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sexta-feira, 25 de julho de 2008

Emissão #70 - 26 Julho 2008

A 70ª emissão do MULTIPISTAS - MÚSICAS DO MUNDO, difundida no sábado, 26 de Julho, entre as 17 e as 18 horas, na Rádio Urbana (Castelo Branco - 97.5 FM; Fundão, Covilhã e Guarda - 100.8 FM), vai de novo para o ar na quarta-feira, 30 de Julho, entre as 21 e as 22 horas, sendo reposta três semanas depois (16 e 20 de Agosto) nos horários atrás indicados.

"Comme Couché Dans Le Ciel", Red Cardell (França) - folk-rock
Os Red Cardell a abrirem de novo mais uma emissão, desta feita com “Comme Couché Dans Le Ciel”, tema retirado do álbum “Sans Fard”, sétimo trabalho do grupo, editado em 2003. Originários da cidade francesa de Quimper, eles são uma das mais conhecidas bandas tradicionais da Bretanha. O grupo, formado em 1992 e de que hoje fazem parte Jean-Pierre Riou, Jean-Michel Moal e Manu Masko, começou por tocar em bares. Surgidos no movimento do rock bretão, e à margem da nova vaga celta, os Red Cardell decidiram então fundir as danças e os cantos tradicionais da Bretanha com ritmos da Europa de Leste, da América do Sul ou do norte de África. Uma viagem em que géneros como a folk berbere e ucraniana, o tango, o reggae, a dub, o funk ou o java se juntam com influências diversas que vão do punk rock anglo-saxónico ao rap e ao techno. Geografias sonoras à mistura com textos poéticos em inglês e francês, os quais abordam temas recorrentes no blues, na chanson française ou no gwerz (canto bretão a capella onde se aborda o quotidiano). Um ambiente festivo multi-étnico que tem por base instrumental o acordeão, a bombarda bretã, a flauta, as guitarras acústica e eléctrica, a bateria ou os sintetizadores.

"Pisa Fronteira", Júlio Pereira (Portugal) - folk, acoustic, fusion
A viagem pelas músicas do mundo prossegue com Júlio Pereira e "Pisa Fronteira", tema extraído do álbum “Geografias”, lançado em 2007. Conjunto de inéditos instrumentais baseados em memórias de viagens e experimentações sonoras, resultado da combinação entre bandolim, guitarra portuguesa, viola braguesa, bouzouki e sintetizadores. Depois de muitos anos ligado ao cavaquinho, Júlio Pereira volta-se agora para outro cordofone pequeno, o bandolim, instrumento que o acompanha desde a infância. São sons tradicionais portugueses à mistura com ritmos africanos e orientais, num trabalho que conta com as vozes de Sara Tavares, Isabel Dias (grupo minhoto Raízes) e Marisa Pinto (Donna Maria), bem como Miguel Veras na viola acústica e guitarra e Bernardo Couto na guitarra portuguesa. Júlio Pereira estreou-se no rock com grupos como os Petrus Castrus e os Xarhanga. Da inovação musical dos anos 60/70, à revitalização dos instrumentos tradicionais, a partir dos anos 80/90 Júlio Pereira associou-os a soluções acústicas contemporâneas. Ao longo de mais de três décadas de carreira, o multi-instrumentista, compositor e produtor tem colaborado com músicos como Carlos do Carmo, Amélia Muge, Pedro Burmester, Eugénia Melo e Castro, Zeca e João Afonso, José Mário Branco, Jorge Palma, Janita Salomé ou Fausto, bem como os The Chieftains, Pete Seeger, Kepa Junkera, Xosé Manuel Budiño, Uxia ou Na Lúa. Em Agosto, Júlio Pereira estará no Festival Intercéltico de Moaña, na Galiza (dia 2), e no Tenby Folk Festival, no Reino Unido (dia 25). Seguem-se os concertos em Setembro na Festa do Avante, no Seixal (dia 6), e no Teatro Viriato, em Viseu (dia 13).

"Tu Gitana", Luar Na Lubre (Espanha) - celtic folk, folk-rock
No seu regresso ao programa, os Luar Na Lubre apresentam-nos “Tu Gitana”, tema que encerra o álbum “Saudade”, editado em 2006. Composição tradicional de Zeca Afonso, onde participam nomes da música latino-americana como Pablo Milanés. Com uma dezena de trabalhos editados, estes embaixadores da folk celta contemporânea defendem a cultura, a tradição e a música galegas, sem no entanto fecharem portas às influências externas. No seu penúltimo álbum, o grupo da Corunha aposta na música proveniente da América do Sul. Bieito Romero, Patxi Bermúdez, Xulio Varela e Xan Cerqueiro são os quatro elementos que restam da banda original, criada em 1986 e que dez anos depois saltava para a ribalta internacional com o apadrinhamento de Mike Oldfield no seu disco “Voyager”. Neste trabalho, os Luar na Lubre apresentam a vocalista que os acompanha há cerca de três anos, a portuguesa Sara Vidal (que já tinha participado no álbum “Paraíso”), em substituição de Rosa Cedrón. Um disco onde resgatam velhas melodias e harmonias melancólicas, bem como poemas de García Lorca e de autores galegos da emigração, utilizando-os em temas que falam de nostalgia, do exílio e da saudade. Tudo numa homenagem à Galiza que chegou à América Latina e se fundiu com a cultura daquele continente, sem no entanto deixar de parte as suas raízes celtas. Em Julho, os Luar na Lubre rumam até Rovinj, na Croácia (dia 26) e Montescudaio, em Itália (dia 27). Já em Agosto, o grupo vai estar no Festival Intercéltico de Sendim, em Miranda do Douro (dia 1), em Zas, na Corunha (dia 2), em Lalín (dia 9) e Pontevedra (17 Agosto), e em Tatihou, na França (dia 21). Finalmente, em Setembro, o grupo ruma até Chinchón, na comunidade de Madrid (dia 13).

"Sportif", Youssou N'Dour (Senegal) - mbalax, afropop
A jornada continua com Youssou n’Dour e "Sportif", tema extraído do álbum “Rokku Mi Rokka” (Apanhar e Levar), lançado em 2007. Trabalho onde o mais famoso cantor senegalês se aproxima dos cantos religiosos sufi, das percussões dos griots e dos sons do norte do Senegal, num apelo à paz, tolerância e valorização do continente africano. No final dos anos 70, o autor, intérprete e músico, que aprendeu a cantar com a mãe, formava com o cantor El Hadj Faye os L'Etoile de Dakar, e em 1981 os Le Super Étoile de Dakar. Cruzando os ritmos sincopados do mbalax senegalês com a pop internacional, numa fusão que inclui o jazz, a soul e arranjos afro-cubanos, o “rouxinol de Dakar” depressa cativou o público ocidental sem no entanto abdicar das suas raízes, conquistando o estatuto de embaixador da música africana. Nos seus temas em wolof e inglês, Youssou N’Dour retrata o mundo da pobreza, da emigração ou os valores culturais africanos. Um dos mais conhecidos a nível global é “Seven Seconds”, gravado com Neneh Cherry. Através da música, Youssou N'Dour pretende quebrar o silêncio das crianças que sofrem e abraçar as causas humanitárias. Da fundação com o seu nome aos concertos em benefício da Amnistia Internacional, o embaixador da boa vontade para as Nações Unidas e para a UNICEF tem por isso mesmo colaborado com músicos como Peter Gabriel, Axelle Red, Sting, Alan Stivell, Bran Van 3000, Wyclef Jean, Paul Simon, Bruce Springsteen, Tracy Chapman, Branford Marsalis, Ryuichi Sakamoto ou o camaronês Manu Dibango.

"Jirim", Orchestra Baobab (Senegal) - afropop, afrobeat, salsa
A Orchestra Baobab traz-nos “Jirim”, tema retirado do álbum “Made In Dakar”, editado em 2007. Segundo trabalho das estrelas senegalesas da afropop, cinco anos depois da gravação que marcou o regresso da banda após duas décadas de inactividade. Um disco que leva o grupo de volta às suas raízes clubísticas e às actuações de rua, mais uma vez produzido por Nick Gold e onde se destaca a participação de Youssou N’Dour. Neste álbum, a Orchestra Baobab, que a 24 de Julho esteve no Festival de Músicas do Mundo de Sines, recupera de novo o espírito de fusão que a celebrizou. São novas canções à mistura com sucessos dos anos 70, retirados de uma discografia feita de duas dezenas de álbuns. Recorde-se que o grupo se dissolveu em 1987, depois de o percussivo mbalax se ter tornado mais popular do que a sua melódica pop senegalesa. Surgidos em Dakar em 1970 na inauguração do Baobab Club, a banda, cujo nome se refere à majestosa árvore da savana, foi formada em grande parte por veteranos da Star Band. Balla Sidibe, Rudy Gomis, Ndiouga Dieng, Assane Mboup, Medoune Diallo, Barthélemy Attisso, Issa Cissoko, Thierno Koite, Latfi Ben Geloune, Charlie N'Diaye e Mountaga Koite misturam sons tradicionais da África Ocidental com a música cubana e caribenha (son, pachanga, salsa ou bolero) e com a pop ocidental. As melodias crioulas portuguesas, do Togo e Marrocos, a rumba congolesa ou o high life ganês são então adaptados às influências wolof da cultura griot do norte do Senegal, às harmonias mandinga da região de Casamance e às percussões do sul do país.

"Dalida", Boom Pam (Israel) - world fusion, surf rock
Seguem-se os israelitas Boom Pam com “Dalida”, tema que faz parte do álbum do mesmo nome da banda, editado em 2006. Formados três anos antes, altura em que tocavam em clubes e casamentos, os Boom Pam foram buscar a identidade ao cover da canção grega que tocaram com a estrela de rock Berry Sakharof, êxito que ocupou as tabelas israelitas em 2004, à semelhança do que acontecera em 1969 com o cantor grego Aris San, emigrado em Tel Aviv. Os guitarristas Uzi Feinerman e Uri Brauner Kinrot começaram por experimentar sons orientais, até que se lhes juntaram a tuba de Yuval “Tubi” Zolotov e as percussões de Dudu Kohav. Depois do sucesso alcançado no Médio Oriente, eles chegaram ao público europeu, graças sobretudo ao DJ Shantel, que co-produziu o seu primeiro lançamento internacional e os descobriu numa das suas visitas a Tel Aviv, convidando-os então a participarem em vários espectáculos no seu Bucovina Club em Berlim, Frankfurt, Colónia e Zurique. Onde quer que actuassem, os Boom Pam deixavam o público em brasa com a sua mistura enérgica de rock do Médio Oriente com sons dos Balcãs, alguma irreverência e muito groove. Fugindo ao cliché do klezmer, geralmente associado à música judaica, eles criam um cocktail dos diferentes estilos que habitualmente se cruzam em Tel Aviv. Uma fusão única de estilos mediterrânicos, balcânicos e gregos, combinados com melodias judaicas, surf rock e música circense..

"Ladino Song", Oi Va Voi (Reino Unido) - jewish music, electro, world fusion
Os Oi Va Voi (“Oh, Meu Deus!” em hebraico) trazem-nos “Ladino Song”, tema extraído do álbum “Laughter Through Tears”, lançado em 2003. A banda radicada em Londres, cidade onde a herança cultural judaica se combina com os actuais ritmos de dança, apresenta composições próprias e uma mistura de sons globais, originários sobretudo da Europa de Leste e do Mediterrâneo. No final da década de 1990, cinco músicos das comunidades judaicas da capital inglesa decidiram juntar-se num projecto comum, servindo-se de percursos distintos que abrangem não só a música klezmer mas também o flamenco, a folk húngara, o jazz, o hip-hop, o rock ou o drum n'bass. Ultrapassadas as atribulações do passado, actualmente a banda é formada por Nik Ammar, Bridgette Amofah, Josh Breslaw, Matt Jury, Steve Levi, David Orchant e Anna Phoebe. Conhecidos pelas suas actuações ao vivo, os Oi Va Voi, que a 10 de Agosto vão estar no Festival Sons do Atlântico, no Algarve, combinam de forma única a música tradicional dos judeus sefarditas e ashkenazi (judeus europeus) das shtetl (povoações onde estes viviam) e dos ciganos transilvanos com a dub, a breakbeat ou a música urbana londrina. Influências tradicionais do oriente europeu que contam com instrumentos como o clarinete, o violino, o trompete, a guitarra, a bateria, o baixo e a melódica, e que são actualizadas com arranjos electrónicos e letras grande parte das vezes em ladino (língua semelhante ao castelhano, falada pelas comunidades sefarditas em Espanha, nos Balcãs, Próximo Oriente e norte de Marrocos).

"Gwyra Mi", Ramiro Musotto (Argentina) - samba, reggae, electronica
Despedimo-nos com Ramiro Musotto, que nos traz “Gwyra Mi”, canção extraída do seu segundo álbum a solo “Civilizacao & Barbarye”, lançado este ano. Adaptação de um tema da tribo guarani Tenondé Porã, onde as vozes das crianças indígenas do Morro da Saudade, no sul de São Paulo, se misturam com excertos de um discurso do rebelde mexicano que lidera o Exército Zapatista de Liberação Nacional. Trabalho baptizado com o nome do ensaio político de Domingo Faustino Sarmiento, onde participam músicos do Brasil, Cuba, Argentina, Estados Unidos, Irão ou Suécia como Glauber Rocha, Gato Barbieri, Lulu Santos, Lelo Zanetti, Lucas Santtana, Chico César, Léo Leobons, Arto Lindsay, Santiago Vazquez, Rostam Miriashari ou Sebastian Notini. São ritmos tribais e cantos indígenas, da capoeira aos rituais do candomblé, todos eles transformados num samba-reggae electrónico, a que se juntam berimbaus com diferentes afinações, os pífaros, a kanjira (membrafone da família da pandeireta, típico do sul da Índia) e a mbira (idiofone de lamelas, também conhecido por kalimba, utilizado em cerimónias religiosas). O compositor, produtor e percussionista argentino cruza o samba e a pop brasileira com os ritmos africanos e a música electrónica. Uma aposta clara na diversidade rítmica, mas também nas letras que incidem nos problemas sociais da América Latina. Nascido em Bahía Blanca, na Patagónia, Ramiro Musotto começou a tocar em orquestras sinfónicas. Depois de uma breve passagem por São Paulo, o músico mudou-se para Salvador da Baía, onde se especializaria em instrumentos como o berimbau e o timbal baiano (tambor cónico de Madeira ou metal). Para além de tocar com a orquestra Sudaka, Ramiro Musotto tem vindo a colaborar com artistas brasileiros e argentinos como Carlinhos Brown, Sérgio Mendes, Caetano Veloso, Daniela Mercury, Gilberto Gil, Marisa Monte, Virginia Rodriguez, Maria Bethânia, Zeca Baleiro ou Gal Costa. .

quinta-feira, 20 de março de 2008

Emissão #61 - 22 Março 2008 - 2ºaniversário

A 61ª emissão do MULTIPISTAS - MÚSICAS DO MUNDO, difundida no sábado, 22 de Março, entre as 17 e as 18 horas, na Rádio Urbana (Castelo Branco - 97.5 FM; Fundão, Covilhã e Guarda - 100.8 FM), vai de novo para o ar na quarta-feira, 26 de Março, entre as 21 e as 22 horas, sendo reposta três semanas depois (12 e 16 de Abril) nos horários atrás indicados.

No
segundo aniversário do programa, que desde Março de 2006 tem procurado divulgar alguma da melhor música étnica produzida em todo o globo, sobretudo a que se funde com géneros mais actuais e urbanos, destaca-se a rubrica Caixa de Ritmos, uma emissão especial, feita de poucas palavras, e inteiramente dedicada aos melhores temas que passaram nas últimas dez edições do MULTIPISTAS - MÚSICAS DO MUNDO:

"Höyhensarjan Maailmamestari", Tuomari Nurmio & Alamaailman Vasarat (Finlândia) - progressive folk, punk, rock

"Kabir Kouba",
Claire Pelletier (Canadá) - celtic music

"Boy In The Boat ",
Lúnasa (Irlanda) - celtic

"Manta", Saba (Somália) - afropop

"Gimme Shelter", Angélique Kidjo (Benim) - afropop, afrobeat

"Desde Cuba Hasta Afghanistan", Bakú (Porto Rico) - salsa, flamenco, pop, rock

"Mirant Les Notícies", Cheb Balowski (Espanha) - pachanga, raï, gnawa, rock

"Bulgarian Chicks", Balkan Beat Box (Israel) - gypsy-punk, contemporary folk

"Munt", Boom Pam (Israel) - world fusion, surf rock

"Nadie Te Tira", Ozomatli (EUA) - salsa, cumbia, latin rock

(os dados sobre estes temas podem ser encontrados nos textos das emissões em que foram emitidos)

Jorge Costa

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Emissão #55 - 29 Dezembro 2007

A 55ª emissão do MULTIPISTAS - MÚSICAS DO MUNDO, difundida no sábado, 29 de Dezembro, entre as 17 e as 18 horas, na Rádio Urbana (Castelo Branco - 97.5 FM; Fundão, Covilhã e Guarda - 100.8 FM), vai de novo para o ar na quarta-feira, 2 de Janeiro, entre as 21 e as 22 horas, sendo reposta três semanas depois (19 e 23 de Janeiro) nos horários atrás indicados.

"S'Agapov", Eli Paspala (Grécia) - greek music
A grega Eli Paspala inaugura mais uma emissão com “S'Agapov” (Eu Amo-te), tema retirado do álbum “Trio”, gravado ao vivo em 2001 em Atenas e lançado no ano seguinte. Uma selecção de músicas onde a conhecida cantora grega é acompanhada pelo seu marido David Lynch – ainda que americano, não se trata do famoso realizador de cinema -, músico de mãe irlandesa e pai checo que aqui toca flauta, saxofone e diversos tipos de percussão; e pelo cipriota Stavros Lantsias, que estudou em Boston e que neste trabalho toca piano, guitarra clássica, melódica e percussões. Apesar das diferentes origens geográficas, em comum os três músicos têm o facto de se terem estabelecido em Atenas. De ascendência grega, Elli Paspala é uma das mais célebres vocalistas daquele país dado o estilo único com que canta desde os temas de grandes compositores internacionais às canções helénicas, interpretadas não só em grego mas também em inglês, italiano, alemão e japonês. Sentimentos e ideias que se misturam na poética de géneros musicais que vão da pop ao jazz. Elli Paspala nasceu em Nova Iorque, onde fez carreira no mundo da ópera, mas em 1982 trocou os Estados Unidos pela Grécia, colaborando durante seis anos com o compositor Manos Hatzidakis. Ao longo do tempo, tem vindo a trabalhar com outros nomes de referência do mundo da composição grega como Stamatis Kraounaki, Mikis Théodorakis, Dionysis Savopoulos, Stamo Semsi ou Léna Platonos, sem esquecer as colaborações com músicos como Dimita Galani ou Yannis Spathas.

"Guardunha", Diabo a Sete (Portugal) - folk
As músicas do mundo prosseguem com "Guardunha" dos Diabo a Sete, um dos temas vulcânicos que fazem parte da “Parainfernália”, álbum de estreia do grupo, lançado este ano, e onde é convidado o músico Hugo Natal da Luz. Surgidos em Coimbra em 2003, os Diabo a Sete dizem ser uma espécie de cozido à portuguesa, embora com menos couves e mais enchidos. Das adaptações do cancioneiro nacional aos originais de inspiração popular, eles procuram reinventar a música tradicional portuguesa tomando como referência principal formações como o GEFAC (Grupo de Etnografia e Folclore da Academia de Coimbra) e a Brigada Victor Jara. Caminhos escaldantes que depois se alargam a recantos acústicos endiabrados como o rock, o reggae, a música celta ou as danças europeias. Com percursos diferentes mas um gosto comum pela música étnica do seu país, Pedro Damasceno, Celso Bento, Eduardo Murta, Julieta Silva, Luísa Correia, Miguel Cardina e André Moutinho misturam os sons da sanfona, da concertina, da flauta, da gaita-de-foles, do bandolim, do cavaquinho e da guitarra com os da bateria, das percussões e do baixo eléctrico. Um cruzamento entre o passado, o presente e o futuro, onde se reinventam ritmos, melodias e instrumentos de outros tempos. No dia 29 de Dezembro, os Diabo a Sete vão estar no Centro Norton de Matos, em Coimbra, e a 26 de Janeiro nas FNAC's de Almada e Cascais.

"Caminu Polaciones", Luétiga (Espanha) - folk
Os Luétiga apresentam-nos“Caminu Polaciones”, tema retirado do álbum “Nel El Vieju”, editado em 1994. Um disco recheado de letras tradicionais e de composições próprias onde se contam e cantam estórias sobre a história, a sociedade ou o meio ambiente na Cantábria. O projecto (em cántábru ou montañés, Luétiga significa “coruja”) arrancou em 1986 com o objectivo de recuperar e modernizar os ritmos, sons e instrumentos daquela região espanhola recorrendo à investigação e ao estudo da sua música tradicional. Os irmãos Fernando e Roberto Diego e Chema Murillo, elementos iniciais daquele que foi o primeiro grupo a utilizar o idioma cantábrico, começaram por contactar velhos instrumentistas e cantores populares, resgatando assim do passado todo um universo sonoro rico em modas de baile e em cantigas de trabalho. Se de inicio a opção recaiu por um som mais eléctrico, à semelhança de grupos congéneres do Reino Unido, França ou da vizinha Galiza, mais tarde os Luétiga – hoje formados por Maite Blanco, Conchi García, Chema Murillo, Juan Carlos Ruiz, Roberto Diego, Fernando Segura e Fernando Diego – decidiram prescindir do bodhrán, das flautas irlandesas ou da gaita galega de forma a preservarem ao máximo a identidade da folk cantábrica. A preferência recaiu então em instrumentos mais característicos daquela parte da celtibéria atlântica como a requinta (clarinete afinado em Mi bemol, conhecido na Cantábria por pitu montañés, onde é tocado com o tambor, e que em grande parte substituiu a gaita e a dulzaina – aerofone da família do oboé, equivalente à bombarda bretã), a gaita-de-foles cantábrica, a pandeireta, o pandeiro, o violino, a guitarra acústica, a flauta transversal, o baixo, o tambor e o cajón.

"Baay Faal",
Youssou N'Dour (Senegal) - mbalax, afropop
A jornada continua com Youssou N’Dour e "Baay Faal", extraído do álbum “Rokku Mi Rokka” (“Apanhar e Levar”), lançado em 2007. Tema onde o mais famoso cantor senegalês presta homenagem a Cheikh Iba Fall, primeiro discípulo de Cheikh Ahmadou Bamba, fundador da Confraria Mouride. Um trabalho que se aproxima dos cantos religiosos sufi, das percussões dos griots e dos sons do norte do Senegal, num apelo à paz, tolerância e valorização do continente africano. No final dos anos 70, o autor, intérprete e músico, que aprendeu a cantar com a mãe, formou com o cantor El Hadj Faye os L'Etoile de Dakar, e em 1981 os Le Super Étoile de Dakar. Cruzando os ritmos sincopados do mbalax senegalês com a pop internacional, numa fusão que inclui o jazz, a soul e arranjos afro-cubanos, o “rouxinol de Dakar” depressa cativou o público ocidental sem no entanto abdicar das suas raízes, conquistando o estatuto de embaixador da música africana. Nos seus temas em wolof e inglês, Youssou N’Dour retrata o mundo da pobreza, da emigração ou os valores culturais africanos. Um dos mais conhecidos a nível global é “Seven Seconds”, que gravou com Neneh Cherry. Através da música, com que pretende quebrar o silêncio das crianças que sofrem, Youssou N’Dour abraça também as causas humanitárias. Da fundação com o seu nome aos concertos em benefício da Amnistia Internacional, o embaixador da boa vontade para as Nações Unidas e para a UNICEF tem por isso mesmo colaborado com músicos como Peter Gabriel, Axelle Red, Sting, Alan Stivell, Bran Van 3000, Wyclef Jean, Paul Simon, Bruce Springsteen, Tracy Chapman, Branford Marsalis, Ryuichi Sakamoto ou o camaronês Manu Dibango.

"Gimme Shelter", Angélique Kidjo (Benim) - afropop, afrobeat
A
ngélique Kidjo e Joss Stone trazem-nos uma nova versão de “Gimme Shelter” - tema celebrizado pelos Rolling Stones, os reis do rock’n’roll -, retirada do álbum “Djin Djin” (Apreciem o Dia), trabalho que conta com ainda com a participação de Joy Denelane. A jovem é natural da povoação costeira de Cotonou, no Benim. Dada a situação política do país, foi muito cedo que rumou até Paris e mais tarde até Nova Iorque, cidade onde hoje reside. Angélique, que canta em francês e inglês, mas também nas línguas nativas do Benim, Nigéria ou Togo, usa a voz e a música como ferramentas de diálogo entre nações. Embaixadora da UNICEF e fundadora do grupo de apoio a seropositivos Batonga, esta aposta na educação das mulheres africanas. As músicas, grande parte inspiradas nas suas missões humanitárias, falam do nascimento, do amor, da alienação e da esperança. Se nos discos anteriores Angélique Kidjo fundia géneros ocidentais – jazz, funk, blues, electrónica – com sons e ritmos africanos, neste trabalho, gravado em Nova Iorque e lançado este ano, a cantora e compositora regressa às origens, dando destaque à diversidade rítmica do seu país e da África Ocidental. Um casamento de culturas em que para além dos percussionistas Crespin Kpitiki e Benoit Avihoue (membros da Benin Gangbé Brass Band), do baterista americano Poogle Bell, do teclista Amp Fiddler, do multinstrumentista Lary Campbell, do baixista senegalês Habib Faye, dos guitarristas Lionel Loueke, Romero Lubambo e João Mota, e do mestre da kora Mamadou Diabaté, conta com convidados de luxo como Alicia Keys, Peter Gabriel, Josh Groban, Ziggy Marley, Carlos Santana, Amadou & Mariam, Joss Stone e Branford Marsalis.

"Bulgarian Chicks", Balkan Beat Box (Israel) - gypsy-punk, contemporary folk
Seguem-se os Balkan Beat Box com “Bulgarian Chicks”, tema retirado do seu álbum de estreia, baptizado com o nome do grupo e editado em 2005. Para além da participação nesta música das Bulgarian Chicks (Valda Tomova e Kristin Espeland), o trabalho conta ainda com as colaborações dos israelitas Boom Pam, bem como de Victoria Hanna, Shushan, Hassan Ben Jaffar, Har-El Shachal e Tomer Yosef. Os Balkan Beat Box misturam de forma enérgica e ousada melodias folk do norte de África, Israel, Balcãs, Mediterrâneo, Europa de Leste e Médio Oriente com letras bizarras, hip-hop e batidas electrónicas. A fanfarra circense, que chega a ter 15 músicos – um terço deles oriundos da Europa – é formada pelos israelitas Tamir Muskat e Ori Kaplan, que têm trabalhado com músicos e compositores da Turquia, Israel, Palestina, Marrocos, Bulgária e Espanha. A filosofia dos Balkan Beat Box é a de acabar com as fronteiras políticas na música, fazendo folk de forma contemporânea. Tudo começou em Israel, onde assimilaram os standards folk, do klezmer às melodias búlgaras, passando pelos ritmos árabes. No final dos anos 80, Ori e Tamir partem para Nova Iorque, onde descobrem o gypsy-punk e acabam por misturar as suas raízes mediterrânicas com outras culturas.

"Munt", Boom Pam (Israel) - world fusion, surf rock
Os israelitas Boom Pam regressam ao programa com “Munt”, tema extraído do álbum do mesmo nome da banda, editado no ano passado. Formados em 2003, altura em que tocavam em clubes e casamentos, os Boom Pam foram buscar a identidade ao cover da canção grega que tocaram com a estrela de rock Berry Sakharof, êxito que ocupou as tabelas israelitas em 2004, à semelhança do que acontecera em 1969 com o cantor grego Aris San, emigrado em Tel Aviv. Os guitarristas Uzi Feinerman e Uri Brauner Kinrot começaram por experimentar sons orientais, até que se lhes juntaram a tuba de Yuval “Tubi” Zolotov e as percussões de Dudu Kohav. Depois do sucesso alcançado no Médio Oriente, eles chegaram ao público europeu, graças sobretudo ao DJ Shantel, que co-produziu o seu primeiro lançamento internacional e os descobriu numa das suas visitas a Tel Aviv, convidando-os então a participarem em vários espectáculos no seu Bucovina Club em Berlim, Frankfurt, Colónia e Zurique. Onde quer que actuassem, os Boom Pam deixavam o público em brasa com a sua mistura enérgica de rock do Médio Oriente com uma amostra de Balcãs, alguma irreverência e muito groove. Fugindo ao cliché do klezmer, geralmente associado à música judaica, eles criam um cocktail dos diferentes estilos que habitualmente se cruzam em Tel Aviv. Uma fusão única de estilos mediterrânicos, balcânicos e gregos, combinados com melodias judaicas, surf rock e música circense.

"Nadie Te Tira", Ozomatli (EUA) - salsa, cumbia, latin rock
Despedimo-nos com os Ozomatli e o tema “Nadie Te Tira”, extraído do álbum “Street Signs”, editado em 2004. Terceiro trabalho da banda (de que hoje fazem parte Raúl Pacheco, Asdrubal Sierra, Justin Porée, Ulisses Bella, Sheffer Brutton, Wil-Dog Abers, Mario Calire e Jiro Yamaguchi), formada em 1995, e em que participam o virtuoso marroquino do guimbri (alaúde berbere de três cordas) Hassan Hakmoun, os franceses “Les Yeux Noirs”, a Orquestra Sinfónica de Praga, David Hidalgo (Los Lobos), Mario Calire (The Wallflowers) e o pianista Eddie Palmieri. Os Ozomatli foram buscar o nome ao termo nahuatl (dialecto asteca) referente ao símbolo astrológico asteca do macaco e ao deus da dança, fogo e música. O grupo, que já colaborou com Carlos Santana e cujo som serviu de banda sonora a filmes como “Never Been Kissed” ou “Spanglish”, funde géneros como a salsa, a cumbia, o reggae e a dub com o gnawa africano, o funk do Médio Oriente, o punk, a pop, o jazz e os blues. O resultado é um rock latino com sabor ao hip-hop de Los Angeles, recheado de comentários sociais em inglês e castelhano que apelam à justiça social e aos direitos dos imigrantes. Uma energia acústica proporcionada por instrumentos como o tres (guitarra cubana), a jarana (guitarra mexicana), o requinto (grupo de pequenos cordofones e membrafones), o trompete, o trombone, o saxofone ou a tabla.

Jorge Costa

segunda-feira, 9 de abril de 2007

Emissão #41 - 14 Abril 2007

A 41ª emissão do MULTIPISTAS - MÚSICAS DO MUNDO, difundida no sábado, 14 de Abril, entre as 17 e as 18 horas, na Rádio Urbana (Castelo Branco - 97.5 FM; Fundão, Covilhã e Guarda - 100.8 FM), vai de novo para o ar na quarta-feira, 18 de Abril, entre as 21 e as 22 horas, sendo reposta três semanas depois (5 e 9 de Maio) nos horários atrás indicados.

Uma edição em que se destaca a rubrica Caixa de Ritmos, numa emissão especial, feita de poucas palavras, e inteiramente dedicada aos melhores temas que passaram nas últimas dez emissões deste programa. Eis a listagem do melhor dos melhores temas do MULTIPISTAS - MÚSICAS DO MUNDO:

"Billy's Birl", Paul Mounsey (Escócia) - folktrónica

"Sort of Slides: Choice Language/Bring Out the Wilf/Come Ahead Charlie", Capercaillie (Reino Unido) - celtic folk

"Ataun", Kepa Junkera (Espanha) - basque folk

"Les Temps On Changé", Amadou & Mariam (Mali) - afropop blues

"Marena-Wotetea",
Gigi (Etiópia) - world fusion, afrofunk

"Shubra",
Natacha Atlas (Bélgica) - ethno pop, electro, chaâbi

"Salam",
Akli D (Argélia) - chaâbi, mbalax, folk, blues, rock

"Tauti",
Värttinä (Finlândia) - traditional finnish folk/suomirock

"Pjesna Ljesorubov",
Mari Boine (Noruega), Inna Zhelannaya e Sergey Starostin (Rússia) - progressive folk music

"Hatul Vehatula",
Boom Pam (Israel) - world fusion, surf rock

(os dados sobre estes temas podem ser encontrados nos textos das emissões em que foram emitidos)

Jorge Costa

sábado, 3 de fevereiro de 2007

Emissão #36 - 3 Fevereiro 2007

A 36ª emissão do MULTIPISTAS - MÚSICAS DO MUNDO, difundida no sábado, 3 de Fevereiro, entre as 17 e as 18 horas, na Rádio Urbana (Castelo Branco - 97.5 FM; Fundão, Covilhã e Guarda - 100.8 FM), vai de novo para o ar na quarta-feira, 7 de Fevereiro, entre as 21 e as 22 horas, sendo reposta três semanas depois (24 e 28 de Fevereiro) nos horários atrás indicados.

"Carolina (remix)", Taraf de Haïdouks (Roménia) e DJ Shantel (Alemanha)
- gypsy brass band, gypsy oriental music
Os Taraf de Haïdouks a abrirem a emissão com “Carolina”, uma remistura de Stephan Hantel extraída da colectânea “Electric Gypsyland”, editada em 2005. Uma série de reinterpretações e de reinvenções poéticas de músicos europeus e americanos, em que o ponto de partida é a música cigana. Os Taraf de Haïdouks ("banda de bandidos") são originários de Clejani, cidade localizada a sudoeste de Bucareste, na Roménia. Esta dezena de instrumentistas e cantores, em que convivem quatro gerações de lăutari (músicos), foi descoberta em 1990 por dois jovens músicos belgas que se apaixonaram pela sua sonoridade e decidiram dá-los a conhecer ao mundo. A música dos Taraf de Haïdouks, que varia entre as baladas e as danças, é uma mistura de estilos locais, representando na perfeição a riqueza das folk romena. O género chamou a atenção de Stephan Hantel (mais conhecido por DJ Shantel), que nos últimos anos atacou as pistas de dança com uma mistura única de downtempo e technopop. Ele cria uma mistura explosiva entre a música dos Balcãs e a electrónica, dando destaque a alguns dos maiores representantes da música cigana como Mahala Rai Banda, Fanfare Ciocărlia, Balkan Beat Box, Slonovski Bal ou Goran Bregovic. As suas famosas raves em Frankfurt, chamadas de Bucovina Club, misturam sonoridades que vêm do Brasil e do Norte de África com baladas romanas, música tradicional da Moldávia ou da Sérvia e danças dos Balcãs. O resultado é uma amálgama sonora onde existe ainda lugar para a dub, o house, a breakbeat, a bossa nova, a batucada e a música oriental.

"Lau Anaiak", Alboka
(Espanha) - basque folk
As músicas do mundo prosseguem com os Alboka e o tema “Lau Anaiak” (Os Quatro Irmãos), extraído do álbum do mesmo nome, lançado em 2004. Quarto trabalho do grupo que, para além das danças e melodias populares, retiradas dos cancioneiros bascos, integra temas instrumentais – então uma novidade na folk basca, mais habituada a trabalhos vocais – e novas canções, compostas por Allan Grifing e traduzidas para euskera pelo escritor basco Juan Garcia. O agora duo, formado pelo acordeonista Joxan Goikoetxea e pelo multi-instrumentista irlandês Alan Griffin (que há mais de vinte anos vive no País Basco), foi criado em 1994 juntamente com mais dois músicos daquela região autónoma espanhola: Txomin Artola e Josean Martín Zarko. Da sua história fazem também parte as vozes de Benito Lertxundi e Xabi San Sebastián, o violinista Juan Arriola e a cantora húngara Marta Sebestyén, que colaborou num dos álbuns do grupo. Um ensemble cujo objectivo é o de interpretar música tradicional exclusivamente de forma acústica, sua imagem de marca, e que foi buscar o nome à alboka, um aerofone pastoril basco, construído com dois chifres de vaca, e cuja sonoridade, parecida com a da gaita, se situa entre a sanfona e a bombarda francesa. Juntam-se-lhe o acordeão, o bouzuki, o bandolim, o ttun-ttun (tamboril basco, da família do saltério), a guitarra acústica, o violino, a harpa, a gaita, a flauta e as percussões. Uma ponte entre a música tradicional e a folk contemporânea, em que a energia basca se une à pureza irlandesa.

"Ritus Selenita",
Joglars e Senglars (Espanha) - celtic folk
Os catalães Joglars e Senglars estreiam-se no programa com “Ritus Selenita”, tema retirado do álbum do mesmo nome, editado em 1998. Eles são um dos mais conhecidos grupos espanhóis da música celta contemporânea. A sua criatividade vai para além dos contornos do folclore, já que combinam melodias tradicionais com composições próprias e arranjos modernos. Algo patente no segundo disco dos Joglars e Senglars, onde temas galegos, catalães, bascos, irlandeses ou macedónios se fundem com sonoridades medievais, ritmos mediterrânicos e harmonias jazzísticas, elementos pouco habituais na folk. O grupo nasceu em 1992 em Santa Coloma de Gramenet (Barcelona). Quatro jovens músicos influenciados por géneros como o jazz, o rock ou a música clássica, começam então um trabalho pioneiro de investigação musical. Um projecto de mestiçagem e de reabilitação da folk, que no entanto não perde de vista as tradições. Para além das gaitas galegas e irlandesas, a banda, hoje formada por David Lafuente, Víctor Fernández e Miguel Ángel Vera e a que se juntam Tato Latorre, Rafa Martín e Michel Solves, recorre a elementos de percussão originais, bem como a instrumentos eléctricos como a guitarra ou o sintetizador.

"Poulo", Amadou & Mariam (Mali) - afropop blues
Segue-se a dupla Amadou & Mariam, que nos traz o tema “Poulo”, extraído do álbum “Wati” (Os Tempos, em bambara), editado em 2002. Um afropop blues, recheado de ritmos africanos, batidas funky e riffs de guitarras, onde se podem encontrar influências tão inesperadas como o cavaquinho português ou o violino de Bengala. Naquela que é a mais roqueira pop africana, não faltam as habituais alusões ao quotidiano do seu país e as letras que apelam à paz, ao amor e à justiça. Neste trabalho, Amadou & Mariam prestam homenagem à música tradicional maliana, ainda que embrulhada em sons ocidentais, tendo por convidados os franceses Mathieu Chedid, Jean-Philippe Rykiel, Sergent Garcia, o marroquino Hamid el Kasri e os malianos Cheick Tidiane Seck, Moriba Koïta e Boubacar Dambalé. Mariam Doumbia começou por cantar em casamentos e festivais tradicionais, enquanto que Amadou Bagayoko era guitarrista nos Les Ambassadeurs, banda lendária a que mais tarde se juntou Salif Keita. Os dois são invisuais e conheceram-se em 1977 no instituto de cegos de Bamako, a capital do Mali. A partir de então tornaram-se inseparáveis na vida e na carreira. Cantando em francês, castelhano e no seu dialecto original, estes bambara (etnia maioritária no Mali) vão buscar referências musicais à sua adolescência: a pop, o rock psicadélico e a salsa dos anos 60, e o funk e a soul da década seguinte. Uma forma através da qual recordam não só as suas raízes mandingo, mas também as teias invisíveis que ligam o Mali ao gnawa, à música cubana e ao jazz, tornando universal a música daquele país.

"Ambasale", Gigi (Etiópia) - world fusion, afrofunk
Avançamos agora até à Etiópia com o tema “Ambasale”, extraído do álbum “Gold and Wax”, editado em 2006. Conhecida como Gigi, Ejigayehu Shibawba é uma das mais célebres cantoras etíopes, apresentando-se quer a solo, quer com as formações Tabla Beat Science e Abyssinia Infinite. Acompanhada por instrumentos acústicos como a harpa kirar ou a flauta washint, ela combina melodias tradicionais do seu país com uma grande variedade de estilos como o jazz, a soul, a dub e o afrofunk. A viver actualmente nos Estados Unidos da América, Gigi é casada com o baixista e produtor Bill Laswell, que há seis anos produziu o seu álbum de estreia, disco em que foram introduzidos instrumentos electrónicos e que entre os convidados incluía o célebre David Gilmore. Neste seu último trabalho, Gigi cruza harmonias africanas com elementos jamaicanos e indianos e batidas do Ocidente. Um arranjo complexo e moderno de canções de dança e melodias, com muito ritmo e percussão à mistura. São sons menos tradicionais que seguem o caminho de outros fusionistas etíopes. Um álbum que contou com a participação de músicos como o virtuoso do sarangi Ustad Sultan Khan, o mestre da tabla Karsh Kale, o teclista Bernie Worrell, Nils Petter Molvaer, ou dos músicos africanos Abesgasu Shiota, Hoges Habte Aiyb Dieng e Assaye Zegeye.

"Hatul Vehatula", Boom Pam (Israel) - world fusion, surf rock

Para já, acompanha-nos um dos melhores grupos israelitas e uma banda de culto naquele país. Os Boom Pam
, que começaram por tocar em clubes e casamentos, trazem-nos o tema “Hatul Vehatula”, extraído do álbum do mesmo nome da banda, lançado no ano passado. Formados em 2003, os Boom Pam foram buscar a identidade ao cover da canção grega que tocaram com a estrela de rock Berry Sakharof, um êxito que ocupou as tabelas israelitas em 2004, à semelhança do que acontecera em 1969 com o cantor grego Aris San, emigrado em Tel Aviv. Os guitarristas Uzi Feinerman e Uri Brauner Kinrot começaram por experimentar sons orientais, até que se lhes juntaram a tuba de Yuval “Tubi” Zolotov e as percussões de Dudu Kohav. Depois do sucesso alcançado no Médio Oriente, eles chegaram ao público europeu, graças sobretudo ao DJ Shantel, que co-produziu o seu primeiro lançamento internacional e os descobriu numa das suas visitas a Tel Aviv, convidando-os então a participarem em vários espectáculos no seu Bucovina Club em Berlim, Frankfurt, Colónia e Zurique. Onde quer que actuassem, os Boom Pam deixavam o público em brasa com a sua mistura enérgica de rock do Médio Oriente com uma amostra de Balcãs, alguma irreverência e muito groove. Fugindo ao cliché do klezmer, geralmente associado à música judaica, eles criam um cocktail dos diferentes estilos que habitualmente se cruzam em Tel Aviv. Uma fusão única de estilos mediterrânicos, balcânicos e gregos, combinados com melodias judaicas, surf rock e música circense.

"Naar Oostland", Jams (Alemanha) - german folk
Os JAMS trazem-nos o tema “Naar Oostland”, retirado do álbum “Fisch” (Peixe), editado em 1997. Disco onde o grupo deixa para trás os temas instrumentais e a céilidh (dança tradicional gaélica), e descobre as suas raízes, apresentando várias canções em plattdeutsch (dialecto falado nas planícies setentrionais daquele país, mas que a maioria dos alemães simplesmente não compreende). São arranjos engenhosos e uma instrumentação especial, onde há lugar para a melódica (aerofone de palhetas, semelhante ao acordeão e à harmónica de boca), o bandolim, o saxofone, o clarinete, o contrabaixo e os tambores. Por vezes divertidos, mas sempre próximos das tradições musicais alemãs, os JAMS fundem tradições klezmer, balcânicas, alemãs e da Europa de Leste. Formados nos anos 80 na parte leste de Berlim, os JAMS marcaram o florescimento da folk alemã numa altura em que as bandas pareciam surgir como cogumelos. Num festival, o quarteto apresentou-se então com os primeiros nomes dos seus elementos: Jo-Andy-Micha-Session. Isto porque alguém juntou os nomes dos três no cartaz de apresentação do grupo. A organização é que não achou grande piada à longa palavra, que acabou por ser abreviada para JAMS (o que em plattdeutsch significa “sessão”). Apesar de a maior parte dos elementos originais já se terem afastado, manteve-se o nome da banda, hoje uma das mais conhecidas da folk germânica.

"Fábula Bêbada",
JP Simões (Portugal) - luso-samba
A fechar o programa, despedimo-nos com “Fábula Bêbada”, tema retirado do disco de estreia a solo de João Paulo Simões, editado no mês passado. Depois de projectos como os Pop Dell’Arte, Belle Chase Hotel, A Ópera do Falhado e Quinteto Tati, o compositor e intérprete conimbricense envereda agora por um trabalho eminentemente pessoal e conceptual. No álbum de nome “1970”, seu ano de nascimento, JP Simões estabelece uma viragem na carreira. Um recomeço artístico em tempos de crise, onde o cantautor tentou criar uma canção portuguesa que se encaixasse na vitalidade da música brasileira. O resultado é uma espécie de pátria ficcional, situada entre Lisboa e o Rio de Janeiro, território onde nasce este luso-samba. Um álbum catársico e recheado de inquietações, onde é retratada uma geração que desapareceu sem ter cumprido os seus ideiais. Nesta colecção de sentimentos, memórias e pessoas, destacam-se a luminosidade dos arranjos de Tom Jobim, a toada da guitarra de João Gilberto e a arquitectura da canção de Chico Buarque. Eis uma realidade musical brasileira, sonhada em português…

Jorge Costa