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quinta-feira, 20 de março de 2008

Emissão #61 - 22 Março 2008 - 2ºaniversário

A 61ª emissão do MULTIPISTAS - MÚSICAS DO MUNDO, difundida no sábado, 22 de Março, entre as 17 e as 18 horas, na Rádio Urbana (Castelo Branco - 97.5 FM; Fundão, Covilhã e Guarda - 100.8 FM), vai de novo para o ar na quarta-feira, 26 de Março, entre as 21 e as 22 horas, sendo reposta três semanas depois (12 e 16 de Abril) nos horários atrás indicados.

No
segundo aniversário do programa, que desde Março de 2006 tem procurado divulgar alguma da melhor música étnica produzida em todo o globo, sobretudo a que se funde com géneros mais actuais e urbanos, destaca-se a rubrica Caixa de Ritmos, uma emissão especial, feita de poucas palavras, e inteiramente dedicada aos melhores temas que passaram nas últimas dez edições do MULTIPISTAS - MÚSICAS DO MUNDO:

"Höyhensarjan Maailmamestari", Tuomari Nurmio & Alamaailman Vasarat (Finlândia) - progressive folk, punk, rock

"Kabir Kouba",
Claire Pelletier (Canadá) - celtic music

"Boy In The Boat ",
Lúnasa (Irlanda) - celtic

"Manta", Saba (Somália) - afropop

"Gimme Shelter", Angélique Kidjo (Benim) - afropop, afrobeat

"Desde Cuba Hasta Afghanistan", Bakú (Porto Rico) - salsa, flamenco, pop, rock

"Mirant Les Notícies", Cheb Balowski (Espanha) - pachanga, raï, gnawa, rock

"Bulgarian Chicks", Balkan Beat Box (Israel) - gypsy-punk, contemporary folk

"Munt", Boom Pam (Israel) - world fusion, surf rock

"Nadie Te Tira", Ozomatli (EUA) - salsa, cumbia, latin rock

(os dados sobre estes temas podem ser encontrados nos textos das emissões em que foram emitidos)

Jorge Costa

quinta-feira, 6 de março de 2008

Emissão #60 - 8 Março 2008

A 60ª emissão do MULTIPISTAS - MÚSICAS DO MUNDO, difundida no sábado, 8 de Março, entre as 17 e as 18 horas, na Rádio Urbana (Castelo Branco - 97.5 FM; Fundão, Covilhã e Guarda - 100.8 FM), vai de novo para o ar na quarta-feira, 12 de Março, entre as 21 e as 22 horas, sendo reposta três semanas depois (29 de Março e 2 de Abril) nos horários atrás indicados.

"Kudumba", Armenian Navy Band (Arménia) - avant-guarde folk
A Armenian Navy Band inaugura a emissão com “Kudumba”, tema que faz parte do seu segundo álbum “New Apricot”. Trabalho gravado em Istambul e editado em 2001, reflexo da primeira digressão europeia do grupo, realizada um ano antes. À primeira vista, Armenian Navy Band pode parecer um nome absurdo para a banda criada em 1998 em Yerevan, capital de um país sem acesso directo ao mar. No entanto, o seu fundador, o percussionista e vocalista de ascendência arménia Arto Tunçboyaciyan, acredita ser possível mover todo este barco sonoro do Cáusaco, mesmo sem água. Juntam-se-lhe neste projecto onze jovens que se fazem acompanhar desde os tradicionais sazabo, duduk (aerofone tradicional da Arménia), zurna (aerofone da Anatólia com palheta dupla), kamancheh (espécie de violino persa), kanun (semelhante à cítara, mas de formato trapezoidal), blul, suduk, a instrumentos mais actuais como o trombone, o saxofone, o trompete, o baixo, a bateria, os teclados e o piano. A orquestra cruza então a melancolia da música tradicional da Arménia e Anatólia (parte asiática da Turquia) com o lamento e a solidão do jazz e dos blues, havendo ainda espaço para o rock e para a pop. Composições próprias numa folk avant-garde, síntese das vivências multiculturais de alguém que através da música procura comunicar os valores do amor, do respeito e da verdade. Arto Tunçboyaciyan cresceu na Turquia e emigrou para os Estados Unidos da América, onde hoje vive. Ao longo dos anos, tem vindo a colaborar com referências do jazz e da world music como Eleftheria Arvanitaki, Gerardo Nuñez, Joe Zawinul, Al Di Meola, Chet Baker, Oregon, Joe Lovano, Wayne Shorter, Don Cherry, Arthur Blythe ou Omar Faruk Tekbliek.

"A Day Like Today", Emily Smith (Reino Unido) - folk, celtic music
As músicas do mundo prosseguem com a escocesa Emily Smith e "A Day Like Today", tema retirado do álbum do mesmo nome, seu trabalho de estreia, lançado em 2002, e em que participam ainda Jamie McClennan, Ross Ainslie e Sean O'Donnell. Um conjunto de canções e melodias tradicionais, cantados de forma natural e com grande emoção por Emily Smith, a que se juntam novos arranjos e composições originais que soam como se tivessem sobre si o pesado fardo dos anos. Formada na Real Academia Escocesa de Música e Drama, a cantautora é não só uma reconhecida intérprete de canções tradicionais, mas também uma talentosa compositora e instrumentista. Criada na rural Dumfriesshire, no sudoeste da Escócia, Emily Smith herdou a paixão pela história local e o forte sentimento de pertença à sua comunidade. Impressões patentes no entusiasmo com que a jovem pianista e acordeonista - hoje acompanhada em palco pelo violinista Jamie McClennan, pelo guitarrista Ross Milligan e pelo baixista Duncan Lyall - tenta retratar a beleza e diversidade da região onde nasceu. Uma energia vocal que atravessa o tempo e que consegue captar a força das letras do folclore nacional, assimilando desde as baladas de Dumfriesshire aos versos líricos de Robert Burns, o poeta nacional da Escócia.

"The Trucks of Bohermore", Reeltime (Irlanda) - celtic music, irish folk
Os Reeltime apresentam-se pela primeira vez no programa com o medley “The Trucks of Bohermore” (The Bucks Of Oranmore/Gan Ainm/Over The Moor To Maggie), conjunto de reels retirado do seu segundo álbum “Live It Up”, gravado em Edimburgo e editado em 1998. Dos arranjos de antigos jigs e reels, principais ritmos das danças celtas, às incursões por uma panóplia de géneros mais actuais, o jovem ensemble acrescenta uma sensibilidade moderna à música tradicional irlandesa. Viagem sonora multicultural que se constrói a partir de aproximações pontuais à música country de Nashville, ao swing do Texas, à musette francesa, à música cigana da Bulgária, ao americano ragtime ou ao jazz ao estilo do belga Django Reinhardt. O resultado desta mistura global é uma série de melodias carregadas de energia e ritmo, festa onde, para além do violino, do bodhrán e da flauta irlandesa, há lugar também para a guitarra, o ukelele, a harmónica, o acordeão, o baixo, o piano, os teclados e as percussões. Formados pelos irmãos Máirí, Yvonne, Gerard e Terry Fahy, quatro jovens membros de uma família de célebres músicos e dançarinos, os Reeltime são acompanhados em palco por Chris Kelly, o marido de Máirín, e por Benny Hayes. De entre as colaborações com o grupo destacam-se nomes como Eilis Egan, Luke Daniels, John Flatley, Jimmy Higgins, Brendan Power, James Blennerhasset, Georgi Petrov, Declan Masterson, Fran Breen, James Brennan, Barry Conboy, Tommy Hayes, Arty McGlynn ou Kathy Prince.

"Hanfarkaan", Saba (Somália) - afropop
A jornada continua com Saba e o tema “Hanfarkaan” (em somali, hanfar significa "vento", que aqui serve de elo de ligação ao espírito), extraído do álbum “Jidka” (A Linha), lançado em 2007. Título que referencia o lado mestiço da cantora, a qual cruza a cultura africana com a europeia. Nascida em Mogadíscio, capital da Somália, durante o regime repressivo do general Muhammad Siyad Barre, Saba é filha de pai italiano e de mãe etíope. Com os italianos permanentemente sob suspeita e o conflito com a Etiópia na região de Ogaden, a família foi então obrigada a exilar-se em Itália. Neste seu trabalho de estreia, a cantora mistura então guitarras acústicas, koras e djembés com batidas tradicionais africanas e percussão contemporânea, recordando canções de infância e temas compostos com a própria mãe (recorde-se que ela começou por cantar e dançar com a irmã para entreter os vizinhos, em Addis Abeba). A jovem Saba, que tem trabalhado com autores somalianos como Cristina Ubax Alì Farah e Igiaba Scego, serve-se do dialecto somali de Xamar Weuyne, onde abundam as palavras em inglês e italiano, herança dos tempos coloniais. Nesta aproximação entre culturas, ela conta com as participações do guitarrista e percussionista camaronês Tatè Nsongan, do griot senegalês Lao Kouyatè e da voz de Felix Moungara, do Gabão.

"No Habla Na'", Colombiafrica - The Mystic Orchestra (Colômbia, Congo, Nigéria, Bolívia) - champeta, afrobeat, soukous, highlife
A Colombiafrica The Mystic Orchestra regressa ao programa com "No Habla Na’", parte integrante do disco “Voodoo Love Inna Champeta Land”, editado em 2007. Depois de séculos de colonização, Colômbia e África juntam-se finalmente através da champeta criolla, o primeiro género afro-colombiano contemporâneo. São versões locais de ritmos africanos como o soukous congolês, o highlife ganês, a afro-beat nigeriana ou o sul-africano mbaqanga, que se misturam com a cumbia, o bullerengue, a chalupa, o lumbalú (canção funerária) e outros estilos caribenhos, num diálogo permanente entre as percussões, as guitarras e as vozes. Neste trabalho, as estrelas da champeta Viviano Torres, Luís Towers e Justo Valdez, originários da cidade de San Basilio de Palenque, juntamente com o produtor Lucas Silva (“Champeta-Man Original”), devolvem a África os ritmos afro-colombianos. Uma jornada em que contam com talentos oriundos do Congo, Guiné, Angola e Camarões, tais como Dally Kimoko, Diblo Dibala, Nyboma, Sékou Diabaté, Rigo Star, Bopol Mansiamina, Caien Madoka, Ocean, 3615 Code Niawu, Hadya Kouyate, Son Palenque, Las Alegres Ambulancias, Batata e Guy Bilong.

"Kielo", Kimmo Pohjonen (Finlândia) - folk-rock, electronic folk
Segue-se Kimmo Pohjonen com “Kalmukki”, tema extraído do álbum “Kielo”, lançado em 1999. Uma série de peças a solo, ora acústicas, ora manipuladas, que estabeleceram um novo parâmetro para a nova avant garde. Com uma carreira repartida entre a folk, a música clássica e o rock, o músico e compositor Kimmo Pohjonen mistura de forma única o acordeão com amostras de sons e percussões, levando-o para universos como a dança contemporânea ou o teatro musical. Pohjonen, que nasceu na aldeia de Viiala, começou a tocar acordeão aos oito anos. Na Academia Sibelius, em Helsínquia, absorveu a folk e misturou-a com outros estilos. Para expandir a sonoridade do fole diatónico, Kimmo adicionou ao acordeão cromático composições originais que integravam samples e loops do islandês Samuli Kosminen, com quem viria a formar o duo Kluster. Mais tarde, juntaram-se-lhes Pat Mastrelotto e Trey Jun, dando lugar ao quarteto Kluster TU. Entretanto, Pohjonen tem vindo a colaborar com músicos finlandeses como Heikki Leitinen, Maria Kalaniemi, Alanko Saatio ou Arto Järvellä, integrando ainda os grupos de new folk Pinnin Pojat e Ottopasuuna. Apesar dos mais de 13 quilos do acordeão, em palco Pohjonen movimenta-se energicamente, extraindo camadas de som a que adiciona a própria voz. Mais voltado para o formato acústico, Kimmo Pohjonen mantém como base as raízes e os cantos populares da Finlândia, tocando outros tipos de acordeão, a harmónica e a marimba. Tradição e improviso unem-se assim na busca de novos sons através da música experimental e electrónica.

"Maahinen Neito", Värttinä (Finlândia) - traditional finnish folk/suomirock
A mais conhecida banda da folk contemporânea finlandesa traz-nos “Maahinen Neito” (A Rapariga da Terra), tema retirado do álbum “Iki” (termo que a banda define como sendo “o sopro principal e eterno”), editado em 2003, no vigésimo aniversário do grupo. Um trabalho que marca o seu regresso às grandes melodias, numa mistura de pop e rock ocidental com a folk europeia e nórdica. As Värttinä são conhecidas por terem inventado uma visão contemporânea da tradição vocal feminina e da poesia popular da Carélia – uma região isolada na fronteira entre a Finlândia e a Rússia – reforçando as letras emocionais com ritmos em fino-úgrico, idioma antecessor do finlandês. O grupo nasceu em Raakkylaa, uma pequena cidade na Carélia filandesa. Entusiasmados pelas mães, alguns miúdos juntaram-se para cantar músicas folk e tocar kantele (uma versão filandesa do zither, instrumento da família da cítara). À medida que foram crescendo, muitos deixaram o grupo, mas quatro raparigas criaram uma nova formação, que continuou a fazer arranjos tradicionais mas passou também a compor temas próprios. Actualmente fazem parte das Värttinä Mari Kaasine, Johanna Virtanen e Susan Aho, vozes enérgicas e harmónicas que são suportadas por seis músicos acústicos que aliam a instrumentação tradicional e contemporânea (feita à base da guitarra, violino, acordeão, baixo e percussões) aos ritmos complexos e arranjos modernos.

"Era D'Aqui I D'Allà", Xazzar (Espanha) - gypsy klezmer jazz, folk rock
A emissão chega ao fim com os Xazzar, que desta feita nos trazem o tema “¿Qué Hay de Malo en Resbalar?” (Que Mal Tem Escorregar?), retirado do álbum “Que No S’Escapin Els Gossos” (Que Não Fujam os Cães), editado em 2007. O projecto arrancou dois anos antes, quando alguns estudantes da Escola de Música da Catalunha decidiram criar um grupo que tocasse temas originais, inspirados na música klezmer. No seu disco de estreia, o jovem septeto, formado por Angela Llinarés (clarinete), Ildefons Alonso (bateria), Toni Vilaprinyó (baixo), Clara Peya (piano e acordeão), Noemi Rubio (violino), Miranda Gás (voz) e Laia Serra (violino), mistura melodias inspiradas na folk com ritmos variados que vão do jazz ao swing, passando pelo charleston e pela chanson française, sem esquecer os sons endiabrados da música cigana. São composições próprias, cantadas em catalão, castelhano e francês, que apelam ao baile e à festa. Muito ritmo a marcar passo num trabalho onde os Xazzar contam com as colaborações de músicos como Helena Cases de Conxita (pandeireta), Jordi Cristau (coros) ou Francesc Vives de Dumbala Canalla (trompete).

Jorge Costa

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Emissão #54 - 15 Dezembro 2007

A 54ª emissão do MULTIPISTAS - MÚSICAS DO MUNDO, difundida no sábado, 15 de Dezembro, entre as 17 e as 18 horas, na Rádio Urbana (Castelo Branco - 97.5 FM; Fundão, Covilhã e Guarda - 100.8 FM), vai de novo para o ar na quarta-feira, 19 de Dezembro, entre as 21 e as 22 horas, sendo reposta três semanas depois (5 e 9 de Janeiro) nos horários atrás indicados.

Um programa especial onde se destaca a entrevista exclusiva aos Barbatuques, realizada a 3 de Dezembro no Cine-Teatro Avenida, em Castelo Branco, na estreia em Portugal do grupo brasileiro.


"Vuoi Vuoi Mu", Mari Boine Persen (Noruega) - joik, jazz, blues
A norueguesa Mari Boine Persen inaugura a emissão com o tema “Vuoi Vuoi Mu”, extraído do álbum “Iddjagieđas” (Na Mão da Noite), lançado em 2006. Para além dos músicos Svein Schultz, Georg Buljo, Ole Jørn Myklebust, Peter Baden, Juan Carlos Zamata Quispe, Gunnar Augland, Sanjally Jobarteh, Malika Makouf Rasmussen, Sibusisiwe Ncube e Ross Reaver, neste disco colaboram também Terje Rypdal, Anitta Suikkari, Marry Sarre e Kenneth Ekornes. Nascida em Gámehisnjárga, Mari Boine tem lutado pela preservação das tradições e pelo reconhecimento dos direitos dos seus compatriotas sami, os habitantes da Lapónia, território situado no norte da Escandinávia. Mari Boine cresceu numa altura em que ainda era proibido falar o dialecto sami nas escolas e cantar o joik (yoik em inglês). Graças à pesada herança da colonização cristã, o canto mais característico dos sami foi durante muito tempo visto como a música do diabo. Uma veia xamânica, assente numa escala pentatónica, da qual Mari Boine e o seu ensemble herdaram o ritmo, as batidas e a espiritualidade, lembrando os tempos em que o homem estava mais próximo da natureza. A voz mística da embaixadora dos sami, que canta também em inglês, mistura então o joik com os blues, o jazz, a pop, o rock e mesmo a música electrónica. São sons mais entoados que cantados, onde se evocam a beleza da terra e das montanhas, o sol da meia-noite nos meses de Verão ou as tradições pré-cristãs.

"Yapheli'Mali Yami", Busi Mhlongo (África do Sul) - afro pop, maskanda, mbaqanda

Busi Mhlongo traz-nos " Yapheli'Mali Yami" (Acabou-se-me o Dinheiro), tema retirado do álbum "Urbanzulu", editado em 2000. Disco em que colaboraram vários músicos, entre eles, dois da banda Phuzekhemisi, que com ela compuseram este álbum simultaneamente africano e ocidental. A diva do afro pop foi a primeira mulher a internacionalizar a maskanda, género tradicional zulu que expressa a alegria e o lamento presentes na moderna vida da urbana África do Sul, e outrora característico dos trabalhadores e migrantes rurais. No entanto, Busi Mhlongo percorre outros estilos sul-africanos, fundindo-os com o jazz, o funk, o rock, o gospel, o rap e o reggae, e usando coros e instrumentos não tradicionais. Ao longo da sua carreira, actuou com alguns dos melhores nomes do jazz e estrelas da mbaqanga (género vocal, desenvolvido a partir de um estilo negro urbano, em que se destacam as vozes graves masculinas, e que se transformou no mqashiyo, um popular género de dança). Impedida de regressar à África do Sul, o que só aconteceria nos anos 90, Busi Mhlongo passou vários anos em Portugal, cantando temas populares e canções africanas em casinos. Durante o exílio, ela viveu ainda em Londres, no Canadá e em Amesterdão, cidade onde trabalhou com músicos africanos e desenvolveu o seu estilo único. Não é por acaso que, nas suas letras, Busi Mhlongo fala da necessária reconciliação entre sul-africanos com diferentes aspirações políticas.

"Manta", Saba (Somália) - afropop
Saba regressa ao programa com o tema "Manta" (Hoje), extraído do álbum “Jidka”, lançado este ano. Nascida em Mogadíscio, capital da Somália, durante o regime repressivo do general Muhammad Siyad Barre, Saba é filha de pai italiano e de mãe etíope. Com os italianos permanentemente sob suspeita e o conflito com a Etiópia na região de Ogaden, a família foi então obrigada a exilar-se em Itália. Neste seu trabalho de estreia, a cantora cruza a cultura africana com a europeia. Saba mistura então guitarras acústicas, koras e djembés com batidas tradicionais africanas e percussão contemporânea, recordando canções de infância e temas compostos com a própria mãe (recorde-se que ela começou por cantar e dançar com a irmã para entreter os vizinhos, em Addis Abeba). A jovem, que tem trabalhado com autores somalianos como Cristina Ubax Alì Farah e Igiaba Scego, serve-se do dialecto somali de Xamar Weuyne, onde abundam as palavras em inglês e italiano, herança dos tempos coloniais. Nesta aproximação entre culturas, ela conta com as participações do guitarrista e percussionista camaronês Tatè Nsongan, do griot senegalês Lao Kouyatè e da voz de Felix Moungara, do Gabão.

"Korppi", Värttinä (Finlândia) - traditional finnish folk/suomirock

A viagem continua com as Värttinä, que nos trazem o tema “Korppi”, retirado do álbum “Kokko”, editado em 1996. A mais conhecida banda do folclore contemporâneo finlandês traz-nos uma apelativa mistura de pop e rock ocidental com folk europeia e nórdica, naquele que foi o primeiro trabalho onde o grupo tentou juntar a música tradicional com sons modernos. As Värttinä são conhecidas por terem inventado uma visão contemporânea da tradição vocal feminina e da poesia popular da Carélia – uma região isolada na fronteira entre a Finlândia e a Rússia – reforçando as letras emocionais com ritmos em fino-úgrico, idioma antecessor do finlandês. O grupo nasceu em Raakkylaa, uma pequena cidade na Carélia filandesa. Entusiasmados pelas mães, alguns miúdos juntaram-se para cantar músicas folk e tocar kantele (uma versão filandesa do zither, instrumento da família da cítara). À medida que foram crescendo, muitos deixaram o grupo, mas quatro raparigas criaram uma nova formação, que continuou a fazer arranjos tradicionais mas passou também a compor temas próprios. Actualmente fazem parte das Värttinä Mari Kaasine, Johanna Virtanen e Susan Aho, vozes enérgicas e harmónicas que são suportadas por seis músicos acústicos que aliam a instrumentação tradicional e contemporânea (feita à base da guitarra, violino, acordeão, baixo e percussões) aos ritmos complexos e arranjos modernos. Uma base rítmica sólida em que se mantém o vigor e o calor vocal de sempre.

"Metsän Tyttö", Hedningarna (Suécia) - swedish folk, ethno-punk
Seguem-se
os Hedningarna com “Metsän Tyttö” (A Rapariga da Floresta), tema extraído do álbum “Karelia Visa” (Canções da Carélia), lançado em 1999. Depois das incursões pelo mundo do rock, da pop e do techno, os Hedningarna (Os Pagãos), pioneiros na renovação da folk sueca, regressam à música tradicional nórdica. Juntam-se-lhes de novo as vocalistas finlandesas Sanna Kurki-Suonio e Anita Lehtola, parte do agora sexteto que integra ainda Anders Skate Norudde, Björn Tollin, Hållbus Totte Mattsson e Ulf "Rockis" Ivarsson, e que conta com as colaborações de Johan Liljemark e Wimme Saari. No segundo álbum em que o grupo explora as raízes fino-úgricas da Carélia, homenagem à herança cultural deixada naquela região maioritariamente ocupada pela Rússia, os Hedningarna apresentam canções medievais que remetem para antigas lendas finlandesas, enraizadas no Kalevala (epopeia nacional daquele país, compilada por Elias Lönnrot). Letras e melodias que a banda, formada em 1987, reinterpreta de forma livre e inventiva, criando uma sonoridade etérea capaz de suportar a magia e o arcaísmo dos cantos rúnicos, sem contudo abdicar de influências modernas. Para isso, servem-se de instrumentos de vários países do norte da Europa como o violino, a moraharpa (versão medieval da nyckelharpa, harpa tradicional sueca, semelhante a um violino com teclas), a stråkharpa (lira nórdica de arco), o lagbordun, o hummel (cordofone sueco, da família da cítara e semelhante ao norueguês langeleik), a mandora (cordofone da família do alaúde), o alaúde, o oud (alaúde árabe), a sanfona, a flauta, a gaita sueca, o acordeão, o didgeridoo e o pandeiro.

Baianá", Barbatuques (Brasil) – body music, a'cappella, experimental
Os Barbatuques apresentam-nos agora “Baianá”, tema retirado do álbum “O Seguinte é Esse”, editado em 2005. No seu último trabalho, produzido por Fernando Barba, André Hosoi e Bruno Buarque, o grupo adiciona novas técnicas e paisagens sonoras ao universo da música corporal. Um retiro musical realizado em Botucatu, no interior de São Paulo, e novos arranjos e composições gravados em estúdio, fruto da aproximação a sonoridades regionais e contemporâneas, servem de base a este disco onde eles exploram em maior profundidade os aspectos melódicos, harmónicos, percussivos e fonéticos da voz. Partindo do “barbatuquear” minimalista e do improviso colectivo, este núcleo de percussionistas e pedagogos explora os inúmeros sons produzidos pelo corpo. As palmas, as batidas, os estalos, os assobios ou os vácuos são então combinados com instrumentos como o berimbau, a flauta ou a guitarra, na produção de ritmos, melodias, danças e cantos inspirados na cultura popular brasileira e que se cruzam com o sapateado do coco, as palmas do flamenco, os harmónicos vocais do Oriente, a percussão vocal cubana ou os sons fonéticos africanos. Uma experimentação global em diálogo com géneros contemporâneos como a dub, a beat box ou a electrónica. Estéticas que ampliam a gama de timbres orgânicos desta “orquestra de roda” que convida o público a explorar também as sonoridades tribais produzidas pelo “sintetizador humano”, fonte ilimitada de sons.

"Papa U Mama", Fufü-Ai (Espanha) - rock, french pop
Despedimo-nos com os catalães Fufü-Ai e o tema “Papa U Mama”, extraído do seu segundo álbum “For Ever”, gravado no verão de 2007. Trabalho onde a pop sensual e ingénua do primeiro disco “Petite Fleur”, lançado no ano anterior, se alarga ao reggae, à bossa nova, ao rock e ao punk. Propostas mestiças que partem do ambiente multicultural do El Raval, o conhecido bairro da Ciutat Vella de Barcelona, num french touch que fica completo com letras em francês, castelhano ou inglês. Em 2004, a vocalista Anouk Chauvet (Color Humano) reencontrou-se com o guitarrista e produtor Tomas Arroyos "Tomasin" (Les Casse-Pieds, La Kinky Beat, Mano Negra, Color Humano, Dusminguet), numa primeira versão acústica de Fufü-Ai, formação a que hoje se juntam a teclista Laia (Brazuca Matraca), o baixista Fernando "dinky" e o baterista Óscar. O projecto da capital catalã conta ainda com as colaborações pontuais de músicos como Yacine (Nour), Miryam ‘Matahary’ (La Kinky Beat), Joan Garriga (La Troba Kung-Fu), Sandro (Macaco), Stefarmo ou Baba (Black Baudelaire).

Jorge Costa

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Emissão #52 - 17 Novembro 2007

A 52ª emissão do MULTIPISTAS - MÚSICAS DO MUNDO, difundida no sábado, 17 de Novembro, entre as 17 e as 18 horas, na Rádio Urbana (Castelo Branco - 97.5 FM; Fundão, Covilhã e Guarda - 100.8 FM), vai de novo para o ar na quarta-feira, 21 de Novembro, entre as 21 e as 22 horas, sendo reposta três semanas depois (8 e 12 de Dezembro) nos horários atrás indicados.

"Ostinato & Romanian Dance", Taraf de Haïdouks (Roménia) - gypsy music
Os Taraf de Haïdouks a abrirem mais uma emissão com a “Ostinato & Romanian Dance”, tema original de Béla Bártok e que inaugura “Maškaradă”, trabalho inventivo e enérgico, lançado este ano. Neste álbum, onde é convidada Virginica Dumitru, os Taraf de Haïdouks apresentam temas próprios e versões de clássicos do início do século XX. Entre os compositores que serviram de base a este disco estão os húngaros Béla Bártok e Joseph Kosma, o arménio Aram Khachaturian, os espanhóis Isaac Albéniz e Manuel de Falla ou o inglês Albert Ketèlbey, eles próprios influenciados pelo folclore balcânico e pela tradição cigana. Os Taraf de Haïdouks ("banda de bandidos") são originários de Clejani, cidade localizada a sudoeste de Bucareste, na Roménia. Esta dezena de instrumentistas e cantores, em que convivem quatro gerações de lăutari (músicos), foi descoberta em 1990 por dois jovens músicos belgas que se apaixonaram pela sua sonoridade e decidiram dá-los a conhecer ao mundo. A música dos Taraf de Haïdouks, que varia entre as baladas e as danças, é uma mistura de estilos locais, representando na perfeição a riqueza da folk romena.

"The Stride Set",
Solas (EUA) - celtic, irish folk
As músicas do mundo prosseguem com os Solas (termo que em gaélico significa “luz”). Eles trazem-nos "The Stride Set", um agrupamento de temas (“The Stride”, “Tom Doherty's”, “The Contradiction” e “Viva Galicia”), extraído do terceiro álbum da banda, “The Words That Remain”, editado em 1998. Uma visão contemporânea da folk irlandesa e dos sons tradicionais celtas, a que o quinteto de Nova Iorque, formado em 1996, adiciona elementos da música country, do blues, do bluegrass, do jazz, bem como outros ritmos globais. Apesar de americanos, o virtuosismo e a versatilidade dos Solas fá-los levar a música tradicional irlandesa para além dos típicos jigs e reels. São arranjos imaginativos de melodias e danças do velho continente, mas também composições próprias do grupo, formado por Seamus Egan, Winifred Horan, Mick McAuley, Deirdre Scanlan e Eamon McElholm. Neste trabalho, onde são convidados o mestre do banjo canadiano Bela Fleck e a vocalista Iris de Ment, os Solas apimentam a folk irlandesa com instrumentação menos convencional. À flauta, gaita, whistle, bodhrán, acordeão, guitarra, banjo, bandolim, violino e concertina juntam-se então a guitarra eléctrica, os teclados e o sintetizador.

"Boy In The Boat ", Lúnasa (Irlanda) - celtic
Os Lúnasa apresentam-nos o medley “Boy In The Boat” (integra “The Ballivanich Reel”, “The Boy in the Boat” e “The Stone of Destiny”), retirado do disco “Sé” (em irlandês lê-se ‘shay’), lançado em 2006. Trabalho onde Trevor Hutchinson, Paul Meehan, Seán Smyth, Kevin Krawford e Cillian Vallely contam com as colaborações dos guitarristas Tim Edey, do teclista Pat Fitzpatrick e do trombonista Karl Ronan. Na Irlanda, ainda hoje o mês de Agosto é conhecido por Lúnasa – o termo original era Lughnasadh –, uma alusão ao antigo festival celta outrora realizado no primeiro dia de Outono em honra do deus irlandês Lugh, patrono das artes. Este quinteto instrumental, criado em 1997, contraria a tendência de fundir a música tradicional com o rock, a pop ou a música electrónica. Para os Lúnasa, a renovação celta passa antes pela tradição, embora eles não fechem portas a novas sonoridad
es. Inspirados pela The Bothy Band, referência dos anos de 1970, os novos deuses da música irlandesa juntam o violino, a flauta e a gaita irlandesa, o whistle, o contra-baixo e a guitarra acústica, explorando também as raízes bretãs e galegas. Graças aos arranjos inventivos e ao seu som enérgico, influenciado pelo jazz, blues, rock e country, os Lúnasa abriram um novo caminho para a música tradicional irlandesa.

"Jidka", Saba (Somália) - afropop
A jornada continua com Saba e o tema "Jidka" (A Linha), extraído do álbum do mesmo nome, editado este ano. Termo que se refere ao lado mestiço da cantora, a qual cruza a cultura africana com a europeia. Nascida em Mogadíscio, capital da Somália, durante o regime repressivo do general Muhammad Siyad Barre, Saba é filha de pai italiano e de mãe etíope. Com os italianos permanentemente sob suspeita e o conflito com a Etiópia na região de Ogaden, a família foi então obrigada a exilar-se em Itália. Neste trabalho de estreia, a jovem mistura guitarras acústicas, koras e djembés com batidas tradicionais africanas e percussão contemporânea, recordando canções de infância e temas compostos com a própria mãe (recorde-se que ela começou por cantar e dançar com a irmã para entreter os vizinhos, em Addis Abeba). Saba, que tem trabalhado com autores somalianos como Cristina Ubax Alì Farah e Igiaba Scego, serve-se do dialecto somali de Xamar Weuyne, onde abundam as palavras em inglês e italiano, herança dos tempos coloniais. Nesta aproximação entre culturas, ela conta com as participações do guitarrista e percussionista camaronês Tatè Nsongan, do griot senegalês Lao Kouyatè e da voz de Felix Moungara, orginária do Gabão.

"Mini Kusuto", Colombiafrica - The Mystic Orchestra (Colômbia, Congo, Nigéria, Bolívia) - champeta, afrobeat, soukous, highlife
A Colombiafrica – The Mystic Orchestra estreia-se no programa com “Mini Kusuto”, tema retirado do álbum “Voodoo Love Inna Champeta Land”, lançado este ano. Depois de séculos de colonização, Colômbia e África juntam-se finalmente através da champeta criolla, o primeiro género afro-colombiano contemporâneo. São versões locais de ritmos africanos como o soukous congolês, o highlife ganês, a afro-beat nigeriana ou o sul-africano mbaqanga, que se misturam com a cumbia, o bullerengue, a chalupa, o lumbalú (canção funerária) e outros estilos caribenhos, num diálogo permanente entre as percussões, as guitarras e as vozes. Neste trabalho, as estrelas da champeta Viviano Torres, Luís Towers e Justo Valdez, originários da cidade de San Basilio de Palenque, juntamente com o produtor Lucas Silva (“Champeta-Man Original”), devolvem a África os ritmos afro-colombianos. Uma jornada em que contam com talentos oriundos do Congo, Guiné, Angola e Camarões, tais como Dally Kimoko, Diblo Dibala, Nyboma, Sékou Diabaté, Rigo Star, Bopol Mansiamina, Caien Madoka, Ocean, 3615 Code Niawu, Hadya Kouyate, Son Palenque, Las Alegres Ambulancias, Batata e Guy Bilong.

"Mesechina", Dragan Dautovski Quartet (Macedónia) - macedonian folk
Segue-se o Dragan Dautovski Quartet com “Mesechina”, tema retirado do álbum “Patot Na Sonceto” (O Caminho do Sol), lançado em 2001. Para além de Dragan Dautovski, fazem parte desta formação Aleksandra Popovska, Ratko Dautovski e Bajsa Arifovska. Ao longo das últimas três décadas, o artista tem trabalhado com mais de vinte instrumentos tradicionais da Macedónia e composto para diversos vocalistas e orquestras. Neste quarteto, destacam-se a gajda (gaita-de-foles dos Balcãs), a kaval (pequena flauta diatónica), a zurla (espécie de oboé, comum na Macedónia e nos países dos Balcãs), o tapan (tambor duplo comum nos Balcãs e originário da Turquia, onde é conhecido por davul) e a tambura (versão balcânica do alaúde indiano, com cordas dedilhadas e braço sem trastos). Professor de música tradicional em Skopje, a capital daquele território, Dautovski é o único flautista neolítico do planeta. Tudo porque foi o primeiro a estudar uma ocarina com cerca de seis mil anos, encontrada perto da cidade de Veles. Um instrumento de sopro de forma oval, feito de porcelana, terracota ou pedra, e que é um dos mais antigos do mundo. Em 1992, o compositor formou o ensemble tradicional Mile Kolarovski, com que tem tocado e feito várias gravações para a radiotelevisão macedónia, e três anos depois o DD Synthesis, projecto cujo objectivo é o de explorar em profundidade a folk daquele país.

"Min Perimenis Pia", Glykeria (Grécia) - greek music, rock, pop
Segue-se Glykeria, que nos traz “Min Perimenis Pia”, tema extraído do álbum “15 Greek Classics”, editado em 1998. Nascida em Agio Pnevma, na Macedónia grega, Glykeria Kotsoula é conhecida pela interpretação de canções da música rebética. Ela apresenta-nos uma amostra da dança do ventre, género popular na Grécia, onde é conhecido por tsifteteli, e que ali recebeu a influência da herança cigana e dos gregos regressados da Turquia aquando a independência daquele território. Glykeria começou por trabalhar em clubes de noite tradicionais de Plaka, no centro de Atenas, até que em 1978 o compositor Apóstolos Kaldaras a convidou a interpretar uma selecção de temas. Hoje são quase três dezenas de discos, cantados em 14 línguas, entre elas o sérvio, o hebreu, o turco, o inglês, o francês, o italiano, o espanhol e o japonês. O estilo profundo e melancólico de Glykeria cativou também os corações dos israelitas. Em 1998, ela foi a única artista estrangeira a marcar presença em Tel Aviv numa homenagem a Yitzhak Rabin, cantando diante de 200 mil pessoas. Ao longo dos anos têm vindo a somar-se as colaborações com outros artistas, entre eles Natacha Atlas, Omar Faruk Tekbilek, Loukianos Kilaidonis, Mary Linda, Sotiria Bellou, George Dalaras, Ofra Haza, Ricky Gal, Chava Alberstein, Amal Markus, Paschalis Terzis, Ilias Aslanoglou, Antino Vardis e Sarit Hadad.

"Desde Cuba Hasta Afghanistan", Bakú (Porto Rico) - salsa, flamenco, pop, rock
A emissão chega ao fim com os Bakú e o tema “Desde Cuba Hasta Afganistán”, extraído do álbum “Somos”, editado em 2006. Uma faixa que fala de alguém de tal forma obcecado, que seria capaz de se converter ao Islão para conquistar o coração de uma moura. Depois de terem trabalhado juntos durante cerca de cinco anos noutro projecto, em 2006 Farrel, Dabí Marrero, Martín Cerame, "Joey" González e Davo Ayala decidiram formar um novo grupo. Este quinteto porto-riquenho, que foi buscar o nome a uma árvore de madeira extremamente dura, mistura a música afro-caribenha, a salsa clássica, o cubano son montuno, o flamenco e a música do Médio Oriente com o funk, a pop e o rock latinos. Para criarem um repertório único e dinâmico, os Bakú servem-se de uma secção de metais (trompete, saxofone e trombone) e de uma secção rítmica que inclui a bateria, os timbales, as congas, os tambores e o cajón. A instrumentação fica completa com as guitarras acústica e eléctrica, o baixo e os teclados, havendo lugar ainda para a sitar e as gaitas de foles.

Jorge Costa