"Dança dos Camafeus", Diabo a Sete (Portugal) - folk
"Senamou", Angélique Kidjo (Benim) - afropop, afrobeat
"Kassa", Sekouba Bambino Diabaté (Guiné-Conacri) - mande music, afrobeat, afrozouk
"Maïna Raï", Les Boukakes (França) - raï n'rock, afrobeat, reggae
A jornada continua com os Les Boukakes, que nos trazem o tema "Maïna Raï", retirado do seu primeiro álbum "Makach Mouch’Kil" (Não Há Problema), editado em 2001. Este septeto masculino, nascido no exílio em 1998, é liderado pelo cantor argelino Bachir Mokhtare, incluindo músicos tunisinos e franceses. Os Boukakes foram buscar o nome à contracção de dois típicos insultos racistas: bougnoule (nome outrora dado aos africanos e magrebinos) e macaque (macaco). Uma reacção às referências menos abonatórias que costumavam receber quando se estrearam nas ruas. Sem fazerem comentários políticos ostensivos nas suas canções, os Les Boukakes apelam deliberadamente à resistência ao status quo e à ignorância generalizada. Letras que são combinadas com melodias orientais e instrumentos diversos como o karkabou/qarqabou (grandes castanholas metálicas marroquinas), a derbouka (instrumento de percussão magrebino), o bendir (outro instrumento de percussão), o tar (alaúde iraniano), o duf (espécie de pandeireta), a tabla, o banjo, a guitarra ou o baixo. O raï argelino ou o gnawa marroquino misturam-se então com géneros ocidentais como o rock, o groove e a música electrónica. Ao passar para os bares e festivais, o seu raï n'rock celebrizou-se, surgindo lado a lado com músicos e bandas como os Zebda, The Wailers, Manu Chao, Natacha Atlas, Taraf De Haïdouks, Cheikha Rimitti ou Rachi Taha.
"Il Rail Wa Hamad", Ilham Al Madfai (Iraque) - arabian folk, world fusion
"Gross", Balkan Beat Box (Israel) - gypsy-punk, contemporary folk
"Abre Kako So Pijeja", Esma Redzepova (Macedónia) - gypsy music
"Cocoon", Flëur (Ucrânia) -
A emissão chega ao fim com os Flëur e o tema “Cocoon”, extraído do álbum “Siyanie” (Brilho de Luz), editado em 2004. Neste seu terceiro trabalho, a banda originária da cidade ucraniana de Odessa apresenta-nos uma folk combinada com a pop russa. São melodias ora melancólicas, ora líricas, onde se dá a conhecer o seu universo simultaneamente sombrio e luminoso, divertido e triste, onírico e enérgico. A emoção e a sensibilidade estão presentes nas vozes de Olga Pulatova (a apaixonada) e Elena Voynarovskaya (a sonhadora). As composições desta dupla falam de sonhos e esperanças, sobrepondo-se às instrumentações do piano, das guitarras acústica e eléctrica, do violino, da bateria, do baixo, do violoncelo, da flauta e do digeridoo. O grupo fica completo com os músicos Ekaterina Kotelnikova, Alexey Tkachevsky, Vitaly Didyk, Alexandra Didyk, Anastasia Kuzmina e Alla Luzhetskaya, todos eles formados na academia Nacional de Música de Odessa. São sons intemporais numa visão contemporânea da música tradicional europeia.
Jorge Costa