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quinta-feira, 10 de julho de 2008

Emissão #69 - 12 Julho 2008

A 69ª emissão do MULTIPISTAS - MÚSICAS DO MUNDO, difundida no sábado, 12 de Julho, entre as 17 e as 18 horas, na Rádio Urbana (Castelo Branco - 97.5 FM; Fundão, Covilhã e Guarda - 100.8 FM), vai de novo para o ar na quarta-feira, 16 de Julho, entre as 21 e as 22 horas, sendo reposta três semanas depois (2 e 6 de Agosto) nos horários atrás indicados.

"American Wedding", Gogol Bordello (EUA) - gypsy punk, rock
Os Gogol Bordello inauguram mais uma emissão, desta feita com “American Wedding”, tema onde eles descrevem um casamento americano algo infeliz, onde não há vodka nem arenque marinado. Música retirada do álbum “Super Taranta!”, quarto trabalho do grupo, editado em 2007. Tal como o escritor Nikolai Gogol introduziu a cultura ucraniana na sociedade russa, os Gogol Bordello procuram levar os sons ciganos para a música anglo-saxónica. Surgido em 1998 com o nome de Hutz & The Béla Bartóks, este colectivo de emigrantes oriundos da Ucrânia, Rússia, Israel ou Etiópia, criou o cabaret gypsy punk, amálgama burlesca que eles dizem ser uma espécie de rock n’roll cigano. Tudo começou com o interesse do ucraniano Eugene Hütz pela contracultura musical do ocidente, de Jimi Hendrix aos Sonic Youth, paixão que o fez deixar Kiev e viajar pela Polónia, Hungria, Áustria e Itália. Em 1993, o jovem instalou-se em Nova Iorque, onde começou por remisturar os sons da música cigana dos Balcãs e da Europa de Leste com a dub e o raï argelino. Ritmos frenéticos e festivos a que hoje, com os Gogol Bordello – de que fazem também parte Eliot Ferguson, Oren Kaplan, Sergey Ryabtsev, Yuri Lemeshev, Pamela Racine, Elizabeth Sun e Thomas Gobena -, se juntam o rockabilly ou o ska. O resultado é um punk-rock incendiário, feito da ligação entre violino, acordeão, guitarras acústica e eléctrica, baixo e bateria. Em palco, fala-se de política, religião e sexo, sempre com humor e muita dança à mistura. No currículo, a banda conta com as participações no filme “Everything Is Iluminated” (2005), de Liv Schreiber, e em “Filth & Wisdom” (2008), de Madonna, bem como no projecto J.U.F., em conjunto com os Balkan Beat Box. Se a 10 de Julho não conseguiu ver os Gogol Bordello no Optimus Alive Festival de Lisboa (o concerto foi transmitido em directo pela SIC Radical), em alternativa pode fazê-lo em Agosto nas localidades espanholas de Gijón, nas Astúrias (dia 12), e Vilagarcía de Arousa, na Galiza (dia 14).

"Pasapeanas", Biella Nuei (Espanha) - spanish folk
A viagem pelas músicas do mundo continua com os Biella Nuei e "Pasapeanas", tema extraído do álbum “Sol d’Iberno”, lançado em 2006. Melodia bailada em Gallur, na província de Saragoça, durante a procissão de Santo António de Pádua e de São Pedro. Parte de um trabalho produzido por Juan Alberto Arteche, e que encerra a triologia iniciada com “Las Aves Y Las Flores” (1994) e “Solombra” (1998), abrindo portas a uma fase mais criativa e menos etnocêntrica no percurso deste grupo fundado por Luís Miguel Bajén na década de 1980. Álbum optimista e alegre, onde os Biella Nuei se abrem às percussões das culturas andaluza ou latina, e que conta com a participação de músicos como Eliseo Parra ou La Ronda de Boltaña. Nos primeiros anos, o septeto centrou-se no estudo e divulgação da tradição oral aragonesa, no desenvolvimento de repertório próprio e no fabrico de instrumentos como a gaita de boto, o saltério, o pífaro ou a dulzaina. Hoje permanece a variedade de instrumentos, melodias e ritmos tradicionais religiosos ou pagãos daquela região (jotas, pasacalles, tarantainas ou passeíllos), mas a free folk da banda, mestiçagem étnica sempre ligada aos movimentos sociais (entre eles os neorurais), cruza-se com outras culturas, deixando-se influenciar, entre outros géneros, pelos blues, pela rumba, pela choutiça ou pela soul cubana. Nas suas peregrinações sonoras, os Biella Nuei, que em palco se apresentam ainda com uma formação mais pequena - os Bufacalibos -, têm vindo a tocar com Carlos Núñez, Cristina Pato, Chico Sánchez Ferlosio, Kepa Junkera, Mauricio Martinotti, The Oysterband ou os Gwendal.

"Aguas Vertientes", La Musgaña (Espanha) - spanish folk
No seu regresso ao programa, os La Musgaña trazem-nos “Aguas Vertientes”, tema que faz parte do álbum “Temas Profanos”, editado em 2003. O sexto disco do grupo conta com as colaborações de Carmen Paris, Joaquín Díaz, David Mayoral e Pablo Martín. Em 1986, Enrique Almendros, até então intérprete de música celta, José María Climent e Rafael Martín decidiram formar um grupo centrado na tradição musical da meseta castelhana. Ainda nesse ano, juntaram-se-lhes o flautista Jaime Muñoz e o baixista Carlos Beceiro, únicos elementos que hoje permanecem no quinteto composto ainda por Diego Galaz, Jorge Arribas e Sebastián Rubio. Das melodias de dança às canções de amor, passando pela música para casamentos, os La Musgaña apresentam-nos uma ampla visão musical de uma zona marcada pela herança europeia, africana e mediterrânica. Por entre os temas evocativos destacam-se os ofertórios religiosos, as charradas, ajechaos e charros de Salamanca e Zamora, os bailes corridos de Ávila, os pindongos de Cáceres e as danças, aires e canções de León ou Burgos, ou as jotas, rogativas, dianas e villancicos de Madrid, Segovia e Valladolid. Uma celebração da música tradicional espanhola, à mistura com influências ciganas, mouriscas e celtas, em que os ritmos hipnóticos se constroem com toda uma gama de instrumentos tradicionais (gaita charra, gaita sanabresa, flauta, tamboril, cistro ou sanfona), étnicos (cajón, tar, krakeb, pandeiro iraniano, derbouka, bouzouki, req, sabar, tinajas, bendir ou marímbula) e modernos (clarinete, acordeão diatónico, saxofone soprano, baixo ou violino).

"Ya Rayah", Rachid Taha (Argélia) - chaâbi, raï, rock, punk, techno
A jornada continua com Rachid Taha e "Ya Rayah", original do argelino Dahamane El Harrachi sobre a alienação dos emigrantes, extraído do álbum “Diwan”, lançado em 1998. São arranjos e interpretações de temas magrebinos e árabes, numa homenagem às melodias e canções de músicos da sua infância como Blaoui Houari, estrela argelina da década de 1950, ou Mohamed Mazouni. Clássicos actualizados num trabalho produzido por Steve Hillage. Rachid Taha nasceu na cidade costeira de Oran, na Argélia, mas desde muito cedo que emigrou com a família para França. Alsácia e Vosges foram os primeiros destinos do músico e compositor residente em Paris, cidade onde começou a sua carreira a solo. Em 1981, enquanto vivia em Lyon, Rachid Taha conheceu Mohammed e Moktar Amini. Foi então que os três, juntamente com Djamel Dif e Eric Vaquer, formaram a banda de rock “Carte de Séjour” (“autorização de residência”), nome que se refere à crescente movimentação dos descendentes dos imigrantes argelinos, que na época começavam a reclamar por um maior espaço de intervenção na sociedade francesa. Popular e polémico, Rachid Taha mistura o rock urbano com a música tradicional do Oriente, cantando em árabe. Nas suas influências destacam-se o chaâbi e o raï, géneros que cruzou não só com sons africanos e europeus, mas também com o punk ou o techno. Rachid Taha não deixa ninguém indiferente, já que ao longo de mais de duas décadas se tem batido pela defesa da democracia e da tolerância e pela luta contra o racismo e todas as formas de exclusão, sem esquecer a guerra contra a pobreza, o medo e os fundamentalismos árabes.

"Bèlomi Bènna", Mahmoud Ahmed (Etiópia) - eskeusta, afropop, ethiopian jazz
No seu regresso ao programa, Mahmoud Ahmed apresenta-nos “Bèlomi Bènna”, melancólica canção de amor retirada do álbum “Éthiopiques 7 – Erè Mèla Mèla”, editado em 1999. Um tema com duas partes ("Erè Mèla Mèla" e "Mètché Nèw"), originalmente lançado em 1975, e que integra uma colectânea retrospectiva sobre a obra de diversos cantores e instrumentistas da música popular e tradicional da Etiópia e Eritreia, entre eles Alemayehu Eshete, Asnaketch Worku, Mulatu Astatke e Tilahun Gessesse. Nascido em Adis Abeba, onde ainda vive, Mahmoud Ahmed é um cantor de origem gurage, etnia do sudoeste da capital etíope, conhecida pelas suas danças tradicionais exuberantes. O músico, um dos mais conhecidos representantes do jazz daquele país, estreou-se nos anos 60 no Arizona Club, cantando com a banda do capitão Girma Hadgue. Mais tarde, integrou a banda da Guarda Imperial de Haile Selassie, tendo vindo a colaborar com formações como Roha Band, Musicians Titesh, Dahlack Band ou Idan Raichel Project. Com uma voz multitímbrica, Mahmoud Ahmed é o rei da eskeusta (“êxtase”), género que cruza os ritmos complexos e repetitivos da música tradicional amárica com a pop, o free jazz, a soul, o funk, o rhythm & blues ou a dub. Uma mistura de sabor indiano, acompanhada quase sempre por sons ora eléctricos, ora acústicos, onde é possível encontrar instrumentos como o krar (cordofone de cinco ou seis corda, semelhante à lira, característico da Eritreia e da Etiópia), a guitarra e o bandolim. São canções de amor cujas letras escondem desabafos políticos, imagem de uma carreira feita de persistência quanto baste. Grande parte da extensa discografia do músico foi gravada durante os anos 70, uma actividade interrompida com a repressão política de Mengistu e dos governos seguintes. Há três décadas que a lenda viva da Etiópia não edita um disco de originais, e há quase vinte que não compõe. Contudo, e ainda que pouco conhecido no ocidente, Mahmoud Ahmed e a sua banda tocam ocasionalmente junto dos seus compatriotas exilados na Europa e nos Estados Unidos.

"Johda Mua", Sanna Kurki-Suonio (Finlândia) - finnish folk
Na sua estreia no programa, Sanna Kurki-Suonio traz-nos “Johda Mua” (Leva-me), tema extraído do álbum “Musta” (“negro”, em finlandês, mas também abreviatura de minusta, o que significa "de mim"), seu primeiro trabalho a solo, lançado em 1998. Disco onde a cantora e compositora finlandesa, tocadora de kantele (versão finlandesa do zither, da família da cítara), recupera a tradição vocal do seu país e daquele instrumento, explorando técnicas e estilos modernos e cruzando instrumentação acústica (acordeão, guitarra acústica, guitarra baixo, violoncelo, trompete e percussões) e electrónica (teclados). Produzido por Martyn Ware, produtor de artistas como Tina Turner e Chaka Khan, este álbum reúne as participações de Eicca Toppinen, Pekka Tegelman, Tapio Aaltonen, Seppo Kantonen e Otto Donner. Nascida em 1966, Sanna Kurki-Suonio, que se serve da música para expressar o que não pode ser dito verbalmente, aprendeu a cantar antes de pronunciar as primeiras palavras. Fundadora dos Loituma, quarteto finlandês que combina a tradição vocal daquele país com o kantele, durante quase uma década Sanna acompanhou os suecos Hedningarna, tocando com a banda por todo o mundo e participando em três dos seus trabalhos – “Kaksi” (1992), “Trä” (1994) e “Karelia Visa” (1999). Seguiu-se uma digressão nos Estados Unidos e Europa com o sueco Magnus Stinnerbom, o concerto de celebração dos 150 anos do Kalevala, o épico finlandês, ao lado do baixista Aki Ville Yrjänä, e a participação em trabalhos de músicos noruegueses e finlandeses como Ismo Alanko, Pekka Lehti, Hannu Saha, Transjoik, Frode Fjellheim ou Tellu Turkka. Entretanto, à discografia de Sanna Kurki-Suonio somam-se mais dois discos - “Kainuu” (2004) e “Huria” (2007) –, desta feita com a também tocadora de kantele Riitta Huttunen. Enquanto que o primeiro recupera canções e hinos tradicionais finlandeses da região de Kainuu, o segundo explora a folk da Carélia e apresenta melodias originais, contando com a participação adicional do multinstrumentista Jari Lappalainen.

"Skåne", Hedningarna (Suécia) - swedish folk, ethno-punk
Seguem-se os Hedningarna com “Skåne”, tema que faz parte do álbum “Hippjokk”, editado em 1997. Trabalho onde o ressurgido ensemble musical, agora já sem o canto yoik/juoiggus das finlandesas Sanna Kurki-Suonio e Anita Lehtola, tem por convidados o joiker finlândes Wimme Saari, o guitarrista norueguês Knut Reiersrud, Johan Liljemak, Ola Bäckström e Ulf Ivarsson. Das incursões pelo mundo do rock à pop e ao techno, os Hedningarna (em sueco, hedning significa "pagão") misturam sonoridades contemporâneas com elementos da música tradicional nórdica. Temas que a banda, formada em 1987 e da qual hoje fazem parte Anders Skate Norudde, Hållbus Totte Mattsson, Christian Svensson e Magnus Stinnerbom, reinterpreta de forma livre e inventiva, juntando-lhe ainda percussões acústicas e electrónicas. Para isso, servem-se de antigos instrumentos de vários países do norte da Europa, e não só, como a moraharpa (versão medieval da nyckelharpa, harpa tradicional sueca, semelhante a um violino com teclas), a stråkharpa (lira nórdica de arco), o lagbordun, o hummel (cordofone sueco, da família da cítara e semelhante ao norueguês langeleik), a mandora (cordofone da família do alaúde), o oud (alaúde árabe), a sanfona, a guitarra barroca, a flauta transversal, o violino, a gaita sueca, o acordeão, o didgeridoo e o pandeiro.

"Seeing Hands", Dengue Fever (EUA) - khmer rock, cambodian folk, pop
A viagem chega ao fim com os Dengue Fever, que nos trazem “Seeing Hands”, tema extraído do álbum “Venus On Earth”, lançado este ano. Terceiro trabalho do grupo californiano, feito dos habituais covers de khmer rock (entre os artistas revisitados destacam-se Sinn Sisamouth ou Ros Sereysothea), mas a que agora se juntam os originais e as canções em inglês. Formados pelos irmãos Ethan e Zac Holtzman, os Dengue Fever surgiram em 2001. A inspiração sonora veio de uma viagem feita quatro anos antes ao Cambodja, altura em que um amigo de ambos contraiu a doença tropical que acabaria por baptizar o grupo, encabeçado pela cambodjana Chhom Nimol, e a que se juntam Senon Williams, David Ralicke e Paul Smith. Aqui a única febre é mesmo a da pop e do rock que dominou as rádios e as jukeboxes do Cambodja nos anos 60, sons influenciados pelo rock americano e pelas primeiras bandas de garagem do vizinho Vietname. São versões renovadas do surf e do garage rock psicadélicos, sempre acompanhadas pela guitarra e guitarra baixo, saxofone, órgão electrónico e percussões. Ritmos que o sexteto de Los Angeles cruza com amostras das bandas sonoras de Bollywood, a soul, o funk e o jazz etíopes, o rhythm & blues americano ou a folk cambodjana. O resultado é uma mistura de sons locais com rock de todo o planeta. Retrato patente aliás no documentário “Sleepwalking Through the Mekong”, fruto da primeira visita da banda ao Cambodja, em 2005, numa digressão bem ao estilo dos pioneiros do rock naquele país asiático. Em Agosto, os Dengue Fever vão estar em Portugal, primeiro no Festival Internacional de Música de Viana do Castelo (dia 15) e depois no Festival de Músicas do Mar, na Póvoa do Varzim (dias 21 e 29).

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Emissão #65 - 17 Maio 2008

A 65ª emissão do MULTIPISTAS - MÚSICAS DO MUNDO, difundida no sábado, 17 de Maio, entre as 17 e as 18 horas, na Rádio Urbana (Castelo Branco - 97.5 FM; Fundão, Covilhã e Guarda - 100.8 FM), vai de novo para o ar na quarta-feira, 21 de Maio, entre as 21 e as 22 horas, sendo reposta três semanas depois (7 e 11 de Junho) nos horários atrás indicados.

Um programa especial, onde se destaca a entrevista exclusiva aos Ventos da Líria, quinteto instrumental que liga os ares celtas aos ventos da folk europeia.

"Karavaani Kulkee", Tuomari Nurmio & Alamaailman Vasarat (Finlândia) - progressive folk, punk, rock
Tuomari Nurmio & Alaimaailman Vasarat a abrirem de novo mais uma emissão, desta feita com “Karavaani Kulkee”, tema do álbum conjunto “Kinaporin Kalifaatti”, editado em 2005. Tuomari Nurmio, nome artístico de Hannu Juhani Nurmio, nasceu em Helsínquia e é um dos mais originais cantautores finlandeses. Da música country e dos blues, às reminescências de Tom Waits, são impressões ora românticas, ora humorísticas, que Tuomari (“juíz”, em finlandês, alcunha adoptada desde que este se formou em Direito) combina com expressões peculiares, metáforas e vernáculo quanto baste. Depois do duo de guitarra e bateria com Markku Hillilä, surge agora a colaboração com os Alamaailman Vasarat (Martelos do Submundo) numa mistura que combina melodia, harmonia e ritmo. Criados em 1997 também em Helsínquia por dois membros do grupo de rock progressivo Höyry-Kone - o percussionista Teemu Hänninen e o guitarrista Jarno Sarkula, que então comprou um saxofone soprano -, os Vasarat são um projecto acústico cheio de humor e energia. A banda – a que se juntam Miikka Huttunen, Marko Manninen, Tuukka Helminen e Erno Haukkala - apresenta-se como uma combinação de world music ficcional oriunda do seu próprio continente imaginário, a Vasaraasia, com elementos de heavy metal, jazz e música klezmer. Uma folk progressiva situada algures entre o chamber rock, o ethnic brass punk e o kosher-kebab jazz. São climas sombrios e texturas densas numa original mistura de timbres baseada em instrumentos de sopro (trombone, clarinete e saxofone soprano), no violoncelo, no piano e no órgão, mas também em instrumentos como o didgeridoo e o shenhai (espécie de oboé indiano). Ritmos acelerados e frenéticos a provarem que no rock não são necessárias guitarras eléctricas.

"Prima Donna", Ricardo Lemvo (RD Congo) - salsa, rumba, soukous, afropop
As músicas do mundo prosseguem com Ricardo Lemvo e o tema "Prima Donna", um híbrido festivo extraído do seu quinto e último álbum “Isabela”, lançado em 2007 e baptizado com o nome da própria filha. Trabalho onde o músico, que começou por tocar em bandas de rhythm & blues, prossegue com a habitual mistura de géneros afro-americanos como a salsa cubana, o soukous ou a rumba congolesa, a que se juntam ainda incursões pelo universo do merengue, do boogaloo ou do tango. Um álbum que conta com as participações do guitarrista congolês Papa Noël, do violinista cubano Alfredo de la Fé, dos vocalistas Maria de Barros, Janan Guzey, Wuta Mayi, Nyboma, El Niño Jesús e do rapper Qbanito. Nascido no antigo Zaire, mas de ascendência angolana, Ricardo Lemvo passou toda a sua infância em Kinshasa, hoje capital da República Democrática do Congo. Foi ali que ele se deixou inspirar pelos ritmos e melodias da rumba congolesa e do soukous, fruto da influência da música cubana nas décadas de 1950 e 1960 naquele país. Aos 15 anos, Lemvo mudava-se para Los Angeles, nos Estados Unidos, onde, influenciado pelo vibrante ambiente da salsa, acabaria por trocar o curso de Direito pela música. Depois de ter sido vocalista em várias bandas, em 1990 este fundava os Makina Loca, uma dezena de músicos que combinam a rumba congolesa com o cubano son montuno, ligando as raízes africanas e os sons afro-portugueses aos da diáspora latina. Ricardo Lemvo canta em inglês, francês, castelhano, português, turco, suaíli, lingala e quicongo, uma panóplia de línguas associadas a temas que através do ritmo e da dança celebram a vida, e que, entre outros, são tocados por músicos como o colombiano Joe Arroyo e a cubana Orquestra Reve.

"Dabbaax", Youssou N'Dour (Senegal) - mbalax, afropop
Youssou N’Dour de regresso ao programa, desta feita com “Dabbaax”, tema retirado do álbum “Rokku Mi Rokka” (Apanhar e Levar), editado em 2007. Trabalho onde o mais famoso cantor senegalês se aproxima dos cantos religiosos sufi, das percussões dos griots e dos sons do norte do Senegal, num apelo à paz, tolerância e valorização do continente africano. No final dos anos 70, o autor, intérprete e músico, que aprendeu a cantar com a mãe, formava com o cantor El Hadj Faye os L'Etoile de Dakar, e em 1981 os Le Super Étoile de Dakar. Cruzando os ritmos sincopados do mbalax senegalês com a pop internacional, numa fusão que inclui o jazz, a soul e arranjos afro-cubanos, o “rouxinol de Dakar” depressa cativou o público ocidental sem no entanto abdicar das suas raízes, conquistando o estatuto de embaixador da música africana. Nos seus temas em wolof e inglês, Youssou N’Dour retrata o mundo da pobreza, da emigração ou os valores culturais africanos. Um dos mais conhecidos a nível global é “Seven Seconds”, gravado com Neneh Cherry. Através da música, Youssou N'Dour pretende quebrar o silêncio das crianças que sofrem e abraçar as causas humanitárias. Da fundação com o seu nome aos concertos em benefício da Amnistia Internacional, o embaixador da boa vontade para as Nações Unidas e para a UNICEF tem por isso mesmo colaborado com músicos como Peter Gabriel, Axelle Red, Sting, Alan Stivell, Bran Van 3000, Wyclef Jean, Paul Simon, Bruce Springsteen, Tracy Chapman, Branford Marsalis, Ryuichi Sakamoto ou o camaronês Manu Dibango.

"Ach Adani", Rachid Taha (Argélia) - chaâbi, raï, rock, punk, techno
A jornada continua com Rachid Taha e “Ach Adani”, parte integrante do álbum “Diwan”, lançado em 1998. São arranjos e interpretações de temas magrebinos e árabes, numa homenagem às melodias e canções de músicos da sua infância como Blaoui Houari, estrela argelina da década de 1950, ou Mohamed Mazouni. Clássicos actualizados num trabalho produzido por Steve Hillage. Rachid Taha nasceu na cidade costeira de Oran, na Argélia, mas desde muito cedo que emigrou com a família para França. Alsácia e Vosges foram os primeiros destinos do músico e compositor residente em Paris, cidade onde começou a sua carreira a solo. Em 1981, enquanto vivia em Lyon, Rachid Taha conheceu Mohammed e Moktar Amini. Foi então que os três, juntamente com Djamel Dif e Eric Vaquer, formaram a banda de rock “Carte de Séjour” (“autorização de residência”), nome que se refere à crescente movimentação dos descendentes dos imigrantes argelinos, que na época começavam a reclamar por um maior espaço de intervenção na sociedade francesa. Popular e polémico, Rachid Taha mistura o rock urbano com a música tradicional do Oriente, cantando em árabe. Nas suas influências destacam-se o chaâbi e o raï, géneros que cruzou não só com sons africanos e europeus, mas também com o punk ou o techno. Rachid Taha não deixa ninguém indiferente, já que ao longo de mais de duas décadas se tem batido pela defesa da democracia e da tolerância e pela luta contra o racismo e todas as formas de exclusão, sem esquecer a guerra contra a pobreza, o medo e os fundamentalismos árabes.

"Bèlaya Bèlaya", Mahmoud Ahmed (Etiópia) - eskeusta, afropop, ethiopian jazz
Mahmoud Ahmed estreia-se no programa com “Bèlaya Bèlaya”, tema extraído do álbum “Éthiopiques 19 - Alèmyé”, editado em 2005. Parte de uma colectânea retrospectiva sobre a obra de diversos cantores e instrumentistas da música popular e tradicional da Etiópia e Eritreia, entre eles Alemayehu Eshete, Asnaketch Worku, Mulatu Astatke e Tilahun Gessesse. Nascido em Adis Abeba, onde ainda vive, Mahmoud Ahmed é um cantor de origem gurage, etnia do sudoeste da capital etíope, conhecida pelas suas danças tradicionais exuberantes. O músico estreou-se nos anos 60 no Arizona Club, cantando com a banda do capitão Girma Hadgue. Mais tarde, integrou a banda da Guarda Imperial de Haile Selassie, tendo vindo a colaborar com formações como Roha Band, Musicians Titesh, Dahlack Band ou Idan Raichel Project. Com uma voz multitímbrica, Mahmoud Ahmed é o rei da eskeusta (“êxtase”), género que cruza os ritmos complexos e repetitivos da música tradicional amárica com a pop, o free jazz, a soul, o funk, o rhythm & blues ou a dub. Uma mistura de sabor indiano, acompanhada quase sempre por sons ora eléctricos, ora acústicos, onde é possível encontrar instrumentos como o krar (cordofone de cinco ou seis corda, semelhante à lira, característico da Eritreia e da Etiópia), a guitarra e o bandolim. São canções de amor cujas letras escondem desabafos políticos, imagem de uma carreira feita de persistência quanto baste. Grande parte da extensa discografia do músico foi gravada durante os anos 70, uma actividade interrompida com a repressão política de Mengistu e dos governos seguintes. Há três décadas que a lenda viva da Etiópia não edita um disco de originais, e há quase vinte que não compõe. Contudo, e ainda que pouco conhecido no ocidente, Mahmoud Ahmed e a sua banda tocam ocasionalmente junto dos seus compatriotas exilados na Europa e nos Estados Unidos.

"Roda Cozida", Ventos da Líria (Portugal) - celtic, irish folk, fusion
Os Ventos da Líria trazem-nos “Roda Cozida”, um dos temas que deverá integrar o seu primeiro álbum de originais, ainda sem data prevista de lançamento. Para já, o grupo conta com o trabalho promocional “Às Voltas”, editado em 2007 e feito de melodias de autor e de temas tradicionais celtas. Repartido entre Alcains e Castelo Branco, o jovem quinteto liga os ares celtas ibéricos aos ventos da folk irlandesa, fusão festiva inspirada em nomes de referência como Kepa Junkera e Luar na Lubre, ou em bandas lendárias como os Dubliners e os The Chieftains. Ambientes musicais onde entram também os tangos provocadores de Astor Piazolla e as melodias vulcânicas de Emir Kusturica. A aventura furtuita arrancou em 2001, acabando por dar lugar à formação de que hoje fazem parte Rui Barata, Susana Ribeiro, Gonçalo Rafael, António Preto e Mané Silva. Ao diálogo ritmado entre o acordeão e o violino juntam-se a viola baixo, a guitarra, a bandola ou a bateria. Energia sonora que serve de estímulo aos Ventos da Líria. Tudo para que, inspirados pelos ares da Serra da Gardunha, estes continuem de olho nos ventos musicais que sopram dos quatro cantos do globo. A 23 e 24 de Maio o grupo ruma até Vila Viçosa e Torres Novas, respectivamente. Mais adiante, a 18 de Julho, segue-se o concerto em Penamacor. Finalmente, em Setembro, os Ventos da Líria vão estar nas Sarnadas de Ródão (dia 7) e em Castelo Branco (dia 19).

"Iman", Andrea Echeverri (Colômbia) - latin rock, colombian folk, country
Despedimo-nos com a colombiana Andrea Echeverri e o tema “Íman”, extraído do primeiro álbum a solo da vocalista e guitarrista dos Atercipelados, assinado com o seu nome e lançado em 2005. Depois de uma década à frente da banda que mistura o rock alternativo latino com a folk colombiana, Andrea seguiu outros caminhos. Durante a sua gravidez e após o parto, Andrea compôs então uma série de melodias que celebram a magia da maternidade ou o amor ao seu marido e à sua filha Milagros. O resultado é um trabalho que cruza os sons latinos, o rock, a música country e electrónica e o africano highlife com a subtileza da voz de Andrea Echeverri. O disco, gravado em Bogotá, sua cidade natal, por outro membro da banda, o baixista Héctor Buitrago, e misturado por Thom Russo, foi nomeado em 2006 para os Grammys na categoria de Melhor Álbum Latino de Rock Alternativo. Andrea Echeverri colaborou com bandas como Soda Stereo, contando com participações na banda sonora de "La Mujer de mi Hermano", do peruano Jaime Bayly, e no filme "¿Quién dice que es fácil?", do realizador argentino Juan Taratuto.