva, tratamentos de vozes e ritmos hipnóticos. Não apresenta nenhum tipo de créditos. A sua capa está pintada sobre papel cartonado e foi editada pela sua própria etiqueta, então chamada de SINGING RINGING.





A sua produção seguinte foi editada em 1982 (tal como a cassete) e neste caso é um maxi que nem sequer tem título. A capa é feita de tela de saco, e era aqui que queria chegar, porque todas elas são fabricadas com material reciclável, uma filosofia muito original e particular de entender a arte.

No lado A “RITUAL”, ritmo forte e repetitivo e “MUDBAST BOYS”, utiliza os ecos e a guitarra ácida. No lado B temos quatro temas, dos quais realçaria a guitarra desenfreada de “JI-BOYS”.

1983, edição do maxi “NORSCH”. Capa confeccionada com papel de alumínio. Todos os títulos dos temas giram em torno de NORSH: “NORSCHBAELMAEN”, “NORSCH TAUSS”, “NORSCH VIRANG” e “NORSCH IMIRSCH”. Mistura de ritmos primitivos, tratamentos e ritmos actuais, uma autêntica jóia.

“MOHNOMISHE”, duplo maxi de 33 rotações, é quiçá o melhor deles. Como habitual não possui nenhum título e a capa é feita com dois bocados de cartão duro, presos com uma pequena corda, algo realmente original e artesanal. Música minimal electrónica, ritmos tribais e um sentido realmente sério e eficaz de fazer-te voar, escutar com o volume no máximo. Se todavia não conheces nada dos SOVIET FRANCE, começa por este, e asseguro-vos que vos tirará o sono.

“EOSTRE”, duplo maxi, gravado em 1984. Capa confeccionada com papel pintado à mão, uma verdadeira obra de artesanato. O trance, a meditação, a música profunda e o ritmo são os principais protagonistas. Imagina que uma tribo implora ritos estranhos aos seus deuses. Essa é, creio, a definição que os SOVIET FRANCE querem dar à sua música, a palavra exacta seria RITUAL. “SHOUT THE STORM” será, quiçá, o melhor, de acordo com os pressupostos antes expostos, mas para dizer a verdade, aconselho-vos toda a obra.


“POPULAR SOVIET SONGS AND YOUTH MUSIC” é uma cassete dupla C-90. Quase três horas de música pára escutar com a mente aberta e relaxado. Embalagem em estojo de cerâmica. A caixa contém um pau e uma pena de ave, todo ele lacrado. ZOVIET FRANCE desenvolve um estilo original e brilhante.


NO MAN’S LAND, editora alemã, editou em 1985 um 10” intitulado “GRIS”. Música ritual, repetitiva, visceral e electrónica. “GRIS” num dos lados e “MORESCA, LUFT, SHEKINAH” no outro. Realmente recomendável.





O último publicado é um 12” a 33 RPM intitulado “MISFITS, LOONEY TUNES AND SQUALID CRIMINALS (CHARM, CEREMONY, CHANCE, PROPHECY, PART I)” e uma cassete C-60 intitulada “GESTURE, SIGNAL, THREAT (CHARM, CEREMONY, CHANCE, PROPHECY, PART II).

Os SOVIET FRANCE não têm sido um grupo dado a colaborações, tendo-o unicamente feito para a TOUCH e BAD ALCHEMY (Alemanha).

 

CHARRM

5 WINGROVE ROAD

NEWCASTLE UPON TYNE

NE4 9BP

UNITED KINGDOM

 

Todo o material pode ser obtido através do seupróprio contacto. (Demoram a responder mas não falham). Um dos grupos que mais recomendo.






KLAUS SCHULZE - Syntorama Nº 11 – MAR | ABR | MAI de 1987 - artigo + discografia + ENTREVISTA


KLAUS SCHULZE - Syntorama Nº 11 – MAR | ABR | MAI de 1987 - artigo + discografia + ENTREVISTA

KLAUS SCHULZE


Nesta altura, falar de KLAUS SCHULZE no fanzine era algo obrigatório, ainda que noutros números tenhamos acompanhado pontualmente os seus últimos discos. Haverá poucos músicos, na cena da música electrónica que não reconheçam ter sido influenciados, em maior ou menor grau, por este músico, que ao longo dos seus muitos anos de experiência criou m movimento em torno da “ESCOLA DE BERLIM”, no qual se agrupariam a maioria dos músicos electrónicos do passado e do presente.


Em 1969 começou por tocar bateria com um grupo chamado PSY FREE, na cena de Berlim, até que em 1970 fez parte da criação dos TANGERINE DREAM, com os quais gravou um LP “ELECTRONIC MEDITATION”, juntamente com FROESE e SCHNITZLER. Depois deste disco, SCHULZE abandonou o grupo para iniciar a sua prolífica carreira a solo. “IRRLICHT” foi o seu primeiro LP, com um sugestivo subtítulo: “SINFONIA CUADROFONICA PARA ORQUESTRA E MÁQUINAS ELÉCTRICAS”, SCHULZE deixou de tocar bateria, segundo ele por limitações do instrumento, e começou a investigar com equipamento electrónicos (ecos, cassetes e feedbacks). Este primeiro disco é realmente corrosivo, sobretudo o tema que ocupa o segundo lado do disco “EXIL SOLS MARIA” e consiste numa verdadeira inovação musical em relação ao que se fazia na altura. Colabora com SCHULZE a orquestra, composta por vozes, violoncelos, saxofones, oboé, flautas e contrabaixo.







Por essa altura (1971) fundou os ASH RA TEMPEL, com quem tocou bateria no seu primeiro LP “CYBORG”, gravado em 1973, ao mesmo tempo que os TANGERINE DREAM lançam “ZEIT”; ambos os LPs são comparáveis no estilo, completamente estático e minimal. Quatro faixas, uma por cada lado, este duplo LP que nos faz voar a imaginação para paragens insuspeitadas, ou te pode aborrecer de morte se realmente não entras nas suas esferas de sons etéreos. SHULZE faz-se acompanhar também por orquestra e utiliza pela primeira vez o sintetizador, um SEM SYNTHI A (VCS 3), continua com um 4 pistas (um velho TELEFUNKEN).

1973 constitui um dos anos mais prolíficos da carreira de SCHULZE. Por um lado, realiza uma digressão com os ASH RA TEMPEL, outra com os TANGERINE DREAM, e toca a solo em alguns concertos. Colabora com os ASH RA TEMPEL no seu LP “JOIN INN” e em inumeráveis LPs dos COSMIC JOKERS (formação variável que agrupa vários músicos electrónicos de Berlim) e finalmente grava o seu LP “PICTURE MUSIC”, uma autêntica maravilha da música electrónica.

“TOTEM” no lado 1 e “MENTAL DOOR” no 2, são duas verdadeiras maravilhas da música flutuante e atmosférica, por vezes rítmica, outras pausada. Juntamente com o seu VCS 3 e o órgão FARFISA, SCHULZE incorpora dois novos sintetizadores: o ARP 2600 e o ODYSEE, também da ARP.


Em 1974 realiza uma digressão por França e Holanda, juntamente com MICHAEL HONIG (teclados), participa na fundação do DELTA-ACCUSTIC STUDIO de BERLIM, e prossegue as gravações com os seus amigos dos COSMIC JOKERS (MANUEL GOTTSCHING, HARMUT ENKE, DIETER DIERKS, JORGEN DOLLASE e KLAUS D. MULLER, entre outros) e grava o seu fantástico “BLACKDANCE” já com contrato com a VIRGIN RECORDS. “WAYS OF CHANGES” tema rítmico onde SCHULZE utiliza a percussão, junto com outros instrumentos, guitarra e, claro, sintetizadores. “SOME VELVET PHASING” completamente em stereo, fecha o primeiro lado. “VOICES OF SYN” ocupa todo o lado 2, começa com a voz baixa de ERNST WALTER SIEMON executando uma colagem de Verdi, para dar lugar a SCHULZE, magistral com os sintetizadores.

“TIMEWIND” é o seu primeiro disco editado no nosso país e graças a ele, muitos dos que procuravam algo de novo em termos musicais, pudemos aperceber-nos que havia um movimento mais para além das fronteiras do rock. “TIMEWIND” é genial, completamente estático e atmosférico, sensual e etéreo. Uma hora de música que no nosso país, infelizmente, em muitos casos, terminou nos caixotes dos saldos.


Na contracapa há um bonito diagrama visual, que nos indica a utilização dos sintetizadores. Juntamente com os que já referi, SCHULZE incorpora o ELKA-STRING. O disco é dedicado a RICHARD WAGNER, de quem é grande admirador.

Nessa época colabora com a bana japonesa recém-formada, os FAR EAST FAMILY BAND, a quem ajuda a gravar os seus primeiros dois LP’s, “NIPPONJIN” e “PARALLEL W.”. Nesta banda tocava KITARO.

1976 foi uma no muito prolífico para SCHULZE. Deu 27 concertos na Europa (Londres, França, Bélgica, Holanda e Alemanha), gravou em conjunto com STOMU YAMASHTA “GO” e “GO LIVE” e gravou 2 LP’s, “MOONDAWN” e “BODY LOVE I”. “MOONDAWN” foi gravado em Janeiro de 76 e editado no nosso país, no mesmo dia da publicação mundial. É acompanhado na totalidade do disco por HARALD GROSSKOPF na bateria, artista proveniente dos WALLENSTEIN. Indubitavelmente, a inclusão da percussão dá um toque dá um toque rítmico de que SCHULZE não se pode desprender, não esqueçamos que ele começou também como baterista. Por outro lado, prossegue aumentando a sua dotação de sintetizadores e sequenciadores.

“MIRAGE” é, segundo o meu critério pessoal, o melhor disco de SCHULZE. Uma verdadeira obra de arte do princípio ao fim, um disco que, penso, todos os fãs da música electrónica deveriam ouvir. Supostamente uma introspecção da música de SCHULZE, de onde as ideias fluem deixando voar a imaginação até ao infinito, o infinito do cosmos.

Entre 1976 e 1977 grava 2 LP’s: “BODY LOVE I” e “BODY LOVE II”, este também conhecido por “MOOGETIQUE”. É a banda sonora do filme do mesmo nome, dirigido por LASSE BRAUN. É evidente que a sua música vai à perfeição para dotar o filme da “cereja no topo do bolo”, e os que o viram dizem que realça até limites insuspeitados o resultado final do filme. Em “BODY LOVE II” é acompanhado por HARALD GROSSKOPF na bateria.

E chegamos a uma das obras cimeiras de SCHULZE, “X”. Um duplo LP dedicado a ampliar a sua obra com temas que só nomeá-los dizem tudo: “FRIEDRICH NIETZSCHE”, “GEORG TRAKL”, “LUDWIG II, VON BAYERN”, “FRANK HERBERT”, “FRIEDEMANN BACH” e “HEINRICH VON KLEIST”. Sem dúvida, do melhor.

“DUNE” foi publicado em 79. A inclusão do vocalista ARTHUR BROWN, que canta no tema que dá o título ao álbum e ocupa todo o lado A do LP e WOLFGANG TIEPOLD que toca violoncelo, dá um toque mais diversificado à música de SCHULZE, mas sempre dentro dos parâmetros de qualidade que nos tem habituado. Nesse mesmo ano funda a sua própria editora, INNOVATIVE COMMUNICATION, que editou discos de R. SCHROEDER, P’COCK, LORRY, POPOL VUH, KLAUS KRUGER, CLARA MONDSHINE, MICKIE DUWE, BAFFO BANFI, etc.. e RICHARD WAHNFRIED. Dentro deste pseudónimo esconde-se a ideia de SCHULZE de tocar com uma banda a música que toda ela decida. O seu primeiro LP como RICHARD WAHNFRIED é “TIME ACTOR” e juntamente com ele tocam ARTHUR BROWN, HARMONY BROWN (vozes), VINCENT CRANE, SCHULZE (teclados), MIKE SHRIEVE (percussão) e W. TIEPOLD (violoncelo). É uma experimentação entre a vanguarda e o muzak.



Em 1980 participa na “ARS ELECTRONICA” de LINZ (Áustria), com um show que alucina toda a gente. Uma autêntica montagem. E das suas inumeráveis digressões grava um duplo LP denominado simplesmente “LIVE”. Dois lados do disco, um para cada tema, sendo uma  delas junto com H. GROSSKOPF (bateria) e outra com ARTHUR BROWN (voz), quatro lados maravilhosos de música electrónica. Gravado a partir dos seus concertos em AMSTERDAM, BERLIN e PARIS.

A continuação vem com “DIG IT” no qual SCHULZE se introduz no mundo dos computadores, interpretando toda a música com o G.D.S. COMPUTER. Recebe a ajuda do grupo IDEAL para o LOOPING de bateria em “WEIRD CARAVAN”, o seu tema mais rítmico. Aparece um novo personagem em cena, MIKE SHRIEVE, que se encarregará de tocar a percussão em “TRANCEFER”, junto com W. TIEPOLD que toca violoncelo. Um LP dedicado por inteiro à música electrónica rítmica, tudo baseado no seu G.D.S.COMPUTER. SCHULZE vai aperfeiçoando o seu estúdio, que conta já com 24 pistas.

Também é lançado o segundo LP de RICHARD WAHNFRIED, “TONWELLE”, com: MICHAEL GARVENS (voz), MANUEL GOTTSCHING (guitarra), SCHULZE (teclas), MIKE SHRIEVE (percussão) e KARL WAHNFRIED (guitarra).


“AUDENTITY” pressupõe uma busca da própria identidade por parte de SCHULZE, através dos sons e da música. Esta é outra das suas obras-primas, um duplo LP que é dedicado à glorificação dos sintetizadores e das novas técnicas musicais. Talvez a faixa que mais gosto seja “CELLISTICA”, onde brilha W. TIEPOLD, “OPHEYLISSEM”, o mesmo para SHRIEVE… e atenção que aparece um novo nome em cena, RAINER BLOSS, um homem que revolucionou as ideias de SCHULZE quase por completo e que ma deixou um grande amargo de boca. “AUDENTITY” foi publicado em alguns países como disco único, não duplo, portanto.

Em 1983 realizou uma extensa digressão pela EUROPA, incluindo a POLÓNIA, graças a um contacto que o seu agente KLAUS D. MULLER tinha nesse país. A partir das suas actuações na POLÓNIA, SCHULZE editou um duplo LP, na companhia do seu já inseparável companheiro RAINER BLOSS. O resultado é bom, mas não tanto como seria de esperar. Indubitavelmente, e isso é algo que não me sai da cabeça, a influência de BLOSS fazia com que a imaginação de SCHULZE diminuísse. Os títulos de “LIVE IN POLAND” são bem explícitos, “KATOWICE”, “WARSAW”, “LODZ”, “GDANSK” e “DZIEKUJE”, cidades onde se gravaram os temas. Foi tudo gravado com a consola digital SONY PCM 100.

Em 1984 vende a IC e funda uma nova editora, a INTEAM. A primeira edição foi o LP “APHRICA”, com ERNST FUCHS (vozes), BLOSS e o próprio SCHULZE. Hoje em dia este LP está totalmente esgotado e a sua aquisição é bastante difícil. Depois, “DRIVE INN”, com BLOSS a seu lado, é o pior que fez.

“ANGST” é a banda sonora de um filme, gravada a solo por ele, sem acompanhantes de nenhum tipo e isso nota-se, a qualidade sobe muitos degraus.

Também há um terceiro LP da aventura R. WAHNFRIED, “MEGATONE”. Acompanhando SCHULZE, desta vez: MICHAEL GARVENS, OLDAUER MAIDEN CHOIR, MIKE SHRIEVE, ULLI SCHOBER, AXEL e HARALD KATZSCH.

Em 1985 publica os seus medíocres “MACKSY” (maxi), com um tema de “ANGST” e outro inédito, e “INTER-FACE”, o pior que fez, e muita gente coincide nesta opinião.


Em 1986 editou “MIDITATION” como R. WAHNFRIED e a verdade é que gostando do disco acho que não faz parte do seu melhor trabalho. E, por fim, o seu último LP, gravado em 86 e recentemente editado, “DREAMS”. Este trabalho surpreendeu-me bastante, porque já não esperava nada de bom de SCHULZE. Este “DREAMS” tenta enlaçar-se um pouco com o seu passado, com as suas melhores obras como “MIRAGE”, como no seu extenso tema “KLAUS TROPHONY” que ocupa todo o lado 2 assim o atesta.

Creio e espero que se tenha dado conta que o seu caminho estava errado e tenha voltado à senda dos músicos que fazendo coisas com qualidade e esmero, tentando sempre surpreender a audiência.

A seguir transcrevemos uma entrevista realizada a SCHULZE, em duas partes, graças à colaboração do seu manager KLAUS D: MULLER, a quem, obviamente, tenho de agradecer pelo seu serviço prestado. A entrevista foi realizada por correio e foi concluída em Dezembro de 86.

 

DISCOGRAFIA

IRRLICHT                                             1972

CYBORG (LP duplo)                             1973

PICTURE MUSIC                                  1973

BLACKDANCE                                    1974

TIMEWIND                                          1975

MOONDAWN                                      1976

BODY LOVE                                        1976

MIRAGE                                              1977

BODY LOVE VOL. II                          1977

“X” (LP duplo)                                     1978

DUNE                                                   1979

… LIVE … (LP duplo)                        1980

DIG IT                                                  1980

TRANCEFER                                       1981

AUDENTITY (LP duplo)                    1983

LIVE IN POLAND (LP duplo)           1983

APHRICA                                            1984

DRIVE INN                                         1984

ANGST                                                1984

INTER-FACE                                       1985

MACKSY (Maxi)                                 1985

DREAMS                                             1986

 

RICHARD WAHNFRIED

TIME ACTOR                                     1979

TONWELLE                                        1981

MEGATONE                                      1984

MIDITATION                                     1986

 


Para contactar com o OFFICIAL FAN CLUB, os interessados podem escrever para:

MIX MUSIC

33 PEEL ROAD

NORTH WEMBLEY

MIDDLESEX

HA9 7 LY

ENGLAND

 

Recentemente foi publicado um livro sobre KLAUS SCHULZE, escrito em alemão por MICHAEL SCHWINN (180 páginas e 15 – 20 fotos). Para os interessados em adquiri-lo, enviar 13,80 DM para:

POSTGIROAMT HANNOVER

POSTGIRO 378499-302

(BLZ 25010030)

 

ENTREVISTA

SYNTORAMA: Como foi  o teu início?

K. SCHULZE: Fiz o meu primeiro trabalho “experimental” com um trio chamado PSY FREE, muito selvagem, uma espécie de free jazz (porém, na altura, não sabíamos nada disso). Isso foi em 69, nos clubes underground de Berlin. O Edgar Froese ouviu-nos e pediu-me para tocar bateria com ele (nesses tempos era baterista). Durante um ano e um disco fui membro dos TANGERINE DREAM.

SYNTORAMA: Qual o significado de vanguarda para ti?

KLAUS S.: O termo “Avantgarde” não significa nada para mim. Assim que o ouço fico logo muito cauteloso. Esse rótulo mostra a ignorância das pessoas que não entendem alguma música ou alguns “artistas” que podem estragá-la e esconder-se por detrás dela pra esconder a escassez de ideias.

SYNTORAMA: Que pensas acerca dos sintetizadores?

SCHULZE: Simplesmente encantam-me. Todavia, lembro-me que quando comecei, não havia um desses instrumentos disponível especialmente para mim. Não tinha dinheiro, como muitos artistas quando começam. Era jovem e a minha cabeça cheia de ideias.


Todos esses anos tive de reagir à ignorância e censuras que havia em relação aos sintetizadores. Esta luta com um novo instrumento, esta constante interpretação dos meus sintetizadores elevaram-nos a um pedestal que não merecem. Um sintetizador ou um estúdio de música são simples meios para a música. Hoje um sintetizador é algo tão normal como uma guitarra eléctrica.

SYNTORAMA: Porque deixaste os TANGERINE DREAM?

SCHULZE: Queria ir mais além na música electrónica. Usava já maquetas estranhas durante os concertos dos T. DREAM. Edgar queria uma bateria “normal”. Conny Schnitzler tinha também ideias estranhas. E segiu-o.

SYNTORAMA: Como compões os teus temas?

SCHULZE: Nos meus primeiros tempos, maioritariamente improvisada. Pouco a pouco aprendi a formar a minha música, chama-se “compor”. Mas eu não escrevo peças em papel, toco-as e gravo-as em cassetes e toco-as também na minha cabeça. Porque na maioria do tempo faço música, tenho muitas cassetes cheias de ideias musicais. Acontece que eu gravo um lado de um LP numa noite, mas isso corresponde normalmente a muitos meses de duro trabalho.

SYNTORAMA: Que pensas acerca das outras músicas?

SCHULZE: Raramente ouvia música para além da minha. Isso mudou um pouco quando comecei a produzir para a minha editora (IC). Hoje ouço de tudo, mas, todavia, não tenho sensibilidade para o jazz. Aborrece-me gente como Jan Hammer ou Hancock e o que eles fazem com os sintetizadores. Quando era novo gostava de grupos como os “VENTURES” ou os “SPUTNICKS”.

SYNTORAMA: De que forma trabalhas no estúdio?

SCHULZE: Estou contente comigo mesmo. Enquanto trabalho não posso estar com ninguém perto de mim. Não creio que alguém seja capaz de fazer o meu tipo de música sem alterá-la. Sentar-me no misturador é parte da minha composição. Faço sempre o que quero, sem compromissos. Essa é a razão de estar por aí e ser respeitado, e, por outro lado a razão para que não tenha nenhum “hit”.

SYNTORAMA: Qual a tua opinião sobre a música ao vivo?

SCHULZE: Diverte-me. Tive a oportunidade, ou melhor, aproveitei a oportunidade, de dar concertos e fazer digressões desde 1973. Juntamente com os T. DREAM fui o único neste tipo de música que tocava ao vivo. Nos primeiros tempos éramos duas pessoas, uma pequena Ford Transit, um “show de luzes” de 8 lâmpadas de 100 W, e viajávamos através de França, a maioria das vezes na Primavera, tocávamos aqui e ali, concertos maiores e outros menores, organizados por fãs. Hoje somos 7 ou mais, usamos um “11 toner”, e a organização somente leva meio ano e a maior parte do orçamento. Os meus concertos preferidos foram os da Polónia, em Junho de 83. Essa é a razão por que editei um disco ao vivo, LIVE – gravação desses concertos.


SYNTORAMA: Por quê RICHARD WAHNFRIED?

SCHULZE: Sou casado e tenho dois filhos. O mais velho chama-se Richard. Nasceu quando comecei a IC, e gravei sob o pseudónimo de Richard Wahn fried em modo de “grupo de sessão” livre, com mudanças de membros. Todos os lucros dessas gravações vão para os outros músicos e para o meu filho Richard.

SYNTORAMA: Que se passou com INNOVATIVE COMMUNICATION?

SCHULZE: Já em 1974 tinha a ideia de uma editora própria (de música electrónica), porém não possuía dinheiro nem conhecimentos. Em 1978 tentei de novo. Primeiro com o dinheiro e pressão da WEA (Warner Brothers). As vendas foram boas, mas não suficientes para o “irmão maior”. Eles queimaram-nos. Nessa altura tínhamos algumas produções terminadas e contratos com artistas. Outras companhas grandes rechaçaram as nossas ofertas, pelo que tivemos que prosseguir como independentes… e tivemos um milhão de vendas com o nosso LP “IDEAL”. Infelizmente esse não era música electrónica. IC avançou, eu segui para uma grande digressão a solo. Por volta do verão de 83, a política da IC tinha mudado drasticamente para música M.O.R.  Vendi a IC e voltei para o meu estúdio. Juntamente com Rainer Bloss criei uma nova editora: INTEAM. É estritamente para editar a música do tipo electrónico que amo e prefiro.


SYNTORAMA: Que é a INTEAM?

SCHULZE: A INTEAM produz música electrónica e tenta editá-la em discos. Os discos que prefiro devem ser os da editora INTEAM, outras produções tentaremos que saiam noutras editoras. A meu lado e do Rainer Bloss temos uma companhia de três pessoas, desde os dias da –IC-: Claudio Cordes, que produz vídeos, capas e publicidade. Michael Garvens responsável pela contabilidade e coordenação, e Klaus D. Mueller, que está no negócio em Berlim, com ideias e promoção.

SYNTORAMA: Que pensas acerca das novas tecnologias?

SCHULZE: Quando comecei não tinha sintetizadores. Usava um velho órgão, um equipamento de eco barato, feedback, e backward tapes, além da minha imaginação. O primeiro sintetizador, tive-o durante muito tempo, foi um SEM. Através desse SEM aprendi a lógica de todos os sintetizadores que se seguiram. Tive que aprender de novo somente quando apareceram os digitais e os computadores. Essa é outra história.


SYNTORAMA: Estás interessado nos ritmos feitos com instrumentos acústicos?

SCHULZE: Isso é importante. Cada músico deveria tocar bateria. Obteria com isso um sentido de ritmo, até quando normalmente toque teclados, saxofone ou qualquer outra coisa. Eu compreendi isto quando trabalhava com o Michael Shrieve. Ele não sabia manipular sequenciadores, porém sabia das configurações do meu sintetizador: tentava acompanhar esse ritmo. Eu não conseguia. Portanto, com a ajuda de Michael eu alterei o sequenciador até que consegui acompanhar o seu ritmo, até que o meu corpo se sentiu bem com isso. O ritmo é importante, mesmo quando não haja um golpe audível.

SYNTORAMA – Acompanhas as modas?

SCHULZE: Na minha carreira vi ondas musicais ir e vir. Uma moda musical é curta, e tenho sorte de nunca ter feito música da moda. Quando a minha música alguma vez fez alguma sensação, por causa da novidade superficial da inovação que era suposto os sintetizadores e os sequenciadores darem, senti-me muito responsável. Todas essas questões técnicas. Hoje esses instrumentos são normais, e todos os grupos de discoteca os usam, até as mais pequenas. (No bar de um hotel em Hamburgo, ouvi uma vez o pianista residente. Tinha à sua volta três sintetizadores, a melhor bateria electrónica desses tempos, e uma gama completa de equipamentos de efeitos, estava bêbado e era maravilhoso.) Nos anos setenta tinha que explicar o que era um sintetizador, tinha que lutar contra todos os preconceitos existentes que havia contra este equipamento. Em cada texto de promoção, em cada entrevista tinha que explicar: O que é um sintetizador?. Hoje os grupos jovens da moda em Inglaterra podem usá-lo, construí-lo e avançar com eles. Tocam outra música, são comerciais. Eles devem tudo aos Kraftwerk (energia eléctrica) e sabem-no, espero. Mas está na natureza das modas que têm de desaparecer. Voltam as guitarras e os temas dos sessentas… até à moda seguinte. Eu continuo vivo e activo.


SYNTORAMA: Estás muito interessado em comercializar os teus produtos?

SCHULZE: O comércio não é bom nem mau. É necessário. Sem comércio a música seria apenas elitista. Não há que misturar a música com os jogos olímpicos. Ou com desportos de alto rendimento. O comércio é preciso para a técnica. A técnica torna possível que toda a sociedade viva em e com a música, e essa música pode actualmente ser produzida. A música comercial precisa de talentos diferentes “bem” ou “mal”, contam.

SYNTORAMA: Qual é, para ti, o teu melhor disco?

SCHULZE: Claro que é sempre o último, de outra forma não o faria. Desde as minhas gravações mais antigas isso era e é uma miragem.

SYNTORAMA: Fizeste muitas gravações. Estás contente com o trabalho que realizaste?

SCHULZE: Muitos anos de trabalho intensivo com a música, foram indispensáveis para descobrir um som adequado aos sintetizadores. O uso adequado de efeitos especiais, as características de um som em locais e espaços. Este saber converteu-se numa minha segunda natureza. No entanto continuo a aprender todos os dias algo de novo. Eu acredito realmente na intuição do génio artístico, mas devo dizer que a maioria do êxito vem do trabalho duro. Como uma vez escrevi em resposta a uma questão, não há truques, apenas o conhecimento adquirido e e experimentado sobre a própria intenção, tentar pôr em prática as próprias ideias e a falta de respeito pelas concepções convencionais, onde isso seja necessário.

SYNTORAMA: Que pensas da imprensa musical?

SCHULZE: Preferem a música da moda, tentam criar modas. A maioria são jovens e assim têm que provar que estão na última onda. Alguns deles sentem-se como músicos frustrados e outros são simplesmente invejosos. Falta-lhes experiência e conhecimento. Em Janeiro publicam listas de 20 Discos do Ano, e no ano seguinte a mesma coisa, claro. Alguns são melhores e, por isso, mudam de trabalho. Fico contente sempre que escrevem o meu nome correctamente, e que não escrevam sobre concertos que não tiveram lugar. Alguns sabem escrever e têm uma escrita de qualidade e criativa.

SYNTORAMA: Por que razão não deste ainda concertos na América?

SCHULZE: Não surgiu nenhuma oportunidade, no futuro próximo, de dar concertos no Canadá, USA ou qualquer outro local desse continente. O mesmo acontece com o Japão. Não tenho uma grande distribuidora que me apoie e o transporte marítimo é demasiado caro, e o negócio musical na América… é melhor ficar em casa e vivo.


SYNTORAMA: Fazes vídeo?

SCHULZE: Quando estava com a –IC- tinha um estúdio de vídeo. Fazíamos vídeos de todos os nossos artistas, excepto de mim.

SYNTORAMA: Que pensas dos computadores?

SCHULZE: Os computadores digitais modernos são excelentes ferramentas. Um chip para mim não é algo sagrado e sim uma ferramenta. O medo dos computadores desaparecerá se trabalharmos com eles e com carinho. Uso as tecnologias apenas para pôr em prática uma minha ideia musical. As ferramentas técnicas têm que funcionar como eu quero. Isso, claro, necessita de muito esforço.

Alguns podem dizer que temem os computadores, mas na realidade temem o trabalho que têm de ter para os dominar e utilizar convenientemente. Perdem a paciência. Outros utilizam os computadores como um jogo, como se fossem jogos, como crianças que nada sabem fazer com o seu novo jogo. Às vezes encontram aquilo que pensam ser único… Isso tem a ver com com os simples sintetizadores e com os antigos, assim como com cada instrumento ou cada ferramenta de cada profissão. Imagino…

SYNTORAMA: Que instrumentos usas agora?

SCHULZE: Em geral o sampler e equipamento MIDI e muito, muito pequeno.


SYNTORAMA: Que novos projectos tens na INTEAM?

SCHULZE: Não haverá mais edições na INTEAM?

SYNTORAMA: Que novos projectos e concertos previstos tens?

SCHULZE: A minha próxima digressão será no outono de 1987, mas ainda não há locais acertados.

SYNTORAMA: Que novos projectos tens?

SCHULZE: Fiz um projecto longo com o ANDREAS GROSSER. A gravação dura mais de 50 minutos, mas no momento não sei ainda em que companhia será editado, nem sequer se alguma vez será editado. Também há um ballet americano de Nova Iorque que está a utilizar “SPIELGLCKEN” de “AUDENTITY” na sua representação. Estarão em Amesterdão em 2 de Fevereiro e então falaremos sobre novos projectos com o ballet e quiçá um trabalho especial para eles.

 

NOTA: A tradução da presente entrevista foi feita por ROSI, a quem agradecemos a colaboração.

 

Todos os discos de KLAUS SCHULZE podem ser obtidos através da LOTUS RECORDS, escrevendo para a morada seguinte:

LOTUS RECORDS

14-20- BRUNSWICK STREET

HANLEY

STOKE – ON TRENT

STAFFS, ST1 1DR

ENGLAND






11.7.22

Syntorama Nº 11 – MAR | ABR | MAI de 1987 - artigo seleccionado #3: Robert Schröder


 


ROBERT SCHRODER


Robert Schroder é seguramente um dos músicos mais desconhecidos do grande público, pese embora já ter editado 7 LPs. Entrou em contacto com KLAUS SCHULZE, como tantos outros músicos, enviando-lhe cassetes de música feita em casa. Numa ocasião visitou KLAUS na sua casa de AIX-LA-CHAPPELLE e a continuação da relação ficou muito mais estreita.

O seu primeiro LP foi “HARMONIC ASCENDANT” gravado entre 1978/79 nos estúdios PANNE/PAULSEN de FRANKFURT por EBERHARD PANNE e misturado por SCHULZE, ainda que não tenha sido editado senão em 82 na INNOVATIVE COMMUNICATION.


“HARMONIC ASCENDANT” é sem dúvida o seu melhor disco, completamente electrónico, com ideias frescas e originais, imerso completamente dentro da estruturas musicais da Escola de BERLIN. É a síntese dos sons electróncios de SCHRODER juntamente com a guitarra de UDO MATTUSCH e o violoncelo de WOLFGANG TIEPOLD, os seus colaboradores nesta ocasião.


“FLOATING MUSIC” é o seu segundo LP e com ele começaria a série de discos editados pela INNOVATIVE COMMUNICATION, (Referencia 80.001). A música de SCHRODER é também aqui electrónica, mas adquire mais ritmo, sobretudo no lado A do LP, intitulada precisamente “FLOATING MUSIC”… e atenção, porque ainda que no disco se oiça (aparentemente) bateria, o disco, segundo as informações, é interpretado unicamente com sintetizadores.


“MOSAIQUE” é o seu trabalho seguinte, também na IC. Há um detalhe que me chama tremendamente a atenção: este disco foi gravado ao mesmo tempo que “TRANCEFER” de SCHULZE, no mesmo estúdio, foi misturado e produzido por este… são demasiadas coincidências para não ter, penso, uma excessiva influência de SCHULZE em SCHRODER. “MOSAIQUE” soa, sobretudo no primeiro lado, a … “TRANCEFER”, ainda que goste muito de “COMPUTER VOICE”, o seu melhor tema.

Colaboram CHARLY BUCHEL (guitarra), ROB VAN SCHAIK (baixo) e FRED SEVERLOU (bateria); SCHRODER utiliza, pela primeira vez o PPG WAVE II COMPUTER.

Em 1982 editou o seu LP “GALAXIE CYGNUS-A”, um dos seus melhores LPs. Está subdividido em partes, da 1 à 7, e é verdadeiramente magistral, uma obra absolutamente recomendável a todos os interessados na nova música electrónica. Um disco dedicado ao cosmos, e aos avanços tecnológicos humanos para estudá-lo. Um trabalho onde SCHRODER dá rédea solta à sua imaginação tocando unicamente sintetizadores, tão bem como só ele sbae faz~e-lo. Foi apresentado na mostra “ARS ELECTRONICA” de LINZ.


“PARADISE” é o 5º LP de SCHRODER e o último para a INNOVATIVE COMMUNICATION. Penso que talvez devido à influência de muitos casos de músicos caminharem na direcção da música electrónica mais sinfónica, SCHRODER mordeu o anzol da facilidade de acercar-se desse estilo é tornou os seus sons mais ostentosos e ribombantes. Não quero dizer com isto que se tenha voltado exclusivamente para esse tipo de estruturas, mas creio que há algo delas. Gosto sobretudo de “MOMENTS”, “TIME MACHINE” e “TIMELES”. Deste LP editou-se um single e um maxi, ambos com os mesmos temas “SKYWALKER / SPACE DETECTIVE”, bastante comercial. Colaboram GUNTHER BECKERS (guitarras) e ECKY ZILLMANN (bateria electrónica).

“COMPUTER VOICE foi gravado entre Julho e Setembro de 1984 e o seu reportório é assaz estranho, Quatro velhos temas remisturados (o que ele chama de “nova versão”) “GALAXIE CYGNUS-A (PART 2 e 5). “COMPUTER VOICE” do LP “MOSAIQUE” e “ROTARY MOTION” de “FLOATING MUSIC” e “EARTH” e “LIBERTARY ISLAND”. As composiçõe sganharam em força e o seu som é mais directo. É um bom LP de música electrónica, ainda que eu prefira os velhos temas remisturados aos novos. Foi editado pelo seu novo selo RACKET RECORDS. Também editado nessa época foi o maxi “GALACTIC FLOOR / BLACK OUT”.


E assim chegamos ao último disco de SCHRODER, “”BRAIN VOYAGER / GLUCKSEDANKEN”, talvez o seu pior, já que efectivamente os meus pressentimentos vieram a concretizar-se. SCHRODER decidiu-se completamente a exercitar os seus dotes de bom teclista, a compor música electrónica sinfónica, e sendo que efectivamente o faz bem, mas a mim esse estilo já me anda a cansar um pouco, e aparte de dois temas bastante fracos e babosos, como são os que dão o título ao álbum, com guitarras acústicas e vozes, o resto não é mau de todo. Gosto sobretudo de “LOST HUMANITY”, “FROZEN BREATH OF LIFE”, “INVISIBLE DANGER” e mesmo acima de todos, “THE INSIDE OF FEELINGS”, genial e atmosférico.

Todos os discos foram editados e reeditados (os da IC) pela RACKET RECORDS. Claro que (e infelizmente) nenhum foi editado no nosso país. Todos se podem conseguir através de:

DEUTSCHE AUSTROPHON

KRUPPSTRABE 7

2840 DIEPHOLZ 1

WEST GERMANY

Atenção a este catálogo, que é um bom distribuidor, bons preços e coisas interessantes, - consultar os preços.


 

DISCOGRAFIA

- HARMONIC ASCENDANT (1979)

- FLOATING MUSIC (1980)

- MOSAIQUE (1981)

- GALAXIE CYGNUS-A (1982)

- PARADISE (1983)

- SKYWALKER / SPACE DETECTIVE (1983)

- COMPUTER VOICE (1984)

- GALACTIC FLOOR / BLACK OUT (1984)

- BRAIN VOYAGER / GLUCKSGEDANKEN (1985)













8.7.22

Syntorama Nº 11 – MAR | ABR | MAI de 1987 - artigo seleccionado #2: Proceso Uvegraf Miguel A. Ruiz | Orfeon Gagarin | Uvegraf | Juan Teruel G. | Proletkult | Juan P. Monreal


 


PROCESO UVEGRAF

Proceso Uvegraf

Miguel A. Ruiz | Orfeon Gagarin | Uvegraf | Juan Teruel G. | Proletkult | Juan P. Monreal

music electronic

Na realidade dão-se poucos concertos de música electrónica no nosso país, por isso, quando MIGUEL RUIZ me disse que iam tocar em MADRID juntamente com JUAN TERUEL e JUAN MONREAL, não pude deixar de pensar desde esse momento na ideia de os ir ver, para além de estar também com os meus amigos locais da área musical avançada, ANDRES NOARBE, M. EXPOSITO, FRANCISCO FELIPE, entre outros. Os concertos terão lugar nos dias 21 e 22 de Novembro na Sala do COLEGIO MAYOR CHAMINADE.

Eu já conhecia os trabalhos deles, alguns autoproduzidos e outros editados através da CPU, e desde logo dizer que são de enorme interesse. A música oferecida por estes três músicos foi realmente surpreendente, totalmente improvisada e impactante. Evidentemente, e também há que dizê-lo, se notava que era o seu primeiro concerto, faltava o que se chamam experiência, o saber estar e umas pequenas falhas técnicas iniciais, mas apesar disso, gostei muito do concerto, que soou muito bem. Não quero que isto soe a crítica mas, antes pelo contrário, animar não só estes músicos, e dizer a todos os que têm algo a transmitir que actuem onde possam, porque assim se dá prazer ao pessoal. Segundo pude apurar, haverá uma cassete deste concerto editada pela CPU.

As cassetes editadas pela CPU já foram aqui comentadas no SYNTORAMA Nº 10, por isso, evidentemente, não o vou repetir, mas fica aqui a sugestão para que leiam o número citado.

 

ENTREVISTA COM: JUAN TRUEL


SYNTORAMA: Como foi que aconteceu a vossa contratação para poderem dar este concerto?

JUAN TERUEL: Bom, foi uma proposta que um dia nos fez MARCELO EXPOSITO / NECRONOMICON. Nós aceitámo-la porque o C.M.CHAMINADE nos oferece condições mínimas para tocar, muito aceitáveis, tais como um equipamento básico de sonorização e luzes numa sala confortável de capacidade média, um equipamento de vídeo-gravação e montagem à nossa disposição, e o que é mais importante, a possibilidade de desta vez utilizar um lugar em que as pessoas não tenham de pagar para nos ver actuar, pois os tempos estão difíceis para todos. Também é uma forma de assegurarmos que se fale bem de nós, pelo menos uma vez… Não, a sério, foi uma grata, ainda que cara, experiência para nos darmos a conhecer um pouco. Que melhor pode haver…!


SYNTORAMA: Ensaiaram intensamente para esta actuação ou vai ser improvisada?

TERUEL: Temos ensaiado intensamente, mas se tiveres em conta que há apenas 15 dias não tínhamos a intenção de fazê-lo, pelo menos de forma tão breve. Pensávamos fazer uma audição das nossas cassetes particulares, mas esta ideia foi ganhando pernas para andar, tocar ao vivo e juntos: MIGUEL A. RUIZ / ORF. GAGARIN, JUAN MONREAL/PROLETKULT e JUAN TERUEL / UVEGRAF.

Era grande o desejo que tínhamos de fazê-lo e como de todas as formas haveríamos de fazê-lo num futuro não distante, decidimos adiantá-lo. Foi um trabalho duro que levámos a cabo durante quase duas semanas para poder tocar ao vivo de forma tão longa e completa como nos propusemos, sem que isso signifique que nos tenhamos precipitado. Tudo se baseou numa coincidência de interesses e objectivos, e ainda por cima passámo-los com distinção. Pessoalmente estou como os meus outros companheiros, satisfeito com os resultados e, quiçá, tenhamos a oportunidade de repetir a experiência muito em breve numa cidade para onde fomos convidados a participar num festival de música electrónica.

Respondendo à segunda parte da tua pergunta: Sim, há uma parte importante de improvisação em directo e ao vivo, seria muito aborrecido de outra forma, e seguramente não conseguiríamos reproduzir, nem tal nos interessa, o mesmo que fazemos nos ensaios. De todas as formas trata-se de uma improvisação normalmente controlada, o que acarreta riscos e é mais difícil, mas é o que queremos fazer, ainda que os resultados sejam muito duros para os ouvidos.


SYNTORAMA: Que diferenças há na tua música como UVEGRAF e como JUAN TERUEL?

TERUEL: De estilo, isso é evidente. Ou talvez nem tanto… Digamos que há uma intenção de JIG em acercar-se de UVEGRAF. “NEUMA” é um trabalho retrospectivo, será assim que JIG irá evoluindo, mais ou menos bruscamente, em direção de campos distintos. Interessam-me aspectos diversos e diferentes do som, pelo que nada vai conseguir fazer-me encaixar num estilo apenas. Quem ouvir os meus próximos trabalhos poderá conta disso. Sou demasiado inquieto e mutável para estancar-me num determinado estilo, o que não encaixa, como digo, na minha forma de trabalho; Tampouco há uma linha a seguir… Suponho que sou um experimentalista nato, não sei, não gosto desta frase.

SYNTORAMA: Que instrumentos ou efeitos vais tocar?

TERUEL: Bom, tu pudeste vê-los esta noite: quanto a sintetizadores (todos analógicos, nada de digitais ou sistemas “midi”, por infortúnio), um polifónico, outro monofónico com sequenciador, guitarra sintetizada, um sampler… Também utilizamos várias placas com cassetes mais um de 4 pistas, os quais nos oferecem a possibilidade de meter efeitos pré-gravados adicionais: percussão por exemplo. Quanto a efeitos propriamente ditos, delay, flanger, reverberação, eco… Agora que penso nisso, gostaria de dispor de um harmonizador.


SYNTORAMA: Já que tu és o responsável pelas etiquetas “DISCOS PROCESO UVEGRAF” e “CPU”, quais vão ser os próximos lançamentos a curto prazo? E que novas perspectiva tens para 1987? Conta-nos os teus projectos.

TERUEL: Pois a curto prazo, a segunda cassete de ORFEON GAGARIN, que antecipo que vai ser muito especial; novo e conscensioso trabalho de PROLETKULT, algo que creio que nos irá surpreender, e novas realizações de UVEGRAF e JUAN TERUEL, algo provavelmente muito diferente do anterior; isto quanto a cassetes. Em disco, está por decidir a saída de um LP ao vivo gravado da actuação que acabámos de efectuar, seguramente com o nome de “Lef”. Também uma compilação em LP com grupos estrangeiros e do nosso país, LP’s de UVEGRAF, JIG…; além de projectos conjuntos. Para já, temos um vídeo das actuações do C.M.CHAMINADE, realizado por MARCELO EXPOSITO; actuações, incluindo fora de Espanha, etc. Enfim, como vês, muitos projectos. Uma coisa de que não quero esquecer-me: Haverá surpresas.

 

JUAN MONREAL

SYNTORAMA: Que tentas transmitir com a tua música?

JUAN MONREAL: Nunca pretendi transmitir nada com a minha música. O que sim, admito, é que determinadas pessoas que a escutem possam dizer ou “sentir” que ela lhes transmite ou sugere algo. A única coisa que valorizo é a de contactar com o gosto de alguém.


SYNTORAMA: Estás interessado nas técnicas ruidistas dos princípios do século, ou a tua preocupação é mais com o que se faz nos últimos tempos?

MONREAL: Não gosto da tua palavra “interesse” porque leva a confusão. Interessam-me os futuristas italianos e os seus seguidores (LUIGI RUSSOLO, VARESE, BRUNO MADERNA, LUCIANO BERIO, etc.) historicamente (muias das suas obras não as cheguei sequer a ouvir) e suportaram as primeiras intenções de ruptura. Também me interessam algumas coisas que se fazem agora, por gosto, não por interesse, e não só no campo da música electrónica pura. Os dois aspectos ambos muito e, simultaneamente, ambos pouco.

SYNTORAMA: Como é a tua experiência com teu trabalho? Estás satisfeito com o que fizeste até agora? Vais continuar nessa linha musical?

MONREAL: Devido aos meus estudos não posso dedicar todo o tempo que desejaria à música e, para além disso, tenho de dizer-te que também me dedico à pintura (à qual cheguei primeiro, e depois, através dela, à música). A minha experiência é cada dia melhor porque cada dia noto que tenho mais experiência e quiçá algo mais de liberdade pelos gostos musicais tão diversos que tenho. Quanto à linha musical não posso dizer-te sim ou não porque não o sei. Posso é assegurar-te que a investigação me priva e que tratarei de fazer coisas novas, mas não radicalmente diferentes, para poder aumentar a minha experiência pessoal (sempre numa linha um pouco dura, nunca branda).

SYNTORAMA: Pensas em seguir na arte musical? Que novos projectos tens?

MONREAL: Penso em seguir na música até que alguém me corte as mãos. Quanto a projectos espero começar a gravar este Natal um novo trabalho, possivelmente inspirado em padrões electrocardiográficos e electroencefalográficos, no qual já estou a pensar. Outro projecto, quiçá a mais longo prazo, será uma espécie de “história resumida da pintura”, repartida pelos dois lados de uma cassete.

 

MIGUEL A. RUIZ

SYNTORAMA: Que se passou com os ORFEON GAGARIN? Continuam ou já não existem?


MIGUEL A. RUIZ: Os ORFEON GAGARIN não desapareceram, e a prova é que em princípios do ano de 87 estará, provavelmente, disponível a segunda edição do O.G. que vai ser dedicada exclusivamente à vida e obra de YURI ALEXEIEVICHT GAGARIN, na forma de biografia sonora, por um lado, e em forma de booklet biográfico-gráfico a cargo dos VAN DER GRAAF.

SYNTORAMA: Que influências tens?

M. A. RUIZ: Realmente é difícil libertarmo-nos de certas influências e especialmente no terreno musical, onde há movimentos sonoros muito concretos. Quiçá este seja um tanto influenciado pela electrónica alemã, desde os começos, por volta de 1970, com gente como os KRAFTWERK ou CLUSTER, até à actualidade, com SCHNITZLER ou TIETCHENS. Os meus gostos musicais são muito amplos e não se cingem exclusivamente à Música Electrónica propriamente dita.

SYNTORAMA: Que projectos imediatos tens?

M. A. RUIZ: Aparte o que já mencionei, tenho previstas outras colaborações com os outros artistas da CPU e também com LUÍS MESA, sob o nome de “TECNICA MATERIAL”. Também participei numa compilação.


SYNTORAMA: Que instrumentos vais tocar neste concerto?

M. A. RUIZ: Normalmente uso sempre aquilo que já tenho, teclados, sequenciador e alguns efeitos. Uso também, para algumas misturas, um magnetofone do pós-guerra, que fornece ao som uma distorção apreciável.

SYNTORAMA: Estás interessado na aprendizagem de novos e sofisticados instrumentos electrónicos ou, pelo contrário, interessa-se pesquisar e explorar novas formas de música?

M. A. RUIZ: A electrónica não é mais do que um meio para chegar à investigação de novas formas, mas considero importante sublinhar que também se pode realizar algo realmente original partindo de instrumentos tradicionais. E mais, tem-se feito muita música básica com instrumentos muito sofisticados, e isso é perigoso.

 

Para informação sobre as editoras os DISCOS PROCESO UVEGRAF e CPU escrever para:

DISCOS PROCESO UVEGRAF

Apartado 156.152

28080 – MADRID

 

PROLETKULT / C.H.C.L.A. – C-60 (Ref. W.T.1). Este é o primeiro trabalho das WEIMAR TAPES, nome por debaixo do qual se esconde JUAN MONREAL e que utiliza para editar os seus próprios trabalhos, com a intenção de também assim contactar de forma pessoal com outros núcleos interessados no ramo. O Lado A é ocupada por “CADDIE HUELE COMO LOS ARBOLES”, nome anterior de JUAN. “CANGREJO”, dividido em 8 partes ocupa todo o Lado A. Música electrónica dominada por teclados e guitarra. Utilizando técnicas actuais de composição e soando por vezes a DURRUTTI COLUMN. No Lado B afirma-se como PROLETKULT e percebe-se uma evolução através de estruturas mais barrocas e mecânicas, eu prefiro este Lado aind que toda a cassete esteja a bom nível. Em princípio, sei que JUAN não a vende, mas que a troca, mas eu penso que um trabalho como este não deve ficar restrito apenas ao círculo dos que fazem música e sou de opinião que também devia vendê-la a todos os interessados (opinião pessoal, claro). Informação em:


JUAN MONREAL

Olite, 45

28039 - MADRID





Querem explorar/ouvir quase toda esta música?







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