Mostrar mensagens com a etiqueta Garmarna. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Garmarna. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Emissão #58 - 9 Fevereiro 2008

A 58ª emissão do MULTIPISTAS - MÚSICAS DO MUNDO, difundida no sábado, 9 de Fevereiro, entre as 17 e as 18 horas, na Rádio Urbana (Castelo Branco - 97.5 FM; Fundão, Covilhã e Guarda - 100.8 FM), vai de novo para o ar na quarta-feira, 13 de Fevereiro, entre as 21 e as 22 horas, sendo reposta três semanas depois (1 e 5 de Março) nos horários atrás indicados.

"Colonie", Red Cardell (França) - folk-rock
Os Red Cardell a abrirem mais uma emissão com “Colonie”, tema retirado do álbum “Sans Fard”, sétimo trabalho do grupo, editado em 2003. Originários da cidade francesa de Quimper, eles são uma das mais conhecidas bandas tradicionais da Bretanha. O grupo, formado em 1992 e de que hoje fazem parte Jean-Pierre Riou, Jean-Michel Moal e Manu Masko, começou por tocar em bares. Surgidos no movimento do rock bretão, e à margem da nova vaga celta, os Red Cardell decidiram então fundir as danças e os cantos tradicionais da Bretanha com ritmos da Europa de Leste, da América do Sul ou do norte de África. Uma viagem em que géneros como a folk berbere e ucraniana, o tango, o reggae, a dub, o funk ou o java se juntam com influências diversas que vão do punk-rock anglo-saxónico ao rap e ao techno. Geografias sonoras à mistura com textos poéticos em inglês e francês, os quais abordam temas recorrentes no blues, na chanson française ou no gwerz (canto bretão a capella onde se aborda o quotidiano). Um ambiente festivo multi-étnico que tem por base instrumental o acordeão, a bombarda bretã, a flauta, as guitarras acústica e eléctrica, a bateria ou os sintetizadores.

"Areias de Sal", Júlio Pereira (Portugal) - folk, acoustic, fusion
As músicas do mundo prosseguem com Júlio Pereira e "Areias de Sal", tema que integra o seu último álbum “Geografias”, lançado em 2007. Um conjunto de inéditos instrumentais baseados em memórias de viagens e experimentações sonoras, resultado da combinação entre bandolim, guitarra portuguesa, viola braguesa, bouzouki e sintetizadores. Depois de muitos anos ligado ao cavaquinho, Júlio Pereira volta-se agora para outro cordofone pequeno, o bandolim, instrumento que o acompanha desde a infância. São sons tradicionais portugueses à mistura com ritmos africanos e orientais, num trabalho que conta com as vozes de Sara Tavares, Isabel Dias (grupo minhoto Raízes) e Marisa Pinto (Donna Maria), bem como Miguel Veras na viola acústica e guitarra e Bernardo Couto na guitarra portuguesa. Júlio Pereira estreou-se no rock com grupos como os Petrus Castrus e os Xarhanga. Da inovação musical dos anos 60/70, à revitalização dos instrumentos tradicionais, a partir dos anos 80/90 Júlio Pereira associou-os a soluções acústicas contemporâneas. Ao longo de mais de três décadas de carreira, o multi-instrumentista, compositor e produtor tem colaborado com músicos como Carlos do Carmo, Amélia Muge, Pedro Burmester, Eugénia Melo e Castro, Zeca e João Afonso, José Mário Branco, Jorge Palma, Janita Salomé ou Fausto, bem como os The Chieftains, Pete Seeger, Kepa Junkera, Xosé Manuel Budiño, Uxia ou Na Lúa.

"La Caverne", Claire Pelletier (Canadá) - celtic music
Claire Pelletier de novo no programa, desta feita com “La Caverne”, uma composição que nos remete para a conhecida alegoria de Platão. O tema faz parte do álbum “En Concert Au St-Denis”, gravado ao vivo em Outubro de 2002 no teatro Saint-Denis, em Montreal, no Canadá. Desde muito pequena que a rapariga da voz azul-marinho, baptizada de Claire La Sirène (A Sereia) se deixou fascinar pelos contos, lendas e canções tradicionais do Quebeque, província onde 80 por cento da população é de descendência francesa. Aos 24 anos, a jovem trocava o curso de oceanografia pela música, surgindo inicialmente ao lado do grupo Tracadièche. Depois de ter dado a conhecer “Galileo” no Quebeque e na Europa francófona, neste álbum Claire Pelletier, o músico e seu marido Pierre Duchesne e o compositor Marc Chabot misturam as músicas dos álbuns “Murmures d'Histoire” (1996) e “Galileo” (2000), ligando a inspiração medieval, a alma céltica, as melodias tradicionais e as lendas da antiguidade. Um espectáculo em que o duo harmónico combina o piano, o violino, a viola e o contrabaixo com sons electrónicos. Como a vela de um barco, a voz envolvente e suave de Claire Pelletier iça-se, estica-se e apoia-se sobre o vento.

"Bajjan", Youssou N'Dour (Senegal) - mbalax, afropop
A jornada continua com Youssou N'Dour e o tema “Bajjan”, retirado do álbum “Rokku Mi Rokka” (Apanhar e Levar), editado em 2007. Trabalho onde o mais famoso cantor senegalês se aproxima dos cantos religiosos sufi, das percussões dos griots e dos sons do norte do Senegal, num apelo à paz, tolerância e valorização do continente africano. No final dos anos 70, o autor, intérprete e músico, que aprendeu a cantar com a mãe, formava com o cantor El Hadj Faye os L'Etoile de Dakar, e em 1981 os Le Super Étoile de Dakar. Cruzando os ritmos sincopados do mbalax senegalês com a pop internacional, numa fusão que inclui o jazz, a soul e arranjos afro-cubanos, o “rouxinol de Dakar” depressa cativou o público ocidental sem no entanto abdicar das suas raízes, conquistando o estatuto de embaixador da música africana. Nos seus temas em wolof e inglês, Youssou N’Dour retrata o mundo da pobreza, da emigração ou os valores culturais africanos. Um dos mais conhecidos a nível global é “Seven Seconds”, gravado com Neneh Cherry. Através da música, Youssou N'Dour pretende quebrar o silêncio das crianças que sofrem e abraçar as causas humanitárias. Da fundação com o seu nome aos concertos em benefício da Amnistia Internacional, o embaixador da boa vontade para as Nações Unidas e para a UNICEF tem por isso mesmo colaborado com músicos como Peter Gabriel, Axelle Red, Sting, Alan Stivell, Bran Van 3000, Wyclef Jean, Paul Simon, Bruce Springsteen, Tracy Chapman, Branford Marsalis, Ryuichi Sakamoto ou o camaronês Manu Dibango.

"Ndongoy Daara", Orchestra Baobab (Senegal) - afropop, afrobeat, salsa
A Orchestra Baobab estreia-se no programa com "Ndongoy Daara", um protesto contra a corrupção escrito por Laye Mboup, músico cuja sonoridade inspirou os primeiros êxitos da banda. A música faz parte do disco “Specialist In All Styles”, gravado em Londres e lançado em 2002. Primeiro álbum da Orchestra Baobab depois de duas décadas de inactividade, produzido por Youssou N'Dour e Nick Gold, e onde são convidados Ibrahim Ferrer (dos Buena Vista Social Club) e Thio M'Baye. Recorde-se que o grupo se dissolveu em 1987, depois de o percussivo mbalax se ter tornado mais popular do que a sua melódica pop senegalesa. Neste trabalho, a Orchestra Baobab, que a 24 de Julho vai estar no Festival de Músicas do Mundo de Sines, recupera o espírito de fusão que a celebrizou. Surgidos em Dakar em 1970 na inauguração do Baobab Club, a banda, cujo nome se refere à majestosa árvore da savana, foi formada em grande parte por veteranos da Star Band. Balla Sidibe, Rudy Gomis, Ndiouga Dieng, Assane Mboup, Medoune Diallo, Barthélemy Attisso, Issa Cissoko, Thierno Koite, Latfi Ben Geloune, Charlie N'Diaye e Mountaga Koite misturam sons tradicionais da África Ocidental com a música cubana e caribenha (son, pachanga, salsa ou bolero) e com a pop ocidental. As melodias crioulas portuguesas, do Togo e Marrocos, a rumba congolesa ou o high life ganês são então adaptados às influências wolof da cultura griot do norte do Senegal, às harmonias mandinga da região de Casamance e às percussões do sul do país.

"Domschottis", Garmarna (Suécia) - folk-rock
Os suecos Garmarna regressam ao programa com “Domschottis”, tema extraído do álbum “Vittrad” ("Withered", em inglês), lançado em 1994. A banda surgiu quatro anos antes, depois de três jovens suecos de Sundsvall - Gotte Ringqvist, Stefan Brisland-Ferner e Rickard Westman – terem ficado impressionados com a componente musical de uma representação do clássico ”Hamlet“, de Shakespeare. Inspirados pela velha música sueca, estes começaram então a procurar antigas melodias e instrumentos. O grupo, a que hoje se junta Emma Härdelin, canta velhas lendas da música tradicional do seu país, falando de bruxas más, madrastas tenebrosas e de princesas indefesas. Convém explicar que na mitologia sueca os Garmarna eram os cães que guardavam a porta do inferno. Uma imagem metafórica que se transpõe facilmente para os cenários sonoros criados por este quinteto, que oscila entre as estéticas anglo-saxónicas e os ambientes da música tradicional sueca. No entanto, os Garmarna não fazem questão de perpetuar tradições. O que eles procuram é antes um som único, influenciado pelo rock, e que misture a instrumentação antiga - das harpas e violinos às sanfonas e guitarras - com sequenciadores, amostras de batidas e sons distorcidos.

"Höglorfen", Hendingarna (Suécia) - swedish folk, ethno-punk
Seguem-se os Hedningarna com “Höglorfen”, tema retirado do álbum “Hippjokk”, editado em 1997. Trabalho onde o ressurgido ensemble musical, agora já sem o canto yoik/juoiggus das finlandesas Sanna Kurki-Suonio e Anita Lehtola, tem por convidados o finlândes Wimme Saari, o norueguês Knut Reiersrud, bem como Johan Liljemak, Ola Bäckström e Ulf Ivarsson. Das incursões pelo mundo do rock à pop e ao techno, os Hedningarna (em sueco, “hedning” significa "pagão") misturam sonoridades contemporâneas com elementos da música tradicional nórdica. Temas que a banda, formada em 1987 e da qual hoje fazem parte Anders Skate Norudde, Hållbus Totte Mattsson, Christian Svensson e Magnus Stinnerbom, reinterpreta de forma livre e inventiva, juntando-lhe ainda percussões acústicas e electrónicas. Para isso, servem-se de antigos instrumentos de vários países do norte da Europa, e não só, como a moraharpa (versão medieval da nyckelharpa, harpa tradicional sueca, semelhante a um violino com teclas), a stråkharpa (lira nórdica de arco), o lagbordun, o hummel (cordofone sueco, da família da cítara e semelhante ao norueguês langeleik), a mandora (cordofone da família do alaúde), o oud (alaúde árabe), a sanfona, a guitarra barroca, a flauta transversal, o violino, a gaita sueca, o acordeão, o didgeridoo e o pandeiro.
"El Capitán", The Cuban Cowboys (EUA) - spanglish indie rock, son, montuno
Despedimo-nos com “El Capitán” dos The Cuban Cowboys, tema retirado do seu álbum de estreia “Cuban Candles”, editado em 2007. Uma canção onde o grupo fala sobre um marinheiro mulherengo sempre ausente de casa, com filhos em todo o lado, e uma vida recheada de degradação e violência. Trabalho que é uma amálgama de influências culturais, cruzadas com histórias sobre o exílio cubano, a imigração dos pais para os Estados Unidos, as expectativas e os sonhos desfeitos ou ainda sobre a reconciliação destes jovens com as duas culturas a que pertencem. À voz de Jorge “Hialeah” Navarro juntam-se então a guitarra de Luca “iLL Postino” Benedetti, o baixo de Angeline “Diamante En Bruto” Saris e as percussões de Andy “Chulito Del Fuego” Sanesi. O resultado é um cruzamento dos cubanos son e montuno, géneros tradicionais a que os The Cuban Cowboys adicionam uma mistura explosiva feita de punk e rock latino. Formados em Brooklyn em 2000 e extremamente populares nos clubes de Nova Iorque e São Francisco, eles consideram-se a maior banda de surf rock cubano, definição adequada à sua mescla algo absurda, mas sempre bem disposta, de ritmadas melodias em “espanglês”. Sons que os próprios The Cuban Cowboys situam algures entre as coordenadas musicais dos Buena Vista Social Club, dos The Pixies, de Ricky Ricardo ou de Tom Waits.

quarta-feira, 27 de setembro de 2006

Emissão #27 - 30 Setembro 2006

A 27ª emissão do MULTIPISTAS - MÚSICAS DO MUNDO, difundida no sábado, 30 de Setembro, entre as 17 e as 18 horas, na Rádio Urbana (Castelo Branco - 97.5 FM; Fundão, Covilhã e Guarda - 100.8 FM), vai de novo para o ar na segunda-feira, 2 de Outubro, entre as 19 e as 20 horas, sendo reposta três semanas depois (21 e 23 de Outubro) nos horários atrás indicados.

"Ghole Pamtschal", Schäl Sick Brass Band
(Alemanha) - brass band, jazz, folk
Os Schäl Sick Brass Band a abrirem a emissão com o tema "Ghole Pamtschal", extraído do álbum "Tschupun", editado em 1999. O grupo surgiu em Colónia, capital cultural da província da Renânia e fortaleza mediterrânica da Alemanha. Um dos muitos emigrantes e visitantes de todo o mundo que a encheram de sons coloridos foi Raimund Kroboth, que em 1977 se instalou na margem direita do Reno. No dialecto local, aquela parte da cidade é conhecida precisamente por "Schäl Sick" (lado errado). Isto porque está do lado contrário à catedral e ao centro de Colónia, e porque é um enclave protestante na católica Renânia. Partindo de uma secção de ritmo que tem por base a tuba, a cítara popular e as percussões, os Schäl Sick Brass Band utilizam o som das fanfarras da região alemã da Bavaria e da Boémia checa para explorarem com inovação e versatilidade a música de outras culturas. Eles combinam elementos de jazz com o rock, o funk, o hip-hop o rap ou a folk. Um universo sonoro influenciado pela Europa central e de Leste e pelo norte de África, onde convivem ritmos cubanos, gregos, latinos, africanos e orientais, e instrumentos de todo o mundo - tavil, kanjira, dhol, dolki, omele, sekere, gangan, thereminvox, entre muitos outros. Um ambiente festivo em que se celebra a música de todo o planeta e onde o lema é "pensar global, soprar local"...

"Morning Nightcap",
Lúnasa (Irlanda) - celtic
As músicas do mundo prosseguem com os Lúnasa e o tema "Morning Nightcap", extraído do álbum "The Merry Sisters of Fate", lançado em 2001. Na Irlanda, ainda hoje o mês de Agosto é conhecido por Lúnasa - o termo original era Lughnasadh -, uma alusão ao antigo festival celta outrora realizado no primeiro dia de Outono em honra do deus irlandês Lugh, patrono das artes. Este quinteto instrumental, criado em 1997, contraria a tendência de fundir a música tradicional com o rock, a pop ou a música electrónica. No enteder dos Lúnasa, a renovação da música celta passa pela tradição, embora eles não fechem portas a novas sonoridades. O grupo transporta a música acústica do seu país para novos territórios, acudindo directamente ao coração dos ritmos. Inspirados pela The Bothy Band, referência dos anos de 1970, os novos deuses da música irlandesa juntam de maneira singular o violino, a flauta, o whistle, o baixo e a guitarra acústica, explorando também as raízes bretãs e galegas. Ao baixista Trevor Hutchinson (ex-Waterboys) e ao guitarrista Paul Meehan (que veio substituir Donogh Hennessy, antigo membro da Sharon Shannon Band) juntam-se então o violinista Seán Smyth e as flautas e gaitas irlandesas de Kevin Krawford e Cillian Vallely. Graças aos seus arranjos inventivos e ao som enérgico com influências do jazz, blues, rock, country e outras formas de improviso, os Lúnasa definiram um novo standard para a música irlandesa de raízes tradicionais.

"Per la Boca", L'Ham de Foc
(Espanha) - traditional folk
Os valencianos L’Ham de Foc (Anzol de Fogo) regressam ao programa, desta feita com “Per la Boca”, tema extraído do seu terceiro e último álbum “Cor de Porc” (Coração de Porco), editado no ano passado. Desde 1998 que os L’Ham de Foc se servem de mais de trinta instrumentos acústicos mediterrânicos – darabuka, bendir, gaitas galega e búlgara, violino, sanfona, saltério, bouzouki, alaúde e cítara são alguns deles – para criarem atmosferas intensas e mágicas. Utilizando uma orquestração tradicional, mas socorrendo-se de uma linguagem actualizada, os L’Ham de Foc entrelaçam a música medieval ocidental, do Médio Oriente ou do Mediterrâneo oriental, num universo de sons africanos, europeus e orientais, criando um conglomerado sonoro que se concentra em redor do Mediterrâneo. As percussões são a base para os textos e melodias modais tecidas pela voz de Mara Aranda, que é acompanhada por instrumentos de corda e sopro, tocados por Efrén López. Contrariando a tendência crescente da folk actual pelos ritmos electrónicos, os L’Ham de Foc confiam na simplicidade do som acústico e na pureza da música medieval. Algo que os tornou uma referência em todo o mundo no que toca à música tradicional.

"Khululuma", African Rhythm Travellers
(África do Sul) - african dance
A viagem prossegue com os African Rhythm Travellers e o tema "Khululuma", extraído do album "Putumayo Presents African Groove", editado em 2003. Os African Rythm Travellers nasceram em Joanesburgo, na África do Sul, em 2001, fruto da colaboração entre os membros dos Colorfields, uma banda performativa da Cidade do Cabo, e os The Branch, um grupo local de afro-reggae. Eles juntam o kwaito com o funk, o reggae, a dub, a house e a música electrónica, criando uma mistura única de ritmos e melodias africanas a que chamaram de african dance. São sons tribais que se cruzam com géneros urbanos. Os African Rhythm Travellers são formados por Ben Amato (teclados, guitarra, saxofone e flauta), Eric Michot (baixo), Ash Read (tambores), Lennox Olivier (percussões), Danial "Dials" Gous (guitarra), Judah (vozes) e Kirsten Olivier (teclados), incorporando no seu repertório a sonoridade do bongo, do saxofone e mesmo da flauta. As letras são apimentadas com comentários sociais e espiritualidade rastafari. O objectivo da sua música é dar algo positivo ao mundo e abrir o seu universo musical a toda a gente, numa mensagem que apela à consciencialização.

"Let Them Talk", Geraldo Pino & The Heartbeats (Serra Leoa) - afro soul funk
Seguimos até à Serra Leoa com Geraldo Pino e os The Heartbeats. Eles trouxeram-nos o tema “Let Them Talk”, extraído da antologia "Afro Soco Soul Live". Um CD editado no ano passado para resgatar do desconhecimento o álbum “Heavy Heavy Heavy”, gravado entre 1962 e 1967. Cantor, guitarrista e líder dos The Heartbeats, Geraldo Pino, cujo verdadeiro nome é Gerald Pine, foi o herói do afro soul funk e um dos pioneiros da afrobeat na África Ocidental nas décadas de 60 e 70. Em 1961, com a explosão do rock'n'roll, ele e a sua banda começam por interpretar sucessos da soul e da pop inglesa e americana, tornando-se a primeira orquestra do género na região. Quatro anos depois partem para Monróvia, capital da Libéria, o primeiro país africano em se popularizaram os discos de James Brown, Ray Charles, Otis Redding e Wilson Pickett. Marcas que a banda levaria consigo nas tournées pelo Gana e Nigéria. Com a crescente influência do funk latino, a música de Gerald Pino e dos The Heartbeats africaniza-se, ganhando energia, ritmo e slogans políticos. Na sua primeira actuação em Lagos, na Nigéria, o estilo inovador de Geraldo Pino influenciou de tal forma Fela Kuti, então dedicado ao jazz e ao highlife, que este evitou actuar em locais onde ele já tivesse passado. Isto porque acreditava que nada poderia superar o James Brown africano.

"Hakmet Lakdar", Hasna El Becharia
(Argélia) - gnawa music
A jornada musical prossegue com Hasna El Becharia e o tema “Hakmet Lakdar”, extraído do álbum “Djazaïr Johara”, editado em 2001. Os ritmos e melodias dos escravos negros africanos e dos imigrantes e seus descendentes são parte da cultura musical do norte de África. Uma herança que em Marrocos tem o nome de gnawa, e na Argélia é chamada de diwan de Bechar. É precisamente em Bechar, cidade situada no sul da Argélia, junto ao deserto do Sáara, que vive Hasna El Becharia, a rainha do diwan e da vibrante música de casamentos. Em 1972 ela formou um grupo com três amigos, começando por tocar na guitarra acústica os ritmos tradicionais do deserto. O sucesso nas festas não se faz esperar, e para se destacar das vozes do público, que cantava em coro as suas canções, Hasna El Becharia decide enveredar pela guitarra eléctrica. A fama estende-se então a todo o sul da Argélia. Apesar de dominar a utilização de instrumentos afro-magrebinos como o gumbri (baixo de três cordas do Sáara) ou a krakesh (espécie de castanholas de metal), e de tocar também oud, derbouka, bendir e banjo, a guitarra é a sua vida. Em mais de cinquenta anos de carreira, Hasna El Becharia gravou apenas um trabalho. Tudo porque os produtores argelinos nunca lhe inspiraram confiança. Neste disco, em que participam músicos da Argélia, Marrocos, Tunísia e Níger, Hasna El Becharia explora o som das guitarras e dos timbres vocais, deixando transparecer o seu profundo sentido de improviso e composição.

"Sahra Saidi", Gamal Goma (Egipto) - bellydance
O percusionista Gamal Goma traz-nos o tema “Sahra Saidi”, extraído do álbum “Shake Me Ya Gamal”, lançado em 2003. Gamal Goma nasceu em Giza, no Egipto, e graduou-se na Academia de Música do Cairo, acumulando duas décadas de experiência com os mais famosos ensembles do Médio Oriente e América. Na capa deste disco, uma colecção de solos de percussão, cada um baseado num ritmo particular – saidi, malfoof, maqsum, ayyoub, khaliji ou fallahi –, ele surge ao lado da dançarina Fifi Abdou. Especialista na tabla (tambor indiano), Gamal Goma toca também doholla (tabla grave), mazhar (pandeireta gigante), riqq (pandeireta árabe), sagat (timbales de dedo) e dufs (espécie de pandeireta). Neste trabalho podemos conhecer algumas composições para raqs sharki, termo árabe para dança do ventre, e que traduzido literalmente equivale a “dança do Oriente”. Um género enraizado numa dança levada a cabo em celebrações comunitárias e dançada por todos os membros da comunidade. Com o crescimento do Islão veio a segregação entre homens e mulheres, mas no século XX o desenvolvimento dos media precipitou a sua dissolução. Com a introdução da dança do ventre nos Estados Unidos pelo vaudeville e pelos espectáculos burlescos, esta popularizou-se em todo o mundo. Se no Egipto e Líbano a dança do ventre é acompanhada pelo oud (alaúde), a kanoun (cítara arménia), o kaman (violino árabe), a nay (flauta egípcia de bambu), o rabab (cordofone de arco, principal instrumento da música afegã), o mizmar (clarinete árabe), o dumbek (tambor egípcio), a tabla ou a riqq, nas danças turcas têm lugar o saz (instrumento de cordas), o azoukie (alaúde comprido), a kanoun, o dumbek e a zurna (flauta de montanha).

"Min Man", Garmarna (Suécia) - folk-rock
Os suecos Garmarna trazem-nos o tema "Min Man" (O Meu Marido), extraído do álbum “Live”, editado em 2002. Esta banda de rock, formada em 1990, canta velhas lendas da música tradicional do seu país, falando de bruxas más, madrastas tenebrosas e de princesas indefesas. Convém explicar que na mitologia sueca os Garmarna eram os cães que guardavam a porta do inferno. Uma imagem metafórica que se transpõe facilmente para os cenários sonoros criados por este quinteto, que oscila entre as estéticas anglo-saxónicas e os ambientes da música tradicional sueca. No entanto, os Garmarna não fazem questão de perpetuar tradições. O que eles querem é tocar com a vontade do momento, com tudo o que isso tenha de eterno ou de efémero. Um som único, influenciado pelo rock, e que remistura a instrumentação antiga com amostras de batidas, harpas, violinos e guitarras distorcidas.

"Lovelight", Stereo Action Unlimited (França, Suiça) - acid jazz, latin lounge
A fechar a emissão os Stereo Action Unlimited com o tema "Lovelight", extraído do LP do mesmo nome e parteintegrante da colectânea"Paris Lounge", lançada em 2001. Os Stereo Action Unlimited são formados pelo francês Philippe Cohen Solal e pelo suíço Christophe Müeller, uma dupla que partilha outras experiências musicais como os The Boyz From Brazil, ligada às pistas de dança, e a mais popular delas todas, os Gotan Project, a qual envolve também o guitarrista Eduardo Makaroff e cria uma síntese entre o tango e a música electrónica. Desde 1997 que estes escultores do vinil e artesãos dos sons trabalham conjuntamente em projectos que combinam música e imagem, explorando paixões como a música sul-americana e os novos territórios electrónicos.

Jorge Costa

sábado, 15 de julho de 2006

Emissão #17 - 15 Julho 2006

A 17ª emissão do MULTIPISTAS - MÚSICAS DO MUNDO, difundida no sábado, 15 de Julho, entre as 17 e as 18 horas, na Rádio Urbana (Castelo Branco - 97.5 FM; Fundão, Covilhã e Guarda - 100.8 FM), vai de novo para o ar na segunda-feira, 17 de Julho, entre as 19 e as 20 horas.

"Muiñeiras", Cristina Pato (Espanha) -
celtic folk, folk-pop
A espontaneidade, frescura e energia de Cristina Pato está bem patente no tema “Muiñeiras”, original de Raquel Rodriguez, violinista dos Muntenrohi, banda que a diva da gaita-de-foles galega integrou na adolescência. Natural de Ourense, a jovem Cristina Pato tem tocado a solo e com grupos como os The Chieftains, Hevia, Vargas Blues Band ou as orquestras sinfónicas da Galiza e de Tenerife. Colaboraram também com ela, entre outros, José Peixoto, guitarrista dos Madredeus, e a portuguesa Marta Dias. Para além de gaiteira, Cristina Pato é pianista e compositora, aliando a perfeição técnica da música clássica com a espontaneidade da música popular. Uma carreira que começou aos quatro anos, altura em que quis seguir o exemplo da irmã mais velha, que já tocava gaita-de-foles. Foi na Real Banda de Gaitas de Ourense que esta ofereceu os seus primeiros recitais. Ao acabar o curso de piano em Barcelona, cumpriu a promessa feita à mãe de pintar o cabelo de verde, hoje sua imagem de marca. Cristina Pato, cujo sonho é ser directora de orquestra, foi a primeira gaiteira espanhola a editar um álbum a solo. Em 1999, com apenas 17 anos, lança “Tolemia” (palavra que em galego significa loucura), disco que vendeu quase 50 mil cópias e foi uma autêntica loucura, já que juntou 28 músicos e foi gravado em apenas 10 dias. São sons tradicionais à mistura com ritmos latinos e africanos, funky, pop, reggae ou blues, numa folk mestiça e divertida. Um trabalho em que colaboraram Carlos Castro, dos Fía Na Roca; Paco Juncal, ex-violinista dos Berrogüeto, os Blanco e os Beladona. Como quem toca guitarra eléctrica, Cristina Pato procura demonstrar de forma enérgica que a gaita-de-foles é um instrumento tradicional que extravasa as fronteiras da música celta.

"Raincheck"
, Kathryn Tickell (Reino Unido) - celtic music
As músicas do mundo prosseguem com Kathryn Tickell e o tema “Raincheck”, alusivo à tournée que esta tocadora de violino e de gaita-de-foles da Nortúmbria realizou na Turquia. Uma música extraída do seu sexto álbum “The Gathering”, editado em 1997. Juntamente com Ian Carr e Neil Harland, Kathryn mistura as suas composições com as melodias tradicionais daquele condado do nordeste de Inglaterra, criando uma folk ágil, profunda e ritmicamente complexa. Kathryn Tickell, que tem tocado em todo o mundo e gravado com nomes como os The Chieftains, Boys Of The Lough, Penguin Café Orchestra e Sting, conquistou os fãs de música celta experimental e de fusão, mantendo no entanto a veia tradicional. Ela começou a tocar gaita aos nove anos, inspirada pelo pai e por músicos como Willie Taylor, Will Atkinson, Joe Hutton, Richard Moscrop e Tom Hunter. Aos 16 anos lançava o seu primeiro álbum. Em 1990 forma a Kathryn Tickell Band, ano em que cria o Fundo dos Jovens Músicos para ajudar os jovens da região a desenvolverem o seu potencial musical. Entretanto, tem colaborado com os saxofonistas Andy Sheppard e John Surman, e desenvolvido programas para a rádio com jovens músicos da Grã-Bretanha. Em 2000 criava o Ensemble Mystical, projecto que reune músicos provenientes do mundo da música clássica, do jazz e da folk.

"Texiendo Suaños", Tejedor (Espanha) - asturian folk, celtic music
Os Tejedor trazem-nos o tema "Texiendo Suaños", extraído do álbum “Texedores de Suaños”. Este grupo asturiano, nascido em Avilés e formado pelos irmãos José Manuel, Javier e Eva Tejedor, é um dos grandes embaixadores da nova folk asturiana. Um potencial criativo e interpretativo comandado por José Manuel Tejedor, considerado o melhor gaiteiro asturiano da segunda metade do século XX. Nas melodias dos Tejedor reconhece-se a paixão destes professores pelo cancioneiro tradicional asturiano, que o ligam à influência celta, criando um som fresco, acústico e festivo. Considerado o melhor disco de folk em 1999, “Texedores de Suaños” reúne composições próprias e temas tradicionais das Astúrias, misturando as gaitas asturianas com a percussão, as flautas, o acordeão diatónico e o bodhrán. Mais tarde, os Tejedor adicionaram ao seu repertório novos elementos musicais que vão dos arranjos de cordas às programações electrónicas, tendo readaptado alguns temas tradicionais asturianos. O disco de estreia, produzido pela "vaca sagrada" da folk internacional Phil Cunningham (que participa também com o acordeão em algumas faixas), reuniu músicos privilegiados como Duncan Chishom (Wolfstone), Michael McGoldrick (Lúnasa, Capercaillie), James McKintosh (Shooglenifty, Afro Celt Sound System), Kepa Junkera e Chus Pedro (Nuberu).

"Malaisha", Miriam Makeba (África do Sul) - soul jazz, afro-pop
Para já segue-se a sul-africana Miriam Makeba, que nos traz o tema “Malaisha”, extraído do álbum “Hits & Highlights”. Ela foi a primeira mulher negra exilada por causa do apartheid e a primeira artista a colocar a música africana no mapa internacional. Miriam, que já gravou mais de 40 discos, cresceu a ouvir Duke Ellington, Billie Holiday e Ella Fitzgerald, sendo hoje capaz de cantar em nove línguas (francês, inglês, arábico, xhosa, kikongo, maninka, fula, nyanja e shona). Exilada por ter aparecido no filme “Come Back Africa”, a imperatriz da música africana passou 31 anos longe do seu país, lutando pelos direitos civis dos negros.
A sua carreira começa na década de 50 nos Cuban Brothers. Miriam torna-se conhecida como vocalista da formação de jazz Manhattan Brothers, juntando-se mais tarde ao grupo vocal feminino Skylarks. Em 1959 o realizador americano Lionel Togosin convida Miriam a apresentar um documentário sobre a África do Sul no festival de Veneza, o que enfureceria as autoridades sul-africanas. Miriam Makeba exila-se então nos Estados Unidos, criando sucessos como “Pata Pata", "The Clique Song" ou "Malaika". O seu casamento com Stokely Carmichael, o líder radical dos Panteras Negras, traz-lhe problemas com as autoridades americanas. Exila-se então na Guiné-Conacri, até que em 1990 Nelson Mandela a convence a regressar ao seu país.

"Plus Rien M'Étonne", Tiken Jah Fakoly (Costa do Marfim) - afropop, mandingo, soukous, african reggae
A viagem musical continua com Tiken Jah Fakoly e o tema “Plus Rien Me M’Etonne” (Já nada me mete surpreende), extraído do seu sétimo álbum “Coup de Gueule”, lançado em 2004. Um disco em que Tiken Jah Fakoly segue os caminhos do reggae africano de Alpha Blondy, fazendo uma ponte com a Jamaica, e mergulhando na tradição mandingo sem no entanto deixar de permanecer ligado ao urbano. De etnia malinké, Fakoly é descendente do chefe guerreiro Fakoly Koumba Fakoly Daaba e membro de uma família de griots, tradicionalmente vistos como os depositários da tradição oral de uma família, povo ou país. Neste álbum, o porta-voz da jovem geração da Costa do Marfim, exilado entre Bamako e Paris, ataca os regimes de alguns presidentes africanos, denunciando a injustiça, a corrupção e as desigualidades que todavia subsistem no continente, bem como a hipocrisia das religiões monoteístas. Fakoly apresenta temas em francês e em dioula, a língua da sua etnia e que é falada no norte da Costa do Marfim, na Guiné-Conacri, no Mali e no Burkina-Faso. Um trabalho de novo realizado por Tyrone Downie, e que conta com os ritmos de Sly Dunbar e Robbie Shakespeare, que nos trazem os inconfundíveis sons do balafon, da kora e do ngoni. Outros artistas do mundo ajudam o rebelde tranquilo a alargar a sua música a outros horizontes. Entre eles estão Didier Awadi, dos Positive Black Soul e um dos fundadores do hip-hop senegalês, e os irmãos Amokrane de Zebda e Magyd Cherfi.

"Yasar Geidu", Mariam Hassan & Leyoad (Saara Ocidental) - haul, sahrawi music

A jornada prossegue com o tema “Yasar Geidu”, extraído do álbum “Mariem Hassan com Leyoad”, editado em 2002. Mariem Hassan, que a 29 de Julho vai estar no Festival de Músicas do Mundo de Sines, é uma das figuras máximas da música sarauí e símbolo da luta deste povo pela independência. Compositora, letrista e dona de uma voz excepcional, Mariem canta com uma intensidade dilacerante o amor, a fé e o sofrimento da população do Saara Ocidental, antiga colónia espanhola que em 1975 Marrocos e a Mauritânia dividiram entre si. À semelhança de dezenas de milhares de sarauís, a jovem Mariem Hassan foi então obrigada ao exílio, refugiando-se com a família durante 27 anos na parte mais inóspita do deserto do Saara, no sul da Argélia. A criação de grupos musicais foi uma forma encontrada por muitos para amenizar a vida dura dos acampamentos. Mariem Hassan, que actualmente vive em Sabadell (Barcelona), colabora há quase três décadas com diversos grupos de música sarauí, cantando na Europa, América e África. Tudo para que o mundo conheça a situação de um povo exilado e de uma artista que anseia poder regressar algum dia em liberdade a Smara, a cidade em que nasceu. Evocando os exilados e os mártires da guerra contra Marrocos, Mariem Hassan canta o haul, um blues do deserto, carregado de electricidade e hipnotismo, acompanhada pela percussão seca do tebal (tambor grande, tocado com as mãos pelas mulheres) e pelo tidinit (um alaúde rústico de quatro cordas, gradualmente substituído pela guitarra eléctrica), e esculpido pelas guitarras eléctricas.

"Ya Rayah [Sonar Remix]", Dahmane El Harrachi (Argélia) - raï, chaâbi
“Ya Rayah” (O Exilado), um dos clássicos da música árabe, apresenta-se-nos agora num remix electrónico que os Sonar fizeram do tema do argelino Dahamane El Harrachi, uma melodia cuja letra invoca a alienação sentida na pele pelos
emigrantes. Abderahmane Amrani, tragicamente desaparecido em 1980 num acidente de viação, adoptou o nome artístico de Dahamane El Harrachi. Fê-lo não só para homenagear o bairro de El Harrach onde cresceu, mas também para não incomodar os princípios religiosos do pai, que era muezin na grande mesquita de Alger. Foi nestes bairros populosos que El Harrachi desenvolveu o seu sentido de observação e descobriu que queria cantar um chaâbi diferente do de El Anka ou Hadji M’rizek, ajustando-se a sua voz na perfeição a esse anseio. Em jovem trabalha com os mestres El Hadj Menouar e Khlifa Belkacem. Em 1949 parte para França, estabelecendo-se mais tarde em Paris. É nos cafés da emigração argelina que desenvolve a sua carreira de autor e intérprete. A sua música ganha maior notoriedade quando passa a compor temas mais sarcásticos, dissecando os males da sociedade utilizando para isso os ditados populares da época. Uma carreira que atinge o ponto máximo quando Rachid Taha pega no tema “Ya Errayeh Ouine M’Safer ?” (Para onde partes, para onde viajas tu?). Um clássico do raï, o género musical mais popular nas ruas da Argélia, com percussão bem vincada, e que foi redescoberto anos mais tarde por Rachid Taha, músico que o apresentou a uma audiência internacional.

"Venus Nabalera", Mau Mau (Itália) - folk-rock, latin rock
Seguem-se os italianos Mau Mau com o tema “Venus Nabalera”, extraído do álbum “Safari Beach”, editado em 2000. O nome desta banda de rock e folk, formada em Turim em 1991, baseia-se no grupo de libertação do Quénia da colonização inglesa. Esta tribo de seis elementos, cuja música expressa uma paixão pelos sons acústicos e secos, foi pioneira na mestiçagem da música italiana, combinando uma variedade de estilos para assim gerar uma linguagem feita de atmosferas do norte e do sul do Mediterrâneo. Com a percussão e o ritmo sempre presentes, as canções dos Mau Mau falam sobre a emigração, a pobreza, a fome, os subúrbios, as expectativas, o divertimento e mesmo de computadores. Para além do italiano e do dialecto piemontês, eles cantam em castelhano, inglês e francês. Entretanto, receberam vários prémios como o de Revelação Interncional no BAM Festival em Barcelona. Neste seu quinto trabalho, o ensemble da região de Piemonte conta com a colaboração de Sargento García, mas no currículo trazem outros músicos como Inti Illimani, Ivano Fossati e Manu Chao.

"Vänner Och Fränder", Garmarna (Suécia) - folk-rock
Os suecos Garmarna trazem-nos um tema extraído do álbum “Live”, editado em 2002. Esta banda de rock, formada em 1990, canta velhas lendas da música tradicional do seu país, falando de bruxas más, madrastas tenebrosas e de princesas indefesas. Convém explicar que na mitologia sueca os Garmarna eram os cães que guardavam a porta do inferno. Uma imagem metafórica que se transpõe facilmente para os cenários sonoros criados por este quinteto, que oscila entre as estéticas anglo-saxónicas e os ambientes da música tradicional sueca. No entanto, os Garmarna não fazem questão de perpetuar tradições. O que eles querem é tocar com a vontade do momento, com tudo o que isso tenha de eterno ou de efémero. Um som único, influenciado pelo rock, e que remistura a instrumentação antiga com amostras de batidas, harpas, violinos e guitarras distorcidas.

"Jackie ", Bossa Nostra (Itália) - latin lounge, bossa nova
Os italianos Bossa Nostra (grupo formado por Adriano Molinari, Luca Savazzi, Luigi Storchi, Mássimo Mussini e Stefano Carrara) fecham o programa com o tema “Jackie”, uma das várias versões, a maioria delas dançáveis, incluídas no álbum “Chico Desperado/Jackie”, editado em 1999. No total são cinco temas antigos e quatro remixes novos elaborados pelos Pasta Boys, Atjazz, East West Connection, Street Vibes e Pedro Van Der Volt, a maioria entre o deep house e o acid jazz. O universo sonoro dos Bossa Nostra, como o nome indica, é altamente influenciado pela música brasileira, baseando-se em instrumentos acustico-elétricos tocados com muita criatividade.

Jorge Costa