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quinta-feira, 10 de agosto de 2006

Emissão #21 - 12 Agosto 2006

A 21ª emissão do MULTIPISTAS - MÚSICAS DO MUNDO, difundida no sábado, 12 de Agosto, entre as 17 e as 18 horas, na Rádio Urbana (Castelo Branco - 97.5 FM; Fundão, Covilhã e Guarda - 100.8 FM), vai de novo para o ar na segunda-feira, 14 de Agosto, entre as 19 e as 20 horas.

Uma edição em que se destaca a rubrica Caixa de Ritmos, numa emissão especial, feita de poucas palavras, e inteiramente dedicada aos melhores temas que passaram nas últimas dez emissões deste programa. Eis a listagem do melhor dos melhores temas do MULTIPISTAS - MÚSICAS DO MUNDO:

"Jani El Hob", Cheikha Rimitti (Argélia) - raï, châabi, gnawa music

"Ilham", Souad Massi (Argélia) - argelian folk, chaâbi

"We Were Gonna", Dengue Fever (Cambodja, EUA) - khmer rock, cambodian folk, pop

"Nafiya", Mory Kanté (Guiné-Conacri) - afropop, kora music

"La Realité", Amadou & Mariam (Mali) - afro pop blues

"Domingo Ferreiro", Luar Na Lubre (Espanha) - celtic folk

"Galicia", Urban Trad (Bélgica) - techno folk

"Kamppi", Maria Kalaniemi & Aldargaz (Finlândia) - finnish folk, jazz, rock, pop

"Tuulilta Tuleva", Värttinä (Finlândia) - traditional finnish folk/suomirock

"Pena", Šaban Bajramović (Sérvia) - gypsy music

"Listopad", Haydamaky (Ucrânia) - carpathian ska, ukranian dub machine, hutzul punk

"Venus Nabalera", Mau Mau (Itália) - folk-rock, latin rock

(os dados sobre estes temas podem ser encontrados nos textos das emissões em que foram emitidos)

Jorge Costa

sexta-feira, 28 de julho de 2006

Emissão #19 - 29 Julho 2006

A 19ª emissão do MULTIPISTAS - MÚSICAS DO MUNDO, difundida no sábado, 29 de Julho, entre as 17 e as 18 horas, na Rádio Urbana (Castelo Branco - 97.5 FM; Fundão, Covilhã e Guarda - 100.8 FM), vai de novo para o ar na segunda-feira, 31 de Julho, entre as 19 e as 20 horas.

"Vihma",
Värttinä (Finlândia) - traditional finnish folk/suomirock
As Värttinä, que mais logo (sábado) vão estar no Festival de Músicas do Mundo de Sines, a abrirem a emissão com “Vihma” (Granizo), tema extraído do álbum do mesmo nome, editado em 1998. A mais conhecida banda da folk contemporânea finlandesa, que este ano celebra o seu 23ºaniversário, traz-nos uma apelativa mistura de pop e rock ocidental com folk europeia e nórdica. As Värttinä são conhecidas por terem inventado uma visão contemporânea da tradição vocal feminina e da poesia popular da Carélia, uma região isolada na fronteira entre a Finlândia e a Rússia, reforçando as letras emocionais com ritmos em fino-úgrico, idioma antecessor do finlandês. Alguns temas deste sétimo disco das Värttinä incluem também cantos da república russa de Tuva. O grupo, que nasceu em Raakkylaa, é hoje formado pelas vozes enérgicas e harmónicas de Mari Kaasine, Johanna Virtanen e Susan Aho, suportadas por seis músicos acústicos que aliam a instrumentação tradicional e contemporânea (feita à base da guitarra, violino, acordeão, baixo e percussões) aos ritmos complexos e arranjos modernos. Uma base rítmica sólida e o mesmo vigor e calor vocal de sempre.

"O Fim da Picada",
Gaiteiros de Lisboa (Portugal) - portuguese folk
As músicas do mundo prosseguem com os Gaiteiros de Lisboa, que esta semana também estiveram no Festival de Músicas do Mundo de Sines. Eles trazem-nos “O Fim da Picada”, tema extraído do seu último trabalho “Sátiro”, editado em Junho. Cada vez mais voltados para o Mediterrâneo, neste seu quarto trabalho de originais os Gaiteiros de Lisboa abarcam desde os sons de Trás-os-Montes às polifonias alentejanas, passando pelo fado. São convidados Mafalda Arnauth, que canta um poema de Florbela Espanca, e o violinista Manuel Rocha, da Brigada Vítor Jara. Desde 1991 que os Gaiteiros de Lisboa criam de forma inovadora música tradicional portuguesa, baseando-se para isso nas tradições vocais, nos ritmos do tambor e na sonoridade das gaitas e flautas, que dão à sua música um ar medieval. Os músicos deste grupo, que utilizam ainda a sanfona, a trompa, a tarota (oboé catalão) e o clarinete, têm colaborado em projectos de rock, jazz ou música clássica com José Afonso, Sérgio Godinho, Vitorino, Amélia Muge, Carlos Barretto, Rui Veloso, Sétima Legião ou Adufe. O seu experimentalismo constante leva-os a reinventar ou criar instrumentos como os “túbaros de Orpheu” (aerofone múltiplo de palhetas simples), a “cabeçadecompressorofone” (aerofone de percussão) ou o “clarinete acabaçado” (aerofone de palheta simples). Neste trabalho juntam-se-lhes ainda os cordofones, os flautões (aerofones de arestas) e o sanfonocello (sanfona baixo). Um ambiente de festa, recheado de sons desconhecidos e de percussões populares.

"Montañés",
Rarefolk (Espanha) - freestyle folk/folk-rock
Os Rarefolk trazem-nos o tema “Montañés”, extraído de “Unimaverse” (um jogo de palavras entre os conceitos de unidade e universo), terceiro trabalho dos sevilhanos mais audazes do freestyle folk, onde a banda mistura de forma criativa o universo do rock e da electrónica com a música africana, celta, oriental e até mesmo o jazz. Os Rarefolk começaram por fazer folk num estilo puro, mas pouco a pouco foram renovando não só a banda mas também a sua visão, fundindo influências do norte da Europa e do norte de África e submergindo-se num novo universo de estilos e ritmos. Depois de se terem dado a conhecer como Os Carallos na exposição mundial de Sevilha, em 1992, uma editora recém-criada oferece-se para editar o seu primeiro disco. Mais tarde criavam a “Fusión Art”, gravando eles próprios e de forma artesanal o álbum “Unimaverse”. Um trabalho ousado e experimental em que recuperam muita da frescura e simplicidade inicial. Nele participam a violinista escocesa Michelle McGregor e o percursionista senegalês Sidi Samb – este último responsável pelas letras do grupo, interpretadas em castelhano, francês e wolof (dialecto do Senegal) –, e músicos como DJ Abogado del Diablo (Narco), Andreas Lutz (O’Funkillo) e a senegalesa Fátuo Diou.

"Ilham", Souad Massi (Argélia) - argelian folk, chaâbi
Segue-se Souad Massi com “Ilham” (Inspiração), tema onde esta evoca as suas raízes berberes e a música tuaregue. Considerada a Tracy Chapman do Magrebe, Souad Massi trouxe uma nova inspiração folk à música argelina. Esta jovem muçulmana, que se recusa a falar em nome do Islão e a ser uma activista da causa berbere, nunca tocou uma nota de raï. O seu gosto, mais orientado para o rock ocidental, o chaâbi e a música andaluza, fê-la criar um estilo único. A nostalgia e a dor do exílio são os temas centrais deste seu último trabalho, o álbum "Mesk Elil", editado no ano passado. Desde 1999 que a jovem vive exilada em França. Numa ida à Tunísia para realizar mais um concerto reencontrou os aromas da madressilva, uma planta que lhe fez lembrar a sua infância na Argélia e que daria o nome ao seu terceiro álbum. Na adolescência, Souad Massi acompanhou com a sua guitarra o grupo de flamenco Triana d'Alger e mais tarde a banda argelina de rock Atakor. Durante a vaga da jeel music (a pop oriental), regressa à música country, universo sonoro em que se inspirou, acabando por cruzar os tormentos da música argelina com os prazeres melódicos do Ocidente.

"N'Ta Goudami", Cheikha Rimitti (Argélia) - raï, châabi, gnawa music
A argelina Cheikha Rimitti (falecida no passado mês de Maio, aos 83 anos) com o tema “N’Ta Goudami”, extraído do álbum do mesmo nome, editado em 2005. Órfã e rodeada de pobreza, aos vinte anos Rimitti junta-se aos músicos ambulantes Hamdachis, cantando e dançando em cabarés. Nas mais de 200 canções que escreveu fala das alegrias e das tristezas da vida, quebrando tabus ao abordar temas como a sexualidade feminina, o alcoolismo ou a guerra. A vida boémia e a sua rebeldia feminista forçam-na ao exílio em França nos anos 60, país onde encontraria um novo público, chegando a gravar um disco de pop-raï com o rocker experimental Robert Fripp. Cheikha (sénior) Rimitti realizou concertos em todo o mundo, associando-se a nomes como Oum Keltoum, Cheikha Fadela ou mesmo os Red Hot Chilli Peppers. A mãe do raï é uma referência para as estrelas mais jovens deste género, não só pela liberdade de expressão que conquistou e pela rebeliião linguística e moral, mas também por lembrar que a fé espiritual pode coexistir com o prazer físico. O seu último album foi gravado em Oran, berço do raï. Um trabalho com marcas daquela cidade, sintetizador de voz e caixa de ritmos, onde a voz áspera e suave de Rimitti é combinada com acústica moderna e instrumentos tradicionais como o bendir (instrumento de percussão), o tar (alaúde iraniano), a gasbâ (flauta tunisina) e a gallal (uma espécie de pandeireta). Tudo à mistura com influências africanas do gnawa, harmonias árabe-andalusas do châabi e improvisos da soul argelina.

"M'Be Ddemi", Cheikh Lô (Senegal, Burkina-Faso) - afropop, mbalax
A jornada prossegue com Cheik Lô e o tema “N’Jariñu Garab” (A Árvore). Cheikh Lô vive em Dakar, a capital do Senegal, mas nasceu e cresceu no Burkina-Faso. A sua música constrói-se a partir da pop característica daquela cidade e dos ritmos mbalax, bem ao estilo do conhecido senegalês Youssou N'Dour, que produziu o seu primeiro álbum em 1995. Cheik Lô foi membro da Orchestre Volta Jazz, a qual tocava sucessos cubanos e congoleses, bem como versões pop de músicas tradicionais do Burkina-Faso. Em 1978 mudava-se para o Senegal, onde começa por tocar com várias bandas. A música acústica e eléctrica de Cheik Lô, que fez dele uma estrela no Senegal e na Europa, explora ainda elementos de salsa, rumba congolesa, folk e jazz, bem como impulsos de reggae, soukous e um sabor a Brasil. No album “Bambay Gueej” (Bamba, Oceano de Paz), editado em 1999, Cheikh Lô adorna estes elementos com o funk e a soul. De novo uma floresta de percussões, guitarra acústica e sons afro-cubanos.

"Nafiya", Mory Kanté (Guiné-Conacri) - afropop, kora music
Atrás Mory Kanté, um dos mais conhecidos cantores e multi-instrumentistas africanos. Ele trouxe-nos “Nafiya” (Pessoas Más), um tema sarcástico contra a falta de entreajuda entre o povo africano, extraído do álbum “Sabou” (Causa). Um trabalho lançado em 2004 e que mistura sons contemporâneos e tradicionais, fundindo melodias griot e batidas funk. Sem abandonar a guitarra acústica e o estilo eléctrico, Mory Kanté regressa às suas raízes guienenses com um álbum acústico dominado por instrumentos tradicionais africanos como a kora (espécie de harpa) e o balafon (espécie de xilofone africano), quase sempre tocados por ele. Ao fazê-lo, segue o exemplo de Youssou N’Dour e Salif Keita que, para fazerem álbuns mais tradicionais, abandonaram estilos orientados para a pop. Neste trabalho, o músico é acompanhado por coros femininos, onde se apresentam vozes como Mariamagbe Mama Keita, e por um painel de luxo de instrumentistas como o flautista africano Babagalle Kante. Natural da Guiné-Conacri e herdeiro da tradição dos griots, Mory Kanté tornou-se conhecido ao juntar-se na década de 70 à Rail Band, de Bamako, no Mali, grupo cujo som combinava o funk e a música tradicional. O estrelato viria nos anos 80 quando o músico se mudou para Paris. Em 1987, com a edição em França do seu terceiro álbum, o funk mandingo de Kanté triunfava finalmente. Graças à música “Yéké Yéké”, ele foi o primeiro artista africano a vender um milhão de singles. Para além de música, actualmente Mory Kanté é também embaixador das Nações Unidas na luta contra a fome.

"Galicia", Urban Trad (Bélgica) -
techno folk
Entretanto seguimos pelos caminhos da folk urbana com os belgas Urban Trad, que nos trazem o tema “Galicia”, extraído do álbum “Kerua”, editado em 2003. Como o próprio nome indica, os Urban Trad combinam a melhor música tradicional com ritmos modernos, criando uma folk influenciada por um ambiente techno. O projecto arrancou em 2000, quando Yves Barbieux, compositor da banda Coïncidence, decidiu reunir uma vintena de artistas da cena tradicional belga para misturar música celta com sons urbanos. Se inicialmente se tratava de conceber um primeiro álbum, o êxito alcançado encorajou o autor a juntar outros músicos aos Urban Trad. No Festival Eurovisão da Canção realizado na Letónia em 2003, os oito elementos do grupo conquistam o segundo lugar e o grande público. Com “Sanomi”, uma canção interpretada num idioma imaginário, levaram pela primeira vez o característico timbre da gaita-de-foles ao palco da Eurovisão. Um grupo de música de inspiração tradicional, mas ancorado no presente, já que instrumentos acústicos como o acordeão, o violino e a flauta são acompanhados pelo canto e por uma secção rítmica cheia de energia e musicalidade. Volvidos três álbuns, o repertório dos Urban Trad passou a abranger, para além da música celta, a Escandinávia, a França, a Espanha e os países de Leste. É assim a música tradicional europeia do século XXI.

"Se Escaparon",
Bombon (Hunduras) - ragamuffin, son, funk
O programa encerra com o tema "Se Escaparon", uma história de rebelião juvenil que fala de raparigas que fogem de casa às escondidas e são surpreendidas na pista de dança pelo pai, que pensava que elas estavam a dormir. A narrativa musical pertence aos hondurenhos Bombon, radicados em Miami e que criam um estilo musical moderno, feito da mistura de ragamuffin jamaicano, son cubano e funk. A crescente influência da música latina a nível internacional tem contribuído para que esta se desenvolva fora do seu território geográfico natural. Um interesse explicado pelos ritmos e melodias apelativas, embora actualmente a sua fluência sonora cada vez mais se deva à sucessiva mistura com o universo da dança e com estilos urbanos contemporâneos afro-americanos. E ainda que a música latina vá retendo elementos da tradição, esta está em constante mudança e evolução. Uma equação onde entram, entre outros, o funk, o hip-hop, a soul, o rhythm & blues ou o rock, mas onde o resultado continua a ser sempre a fórmula perfeita para um ambiente de “fiesta”.

Jorge Costa

sexta-feira, 23 de junho de 2006

Emissão #14 - 24 Junho 2006

A 14ª emissão do MULTIPISTAS - MÚSICAS DO MUNDO, difundida no sábado, 24 de Junho, entre as 17 e as 18 horas, na Rádio Urbana (Castelo Branco - 97.5 FM; Fundão, Covilhã e Guarda - 100.8 FM), vai de novo para o ar na segunda-feira, 26 de Junho, entre as 19 e as 20 horas.

"Joint Venture In The Village (I Had a Lover)", Warsaw Village Band (Polónia) - new folk

Na abertura do programa, os Warsaw Village Band trazem-nos uma versão electrónica do tema “Joint Venture In The Village (I Had a Lover)”, extraído do álbum “People’s Spring”. Fundada em 1997 por seis jovens polacos, a Warsaw Village Band procura adaptar a música tradicional do seu país à modernidade. Para isso, misturam melodias de dança, baladas e canções rurais com géneros como a dub, a trance e o reggae. Os Warsaw Village Band baseiam-se na tradição musical da Masóvia, retratando a dureza e o isolamento daquela que é uma das mais pobres regiões da Polónia. Uma herança que vai buscar a sonoridade à suka (violino polaco do século XVI) e à percussão (já que estes eram os instrumentos mais baratos e de ritmo mais simples), bem como à “white voice”, forma habitual de cantar nas montanhas daquele país. Outra das paixões dos Warsaw Village Band é a de visitar velhos músicos nas pequenas aldeias para os ouvirem falar sobre as suas tradições e costumes, principal inspiração para o seu trabalho, que pretende apresentar-se aos jovens como uma alternativa à cultura de massas.

"Katariina",
Värttinä (Finlândia) - traditional finnish folk/suomirock
A jornada musical prossegue com as Värttinä, uma presença já habitual no programa, que desta vez nos trazem o tema “Katariina”, extraído do álbum “Aitara”, editado em 1994. A mais conhecida banda da folk contemporânea finlandesa, que este ano celebra o seu 23ºaniversário e estará a 29 de Julho no Festival de Músicas do Mundo de Sines, traz-nos uma apelativa mistura de pop ocidental com folk europeia e nórdica. As Värttinä são conhecidas por terem inventado uma visão contemporânea da tradição vocal feminina e da poesia popular da Carélia, uma região isolada na fronteira entre a Finlândia e a Rússia, reforçando as letras emocionais com os ritmos em fino-úgrico, idioma antecessor do finlandês. O coração do grupo é hoje formado pelas vozes harmónicas com timbres impressionantes de Mari Kaasine, Johanna Virtanen e Susan Aho, suportadas por seis músicos acústicos que misturam a instrumentação tradicional e contemporânea (feita à base da guitarra, violino, acordeão, baixo e percussões) com ritmos complexos e arranjos modernos.

"Ful-Valsen", Hedningarna (Suécia) - swedish folk, ethno-punk
Incursão até à Escandinávia com os Hedningarna e “Ful-Valsen”, tema recheado de ritmo e groove, com especial destaque para os efeitos sonoros eléctricos, e que foi retirado do álbum “Kaksi!” (palavra finlandesa que quer dizer “dois”). Neste trabalho,
lançado em 1992, as vocalistas finlandesas Sanna Kurki-Suonio e Tellu Paulasto juntaram-se ao então trio sueco, dando mais intensidade às suas músicas. Ao longo dos anos 90, os Hedningarna foram pioneiros na renovação da folk sueca, tendo mudado a imagem das raízes musicais nórdicas. Os quatro elementos deste grupo, formado em 1987 e que até agora editou seis álbuns mais um compilatório, misturam sueco e filandês, vozes e instrumentais, bem como folk e rock contemporâneo.

"Iluminando", Amparanoia (Espanha) - rumba, reggae, son, bolero, ska
A viagem continua com os Amparanoia, que nos apresentam o tema “Iluminando”, extraído do álbum “Enchilao”, lançado em 2003. O grupo foi buscar o seu nome à vocalista Amparo Sánchez, uma das vozes femininas mais típicas do sul de Espanha. Em 1996, a jovem andaluza criou este projecto musical, que acabaria por nascer no bairro de Lavapies, em Madrid, e viria a crescer e desenvolver-se em Barcelona. Apadrinhados por Manu Chao, os Amparanoia têm por lema a expressão “rebeldia com alegria”. Eles viajam pela tradição espanhola, música balcã e cigana, passando também pelo rock, cumbia, funk, reggae, rumba, son, bolero e ska, sem esquecer o jazz latino com toques electrónicos e toda uma gama de sons latinos alternativos onde sobressaem a inspiração e a improvisação. O auge do seu reconhecimento internacional foi o BBC World Music Awards 2005, que os distinguiu como melhor grupo europeu. Expressando a realidade e lutando por um mundo mais justo, os Amparanoia continuam em tournée pelos mais importantes festivais de música do mundo. A 30 de Junho eles vão estar no Festival MED de Loulé.

"Pão Prá Multidão", Donna Maria (Portugal) - electronic folk
Os portugueses Donna Maria apresentam-nos o tema “Pão Prá Multidão”, extraído do seu álbum de estreia “Tudo É Para Sempre”. Um trabalho editado em 2004 e em que participam músicos portugueses e brasileiros como Paulo de Carvalho, Vitorino, Letícia Vasconcelos, Ciro Cruz, Paulinho Moska e Gil do Carmo. O álbum já vendeu mais de três mil exemplares no estrangeiro e mais de 10 mil em Portugal. O novo disco do grupo deverá ser editado no final deste ano. Os Donna Maria são um trio lisboeta, formado por Marisa Pinto, Miguel Ângelo Majer e Ricardo Santos, cuja visão electrónica contemporânea da música portuguesa os leva a misturar elementos tradicionais como a guitarra portuguesa ou o acordeão. XL Femme foi o nome inicial escolhido para esta banda, que surgiu num bar da capital. Eles começaram por reinventar canções, mas aos poucos a música portuguesa foi tomando conta do seu reportório. Um grupo com o coração no passado, os pés no presente e os olhos no futuro. Este mês, os Donna Maria estiveram em Proença-a-Nova e em Vila de Rei. A 5 de Agosto vão até ao Casino da Figueira da Foz e no dia 20 estarão nos Açores no Festival "Maré de Agosto".

"Senegal Fast Food", Amadou & Mariam (Mali) - afro pop blues
A dupla Amadou & Mariam traz-nos agora o tema “Senegal Fast Food”, extraído do álbum “Dimanche a Bamako”. Bem ao género do afro pop blues, e com muita guitarra à mistura, este trabalho, produzido por Manu Chao, está recheado de ritmos africanos, batidas funky, harmonias suaves e pedaços de reggae, jazz, blues e rock. Se nos anos 90 foram os Buena Vista Social Club a trazerem para a ribalta a vibrante música do mundo, agora é a vez deste casal africano. Mariam começou por cantar em casamentos e festivais tradicionais, enquanto que Amadou era guitarrista nos Les Ambassadeurs, uma das mais lendárias bandas africanas. Os dois são invisuais e conheceram-se em 1977 num instituto de cegos em Bamako, a capital do Mali. A partir de então tornaram-se um casal inseparável na vida e na música. Ele, o "irmão funky”, na voz e na guitarra eléctrica, e ela, “a irmã soul”, na voz, formam a dupla mais explosiva da música africana actual.

"Dodosya", Yela (La Réunion) - maloya, séga, salégy, kadrille, jazz, gospel
Yela estreou-se no MULTIPISTAS com o tema “Dodosya”, extraído do álbum “Mã Kalou”. Yela, cujo verdadeiro nome é Marie-Christine Daffon, nasceu em St-Pierre, na parte sul de La Réunion, uma região de administração francesa, situada a leste do Madagáscar. Yela faz parte de uma geração de artistas apostados em defender e reinventar o património cultural daquela ilha, recorrendo para isso ao génio poético da língua creoula e dos ritmos tradicionais. A sua música mistura o património local (maloya, séga, salégy, kadrille) com o jazz, o gospel, as músicas caribenhas e africanas. Yela possui uma voz calorosa e carregada de emoções, que reflecte o quotidiano, as esperanças, as batalhas ou as ambições pessoais e colectivas. Um percurso musical onde se contam colaborações como Manu Dibango, Mario Canonge, Etienne Mbappe, Peter Ntollo Sagona ou Amadou François Corea. O álbum “Mã Kalou”, editado em 2003, é um mosaico cultural a través do qual Yela nos faz entrar no seu universo generoso e optimista.

"Superbol", Alms For Shanti (Índia) - indian music
A melhor música do mundo vem agora da Índia. Os Alms For Shanti trazem-nos o tema “Superbol”, extraído do álbum Kashmakash, editado em 2004. Eles foram criados em Bombaim por Uday Benegal e Jayesh Ganhdi, este último mais conhecido como ex-vocalista e guitarrista da famosa banda de rock Indus Creed, que chegou a tocar no festival WOMAD. Eles actuaram lado a lado com John Bom Jovi para um público de 40 mil pessoas em Bombaim, e em 1996 com Slash, o guitarrista dos Guns N’Roses, em Bangalore. Os Alms For Shanti, que entretanto se mudaram para Nova Iorque, são um projecto indiano alinhado com estilos contemporâneos, criado para explorar a amálgama de texturas, ritmos e melodias tradicionais indianas, com sons ocidentais. Para isso, juntaram velhos amigos, tendo vindo a colaborar com alguns dos melhores músicos clássicos indianos como Taufiq e Fazal Qureshi (irmãos de Zakir Hussain), Ustad Sultan Khan ou Rakesh Chaurasia.

"Daouni", Cheikha Rimitti (Argélia) - raï, châabi, gnawa music
A argelina Cheikha Rimitti, natural de Tessala e que faleceu no passado mês de Maio, aos 83 anos, trouxe-nos o tema “Daouni”, extraído do álbum “N’Ta Goudami”, trabalho que pudemos conhecer na semana passada no programa. Órfã e rodeada de pobreza, aos vinte anos Rimitti junta-se aos músicos ambulantes Hamdachis, cantando e dançando em cabarés. Nas mais de 200 canções que escreveu fala das alegrias e das tristezas da vida, quebrando tabus ao abordar temas como a sexualidade feminina, o alcoolismo ou a guerra. A vida boémia e a sua rebeldia feminista forçam-na ao exílio em França nos anos 60, país onde encontraria um novo público, chegando a gravar um disco de pop-raï com o rocker experimental Robert Fripp. Cheikha (sénior) Rimitti realizou concertos em todo o mundo, associando-se a nomes como Oum Keltoum, Cheikha Fadela ou mesmo os Red Hot Chilli Peppers. A mãe do raï é uma referência para as estrelas mais jovens deste género, não só pela liberdade de expressão que conquistou e pela rebeliião linguística e moral, mas também por lembrar que a fé espiritual pode coexistir com o prazer físico. O seu último album foi gravado em Oran, berço do raï. Um trabalho com marcas daquela cidade, sintetizador de voz e caixa de ritmos, onde a voz áspera e suave de Rimitti é combinada com acústica moderna e instrumentos tradicionais como o bendir (instrumento de percussão), o tar (alaúde iraniano), a gasbâ (flauta tunisina) e a gallal (uma espécie de pandeireta). Tudo à mistura com influências africanas do gnawa, harmonias árabe-andalusas do châabi e improvisos da soul argelina.

"Na Liña da Maré", Xosé Manuel Budiño (Espanha) e Sara Tavares (Portugal) - folk, celtic music
Entretanto, no MULTIPISTAS continuamos estrada fora ao ritmo da melhor música do mundo. Para já seguimos “Na Liña da Maré”, um tema de Xosé Manuel Budiño, extraído do seu terceiro álbum “Zume de Terra”, editado em 2004, onde o gaiteiro surge lado a lado com Sara Tavares. Um disco de originais, feito com sumo de terra e mel de tradição, onde Budiño tem também como convidados especiais os escoceses Capercaillie e Michael McGoldrick e ainda a brasileira Lilian Vieira, vocalista dos Zuco 103.


"Lo Lovo Horo", Boukovo (França) - balkan music
Os Boukovo encerram o programa com o tema “Lo Lovo Horo”, extraído do álbum “Rencontres”, lançado em 2002 e que pudemos conhecer na edição anterior do MULTIPISTAS. O grupo foi criado em 1996 pelo clarinetista George Mas, que juntou outros músicos franceses apaixonados pelos sons dos Balcãs. Estes foram buscar a designação ao boukovo, um pimento forte produzido numa aldeia macedónia com o mesmo nome, concentrando-se na procura de um som sem qualquer formatação ocidental. Seguindo o exemplo das fanfarras ciganas populares na Macedónia, os Boukovo apresentam uma música enérgica e festiva, carregada de várias influências. Estes nativos da região da Provença decidiram centrar-se então nos bailes populares da Grécia, Bulgária e ex-Jugoslávia, em particular no repertório da Macedónia grega onde o clarinete se pode juntar livremente à dança. E foi numa viagem aos Balcãs que eles encontraram o acordeonista búlgaro Neno Koytchev, cuja matriz de repertório búlgaro, macedónio e sérvio dá novas cores à já rica palete sonora dos Boukovo, que têm participado em inúmeros festivais e concertos em França, Espanha e Bélgica. Os Boukovo animam numerosas festas das comunidades balcânicas residentes no sul de França, marcando a diferença pelas suas coreografias espontâneas, encorajadas pelos musicos que não hesitam em saltar para a pista de dança.

Jorge Costa

sábado, 17 de junho de 2006

Emissão #13 - 17 Junho 2006

A 13ª emissão do MULTIPISTAS - MÚSICAS DO MUNDO, difundida no sábado, 17 de Junho, entre as 17 e as 18 horas, na Rádio Urbana (Castelo Branco - 97.5 FM; Fundão, Covilhã e Guarda - 100.8 FM), vai de novo para o ar na segunda-feira, 19 de Junho, entre as 19 e as 20 horas.

"Jani El Hob", Cheikha Rimitti (Argélia) - raï, châabi, gnawa music
Cheikha Rimitti, que abriu o programa com o tema “Jani el Hob”, extraído do álbum “N’Ta Goudami”, editado em 2005, nasceu em Tessala, na Argélia, tendo falecido no passado mês de Maio, aos 83 anos. Órfã e rodeada de pobreza, aos vinte anos Rimitti junta-se aos músicos ambulantes Hamdachis, cantando e dançando em cabarés. Nas mais de 200 canções que escreveu fala das alegrias e das tristezas da vida, quebrando tabus ao abordar temas como a sexualidade feminina, o alcoolismo ou a guerra. A vida boémia e a sua rebeldia feminista forçam-na ao exílio em França nos anos 60, país onde encontraria um novo público, chegando a gravar um disco de pop-raï com o rocker experimental Robert Fripp. Cheikha (sénior) Rimitti realizou concertos em todo o mundo, associando-se a nomes como Oum Keltoum, Cheikha Fadela ou mesmo os Red Hot Chilli Peppers. A mãe do raï é uma referência para as estrelas mais jovens deste género, não só pela liberdade de expressão que conquistou e pela rebeliião linguística e moral, mas também por lembrar que a fé espiritual pode coexistir com o prazer físico. O seu último album foi gravado em Oran, berço do raï. Um trabalho com marcas daquela cidade, sintetizador de voz e caixa de ritmos, onde a voz áspera e suave de Rimitti é combinada com acústica moderna e instrumentos tradicionais como o bendir (instrumento de percussão), o tar (alaúde iraniano), a gasbâ (flauta tunisina) e a gallal (uma espécie de pandeireta). Tudo à mistura com influências africanas do gnawa, harmonias árabe-andalusas do châabi e improvisos da soul argelina.

"Cupurtlika", Boukovo (França) - balkan music
Os Boukovo trazem-nos o tema “Cupurtlika”, extraído do álbum “Rencontres”, lançado em 2002. O grupo foi criado em 1996 pelo clarinetista George Mas, que juntou outros músicos franceses apaixonados pelos sons dos Balcãs. Estes foram buscar a designação ao boukovo, um pimento forte produzido numa aldeia macedónia com o mesmo nome, concentrando-se na procura de um som autêntico, sem qualquer formatação ocidental. Seguindo o exemplo das fanfarras ciganas, orquestras muito populares na Macedónia, os Boukovo apresentam uma música enérgica e festiva, carregada de várias influências. O grupo interpreta repertório de dança da cultura macedónia, a qual é partilhada por três países dos Balcãs: a República da Macedónia (antiga Jugoslávia), a Grécia e a Bulgária. Estes nativos da região da Provença decidiram centrar-se então nos bailes populares da Grécia, Bulgária e ex-Jugoslávia, em particular no repertório da Macedónia grega onde o clarinete se pode juntar livremente à dança. E foi numa viagem aos Balcãs que eles encontraram o acordeonista búlgaro Neno Koytchev, cuja matriz de repertório búlgaro, macedónio e sérvio dá novas cores à já rica palete sonora dos Boukovo, que têm participado em inúmeros festivais e concertos em França, Espanha e Bélgica. Os Boukovo animam numerosas festas das comunidades balcânicas residentes no sul de França, marcando a diferença pelas suas coreografias espontâneas, encorajadas pelos musicos que não hesitam em saltar para a pista de dança.

"Roomal", Musafir (Índia) - rajasthan music
Jornada musical pelo deserto do Rajastão com os Musafir e o tema “Roomal”, extraído do álbum “Dhola Maru”, editado em 1999. Os Musafir (expressão que em farsi quer dizer “vagabundo” e se pode traduzir por “peregrinação" ou “jornada espiritual") são um ensemble de onze elementos proveniente desta região, situada no noroeste da Índia. Em pleno oriente islâmico, os ciganos, muçulmanos e hindus do Rajastão têm coexistido ao longo de dez séculos, dando azo a uma tradição musical simultaneamente sensual e sagrada. Os Musafir apresentam uma música diversificada e alegre, numa combinação colorida de músicos pertencentes a comunidades como os Langa (poetas, cantores e músicos islâmicos, tocadores do sindhi sarangi, um instrumento de percussão, e da algoza, uma flauta do Rajastão), os Manghaniyar (músicos muçulmanos que cantam em diferentes dialectos e estilos) ou os Sapera (comunidade nómada que se dedica à captura de serpentes e à venda do seu veneno). O grupo mistura ritmos e polifonias poderosas como os cantos muçulmanos qawwali, a raga do norte da Índia ou as canções da cultura cigana, criando versões híbridas da folk indiana e da música clássica hindustani. E em alguns dos seus espectáculos ao vivo não faltam mesmo as danças, as acrobacias e o conturcionismo. A palete sonora dos Musafir inclui instrumentos indianos de cordas como o sarod (antepassado da guitarra, de tonalidades ragga) e a cítara, de percussão como o dholak, o pakhawaj, a tabla, o dhol ou os kartals, e de sopro como a pungi ou a aloogoza.

"Retany", Tarika (Madagáscar) - madagascar music
No MULTIPISTAS seguem-se os Tarika com o tema “Retany”. Liderados pelo cantor e compositor Hanitra Rasoanaivo, os Tarika são um dos grupos do Madagáscar com maior sucesso internacional. A forma única como interpretam as raízes musicais da sua ilha encaixada no oceano Índico granjeou-lhes fãs em todo o mundo. No final dos anos 70 um conjunto de bandas pioneiras no uso de sons electrizantes actualizou ritmos da ilha como o salegy, o watcha watcha, o tsapika, o sega ou o sigaoma, fazendo rejuvenescer canções de outros tempos. Neste trabalho editado em 1998, álbum a que chamaram “D” (palavra que se refere a dihy, o que no Madagáscar quer dizer “dança”), os Tarika prestam tributo à variedade de estilos de dança do Madagáscar – recorde-se que cada uma das dezoito tribos deste país tem as suas danças especiais. As raízes malaio-polinésias misturam-se então de forma moderna com influências do vizinho continente africano, criando harmonias justas, grooves flutuantes, melodias contagiosas e danças enérgicas, o que fez com que os trabalhos dos Tarika conquistassem o topo das tabelas de música do mundo na Europa e na América do Norte. O álbum integra também danças mais recentes e algumas composições, incluindo a dança bakabaká, criada pelos Tarika.

"Monsieur le Maire de Niafunké", Ali Farka Touré & Toumani Diabaté (Mali) - african blues, kora music
O tema “Monsieur le Maire de Niafunké” é extraído do álbum “In The Heart Of The Moon”, editado em 2005. Um trabalho que juntou pela primeira vez dois gigantes da música do Mali: o guitarrista Ali Farka Touré e o maestro da kora Toumani Diabaté. Ali Farka Touré, o pai dos blues africanos desapareceu no passado mês de Março, aos 66 anos. Este passou as suas últimas semanas de vida a concluir “Savane”, um disco póstumo que será lançado em todo o mundo a 17 de Julho. O trabalho, que contou com as participações do saxofonista Pee Wee Ellis, antigo colaborador de James Brown e Van Morrison; das percussões de Faín Dueñas, dos Radio Tarifa; ou de Mama Sissoko, intérprete do ngoni, um alaúde ancestral, predecessor do banjo, foi gravado no hotel Mande, o mesmo lugar onde Touré registou com Toumani Diabaté o álbum “In The Heart Of The Moon”, vencedor de um grammy este ano. Único sobrevivente de uma família de dez irmãos, razão pela qual os pais lhe terão dado a alcunha de Farka – que apesar de querer dizer “burro”, na tradição do povo Arma significa “um animal forte e tenaz” –, Ali Farka Touré fez parte de várias bandas e foi artista residente na Rádio Mali. Cantava em songhai, peul, bambara, fula, tamaschek e outras línguas da região, abertura que lhe permitiu contribuir para a reconciliação nacional no Mali após a mais recente revolta dos tuaregues. O amor à terra levou-o a viver durante muitos anos na aldeia de Niafunké, situada na ponta do deserto do Sara e ao redor do Rio Níger. Como não existia electricidade nem água canalizada, aí investiu em máquinas agrícolas utilizando todo o dinheiro ganho com a música. Nos últimos anos, tal como retrata este tema, chegou mesmo a ser presidente da câmara de Niafunké. O bluesman africano misturava os sons do Mali, carregados de influências árabes, com reminescências dos blues americanos, lembrando ao mundo que foi nesta região do globo que nasceram os blues.

"Tuulilta Tuleva", Värttinä (Finlândia) - traditional finnish folk/suomirock
A jornada musical prossegue com os Värttinä e o tema “Tuulilta Tuleva”, extraído do seu sexto álbum “Kokko”, editado em 1996. A mais conhecida banda da folk contemporânea finlandesa, que este ano celebra o seu 23ºaniversário, traz-nos uma apelativa mistura de pop ocidental com folk europeia e nórdica. Os Värttinä são conhecidos por terem inventado um estilo baseado nas raízes da região da Carélia, em particular nas tradições vocais femininas e nos antigos poemas rúnicos. Da imagem do grupo, constituído por três estridentes vocalistas femininas e seis músicos acústicos, fazem parte a instrumentação acústica tradicional e contemporânea (guitarra, violino, acordeão, baixo e percussões), os ritmos complexos e as composições e arranjos modernos. As letras emocionais da banda são reforçadas pelos insistentes ritmos em fino-úgrico, idioma antecessor do finlandês. Tudo começou numa pequena cidade na Carélia filandesa, junto à fronteira com a Rússia. Entusiasmados pelas mães, alguns miúdos juntaram-se para cantar músicas folk e tocar kantele (uma versão filandesa do zither, instrumento da família da cítara). À medida que foram crescendo, muitos deixaram o grupo, mas quatro raparigas criaram uma nova formação, que continuou a fazer arranjos tradicionais mas passou também a compor temas próprios.

"Get Reel",
Urban Trad (Bélgica) - techno folk
Viagem pelos caminhos da folk urbana com os belgas Urban Trad, que nos trouxeram o tema “Get Reel”, extraído do álbum “Kerua”, editado em 2003. E como diz o próprio nome, os Urban Trad combinam a melhor música tradicional com ritmos modernos, criando uma folk influenciada por um ambiente techno. O projecto arrancou em 2000, quando Yves Barbieux, compositor da banda Coïncidence, decidiu reunir uma vintena de artistas da cena tradicional belga para misturar música celta com sons urbanos. Se inicialmente se tratava de conceber um primeiro álbum, o êxito alcançado encorajou o autor a juntar outros músicos aos Urban Trad. No Festival Eurovisão da Canção realizado na Letónia em 2003, os oito elementos do grupo conquistam o segundo lugar e o grande público. Com “Sanomi”, uma canção interpretada num idioma imaginário, levaram pela primeira vez o característico timbre da gaita-de-foles ao palco da Eurovisão. Um grupo de música de inspiração tradicional, mas ancorado no presente, já que instrumentos acústicos como o acordeão, o violino e a flauta são acompanhados pelo canto e por uma secção rítmica cheia de energia e musicalidade. Volvidos três álbuns, o repertório dos Urban Trad passou a abranger, para além da música celta, a Escandinávia, a França, a Espanha e os países de Leste. É assim a música tradicional europeia do século XXI.

"Te Veel", Think Of One (Bélgica) - brass band music, folk, funk, reggae
A melhor música do mundo vem agora da Bélgica com os Think Of One, a primeira banda sobre rodas. Este grupo multicultural traz-nos o tema “The Veel”, extraído do álbum “Naft”, editado em 2000. Um repertório que foi gravado em apenas três dias em De Werf, junto à cidade de Bruges. Os Think Of One misturam de forma única a música das fanfarras belgas com a folk, o jazz, o funk, a dub, o reggae, o punk rock ou o calypso, tendo vindo a aproximar-se de outros universos como o gnawa marroquino e as sonoridades do nordeste brasileiro. Para alimentarem o sonho de poderem tocar em qualquer parte do mundo, desde que o tempo assim o permitisse, em 1999 os Think Of One transformaram uma carinha, baptizada de Naftmobyl, num palco ambulante com três níveis, amplificação sonora e iluminação, acrescentando-lhe mais tarde uma roulotte. A tournée de estreia dos seis elementos do grupo começou em França, com uma paragem no festival de rua de Avignon para uma festa sonora que se prolongou por quatro dias, provando que com a sua música alegre é sempre possível dançar do início ao fim. Os Think Of One, que em 2004 conquistaram um World Music Award da BBC, vão estar em Loulé a 29 de Junho para participar na 3ªedição do Festival MED.

"Kike On The Mic", Hip Hop Hoodios (EUA) - latin funk, klezmer music, cumbia, hip-hop
Os Hip Hop Hoodios apresentam-nos o tema “Kike On The Mic”, extraído do álbum “Água Pá La Gente”, uma intrigante mistura de instrumentos clássicos e modernos. Eles são um famoso colectivo latino-judaico de música urbana, liderado por Josh Norek e Abraham Velez, que conta com a participação de nomes notáveis da cena latina e judaica como Santana, Jaguares, The Klezmatics, Orixa, Los Mocosos, Midnight Minyan e Los Abandoned. Sedeada em Los Angeles e Nova Iorque, a banda das duas costas americanas foi buscar o seu nome “hoodio” a uma mistura feita a partir da palavra castelhana judio (que em português equivale a “judeu”). Produzido por Happy Sanchez, este álbum é o segundo trabalho dos Hip Hop Hoodios, combinando letras provocadoras, divertidas e inteligentes com funk latino, música klezmer, cumbia e hip-hop.

"Su Dilu Est Goi", Tazenda (Itália) - italian folk, pop-rock
O programa despede-se com os italianos Tazenda e o tema “Su Dillu Est Goi”, extraído do álbum “Sardinia”. Este é um trio vocal da região da Sardenha que alcançou grande sucesso comercial no início dos anos 90 ao participar em duas edições do Festival de San Remo. O seu uso do dialecto local, juntamente com a leitura simplificada dos antigos cantos polifónicos – um estilo cujas origens permanecem incertas mas que constitui uma das principais formas musicais da Sardenha –, provou ser um passo importante na aproximação dos Tazenda ao auditório italiano. Um toque exótico com que o grupo se abriu ao mundo. A sua música possui uma estrutura pop-rock, misturando-se com instrumentos tradicionais como a launeddas (uma espécie de flauta) e com sons electrificados, fazendo do seu universo sonoro uma das mais bem sucedidas experiências de música do mundo que ocorreram em Itália na última década.

Jorge Costa