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sexta-feira, 2 de maio de 2008

Emissão #64 - 3 Maio 2008

A 64ª emissão do MULTIPISTAS - MÚSICAS DO MUNDO, difundida no sábado, 3 de Maio, entre as 17 e as 18 horas, na Rádio Urbana (Castelo Branco - 97.5 FM; Fundão, Covilhã e Guarda - 100.8 FM), vai de novo para o ar na quarta-feira, 7 de Maio, entre as 21 e as 22 horas, sendo reposta três semanas depois (24 e 28 de Maio) nos horários atrás indicados.

"Return to Irishmore", Bill Douglas (Canadá) - new age, celtic, jazz
O canadiano Bill Douglas inaugura mais uma emissão com “Return to Irishmore”, parte integrante do álbum “Deep Peace”, editado em 1996. Um conjunto de composições clássicas modernas que se combinam com a melódica folk britânica e com a tradição coral renascentista. A inspiração na paisagem sonora celta da Irlanda, Escócia e Inglaterra serve de base à música com que Bill Douglas expressa o seu amor pela poesia de William Butler Yeats, Robert Burns, William Blake ou Alfred Graves. Versos cujo lirismo é transposto para versões instrumentais, tocadas por orquestras e grupos de câmara de todo o mundo, e corais levadas a cabo, por exemplo, com o grupo a cappella americano Ars Nova Singers. Uma new age fortemente ligada à música clássica e ao jazz, mas onde se encontram as influências da música africana, indiana ou brasileira. Ao longo de três décadas, o compositor e multinstrumentista, nascido em London, na província de Ontário, tocou na Orquestra Sinfónica de Toronto, tendo colaborado com músicos como Richard Stoltzman, Peter Serkin, Gary Burton ou Eddie Gomez. Bill Douglas estudou nas universidades de Toronto e Yale, trocando mais tarde a Academia de Artes da Califórnia pelo ex-Instituto de Naropa, no Colorado, estado americano onde vive e desenvolveu um interesse mais abrangente pela música do mundo.


"Baile do Escangalhado", Mandrágora (Portugal) - folk, jazz, rock
As músicas do mundo prosseguem com os Mandrágora e o "Baile do Escangalhado", tema extraído seu segundo álbum “Escarpa”, lançado este mês de Maio. Trabalho onde participam Simone Bottaso (acordeão diatónico), Matteo Dorigo (sanfona), Francisco Madeira (voz e guitarra) e Helena Silva (voz). Depois de explorarem as raízes da folk através das flautas e gaitas-de-foles, neste seu novo disco os Mandrágora (segundo a crença popular, a Mandrágora, uma planta afrodisíaca com uma raiz de odor forte e forma humana, grita quando é arrancada da terra) seguem um caminho mais urbano, adicionando-lhe amostras de jazz e rock. São músicas rápidas, recheadas de improviso e percussão, a que se juntam os arranjos de guitarra, baixo e saxofone, e instrumentos de arco como o violoncelo, a moraharpa e a sua predecessora nyckelharpa, ambas referências tradicionais da Suécia. As composições deste colectivo do Porto, formado em 1999 e de que hoje fazem parte Filipa Santos, Ricardo Lopes, Pedro Viana, Sérgio Calisto e João Serrador, evocam a tradição musical portuguesa, procurando influências noutras culturas e na música moderna. Depois de uma tournée pela Bretanha, em Maio segue-se uma digressão dos Mandrágora pelos bairros do Porto. Os concertos de lançamento do novo álbum repartem-se pelos auditórios do Instituto Superior de Engenharia (dia 9), de Aldoar (dia 10), da Pasteleira (dia 16) e de Campanhã (dia 17).

"Alvor Bencanta", Júlio Pereira (Portugal) - folk, acoustic, fusion
Júlio Pereira de regresso ao programa, desta feita com “Alvor Bencanta”, tema retirado do álbum “Geografias”, editado em 2007. Um conjunto de inéditos instrumentais baseados em memórias de viagens e experimentações sonoras, resultado da combinação entre bandolim, guitarra portuguesa, viola braguesa, bouzouki e sintetizadores. Depois de muitos anos ligado ao cavaquinho, Júlio Pereira volta-se agora para outro cordofone pequeno, o bandolim, instrumento que o acompanha desde a infância. São sons tradicionais portugueses à mistura com ritmos africanos e orientais, num trabalho que conta com as vozes de Sara Tavares, Isabel Dias (grupo minhoto Raízes) e Marisa Pinto (Donna Maria), bem como Miguel Veras na viola acústica e guitarra e Bernardo Couto na guitarra portuguesa. Júlio Pereira estreou-se no rock com grupos como os Petrus Castrus e os Xarhanga. Da inovação musical dos anos 60/70, à revitalização dos instrumentos tradicionais, a partir dos anos 80/90 Júlio Pereira associou-os a soluções acústicas contemporâneas. Ao longo de mais de três décadas de carreira, o multi-instrumentista, compositor e produtor tem colaborado com músicos como Carlos do Carmo, Amélia Muge, Pedro Burmester, Eugénia Melo e Castro, Zeca e João Afonso, José Mário Branco, Jorge Palma, Janita Salomé ou Fausto, bem como os The Chieftains, Pete Seeger, Kepa Junkera, Xosé Manuel Budiño, Uxia ou Na Lúa. Entretanto, o músico continua na estrada: a 18 de Maio, Júlio Pereira estará na Casa da Música do Porto.

"Tus Huellas", Colombiafrica - The Mystic Orchestra (Colômbia, Congo, Nigéria, Bolívia) - champeta, afrobeat, soukous, highlife
A jornada continua com os Colombiafrica The Mystic Orchestra e “Tus Huellas”, tema extraído do álbum “Voodoo Love Inna Champeta Land”, lançado em 2007. Depois de séculos de colonização, Colômbia e África juntam-se finalmente através da champeta criolla, o primeiro género afro-colombiano contemporâneo. São versões locais de ritmos africanos como o soukous congolês, o highlife ganês, a afro-beat nigeriana ou o sul-africano mbaqanga, que se misturam com a cumbia, o bullerengue, a chalupa, o lumbalú (canção funerária) e outros estilos caribenhos, num diálogo permanente entre as percussões, as guitarras e as vozes. Neste trabalho, as estrelas da champeta Viviano Torres, Luís Towers e Justo Valdez, originários da cidade de San Basilio de Palenque, juntamente com o produtor Lucas Silva (“Champeta-Man Original”), devolvem a África os ritmos afro-colombianos. Uma jornada em que contam com talentos oriundos do Congo, Guiné, Angola e Camarões, tais como Dally Kimoko, Diblo Dibala, Nyboma, Sékou Diabaté, Rigo Star, Bopol Mansiamina, Caien Madoka, Ocean, 3615 Code Niawu, Hadya Kouyate, Son Palenque, Las Alegres Ambulancias, Batata e Guy Bilong.

"Moussoulou", Onsulade (EUA) vs. Salif Keita (Mali) - afropop, mandingo
Salif Keita apresenta-nos o tema "Moussoulou", numa versão remisturada pelo músico e compositor americano Onsulade, extraída do álbum “Remixes From Moffou”, editado em 2004. Trabalho onde diversos DJ’s e produtores como Frédéric Galliano, Gekko, Ark, Cabanne, Tim Paris, The Boldz, Luciano, La Funk Mob, Charles Webster, Doctor L, Cyril K ou Paul St Hilaire adaptam a música da voz de ouro do Mali aos cânones da electrónica, acrescentando-lhes novos instrumentos e atmosferas sonoras influenciadas pelo funk, house, dub e drum’n bass. Salif Keita começou a sua carreira nos anos 60 na Rail Band e nos Ambassadeurs. Com a sua aproximação ao rock, ao jazz, à soul, à chanson française ou aos ritmos afro-cubanos, o músico inaugurava o conceito de afropop. Em 2002, com “Moffou”, inicia uma nova carreira, antecipando o renascimento da música tradicional mandingo e dos seus principais instrumentos, como a ngoni (uma espécie de guitarra mourisca), o balafon (um xilofone ancestral) ou o calabash (um instrumento de percussão). Um longo percurso que teve como pontos altos a passagem por Abdijan, Nova Iorque e Paris.


"Benvinguts", Cheb Balowski (Espanha) - pachanga, raï, gnawa, rock
Seguem-se os Cheb Balowski com “Benvinguts”, tema extraído do álbum “Bartzeloona”, primeiro trabalho do grupo, editado em 2001. A designação da banda resulta da junção dos termos Cheb ("o jovem", em árabe), complemento habitual nos nomes dos cantores de raï argelinos, e Balowski (em polaco, o verbo balować significa "divertir-se bailando"), apelido do emigrante de Leste interpretado por Alexei Sayle na série de televisão inglesa “The Young Ones”. Formados em 2000 em Barcelona, depois de uma infância comum no bairro de Raval, os Cheb Balowski integram uma dezena de músicos - eles são Yacine Belahcene Benet, Isabel Vinardell Fleck, Marc Llobera Escorsa, Santi Eizaguirre Anglada, Jordi Marfà Vives, Daniel Pitarch Fernández, Jordi Ferrer Savall e Arnau Oliveres Künzi, Jordí Herreros e Sisu Coromina. Cantando em castelhano, catalão, francês e árabe, eles cruzam a música catalã e a cultura mediterrânica com a energia do raï, do gnawa, do reggae e do rock. Um ambiente festivo, que vai do flamenco e da pachanga aos ritmos balcânicos, árabes, africanos e mediterrânicos, assente na sonoridade de violinos, saxofones, trompetes, piano, bateria, acordeão, guitarra, baixo e todo o tipo de percussões.

"Huxi", Mercan Dede (Turquia)sufi music, electronic
Mercan Dede, um dos mais importantes artistas turcos, traz-nos o tema “Huxi”, retirado do álbum “Nefes”, lançado em 2006. Radicado em Montreal, no Canadá, Mercan Dede mistura a música tradicional com batidas electrónicas. Ele desenvolve duas carreiras paralelas: como Arkin Allen é um DJ especializado em hard techno; como Mercan Dede mistura a tradição do sufismo com estilos contemporâneos. Com o seu ensemble de músicos turcos e canadianos, fundado em 1998 e formado pelos músicos Mohammad, Farokh Shams e Ben Grossman e pela dançarina Isaiah Sala, Mercan Dede funde as tradições espirituais da música sufi com sons actuais, criando uma mistura única entre o Oriente e o Ocidente. Nas suas actuações, ele utiliza instrumentos de origem turca como a ney (flauta de cana) e a kanun (cítara), e mistura as percussões do Médio Oriente com sons electrónicos, tudo isso enquanto que um dervish dança em palco. No disco “Nefes” (Respiração), o terceiro de uma série de quatro que começou com Nar (Fogo) e continuou com Su (Água), Mercan Dede cria uma fusão que captura a magia do Oriente, os elementos místicos, a instrumentação tradicional e os sons electrónicos.

"Sirena", Fufü-Ai (Espanha) - rock, french pop
Despedimo-nos com os Fufü-Ai, que desta feita nos trazem o tema “Sirena”, retirado do seu segundo álbum “For Ever”, gravado no verão de 2007. Trabalho onde a pop sensual e ingénua do primeiro disco “Petite Fleur”, lançado no ano anterior, se alarga ao reggae, à bossa nova, ao rock e ao punk. Propostas mestiças que partem do ambiente multicultural do El Raval, o conhecido bairro da Ciutat Vella de Barcelona, num french touch que fica completo com letras em francês, castelhano ou inglês. Em 2004, a vocalista Anouk Chauvet (Color Humano) reencontrou-se com o guitarrista e produtor Tomas Arroyos "Tomasin" (Les Casse-Pieds, La Kinky Beat, Mano Negra, Color Humano, Dusminguet), numa primeira versão acústica de Fufü-Ai, formação a que hoje se juntam a teclista Laia (Brazuca Matraca), o baixista Fernando "dinky" e o baterista Óscar. O projecto da capital catalã conta ainda com as colaborações pontuais de músicos como Yacine (Nour), Miryam ‘Matahary’ (La Kinky Beat), Joan Garriga (La Troba Kung-Fu), Sandro (Macaco), Stefarmo ou Baba (Black Baudelaire).

Jorge Costa

sexta-feira, 15 de setembro de 2006

Emissão #26 - 16 Setembro 2006

A 26ª emissão do MULTIPISTAS - MÚSICAS DO MUNDO, difundida no sábado, 16 de Setembro, entre as 17 e as 18 horas, na Rádio Urbana (Castelo Branco - 97.5 FM; Fundão, Covilhã e Guarda - 100.8 FM), vai de novo para o ar na segunda-feira,18 de Setembro, entre as 19 e as 20 horas.

"Jaga Ode [dubtronik]", Alpendub
& The Man Cable (Alemanha, Canadá) - yodel, dub
Os Alpendub e o produtor The Man Caple a abrirem a emissão com uma nova remistura do tema “Jaga Ode”, extraída do álbum “The Rough Guide to Yodel”, trabalho que será lançado em todo o mundo a 25 de Setembro. Para recuperarem a magia da música alpina alemã, eles misturam o yodelling com a dub, cruzamento raro a que chamaram precisamente Alpendub. O yodel, que começou por ser uma espécie de código morse das montanhas, é uma vocalização quase sem texto que se distingue pela quebra acentuada entre duas notas. Ele existe não só na Suiça, Áustria e Alemanha, mas também em certas regiões da Europa, África, Ásia, América e Oceânia, misturando-se hoje com géneros como o hip-hop, o rock, a pop, o reggae, a house e o techno. Tons mágicos que são combinados com a mística de palavras, por tradição nomes pessoais atribuídos a vacas. Os Alpen Dub arrancaram em Berlim, em 2001, com o canadiano The Man Cable, produtor do projecto de cinco músicos, entre eles a actriz Kutzkelina, que começou a cantar yodel aos seis anos. Eles complementam a instrumentação típica com percussões e instrumentos como o banjo alpino e a dulcimer (cordofone índio norte-americano).

"Sátiro",
Gaiteiros de Lisboa (Portugal) - portuguese folk
As músicas do mundo prosseguem com os Gaiteiros de Lisboa, que nos trazem “Sátiro”, tema que dá nome ao seu último álbum, editado em Junho. Cada vez mais voltados para o Mediterrâneo, neste seu quarto trabalho de originais os Gaiteiros de Lisboa abarcam desde os sons de Trás-os-Montes às polifonias alentejanas, passando pelo fado. Nele são convidados Mafalda Arnauth e o violinista Manuel Rocha, da Brigada Vítor Jara. Desde 1991 que os Gaiteiros de Lisboa criam de forma inovadora música tradicional portuguesa, baseando-se nas tradições vocais, nos ritmos do tambor e na sonoridade das gaitas e flautas, que dão à sua música um ar medieval. O experimentalismo deste grupo, que utiliza ainda a sanfona, a trompa, a tarota (oboé catalão) e o clarinete, leva-o a reinventar ou criar instrumentos como os “túbaros de Orpheu” (aerofone múltiplo de palhetas simples), a “cabeçadecompressorofone” (aerofone de percussão) ou o “clarinete acabaçado” (aerofone de palheta simples). Neste trabalho juntam-se-lhes ainda os cordofones, os flautões (aerofones de arestas) e o sanfonocello (sanfona baixo). Um ambiente de festa, recheado de sons desconhecidos e de percussões populares.

"Pandero", L'Ham de Foc
(Espanha) - traditional folk
Os valencianos L’Ham de Foc (Anzol de Fogo) apresentam-nos “Pandero”, tema extraído do seu terceiro e último álbum “Cor de Porc” (Coração de Porco), editado no ano passado. Desde 1998 que os L’Ham de Foc se servem de mais de trinta instrumentos acústicos mediterrânicos – darabuka, bendir, gaitas galega e búlgara, violino, sanfona, saltério, bouzouki, alaúde e cítara são alguns deles – para criarem atmosferas intensas e mágicas. Utilizando uma orquestração tradicional, mas socorrendo-se de uma linguagem actualizada, os L’Ham de Foc entrelaçam a música medieval ocidental, do Médio Oriente ou do Mediterrâneo oriental, num universo de sons africanos, europeus e orientais, criando um conglomerado sonoro que se concentra em redor do Mediterrâneo. As percussões são a base para os textos e melodias modais tecidas pela voz de Mara Aranda, que é acompanhada por instrumentos de corda e sopro, tocados por Efrén López. Contrariando a tendência crescente da folk actual pelos ritmos electrónicos, os L’Ham de Foc confiam na simplicidade do som acústico e na pureza da música medieval. Algo que os tornou uma referência em todo o mundo no que toca à música tradicional.

"Ndima Ndapedza", Oliver 'Tuku' Mtukudzi (Zimbabué) - tuku music
A viagem prossegue com “Oliver ‘Tuku’ Mtukudzi e o tema “Ndima Ndapedza”, extraído do álbum “Tuku Music”, editado em 1999. Figura emblemática da música urbana africana e uma das maiores estrelas do Zimbabué, o cantautor e guitarrista Oliver Mtukudzi criou um género único chamado tuku. Uma aliança dos ritmos da África austral, com influências da mbira, do mbaqanga sul-africano, da zimbabueana jit music, do katekwe, do urban zulu, das percussões dos Korekore, o seu clã, e dos temas tradicionais shona, etnia que corresponde a três quartos da população do Zimbabué. Oliver Mtukudzi começou a sua carreira em 1977 ao juntar-se aos Wagon Wheels, grupo lendário de que também fazia parte o poeta revolucionário Thomas Mapfumo. Foi com músicos desta banda que ele formaria os Black Spirits. Com a independência do seu país, Oliver torna-se produtor e consegue editar dois álbuns por ano – a lista já vai nos 35 trabalhos de originais. Pelo seu carácter inovador e pela voz generosa, a música de Oliver Mtukudzi distingue-se facilmente dos outros estilos do Zimbabué. Um artista popular pela capacidade de abordar os problemas económicos e sociais do seu povo, e de seduzir o público com um humor contagioso e optimista.

"Thandaza", The Soul Brothers (África do Sul) - mbaqanga, soul
Seguem-se os The Soul Brothers e o tema “Thandaza”, extraído do álbum “Amanikiniki”, lançado em 1999. Grupo que é o exemplo supremo das típicas harmonias mbaqanga, próximas do gospel, que durante três décadas dominaram a música urbana sul-africana. Na luta dos jovens africanos contra o Apartheid, a pop tradicional e o mbaqanga deram espaço à música modelada pela soul americana e mais tarde pela disco. O som dos Soul Brothers, banda que melhor encarnou o conceito da soul sul-africana, cativou sobretudo os trabalhadores que então foram obrigados a deixar o campo para procurar trabalho na cidade. Desde a sua formação, em 1974, que eles já gravaram mais de trinta álbuns. A banda foi construída com o baixista Zenzele "Zakes" Mchunu, o percusionista David Masondo e o guitarrista Tuza Mthethwa, que tocaram pela primeira vez juntos nos Groovy Boys em Kwazulu Natal, e mais tarde nos Young Brothers. Em Joanesburgo junta-se-lhes o teclista Moses Ngwenya, enquanto que David Masondo troca as percussões pela voz, surgindo então os Soul Brothers. Da formação original restam apenas Masondo e Ngwenya. Hoje são cinco cantores e três saxofones liderados por Thomas Phale, sendo os Soul Brothers a única banda jive que sobreviveu ao nascimento da disco, a antiga bubblegum que hoje se designa por música kwaito.

"Huo", Mercan Dede (Turquia) - sufi music, electronic
A jornada musical prossegue com Mercan Dede, um dos mais importantes artistas turcos, e o tema “Huo”, extraído do álbum “Nefes”, editado em Junho. Radicado em Montreal, no Canadá, Mercan Dede mistura a música tradicional com batidas electrónicas. Ele desenvolve duas carreiras paralelas: como Arkin Allen é um DJ especializado em hard techno; como Mercan Dede mistura a tradição do sufismo com estilos contemporâneos. Com o seu ensemble de músicos turcos e canadianos, fundado em 1998 e formado pelos músicos Mohammad, Farokh Shams e Ben Grossman e pela dançarina Isaiah Sala, Mercan Dede funde as tradições espirituais da música sufi com sons actuais, criando uma mistura única entre o Oriente e o Ocidente. Nas suas actuações, ele utiliza instrumentos de origem turca como a ney (flauta de cana) e a kanun (cítara), e mistura as percussões do Médio Oriente com sons electrónicos, tudo isso enquanto que um dervish dança em palco. No álbum “Nefes” (Respiração), o terceiro de uma série de quatro que começou com Nar (Fogo) e continuou com Su (Água), Mercan Dede cria uma fusão que captura a magia do Oriente, os elementos místicos, a instrumentação tradicional e os sons electrónicos.

"Ghali Ya Bouy", Smadar Levi (Israel, EUA) - bellydance
Smadar Levi traz-nos “Ghali Ya Bouy”, tema extraído do álbum “Smadar”, editado em 2004. Uma visão diferente da raqs sharki, tradução literal do termo árabe para dança do ventre, que quer dizer “dança do Oriente”. Um género que se popularizou em todo o mundo depois da sua introdução nos Estados Unidos pelas mãos do vaudeville e dos espectáculos burlescos. Filha de pais marroquinos, Smadar Levi cresceu em Israel a ouvir música egípcia e tunisina. A sua música, que combina temas originais e tradicionais, reflecte a diversidade do povo judaico, incorporando tradições israelitas, espanholas, africanas e gregas. Ela canta em hebreu, árabe, grego e ladino, a língua medieval dos judeus em Espanha. Entretanto, depois de ter tocado com músicos ciganos na Roménia, Espanha e Turquia, ela decidiu também misturar a sua música com sons ciganos. Foi em 2000, depois de se ter mudado para os Estados Unidos, que Smadar Levi conheceu o cantor e violinista marroquino Rashid Halihal, com quem formaria um trio. Quatro anos depois formava a sua própria banda, juntando músicos de Israel, Líbano, Turquia, Marrocos e Palestina. Actualmente, Smadar Levi vive em Nova Iorque, onde trabalha com músicos como Uri Sharlin, Emmanuel Mann, um dos melhores baixistas israelitas, e o português Pedro da Silva, que a acompanha com a cítara e a guitarra clássica.

"The Beat Of Love", Trilok Gurtu (Índia) - world, jazz, khylal
A jornada prossegue com Trilok Gurtu e “The Beat of Love”, tema extraído do álbum do mesmo nome, editado em 2001. Gurtu, cujo avô era um conhecido tocador de cítara e a mãe uma estrela do canto clássico, tornou-se conhecido como membro dos Oregon, uma banda de fusão world/jazz. Cinco vezes eleito o melhor percussionista do planeta pela revista “Downbeat”, título ganho pela ponte que criou entre a música do Oriente e Ocidente, Trilok Gurtu mistura ritmos indianos, executados com a tabla, com elementos do jazz, da música de dança, do rock, da música clássica e da música étnica de todo o planeta. Este ano, ele regressou à tradição indiana, apoiado pelos cantores Rajan e Sajan Misra, e apresentando o khylal, espécie de cântico hipnótico. O virtuosismo deste indiano, natural de Bombaim, transformou-o num dos grandes vultos do post-jazz, do jazz de fusão e do avant-garde. Ele tem colaborado com génios da música como Jan Garbarek, Ravi Shankar ou David Gilmour, destacando-se na comunidade jazzística por surgir ao lado de nomes como Don Cherry, John McLaughlin, Joe Zawinul ou Pat Metheny.

"Natacha", Gregori Czerkinsky (França) - french pop, rock
A fechar a emissão o francês Gregori Czerkinsky e o célebre “Natacha”, tema extraído do álbum “Czerkinsky”, editado em 1998. O cantor, nascido em Oran em 1954, foi compositor no grupo Mikado com Pascale Borel, tendo mais tarde enveredado por uma carreira a solo. Um fundamentalista do amor, até porque não é de extranhar que nos seus concertos se abalance sobre alguma rapariga do público, fazendo prova do seu dom de amante infinito e de gigoló, e transpondo para a realidade as palavras que se podem ouvir numa das suas músicas: "Para ser amado é necessário ser amável”. E as suas canções falam precisamente de amabilidade e de amor, sobre diferentes perspectivas, desde a do triunfador à do desgraçado. Um romanticismo radical e algo cínico, num ambiente sonoro que se cruza entre Jay-Jay Johanson e Serge Gainsbourg. São temas recheados de frescura e bom humor, que vão da música clássica, à pop e ao rock, e trazem muitos sonhos à mistura.

Jorge Costa

terça-feira, 5 de setembro de 2006

Emissão #25 - 9 Setembro 2006

A 25ª emissão do MULTIPISTAS - MÚSICAS DO MUNDO, que marca o início de uma nova temporada do programa, é difundida no sábado, 9 de Setembro, entre as 17 e as 18 horas, na Rádio Urbana (Castelo Branco - 97.5 FM; Fundão, Covilhã e Guarda - 100.8 FM), indo de novo para o ar na segunda-feira,11 de Setembro, entre as 19 e as 20 horas.

"Kekko", Kimmo Pohjonen
(Finlândia) - folk-rock, electronic folk
O finlandês Kimmo Pohjonen a abrir a emissão com o tema “Keko”, extraído do álbum “Kluster”, editado em 2002. Com uma carreira de vinte anos, repartida entre a folk, a música clássica e o rock, Kimmo Pohjonen mistura de forma única o acordeão com amostras de som e percussões, levando-o para universos como a dança contemporânea ou o teatro musical. Pohjonen, que nasceu na aldeia de Viiala, começou a tocar acordeão aos oito anos por influência do pai. Na Academia Sibelius, em Helsínquia, foi encorajado a absorver a folk e a misturá-la com outros estilos. Para expandir a sonoridade do fole diatónico, em 1996 Kimmo apresentou-se em palco com um acordeão cromático e com composições originais que integravam samples e loops do islandês Samuli Kosminen, com quem formou o duo Kluster. Mais tarde, a eles juntaram-se Pat Mastrelotto e Trey Jun, dando lugar ao quarteto Kluster TU. Entretanto, Pohjonen tem vindo a colaborar com músicos finlandeses como Heikki Leitinen, Maria Kalaniemi, Pinnin Pojat, Alanko Saatio ou Arto Järvellä. Os sons que este extrai do acordeão, a sua voz, misturam harmonia e ruído. Actualmente mais voltado para o formato acústico, Kimmo Pohjonen mantém no entanto como base as raízes e os cantos populares da Finlândia. Tradição e improviso estão assim unidos, numa busca de novos sons através da música experimental e electrónica.

"Feunteun Wenn", Jacques
Pellen & Celtic Procession (França) - jazz rock, celtic music
As músicas do mundo prosseguem com Jacques Pellen, um dos melhores guitarristas bretões e um talentoso músico de jazz, e o colectivo Celtic Procession. Eles trazem-nos o tema “Feunteun Wenn”, extraído do álbum “Celtic Procession Live – Les Tombées de la Nuit”. Um trabalho gravado em Rennes por doze músicos a propósito do décimo aniversário daquela big band de geometria variável, criada em 1988. Um colectivo que reúne uma dezena de músicos tradicionais bretões e de jazz com a mesma paixão de Jacques Pellen pelo improviso. Com referências tão diferentes quanto o pianista de jazz Keith Jarrett, o compositor clássico Schönberg ou o o guitarrista bretão Dan Ar Braz, eles tentam misturar o jazz com temas e instrumentações de inspiração celta bretã, adicionando-lhes mesmo o rock e sons africanos.

"Hebden Bridge", Kíla (Irlanda) - celtic music, world fusion
Os irlandeses Kíla trazem-nos “Hebden Bridge”, tema extraído do seu sexto álbum “Luna Park”, editado em 2003. O nome deste trabalho refere-se a um parque de diversões que outrora existiu em Coney Island, em Nova Iorque, península onde eles tocaram uma vez. Um exemplo da forma como esta banda, criada em Dublin em 1987, ousou aventurar-se em novos territórios sem no entanto deixar de preservar o essencial da sua identidade e de homenagear os seus antepassados. Ao fundirem ritmos da música tradicional irlandesa e do sul da Europa com sonoridades provenientes de outras paragens, os Kíla conquistaram um lugar próprio no panorama cultural anglo-saxónico, revigorando assim as tradições musicais do seu país e criando um som contemporâneo distinto. Para o conseguirem, eles servem-se de um conjunto eclético de instrumentos, não muito para além dos habitualmente presentes na música celta, mas também de outras referências que vão dos coros do Médio Oriente aos sons africanos. Uma espiral em que dão novas direcções e territórios a uma música ancestral, e no entanto enérgica, a qual parece vir não do passado mas antes de uma Irlanda imaginária.

"Andaina Kau Sudi", Malek Ridzuan (Malásia) - asli, malaysian folk, pop
A viagem prossegue com Malek Ridzuan e o tema “Andainya Kau Sudi”, extraído do álbum “10 Best of The Best”. Veterano da actual cena musical malaia, Malek Ridzuan canta uma mistura de pop e melodias tradicionais da Malásia, tendo na década de 80 enveredado pelo asli, um conhecido género de dança. Um país asiático onde se combinam as influências das vizinhas Indonésia e Tailândia e também do Ocidente, criando uma mistura de culturas e estilos musicais. A existência de quatro grandes etnias na Malásia – malaia, árabe, indiana, chinesa e ocidental – fez igualmente com que a música local se diversificasse em géneros tradicionais e modernos, servindo estes de caminho a muita da pop e música comercial daquele país. Do ghazal (“poema de amor” em árabe) tocado nos casamentos, ao masri, ritmo do Médio Oriente, passando pelos cinco tipos de ritmo de dança: tarian melayu, asli, inang, joget e zapin. Uma mistura incrementada com a chegada a Malaca dos portugueses no início do século XVI, que para aí levaram o violino, o acordeão e a rebana (um membrafone cónico de grandes dimensões), e com a colonização britânica no final do século XIX. Por volta de 1920 aparece então a bangsawan (ópera malaia), cujos músicos começam a modernizar os estilos tradicionais de dança da Malásia.

"Purim Dnigun", Djamo (França) - gypsy music
Atrás no programa Djamo com “Purin Dnigun”, tema extraído do álbum “Chants Tziganes Métissés”. Um ensemble françês que tem como repertório principal os cantos e a música cigana mestiça. Este jovem grupo originário da região de Poitou-Charentes, localizada no centro-oeste de França, leva-nos à descoberta das músicas ciganas e magrebinas. Neste álbum, eles são acompanhados por outros embaixadores dos sons mestiços, entre eles os Dikès e os Opa Tsupa, quinteto acústico que cruza igualmente diferentes influências como o gypsy swing, o jazz, a musette, o rock, o funk, a bossa nova e a chanson française.

"Sauver", Tiken Jah Fakoly (Costa do Marfim) - afropop, mandingo, soukous, african reggae
A jornada prossegue com Tiken Jah Fakoly e o tema “Sauver”, extraído do seu sétimo álbum “Coup de Gueule”, lançado em 2004. Um disco em que Tiken Jah Fakoly segue os caminhos do reggae africano de Alpha Blondy, fazendo uma ponte com a Jamaica, e mergulhando na tradição mandingo sem no entanto deixar de permanecer ligado ao urbano. De etnia malinké, Fakoly é descendente do chefe guerreiro Fakoly Koumba Fakoly Daaba e membro de uma família de griots, tradicionalmente vistos como os depositários da tradição oral de uma família, povo ou país. Neste álbum, o porta-voz da jovem geração da Costa do Marfim, exilado entre Bamako e Paris, ataca os regimes de alguns presidentes africanos, denunciando a injustiça, a corrupção e as desigualidades que todavia subsistem no continente, bem como a hipocrisia das religiões monoteístas. Fakoly apresenta temas em francês e em dioula, a língua da sua etnia e que é falada no norte da Costa do Marfim, na Guiné-Conacri, no Mali e no Burkina-Faso. Um trabalho de novo realizado por Tyrone Downie, e que conta com os ritmos de Sly Dunbar e Robbie Shakespeare, que nos trazem os inconfundíveis sons do balafon, da kora e do ngoni. Outros artistas do mundo ajudam o rebelde tranquilo a alargar a sua música a outros horizontes. Entre eles estão Didier Awadi, dos Positive Black Soul e um dos fundadores do hip-hop senegalês, e os irmãos Amokrane de Zebda e Magyd Cherfi.

"African Convention", Miriam Makeba (África do Sul) - soul jazz, afro-pop
Para já segue-se a sul-africana Miriam Makeba, que nos traz o tema “African Convention”, extraído do álbum “Hits & Highlights”. Ela foi a primeira mulher negra exilada por causa do apartheid e a primeira artista a colocar a música africana no mapa internacional. Miriam, que já gravou mais de 40 discos, cresceu a ouvir Duke Ellington, Billie Holiday e Ella Fitzgerald, sendo hoje capaz de cantar em nove línguas (francês, inglês, arábico, xhosa, kikongo, maninka, fula, nyanja e shona). Exilada por ter aparecido no filme “Come Back Africa”, a imperatriz da música africana passou 31 anos longe do seu país, lutando pelos direitos civis dos negros.
A sua carreira começa na década de 50 nos Cuban Brothers. Miriam torna-se conhecida como vocalista da formação de jazz Manhattan Brothers, juntando-se mais tarde ao grupo vocal feminino Skylarks. Em 1959 o realizador americano Lionel Togosin convida Miriam a apresentar um documentário sobre a África do Sul no festival de Veneza, o que enfureceria as autoridades sul-africanas. Miriam Makeba exila-se então nos Estados Unidos, criando sucessos como “Pata Pata", "The Clique Song" ou "Malaika". O seu casamento com Stokely Carmichael, o líder radical dos Panteras Negras, traz-lhe problemas com as autoridades americanas. Exila-se então na Guiné-Conacri, até que em 1990 Nelson Mandela a convence a regressar ao seu país.

"El Wejda", Mariem Hassan & Leyoad (Saara Ocidental) - haul, sahrawi music
A jornada musical prossegue com o tema “El Wedja”, extraído do álbum “Mariem Hassan com Leyoad”, editado em 2002. Mariem Hassan é uma das figuras máximas da música sarauí e símbolo da luta deste povo pela independência. Compositora, letrista e dona de uma voz excepcional, Mariem canta com uma intensidade dilacerante o amor, a fé e o sofrimento da população do Saara Ocidental, antiga colónia espanhola que em 1975 Marrocos e a Mauritânia dividiram entre si. À semelhança de dezenas de milhares de sarauís, a jovem Mariem Hassan foi então obrigada ao exílio, refugiando-se com a família durante 27 anos na parte mais inóspita do deserto do Saara, no sul da Argélia. A criação de
grupos musicais foi uma forma encontrada por muitos para amenizar a vida dura dos acampamentos. Mariem Hassan, que actualmente vive em Sabadell (Barcelona), colabora há quase três décadas com diversos grupos de música sarauí, cantando na Europa, América e África. Tudo para que o mundo conheça a situação de um povo exilado e de uma artista que anseia poder regressar algum dia em liberdade a Smara, a cidade em que nasceu. Evocando os exilados e os mártires da guerra contra Marrocos, Mariem Hassan canta o haul, um blues do deserto, carregado de electricidade e hipnotismo, acompanhada pela percussão seca do tebal (tambor grande, tocado com as mãos pelas mulheres) e pelo tidinit (um alaúde rústico de quatro cordas, gradualmente substituído pela guitarra eléctrica), e esculpido pelas guitarras eléctricas.

"Hininga", Mercan Dede (Turquia) - sufi music, electronic
Mercan Dede, um dos mais importantes artistas turcos, traz-nos o tema “Hininga”, extraído do álbum “Nefes”, editado no passado mês de Junho. Radicado em Montreal, no Canadá,
Mercan Dede mistura a música tradicional com batidas electrónicas. Ele desenvolve duas carreiras paralelas: como Arkin Allen é um DJ especializado em hard techno; como Mercan Dede mistura a tradição do sufismo com estilos contemporâneos. Com o seu ensemble de músicos turcos e canadianos, fundado em 1998 e formado pelos músicos Mohammad, Farokh Shams e Ben Grossman e pela dançarina Isaiah Sala, Mercan Dede funde as tradições espirituais da música sufi com sons actuais, criando uma mistura única entre o Oriente e o Ocidente. Nas suas actuações, ele utiliza instrumentos de origem turca como a ney (flauta de cana) e a kanun (cítara), e mistura as percussões do Médio Oriente com sons electrónicos, tudo isso enquanto que um dervish dança em palco. No álbum “Nefes” (Respiração), o terceiro de uma série de quatro que começou com Nar (Fogo) e continuou com Su (Água), Mercan Dede cria uma fusão que captura a magia do Oriente, os elementos místicos, a instrumentação tradicional e os sons electrónicos.

"El Duende Orgánico", Solar Sides (Espanha) - flamenco nuevo
A fechar o programa os espanhóis Solar Sides e o tema “El Duende Orgánico”, extraído do álbum “Ibiza Chill & Deep Collection”. Formados por Tomi del Castillo e Esteban Lucci, os Solar Sides provam que em Ibiza também há lugar para o flamenco, um género que materializa a alma cigana na Andaluzia. Mas nas últimas décadas este tem vindo a regenerar-se. É que hoje é habitual fundir-se a estrutura básica do flamenco com o rock e a música electrónica, algo a que se convencionou chamar de nuevo flamenco. E é precisamente isso que os Solar Side fazem, já que mantêm uma inteligente mistura de elementos jazz e funky no seu groove electroacústico, apelando tanto aos fãs do acid jazz como aos aficionados do deep-house dance.

Jorge Costa