Mostrar mensagens com a etiqueta Ama Romanta. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ama Romanta. Mostrar todas as mensagens

15.10.25

LP - Jornal de Música - nº 33


 

Diretor Interino: João Pedro Costa

ANO I

Nº 33

75$00

Semanário

22 de Junho de 1989


Capa: RRV - Rock Rendez Vous - Registos

+

Ama Romanta - A Imagem de Uma Marca - artigo de fundo e entrevista - por João Duarte, pg. 20 e 21

Front 242 - Batalha de Titãs - Artigo de fundo por Jorge Pereira - página 24























26.6.25

LP - Jornal de Música - nº 32


 

Director Interino: João Pedro Costa

Ano I

Nº 32

75$00

Semanário: 8 de Junho de 1989


coisas + importantes (e desenvolvidas)

na capa:

1. Ocaso Épico - Aqui, Rádio Macau - Artigo e Entrevista, 2 páginas, por João Pedro Costa.

+

- Ama Romanta - A Outra Face, artigo, 1 página, por João Duarte

- MMM Coimbra 89 - Simples entre iguais - reportagem, 1 página, por Pedro Rosa Mendes

- ... Of Tanz Victims - "Música Meditativa Para Cadáveres Agitados" (Não, Não é o mesmo que dizer "Goth") - Entrevista e artigo, 2 páginas, por José António Moura / Refúgio
























30.8.22

SYNTORAMA - nº 16 / 1989 - "ELECTRÓNICOS LUSITANOS" (parte 3/4) - AMA ROMANTA -


 


AMA ROMANTA

 Uma das editoras portuguesas mais activas, editando deste o rock mais obscuro ao pop mais expressionista, passando pela música electrónica e o novo jazz. Aqui, vamos precisamente fixar-nos nesta faceta, que é a que nos interessa.

Falaremos de TÓ ZÉ FERREIRA, NUNO CANAVARRO, SEI MIGUEL. Nesta etiqueta também editaram discos os TELECTU (CAMERATA ELETTRONICA) e também se atreveram com PASCAL COMELADE (BEL CANTO).

TÓ ZÉ FERREIRA – Tem 25 anos, faz música electrónica e foi uma das grandes revelações da 1ª Mostra Portuguesa de Artes e Ideias.

Tem editado, pela etiqueta AMA ROMANTA o disco “MUSICA DE BAIXA FIDELIDADE”. – Música para computador.

 

TÓ ZÉ FERREIRA

Praceta Manuel Nunes Manique, 3 – 2º C

2750 – CASCAIS (PORTUGAL)


 

“Essencialmente sou um curioso, penso que as pessoas se deveriam interessar pelas coisas. Há tantas maneiras de vê-las e, é isso que é o mais importante. Não é dizer: eu penso isto, eu sou assim, tenho estas ideias, tenho esta personalidade” e ficar-se por aí. Isso não, meu Deus”.

TÓ ZÉ FERREIRA, no Semanário BLITZ

 

NUNO CANAVARRO. – É um músico que apareceu no início da década dos anos 80, como teclista do grupo STREET KIDS, com os quais gravou 3 singles e um LP. Estudou novas sonoridades juntamente com TÓ ZÉ FERREIRA no Instituto de Sonologia de Utrecht, na Holanda. A sua primeira experiência como produtor foi um maxi-single para o grupo MLER IFE DADA.

Tem apenas um LP gravado a solo e editado em Dezembro do ano passado, intitulado “PLUX QUBA – MÚSICA PARA 70 SERPENTES”. Para a gravação deste disco utilizou um sampler Mirage, um sintetizador Moog, um magnetofone de oito pistas e microfones, além de um Walkman Sony.


 

SEI MIGUEL. – É um músico que pratica “novo jazz”. O seu instrumento é a trompete de bolso. Tem editados dois LPs até agora, bem diferenciados e com formações distintas, com um período de tempo muito curto entre a edição de um e de outro.

“BREAKER”, o seu primeiro LP gravado directamente (live) com um Sony WM D3 em 3 salas diferentes, entre Dezembro de 87 e Janeiro de 88. Influências BE-BOP. Temas como: “BREAKER”, “THIRSTY?”, “THE MIRROR”, “KEY BLUES ABOUT BUILDINGS”, etc. … Acompanham SEI MIGUEL (trompete de bolso), FALA MIRIAM (trombone), BRUNO RASCÃO e ALEX GALLO (Guitarras), ZÉ NINGUÉM (saxofone), BRUNO NEXT e JOSÉ OLIVEIRA (percussões).

“SONGS AGAINST LOVE AND TERRORISM” editado no início de 89. Como o anterior, gravado live em quatro salas diferentes. SEI MIGUEL com o sexteto denominado “SANTOS DA CASA FM”; no seu som foram eliminados a bateria, baixo e teclados, dando lugar a uma outra guitarra eléctrica, percussões metálicas e tuba. Percebe-se um trio fundamental a destacar depois destes álbuns; SEI MIGUEL e a sua respectiva trompete de bolso, BRUNO RASCÃO na guitarra eléctrica e FALA MIRIAM no trombone de varas.

 

SEI MIGUEL

Rua das Chagas, 16 – 4º esq.

1200 LISBOA (Portugal)

 

AMA ROMANTA

c/o João Peste

Rua Coelho da Rocha, 46-1º D

1200 LISBOA (Portugal)

 

Estes discos estão disponíveis através do contacto da AMA ROMANTA


SLYNKTORAMA16






22.6.17

Memorabilia - Bilhetes (3)


Confeso que já não me lembro bem do que ouvi :-), mas tenho a certeza que este foi um dos concertos da minha vida. Este o que será referido no post seguinte










17.4.17

DN - Série: Discos Pe(r)didos (14)



DN - Diário de Notícias
25 Maio 2002

Discos Pe(r)didos


A alvorada de uma cultura alternativa na música portuguesa é uma das mais importantes conquistas da segunda geração de 80. Depois de aberto o espaço à explosão de uma cena pop/rock local, em grande parte cantada em português (mesmo que plena de referências estéticas importadas), a segunda «leva» de acontecimentos no Portugal musical de 80 fez coexistir um tempo de ressurgimento de músicas de raiz tradicional com um surto de criatividade urbana ciente de uma vontade em romper as formas mais imediatas pelas quais se haviam definido os primeiros traços de uma identidade pop/rock lusitana.
Graças ao aparecimento de novos espaços de ensaio e apresentação pública de projectos (e aqui é inevitável a referência a um Rock Rendez Vous em Lisboa e um Luís Armastrondo no Porto), fruto também da abertura de estúdios de gravação, e, muito importante, a criação de alguns programas (poucos) na rádio e novos veículos de jornalismo musical escrito, uma cultura alternativa começa a brotar de forma evidente entre nós.
Sob a batuta de João Peste, na altura já um nome de respeito ca cena «alternativa» local, graças ao trabalho dos Pop Dell’Arte, a Ama Romanta é uma entre as várias editoras independentes que se aventuram no mercado discográfico português de meados de 80. DE 1986 a 1991 a actividade da editora será irregular nos tempos de agenda, mas determinante no lançamento e abertura de horizontes. De resto, ao revisitar o seu catálogo contamos com discos dos Pop Dell’Arte (o máxi «Querelle», o single «Sonhos Pop» e o LP «Free Pop», em 87, o máxi «Illogik Plastik», em 89, e o CD «Arriba Avanti! Pop Dell’Arte», em 91), Mão Morta (o álbum «Mão Morta», em 88), Mler Ife Dada (o single L’Amour Va Bien Merci», em 86), Cães Vadios (o single «Cães Vadios», em 87), Anamar (o máxi «Amar Por Amar», em 87), Projecto Som Pop (com o álbum «Pipocas», em 88), Sei Miguel (os álbuns «Breaker», em 88, «Songs About Terrorism», em 89) e «The Blue Record», também em 89), Telectu (o álbum «Camerata Electronica», em 88), Tozé Ferreira (o álbum «Música de Baixa Fidelidade», em 88), Nuno Canavarro (o fundamental «Plux Quba, em 89), Santa Maria Gasolina em Teu Ventre (o álbum «Free Terminator», em 89) e João Peste e o Axidoxibordel (o único EP, em 90).
O catálogo da Ama Romanta abriu, contudo, com uma compilação. Uma espécie de carta de intenções na qual tanto encontrávamos projectos e nomes que depois permaneceram ligados à editora, como projectos expressamente gerados para as gravações ali registadas e casos que seguiram, depois, vida própria, em outras paragens.
Nomes de proa da cena «alternativa» portuguesa de meados de 80 juntam-se no disco (duplo) que mais fielmente ilustra movimentações diferentes, algumas com descendência, outras episódios únicos.
Momento inesperado e curioso na compilação, uma entrevista de João Peste a Paquete de Oliveira (com música do próprio João Peste) conduz-nos por uma série de importantes reflexões, hoje incrivelmente ainda com mais sentido que em 86. Com texto e contexto, «Divergências» é «o» retrato mais completo da cultura musical alternativa do Portugal de meados de 80, com algumas das suas faixas entretanto reeditadas na compilação «Sempre», retrato de fragmentos da história da Ama Romanta editada pela Música Alternativa em 1999.
N.G.

VÁRIOS 
«Divergências» 
LP duplo, Ama Romanta, 1986
Lado A: Bastardos do Cardeal, Mler Ife Dada, Jorge Martins, Miguel Morgado + Nuno Rebelo + Pedro Mourão, A Jovem Guarda; 
Lado B: Entrevista a Paquete de Oliveira, Pop Dell’Arte, Os Cães A Morte e o Desejo, Mário e Peter, Maguedesi; 
Lado C: Anamar, SPQR, Croix Sainte, Nuno Rebelo, Extrema Unção; 
Lado D: Bairro, Grito Final, João Peste, Bye Bye Lolita Girl, Essa Entente, Linha Geral
Colectânea organizada por João Peste e Maria João Serra










30.8.16

Recordações (9)


Staalplaat
Esta carta, apesar de toda catita e profissional, faz parte de um processo "traumático" para mim na relação com editoras/distribuidoras/bandas/...
Resumindo a história:
. Envio carta a propor a troca de itens (acho que eles fomentavam isso).
. Eles concordam.
. Proponho/envio, da Ama Romanta os LPs do Tozé Ferreira e do Nuno Canavarro mais uma K7 (já não me lembro qual).
. Nunca mais respondem nem enviam qualquer item em troca.
. Escrevo várias vezes a "reclamar".
. Acabam por me enviar 2 CDs (um de Blackhouse e outro de Autopsia).
. Nunca fui tão embarrilado.
. Staalplaat sucks











30.1.16

Fernando Magalhães: “Plux Quba de Nuno Canavarro é um álbum com escola”


[com a devida vénia a Rui Miguel Abreu e ao seu blogue Rimas e Batidas: http://www.rimasebatidas.pt]

Fernando Magalhães: “Plux Quba de Nuno Canavarro é um álbum com escola”

 

[TEXTO] Fernando Magalhães [INTRO] Rui Miguel Abreu [FOTO] Direitos Reservados

Fernando Magalhães desapareceu há pouco mais de dez anos, mas o seu pensamento continua presente e influente. Através dos esforços de Luís Jerónimo, a sua obra tem vindo a ser organizada e republicada. Escritos de Fernando Magalhães, disponível já em dois volumes (primeiro e segundo) através da loja Lulu, é um importante depósito de pensamento de um crítico que sempre prestou atenção à mais avançada música electrónica, entre tantas outras coordenadas que não escapavam ao seu exigente radar.
O texto revelador que assinou sobre Plux Quba de Nuno Canavarro [criticado aqui no Rimas e Batidas], que beneficia de crucial informação obtida junto do hoje bastante reservado autor, fará parte de um terceiro volume antológico que se centrará na sua produção de 1995 e que deverá contar com prefácio de Rui Miguel Abreu.
Recupera-se aqui agora esse texto, em jeito de homenagem a Fernando Magalhães e acrescentando mais uma valorosa visão sobre um dos mais importantes discos da história electrónica nacional.
Exemplar único, Plux Quba – Música para Setenta Serpentes, de Nuno Canavarro. O disco surgiu logo após o músico ter regressado da Holanda, onde esteve a estudar composição. “Estive lá dois anos, no Instituto de Sonologia, na Universidade de Utrecht. Havia uma movimentação incrível, em termos de concertos, exposições, música electro-acústica. Não tinha a calma, aquela concentração para fazer lá qualquer coisa. Quando cheguei, quis logo trabalhar.” Antes disso, Nuno Canavarro estudou arquitectura no Porto e em Lisboa, e fez a produção de um disco dos Mler Ife Dada e, mais recentemente, dos Lobo Meigo. Tocou durante algum tempo, em 1988 e 89, com os Delfins, “porque precisava de fazer alguma coisa”.
O material para a gravação de Plux Quba não poderia ser mais simples: “Um Ensonic Mirage, um sampler de 8 bits, dos primeiros que houve, e um gravador de oito pistas, um Fostex. Hoje, quase nem acredito como é que consegui fazer o disco.” A esta precaridade de meios contrapôs Nuno Canavarro a imaginação na forma como tirou partido das próprias limitações técnicas: “Com o gravador de oito pistas, é aquele sistema de uma pessoa fazer um coisa qualquer num instrumento e partir para a criação de uma estrutura a partir disso. Grava-se numa pista e, depois, vai-se adicionando outras coisas. Pode, por exemplo, gravar-se uma pista e depois outras seis ou sete à volta dela e, por fim, apagar a primeira, aquele género de truques. Ou pôr coisas ao contrário ou gravar a velocidades diferentes. Na altura, era isso.” Nuno Canavarro utilizou no sampler sons pré-gravados, “embora seja difícil ouvir no disco sons que sejam reconhecidos como de um instrumento x ou y. Era tudo altamente modificado ou então gravava melódicas, sons de televisão ou fitas de música étnica.”
O disco foi gravado no estúdio caseiro, na própria casa do músico. Saiu posteriormente com o selo Ama Romanta. “Nessa altura, tinha aparecido um concurso de música, ligado ao Centro Nacional de Cultura. Dei um concerto no Instituto Franco-Português, juntamente com os outros cinco projectos que tinham ido à final, e estava lá o João Peste a ver. Gostou imenso e convidou-me para pôr aquilo em disco.” Não houve qualquer trabalho de pós-produção, apenas o corte a partir da fita original, gravada num gravador de bobines de duas pistas. Custos de produção ou assinatura de um contrato “não houve”. Nuno Canavarro não sabe o número de exemplares vendidos: “O João Peste fez quinhentos, acho que era o mínimo; depois, não faço ideia.”
Sobre a música de Plux Quba, Nuno Canavarro acha que esta resultou, “em parte por ter sido um trabalho totalmente isolado”. “O Tó Zé Ferreira tinha viajado para a Holanda, o Nuno Rebelo tinha ido viver para Lisboa. Fechei-me no estúdio a fazer aquilo”, diz. “Por outro lado, a própria limitação de meios técnicos, neste caso, acho que funcionou a favor, porque puxou pela criatividade. Chegava a utilizar os próprios defeitos, a nível de software do sampler. Era um aparelho muito instável, havia coisas bestiais que, obrigando-o a trabalhar muito, respondia de maneira um bocado imprevisível. Era bestial para o género de música que eu queria fazer.” O título, esse, permanece um enigma. “Foi para tornar a coisa ainda mais esquisita.”
Para já, Plux Quba – Música para Setenta Serpentes existe apenas em vinil, estando neste momento esgotado e fora do mercado. Nuno Canavarro não sabe do paradeiro das masters: “Já não me lembro se ficou o João Peste com elas ou se fiquei eu”. Enquanto não forem encontradas as fitas, fica afastada a possibilidade de passagem para compacto. Para Canavarro, a ideia “era fazer, dentro de dois ou três anos, um compacto com, além de Plux Quba, alguma música que tinha feito antes, ainda mais esquisita, uma terceira parte com alguns temas do disco feito com o Carlos Maria Trindade [Mr. Wollogallu] que acabaram por não sair”. O CD teria ainda uma quarta parte, com temas novos que Nuno Canavarro mostrou, para já, à Ananana. “Tudo junto, compilado num CD de para aí setenta minutos, é capaz de mostrar um processo engraçado.” Setenta, tantos como as serpentes.

 
[COMO É]
Um daqueles discos que passou despercebido na altura em que foi gravado mas que os anos obrigam a revisitar, como se crescesse com o tempo. Nuno Canavarro fez um álbum que tem escola. Com Jon Hassell e Brian Eno a leccionarem. Plux Quba – Música para Setenta Serpentes pode ser definido como uma obra de música electrónica acusmática (sons acústicos gravados e manipulados electronicamente), entre o ambiental e exotismo new age world que viria a ser assumido, anos mais tarde, na companhia de Carlos Maria Trindade em Mr. Wollogallu – um género que conta, entre os seus cultores, com o genial Steve Moore, numa obra como A Quiet Gathering, com a qual estas serpentes têm pontos de contacto. Ao contrário do que acontece num disco lançado em simultâneo com este, Música de Baixa Fidelidade, de Tó Zé Ferreira, companheiro de aventuras de Canavarro na aprendizagem dos métodos e técnicas de composição por computador, a música de Plux Quba evolui de forma mais intuitiva, tirando partido das próprias limitações do hardware e software então disponíveis, jogando com o erro e o acaso, um pouco à maneira do que fazia Eno com as suas “estratégias oblíquas”. Música orgânica, não sistemática, em constante movimento de auto-revelação/ocultação. Nuno Canavarro jogou aqui na indefinição e no segredo, na escritura de símbolos musicais e poéticos com forte poder de sugestão, deixando à imaginação do auditor a tarefa de organizar o enredo do filme, ao ponto de existirem temas sem título, quadros sónicos dispostos segundo lógicas de criação não nomeadas. Canavarro recomenda a audição “com a colunas/monitores o mais possível afastadas entre si” e, “a baixo nível” a partir do último tema do primeiro lado e até ao fim do disco. Recomendações idênticas às de Brian Eno, em Discreet Music. Plux Quba permanece até hoje um mistério. O tempo fez-lhe justiça, mas não lhe retirou o véu.





Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...