A 51ª emissão do MULTIPISTAS - MÚSICAS DO MUNDO, difundida no sábado, 3 de Novembro, entre as 17 e as 18 horas, na Rádio Urbana (Castelo Branco - 97.5 FM; Fundão, Covilhã e Guarda - 100.8 FM), vai de novo para o ar na quarta-feira, 7 de Novembro, entre as 21 e as 22 horas, sendo reposta três semanas depois (24 e 28 de Novembro) nos horários atrás indicados.
Programa em que se destaca a rubrica Caixa de Ritmos, numa emissão especial, feita de poucas palavras, e inteiramente dedicada aos melhores temas que passaram nas últimas dez edições do MULTIPISTAS - MÚSICAS DO MUNDO:
"Tri Martelod", Claire Pelletier (Canadá) - celtic music
"Pasodoble do Azulejo", Uxu Kalhus (Portugal) - trad-folk-rock, folk fusion
"Psycoceltic", Rarefolk (Espanha) - freestyle folk/folk-rock
"Papa", Angélique Kidjo (Benim) - afropop, afrobeat
"Château Rouge", Emmanuel Santarromana (França) e Hadja Kouyaté (Guiné-Conacri) - electro, afropop, mandingo
"Maïna Raï", Les Boukakes (França) - raï n'rock, afrobeat, reggae
"Tamatantelay", Tinariwen (Mali) - touareg music, rock, blues
"Gross", Balkan Beat Box (Israel) - gypsy-punk, contemporary folk
"Duj Duj", Fanfare Ciocărlia (Roménia) – gypsy brass band, balkan music
"Papirosn", Nina Stiller (Polónia) - jewish music
(os dados sobre estes temas podem ser encontrados nos textos das emissões em que foram emitidos)
Jorge Costa
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sexta-feira, 2 de novembro de 2007
quarta-feira, 19 de setembro de 2007
Emissão #48 - 22 Setembro 2007
A 48ª emissão do MULTIPISTAS - MÚSICAS DO MUNDO, difundida no sábado, 22 de Setembro, entre as 17 e as 18 horas, na Rádio Urbana (Castelo Branco - 97.5 FM; Fundão, Covilhã e Guarda - 100.8 FM), vai de novo para o ar na quarta-feira, 26 de Setembro, entre as 21 e as 22 horas, sendo reposta três semanas depois (13 e 17 de Outubro) nos horários atrás indicados.
Um programa especial onde se destaca a entrevista exclusiva à Fanfare Ciocărlia, realizada a 7 de Setembro no Teatro Municipal da Guarda.
"Polska Efter Pål Karl/Gärdespolska", Stockholm Lisboa Project (Suécia, Portugal) - fado, polska, folk
Os Stockholm Lisboa Project a abrirem a emissão com “Polska Efter Pål Karl/Gärdespolska”, tema tradicional retirado do álbum “Sol” (a palavra significa o mesmo em sueco e em português). Aquele que é o primeiro trabalho de arranjos do grupo foi gravado nos dois países e apresentado em Lisboa no passado dia 20 de Setembro. Distantes na geografia, mas próximos pela saudade (ainda que a palavra não tenha equivalente no sueco), os Stockholm Lisboa Project exploram pontos em comum nas tradições musicais portuguesa e escandinava. Num ambiente de melancolia festiva, criado a partir da junção entre violino, bandolim, bouzouki, mandola (antigo instrumento semelhante ao bandolim, com quatro pares de cordas) e harmónica, as polskas (dança folk nórdica) cruzam-se então com o fado, sem esquecer influências que se estendem também à música clássica e ao bluegrass. Em 2000, o compositor Simon Stålspets (ligado aos projectos Svart Kaffe, Kalabra, Lystra e Marsipan), e Sérgio Crisóstomo (músico de formação clássica que adaptou o violino a diversos estilos tradicionais), conheceram-se na Bretanha num encontro onde juntos deveriam fazer novos arranjos do seu repertório tradicional. Depois de um álbum experimental e de alguns concertos em França, os dois decidiram dar continuidade ao projecto. Em 2005 juntou-se-lhes Luís Peixoto (dos Dazkarieh, Trio Sebastião Antunes, Salamander, Joana Melo e Monte Lunai, e que com o bandolim, o cavaquinho e o bouzouki mistura música tradicional portuguesa com outros estilos), e em 2006 a fadista Liana (intérprete de standards de jazz a musicais, tendo-se destacado pelo papel de Amália no espectáculo dedicado à diva do fado). Os Stockholm Lisboa Project têm várias sessões marcadas para Setembro: eles vão estar nas FNAC’s de Almada e do Colombo (dia 22), Porto e Gaia (dia 23), Coimbra (dia 24), Chiado e Cascais (dia 25). Entre 24 e 28 de Outubro rumam até ao Womex, em Sevilha.
"Suite de Polkas", Uxu Kalhus (Portugal) - trad-folk-rock, folk fusion
Das polskas às polkas (dança e género originários da Boémia checa), as músicas do mundo prosseguem com os Uxu kalhus, que nos trazem, precisamente, uma "Suite de Polkas", composição própria extraída do álbum “A Revolta dos Badalos”, editado em 2006. Neste seu trabalho de estreia, para além das chocalhadas endiabradas do quinteto (Celina Piedade, Paulo Pereira, Eddy Cabral, Luís Salgado e To Zé), formado em 2000, podem-se ouvir as vozes de Joana Negrão, Rui Vaz, Pedro Mestre e António Tavares, e o cavaquinho de Luís Peixoto. Uma fusão radical de sons e melodias onde a regra é não haverem regras. A revolta faz-se então pela subversão do folclore e pela reinvenção das músicas e danças tradicionais portuguesas e europeias, à mistura com géneros (jazz, rock, ska, funk, drum & bass, hip-hop ou música klezmer) e ritmos de todo o mundo: dos brasileiros (maracatú, embolada ou samba), africanos, árabes e orientais, aos medievais e barrocos. O público é então convidado a bailar ao som de viras, chotiças, modinhas, corridinhos e regadinhos, e de danças israelitas, sérvias ou austríacas, que se cruzam com mazurcas, valsas, polcas ou marchas. Universo sonoro que é alimentado por instrumentos como a flauta, o acordeão, a rauschpfeife (aerofone medieval de palheta dupla), as guitarras eléctrica e acústica, o baixo ou o metalfone. Nas percussões, acrescem a bateria, o bouzouki, a darabuka, o djembé, o bombo, o pandeiro, o didgeridoo, o dunun (família de tambores graves africanos, formada pelo kenkeni, sangban e doundounba), o davul (tambor duplo turco, conhecido nos Balcãs por tapan), a caixa, bem como o repenique e o surdo (tambores comuns no samba). Soma-se-lhes o caxixi, idiofone africano formado por um cesto de palha trançada em forma de campânula e com sementes no interior. A 22 de Setembro, os Uxu Kalhus vão estar em Aveiro, e a 5 de Outubro em Alvaiázere, no Festival Gastronómico do Chicharro. Em Novembro eles estarão na Semana do Caloiro, em Viseu (dia 6), e na Praça do Comércio, em Lisboa (dia 18).
"Rosa de Lava", Dazkarieh (Portugal) - folk rock, world fusion
Seguem-se os Dazkarieh com o tema “Rosa de Lava”, uma nova versão extraída da compilação que em 2005 acompanhava a edição portuguesa de “Eldest”, livro da autoria de Christopher Paolini. Conhecida por navegar entre os sons da Irlanda, Índia, África, Andes, Espanha e Balcãs, esta banda lisboeta propõe-nos uma viagem pela diversidade musical do planeta. Nada de surpreendente se tivermos em conta que, no entender do grupo, a palavra Dazkarieh poderá estar relacionada com a libertação de energia que se dá quando mundos, essências e influências distintos se tocam. O projecto procura então a sua alma nas culturas mais díspares, buscando sons acústicos que se fundam na música tradicional. Os instrumentistas dos Dazkarieh, cuja formação vai da música tradicional, experimental e erudita ao rock, servem-se de instrumentos presentes por tradição em culturas como a sueca, a irlandesa ou a árabe. Entre eles estão o bouzouki, a flauta transversal e a nyckelharpa (harpa tradicional sueca, semelhante a um violino com teclas). No entanto, mais recentemente passaram a dar também especial ênfase à música tradicional portuguesa, servindo-se do cavaquinho, da gaita transmontana ou do bandolim. Formados em 1999 por Filipe Duarte, José Oliveira e Vasco Ribeiro Casais, os Dazkarieh começaram por ser conotados com o som celta e a folk gótica. Mais tarde, com a fusão de materiais musicais tão diferenciados e já assumidamente ligados à chamada world music, o grupo integrou então cinco novos elementos, passando a conceber canções em língua portuguesa. Até então, o "dazkariano" era a base linguística de todas as suas músicas. A 30 de Setembro, os Dazkarieh vão estar na Assembleia da República, em Lisboa, e a 4 de Outubro na Moita. Já em Novembro, eles rumam até Cabo Verde, para actuarem na Ribeira Grande (dia 2) e na cidade da Praia (dia 3).
"Papa", Angélique Kidjo (Benim) - afropop, afrobeat
A viagem continua com Angélique Kidjo, que nos traz o tema “Papa”, retirado do álbum “Djin Djin” (Apreciem o Dia). Um trabalho em que se alude ao som que anuncia uma nova vida para África. Angélique Kidjo é natural da povoação costeira de Cotonou, no Benim. Dada a situação política do país, foi muito cedo que rumou até Paris e mais tarde até Nova Iorque, cidade onde hoje reside. Angélique, que canta em francês e inglês, mas também nas línguas nativas do Benim, Nigéria ou Togo, usa a voz e a música como ferramentas de diálogo entre nações. Embaixadora da UNICEF e fundadora do grupo de apoio a seropositivos Batonga, esta aposta na educação das mulheres africanas. As suas músicas, grande parte inspiradas nas missões humanitárias que faz, falam sobretudo do nascimento, do amor, da alienação e da esperança. Se nos seus discos anteriores Angélique Kidjo fundia géneros ocidentais – jazz, funk, blues, electrónica – com sons e ritmos africanos, neste trabalho, gravado em Nova Iorque e lançado este ano, a cantora e compositora regressa às origens, dando destaque à diversidade rítmica do seu país e da África Ocidental. Um casamento de culturas em que para além dos percussionistas Crespin Kpitiki e Benoit Avihoue (membros da Benin Gangbé Brass Band), do baterista americano Poogle Bell, do teclista Amp Fiddler, do multinstrumentista Lary Campbell, do baixista senegalês Habib Faye, dos guitarristas Lionel Loueke, Romero Lubambo e João Mota, e do mestre da kora Mamadou Diabaté, conta com convidados de luxo como Alicia Keys, Peter Gabriel, Josh Groban, Ziggy Marley, Carlos Santana, Amadou & Mariam, Joss Stone e Branford Marsalis.
"Soul", Terrakota (Portugal) - afrobeat, reggae, gnawa
Os Terrakota trazem-nos “Soul”, tema extraído do álbum “Oba Train”, terceiro e último da banda portuguesa, editado este ano. O comboio da vida é uma nova mestiçagem sonora onde se apela ao entendimento entre povos, celebrando a alma africana e as músicas do mundo num ambiente de festa. Criados em 1999, os Terrakota empreenderam então uma viagem pela África Ocidental. Na bagagem trouxeram ideias e instrumentos acústicos cujo som viriam a misturar com o poder dos instrumentos eléctricos. Aos três elementos do grupo juntaram-se depois mais quatro músicos e a actual vocalista, os quais viriam a assimilar géneros como o reggae, o gnawa, a afrobeat, o m’balax, o raggamuffin, o wassoulou, a dub, o raï, o flamenco, a salsa, o rock, o rap, o zouk ou a chimurenga (“batalha” em shona; género musical zimbabueano, popularizado por Thomas Mapfumo). Depois de três anos de concertos, digressões em Portugal e na Europa, e viagens por Marrocos, Mauritânea, Mali, Burkina-Faso e Brasil, onde recolheram inspiração, os Terrakota juntam agora toda essa energia musical num trabalho que abrange várias geografias (Jamaica, Caraíbas, Cuba ou Brasil), sonoridades (árabes, flamencas ou indianas) e línguas (português, yoruba, wolof, francês, inglês ou castelhano). No seu último disco, uma fusão sem confusão, destacam-se as participações de Ikonoklasta e Conductor, ambos pertencentes ao angolano Conjunto Ngonguenha/Buraka Som Sistema, e do jamaicano U-Roy. A 22 de Setembro os Terrakota vão estar na Mostra Jovem de Cascais; em Outubro na Madeira (dia 4), em Lisboa (dia 5) e Guimarães (dia 11); e em Novembro em Viseu (dia 8), na Galiza (dia 17) e no Musidanças de Lisboa (dia 22).
"Duj Duj", Fanfare Ciocărlia (Roménia) – gypsy brass band, balkan music
Segue-se a Fanfare Ciocărlia (“laverca”, em romeno) com “Duj Duj”, tema retirado do álbum “Queens and Kings”, lançado este ano. Uma folk balcânica carregada de funk, pop, rumba ou flamenco, onde a orquestra de metais presta tributo ao clarinetista Ioan Ivancea, seu fundador e patriarca, falecido em 2006, e imagina como seria o jazz se tivesse sido inventado por músicos ciganos. Célebres pelo improviso e pela interpretação acelerada de solos de clarinete, saxofone e trompete, por vezes com mais de 200 batidas por minuto, eles começaram por tocar em cerimónias populares, até o produtor discográfico e engenheiro de som alemão Henry Ernst (seu actual manager) os descobrir em 1996. Oriundos da aldeia de Zece Prăjini (“Dez Campos”), no nordeste da Roménia, junto à fronteira com a Moldávia, os demónios acelerados do gypsy brass cruzam a tradição balcânica com influências globais, adaptadas ao seu estilo enérgico e festivo. Danças tradicionais romenas e moldavas como a sîrba (“dança” em romeno), a hora (dança de círculo) ou a geamparale (popular dança da região de Dobrogea, caracterizada por ritmos balcânicos e turcos), bem como os ritmos turcos, húngaros, búlgaros, sérvios e macedónios são apresentados ao som de instrumentos de sopro (trompa, tuba, trompete, clarinete, requinta, saxofone e corneta) e percussão (tímpano e bombo, tarola e bongo). Juntam-se-lhes histórias sobre a vida, cantadas em romeno ou em romani (dialecto cigano). O grupo tem colaborado com expoentes máximos da música cigana como a macedónia Esma Redzepova, o sérvio Šaban Bajramović, estrelas da pop romena e búlgara como Dan Armeanca e Jony Iliev, bem como Florentina Sandu (Roménia), Mitsou (Hungria), Ljiljana Butler (Bósnia), Kal (Sérvia) ou os Kaloome (França).
"Zé Pequeno (Autoload Mix)", Télépathique (Brasil) -
drum n'bass, funk, bossa nova, breakbeat, rock
O programa chega ao fim com os Télèpathique, dupla brasileira formada pelo DJ Periférico, que já trabalhou com músicos como Zeca Baleiro e Otto, e pela vocalista Mylene. Eles trazem-nos o tema “Zé Pequeno (Autoload Mix)”, extraído do segundo volume da colectânea“Cidade de Deus Remix”, editada em 2003. Precisamente um dos temas que o DJ Periférico remisturou para a banda sonora do filme "Cidade de Deus"', do realizador Fernando Meirelles. Uma história sobre o crime organizado numa das favelas do Rio de Janeiro, adaptada a partir da obra homónima de Paulo Lins. Os Télèpathique são um dos projectos mais estimulantes da breakbeat da cidade de São Paulo. Uma música urbana orientada para as pistas de dança, mas onde não faltam os ritmos brasileiros. Ao funk carioca juntam-se então o drum n'bass, o rock e a electrónica, numa combinação entre as tonalidades retro dos anos 80 e o psicadelismo da música brasileira da década de 1970. O resultado é uma poesia cantada em português e inglês, onde se abordam temas do quotidiano como a política e a espiritualidade.
Jorge Costa
Um programa especial onde se destaca a entrevista exclusiva à Fanfare Ciocărlia, realizada a 7 de Setembro no Teatro Municipal da Guarda.
"Polska Efter Pål Karl/Gärdespolska", Stockholm Lisboa Project (Suécia, Portugal) - fado, polska, folk
"Suite de Polkas", Uxu Kalhus (Portugal) - trad-folk-rock, folk fusion
"Rosa de Lava", Dazkarieh (Portugal) - folk rock, world fusion
"Papa", Angélique Kidjo (Benim) - afropop, afrobeat
"Soul", Terrakota (Portugal) - afrobeat, reggae, gnawa
"Duj Duj", Fanfare Ciocărlia (Roménia) – gypsy brass band, balkan music
"Zé Pequeno (Autoload Mix)", Télépathique (Brasil) -
O programa chega ao fim com os Télèpathique, dupla brasileira formada pelo DJ Periférico, que já trabalhou com músicos como Zeca Baleiro e Otto, e pela vocalista Mylene. Eles trazem-nos o tema “Zé Pequeno (Autoload Mix)”, extraído do segundo volume da colectânea“Cidade de Deus Remix”, editada em 2003. Precisamente um dos temas que o DJ Periférico remisturou para a banda sonora do filme "Cidade de Deus"', do realizador Fernando Meirelles. Uma história sobre o crime organizado numa das favelas do Rio de Janeiro, adaptada a partir da obra homónima de Paulo Lins. Os Télèpathique são um dos projectos mais estimulantes da breakbeat da cidade de São Paulo. Uma música urbana orientada para as pistas de dança, mas onde não faltam os ritmos brasileiros. Ao funk carioca juntam-se então o drum n'bass, o rock e a electrónica, numa combinação entre as tonalidades retro dos anos 80 e o psicadelismo da música brasileira da década de 1970. O resultado é uma poesia cantada em português e inglês, onde se abordam temas do quotidiano como a política e a espiritualidade.
Jorge Costa
quarta-feira, 20 de junho de 2007
Emissão #45 - 23 Junho 2007
A 45ª emissão do MULTIPISTAS - MÚSICAS DO MUNDO, difundida no sábado, 23 de Junho, entre as 17 e as 18 horas, na Rádio Urbana (Castelo Branco - 97.5 FM; Fundão, Covilhã e Guarda - 100.8 FM), vai de novo para o ar na quarta-feira, 27 de Junho, entre as 21 e as 22 horas, sendo reposta três semanas depois (14 e 18 de Julho) nos horários atrás indicados.
Um programa especial onde se destaca a entrevista exlusiva aos Uxu Kalhus, realizada a 12 de Junho em Proença-a-Nova, nas festas daquele concelho.
"Psycoceltic", Rarefolk (Espanha) - freestyle folk/folk-rock
Os sevilhanos Rarefolk inauguram a emissão com “Psycoceltic”, tema retirado do álbum “Natural Fractals”, lançado no ano passado. Quarto e último trabalho dos pioneiros, precisamente, do freestyle folk, uma mistura criativa de sons e ritmos folclóricos de todo o mundo com o universo do rock, do funk e da música electrónica. O resultado é um raro estilo folk, carregado de energia, em que se fundem influências da música africana, celta, oriental e do próprio jazz. Neste disco, os Rarefolk regressam à sua formação original – Ruben Diez, "Mangu" Díaz, Marcos Munné, Pedro Silva, Fernando Reina e Oscar "Mufas" Valero –, contando com a participação especial do violinista Elo Sánchez (dos andaluzes Sila Na Gig) e do saxofonista Nacho Gil (Caponata Argamacho Trio). Desta feita, eles apresentam-nos uma mistura de instrumentos acústicos com sequências de dança, enveredando por géneros como a breakbeat ou o jungle. Bem para trás fica 1992, ano em que os Rarefolk se deram a conhecer na exposição mundial de Sevilha como Os Carallos e em que começaram a ter uma formação estável.
"Pasodoble do Azulejo", Uxu Kalhus (Portugal) - trad-folk-rock, folk fusion
As músicas do mundo prosseguem com o “Passodoble do Azulejo”, tema extraído de “A Revolta dos Badalos”, trabalho de estreia dos Uxu Kalhus, editado em 2006, e onde, para além das chocalhadas endiabradas deste quinteto (Celina Piedade, Paulo Pereira, Eddy Cabral, Luís Salgado e To Zé), formado em 2000, se podem ouvir as vozes de Joana Negrão, Rui Vaz, Pedro Mestre e António Tavares e o cavaquinho de Luís Peixoto. Uma fusão radical de sons e melodias onde a regra é não haverem regras. A revolta faz-se então pela subversão do folclore e pela reinvenção das músicas e danças tradicionais portuguesas e europeias, à mistura com géneros (jazz, rock, ska, funk, drum & bass, hip-hop ou música klezmer) e ritmos de todo o mundo: dos brasileiros (maracatú, embolada ou samba), africanos, árabes e orientais, aos medievais e barrocos. O público é então convidado a bailar ao som de viras, chotiças, modinhas, corridinhos e regadinhos, e de danças israelitas, sérvias ou austríacas, que se cruzam com mazurcas, valsas, polcas ou marchas. Universo sonoro que é alimentado por instrumentos como a flauta, o acordeão, a rauschpfeife (aerofone medieval de palheta dupla), as guitarras eléctrica e acústica, o baixo ou o metalfone. Nas percussões, acrescem a bateria, o bouzouki, a darabuka, o djembé, o bombo, o pandeiro, o didgeridoo, o dunun (família de tambores graves africanos, formada pelo kenkeni, sangban e doundounba), o davul (tambor duplo turco, conhecido nos Balcãs por tapan), a caixa, bem como o repenique e o surdo (tambores comuns no samba). Soma-se-lhes o caxixi, idiofone africano formado por um cesto de palha trançada em forma de campânula e com sementes no interior. A 29 Junho, os Uxu Kalhus vão estar no Festival MED de Loulé; a 21 de Julho em Portel; a 31 Julho e 2 e 5 Agosto no Festival Andanças, em São Pedro do Sul. Em Agosto estarão ainda nas Caldas da Rainha (dia 4), Tavira (dia 7), Seia (dia 18) e em Burgos, no Danzas Sin Fronteras (dias 21 e 22).
"Sunnu Gal", Terrakota (Portugal) - afrobeat, reggae, gnawa
Os Terrakota trazem-nos o tema “Sunnu Gal”, retirado do álbum “Oba Train”, terceiro e último da banda portuguesa, lançado em Maio deste ano. O comboio da vida é uma nova mestiçagem sonora onde se apela ao entendimento entre povos, celebrando as músicas do mundo num ambiente de festa. Criados em 1999, os Terrakota empreenderam então uma viagem pela África Ocidental. Na bagagem trouxeram ideias e instrumentos acústicos cujo som viriam a misturar com o poder dos instrumentos eléctricos. Aos três elementos do grupo juntaram-se depois mais quatro músicos e a actual vocalista, os quais viriam a assimilar géneros como o reggae e o gnawa. Depois de três anos de concertos, digressões em Portugal e na Europa, e viagens por Marrocos, Mauritânea, Mali, Burkina-Faso e Brasil, onde recolheram inspiração, os Terrakota juntam agora toda essa energia musical num trabalho que abrange várias geografias (Jamaica, Caraíbas, Cuba ou Brasil), sonoridades (árabes, flamencas ou indianas) e línguas (português, yoruba, wolof, francês, inglês ou castelhano). No seu último disco, uma fusão sem confusão, destacam-se as participações de Ikonoklasta e Conductor, ambos pertencentes ao angolano Conjunto Ngonguenha/Buraka Som Sistema, e do jamaicano U-Roy. A 14 de Julho, os Terrakota vão estar no Festival Serra da Estrela, em Valhelhas (Guarda).
"Château Rouge", Emmanuel Santarromana (França) e Hadja Kouyaté (Guiné-Conacri) - electro, afropop, mandingo
A jornada continua com Emmanuel Santarromana e Hadja Kouyaté, que nos trazem “Château Rouge”, tema extraído do álbum “Métropolitan”, editado em 2003. Antes de enveredar por uma carreira a solo, Emmanuel Santarromana foi percussionista em alguns dos maiores clubes europeus, lado a lado com nomes como o DJ Mandrax, Laurent Garnier ou Charles Schillings. Em 1998 enveredava finalmente por uma carreira como compositor. Neste seu primeiro álbum de originais, o DJ francês apresenta uma Paris multicultural, servindo cada estação de metro como pretexto para explorar as diferentes facetas musicais daquela cidade. Uma visão sofisticada, melódica e impressionista da capital francesa, cheia de cores, emoções e sons. O ambiente urbano mistura-se então com ritmos ciganos, africanos ou árabes, amostras de jazz, pop, hip-hop e música electrónica. Nesta mestiçagem destaca-se a voz quente e fervorosa de Hadja Kouyaté, uma das dez figuras femininas que participaram no projecto também ele electrónico de Frederic Galliano "African Divas". Hadja Kouyaté nasceu no sul da Guiné-Conari, na região de Gueckédou. Familiar de Manfila Kanté e Ousmane Kouyaté, grandes guitarristas guineenses, e de ascendência griot, a jovem começou a cantar aos cinco anos, viajando de povoação em povoação para participar em baptismos ou casamentos. Mais tarde avançaria por uma carreira a solo, seguindo a tradição musical mandingue. Hoje reparte o seu tempo entre França e a Guiné-Conacri, país onde acompanha o grupo "Les Guinéens".
"Maleele", Etran Finatawa (Níger) - wodaabe and touareg music
Seguem-se os Etran Finatawa com “Maleele”, tema extraído do álbum “Introducing Etran Finatawa”, editado no ano passado. Em 2004, seis músicos wodaabes e quatro tuaregues, unidos pelo gosto pela música e pelo desejo de paz entre todas as etnias que vivem ou viajam pelo rio Níger, juntaram-se e formaram este grupo. Os tuaregues e os wodaabe são dois dos grupos étnicos nómadas que vivem na savana do Sahel, no sul do Sáara. Durante milhares de anos, a região foi um ponto de passagem entre os árabes do norte de África e as culturas subsarianas. Enquanto que os wodaabe, de etnia fulani, são conhecidos pelos seus rebanhos e gado, os tuaregues, berberes que falam tamashek, são famosos criadores de camelos. Mesmo tendo culturas e línguas muito distintas, os elementos dos Etran Finatawa (As Estrelas da Tradição) ultrapassaram as fronteiras étnicas e o racismo, trabalhando juntos para construírem um futuro melhor para os seus povos. Eles fundaram o seu estilo, combinando instrumentos tradicionais e canções polifónicas com arranjos modernos e guitarras eléctricas. O resultado é um álbum marcado por uma mistura única entre o blues, o rock e o funk.
"Matadjem Yinmixan", Tinariwen (Mali) - touareg music, rock, blues
Viagem agora até ao deserto com os Tinariwen e o tema “Matadjem Yinmixan” (“Porquê todo este ódio entre vocês?”), retirado do álbum “Aman Iman” (Água é Vida), gravado em Bamako e lançado em Fevereiro deste ano. Uma melodia onde se faz um apelo às tribos tuaregues para que deixem de lado as rivalidades. Este clã apareceu em 1982 na Líbia num campo de acolhimento de rebeldes tuaregues (povo nómada descendente dos berberes do norte de África e que vagueia entre a Argélia, o Mali, o Níger e a Líbia), tocando para a comunidade de exilados naquele país e na Argélia. Três jovens encarnam a Ishumaren, a música dos ishumar desempregados, uma geração que sonha com a liberdade e a auto-determinação. São sobretudo melodias tradicionais, inspiradas nas guitarras do norte do Mali ou nos alaúdes (ngoni para os songhai, teherdent para os tuaregues) dos griots, e canções nostálgicas que apelam ao despertar político das consciências e à rebelião da alma. Em 1990, dois elementos dos Taghreft Tinariwen (literalmente, os "reconstrutores dos desertos") integraram o grupo de guerrilheiros separatistas que atacou um posto militar em Menaka, na fronteira com o Níger, inaugurando um novo conflito com o governo do Mali. Seis anos depois, quando a paz chegou finalmente ao sul do Sáara, voltaram-se apenas para a música do seu povo, em geral acompanhada pelo tindé (instrumento de percussão tocado por mulheres) ou pela flauta t’zamârt. Na sonoridade rítmica e harmónica dos Tinariwen, percussores dos blues do deserto, estão presentes também a guitarra eléctrica e a asoüf, solidão característica da poesia tuaregue que, tal como os blues, incorpora um sentimento de desamparo universal. A 29 de Junho, eles vão estar no Festival Mediterrâneo de Loulé, a 5 de Julho no Africa Festival de Lisboa e a 6 de Julho em Évora.
"Papirosn", Nina Stiller (Polónia) -
jewish music
O programa chega ao fim com Nina Stiller e o tema “Papirosn” (Cigarros), retirado do álbum editado em 2006 e baptizado com o nome desta cantora, actriz e dançarina polaca. Um projecto discográfico onde se juntam dois mundos muito diferentes: a tradição cultural judaica e a moderna música electrónica. Trabalho que por isso mesmo se destina a toda a comunidade mundial e não apenas aos aficionados das sonoridades com raízes hebraicas. Nina Stiller tem ganho vários galardões no seu país, onde se inclui o primeiro prémio da Polish Competition of Jewish, atribuído em 1999. Servindo-se de um repertório que integra canções judaicas, populares e religiosas, a cantora apresenta-se agora ao mundo com uma música dinâmica, fresca e expressiva.
Jorge Costa
Um programa especial onde se destaca a entrevista exlusiva aos Uxu Kalhus, realizada a 12 de Junho em Proença-a-Nova, nas festas daquele concelho.
"Psycoceltic", Rarefolk (Espanha) - freestyle folk/folk-rock
"Pasodoble do Azulejo", Uxu Kalhus (Portugal) - trad-folk-rock, folk fusion
"Sunnu Gal", Terrakota (Portugal) - afrobeat, reggae, gnawa
"Château Rouge", Emmanuel Santarromana (França) e Hadja Kouyaté (Guiné-Conacri) - electro, afropop, mandingo
"Maleele", Etran Finatawa (Níger) - wodaabe and touareg music
"Matadjem Yinmixan", Tinariwen (Mali) - touareg music, rock, blues
"Papirosn", Nina Stiller (Polónia) -
O programa chega ao fim com Nina Stiller e o tema “Papirosn” (Cigarros), retirado do álbum editado em 2006 e baptizado com o nome desta cantora, actriz e dançarina polaca. Um projecto discográfico onde se juntam dois mundos muito diferentes: a tradição cultural judaica e a moderna música electrónica. Trabalho que por isso mesmo se destina a toda a comunidade mundial e não apenas aos aficionados das sonoridades com raízes hebraicas. Nina Stiller tem ganho vários galardões no seu país, onde se inclui o primeiro prémio da Polish Competition of Jewish, atribuído em 1999. Servindo-se de um repertório que integra canções judaicas, populares e religiosas, a cantora apresenta-se agora ao mundo com uma música dinâmica, fresca e expressiva.
Jorge Costa
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terça-feira, 19 de junho de 2007
A revolta folk d'Uxu Kalhus
A chocalhada dá-se na reinvenção festiva e eléctrica de músicas e danças tradicionais, cruzadas com sons de todo o mundo

A boa disposição é uma constante do grupo em palco
(imagens: Jorge Costa/Multipistas)
Ainda que rejeitem rótulos, os portugueses Uxu Kalhus servem-se de termos como “música tradicional radical”, “folk subversiva”, “baile progressivo”, “interpretações musculadas” ou “sonoridades camaleónicas” para descreverem as suas endiabradas chocalhadas. Uma revolta sonora que arrancou em 2000, em Gennetimes. “O primeiro intuito, quando fizemos o grupo, foi o de irmos tocar a um festival de danças tradicionais em França, com danças portuguesas”, conta ao MULTIPISTAS - MÚSICAS DO MUNDO Celina de Piedade, vocalista e acordeonista do projecto, na altura ainda sem alcunha à altura do desafio proposto. “Inicialmente éramos só um duo, os CPPP [Celina Piedade & Paulo Pereira]. Precisávamos de um nome e como levávamos uma professora de danças tradicionais connosco, ela baptizou-nos à pressa. Ela achou que seria divertido, uma vez que o som do grupo não é assim tão tradicional”.


Nem a entrevista ao programa escapou à chocalhada
Ao yin tradicional do recém criado colectivo - Celina Piedade (acordeão e voz) e Paulo Pereira (flautas) -, juntar-se-ia mais tarde o yang moderno de Eddy Cabral (baixo eléctrico), Luís Salgado (bateria e percussões) e To Zé (cordas e guitarra eléctrica). Nesta transformação radical, a folk mistura-se então com géneros como o jazz, o rock, o ska, o funk, o drum & bass, o hip-hop ou a música klezmer. Uma fusão de estilos, ritmos e melodias onde a regra é não haverem regras. “Quando começámos a tocar, decidimos que não nos íamos oprimir e que iriamos usar todo o que pudéssemos, sem medo de furar com a tradição”, refere a jovem. “Todos nós tocámos nos conservatórios, mas uns vieram da música tradicional e outros da música popular. Juntamos isso tudo, sem preconceitos e muitas ideias base, e o resultado é algo completamente livre”.


Eddy Cabral e Tó Zé, a dupla eléctrica dos Uxu Kalhus
A revolta faz-se então pela subversão do folclore e pela reinvenção radical das músicas e danças tradicionais portuguesas e europeias, à mistura com ritmos e instrumentos de todo o mundo. Outro propósito dos Uxu Kalhus é o de recuperar o espírito das danças de baile. “Há muita gente em Portugal desde há dez anos para cá a organizar festivais, bailes e alas de danças tradicionais, e nós surgimos inseridos nesse contexto”, explica a jovem. “A ideia é trazer de novo as danças tradicionais para o quotidiano das pessoas, pô-las a dançar sem ser só no contexto de representação etnográfica”, adianta Celina de Piedade, referindo-se desde logo ao repertório do grupo. “Metade do que tocamos são danças portuguesas, que escolhemos em conjunto com algumas professoras de dança e que temos tentado ensinar no país e fora de Portugal, e metade danças do resto da Europa”.


Celina Piedade e Paulo Pereira, os fundadores do grupo
Num ambiente bem disposto e de festa permanente, o público é convidado a bailar ao som de viras, chotiças, modinhas, corridinhos e regadinhos. Um pezinho em solo português que rapidamente se levanta para dar um pulinho a outros pontos do globo. Danças israelitas, sérvias ou austríacas cruzam-se então com mazurcas, valsas, polcas ou marchas, sem esquecer os ritmos brasileiros (maracatú, embolada ou samba), africanos, árabes e orientais, ou mesmo medievais e barrocos. “A revolta está cada vez mais subversiva”, graceja a vocalista dos Uxu Kalhus. “Pensei que com a idade acalmássemos, mas felizmente que isso não está a acontecer. Estamos muito unidos, o que faz com que exploremos cada vez mais as nossas possibilidades”, acrescenta. “Não queremos cortar com o passado, mas também não queremos representá-lo. Queremos tê-lo presente agora e no futuro”.


A percussão chocalheira é assegurada por Luís Salgado
Para alimentar todo este universo sonoro, os Uxu Kalhus contam com uma variedade de instrumentos: a flauta, o acordeão, a rauschpfeife (aerofone medieval de palheta dupla), as guitarras eléctrica e acústica, o baixo ou o metalfone. Nas percussões, acrescem a bateria, o bouzouki, a darabuka, o djembé, o bombo, o pandeiro, o didgeridoo, o dunun (família de tambores graves africanos, formada pelo kenkeni, sangban e doundounba), o davul (tambor duplo turco, conhecido nos Balcãs por tapan), a caixa, bem como o repenique e o surdo (tambores comuns no samba). Numa alusão clara aos chocalhos, não poderia faltar o caxixi, idiofone africano formado por um cesto de palha trançada em forma de campânula e com sementes no seu interior.



Para além do quinteto, em “A Revolta dos Badalos”, trabalho de estreia do grupo, editado em 2006, podem escutar-se as vozes de Joana Negrão, Rui Vaz, Pedro Mestre e António Tavares, bem com o cavaquinho de Luís Peixoto. A 12 de Junho, no concerto que deram em Proença-a-Nova, nas Festas do Concelho, os Uxu Kalhus presentearam o público com praticamente todas as faixas deste seu primeiro disco, desde os arranjos de temas tradicionais portugueses (“Erva-Cidreira”, “Malhão”, “Mat'Aranha”, “Regadinho” e “Sariquité”), cabo-verdianos (“Maria de Ceição”) às composições próprias (“Horage”, “Xotiska” e “Suite de Polkas”). No alinhamento da noite estiveram também outros que deverão integrar o próximo trabalho, a editar ainda em 2007. É esse o caso do popular “A Saia da Carolina” e do internacionalmente famoso “I Will Survive”, de Gloria Gaynor, cujo disco sound se entranha no já de si electrizante “Passodoble do Azulejo”.
VÍDEO...↓
Entrevista Uxu Kalhus + tema ao vivo “A Saia da Carolina"
Jorge Costa
A boa disposição é uma constante do grupo em palco
(imagens: Jorge Costa/Multipistas)
Ainda que rejeitem rótulos, os portugueses Uxu Kalhus servem-se de termos como “música tradicional radical”, “folk subversiva”, “baile progressivo”, “interpretações musculadas” ou “sonoridades camaleónicas” para descreverem as suas endiabradas chocalhadas. Uma revolta sonora que arrancou em 2000, em Gennetimes. “O primeiro intuito, quando fizemos o grupo, foi o de irmos tocar a um festival de danças tradicionais em França, com danças portuguesas”, conta ao MULTIPISTAS - MÚSICAS DO MUNDO Celina de Piedade, vocalista e acordeonista do projecto, na altura ainda sem alcunha à altura do desafio proposto. “Inicialmente éramos só um duo, os CPPP [Celina Piedade & Paulo Pereira]. Precisávamos de um nome e como levávamos uma professora de danças tradicionais connosco, ela baptizou-nos à pressa. Ela achou que seria divertido, uma vez que o som do grupo não é assim tão tradicional”.
Nem a entrevista ao programa escapou à chocalhada
Ao yin tradicional do recém criado colectivo - Celina Piedade (acordeão e voz) e Paulo Pereira (flautas) -, juntar-se-ia mais tarde o yang moderno de Eddy Cabral (baixo eléctrico), Luís Salgado (bateria e percussões) e To Zé (cordas e guitarra eléctrica). Nesta transformação radical, a folk mistura-se então com géneros como o jazz, o rock, o ska, o funk, o drum & bass, o hip-hop ou a música klezmer. Uma fusão de estilos, ritmos e melodias onde a regra é não haverem regras. “Quando começámos a tocar, decidimos que não nos íamos oprimir e que iriamos usar todo o que pudéssemos, sem medo de furar com a tradição”, refere a jovem. “Todos nós tocámos nos conservatórios, mas uns vieram da música tradicional e outros da música popular. Juntamos isso tudo, sem preconceitos e muitas ideias base, e o resultado é algo completamente livre”.
Eddy Cabral e Tó Zé, a dupla eléctrica dos Uxu Kalhus
A revolta faz-se então pela subversão do folclore e pela reinvenção radical das músicas e danças tradicionais portuguesas e europeias, à mistura com ritmos e instrumentos de todo o mundo. Outro propósito dos Uxu Kalhus é o de recuperar o espírito das danças de baile. “Há muita gente em Portugal desde há dez anos para cá a organizar festivais, bailes e alas de danças tradicionais, e nós surgimos inseridos nesse contexto”, explica a jovem. “A ideia é trazer de novo as danças tradicionais para o quotidiano das pessoas, pô-las a dançar sem ser só no contexto de representação etnográfica”, adianta Celina de Piedade, referindo-se desde logo ao repertório do grupo. “Metade do que tocamos são danças portuguesas, que escolhemos em conjunto com algumas professoras de dança e que temos tentado ensinar no país e fora de Portugal, e metade danças do resto da Europa”.
Celina Piedade e Paulo Pereira, os fundadores do grupo
Num ambiente bem disposto e de festa permanente, o público é convidado a bailar ao som de viras, chotiças, modinhas, corridinhos e regadinhos. Um pezinho em solo português que rapidamente se levanta para dar um pulinho a outros pontos do globo. Danças israelitas, sérvias ou austríacas cruzam-se então com mazurcas, valsas, polcas ou marchas, sem esquecer os ritmos brasileiros (maracatú, embolada ou samba), africanos, árabes e orientais, ou mesmo medievais e barrocos. “A revolta está cada vez mais subversiva”, graceja a vocalista dos Uxu Kalhus. “Pensei que com a idade acalmássemos, mas felizmente que isso não está a acontecer. Estamos muito unidos, o que faz com que exploremos cada vez mais as nossas possibilidades”, acrescenta. “Não queremos cortar com o passado, mas também não queremos representá-lo. Queremos tê-lo presente agora e no futuro”.
A percussão chocalheira é assegurada por Luís Salgado
Para alimentar todo este universo sonoro, os Uxu Kalhus contam com uma variedade de instrumentos: a flauta, o acordeão, a rauschpfeife (aerofone medieval de palheta dupla), as guitarras eléctrica e acústica, o baixo ou o metalfone. Nas percussões, acrescem a bateria, o bouzouki, a darabuka, o djembé, o bombo, o pandeiro, o didgeridoo, o dunun (família de tambores graves africanos, formada pelo kenkeni, sangban e doundounba), o davul (tambor duplo turco, conhecido nos Balcãs por tapan), a caixa, bem como o repenique e o surdo (tambores comuns no samba). Numa alusão clara aos chocalhos, não poderia faltar o caxixi, idiofone africano formado por um cesto de palha trançada em forma de campânula e com sementes no seu interior.
Para além do quinteto, em “A Revolta dos Badalos”, trabalho de estreia do grupo, editado em 2006, podem escutar-se as vozes de Joana Negrão, Rui Vaz, Pedro Mestre e António Tavares, bem com o cavaquinho de Luís Peixoto. A 12 de Junho, no concerto que deram em Proença-a-Nova, nas Festas do Concelho, os Uxu Kalhus presentearam o público com praticamente todas as faixas deste seu primeiro disco, desde os arranjos de temas tradicionais portugueses (“Erva-Cidreira”, “Malhão”, “Mat'Aranha”, “Regadinho” e “Sariquité”), cabo-verdianos (“Maria de Ceição”) às composições próprias (“Horage”, “Xotiska” e “Suite de Polkas”). No alinhamento da noite estiveram também outros que deverão integrar o próximo trabalho, a editar ainda em 2007. É esse o caso do popular “A Saia da Carolina” e do internacionalmente famoso “I Will Survive”, de Gloria Gaynor, cujo disco sound se entranha no já de si electrizante “Passodoble do Azulejo”.
VÍDEO...↓
Entrevista Uxu Kalhus + tema ao vivo “A Saia da Carolina"
Jorge Costa
quinta-feira, 24 de maio de 2007
Emissão #43 - 26 Maio 2007
A 43ª emissão do MULTIPISTAS - MÚSICAS DO MUNDO, difundida no sábado, 26 de Maio, entre as 17 e as 18 horas, na Rádio Urbana (Castelo Branco - 97.5 FM; Fundão, Covilhã e Guarda - 100.8 FM), vai de novo para o ar na quarta-feira, 30 de Maio, entre as 21 e as 22 horas, sendo reposta três semanas depois (16 e 20 de Junho) nos horários atrás indicados.
"Xotiska", Uxu Kalhus (Portugal) - trad-folk-rock, folk fusion
A abrirem a emissão, os Uxu Kalhus com o tema “Xotiska” – um cruzamento entre a chotiça (dança circular, também conhecida por polca alemã) e o ska jamaicano – extraído do álbum “A Revolta dos Badalos”, editado em 2006. A revolta faz-se precisamente pela subversão do folclore e pela reinvenção radical das raízes tradicionais à mistura com sons e instrumentos de todo o mundo. Neste seu último álbum, o grupo de folk fusionista, formado por Paulo Pereira, Celina Piedade, Vasco Casais, Hugo Meneses e Nuno Patrício, apresenta composições próprias e arranjos de temas tradicionais portugueses e europeus. Os sons das mazurcas, valsas, polcas ou marchas cruzam-se então com influências africanas ou com géneros como o jazz, o rock, o drum & bass ou o hip-hop. Acrescem ainda os timbres da flauta, acordeão, rauschpfeife (aerofone medieval de palheta dupla), guitarra eléctrica e acústica, baixo ou metalfone, os ritmos exóticos das percussões (bateria, bouzouki, darabuka, djembé, bombo, pandeiro ou didgeridoo), e, claro está, os chocalhos. Eles surgiram em 2000 em Gennetimes com o objectivo de levar as danças portuguesas até França. Hoje, o público é convidado a bailar não só ao som de viras, corridinhos e regadinhos, mais também de danças israelitas, sérvias ou austríacas. Em Junho, os Uxu Kalhus vão estar em Tavira (dias 2 e 27), Faro (dia 9), Abrantes (dias 10 e 22), Proença-a-Nova (dia 12) e São Pedro do Sul (dia 31).
"Nova Galicia", Luar na Lubre (Espanha) - celtic folk/folk-rock
As músicas do mundo prosseguem com os embaixadores da folk celta contemporânea. Naturais da Corunha, os Luar Na Lubre trazem-nos “Nova Galicia”, tema retirado do álbum “Saudade”, lançado no ano passado. O mexicano Manuel María Ponce, um dos grandes compositores para guitarra a nível internacional, recriou este tema tradicional da Galiza, provavelmente influenciado pela comunidade galega existente no seu país. Com nove trabalhos editados, os Luar na Lubre defendem a cultura, a tradição e a música galegas, sem fecharem portas às influências externas. O grupo aposta agora na América do Sul, de onde emana a música que integra o seu último álbum. Bieito Romero, Patxi Bermúdez, Xulio Varela e Xan Cerqueiro são os quatro elementos que restam da banda original, criada em 1986 e que dez anos depois saltava para a ribalta internacional com o apadrinhamento de Mike Oldfield no seu disco “Voyager”. Neste trabalho os Luar na Lubre apresentam a vocalista que os acompanha há cerca de dois anos, a portuguesa Sara Vidal (que já tinha participado no álbum “Paraíso”), em substituição de Rosa Cedrón. Um disco onde resgatam velhas melodias e harmonias melancólicas, bem como poemas de García Lorca e de autores galegos da emigração, utilizando-os em temas que falam de nostalgia, do exílio e da saudade. Tudo numa homenagem à Galiza que chegou à América Latina e se fundiu com a cultura daquele continente, sem no entanto deixar de parte as suas raízes celtas.
"La Chanson du Quéteux", La Bottine Souriante (Canadá) - trad folk, world beat
Os La Bottine Souriante trazem-nos “La Chanson du Quéteux” (A Canção do Mendigo), tema extraído do álbum “Jusq’Aux P’Tites Heures”, editado em 1991. Um trabalho recheado de reels e canções tradicionais do Quebeque, onde se fala sobretudo de álcool. Este grupo, que em português se chamaria “A Bota Risonha” (o nome refere-se mesmo a umas botas com as solas descoladas), foi criado em 1976 por Mario Forest, Yves Lambert e André Marchand, aos quais se juntaram Gilles Cantin e Pierre Laporte. No entanto, com o passar dos anos, os La Bottine Souriante foram sofrendo mudanças na formação e no som. Se inicialmente se apresentavam com toque franco-canadiano, suportado pela guitarra, acordeão e violino, mais tarde estes passaram a incluir outros instrumentos como o piano, o contrabaixo, o bandolim, o bouzouki e uma secção de sopro em que se incluem o trompete, o trombone, a tuba, a corneta, o clarinete, o saxofone, a harmónica ou a flauta transversal. Os La Bouttine Souriante procuram então preservar as tradições musicais daquela província canadiana, misturando uma folk com raízes em França, Inglaterra, Irlanda e Escócia com estilos como a salsa e o jazz. Um cocktail enérgico e explosivo, cujo ritmo é suportado pelos batimentos de pés e mãos.
"Cuchara del Poder", Terrakota (Portugal) - afrobeat, reggae, gnawa
A jornada continua agora com os Terrakota e o tema “Cuchara del Poder” (Colher do Poder), retirado do álbum “Oba Train”, terceiro e último da banda portuguesa, editado este mês de Maio. O comboio da vida é uma nova mestiçagem sonora onde se apela ao entendimento entre povos, celebrando as músicas do mundo num ambiente de festa. Criados em 1999, os Terrakota empreenderam então uma viagem pela África Ocidental. Na bagagem trouxeram ideias e instrumentos acústicos cujo som viriam a misturar com o poder dos instrumentos eléctricos. Aos três elementos do grupo juntaram-se depois mais quatro músicos e a actual vocalista, os quais viriam a assimilar géneros como o reggae e o gnawa. Depois de três anos de concertos, digressões em Portugal e na Europa, e viagens por Marrocos, Mauritânea, Mali, Burkina-Faso e Brasil, onde recolheram inspiração, os Terrakota juntam agora toda essa energia musical num trabalho que abrange várias geografias (Jamaica, Caraíbas, Cuba ou Brasil), sonoridades (árabes, flamencas ou indianas) e línguas (português, yoruba, wolof, francês, inglês ou castelhano). No seu último disco, uma fusão sem confusão, destacam-se as participações de Ikonoklasta e Conductor, ambos pertencentes ao angolano Conjunto Ngonguenha/Buraka Som Sistema, e do jamaicano U-Roy. A 14 de Julho, os Terrakota vão estar no Festival Serra da Estrela, em Valhelhas (Guarda).
"Life", Dub Incorporation (França) - dub-reggae, dancehall
Viagem até França com os Dub Incorporation e o tema “Life”, extraído do álbum “Diversité”, editado em 2003 e sucessor dos dois EP’s com que o grupo se estreou. Um trabalho que fez dos Dub Incorporation um dos principais representantes da dub e do reggae franceses. Em 1997, um grupo de amigos de Saint-Étienne decidiu juntar-se para partilhar o gosto comum pela música. Graças ao rápido sucesso alcançado, a banda acabaria por atravessar as fronteiras do Rhône e dos Alpes, actuando em todo o país. Para além dos dois géneros que os caracterizam, os Dub Incorporation combinam outras influências que vão dos ritmos tradicionais de Leste ao hip-hop e ao electro-dub. Uma esfera sonora que tem como base uma guitarra rítmica, um saxofone, uma bateria e um teclado. As letras, interpretadas por um toaster (alguém que canta fazendo saltar as palavras), falam subtilmente sobre a imigração clandestina e sobre os jovens dos bairros dos subúrbios, tudo sem recorrer a moralismos e clichés, deixando uma mensagem de paz e fraternidade. Neste tema misturam-se três vozes, uma delas pertencente ao conhecido Tiken Jah Fakoly, figura de proa do reggae do oeste africano e porta-voz da jovem geração da Costa do Marfim.
"Tamatantelay", Tinariwen (Mali) - touareg music, rock, blues
Viagem até ao deserto com os Tinariwen e o tema “Tamatantelay”, retirado do álbum “Aman Iman” (Água é Vida), gravado em Bamako e editado em Fevereiro deste ano. Este clã apareceu em 1982 na Líbia num campo de acolhimento de rebeldes tuaregues (povo nómada descendente dos berberes do norte de África e que vagueia entre a Argélia, o Mali, o Níger e a Líbia), tocando para a comunidade de exilados naquele país e na Argélia. Três jovens encarnam a Ishumaren, a música dos ishumar desempregados, uma geração que sonha com a liberdade e a auto-determinação. São sobretudo melodias tradicionais, inspiradas nas guitarras do norte do Mali ou nos alaúdes (ngoni para os songhai, teherdent para os tuaregues) dos griots, e canções nostálgicas que apelam ao despertar político das consciências e à rebelião da alma. Em 1990, dois elementos dos Taghreft Tinariwen (literalmente, os "reconstrutores dos desertos") integraram o grupo de guerrilheiros separatistas que atacou um posto militar em Menaka, na fronteira com o Níger, inaugurando um novo conflito com o governo do Mali. Seis anos depois, quando a paz chegou finalmente ao sul do Sáara, voltaram-se apenas para a música do seu povo, em geral acompanhada pelo tindé (instrumento de percussão tocado por mulheres) ou pela flauta t’zamârt. Na sonoridade rítmica e harmónica dos Tinariwen, percussores dos blues do deserto, estão presentes também a guitarra eléctrica e a asoüf, solidão característica da poesia tuaregue que, tal como os blues, incorpora um sentimento de desamparo universal. A 29 de Junho, eles vão estar no Festival Mediterrâneo de Loulé, a 5 de Julho no Africa Festival de Lisboa e a 6 de Julho em Évora.
"Mon Amour de Saint-Jean", Les Boukakes (França) - raï n'rock, afrobeat, reggae
Seguem-se Les Boukakes com o tema "Mon Amant de Saint-Germain", extraído do seu primeiro álbum "Makach Mouch’Kil" (Não Há Problema), editado em 2001. Este septeto masculino, nascido no exílio em 1998, é liderado pelo cantor argelino Bachir Mokhtare, incluindo músicos tunisinos e franceses. Os Boukakes foram buscar o nome à contracção de dois típicos insultos racistas: bougnoule (nome outrora dado aos africanos e magrebinos) e macaque (macaco). Uma reacção às referências menos abonatórias que costumavam receber quando se estrearam nas ruas. Sem fazerem comentários políticos ostensivos nas suas canções, os Les Boukakes apelam deliberadamente à resistência ao status quo e à ignorância generalizada. Letras que são combinadas com melodias orientais e instrumentos diversos como o karkabou/qarqabou (grandes castanholas metálicas marroquinas), a derbouka (instrumento de percussão magrebino), o bendir (outro instrumento de percussão), o tar (alaúde iraniano), o duf (espécie de pandeireta), a tabla, o banjo, a guitarra ou o baixo. O raï argelino ou o gnawa marroquino misturam-se então com géneros ocidentais como o rock, o groove e a música electrónica. Ao passar para os bares e festivais, o seu raï n'rock celebrizou-se, surgindo lado a lado com músicos e bandas como os Zebda, The Wailers, Manu Chao, Natacha Atlas, Taraf De Haïdouks, Cheikha Rimitti ou Rachi Taha.
"Afruvva", Mari Boine Persen (Noruega) - joik, jazz, blues
A norueguesa Mari Boine Persen apresenta-nos o tema “Afruvva” (A Sereia), extraído do álbum “Iddjagieđas” (Na Mão da Noite), lançado em 2006. Com mais de vinte anos de carreira, Mari Boine tem lutado pela preservação das tradições e pelo reconhecimento dos direitos dos seus compatriotas sami, povo que habita a Lapónia, território situado no norte da Escandinávia. Mari Boine cresceu numa altura em que ainda era proibido falar o dialecto sami nas escolas e cantar o joik (yoik em inglês). Graças à pesada herança da colonização cristã, o canto mais característico dos sami foi durante muito tempo visto como a música do diabo. Uma veia xamânica, assente numa escala pentatónica, da qual Mari Boine e o seu ensemble herdaram o ritmo, as batidas e a espiritualidade, lembrando os tempos em que o homem estava mais próximo da natureza. A voz mística da embaixadora dos sami, que canta também em inglês, mistura então o joik com os blues, o jazz, a pop, o rock e mesmo a música electrónica. São sons mais entoados que cantados, onde se evoca a beleza da terra e das montanhas, o sol da meia-noite nos meses de Verão ou as tradições pré-cristãs.
"Kielo", Kimmo Pohjonen (Finlândia) - folk-rock, electronic folk
O finlandês Kimmo Pohjonen traz-nos “Kielo”, um tema a solo retirado do álbum do mesmo nome, lançado em 1999. Com uma carreira repartida entre a folk, a música clássica e o rock, o músico e compositor Kimmo Pohjonen mistura de forma única o acordeão com amostras de som e percussões, levando-o para universos como a dança contemporânea ou o teatro musical. Pohjonen, que nasceu na aldeia de Viiala, começou a tocar acordeão aos oito anos. Na Academia Sibelius, em Helsínquia, absorveu a folk e misturou-a com outros estilos. Para expandir a sonoridade do fole diatónico, Kimmo adicionou ao acordeão cromático composições originais que integravam samples e loops do islandês Samuli Kosminen, com quem viria a formar o duo Kluster. Mais tarde, juntaram-se-lhes Pat Mastrelotto e Trey Jun, dando lugar ao quarteto Kluster TU. Entretanto, Pohjonen tem vindo a colaborar com músicos finlandeses como Heikki Leitinen, Maria Kalaniemi, Alanko Saatio ou Arto Järvellä, integrando ainda os grupos de new folk Pinnin Pojat e Ottopasuuna. Apesar dos mais de 13 quilos do acordeão, em palco Pohjonen movimenta-se energicamente, extraindo camadas de som a que adiciona a própria voz. Mais voltado para o formato acústico, Kimmo Pohjonen mantém como base as raízes e os cantos populares da Finlândia, tocando outros tipos de acordeão, a harmónica e a marimba. Tradição e improviso unem-se assim na busca de novos sons através da música experimental e electrónica.
"Acción!", Kevin Johansen (Argentina) - rumba, cumbia, world fusion
Kevin Johansen fecha o programa com o tema “Acción!”, retirado do seu segundo disco a solo “Sur o no Sur”, editado em 2002. Álbum onde o músico argentino, nascido no Alaska, envereda por canções que predominam sobre géneros tipicamente americanos mas, como ele próprio diz, “desclassificados”: o tango, o bolero, a ranchera mexicana, a rumba catalã, o samba celta, a bossanova, a cumbia flamenca, o tex-mex, o zydeco ou a milonga, habilmente cruzados com a pop, o hip-hop ou o funk. Kevin Johansen passou a sua adolescência em Buenos Aires, mas desde muito cedo que começou a percorrer o mundo de guitarra debaixo do braço. Depois de ter vivido alguns anos em São Francisco, Manhattan e Nova Iorque, no final dos anos 90 o compositor decidiu então regressar à Argentina e explorar as suas referências folclóricas, deixando para trás uma breve experiência pop-rock no grupo Instrucción Cívica. Hoje, juntamente com a sua banda The Nada, Kevin Johansen interpreta temas em castelhano, inglês ou mesmo “espanglês”, mistura de estilos e linguagens onde o humor, o sarcasmo e a ironia estão sempre presentes. Um desenraizamento sonoro, imagem de marca da Argentina actual, onde se prova que o futuro da música passa mesmo pela mistura.
Jorge Costa
"Xotiska", Uxu Kalhus (Portugal) - trad-folk-rock, folk fusion
"Nova Galicia", Luar na Lubre (Espanha) - celtic folk/folk-rock
"La Chanson du Quéteux", La Bottine Souriante (Canadá) - trad folk, world beat
"Cuchara del Poder", Terrakota (Portugal) - afrobeat, reggae, gnawa
"Life", Dub Incorporation (França) - dub-reggae, dancehall
"Tamatantelay", Tinariwen (Mali) - touareg music, rock, blues
"Mon Amour de Saint-Jean", Les Boukakes (França) - raï n'rock, afrobeat, reggae
Seguem-se Les Boukakes com o tema "Mon Amant de Saint-Germain", extraído do seu primeiro álbum "Makach Mouch’Kil" (Não Há Problema), editado em 2001. Este septeto masculino, nascido no exílio em 1998, é liderado pelo cantor argelino Bachir Mokhtare, incluindo músicos tunisinos e franceses. Os Boukakes foram buscar o nome à contracção de dois típicos insultos racistas: bougnoule (nome outrora dado aos africanos e magrebinos) e macaque (macaco). Uma reacção às referências menos abonatórias que costumavam receber quando se estrearam nas ruas. Sem fazerem comentários políticos ostensivos nas suas canções, os Les Boukakes apelam deliberadamente à resistência ao status quo e à ignorância generalizada. Letras que são combinadas com melodias orientais e instrumentos diversos como o karkabou/qarqabou (grandes castanholas metálicas marroquinas), a derbouka (instrumento de percussão magrebino), o bendir (outro instrumento de percussão), o tar (alaúde iraniano), o duf (espécie de pandeireta), a tabla, o banjo, a guitarra ou o baixo. O raï argelino ou o gnawa marroquino misturam-se então com géneros ocidentais como o rock, o groove e a música electrónica. Ao passar para os bares e festivais, o seu raï n'rock celebrizou-se, surgindo lado a lado com músicos e bandas como os Zebda, The Wailers, Manu Chao, Natacha Atlas, Taraf De Haïdouks, Cheikha Rimitti ou Rachi Taha.
"Afruvva", Mari Boine Persen (Noruega) - joik, jazz, blues
A norueguesa Mari Boine Persen apresenta-nos o tema “Afruvva” (A Sereia), extraído do álbum “Iddjagieđas” (Na Mão da Noite), lançado em 2006. Com mais de vinte anos de carreira, Mari Boine tem lutado pela preservação das tradições e pelo reconhecimento dos direitos dos seus compatriotas sami, povo que habita a Lapónia, território situado no norte da Escandinávia. Mari Boine cresceu numa altura em que ainda era proibido falar o dialecto sami nas escolas e cantar o joik (yoik em inglês). Graças à pesada herança da colonização cristã, o canto mais característico dos sami foi durante muito tempo visto como a música do diabo. Uma veia xamânica, assente numa escala pentatónica, da qual Mari Boine e o seu ensemble herdaram o ritmo, as batidas e a espiritualidade, lembrando os tempos em que o homem estava mais próximo da natureza. A voz mística da embaixadora dos sami, que canta também em inglês, mistura então o joik com os blues, o jazz, a pop, o rock e mesmo a música electrónica. São sons mais entoados que cantados, onde se evoca a beleza da terra e das montanhas, o sol da meia-noite nos meses de Verão ou as tradições pré-cristãs.
"Kielo", Kimmo Pohjonen (Finlândia) - folk-rock, electronic folk
O finlandês Kimmo Pohjonen traz-nos “Kielo”, um tema a solo retirado do álbum do mesmo nome, lançado em 1999. Com uma carreira repartida entre a folk, a música clássica e o rock, o músico e compositor Kimmo Pohjonen mistura de forma única o acordeão com amostras de som e percussões, levando-o para universos como a dança contemporânea ou o teatro musical. Pohjonen, que nasceu na aldeia de Viiala, começou a tocar acordeão aos oito anos. Na Academia Sibelius, em Helsínquia, absorveu a folk e misturou-a com outros estilos. Para expandir a sonoridade do fole diatónico, Kimmo adicionou ao acordeão cromático composições originais que integravam samples e loops do islandês Samuli Kosminen, com quem viria a formar o duo Kluster. Mais tarde, juntaram-se-lhes Pat Mastrelotto e Trey Jun, dando lugar ao quarteto Kluster TU. Entretanto, Pohjonen tem vindo a colaborar com músicos finlandeses como Heikki Leitinen, Maria Kalaniemi, Alanko Saatio ou Arto Järvellä, integrando ainda os grupos de new folk Pinnin Pojat e Ottopasuuna. Apesar dos mais de 13 quilos do acordeão, em palco Pohjonen movimenta-se energicamente, extraindo camadas de som a que adiciona a própria voz. Mais voltado para o formato acústico, Kimmo Pohjonen mantém como base as raízes e os cantos populares da Finlândia, tocando outros tipos de acordeão, a harmónica e a marimba. Tradição e improviso unem-se assim na busca de novos sons através da música experimental e electrónica.
"Acción!", Kevin Johansen (Argentina) - rumba, cumbia, world fusion
Kevin Johansen fecha o programa com o tema “Acción!”, retirado do seu segundo disco a solo “Sur o no Sur”, editado em 2002. Álbum onde o músico argentino, nascido no Alaska, envereda por canções que predominam sobre géneros tipicamente americanos mas, como ele próprio diz, “desclassificados”: o tango, o bolero, a ranchera mexicana, a rumba catalã, o samba celta, a bossanova, a cumbia flamenca, o tex-mex, o zydeco ou a milonga, habilmente cruzados com a pop, o hip-hop ou o funk. Kevin Johansen passou a sua adolescência em Buenos Aires, mas desde muito cedo que começou a percorrer o mundo de guitarra debaixo do braço. Depois de ter vivido alguns anos em São Francisco, Manhattan e Nova Iorque, no final dos anos 90 o compositor decidiu então regressar à Argentina e explorar as suas referências folclóricas, deixando para trás uma breve experiência pop-rock no grupo Instrucción Cívica. Hoje, juntamente com a sua banda The Nada, Kevin Johansen interpreta temas em castelhano, inglês ou mesmo “espanglês”, mistura de estilos e linguagens onde o humor, o sarcasmo e a ironia estão sempre presentes. Um desenraizamento sonoro, imagem de marca da Argentina actual, onde se prova que o futuro da música passa mesmo pela mistura.
Jorge Costa
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