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24.1.23

Mais Uma "Lista do FM" - Os melhores álbuns que ouvi dos ANOS 60


"Os melhores álbuns que ouvi dos ANOS 60"


1963 


BEACH BOYS (THE) - Surfer Girl 


1964 


BEACH BOYS (THE) - Shut down, vol. 2 

BEATLES (THE) - A Hard Day’s Night 

MANFRED MANN - The Five Faces of Manfred Mann 

STAN GETZ & JOÃO GILBERTO - Stan Getz/João Gilberto 


1965 


BEATLES (THE) - Help! 

BEATLES (THE) - Rubber Soul 

BYRDS (THE) – Mr. Tambourine Man 

BYRDS (THE) – Turn! Turn! Turn! 

FRANK ZAPPA - Freak Out 


1966 


BEATLES (THE) - Revolver 

BYRDS (THE) - Fifth Dimension 

JOHN MAYALL -John Mayall & The Bluesbreakers 

KINKS (THE) - Face to Face 

MONKS – Black Monk Time 

MUSIC MACHINE (THE) – Turn on 

SIMON & GARFUNKEL - Sounds of Silence 

SIMON & GARFUNKEL - Parsley, Sage, Rosemary and Thyme 


1967 


BEACH BOYS (THE) - Pet Sounds 

BEACH BOYS (THE) - Smiley Smile 

BEATLES (THE) - Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band 

BEE GEES – First 

BYRDS (THE) - Younger than Yesterday 

CREAM – Disraeli Gears 

DAVID BOWIE – David Bowie 

DONOVAN - Sunshine Superman 

DOORS (THE) – The Doors 

DOORS (THE) – Strange Days 

FRANK ZAPPA - Absolutely Free 

FRANK ZAPPA - We're only in it for the Money 

HOLLIES (THE) - Evolution 

HOLLIES (THE) - Butterfly 

INCREDIBLE STRING BAND (THE) - 5000 Spirits or the Cayers of the Onion 

JEFFERSON AIRPLANE - After Bathing at Baxter's 

JEFFERSON AIRPLANE - Surrealistic Pillow 

JIMI HENDRIX - Are you Experienced? 

JIMI HENDRIX - Axis: Bold as Love 

JOHN MAYALL - A Hard Road 

JOHN MAYALL - Crusade 

KINKS (THE) - Something else 

LAURA NYRO - Eli and the Thirteenth Confession 

LOVE – Da Capo 

LOVE – Forever Changes 

MOODY BLUES (THE) - Days of Future Passed 

NIRVANA – The Story of Simon Simopath 

PINK FLOYD - The Piper at the Gates of Dawn 

TIM BUCKLEY – Goodbye and Hello 

VELVET UNDERGROUND (THE) – The Velvet Underground & Nico 

ZOMBIES (THE) - Odessey & Oracle 

BEATLES (THE) - Magical Mystery Tour 

BONZO DOG DOO DAH BAND – Gorilla 

CRAZY WORLD OF ARTHUR BROWN (THE) - The Crazy World of Arthur Brown 

CREAM – Fresh Cream 

ELMER GANTRY’S VELVET OPERA - Elmer Gantry’s Velvet Opera 

JOHN MAYALL - The Blues alone 

KALEIDOSCOPE – Tangerine Dream 

LOVIN’ SPOONFUL – Daydream 

MONKEES (THE) - Pisces, Aquarius, Capricorn & Jones Ltd. 

MYSTIC ASTROLOGIC CRYSTAL BAND (THE) – The Mystic Astrologic Crystal Band 

PROCOL HARUM – Procol Harum 

RON GEESIN - As he Stands 

SMALL FACES (THE) – From the Beginning 

STRAWBERRY ALARM CLOCK (THE) - Incense and Peppermints 

STRAWBS – All our own Work 

TYRANNOSAURUS REX - My People were Fair and had Sky in their Hair…but now they are Content to 

Wear Stars on their Brows 

YARDBIRDS – Little Games 


1968 


BEACH BOYS (THE) – Wild Honey 

BEACH BOYS (THE) - Friends 

BEATLES (THE) - The Beatles 

BEE GEES – Horizontal 

BYRDS (THE) - The Notorious Byrd Brothers 

COLLECTORS (THE) - Grass and Wild Strawberries 

CREAM – Wheels of Fire 

DONOVAN - A Gift from a Flower to a Garden 

ERIC BURDON & THE ANIMALS – The Twain Shall Meet 

FRANK ZAPPA - Lumpy Gravy 

INCREDIBLE STRING BAND (THE) - The Hangman's Beautiful Daughter 

JEFFERSON AIRPLANE - Crown of Creation 

JETHRO TULL – This was 

JOHN MAYALL - Bare Wires 

JOHN MAYALL - Blues from Laurel Canyon 

KINKS (THE) - The Kinks are Village Green Preservation Society 

MILLENIUM (THE) - Begin 

MOODY BLUES (THE) - In Search of the Lost Chord 

PINK FLOYD – A saucerful of Secrets 

PRETTY THINGS – S. F. Sorrow 

SMALL FACES (THE) - Ogden's Nut gone Flake 

SOFT MACHINE (THE) – The Soft Machine 

TRAFFIC – Mr. Fantasy 

VAN DYKE PARKS – Song Cycle 

DOORS (THE) – Waiting for the Sun 

FRANK ZAPPA - Cruising with Ruben and the Jets 

GENESIS – From Genesis to Revelation 

GEORGE HARRISON - Wonderwall Music 

INCREDIBLE STRING BAND (THE) - Wee Tam & The Big Huge 

MIKE WESTBROOK CONCERT BAND (THE) - Release 

MYSTIC ASTROLOGIC CRYSTAL BAND (THE) – Clip on Put on Book 

NICE (THE) – Ars Longa Vita Brevis 

SIMON & GARFUNKEL - Bookends 

SPOOKY TOOTH - It's all about 

STATUS QUO - Picturesque Matchstickable Messages from the Status Quo 

TYRANNOSAURUS REX - Prophets, Seers & Sages, The Angels of the Ages 


1969 


AMON DÜÜL II – Phallus Dei 

BEATLES (THE) - Abbey Road 

BLODWIN PIG - Ahead Rings out 

CAN – Monster Movie 

CAPTAIN BEEFHEART & HIS MAGIC BAND – Trout Mask Replica 

CARAVAN - Caravan 

COLOSSEUM - Those who are about to Die Salute you 

COLOSSEUM - Valentyne Suite 

CROSBY, STILLS & NASH - Crosby, Stills & Nash 

DAVID BOWIE – Space Oddity 

DOORS (THE) – The Soft Parade 

EAST OF EDEN - Mercator Projected 

FRANK ZAPPA - Uncle Meat 

FRANK ZAPPA - Burnt Weeny Sandwich 

FRANK ZAPPA - Hot Rats 

JIMI HENDRIX - Electric Ladyland 

KING CRIMSON - In the Court of the Crimson King 

KINKS (THE) - Arthur or the Decline and Fall of the British Empire 

LED ZEPPELIN - Led Zeppelin 

NICO - The Marble Index 

PINK FLOYD - Ummagumma 

SOFT MACHINE (THE) – Volume Two 

SPIRIT - The Family that Plays together 

VAN DER GRAAF GENERATOR - The Aerosol Grey Machine 

WHITE NOISE- An Electric Storm 

CLIMAX BLUES BAND (THE) – Plays on 

ERIC BURDON & THE ANIMALS - Every one of us 

GONG - Magick Brother, Mystic Sister 

HOLGER CZUKAY - Canaxis 

INCREDIBLE STRING BAND (THE) - Changing Horses 

JETHRO TULL - Stand up 

JULIE DRISCOLL, BRIAN AUGER & THE TRINITY - Streetnoise 

KALEIDOSCOPE – Faintly Blowing 

LED ZEPPELIN - Led Zeppelin II 

MAGNA CARTA - Magna Carta 

MOODY BLUES (THE) - On the Threshold of a Dream 

MOODY BLUES (THE) - To our Children's Children's Children 

PINK FLOYD - More 

RENAISSANCE - Renaissance 

TOMMY JAMES & THE SHONDELLS - Crimson & Clover 

TOMMY JAMES & THE SHONDELLS - Cellophane Symphony 

TYRANNOSAURUS REX - Unicorn 

WIGWAM - Hard ‘n’ Horny 


NOTA: faltarão, obviamente, a esta lista, alguns álbuns importantes mas, como refiro no início, cingi-me aos que conheço bem e fazem parte da minha colecção. 

Aceitam-se sugestões. 


FM 





11.3.17

DN - Série: Discos Pe(r)didos (7)


DN - Diário de Notícias

16 de Março de 2002

Discos pe(r)didos



Porto, 1967. Numa cidade onde se fala de novas músicas e surgem pequenas novas bandas, uma destaca-se pelo apuro técnico dos seus elementos. O Pop Five Music Incorporated entra em cena com uma primeira formação na qual encontramos David Ferreira (teclas, viola, vozes... e não confundir com o actual «patrão» da EMI-VC, apesar do mesmo nome) Luís Vareta (baixo e vozes), Tozé Brito (baixo, viola e vozes, na altura conhecido como António Brito, hoje o «patrão» da Universal), Paulo Godinho (o irmão de Sérgio Godinho, nas teclas, viola e vozes principais) e Álvaro Azevedo (bateria e vozes).
Com uma sonoridade dominada pelos Hammond (tecnologia de ponta na música para teclas), os Pop Five depressa ganharam notoriedade conseguindo garantir a estreia discográfica em 1969, pela Arnaldo Trindade.
A abrir o disco, um convite à atenção para o espectáculo que vai começar, ao que se seguem as pancadas de Molière e... uma versão de «Jesus, Alegria dos Homens» de Bach! Era a mais evidente ousadia de um álbum que conseguia assim assimilar sementes de uma rebeldia característica das linguagens pop/rock que escapara até então a muitos dos grupos portugueses de 60, grande parte deles alinhados na facção limpinha, lavadinha e penteadinha, ao som de versões certinhas de canções e estéticas em voga em Londres e na Paris do yé-yé. A versão angariou os discursos de suspeita dos puristas da clássica, num momento em que o sonho de frestas de ruptura era natural em qualquer proposta pop/rock com os mínimos olímpicos de consciência estética.
O Pop Five Music Incorporated regista no disco uma série de outras versões, acabando, na verdade, por residir na leitura «livre» da peça de Bach o seu mais notável feito. As restantes versões apresentadas no disco mostram, mesmo assim, operações de transformação personalizada e tecnicamente apurada de canções como «Blackbird» dos Beatles, «To Love Somebody» dos Bee Gees, «Proud Mary» dos Creedence Clearwater Revival, «Fire» de Jimi Hendrix ou «Sour Milk Team» de George Harrison... Todas elas são ordenadas de forma a constituir uma peça virtual em tr~es actos («Soft», «Crescendo» e «Clímax»), com prelúdio e final («Hysterical»).
A sublinhar as qualidades interpretativas e instrumentais reveladas na gravação, o disco representa ainda um marco de invulgar consciência técnica para o Portugal de finais de 69, já que não só é gravado em som estereofónico como apresenta, creditado, o trabalho de um produtor (Fernando Matos), facto não frequente na época.
Prensado em Inglaterra, o disco mostra uma qualidade sonora de igualmente apurado requinte... Apurado é, entretanto, o valor que o disco atingiu nos circuitos do coleccionismo de vinil, podendo uma cópia usada (em boas condições), valer algo na casa dos 100 Euros.
Um ano depois da edição do álbum, a formação do Pop Five sofre modificações com as saídas de David Ferreira e Tozé Brito e entrada de Miguel Graça Moura, então com 22 anos, que terminara o curso de piano do conservatório. Segue-se uma inevitável alteração nas características do som e repertório. De lado ficam as adaptações de clássicos às linguagens rock e na berlinda é focada uma aposta na criação. Editam, em primeiro lugar, o single «Menina», ao qual sucede o genial «Page One» (tema do genérico do programa «Página Um» da Rádio Renascença), o ainda mais bem sucedido «Orange» e alguns outros 45 rotações. O grupo separa-se em 1972 sem registar um segundo álbum. Não está na altura de pensar uma antologia?
N.G.

«Pop Five Music Incorporated», LP, Orfeu, 1969
Lado A. «Overture», «Jesus, Alegria dos Homens», «Blackbird», «To Love Somebody», «Proud Mary», «Medicated Goo», «Mess Around»; Lado B. «Hush», «C’Mon Down To My Boat», «Fire», «Sour Milk Sea», «Can I Get A Witness». Produção: Fernando de Matos.











23.2.17

DN - Série: Discos Pe(r)didos (1)


DN - Diário de Notícias

28 de Setembro de 2002

Discos pe(r)didos



Reflexo natural da «revolução» de hábitos musicais que se vivia na alvorada de 60, fruto das mudanças colocadas em cena pelo rock’n’roll e pelo súbito crescimento da indústria discográfica, uma nova música de apelo «jovem» começa a ouvir-se e a tocar-se deste lado da fronteira. O Portugal de então não era rectângulo surdo e desatento ao que acontecia sobretudo nos EUA, Inglaterra e, logo depois, França e Itália, importando imediatamente a vitalidade e novidade dos dois primeiros e a tendência para a fotocópia dos dois últimos.
Ainda nos anos 50, como primeira manifestação local do fenómeno rock’n’roll, os Babies (que nunca chegaram a gravar) apresentam-se como o primeiro grupo português a assumir essa mesma carga de novidade. Entre os elementos do grupo contava-se um muito jovem José Cid que, dez anos mais tarde, seria o elemento-chave do Quarteto 1111.
Apesar do protagonismo que a canção ligeira vivia nas ementas radiofónicas da altura, o rock’n’roll começa a chamar a si alguns momentos de atenção. Um rock’n’roll ainda bem comportado, limpo e bem arranjado. Feito de valores tradicionais, uma suave pitada de rebeldia (encenada), muita ingenuidade e farta dose de imitação. Entre os primeiros espaços a destacar os sons da nova geração, a Rádio Renascença propõe, em 1960, o concurso Caloiros da Canção, o antecessor (com muito favor e benevolência) dos concursos do Rock Rendez-Vous e outros de rock de 80 e 90...
A primeira edição dos Caloiros da Canção realiza-se nas diversas emissões do programa, emitido nas manhãs de fim-de-semana. Vencem a categoria de grupos os Conchas, duo constituído por José Manuel Aguiar de Concha e Fernando Gaspar (conhecidos também como Everly Brothers portugueses). Na categoria de artista a solo triunfa Daniel Bacelar, então com apenas 17 anos, apelidado por alguns como o Ricky Nelson português.
A estreia de ambos faz-se num EP conjunto, apresentado sob o título genérico Caloiros da Canção 1 que, editado em Setembro de 1960, representa uma das primeiras edições nacionais na área do rock. Num dos lados os Conchas apresentam versões de «Oh Carol» de Neil Sedaka e Should We Tell Him dos Everly Brothers (traduzida para português como Quero o Teu Amor). Na outra face do EP Daniel Bacelar gravava dois temas seus: Fui Louco Por Ti e Nunca. Em ambos os casos, os «caloiros» eram acompanhados por Jorge Machado e o seu conjunto.
Num texto publicado na contra-capa deste EP, lê-se: «Com este disco dá-se, assim, carta de alforria a três jovens artistas que, de agora em diante, ficam sujeitos ao juízo severo dos discófilos. Não nos admiraria, porém, que, mais uma vez, coincidissem as opiniões. É que, tanto o público como nós, nos guiamos pela mesma bitola: o mérito real dos artistas. E esse está bem patente neste disco».
Ambos fariam, de facto, carreira depois deste cartão de visita. Os Conchas editaram ainda alguns EPs nos primeiros dias de 60, como Ídolos da Canção (1960), Greenfields (1961), Em Férias (1961), Tentação (1962) e Somos Jovens (1962).
Por seu lado, Daniel Bacelar manteve também vida discográfica activa apenas durante os primeiros anos de 60. Gravou diversos EPs pela Valentim de Carvalho, Alvorada e pela editora espanhola Marfer, apresentando-se acompanhado pelos Gentlemen depois de 1964. Em 1966 abandonou a vida profissional na música.
O EP Caloiros da Canção 1 reúne, assim, as estreias de dois nomes da primeira geração do rock português.
Contemporâneos de Fernando Concha, dos Plutónicos, do Zeca do Rock e do histórico O Namorico da Rita, disco de Pedro Osório e o Seu Conjunto, que chegou às rádios em 1959. O rock, mansinho e bem arranjado, dava os primeiros passos entre nós.
Nuno Galopim

OS CONCHAS / DANIEL BACELAR Caloiros da Canção 1 EP Columbia / Valentim de Carvalho, 1960
Lado A: Os Conchas, com, Oh Carol e Quero o Teu Amor;

Lado B: Daniel Bacelar, com Fui Louco Por Ti e Nunca.






22.2.17

DN:música - Série: Os Melhores Álbuns De Sempre (7)


DN:música
Os melhores álbuns de sempre
16 de Setembro de 2005


[67] SCOTT WALKER

SCOTT 3



Ao terceiro álbum a solo, Scott Walker afirmou em definitivo uma linguagem musicalmente grandiosa e sinfonista e liricamente sombria que criou descendência. Era a força contra-corrente em tempo de euforias entre o psicadelismo e um reencontro com a ‘Folk’.

TÍTULO Scott 3
ALINHAMENTO It´s Raining Today / Copenhagen / Rpsemary / Big Louise / We Came Through / Butterfly / Two Ragged Soldiers / 30 Century Man / Winter Night / Two Weeks Since You’ve Gone / Sons Of / Funeral Tango / If You Go Away
ANO 1969
EDITORA Fontana

Começou a carreira em inícios de 60 como estrela teenager. Nos Walker Brothers somou fama e fortuna, mas cedo a ânsia de afirmação de uma identidade acabou por levá-lo por um trilho próprio, estreando-se a solo em 1967. Numa altura em que o protagonismo pop/rock era dominado por sonhos ácidos feitos de luz e químicos e, logo depois, caracterizado por um desejo de reencontro pastoral, Walker foi uma das raras forças contra-corrente capazes de se afirmar publicamente com reconhecido sucesso. Enquanto uns levitavam ao som do rock psicadélico e outros descia, à terra sob banda sonora folk, Scott Walker descobria o seu caminho através de uma identificação profunda com a obra de um cantautor belga: Jacques Brel. A sua abordagem à escrita de canções e seus arranjos revelava logo na sua estreia uma atitude ostensivamente sinfonista, grande e eloquente. A lírica era igualmente distinta dos hábitos da época, reflectindo sobre figuras do lado errado da noite, o suicídio, pragas, ideias implosivas.
O promeiro álbum, Scott (1967) congregou ainda a adesão dos fãs dos Walker Brothers, mas em detrimento das baladas luminosas de outrora, servia uma música mais pessoal feita de climas e palavras mais densas. No disco, o cantor gravava três versões de originais de Jacques Brel. Scott 2 (1968) foi ainda mais bem aceite, sobretudo graças a nova “dose” de versões de Brel, particularmente a bem sucedida leitura de Jacky.
A consagração definitiva da sua personalidade artística e de uma linguagem musical que criou depois forte descendência (Pulp, David Bowie, Bryan Ferry, Momus ou Marc Almond) chegou em 1969 com o marcante Scott 3, álbum no qual, à excepção da terceira (e derradeira) “dose” tripla de versões de Brel, todas as canções são de sua autoria. Os arranjos exibem uma grandiosidade já sólida e consequente e as palavras são, mais do que nunca, um espaço de ensaio e reflexão sobre o lado sombrio da vida, o oposto da luz. É um disco tenso, liricamente exigente, musicalmente poderoso, e perfeccionista ao mais pequeno detalhe.
Big Louise chocou a moral da época, pouco habituada a ver um cantor fazer de uma prostituta a protagonista de uma canção. If You Go Away é uma das mais brilhantes versões de Brel alguma vez registadas. It’s Raining Today respira um desafiante sentido de liberdade formal mais próxima do teatro musical que da sua herança pop. Rosemary é grandiosa afirmação de eloquência. 30 Century Man é inesperada ligação à folk (a que regressaria nos anos 70).
O disco representou a derradeira experiência de sucesso de Scott Walker, de então em diante desviado por um desejo próprio para caminhos mais obscuros.
Nuno Galopim







17.2.17

DN:música - Série: Os Melhores Álbuns De Sempre (3)


DN:música
Os melhores álbuns de sempre
26 de Agosto de 2005


[51] QUARTETO 111

QUARTETO 111



No pobre panorama pop português de 60, afastado da efervescência vivida entre Inglaterra e os Estados Unidos pela ditadura de Salazar e Caetano, os Quarteto 1111 de José Cid foram um oásis de modernidade. O seu álbum de estreia, homónimo, mantém-se como um manifesto à criatividade em regime de experimentação febril.

TÍTULO Quarteto 1111
ALINHAMENTO Prólogo / João Nada / Domingo em Bidonville / Uma Estrada Para a Minha Aldeia / A Fuga dos Grilos / As Trovas do Vento que Passa / Pigmentação / Maria Negra / Lenda de Nambuangongo / Escravatura / Epílogo
ANO 1970 (reedição em CD pela EMI Music Portugal)
PRODUTOR Quarteto 1111

Na década de 60, enquanto a maioria do Ocidente vivia uma revolução social ancorada numa cultura juvenil que assumia declaradamente a cisão com as gerações anteriores, ao Portugal governado pela ditadura salazarista chegavam apenas ecos abafados dessa ebulição.
A maioria das bandas, com pouco espaço para mais que animação de bailes de finalistas e afins, entregavam-se a versões de êxitos ou a originais que não escondiam um evidente desejo de emulação do que se fazia em Inglaterra ou nos Estados Unidos.
Como excepções, tínhamos os Sheiks, trabalhando freneticamente sobre a explosão despoletada pelos Beatles, ou uns Jets cujo único EP editado, fosse outro o país de edição, se inscreveria como título de culto da emergente vaga psicadélica. O grande marco pop do Portugal de 60, contudo, seria da responsabilidade de uma banda que, de forma inédita, conjugava a modernidade além fronteiras com língua e motivos portugueses. Eram os Quarteto 1111 e revelaram-se com uma A Lenda D’el Rei D. Sebastião sobre a qual Cândido Mota aos microfones do Rádio Clube Português, opinava em 1967: “é um tema eterno, de criação nacional e validade perene e universal”. Depois dele, continuariam a caber ao Quarteto 1111 liderado por José Cid as mais excitantes manifestações pop portuguesas, quer fosse nos acessos folk de Dona Vitória e Dragão ou nas divagações ácidas de Os Monstros Sagrados e Génese. Em 1970, a criatividade que até então se dispersara por singles e EPs concretiza-se finalmente em longa-duração, o segundo da história da pop nacional – um ano antes, a Filarmónica Fraude editava a sua brilhante estreia, Epopeia.
Quarteto 1111, álbum conceptual dedicado à emigração e à Guerra Colonial, politicamente interventivo – também aí, em contexto rock, o Quarteto foi pioneiro -  e febrilmente experimentalista, não teve vida longa. Pouco depois da edição, a censura retirava-o das lojas, passando à clandestinidade de cópia pirata.
Contudo, aqueles que o conseguiram ouvir em tempo real e todos os outros que, ao longo dos anos, com ele se foram deparando encontram ali um magnífico manifesto à criatividade sem amarras. A folk de João Nada, o funk de Pigmentação, o denso psicadelismo de Maria Negra ou Escravatura, as experiências sónicas de Epílogo – quase impensáveis tendo em conta os meios disponíveis aos músicos portugueses de então -, as colagens sonoras de Fuga dos Grilos ou a sofrida melancolia de Domingo em Bidonville, todas elas, representam uma sintonia entre anseio pela modernidade e desejo de vincar uma identidade própria que o pop/rock português só conseguiria concretizar satisfatoriamente quase uma década depois.
Mário Lopes






11.2.12

NWW List: Cromo #38 - Cro Magnon - "Orgasm"


Álbum que podemos enquadrar no movimento do rock progressivo que por terras de sua majestade despontou nos finais dos anos 60 e inícios dos 70s. Mas este é um progressivo muito especial, mais ainda se tivermos em atenção a data da sua feitura, 1968. Muita da música incorpora ainda alguns dos tiques que haveriam de fazer furor apenas alguns anos mais tarde, tais como a inclusão maciça de electrónica, a utilização do "noise" industrial antes de se começar sequer a pensar nisso, além de tópicos rigorosamente heavy/black metal, também ainda em gestação.
Um álbum inovador de pioneiros da música do século 20. A ouvir sem qualquer tipo de hesitação.



LINK




27.12.11

Listas do FM - Cromo #1: Os Melhores Álbuns dos Anos 60


Os melhores álbuns dos anos sessenta, segundo o melhor crítico musical de música popular português, Fernando Magalhães.

ANOS 60

Os melhores álbuns que ouvi dos ANOS 60 (lista, obviamente, provisória)

1963

BEACH BOYS (THE) - Surfer Girl

1964

BEACH BOYS (THE) - Shut down, vol. 2
BEATLES (THE) - A Hard Day’s Night
MANFRED MANN - The Five Faces of Manfred Mann
STAN GETZ & JOÃO GILBERTO - Stan Getz/João Gilberto

1965

BEATLES (THE) - Help!
BEATLES (THE) - Rubber Soul
BYRDS (THE) – Mr. Tambourine Man
BYRDS (THE) – Turn! Turn! Turn!
FRANK ZAPPA - Freak Out

1966

BEATLES (THE) - Revolver
BYRDS (THE) - Fifth Dimension
JOHN MAYALL -John Mayall & The Bluesbreakers
KINKS (THE) - Face to Face
MONKS – Black Monk Time
MUSIC MACHINE (THE) – Turn on
SIMON & GARFUNKEL - Sounds of Silence
SIMON & GARFUNKEL - Parsley, Sage, Rosemary and Thyme

1967

BEACH BOYS (THE) - Pet Sounds
BEACH BOYS (THE) - Smiley Smile
BEATLES (THE) - Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band
BEE GEES – First
BYRDS (THE) - Younger than Yesterday
CREAM – Disraeli Gears
DAVID BOWIE – David Bowie
DONOVAN - Sunshine Superman
DOORS (THE) – The Doors
DOORS (THE) – Strange Days
FRANK ZAPPA - Absolutely Free
FRANK ZAPPA - We're only in it for the Money
HOLLIES (THE) - Evolution
HOLLIES (THE) - Butterfly
INCREDIBLE STRING BAND (THE) - 5000 Spirits or the Cayers of the Onion
JEFFERSON AIRPLANE - After Bathing at Baxter's
JEFFERSON AIRPLANE - Surrealistic Pillow
JIMI HENDRIX - Are you Experienced?
JIMI HENDRIX - Axis: Bold as Love
JOHN MAYALL - A Hard Road
JOHN MAYALL - Crusade
KINKS (THE) - Something else
LAURA NYRO - Eli and the Thirteenth Confession
LOVE – Da Capo
LOVE – Forever Changes
MOODY BLUES (THE) - Days of Future Passed
NIRVANA – The Story of Simon Simopath
PINK FLOYD - The Piper at the Gates of Dawn
TIM BUCKLEY – Goodbye and Hello
VELVET UNDERGROUND (THE) ¬– The Velvet Underground & Nico
ZOMBIES (THE) - Odessey & Oracle
+
BEATLES (THE) - Magical Mystery Tour
BONZO DOG DOO DAH BAND – Gorilla
CRAZY WORLD OF ARTHUR BROWN (THE) - The Crazy World of Arthur Brown
CREAM – Fresh Cream
ELMER GANTRY’S VELVET OPERA - Elmer Gantry’s Velvet Opera
JOHN MAYALL - The Blues alone
KALEIDOSCOPE – Tangerine Dream
LOVIN’ SPOONFUL – Daydream
MONKEES (THE) - Pisces, Aquarius, Capricorn & Jones Ltd.
MYSTIC ASTROLOGIC CRYSTAL BAND (THE) – The Mystic Astrologic Crystal Band
PROCOL HARUM – Procol Harum
RON GEESIN - As he Stands
SMALL FACES (THE) – From the Beginning
STRAWBERRY ALARM CLOCK (THE) - Incense and Peppermints
STRAWBS – All our own Work
TYRANNOSAURUS REX - My People were Fair and had Sky in their Hair…but now they are Content to
Wear Stars on their Brows
YARDBIRDS – Little Games

1968

BEACH BOYS (THE) – Wild Honey
BEACH BOYS (THE) - Friends
BEATLES (THE) - The Beatles
BEE GEES – Horizontal
BYRDS (THE) - The Notorious Byrd Brothers
COLLECTORS (THE) - Grass and Wild Strawberries
CREAM – Wheels of Fire
DONOVAN - A Gift from a Flower to a Garden
ERIC BURDON & THE ANIMALS – The Twain Shall Meet
FRANK ZAPPA - Lumpy Gravy
INCREDIBLE STRING BAND (THE) - The Hangman's Beautiful Daughter
JEFFERSON AIRPLANE - Crown of Creation
JETHRO TULL – This was
JOHN MAYALL - Bare Wires
JOHN MAYALL - Blues from Laurel Canyon
KINKS (THE) - The Kinks are Village Green Preservation Society
MILLENIUM (THE) - Begin
MOODY BLUES (THE) - In Search of the Lost Chord
PINK FLOYD – A saucerful of Secrets
PRETTY THINGS – S. F. Sorrow
SMALL FACES (THE) - Ogden's Nut gone Flake
SOFT MACHINE (THE) – The Soft Machine
TRAFFIC – Mr. Fantasy
VAN DYKE PARKS – Song Cycle
+
DOORS (THE) – Waiting for the Sun
FRANK ZAPPA - Cruising with Ruben and the Jets
GENESIS – From Genesis to Revelation
GEORGE HARRISON - Wonderwall Music
INCREDIBLE STRING BAND (THE) - Wee Tam & The Big Huge
MIKE WESTBROOK CONCERT BAND (THE) - Release
MYSTIC ASTROLOGIC CRYSTAL BAND (THE) – Clip on Put on Book
NICE (THE) – Ars Longa Vita Brevis
SIMON & GARFUNKEL - Bookends
SPOOKY TOOTH - It's all about
STATUS QUO - Picturesque Matchstickable Messages from the Status Quo
TYRANNOSAURUS REX - Prophets, Seers & Sages, The Angels of the Ages

1969

AMON DÜÜL II – Phallus Dei
BEATLES (THE) - Abbey Road
BLODWIN PIG - Ahead Rings out
CAN – Monster Movie
CAPTAIN BEEFHEART & HIS MAGIC BAND – Trout Mask Replica
CARAVAN - Caravan
COLOSSEUM - Those who are about to Die Salute you
COLOSSEUM - Valentyne Suite
CROSBY, STILLS & NASH - Crosby, Stills & Nash
DAVID BOWIE – Space Oddity
DOORS (THE) – The Soft Parade
EAST OF EDEN - Mercator Projected
FRANK ZAPPA - Uncle Meat
FRANK ZAPPA - Burnt Weeny Sandwich
FRANK ZAPPA - Hot Rats
JIMI HENDRIX - Electric Ladyland
KING CRIMSON - In the Court of the Crimson King
¬KINKS (THE) - Arthur or the Decline and Fall of the British Empire
LED ZEPPELIN - Led Zeppelin
NICO - The Marble Index
PINK FLOYD - Ummagumma
SOFT MACHINE (THE) – Volume Two
SPIRIT - The Family that Plays together
VAN DER GRAAF GENERATOR - The Aerosol Grey Machine
WHITE NOISE- An Electric Storm
+
CLIMAX BLUES BAND (THE) – Plays on
ERIC BURDON & THE ANIMALS - Every one of us
GONG - Magick Brother, Mystic Sister
HOLGER CZUKAY - Canaxis
INCREDIBLE STRING BAND (THE) - Changing Horses
JETHRO TULL - Stand up
JULIE DRISCOLL, BRIAN AUGER & THE TRINITY - Streetnoise
KALEIDOSCOPE – Faintly Blowing
LED ZEPPELIN - Led Zeppelin II
MAGNA CARTA - Magna Carta
MOODY BLUES (THE) - On the Threshold of a Dream
MOODY BLUES (THE) - To our Children's Children's Children
PINK FLOYD - More
RENAISSANCE - Renaissance
TOMMY JAMES & THE SHONDELLS - Crimson & Clover
TOMMY JAMES & THE SHONDELLS - Cellophane Symphony
TYRANNOSAURUS REX - Unicorn
WIGWAM - Hard ‘n’ Horny

NOTA: faltarão, obviamente, a esta lista, alguns álbuns importantes mas, como refiro no início, cingi-me aos que conheço bem e fazem parte da minha colecção.
Aceitam-se sugestões.

FM




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