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sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Emissão #71 - 9 Agosto 2008

A 71ª emissão do MULTIPISTAS - MÚSICAS DO MUNDO, difundida no sábado, 9 de Agosto, entre as 17 e as 18 horas, na Rádio Urbana (Castelo Branco - 97.5 FM; Fundão, Covilhã e Guarda - 100.8 FM), vai de novo para o ar na quarta-feira, 13 de Agosto, entre as 21 e as 22 horas, sendo reposta três semanas depois (30 de Agosto e 3 de Setembro) nos horários atrás indicados.

Programa em que se destaca a rubrica
Caixa de Ritmos, numa emissão especial, feita de poucas palavras, e inteiramente dedicada aos melhores temas que passaram nas últimas dez edições do MULTIPISTAS - MÚSICAS DO MUNDO:

"Oriente Ocidental", Fadomorse (Portugal) - folk, world fusion

"Abaixo Esta Serra", Mandrágora (Portugal) - folk, jazz, rock

"Tarantainas De La Casa Sin Pared",
Biella Nuei (Espanha) - spanish folk

"Sangaré (Nikodemus Remix)",
Vieux Farka Touré (Mali) - afropop, blues

"Sportif",
Youssou N'Dour (Senegal) - mbalax, afropop

"Benvinguts",
Cheb Balowski (Espanha) - pachanga, raï, gnawa, rock

"Ganyo Maada",
Etran Finatawa (Níger) - wodaabe and touareg music

"Hassan’s Mimuna",
Balkan Beat Box (Israel) & Hassan Ben Jaffar (Marrocos) e Har-El Shachal (EUA) - gypsy-punk, contemporary folk

"Malanka",
Haydamaky (Ucrânia) - carpathian ska, ukranian dub machine, hutzul punk

"Benedito",
Afroreggae (Brasil) & Manu Chao (França) - afro-reggae, samba, hip-hop

(os dados sobre estes temas podem ser encontrados nos textos das emissões em que foram emitidos)

Jorge Costa

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Emissão #67 - 14 Junho 2008

A 67ª emissão do MULTIPISTAS - MÚSICAS DO MUNDO, difundida no sábado, 14 de Junho, entre as 17 e as 18 horas, na Rádio Urbana (Castelo Branco - 97.5 FM; Fundão, Covilhã e Guarda - 100.8 FM), vai de novo para o ar na quarta-feira, 18 de Junho, entre as 21 e as 22 horas, sendo reposta três semanas depois (5 e 9 de Julho) nos horários atrás indicados.

"Oriente Ocidental", Fadomorse (Portugal) - folk, world fusion
Os Fadomorse a abrirem de novo mais uma emissão, desta feita com “Oriente Ocidental”, tema que faz parte do seu terceiro álbum de originais “Folklore Hardcore”, editado este ano. A banda transmontana, criada em 2000 na cidade de Mirandela, explora os timbres dos instrumentos tradicionais (acordeão, flauta transversal, gaita de foles, cavaquinho, viola braguesa ou guitarra portuguesa) e a riqueza harmónica e melódica do cancioneiro nacional, acrescentando-lhes no entanto novas tendências e sonoridades. Sons que o grupo de sete elementos descreve como sendo uma fusão da raiz popular portuguesa com a melhor música do mundo, mas que não estão necessariamente associados a estilos ou géneros específicos. Influenciados por nomes como Zeca Afonso, Sérgio Godinho, Gentle Giant, Frank Zappa ou Mr Bungle, os Fadomorse apresentam um conjunto ritmado de inéditos e arranjos, cantados nos vários sotaques do país, da Madeira aos Açores, sem esquecer o Alentejo. Aventuras sonoras onde eles têm contado com as colaborações de Adolfo Luxúria Canibal (Mão Morta), Abel Beja (Primitive Reason) ou Peixe (Pluto). A 5 e 11 de Julho, os Fadomorse vão estar no Rainforest Festival, em Sarawak, na Malásia. No dia 19 rumam até ao Festival da Serra da Estrela, em Valhelhas, e a 25 de Julho eles vão estar no Raízes do Atlântico, no Funchal. Finalmente, a 14 de Agosto os Fadomorse tocam nas festas da cidade, em Santa Comba Dão.

"Abaixo Esta Serra", Mandrágora (Portugal) - folk, jazz, rock
As músicas do mundo prosseguem com com os Mandrágora e o tema "Abaixo Esta Serra", extraído seu segundo álbum “Escarpa”, lançado no mês de Maio. Trabalho onde participam Simone Bottaso (acordeão diatónico), Matteo Dorigo (sanfona), Francisco Madeira (voz e guitarra) e Helena Silva (voz). Depois de explorarem as raízes da folk através das flautas e gaitas-de-foles, neste seu novo disco os Mandrágora (segundo a crença popular, a Mandrágora, uma planta afrodisíaca com uma raiz de odor forte e forma humana, grita quando é arrancada da terra) seguem um caminho mais urbano, adicionando-lhe amostras de jazz e rock. São músicas rápidas, recheadas de improviso e percussão, a que se juntam os arranjos de guitarra, baixo e saxofone, e instrumentos de arco como o violoncelo, a moraharpa e a sua predecessora nyckelharpa, ambas referências tradicionais da Suécia. As composições deste colectivo do Porto, formado em 1999 e de que hoje fazem parte Filipa Santos, Ricardo Lopes, Pedro Viana, Sérgio Calisto e João Serrador, evocam a tradição musical portuguesa, procurando influências noutras culturas e na música moderna. Em Julho, os Mandrágora vão estar na FNAC de Braga (dia 5) e em Lagos (dia 11). Ainda no mesmo mês, seguem-se os concertos no Ethnoambient Salona Festival, na Croácia (dia 17), e em Sines, no Festival de Músicas do Mundo, (dia 24), onde os Mandrágora irão surgir ao lado do violinista Jacky Molard, do clarinetista Guillaume Guern e da cantora luso-francesa Simone Alves, num cruzamento entre a música portuguesa e bretã.

"Chapeloise", Pé Na Terra (Portugal) - folk, folk-rock
Os Pé na Terra em estreia no programa com “Chapeloise”, tema retirado do álbum do mesmo nome do grupo, editado este ano. Um trabalho que conta com a colaboração dos portugueses António Fernandes, Dulce Moreira, Patrícia Miranda, Silvana Dias, Tânia Pires e Tiago Meireles, bem como das galegas Patrícia Cela (do grupo de folk galego-minhoto Xistra de Coruxo) e Maria Xosé López (do grupo de musica tradicional Muxicas). A banda, formada no Porto em 2005 por Cristina Castro, Ricardo Coelho e Tiago Soares, tem vindo a percorrer diversos palcos, bares e festivais não só em Portugal, mas também em Espanha. Este projecto de renovação da música tradicional começou por se basear em instrumentos portugueses - acordeão, concertina, viola braguesa, gaita-de-foles transmontana ou flauta -, abrindo no entanto as portas aos temas originais, complementados pela poesia e por danças tradicionais europeias como valsas e chapeloises. Dois anos depois, juntavam-se aos Pé na Terra Adérito Pinto e Hélio Ribeiro, trazendo na bagagem o baixo e a guitarra electro-acústica, parte de uma nova sonoridade onde entram a bateria e referências como o rock ou o metal. Como pano de fundo permanecem os sons mais tradicionais da gralha (aerofone tradicional da Catalunha), tarota (oboé catalão), melódica, sanfona ou tamboril galego. Em Junho, os Pé na Terra vão estar nas FNAC’s de Coimbra (dia 15) e Viseu (dia 22), com uma aparição pelo meio na Rua Cândido dos Reis, no Porto (dia 21). Já em Julho, seguem-se as actuações na Nespereira, em Lousada (dia 5), Guimarães (dia 11) e Famalicão (dia 12). Finalmente, em Agosto, o grupo ruma até ao Festival Andanças, em São Pedro do Sul (dias 4 e 7), Ourense, na Galiza (dia 9), Abrantes (dia 23) e Faro (dia 30).

"Kel Tamasheck", Etran Finatawa (Níger) - wodaabe and touareg music
A jornada continua com os Etran Finatawa e “Kel Tamasheck” (O Povo Tuaregue), tema extraído do seu segundo trabalho “Desert Crossroads”, lançado este ano. Uma canção dirigida ao próprio povo, onde se fala da importância da sua cultura e modo de vida ancestral. Em 2004, seis músicos wodaabes e quatro tuaregues, unidos pelo gosto pela música e pelo desejo de paz entre todas as etnias que vivem ou viajam pelo Níger, na fronteira com o Mali, juntaram-se e formaram este grupo. Eles são dois dos lendários grupos étnicos nómadas que vivem na savana do Sahel, no sul do Sáara. Durante milhares de anos, a região foi um ponto de passagem entre os árabes do norte de África e as culturas subsarianas. Enquanto que os wodaabe, de etnia fulani, são conhecidos pelos seus rebanhos e gado, os tuaregues, berberes que falam tamashek, são famosos criadores de camelos. Mesmo tendo culturas e línguas muito distintas, os elementos dos Etran Finatawa (As Estrelas da Tradição) ultrapassaram as fronteiras étnicas e o racismo, trabalhando juntos para construírem um futuro melhor para os seus povos. Eles combinam instrumentos tradicionais e canções polifónicas com arranjos modernos e guitarras eléctricas. O resultado é um cruzamento entre o blues, o rock e o funk, mistura melódica onde se destacam as vozes nostálgicas que descrevem as suas raízes culturais e uma forma de vida cada vez mais relegada para o passado.

"Ger Aadi", Fatma Zidan (Arábia Saudita) - ethno pop
Fatma Zidan estreia-se no programa com "Ger Aach", tema retirado do álbum “Ella Elzaal” (Aceitar a Tristeza), e que pode ser encontrado na compilação “The Rough Guide to Arabic Café”, editada este ano. Segundo trabalho a solo da cantora, sucessor do clássico “Aya Haeman” (Amor Apaixonado), numa produção pop carregada de ritmos do Golfo Pérsico, e de novo produzida por alguns dos mais famosos músicos e compositores daquela região. Conhecida como a voz do Egipto, Fatma Zidan é uma das cantoras corais mais requisitadas pelos estúdios de gravação do Cairo, com passagens recorrentes pelo Dubai, Omã ou Iémen, e uma das mais talentosas da música árabe. Uma sonoridade fortemente enraizada na tradição egípcia e inspirada na diva Oum Khaltoum.
Nascida em 1977 na Arábia Saudita, Fatma Zidan é filha de pais egípcios, o que lhe permitiu cantar nos vários dialectos do Golfo Pérsico. A jovem começou a tocar harpa aos cinco anos, estudando mais tarde no conservatório em Guiza e na Escola de Música de Zamalek. No entanto, a sua carreira musical clássica, feita sobretudo de actuações na Ópera do Cairo, acabou por sofrer uma reviravolta há cerca de uma década quando esta começou a cantar e gravar para algumas das maiores estrelas da pop árabe, com destaque para Kazem El-Saher, Kadhim Zaher, Ngrem ou Sherin. Fatma Zidan surge habitualmente em palco com o seu ensemble egípcio, mas já trabalhou também com a orquestra da radio pública dinamarquesa, naquele que foi um dos momentos mais altos da sua carreira. A jovem diva procura agora novas parcerias, tendo em vista projectos similares com outras orquestras sinfónicas.

"Yidu Tramvayem", Haydamaky (Ucrânia) - carpathian ska, ukranian dub machine, hutzul punk
Seguem-se os ucranianos Haydamaky com “Yidu Tramvayem”, tema retirado do seu segundo disco “Kobzar”, lançado este ano. Um trabalho onde a banda conta com as colaborações dos polacos Pidzama Porno e dos Zion Train, os reis do raggamuffin. Os Haydamaky levam-nos de novo pelos caminhos do ska das montanhas dos Cárpatos, do reggae, do punk hutzul e da dub machine, misturando-os com a folk ucraniana, o rap e o rock’n’roll. Após o colapso da União Soviética e a independência da Ucrânia, um grupo de estudantes criava a banda Aktus, que rapidamente conquistou um lugar de destaque no underground musical de Kiev. No início do novo século, em honra à rebelião histórica do século XVIII, eles decidiram mudar o nome para Haydamaky. Para além dos espectáculos que têm feito em toda a Europa de Leste, em 2004 apoiaram a revolução laranja que mobilizou o país, tendo um dos seus temas sido muito rodado nas estações de rádio alternativas. Música que assenta na combinação de raízes ucranianas com standards europeus, uma fórmula caracterizada pela energia turbulenta e por uma montanha russa de melodias.

"Hassan’s Mimuna", Balkan Beat Box (Israel) & Hassan Ben Jaffar (Marrocos) e Har-El Shachal (EUA) - gypsy-punk, contemporary folk
Os Balkan Beat Box trazem-nos “Hassan’s Mimuna”, tema extraído do seu álbum de estreia, baptizado com o nome do grupo e editado em 2005. Para além da participação nesta música de Hassan Ben Jaffar e de Har-El Shachal (radicados em Nova Iorque, Hassan Ben Jaffar tem vindo a actuar com vários ensembles de fusão gnawa, enquanto que o saxofonista e clarinetista Har-El Shachal liga Ocidente e Oriente), o trabalho conta ainda com as colaborações das Bulgarian Chicks (Valda Tomova e Kristin Espeland), dos israelitas Boom Pam, bem como de Victoria Hanna, Shushan e Tomer Yosef. Os Balkan Beat Box misturam de forma enérgica e ousada melodias folk do norte de África, Israel, Balcãs, Mediterrâneo, Europa de Leste e Médio Oriente com letras bizarras, hip-hop e batidas electrónicas. A fanfarra circense, que chega a ter 15 músicos – um terço deles oriundos da Europa – é formada pelos israelitas Tamir Muskat e Ori Kaplan, que têm trabalhado com músicos e compositores da Turquia, Israel, Palestina, Marrocos, Bulgária e Espanha. A filosofia dos Balkan Beat Box é a de acabar com as fronteiras políticas na música, fazendo folk de forma contemporânea. Tudo começou em Israel, onde assimilaram os standards folk, do klezmer às melodias búlgaras, passando pelos ritmos árabes. No final dos anos 80, Ori e Tamir partem para Nova Iorque, onde descobrem o gypsy-punk e acabam por misturar as suas raízes mediterrânicas com outras culturas.

"Close Your Eyes", Bebel Gilberto (Brasil) - bossa nova, forró, pop, electronica
Despedimo-nos com Bebel Gilberto, que nos traz o tema “Close Your Eyes”, extraído do álbum “Tanto Tempo”, editado em 2000. Primeiro trabalho a solo, duas vezes nomeado para os Grammy, da cantora e compositora que em Maio passou por Portugal, e que tem vindo a trabalhar com produtores como Guy Sigsworth e com grupos como as The Brazilian Girls ou a Orquestra Imperial. Radicada em Nova Iorque mas brasileira de corpo e alma, Bebel Gilberto, cujo nome completo é Isabel Gilberto de Oliveira, é filha do lendário guitarrista João Gilberto, o criador da bossa nova, e da cantora e compositora Miúcha. Desde muito cedo que esta começou a cantar em coros infantis e em musicais, tendo-se estreado em palco com o pai. Neste disco, Bebel reinventa precisamente o legado clássico de João Gilberto ao abrir as portas à bossa nova. A sensualidade deste género, resultado do cruzamento do ritmo sincopado da percussão do samba com a voz uniforme, é recriada pelo timbre suave e melódico de Bebel Gilberto, a que se juntam instrumentos acústicos e algumas orquestrações. O resultado é um disco com sabor a música electrónica e um cheirinho a forró, pop ou jazz, onde participam, entre outros, Mario Caldato Jr, Suba, Amon Tobin, Béco Dranoff, Luís do Monte, João Parahyba ou Nina Miranda, dos Smoke City.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Emissão #62 - 5 Abril 2008

A 62ª emissão do MULTIPISTAS - MÚSICAS DO MUNDO, difundida no sábado, 5 de Abril, entre as 17 e as 18 horas, na Rádio Urbana (Castelo Branco - 97.5 FM; Fundão, Covilhã e Guarda - 100.8 FM), vai de novo para o ar na quarta-feira, 9 de Abril, entre as 21 e as 22 horas, sendo reposta três semanas depois (26 e 30 de Abril) nos horários atrás indicados.

Um programa especial, onde se destaca a entrevista exclusiva aos Kumpania Algazarra, a propósito do lançamento do primeiro álbum da fanfarra portuguesa.

"Mescufurus", Red Cardell (França) - folk-rock
Os Red Cardell a abrirem mais uma emissão com “Mescufurus”, tema retirado do álbum “Sans Fard”, sétimo trabalho da banda, editado em 2003. Originários da cidade francesa de Quimper, eles são uma das mais conhecidas bandas tradicionais da Bretanha. O grupo, formado em 1992 e de que hoje fazem parte Jean-Pierre Riou, Jean-Michel Moal e Manu Masko, começou por tocar em bares. Surgidos no movimento do rock bretão, e à margem da nova vaga celta, os Red Cardell decidiram então fundir as danças e os cantos tradicionais da Bretanha com ritmos da Europa de Leste, da América do Sul ou do norte de África. Uma viagem em que géneros como a folk berbere e ucraniana, o tango, o reggae, a dub, o funk ou o java se juntam com influências diversas que vão do punk rock anglo-saxónico ao rap e ao techno. Geografias sonoras à mistura com textos poéticos em inglês e francês, os quais abordam temas recorrentes no blues, na chanson française ou no gwerz (canto bretão a capella onde se aborda o quotidiano). Um ambiente festivo multi-étnico que tem por base instrumental o acordeão, a bombarda bretã, a flauta, as guitarras acústica e eléctrica, a bateria ou os sintetizadores.

"Te Kambian Los Tiempos", Biella Nuei (Espanha) - spanish folk
As músicas do mundo prosseguem com os Biella Nuei e o tema "Te Kambian Los Tiempos", uma polca apresentada ao ritmo do rockabilly e extraída do disco “Sol D’Iberno”, lançado em 2006. Trabalho produzido por Juan Alberto Arteche, e que encerra a triologia iniciada com “Las Aves Y Las Flores” (1994) e “Solombra” (1998), abrindo portas a uma fase mais criativa no percurso deste grupo fundado por Luís Miguel Bajén na década de 1980. Álbum optimista e alegre, onde os Biella Nuei se abrem às percussões das culturas andaluza ou latina, e que conta com a participação de músicos como Eliseo Parra ou La Ronda de Boltaña. Nos primeiros anos, o septeto centrou-se no estudo e divulgação da tradição oral aragonesa, no desenvolvimento de repertório próprio e no fabrico de instrumentos como a gaita de boto, o saltério, o pífaro ou a dulzaina. Hoje permanece a variedade de instrumentos, melodias e ritmos tradicionais populares daquela região (jota, pasacalle ou tarantaina), mas a free folk da banda, mestiçagem étnica sempre ligada aos movimentos sociais, cruza-se com outras culturas, deixando-se influenciar, entre outros géneros, pelos blues, pela rumba, pela choutiça ou pela soul cubana. Nas suas peregrinações sonoras, os Biella Nuei, que em palco se apresentam ainda com uma formação mais pequena - os Bufacalibos -, têm vindo a tocar com Carlos Núñez, Cristina Pato, Chico Sánchez Ferlosio, Kepa Junkera, Mauricio Martinotti, The Oysterband ou os Gwendal.

"Charrada del Tío Frejón", La Musgaña (Espanha) - spanish folk
Os La Musgaña de regresso ao programa, desta feita com “Charrada del Tio Frejón”, tema retirado do álbum "Temas Profanos”, editado em 2003. O sexto disco do grupo conta com as colaborações de Carmen Paris, Joaquín Díaz, David Mayoral e Pablo Martín. Em 1986, Enrique Almendros, até então intérprete de música celta, José María Climent e Rafael Martín decidiram formar um grupo centrado na tradição musical da meseta castelhana. Ainda nesse ano, juntaram-se-lhes o flautista Jaime Muñoz e o baixista Carlos Beceiro, únicos elementos que hoje permanecem no quinteto composto ainda por Diego Galaz, Jorge Arribas e Sebastián Rubio. Das melodias de dança às canções de amor, passando pela música para casamentos, os La Musgaña apresentam-nos uma ampla visão musical de uma zona marcada pela herança europeia, africana e mediterrânica. Por entre os temas evocativos destacam-se os ofertórios religiosos, as charradas, ajechaos e charros de Salamanca e Zamora, os bailes corridos de Ávila, os pindongos de Cáceres e as danças, aires e canções de León ou Burgos, ou as jotas, rogativas, dianas e villancicos de Madrid, Segovia e Valladolid. Uma celebração da música tradicional espanhola, à mistura com influências ciganas, mouriscas e celtas, em que os ritmos hipnóticos se constroem com toda uma gama de instrumentos tradicionais (gaita charra, gaita sanabresa, flauta, tamboril, cistro ou sanfona), étnicos (cajón, tar, krakeb, pandeiro iraniano, derbouka, bouzouki, req, sabar, tinajas, bendir ou marímbula) e modernos (clarinete, acordeão diatónico, saxofone soprano, baixo ou violino).

"Sangaré (Nikodemus Remix)", Vieux Farka Touré (Mali) - afropop, blues
A jornada continua com Vieux Farka Touré e “Songaré”, versão remisturada pelo DJ Nikodemus, e que ao ritmo da house se apresenta com um sabor a merengue e a soukous. Parte integrante do álbum “Vieux Farka Touré Remixed: Ufos Over Bamako”, produzido por Derek Beres e lançado em 2007. Neste trabalho, DJ’s como Cheb I Sabbah, Karsh Kale ou Yossi Fine levam para as pistas de dança a afropop – desde sempre misturada com outras sonoridades – e as melodias acústicas africanas do músico do Mali, talentoso vocalista, guitarrista, percussionista e tocador de cabaça. Nickodemus estreou-se no início da década de 1990, combinando reggae, hip-hop e breakbeat numa antiga pista de gelo junto ao rio Hudson, em Manhattan. Mais tarde, mudava-se para o Lower East Side, bairro nova-iorquino onde as influências latinas têm maior protagonismo. Inspirado pela música de Ali Farka Touré, o lendário bluesman falecido em 2006, Vieux (“velho”, em francês, em alusão ao avô) Farka (“burro”, metáfora adequada à sua teimosia) Touré acabaria por contrariar o pai, inicialmente avesso à carreira musical do filho. Depois da passagem pelo Instituto Nacional de Artes, em Bamako, o mestre da kora Toumani Diabaté convida o jovem a integrar o seu ensemble e a viajar pelo mundo. Em 2005, o baixista norte-americano Eric Herman produz o seu álbum de estreia, onde contaria com as participações de Ali e de Diabaté. Hoje, Vieux Farka Touré segue o caminho trilhado na guitarra pelo progenitor, acrescentando à tradição musical do Mali elementos ocidentais e referências do reggae, rock e blues.

"Bali Maou", Amadou & Mariam (Mali) - bambara blues, afro pop
A dupla Amadou & Mariam apresenta-nos “Bali Maou”, tema extraído do seu terceiro álbum “Tje Ni Mousso” (Homem e Mulher), editado em 1999. Um blues eléctrico, recheado de ritmos africanos, batidas funky e riffs de guitarras, onde se podem encontrar influências inesperadas como o cavaquinho de Pedro Soares. Naquela que é a mais roqueira pop africana, não faltam as habituais alusões ao quotidiano do seu país e as letras que apelam à paz, ao amor e à justiça. Mariam Doumbia começou por cantar em casamentos e festivais tradicionais, enquanto que Amadou Bagayoko era guitarrista nos Les Ambassadeurs, banda lendária a que mais tarde se juntou Salif Keita. Os dois são invisuais e conheceram-se em 1977 no instituto de cegos de Bamako, a capital do Mali. A partir de então tornaram-se inseparáveis na música e na vida. Amadou & Mariam prestam então homenagem à música tradicional maliana, revestindo-a de sons ocidentais. Cantando em francês, castelhano e no seu dialecto original, estes bambara (etnia maioritária no Mali) vão buscar referências musicais à sua adolescência: a pop, o rock psicadélico e a salsa dos anos 60, e o funk e a soul da década seguinte. Uma forma de recordarem não só as suas raízes mandingo, mas também as ligações do Mali ao gnawa, à música cubana e ao jazz, tornando universal a música daquele país.

"Skabicine", Kumpania Algazarra (Portugal) - brass band, ska, world fusion
Os Kumpania Algazarra trazem-nos “Skabicine”, tema retirado do seu primeiro álbum de originais, resultado das andanças pelo país e pela Europa onde a caravana contaminou e se deixou contaminar por outros garimpeiros como os Blasted Mechanism, os Terrakota ou as Tucanas. Produção própria baptizada com o nome do grupo, lançada em Fevereiro e cuja festa de apresentação está agendada para o dia 11 de Abril, em Lisboa. Surgidos em Sintra em 2004, os Kumpania Algazarra tocam e cantam em várias línguas (entre elas o português), fazendo-se acompanhar pelos ritmos ciganos balcânicos, árabes, latinos ou africanos, aliados à afrobeat, folk, reggae, funk, ska, son, swing, klezmer, gnawa ou rock. Um ambiente festivo onde a banda abre espaço para temas caros à sociedade como a guerra, a pobreza ou a imigração. Os nove jovens músicos (Francisco Amorim, Helder Silva, Hugo Fontainhas, Luís Barrocas, Luís Bastos, Pedro Pereira, Ricardo Pinto, Rini Luyks e o convidado Willi Kirsch), vagueiam em sonora algazarra pelas músicas dos cinco continentes, transformada numa festa ambulante ao estilo das fanfarras europeias. A 6 e 20 deste mês eles estarão nas FNAC’s de Cascais e Alfragide, respectivamente. Ainda em Abril, seguem-se os concertos no Montijo (dia 24), no Maxime, em Lisboa (dia 25) e na Semana Académica de Tomar (dia 30). Já em Maio, os Kumpania Algazarra vão estar no Festival Artis, em Seia (dia 10), Tavira (dia 17), Sesimbra (dia 21) e na Festa da Música e do Cinema, em Braço de Prata (dia 22).


"Malanka", Haydamaky (Ucrânia) - carpathian ska, ukranian dub machine, hutzul punk
Despedimo-nos com os ucranianos Haydamaky e “Malanka”, tema extraído do seu segundo disco “Kobzar”, lançado este ano, e onde a banda conta com as colaborações dos polacos Pidzama Porno e dos Zion Train, os reis do raggamuffin. Os Haydamaky levam-nos de novo pelos caminhos do ska das montanhas dos Cárpatos, do reggae, do punk hutzul e da dub machine, misturando-os com a folk ucraniana, o rap e o rock’n’roll. Após o colapso da União Soviética e a independência da Ucrânia, um grupo de estudantes criava a banda Aktus, que rapidamente conquistou um lugar de destaque no underground musical de Kiev. No início do novo século, em honra à rebelião histórica do século XVIII, eles decidiram mudar o nome para Haydamaky. Para além dos espectáculos que têm feito em toda a Europa de Leste, em 2004 apoiaram a revolução laranja que mobilizou o país, tendo um dos seus temas sido muito rodado nas estações de rádio alternativas. Música que assenta na combinação de raízes ucranianas com standards europeus, uma fórmula caracterizada pela energia turbulenta e por uma montanha russa de melodias.


Jorge Costa

quinta-feira, 10 de agosto de 2006

Emissão #21 - 12 Agosto 2006

A 21ª emissão do MULTIPISTAS - MÚSICAS DO MUNDO, difundida no sábado, 12 de Agosto, entre as 17 e as 18 horas, na Rádio Urbana (Castelo Branco - 97.5 FM; Fundão, Covilhã e Guarda - 100.8 FM), vai de novo para o ar na segunda-feira, 14 de Agosto, entre as 19 e as 20 horas.

Uma edição em que se destaca a rubrica Caixa de Ritmos, numa emissão especial, feita de poucas palavras, e inteiramente dedicada aos melhores temas que passaram nas últimas dez emissões deste programa. Eis a listagem do melhor dos melhores temas do MULTIPISTAS - MÚSICAS DO MUNDO:

"Jani El Hob", Cheikha Rimitti (Argélia) - raï, châabi, gnawa music

"Ilham", Souad Massi (Argélia) - argelian folk, chaâbi

"We Were Gonna", Dengue Fever (Cambodja, EUA) - khmer rock, cambodian folk, pop

"Nafiya", Mory Kanté (Guiné-Conacri) - afropop, kora music

"La Realité", Amadou & Mariam (Mali) - afro pop blues

"Domingo Ferreiro", Luar Na Lubre (Espanha) - celtic folk

"Galicia", Urban Trad (Bélgica) - techno folk

"Kamppi", Maria Kalaniemi & Aldargaz (Finlândia) - finnish folk, jazz, rock, pop

"Tuulilta Tuleva", Värttinä (Finlândia) - traditional finnish folk/suomirock

"Pena", Šaban Bajramović (Sérvia) - gypsy music

"Listopad", Haydamaky (Ucrânia) - carpathian ska, ukranian dub machine, hutzul punk

"Venus Nabalera", Mau Mau (Itália) - folk-rock, latin rock

(os dados sobre estes temas podem ser encontrados nos textos das emissões em que foram emitidos)

Jorge Costa

sábado, 10 de junho de 2006

Emissão #12 - 10 Junho 2006

A 12ª emissão do MULTIPISTAS - MÚSICAS DO MUNDO, difundida no sábado, 10 de Junho, entre as 17 e as 18 horas, na Rádio Urbana (Castelo Branco - 97.5 FM; Fundão, Covilhã e Guarda - 100.8 FM), vai de novo para o ar na segunda-feira, 12 de Junho, entre as 19 e as 20 horas.

"La Realité", Amadou & Mariam (Mali) - afro pop blues
A dupla Amadou & Mariam traz-nos os sons do Mali com o tema “La Realité”, extraído do álbum “Dimanche a Bamako”. Este trabalho, lançado em França em Novembro de 2004, chegou no verão passado ao segundo lugar das tabelas de vendas, o mais alto posto alguma vez alcançado na Europa por um disco africano. Em todo o mundo “Dimanche a Bamako” já vendeu cerca de meio milhão de cópias. Bem ao género do afro pop blues, e com muita guitarra à mistura, este trabalho está recheado de ritmos africanos, batidas funky, harmonias suaves e pedaços de reggae, jazz, blues e rock. Se nos anos 90 foram os Buena Vista Social Club a trazerem para a ribalta a vibrante world music, agora é a vez deste casal africano. Mariam começou por cantar em casamentos e festivais tradicionais, enquanto que Amadou era guitarrista nos Les Ambassadeurs, uma das mais lendárias bandas africanas. Os dois são invisuais e conheceram-se em 1977 em Bamako, a capital do Mali, fundindo então as suas carreiras. Três anos depois casavam e davam o primeiro concerto juntos.

"M'Be Ddemi", Cheikh Lô (Senegal, Burkina-Faso) - afropop, mbalax
Cheikh Lô apresenta-nos o tema “M’Be Ddemi” (A Rua), extraído do álbum “Bambay Gueej”, editado em 1999. Cheikh Lô vive em Dakar, a capital do Senegal, mas nasceu e cresceu no Burkina-Faso. A sua música constrói-se a partir da pop característica daquela cidade e dos ritmos mbalax, bem ao estilo do conhecido senegalês Youssou N'Dour, que produziu o seu primeiro álbum em 1995. Cheik Lô foi membro da Orchestre Volta Jazz, a qual tocava sucessos cubanos e congoleses, bem como versões pop de músicas tradicionais do Burkina-Faso. Em 1978 mudava-se para o Senegal, onde começa por tocar com várias bandas. A música acústica e eléctrica de Cheik Lô, que fez dele uma estrela no Senegal e na Europa, explora ainda elementos de salsa, rumba congolesa, folk e jazz, bem como impulsos de reggae, soukous e um sabor a Brasil. No album “Bambay Gueej” (Bamba, Oceano de Paz), Cheikh Lô adorna estes elementos com o funk e a soul. De novo uma floresta de percussões, guitarra acústica e sons afro-cubanos.

"We Were Gonna", Dengue Fever (Cambodja, EUA) - khmer rock, cambodian folk, pop
Os Dengue Fever com “We Were Gonna”, um tema extraído do álbum “Escape From Dragon House”, editado em 2005. Nos últimos sessenta anos o rock, com as suas notas de guitarra e percussões, influenciou profundamente numerosos géneros musicais e artistas que o misturaram com híbridos funky de todo o mundo. Foi o que aconteceu com os Dengue Fever, um sexteto de Los Angeles, liderado pela estrela da pop do Cambodja Chhom Nimol. Estes cantam em khmer, juntando os ritmos da pop cambodjana dos anos 60 – altamente influenciada pelo rock americano e pelas primeiras bandas de garagem psicadélicas do vizinho Vietname – com a sua própria panóplia eclética de estilos. A música dos Dengue Fever inclui ecos das bandas sonoras de Bollywood, soul etíope, rhythm & blues americano e folk do Cambodja. São sons locais misturados com rock de todo o planeta.

"Neem", Thierry 'Titi' Robin (França) - indian music, folk, rock
Thierry Robin, mais conhecido por Titi, traz-nos um tema extraído do álbum “Alezane”, editado em 2004. Uma antologia das gravações realizadas ao longo de doze anos por este músico, natural do sul de França, e que abrange 25 anos de composição. O arranjo do tema tradicional Neem remete-nos para o pungi, o instrumento do encantador de serpentes usado no Rajastão, que aqui é tocado por Banwari Baba, tendo como acompanhamento a voz de Saway Nath, um dos mais inventivos cantores da comunidade Kalbeliya daquele estado indiano. Em 1984, Thierry Robin, tocador de guitarra, alaúde árabe e bouzouki, produziu o seu primeiro trabalho com o indiano Hameed Khan. Mais tarde desenvolveria com o cantor bretão Erik Marchand um reportório de composições combinando o estilo de improvisação modal oriental taqsîm com o gwerz, um antigo lamento monofónico. A ligação à moderna folk ocidental surgiria com o Erik Marchand Trio, um mosaico de artistas que vai do norte da Índia à Andaluzia, passando pelos Balcãs. O resultado foi Kali Gadji, um novo grupo cuja orquestração incluía o saxofone, batidas e baixo. Titi Robin mistura então influências ciganas e orientais com rap francês e polirritmos sul-africanos, criando uma barreira entre a música étnica ocidental – feita de misturas de rock e jazz – e as restantes músicas do mundo. Um caminho encorajado por artistas como os cantores de flamenco Fosforito e Chano Lobato, ou o virtuoso tocador de alaúde árabe Munir Bachir.

"Iledeman",
Etran Finatawa (Níger) - wodaabe and touareg music
No tema “Iledeman”, extraído do álbum “Introducing Etran Finatawa”, editado este ano, os Etran Finatawa levam-nos por uma travessia no deserto. Uma música que faz referência a uma famosa duna situada junto à cidade de Tchin-Tabaradene, no noroeste do Níger. Poderosa e hipnótica, a música dos Etran Finatawa combina instrumentos tradicionais e canções polifónicas dos wodaabe e dos tuaregues com arranjos modernos e guitarras eléctricas, criando um som único e inovador que demonstra como nas suas culturas a música continua a ser um meio terapêutico. Em 2004, seis músicos wodaabes e quatro tuaregues juntaram-se para formar esta banda. Os tuaregues e os wodaabe são dois dos grupos étnicos nómadas que vivem na savana do Sahel, no sul do Sáara. Uma região que durante milhares de anos foi ponto de passagem entre os árabes do norte de África e as culturas subsarianas. Enquanto que os wodaabe são nómadas do deserto, conhecidos pelos seus rebanhos e gado; os tuaregues são famosos criadores de camelos, facilmente identificáveis pelas pinturas no rosto. E apesar das suas culturas e línguas serem muito distintas, os Etran Finatawa (As Estrelas da Tradição) ultrapassaram as fronteiras étnicas e o racismo, trabalhando juntos para construírem um futuro melhor para os seus povos. Entretanto, a banda tornou-se famosa no Níger e foi convidada para participar em festivais no Mali e em Marrocos, tendo no ano passado feito uma tournée pela Holanda, Alemanha e Suiça.

"Muiñeira de Chandada", Milladoiro (Espanha) - celtic folk
Os Milladoiro trazem-nos o tema “Muiñeira de Chandada”, extraído do álbum “Castellum Honesti”, editado em 1991. Um trabalho de temas tradicionais galegos, gravado dois anos antes em Dublin, na Irlanda. Em 2005 os oito membros do grupo festejaram os 25 anos de actividade. Durante este período de tempo eles editaram 17 discos, deram mais de mil concertos em todo o mundo e realizaram diversos trabalhos para o cinema, teatro e televisão, tendo tocado lado a lado com músicos como os The Cheiftains, Liam O'Flynn, Oskorri, Fuxan Os Ventos, Susana Seivane ou Emilio Cao. Os Milladoiro representam não só um género musical, mas também a língua e a forma de ser dos galegos (não é por acaso que eles são considerados a voz da terra, a voz que vem mais além da história). A paixão deste grupo pela música e pela Galiza tem como referência o caminho de Santiago, isto porque os milladoiros eram quem guiava os pasos dos peregrinos até Compostela. Os Milladoiro transformam os ritmos e melodias tradicionais da Galiza em música contemporânea sem fazerem concessões à pop ou fusões com géneros similares. A sua música baseia-se nas influências europeias deixadas na região, herança que tem sido transmitida ao longo de várias gerações anónimas de músicos tradicionais. Para além de evitar o cliché celta, a mítica banda galega reivindica os seus ingredientes provençais, centro-europeus e mesmo árabes. Depois de 25 anos a tirarem o pó a cancioneiros e melodias, os Milladoiro continuam a fazer com que as heranças musicais da Galiza não caiam no esquecimento.

"Domingo Ferreiro",
Luar Na Lubre (Espanha) - celtic folk
De novo uma viagem até à Galiza com os embaixadores da folk celta contemporânea. Os Luar Na Lubre, naturais da Corunha, trouxeram-nos o tema “Domingo Ferreiro”, extraído do álbum “Saudade”, editado em 2005. Uma música que tem por base um poema do poeta Raúl González Tuñón, dedicado ao gaiteiro Domingo Ferreiro, o qual também era conhecido por “gaiteiro do Texas”. Com nove trabalhos editados, os Luar na Lubre defendem a cultura, a tradição e a música galegas, sem fecharem portas às influências externas. O grupo é uma presença constante em muitos festivais em Espanha e na Europa, mas a sua aposta centra-se agora na América do Sul, de onde emana a música que integra o seu último álbum. Bieito Romero, Patxi Bermúdez, Xulio Varela e Xan Cerqueiro são os quatro elementos que restam da banda original, criada em 1986 e que dez anos depois saltava para a ribalta internacional com o apadrinhamento de Mike Oldfield no seu disco “Voyager”. Neste seu último trabalho, os Luar na Lubre apresentam a vocalista que os acompanha há ano e meio, a portuguesa Sara Vidal (que já tinha participado no álbum “Paraíso”), em substituição de Rosa Cedrón. Está assim consolidada a intenção do grupo em sublinhar a influência portuguesa para melhor definir a sua identidade galega, neste Portugal além-Minho. Um álbum onde resgatam velhas melodias e harmonias melancólicas. “Saudade” é uma homenagem à Galiza que chegou à América Latina e se fundiu com a cultura daquele continente, sem no entanto deixar de parte as suas raízes celtas. Divididos entre o território celta e a folk festiva, neste trabalho os Luar na Lubre resgatam poemas de García Lorca e de autores galegos da emigração, utilizando-os em temas que falam de nostalgia, do exílio e da saudade.

"Pitbull Terrier", Emir Kusturica & The No Smoking Orchestra (Bósnia Herzegovina) - gypsy technorock
Emir Kusturica e a The No Smoking Orchestra apresentam-nos um tema extraído do álbum “Unza Unza Time”, lançado em 2000. Uma música onde predominam os instrumentos típicos do folclore cigano, mas onde há também espaço para o rock acompanhado da guitarra, do baixo, da balalaica, da tuba, do saxofone, do acordeão e do violino. Nascido em Sarajevo, hoje capital da Bósnia Herzegovina, Emir Kusturica pertence a uma família bósnia muçulmana, mas de origem eslava ortodoxa. Tal como a maioria dos jugoslavos, o seu pai trocou a fé pelo comunismo. Emir, por seu lado, trocou o comunismo pelo cinema, sendo hoje mundialmente conhecido pelas suas curtas e longas-metragens. Em 1986, ele juntava-se à Zabranjeno Pusenje, uma banda polémica, fundada por Nelle Karajic, que seria censurada pelas autoridades depois de Karajic ter feito piadas sobre Tito, o então ditador jugoslavo. Os arranjos do grupo iam do folk progressivo dos Jethro Tull ao punk dos Sex Pistols, mas com a entrada de novos membros e a mudança para Belgrado, a capital da Sérvia, a banda decidiu valorizar a diversificada música dos Balcãs. Em 1994, durante o conflito no país, junta-se ao grupo o jovem Stribor, filho de Emir Kusturica. É então que a formação se fragmenta em duas: uma que mantém o nome original, e outra que adopta a designação inglesa: The No Smoking Orchestra. Além do servo-croata, a orquestra, que em palco é barulhenta, electrizante e desordeira, também usa o alemão e o inglês nas suas canções. Um género de música que Emir Kusturica classifica de “unza unza”, definição tão impronunciável quanto esclarecedora…

"Listopad", Haydamaky (Ucrânia) - carpathian ska, ukranian dub machine, hutzul punk
Os ucranianos Haydamaky, que nos apresentaram o tema “Listopad”, levam-nos pelos caminhos do ska das montanhas dos Cárpatos, do reggae, do punk hutzul e do dub machine, misturando-os com a folk ucraniana. Após o colapso da União Soviética e a independência da Ucrânia, um grupo de estudantes criava a banda Aktus, que rapidamente conquistou um lugar de destaque no underground musical de Kiev. No início do novo século, em honra à rebelião histórica do século XVIII, mudaram o nome para Haydamaky. Para além dos espectáculos que têm feito em toda a Europa de Leste, em 2004 apoiaram a revolução laranja que mobilizou a Ucrânia, tendo um dos seus temas sido muito rodado nas estações de rádio alternativas. No seu terceiro álbum “Ukraine Calling”, editado este ano e em que se dão a conhecer ao ocidente, os Haydamaky combinam raízes ucranianas com standards europeus. E como podemos confirmar neste tema, a sua música é caracterizada por energia turbulenta e por uma montanha russa de melodias.

"Kamppi",
Maria Kalaniemi & Aldargaz (Finlândia) - finnish folk, jazz, rock, pop
A melhor música do mundo vem agora da Filândia com Maria Kalaniemi e os Aldargaz, que nos trazem um tema de dança extraído do álbum “Ahma”, editado em 1999. Esta maestrina do acordeão começou a tocar aos oito anos. Aos 19, depois de gravar um álbum de temas da música tradicional filandesa, junta-se ao programa de música folk da Academia Sibelius, em Helsínquia, onde, para além do acordeão, estuda violino, bandolim, composição e arranjo. No mesmo ano, Maria Kalaniemi apoia a formação do ensemble acústico Niekku, cuja síntese entre a folk e a contemporaneidade os levou para a linha da frente da nova folk filandesa. Já em 1995 funda os Aldargaz, um sexteto de músicos da mesma academia. Adepta da improvisação, Maria Kalaniemi é também membro do colectivo internacional de acordeonistas Accordion Tribe, do grupo de música sueco-filandesa Ramunder e da orquestra de tango UNTO. O seu reportório vai da música clássica às raízes da folk de dança filandesa, passando pelo jazz, rock e pop. Neste álbum, o acordeão de Kalaniemi, instrumento que ela diz ser em simultâneo dinâmico e dinamite, junta-se à guitarra acústica, ao bandolim, ao violino, ao piano, e ainda ao trompete, ao trombone e ao saxofone.

"Amelie On Ice", Lucien N Luciano (Chile) - electronic
Lucien N Luciano fecha o programa com o tema “Amelie On Ice”, uma reinterpretação da banda sonora criada por Yann Tiersen para o filme francês “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”. Lucien N Luciano, cujo verdadeiro nome é Lucien Nicotet, é DJ desde 1993 e produtor desde 1997, sendo um dos pioneiros da cena musical electrónica na América Latina. Para além das actuações ao vivo em rádios e clubes de Santiago do Chile, Luciano tem também marcado presença noutros países da América do Sul, bem como na Alemanha, em Espanha e na Holanda. O músico, que está representado em cinco editoras, vive desde 2000 em Genebra, na Suiça. Nos seus trabalhos, Lucien N Luciano mistura a identidade chilena e suiça, criando uma mística junção de techno profundo e música electrónica, integrando elementos do sul nos ritmos e padrões coloridos no som. Um estilo experimental e espaçoso, cuja marca assenta no groove e no minimalismo.

Jorge Costa

sexta-feira, 5 de maio de 2006

Emissão #7 - 6 Maio 2006

A sétima emissão do MULTIPISTAS - MÚSICAS DO MUNDO, difundida no sábado, 6 de Maio, entre as 17 e as 18 horas, na Rádio Urbana (Castelo Branco - 97.5 FM; Fundão, Covilhã e Guarda - 100.8 FM), vai de novo para o ar na segunda-feira, 8 de Maio, entre as 19 e as 20 horas.

"Jota da Gheada", Berrogüetto (Espanha) - celtic music
Este grupo galego traz-nos um tema extraído do seu primeiro álbum “Navicularia”, editado em 1996. Neste trabalho, em que os Berrogüetto trabalharam lado a lado com músicos como o arménio Jivan Gasparian, o sueco Markus Svensson ou o húngaro Kalman Balogh, foi aclamado pela crítica e ganhou vários prémios internacionais. Os “sete magníficos” dizem ser uma fábrica de ideias em que a música se funde com outras artes na busca de elementos sonoros inovadores. Para celebrarem os seus dez anos de carreira, ainda este ano deverá ser editado o seu quarto disco: “DeSolASons” (de sol a sons/desolações). A ideia nasceu em 1998 do convite para comporem a banda sonora dum programa sobre energias alternativas num estúdio alimentado a energia solar, construído nas Ilhas Cíes. Ironicamente, quatro anos depois, este paraíso natural foi alvo da pior catástrofe marinha da Europa, quando o petroleiro Prestige se partiu em dois, vertendo 170 mil toneladas de crude ao longo da costa galega. A desolação levou o grupo a transformar o projecto inicial numa suite, interpretada com a Orquestra da Catalunha. Tradição, modernidade e consciência ecológica juntos numa festa para os sentidos.

"Chao - Curuxeiras", Susana Seivane (Espanha) - celtic music
A gaiteira Susana Seivane é neta de Xosé Manuel Seivane, um dos mais conceituados artesãos galegos. Diz a tradição que a madeira de buxo ou buxeiro, utilizada na construção das gaitas de foles galegas, deve ficar mais de cem anos à espera de um artesão que lhe consiga descobrir a alma e transformá-la no instrumento musical. No seu segundo álbum, intitulado “Alma de Buxo” e editado em 2002, a jovem Susana Seivane segue a tradição musical da Galiza com várias xotas, muiñeiras, marchas e outras composições típicas daquela região, adicionando-lhes no entanto a bateria, o baixo e algumas amostras de música pop. E não é de espantar a sua mestria no manejo da gaita-de-foles, até porque começou a tocar este instrumento aos quatro anos. Um álbum onde Susana Seivane é acompanhada por músicos como o ex-Milladoiro Rodrigo Romani e o basco Kepa Junkera, e em que presta homenagem aos gaiteiros da sua terra, como é o caso de Pepe Vaamonde e do próprio avô, já que inclui duas versões do tema “Chao – Curuxeiras”, uma tocada por Xosé Manuel Seivane e a outra, emitida neste programa e interpretada por ela própria. São duas gerações de gaiteiros reunidas num só disco.

"Oualahila Ar Tesninam", Tinariwen
(Mali) - touareg music, rock, blues
Este grupo traz-nos um tema extraído do álbum “Amassakoul” (viajante), editado em 2004. O nascimento dos Tinariwen no final dos anos 70, o primeiro a surgir das areias do deserto do Saara, está ligado à vida errante dos tuaregues, povo nómada descendente dos berberes do norte de África. A música destes artistas, que vagueiam entre a Argélia, o Mali, o Níger e a Líbia, apela ao despertar político das consciências e aborda os problemas do exílio e da repressão. Os Taghreft Tinariwen (o grupo dos desertos) transformaram-se numa lenda viva, isto porque no início dos anos 90 Ibrahim e Keddu, dois dos seus elementos, integravam o grupo de gerrilheiros que atacou um posto militar em Menaka, na fronteira entre o Mali e o Níger, abrindo um novo conflito entre as tropas governamentais do Mali e os separatistas tuaregues do norte. A música deste povo, transposta para a modernidade neste álbum gravado em Bamako, é acompanhada pelo tindé – instrumento de percussão tocado por mulheres –, pela flauta t’zamârt e pela guitarra eléctrica. Na sonoridade rítmica e harmónica dos Tinariwen está também presente a asoüf, solidão característica da poesia cantada pelos tuaregues que, tal como os blues, demonstra um sentimento de desamparo universal.

"Çigil", Nuru Kane (Senegal) - gnawa, mbalax, mandingo, afro-funk
Nuru Kane traz-nos um tema extraído do álbum do mesmo nome. O músico senegalês nasceu em Medina, um distrito conhecido pelos seus artistas. Aos 15 anos Nuru Kane começou a tocar baixo e guitarra. Na década seguinte, ao juntar-se a várias bandas, inspira-se no afro-funk, no reggae, no jazz, nos blues, no mbalax e no mandingo, mas é em Marrocos que se deixa cativar pelos ritmos dos gnawa (música dos antigos escravos negros levados para Marrocos), os quais acabariam por servir de base às suas enérgicas actuações ao vivo e dariam lugar à sua banda “Bayefall Gnawa”, sedeada em Paris. Acompanhado pelo seu guimbri (uma espécie de baixo acústico arcaico de três cordas), da guitarra acústica e da sanza (lamelofone da África Central), Nuru Kane mistura a música do norte da África com reminescências de Ali Farka Touré. E mesmo que a instrumentação de Sigil seja sobretudo acústica, rodando à volta dos blues, o resultado esse é eléctrico, fundindo um ritmo minimal com uma versão remota de psicadelismo.

"Enta Ma'oltesh Leih", Amr Diab (Egipto) - jeel music, raï
Amr Diab, que nos traz um tema extraído do álbum "Allem Alby", editado em 2003, e cujo verdadeiro nome é Amro Abd Al-Bassit Abd Al-Aziz Diab, nasceu em Port Said, no Egipto, sendo um dos músicos mais populares nos países árabes. O rei da pop árabe, que começou por cantar em anúncios publicitários aos seis anos, estudou na Academia de Artes do Cairo, a capital do Egipto, tendo-se destacado rapidamente pelo seu novo estilo de música árabe pan-mediterrânica, que fundiu com amostras de flamenco, raï, pop ocidental e ritmos tradicionais árabes. Uma prova de que a música do mediterrâneo, tal como a vida nesta região do planeta, é uma mistura de odores, cores e sons. Em 1992 Amr Diab tornou-se o primeiro artista árabe a produzir um videoclip moderno, estreando-se no ano seguinte no cinema, onde chegaria a contracenar com o muldialmente conhecido Omar Sharif.


"Love Trap", Susheela Raman (Índia, Reino Unido) - indian folk, pop
Susheela Raman, que nos traz o tema “Love Trap”, extraído do álbum do mesmo nome, editado em 2003, nasceu em Londres, mas a sua família, que emigrou para o Reino Unido e para a Austrália, é natural da região indiana de Tamil. Neste trabalho, Susheela Raman explora o reportório carnático, característico do sul da Índia, e o folk do norte daquele país, cantando músicas originalmente compostas em sânscrito e telegu. E se nos álbums anteriores músicos europeus, asiáticos e africanos tocavam temas indianos, em “Love Trap” músicos indianos interpretam canções em inglês. Com o blues na voz, universo que a influenciou em adolescente, e a presença constante do guitarrista Sam Mills, Susheela Raman junta então a música indiana a melodias pop e influências do jazz, do rock, do funk e do drum ‘n’ bass.


"Malademna", Shukar Collective (Roménia) - ursari music, folktronic
No álbum “Urban Gypsy”, editado em 2005, estes embaixadores da nova geração de músicos ciganos romenos tocam música ursari usando colheres, tambores de madeira ou a darabuka (outra espécie de tambor), criando assim um poderoso som folk que também se aventura no mundo da electrónica. Os três fundadores dos Shukar Collective começaram por tocar num conhecido clube de jazz de Bucareste. O grupo procura misturar peças folclóricas com as tecnologias actuais, mantendo no entanto o seu aspecto original. A música ursari remonta à época em que os tártaros e os mongóis invadiram a antiga Dácia, que é hoje a Roménia. Seguindo a tradição, um pequeno grupo de homens canta e toca instrumentos de percussão enquanto que um urso “dança” à sua volta – ursar quer dizer “domador ou treinador de ursos”. Uma música muito poderosa e agressiva, mas ao mesmo tempo emocional e espirituosa.

"Za Nashov Stodolov", Haydamaky (Ucrânia) - carpathian ska, ukranian dub machine, hutzul punk
Desta feita, os ucranianos Haydamaky trazem-nos “Za Nashov Stodolov” (Atrás do nosso celeiro), um tema extraído do álbum “Ukraine Calling”, editado este ano e que já pudemos conhecer no programa. Eles levam-nos pelos caminhos do ska das montanhas dos Cárpatos, do reggae, do punk hutzul e da dub machine, misturando-os com a folk ucraniana. Para além dos espectáculos que têm feito em toda a Europa de Leste, em 2004 os Haidamaky apoiaram a revolução laranja que mobilizou a Ucrânia, tendo um dos seus temas sido muito rodado nas estações de rádio alternativas. A música dos Haydamaky, caracterizada por energia turbulenta e por uma montanha russa de melodias, combina raízes ucranianas com standards europeus.

"Samba do Gringo Paulista [Zero dB reconstruction]", Suba (ex-Jugoslávia) - brasilian electronica
Este tema original do produtor jugoslavo Suba surge-nos numa versão remisturada pela dupla de DJ’s Zero dB Reconstruction, que lhe adicionaram ainda a voz de Mónica Vasconcelos. A música, extraída do álbum “Tributo”, é uma homenagem ao músico morto em 1999 e cujo verdadeiro nome era Mitar Subotic. No final dos anos 80, Suba trocou a então Jugoslávia pelo Brasil onde, para além de compor para teatro e cinema, se dedicaria à pesquisa de ritmos afro-brasileiros e de música nativa. Ao desenvolver sons e batidas electrónicas com ligações ao funk, à new wave e à ambient, misturando-os com elementos de todos os estilos musicais brasileiros, o compositor influenciou toda uma geração de artistas. Mitar Subotic trabalhou com músicos como Bebel Gilberto, Daniela Mercury, Skank, Mastre Ambrósio, Hermeto Pascoal, Marcos Suzano e Ale Muniz.

"En Algún Lugar", Amparanoia (Espanha) - rumba, reggae, son, bolero, ska
Os espanhóis Amparanoia trazem-nos o tema “En Algún Lugar”, extraído do álbum “Somos Viento”, editado em 2002. Sedeado em Madrid, o grupo foi buscar o seu nome à vocalista Amparo Sánchez. Em 1996, a jovem andaluza criou este projecto musical, que acabaria por nascer no bairro de Lavapies, em Madrid, e viria a crescer e desenvolver-se em Barcelona. Tendo por lema a expressão “rebeldia com alegria”, os Amparanoia misturam a rumba, o reggae, o son, o bolero, o ska e toda uma gama de sons latinos alternativos, onde sobressaem a inspiração e a improvisação. No ano passado eles receberam o prémio de melhor grupo europeu no BBC Radio 3 World Music Awards. Portugal também foi ponto de paragem numa das suas digressões por todo o mundo: em 2004 eles estiveram em Aveiro e em Lisboa, no Rock in Rio.

"Dipama", Richard Bona (Camarões) - afropop
Richard Bona traz-nos o tema “Dipama”, extraído do álbum “Tiki”, editado em 2005. O multi-instrumentista e compositor, nascido nos Camarões, cedo despertou para a música. Como na sua vila natal não havia uma loja de instrumentos, as cordas da sua primeira guitarra artesanal foram feitas com cabos de travões de bicicleta. Mais tarde, na década de 80, Richard Bona desperta para o mundo do jazz e começa a tocar baixo. Vai para Paris, onde aperfeiçoa as suas capacidades de escrever e tocar música e, em 1995, tenta a sua sorte em Nova Iorque. Este contador de histórias mistura as suas raízes musicais africanas com a sensibilidade do jazz, os ritmos afro-cubanos e a pop anglo-saxónica. Um aglomerado de influências que Richard Bona combina neste trabalho com uma voz suave e expressiva, de onde escapa doçura e nostalgia.

Jorge Costa