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quinta-feira, 10 de agosto de 2006

Emissão #21 - 12 Agosto 2006

A 21ª emissão do MULTIPISTAS - MÚSICAS DO MUNDO, difundida no sábado, 12 de Agosto, entre as 17 e as 18 horas, na Rádio Urbana (Castelo Branco - 97.5 FM; Fundão, Covilhã e Guarda - 100.8 FM), vai de novo para o ar na segunda-feira, 14 de Agosto, entre as 19 e as 20 horas.

Uma edição em que se destaca a rubrica Caixa de Ritmos, numa emissão especial, feita de poucas palavras, e inteiramente dedicada aos melhores temas que passaram nas últimas dez emissões deste programa. Eis a listagem do melhor dos melhores temas do MULTIPISTAS - MÚSICAS DO MUNDO:

"Jani El Hob", Cheikha Rimitti (Argélia) - raï, châabi, gnawa music

"Ilham", Souad Massi (Argélia) - argelian folk, chaâbi

"We Were Gonna", Dengue Fever (Cambodja, EUA) - khmer rock, cambodian folk, pop

"Nafiya", Mory Kanté (Guiné-Conacri) - afropop, kora music

"La Realité", Amadou & Mariam (Mali) - afro pop blues

"Domingo Ferreiro", Luar Na Lubre (Espanha) - celtic folk

"Galicia", Urban Trad (Bélgica) - techno folk

"Kamppi", Maria Kalaniemi & Aldargaz (Finlândia) - finnish folk, jazz, rock, pop

"Tuulilta Tuleva", Värttinä (Finlândia) - traditional finnish folk/suomirock

"Pena", Šaban Bajramović (Sérvia) - gypsy music

"Listopad", Haydamaky (Ucrânia) - carpathian ska, ukranian dub machine, hutzul punk

"Venus Nabalera", Mau Mau (Itália) - folk-rock, latin rock

(os dados sobre estes temas podem ser encontrados nos textos das emissões em que foram emitidos)

Jorge Costa

sábado, 10 de junho de 2006

Emissão #12 - 10 Junho 2006

A 12ª emissão do MULTIPISTAS - MÚSICAS DO MUNDO, difundida no sábado, 10 de Junho, entre as 17 e as 18 horas, na Rádio Urbana (Castelo Branco - 97.5 FM; Fundão, Covilhã e Guarda - 100.8 FM), vai de novo para o ar na segunda-feira, 12 de Junho, entre as 19 e as 20 horas.

"La Realité", Amadou & Mariam (Mali) - afro pop blues
A dupla Amadou & Mariam traz-nos os sons do Mali com o tema “La Realité”, extraído do álbum “Dimanche a Bamako”. Este trabalho, lançado em França em Novembro de 2004, chegou no verão passado ao segundo lugar das tabelas de vendas, o mais alto posto alguma vez alcançado na Europa por um disco africano. Em todo o mundo “Dimanche a Bamako” já vendeu cerca de meio milhão de cópias. Bem ao género do afro pop blues, e com muita guitarra à mistura, este trabalho está recheado de ritmos africanos, batidas funky, harmonias suaves e pedaços de reggae, jazz, blues e rock. Se nos anos 90 foram os Buena Vista Social Club a trazerem para a ribalta a vibrante world music, agora é a vez deste casal africano. Mariam começou por cantar em casamentos e festivais tradicionais, enquanto que Amadou era guitarrista nos Les Ambassadeurs, uma das mais lendárias bandas africanas. Os dois são invisuais e conheceram-se em 1977 em Bamako, a capital do Mali, fundindo então as suas carreiras. Três anos depois casavam e davam o primeiro concerto juntos.

"M'Be Ddemi", Cheikh Lô (Senegal, Burkina-Faso) - afropop, mbalax
Cheikh Lô apresenta-nos o tema “M’Be Ddemi” (A Rua), extraído do álbum “Bambay Gueej”, editado em 1999. Cheikh Lô vive em Dakar, a capital do Senegal, mas nasceu e cresceu no Burkina-Faso. A sua música constrói-se a partir da pop característica daquela cidade e dos ritmos mbalax, bem ao estilo do conhecido senegalês Youssou N'Dour, que produziu o seu primeiro álbum em 1995. Cheik Lô foi membro da Orchestre Volta Jazz, a qual tocava sucessos cubanos e congoleses, bem como versões pop de músicas tradicionais do Burkina-Faso. Em 1978 mudava-se para o Senegal, onde começa por tocar com várias bandas. A música acústica e eléctrica de Cheik Lô, que fez dele uma estrela no Senegal e na Europa, explora ainda elementos de salsa, rumba congolesa, folk e jazz, bem como impulsos de reggae, soukous e um sabor a Brasil. No album “Bambay Gueej” (Bamba, Oceano de Paz), Cheikh Lô adorna estes elementos com o funk e a soul. De novo uma floresta de percussões, guitarra acústica e sons afro-cubanos.

"We Were Gonna", Dengue Fever (Cambodja, EUA) - khmer rock, cambodian folk, pop
Os Dengue Fever com “We Were Gonna”, um tema extraído do álbum “Escape From Dragon House”, editado em 2005. Nos últimos sessenta anos o rock, com as suas notas de guitarra e percussões, influenciou profundamente numerosos géneros musicais e artistas que o misturaram com híbridos funky de todo o mundo. Foi o que aconteceu com os Dengue Fever, um sexteto de Los Angeles, liderado pela estrela da pop do Cambodja Chhom Nimol. Estes cantam em khmer, juntando os ritmos da pop cambodjana dos anos 60 – altamente influenciada pelo rock americano e pelas primeiras bandas de garagem psicadélicas do vizinho Vietname – com a sua própria panóplia eclética de estilos. A música dos Dengue Fever inclui ecos das bandas sonoras de Bollywood, soul etíope, rhythm & blues americano e folk do Cambodja. São sons locais misturados com rock de todo o planeta.

"Neem", Thierry 'Titi' Robin (França) - indian music, folk, rock
Thierry Robin, mais conhecido por Titi, traz-nos um tema extraído do álbum “Alezane”, editado em 2004. Uma antologia das gravações realizadas ao longo de doze anos por este músico, natural do sul de França, e que abrange 25 anos de composição. O arranjo do tema tradicional Neem remete-nos para o pungi, o instrumento do encantador de serpentes usado no Rajastão, que aqui é tocado por Banwari Baba, tendo como acompanhamento a voz de Saway Nath, um dos mais inventivos cantores da comunidade Kalbeliya daquele estado indiano. Em 1984, Thierry Robin, tocador de guitarra, alaúde árabe e bouzouki, produziu o seu primeiro trabalho com o indiano Hameed Khan. Mais tarde desenvolveria com o cantor bretão Erik Marchand um reportório de composições combinando o estilo de improvisação modal oriental taqsîm com o gwerz, um antigo lamento monofónico. A ligação à moderna folk ocidental surgiria com o Erik Marchand Trio, um mosaico de artistas que vai do norte da Índia à Andaluzia, passando pelos Balcãs. O resultado foi Kali Gadji, um novo grupo cuja orquestração incluía o saxofone, batidas e baixo. Titi Robin mistura então influências ciganas e orientais com rap francês e polirritmos sul-africanos, criando uma barreira entre a música étnica ocidental – feita de misturas de rock e jazz – e as restantes músicas do mundo. Um caminho encorajado por artistas como os cantores de flamenco Fosforito e Chano Lobato, ou o virtuoso tocador de alaúde árabe Munir Bachir.

"Iledeman",
Etran Finatawa (Níger) - wodaabe and touareg music
No tema “Iledeman”, extraído do álbum “Introducing Etran Finatawa”, editado este ano, os Etran Finatawa levam-nos por uma travessia no deserto. Uma música que faz referência a uma famosa duna situada junto à cidade de Tchin-Tabaradene, no noroeste do Níger. Poderosa e hipnótica, a música dos Etran Finatawa combina instrumentos tradicionais e canções polifónicas dos wodaabe e dos tuaregues com arranjos modernos e guitarras eléctricas, criando um som único e inovador que demonstra como nas suas culturas a música continua a ser um meio terapêutico. Em 2004, seis músicos wodaabes e quatro tuaregues juntaram-se para formar esta banda. Os tuaregues e os wodaabe são dois dos grupos étnicos nómadas que vivem na savana do Sahel, no sul do Sáara. Uma região que durante milhares de anos foi ponto de passagem entre os árabes do norte de África e as culturas subsarianas. Enquanto que os wodaabe são nómadas do deserto, conhecidos pelos seus rebanhos e gado; os tuaregues são famosos criadores de camelos, facilmente identificáveis pelas pinturas no rosto. E apesar das suas culturas e línguas serem muito distintas, os Etran Finatawa (As Estrelas da Tradição) ultrapassaram as fronteiras étnicas e o racismo, trabalhando juntos para construírem um futuro melhor para os seus povos. Entretanto, a banda tornou-se famosa no Níger e foi convidada para participar em festivais no Mali e em Marrocos, tendo no ano passado feito uma tournée pela Holanda, Alemanha e Suiça.

"Muiñeira de Chandada", Milladoiro (Espanha) - celtic folk
Os Milladoiro trazem-nos o tema “Muiñeira de Chandada”, extraído do álbum “Castellum Honesti”, editado em 1991. Um trabalho de temas tradicionais galegos, gravado dois anos antes em Dublin, na Irlanda. Em 2005 os oito membros do grupo festejaram os 25 anos de actividade. Durante este período de tempo eles editaram 17 discos, deram mais de mil concertos em todo o mundo e realizaram diversos trabalhos para o cinema, teatro e televisão, tendo tocado lado a lado com músicos como os The Cheiftains, Liam O'Flynn, Oskorri, Fuxan Os Ventos, Susana Seivane ou Emilio Cao. Os Milladoiro representam não só um género musical, mas também a língua e a forma de ser dos galegos (não é por acaso que eles são considerados a voz da terra, a voz que vem mais além da história). A paixão deste grupo pela música e pela Galiza tem como referência o caminho de Santiago, isto porque os milladoiros eram quem guiava os pasos dos peregrinos até Compostela. Os Milladoiro transformam os ritmos e melodias tradicionais da Galiza em música contemporânea sem fazerem concessões à pop ou fusões com géneros similares. A sua música baseia-se nas influências europeias deixadas na região, herança que tem sido transmitida ao longo de várias gerações anónimas de músicos tradicionais. Para além de evitar o cliché celta, a mítica banda galega reivindica os seus ingredientes provençais, centro-europeus e mesmo árabes. Depois de 25 anos a tirarem o pó a cancioneiros e melodias, os Milladoiro continuam a fazer com que as heranças musicais da Galiza não caiam no esquecimento.

"Domingo Ferreiro",
Luar Na Lubre (Espanha) - celtic folk
De novo uma viagem até à Galiza com os embaixadores da folk celta contemporânea. Os Luar Na Lubre, naturais da Corunha, trouxeram-nos o tema “Domingo Ferreiro”, extraído do álbum “Saudade”, editado em 2005. Uma música que tem por base um poema do poeta Raúl González Tuñón, dedicado ao gaiteiro Domingo Ferreiro, o qual também era conhecido por “gaiteiro do Texas”. Com nove trabalhos editados, os Luar na Lubre defendem a cultura, a tradição e a música galegas, sem fecharem portas às influências externas. O grupo é uma presença constante em muitos festivais em Espanha e na Europa, mas a sua aposta centra-se agora na América do Sul, de onde emana a música que integra o seu último álbum. Bieito Romero, Patxi Bermúdez, Xulio Varela e Xan Cerqueiro são os quatro elementos que restam da banda original, criada em 1986 e que dez anos depois saltava para a ribalta internacional com o apadrinhamento de Mike Oldfield no seu disco “Voyager”. Neste seu último trabalho, os Luar na Lubre apresentam a vocalista que os acompanha há ano e meio, a portuguesa Sara Vidal (que já tinha participado no álbum “Paraíso”), em substituição de Rosa Cedrón. Está assim consolidada a intenção do grupo em sublinhar a influência portuguesa para melhor definir a sua identidade galega, neste Portugal além-Minho. Um álbum onde resgatam velhas melodias e harmonias melancólicas. “Saudade” é uma homenagem à Galiza que chegou à América Latina e se fundiu com a cultura daquele continente, sem no entanto deixar de parte as suas raízes celtas. Divididos entre o território celta e a folk festiva, neste trabalho os Luar na Lubre resgatam poemas de García Lorca e de autores galegos da emigração, utilizando-os em temas que falam de nostalgia, do exílio e da saudade.

"Pitbull Terrier", Emir Kusturica & The No Smoking Orchestra (Bósnia Herzegovina) - gypsy technorock
Emir Kusturica e a The No Smoking Orchestra apresentam-nos um tema extraído do álbum “Unza Unza Time”, lançado em 2000. Uma música onde predominam os instrumentos típicos do folclore cigano, mas onde há também espaço para o rock acompanhado da guitarra, do baixo, da balalaica, da tuba, do saxofone, do acordeão e do violino. Nascido em Sarajevo, hoje capital da Bósnia Herzegovina, Emir Kusturica pertence a uma família bósnia muçulmana, mas de origem eslava ortodoxa. Tal como a maioria dos jugoslavos, o seu pai trocou a fé pelo comunismo. Emir, por seu lado, trocou o comunismo pelo cinema, sendo hoje mundialmente conhecido pelas suas curtas e longas-metragens. Em 1986, ele juntava-se à Zabranjeno Pusenje, uma banda polémica, fundada por Nelle Karajic, que seria censurada pelas autoridades depois de Karajic ter feito piadas sobre Tito, o então ditador jugoslavo. Os arranjos do grupo iam do folk progressivo dos Jethro Tull ao punk dos Sex Pistols, mas com a entrada de novos membros e a mudança para Belgrado, a capital da Sérvia, a banda decidiu valorizar a diversificada música dos Balcãs. Em 1994, durante o conflito no país, junta-se ao grupo o jovem Stribor, filho de Emir Kusturica. É então que a formação se fragmenta em duas: uma que mantém o nome original, e outra que adopta a designação inglesa: The No Smoking Orchestra. Além do servo-croata, a orquestra, que em palco é barulhenta, electrizante e desordeira, também usa o alemão e o inglês nas suas canções. Um género de música que Emir Kusturica classifica de “unza unza”, definição tão impronunciável quanto esclarecedora…

"Listopad", Haydamaky (Ucrânia) - carpathian ska, ukranian dub machine, hutzul punk
Os ucranianos Haydamaky, que nos apresentaram o tema “Listopad”, levam-nos pelos caminhos do ska das montanhas dos Cárpatos, do reggae, do punk hutzul e do dub machine, misturando-os com a folk ucraniana. Após o colapso da União Soviética e a independência da Ucrânia, um grupo de estudantes criava a banda Aktus, que rapidamente conquistou um lugar de destaque no underground musical de Kiev. No início do novo século, em honra à rebelião histórica do século XVIII, mudaram o nome para Haydamaky. Para além dos espectáculos que têm feito em toda a Europa de Leste, em 2004 apoiaram a revolução laranja que mobilizou a Ucrânia, tendo um dos seus temas sido muito rodado nas estações de rádio alternativas. No seu terceiro álbum “Ukraine Calling”, editado este ano e em que se dão a conhecer ao ocidente, os Haydamaky combinam raízes ucranianas com standards europeus. E como podemos confirmar neste tema, a sua música é caracterizada por energia turbulenta e por uma montanha russa de melodias.

"Kamppi",
Maria Kalaniemi & Aldargaz (Finlândia) - finnish folk, jazz, rock, pop
A melhor música do mundo vem agora da Filândia com Maria Kalaniemi e os Aldargaz, que nos trazem um tema de dança extraído do álbum “Ahma”, editado em 1999. Esta maestrina do acordeão começou a tocar aos oito anos. Aos 19, depois de gravar um álbum de temas da música tradicional filandesa, junta-se ao programa de música folk da Academia Sibelius, em Helsínquia, onde, para além do acordeão, estuda violino, bandolim, composição e arranjo. No mesmo ano, Maria Kalaniemi apoia a formação do ensemble acústico Niekku, cuja síntese entre a folk e a contemporaneidade os levou para a linha da frente da nova folk filandesa. Já em 1995 funda os Aldargaz, um sexteto de músicos da mesma academia. Adepta da improvisação, Maria Kalaniemi é também membro do colectivo internacional de acordeonistas Accordion Tribe, do grupo de música sueco-filandesa Ramunder e da orquestra de tango UNTO. O seu reportório vai da música clássica às raízes da folk de dança filandesa, passando pelo jazz, rock e pop. Neste álbum, o acordeão de Kalaniemi, instrumento que ela diz ser em simultâneo dinâmico e dinamite, junta-se à guitarra acústica, ao bandolim, ao violino, ao piano, e ainda ao trompete, ao trombone e ao saxofone.

"Amelie On Ice", Lucien N Luciano (Chile) - electronic
Lucien N Luciano fecha o programa com o tema “Amelie On Ice”, uma reinterpretação da banda sonora criada por Yann Tiersen para o filme francês “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”. Lucien N Luciano, cujo verdadeiro nome é Lucien Nicotet, é DJ desde 1993 e produtor desde 1997, sendo um dos pioneiros da cena musical electrónica na América Latina. Para além das actuações ao vivo em rádios e clubes de Santiago do Chile, Luciano tem também marcado presença noutros países da América do Sul, bem como na Alemanha, em Espanha e na Holanda. O músico, que está representado em cinco editoras, vive desde 2000 em Genebra, na Suiça. Nos seus trabalhos, Lucien N Luciano mistura a identidade chilena e suiça, criando uma mística junção de techno profundo e música electrónica, integrando elementos do sul nos ritmos e padrões coloridos no som. Um estilo experimental e espaçoso, cuja marca assenta no groove e no minimalismo.

Jorge Costa

sábado, 13 de maio de 2006

Emissão #8 - 13 Maio 2006

A oitava emissão do MULTIPISTAS - MÚSICAS DO MUNDO, difundida no sábado, 13 de Maio, entre as 17 e as 18 horas, na Rádio Urbana (Castelo Branco - 97.5 FM; Fundão, Covilhã e Guarda - 100.8 FM), vai de novo para o ar na segunda-feira, 15 de Maio, entre as 19 e as 20 horas.

" Citty of Walls",
Paul Mounsey (Escócia) - folktrónica
O escocês Paul Mounsey traz-nos o tema que serve de título ao álbum “City of Walls”, um dos quatro trabalhos que o músico editou enquanto esteve a viver no Brasil. O nome da faixa baseou-se no livro “Cidade de Muros: Crime, Segregação e Cidadania em São Paulo”, de Teresa Caldeira, obra onde a escritora reflecte sobre o estado da sociedade e da democracia brasileiras. Paul Mousey pega então em amostras da música tradicional escocesa, brasileira e nativa americana, combinando-as com o som da guitarra, dos teclados, da gaita de foles e das flautas, adicionando-lhes ainda uma amostra de precursão japonesa e de sonoridades electrónicas.

"Navicularia", Berrogüetto (Espanha) - celtic music
Este grupo galego traz-nos o tema que dá nome ao seu primeiro álbum “Navicularia”, editado em 1996. Este trabalho, em que os Berrogüetto trabalharam lado a lado com músicos como o arménio Jivan Gasparian, o sueco Markus Svensson ou o húngaro Kalman Balogh, foi aclamado pela crítica e ganhou vários prémios internacionais. Os “sete magníficos” dizem ser uma fábrica de ideias em que a música se funde com outras artes na busca de elementos sonoros inovadores.

"Kamoukie", Salif Keita (Mali) - afropop, mandingo
Exímio guitarrista, Salif Keita iniciou a sua carreira nos anos 60 na Rail Band e nos Ambassadeurs. Um longo percurso que teve como pontos altos a passagem por Abdijan, Nova Iorque e Paris. Mas foram precisos trinta e cinco anos até que Salif Keita pudesse gravar um álbum no seu país, o Mali. No álbum “M’Bemba” (Antepassado), este conta com a colaboração de músicos como Mama Sissoko na luth ngoni, ou Toumani Diabaté na kora, duas guitarras tradicionais do Mali. Um trabalho onde Salif Keita invoca a memória do seu glorioso antecessor, o imperador Soundiata Keita, fundador do império Mandingue no século XII. Neste disco, Salif Keita regressa à música tradicional mandingo, cruzando sonoridades como o rock, a soul, a chanson française ou os ritmos afro-cubanos, influências acústicas com que o músico inaugurou o conceito de afro-pop.

"Amassakoul 'N' Ténéré",
Tinariwen (Mali) - touareg music, rock, blues
Este grupo traz-n
os um tema extraído do álbum “Amassakoul” (viajante), editado em 2004 e que pudemos conhecer na emissão anterior. O nascimento dos Tinariwen no final dos anos 70, o primeiro a surgir das areias do deserto do Saara, está ligado à vida errante dos tuaregues, povo nómada descendente dos berberes do norte de África. A música destes artistas, que vagueiam entre a Argélia, o Mali, o Níger e a Líbia, apela ao despertar político das consciências e aborda os problemas do exílio e da repressão. Os Taghreft Tinariwen (o grupo dos desertos) transformaram-se numa lenda viva, isto porque no início dos anos 90 Ibrahim e Keddu, dois dos seus elementos, integravam o grupo de gerrilheiros que atacou um posto militar em Menaka, na fronteira entre o Mali e o Níger, abrindo um novo conflito entre as tropas governamentais do Mali e os separatistas tuaregues do norte. A música deste povo, transposta para a modernidade neste álbum gravado em Bamako, é acompanhada pelo tindé – instrumento de percussão tocado por mulheres –, pela flauta t’zamârt e pela guitarra eléctrica. Na sonoridade rítmica e harmónica dos Tinariwen está também presente a asoüf, solidão característica da poesia cantada pelos tuaregues que, tal como os blues, demonstra um sentimento de desamparo universal.

"Surbajo", Etran Finatawa (Níger) - wodaabe and touareg music
Continuando nesta travessia musical pelo deserto, avançamos agora até ao Níger com os Etran Finatawa, e um tema extraído do álbum “Introducing Etran Finatawa”, editado este ano. Em 2004, seis músicos wodaabes e quatro tuaregues juntaram-se e formaram este grupo. Os tuaregues e os wodaabe são dois dos grupos étnicos nómadas que vivem na savana do Sahel, no sul do Sáara. Durante milhares de anos, aquela região foi um ponto de passagem entre os árabes do norte de África e as culturas sub-sarianas. Enquanto que os wodaabe são conhecidos pelos seus rebanhos e gado, os tuaregues são famosos criadores de camelos. E apesar das suas culturas e línguas serem muito distintas, os Etram Finatawa (As estrelas da tradição) ultrapassaram as fronteiras étnicas e o racismo, trabalhando juntos para construírem um futuro melhor para os seus povos. Eles fundaram o seu estilo, combinando instrumentos tradicionais e canções polifónicas com arranjos modernos e guitarras eléctricas. O resultado é um álbum de rara e poderosa beleza, que demonstra como nas suas culturas a música continua a ser um meio terapêutico. Entretanto, a banda tornou-se famosa no Níger e foi convidada para participar em festivais no Mali e em Marrocos, tendo no ano passado feito uma tournée pela Holanda, Alemanha e Suiça.

"Belibik", Souad Massi (Argélia) - argelian folk, chaâbi, raï
Este tema é um extra extraído do álbum “Deb”, editado em 2003. Considerada a Tracy Chapman do Magreb, Souad Massi trouxe uma nova inspiração folk à música argelina. Desde 1999 que a jovem vive em França. Com a sua guitarra, Souad Massi acompanhou o grupo de flamenco Triana d'Alger e mais tarde a banda argelina de rock Atakor. Durante a vaga da jeel music (a pop oriental), regressa à música country, universo sonoro em que se inspirou, acabando por cruzar os tormentos da música argelina com os prazeres melódicos do Ocidente.


"Bebe Yaourt", Kekele (RD Congo) - soukous, congolese rumba
Os Kekele trazem-nos um tema extraído do álbum “Congo Life”, editado em 2003. Este grupo de veteranos, liderado pelo guitarrista Papa Noel Nono Nedule, é formado por Syran Mbenza, Nyboma e Wuta Mayi, os quais nos anos 80 fizeram parte dos Les Quatre Étoiles, pioneiros do soukous. Juntam-se a eles Bumba Massa and Loko Massengo, intérpretes em várias bandas congoloesas e performers a solo, bem como o guitarrista Rigo Star e o produtor François Bréant. Os Kekele recriam a rumba congolesa dos anos 60, 70 e 80 com tecnologia moderna, dando uma aparência totalmente acústica ao som eléctrico do soukous dos anos 80 e 90. São sons bem ao estilo da cubana charanga, das orquestras de cordas da Martínica e do barroco europeu, que se encaixam nas delicadas e deliciosas melodias congoloesas.

"La Iguana", Lila Downs (México) - cumbia, ranchera, bolero
Lila Downs trouxe-nos um tema extraído do álbum “Tree of Life”, editado em 1999. A cantora nasceu nas montanhas de Sierra Madre, no sul do México, e passou a sua adolescência em Los Angeles, nos Estados Unidos. Começou por cantar canções mariachi aos oito anos de idade, e ainda pensou ser cantora de ópera, o que é fácil de perceber na sua voz. Ainda chegou a estudar voz e antropologia na universidade, mas abandonou tudo quando decidiu “juntar-se ao mundo”. Foi já nos anos 90, quando lhe pediram para traduzir documentos relacionados com as mortes de pessoas que tinham tentado atravessar a fronteira entre o México e os Estados Unidos, que Lila Downs decidiu escrever canções que contassem as suas histórias. Este album inclui várias músicas em náhuatl, zapotec e mixtec – três das mais de 60 línguas indígenas faladas no México –, abarcando o seu reportório também o castelhano e o inglês. Os temas da sua banda abrangem a cumbia e a ranchera mexicana, a valsa, o bolero e composições originais que se aventuram no mundo do rap, jazz e do reggae. Mais recentemente, Lila Downs estreou-se no mundo do cinema. Ela interpreta algumas das suas canções no filme “Frida”, de Salma Hayek, o qual retrata a vida da pintora mexicana Frida Kahlo.

"Quérome salvar", Xosé Manuel Budiño (Espanha) e Lilian Vieira (Brasil) - folk, celtic music
Xosé Manuel Budiño apresenta-nos o seu terceiro álbum “Zume de Terra”, editado em 2004, precisamente o primeiro em que o gaiteiro galego assume integralmente todo o trabalho de composição, arranjo musical, produção e gravação. Um disco de originais, feito com sumo de terra e mel de tradição, onde Budiño tem também como convidados especiais os escoceses Capercaillie e Michael McGoldrick e a portuguesa Sara Tavares. Neste tema, o gaiteiro conta com a participação da brasileira Lilian Vieira, vocalista dos Zuco 103, banda que mistura house com maracatu, drum'n'bass com samba, entre outros ritmos brasileiros e electrónicos, e da qual fazem parte ainda o baterista holandês Stefan Kruger e o teclista alemão Stefan Schmid.

"Ahma", Maria Kalaniemi (Finlândia) - finnish folk, jazz, rock, pop
Maria Kalaniemi traz-nos um tema extraído do álbum do mesmo nome, editado em 1999. Esta maestrina do acordeão começou a tocar aos oito anos. Aos 19, depois de gravar um álbum de temas da música tradicional filandesa, junta-se ao programa de música folk da Academia Sibelius, em Helsínquia, onde, para além do acordeão, estuda violino, bandolim, composição e arranjo. No mesmo ano, Maria Kalaniemi apoia a formação do ensemble acústico Niekku, cuja síntese entre a folk e a contemporaneidade os levou para a linha da frente da nova folk filandesa. Já em 1995 funda os Aldargaz, um sexteto de músicos da mesma academia. Adepta da improvisação, Maria Kalaniemi é também membro do colectivo internacional de acordeonistas Accordion Tribe, do grupo de música sueco-filandesa Ramunder e da orquestra de tango UNTO. O seu reportório vai da música clássica às raízes da folk dance filandesa, passando pelo jazz, rock e pop. No tema “Ahma”, o acordeão de Kalaniemi, instrumento que ela diz ser em simultâneo dinâmico e dinamite, junta-se à guitarra acústica, ao bandolim, ao violino, ao piano, e ainda à trompete, ao trombone e ao saxofone.

"Marcelle et Chrysostome",
Claire Pelletier (Canadá) - celtic music
O tema é extraído do álbum que a canadiana Claire Pelletier gravou ao vivo em Outubro de 2002 no teatro Saint-Denis, em Montreal, no Canadá. Desde muito pequena que a rapariga da voz azul-marinho, baptizada de Claire La Sirène (a sereia) se deixou fascinar pelos contos, lendas e canções tradicionais do Quebeque, província onde 80 por cento da população é de descendência francesa. Aos 24 anos, a jovem trocava o curso de oceanografia pela música, surgindo inicialmente ao lado do grupo Tracadièche. Depois de ter dado a conhecer “Galileo” no Quebeque e na Europa francófona, neste álbum Claire Pelletier, o músico e seu marido Pierre Duchesne e o compositor Marc Chabot misturam as músicas dos álbuns “Murmures d'Histoire” (1996) e “Galileo” (2000), ligando a inspiração medieval, a alma céltica, as melodias tradicionais e as lendas da antiguidade. Um espectáculo em que o duo harmónico combina o piano, o violino, a viola e o contrabaixo com sons électrónicos. Como a vela de um barco, a voz envolvente e suave de Claire Pelletier (ou melhor, de Claire La Sirène) iça-se, estica-se e apoia-se sobre o vento.

Jorge Costa