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domingo, 10 de setembro de 2017

Ciclo de sementes






Esses dias estava lendo um texto que trazia uma possível solução para os seguintes sintomas femininos:

1) TPM

2) Menopausa

3) Dores nos peitos

4) Fogachos




O protocolo seria o seguinte:


Fase folicular

Dia 1 a dia 14 do ciclo (ou até a ovulação)

1 colher de sopa de sementes de linhaça e de abóbora moídas na hora, diariamente



Fase luteínica

Do dia 15 (aproximadamente) ao dia 28 do ciclo (ou até a menstruação)

1 colher de sopa de sementes de girassol e de gergelim moídas na hora, diariamente



Por que as sementes precisam ser moídas na hora? Primeiro, para não perder suas características. E, em segundo lugar, em sua forma moída a digestão delas é mais fácil. Se vocês as consumirem inteiras, elas podem passar direto pelo intestino sem terem sido digeridas, aí você não consegue aproveitar todos os benefícios delas.

Se for muito difícil moer na hora (o que pode ser feito com um moedor de café), moa uma quantidade que dê para 4 ou 5 dias e coloque num recipiente bem fechado.

Uma outra possibilidade para moer é bater no liquidificador, só tomando cuidado para não virar uma farinha muito fina. Por exemplo, use aquele botão "pulsar" ou duas ou três vezes.

Sobre o consumo, você pode colocar no suco, em cima da comida ou da salada como farinha, e até em sopas, só não indico que sejam cozidas.




Quem toparia fazer e contar os resultados depois aqui no blog, nos comentários?

Agradeço a Gabriela Monteiro e a Tainan Ferreira pelas dúvidas levantadas pelas duas. Este texto foi atualizado para contemplar as dúvidas delas.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

A perda do meu útero

Meus companheiros dos últimos anos... Agora acabou!

Perdi meu útero. Logo eu, que durante tanto tempo me autointitulei “ativista menstrual” por aí. Uma ativista menstrual meio fajuta, que usava absorvente interno, tomava anticoncepcional e estava ficando apavorada a cada vez que menstruava, mas tudo bem. Ele se foi no dia 21/12/2014, Lua Nova em Capricórnio, solstício de verão.

Na verdade, depois de anos como moderadora da lista “Ciclos Naturais do Feminino”, eu já me sentia hipócrita tendo de tomar anticoncepcionais e ficando preocupada com a minha menstruação o tempo inteiro. Menstruar, para mim, já não era um prazer, mas sim um calvário. Minha menstruação nunca foi “regulada” e eu não gostava disso, mas agora era diferente: além de não saber quando ela viria, eu passava medo o tempo todo. Nos primeiros anos, era apenas um medo “sujar” a roupa. De um tempo para cá, o medo era de começar a sangrar loucamente no meio da rua, no trabalho, na frente de todo mundo, e desmaiar.

A primeira vez foi em 2011. Ia começar em um novo emprego e a hemorragia veio um dia antes. Imaginem o meu desespero: primeiro dia de trabalho com um medo desgraçado de sair “vazando” na frente dos novos colegas.

Em 2014, as hemorragias voltaram. Minha ginecologista dizia que a culpa era da cirurgia bariátrica e chegou a chamar de “maldita” a cirurgia que tirou 40 quilos das minhas costas este ano. Eu e ela sabíamos que eu tinha um mioma, mas a médica dizia que não era ele que me fazia sangrar demasiadamente, e sim a bariátrica. Ela cuidou de mim por 16 anos, fez meu parto, então eu confiava muito nela. Sua justificativa era de que uma perda de peso rápida e intensa mexia com os hormônios e fazia a menstruação ficar “descontrolada”.

Foi então que, neste final de dezembro, indo à consulta com minha nutricionista, comecei a sangrar demasiadamente no meio da rua. Da nutricionista fui para o hospital, ali pertinho, e a ginecologista de plantão me disse que aquilo era “normal”, pois ela passava por aquilo todo mês. Uma médica que não valoriza a queixa do paciente, eu diria. Falei que o sangramento era tamanho que chegava a “expulsar” meu absorvente interno, e ela disse que absorventes internos não “seguravam nada mesmo”. Aliás, cheguei a criar em minha casa um imenso estoque de absorventes, internos e externos, que ocupavam também bolsas, necessaries etc.

Meu marido me levou para outro hospital, onde fiquei à tarde tomando remédios para dor, apesar de não sentir dor alguma. Apenas sangrava muito. No fim da tarde, fui liberada e segui para casa. Ainda no hospital, o sangramento voltou, e dessa vez pior. Mesmo assim fui para casa e, lá, sujei todo o quarto, que ficou lotado de coágulos que saíam à minha revelia.

Meu marido me levou para outro hospital de madrugada. Sangrei tanto que cheguei a desmaiar.

Fiquei internada e descobri que os sangramentos eram devidos a um mioma submucoso de 4 cm. O médico me disse que o mioma submucoso, que fica na parte interna do útero, causa muito sangramento e não responde a tratamentos com hormônios, o que explicava o fato de eu ter tomado anticoncepcionais orais, injeções, usado adesivos etc. e nada melhorar.

A solução, segundo ele e um outro médico, seria cirúrgica. Num primeiro momento, tentariam apenas remover o mioma, mas eu já estava anêmica e fazer uma cirurgia em que perderia muito sangue poderia ser perigoso. Eu não tinha cor nos lábios ou na gengiva e uma transfusão de sangue já estava sendo aventada.

Um terceiro médico me operou. Aliás, todos os médicos que chegavam perto de mim perguntavam minha idade e se eu já tinha filhos, e foi aí que comecei a desconfiar de que poderia perder meu útero.

E foi realmente o que aconteceu. Ele disse que havia artérias muito grandes no meu útero e que, se tentasse apenas remover o mioma, eu perderia mais sangue ainda (segundo o médico, cheguei a perder 60% do meu sangue), o que me traria mais complicações e até risco de morte.

No início, fiquei muito, muito, muito triste por perder meu útero. Logo eu, que exaltava tanto sobre menstruação e os mistérios do sangue… Achei uma ironia do destino e fiquei brava com a situação.

Depois de conversar com muitas amigas, que foram essenciais em todo esse processo, prefiro pensar que não tenho mais útero, mas estou viva. E isso é o que importa. Eu posso continuar gestando. Não posso gestar um bebê, mas sim projetos, sonhos… Ainda tenho meus ovários, o que significa que não entrarei na menopausa antes do tempo.

Por enquanto, não aguento olhar meus livros, meus escritos, minha vasta coleção de materiais sobre menstruação. Mas tenho certeza de que essa dor é passageira. Vou “curtir” meu luto e depois ver o que faço. Pensei em doar esses materiais para alguém que possa continuar esse trabalho de ativismo menstrual, mas acho que ainda é cedo para decidir qualquer coisa. Preciso me recuperar da anemia, pois ainda me sinto bem fraca e cansada.

O que me importa, hoje, é que estou viva. Com ou sem útero.


Quero aproveitar e agradecer ao meu marido, que cuidou de mim no hospital durante mais de uma semana; a minhas amigas e familiares que me visitaram no hospital ou em casa; a minhas amigas que me ligaram, me enviaram mensagens, se preocuparam e mandaram boas vibrações de cura; e às meninas do grupo Tendas Vermelhas e Círculos de Mulheres no Facebook.


terça-feira, 5 de novembro de 2013

Blogs e sites sobre ativismo menstrual

Estou morrendo de saudades de postar aqui no blog, mas o trabalho e os estudos não estão deixando. :-(
 
Vim aqui rapidinho só para compartilhar com vocês os últimos blogs e sites sobre ativismo menstrual que venho acompanhando. Estão todos em inglês, infelizmente, mas acho que sempre dá para retirar alguma informação importante deles.
 
Espero que gostem! Ei-los:


re:Cycling

Twitter: @re_Cycling_SMCR

Blog of the Society for Menstrual Cycle Research


 

 

Ms Menstruation


Twitter: @MsMenstruation



 


Period Piece


Twitter: @period_piece


Vag-related dialogue, particularly in regard to the lady-bleeding. http://periodpiece.blogspot.com/ 

Crotch Canyon · periodpiece.blogspot.com

 

 

Period Positive


Twitter: @PeriodPositive


Chella Quint of Adventures in Menstruating will RT #periodpositivestuff: funny without insulting menstruators and/or challenges taboos.


 


The Period


Twitter: @ThePeriodBlog


Editor of The Period Blog & Cat Lover. Providing reviews of pads, pantiliners, tampons. Sharing period tips & tricks! Send period Qs to theperiodblog@gmail.com

Vancouver, BC · ThePeriodBlog.com

 
É claro que há muitos outros, estes são apenas os que comecei a acompanhar há pouco tempo. Se você tiver outras dicas de sites ou blogs parecidos com estes, deixe sua sugestão aqui nos comentários e eu posso ir aumentando a lista!

 

sábado, 29 de junho de 2013

Relato (atrasado) da Segunda Vermelha 2013

Em 6 de maio de 2013, comemorou-se, pela sexta vez no Brasil, a Segunda Vermelha.

Andei um pouco desanimada em relação a essa comemoração por uns tempos, mas, quando estávamos bem pertinho da Segunda Vermelha de 2013, decidi que gostaria de participar novamente, pois foi uma celebração que eu também ajudei a trazer para o Brasil há cerca de seis anos e não fazia sentido me “retirar” dela com meu coração ainda batendo fortemente quando o assunto é menstruação e saúde das mulheres.

Para quem não sabe, a Segunda Vermelha é comemorada uma segunda-feira antes do Dia das Mães e seu objetivo é fazer com que as mulheres se tornem mais conscientes sobre sua menstruação e seus ciclos.

Para comemorá-la (ou celebrá-la), basta usar algum item vermelho e ter a consciência de que menstruar não é algo vergonhoso, mas sim um sinal de saúde.

Em 2013, comemorei a data com outras mulheres pela primeira vez, com minhas irmãs do círculo de mulheres. Eis aqui o convite do grupo para a Segunda Vermelha:



Outras mulheres também comemoram e me concederam a honra de publicar aqui os convites para suas celebrações:


Acima, banner da Segunda Vermelha de Luciana Britto e Márcia Paula, de Itanhaém, São Paulo




Acima, banner da Segunda Vermelha de Eloá Rosa e Trina Máa Círculo de Mulheres, em Joinville, SC




Acima, banner da Segunda Vermelha de Babi Guerreiro e seu Círculo Feminino de Gaia, de Santos (SP)



Cartaz de Mariana Nunes Faria, de Minas Gerais



Agradeço a todas as mulheres acima pela partilha e espero que esses convites sirvam de inspiração para outras mulheres na Segunda Vermelha 2014. Até lá!


quinta-feira, 16 de maio de 2013

E-book gratuito: "Done with menstrual cramps", de T. C. Hale



Não sei se vocês gostam, mas eu adoro pegar um e-book gratuito da Amazon para ler no Kindle.

Hoje, para minha surpresa, há um livro sobre meus assuntos preferidos, a menstruação, de graça na Amazon! Pegue o seu enquanto é tempo. (E não esqueça de que você precisa baixar o aplicativo do Kindle para ler o livro... Mas não se preocupe: esse aplicativo roda no celular, no tablet e no computador!)

O livro se chama "Done with menstrual cramps", algo como "Como acabar com as cólicas menstruais".

Ainda não li o livro, mas parece-me que foi escrito por um comediante que se tornou expert em saúde natural. Então, se o livro não for bom, não me xinguem. A diversão, ao menos, será garantida! :-P

Pegue o livro, ainda hoje, aqui. Não deixe para amanhã, pois ele voltará ao preço normal.

domingo, 28 de abril de 2013

Segunda Vermelha 2013

Este ano, pela primeira vez, vou comemorar a Segunda Vermelha com outras mulheres. Sempre comemorei sozinha, mas dessa vez será diferente.

Se você estiver em São Paulo e quiser se juntar a nós, eis o convite:



segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Massagem para cólicas com poejo (Mentha pulegium)






As cólicas menstruais, que vão de leves a extremamente dolorosas, são um distúrbio comum entre as mulheres em idade de reprodução. As cólicas são doloridas, espasmódicas e acompanhadas por uma sensação de peso no abdome e na coluna. O útero possui um músculo vigoroso, que se contrai em resposta aos estímulos hormonais da menstruação. Como os demais músculos, responde positivamente a uma massagem.

A receita de óleo de massagem para a região pélvica contém poejo, uma erva muito conhecida e eficaz.

Ingredientes

1 xícara de chá de óleo de amêndoas
15 de poejo seco

Como fazer

Misture o poejo com o óleo de amêndoas em um recipiente de porcelana. Mexa vigorosamente com uma colher de pau e deixe descansar por cinco minutos. Coloque a mistura em uma panela e leve ao fogo na potência mínima ou, se preferir, leve-a ao forno em um refratário em temperatura mínima (100 graus centígrados) por três ou quatro horas. Quando a mistura estiver curada, escorra e inutilize as folhas de poejo-real. O óleo adquirirá um tom amarelo-claro, com fragrância forte de cânfora e hortelã. Conserve o óleo em temperatura ambiente, em um vidro bem fechado e etiquetado, por até seis meses.

Aplicação

Coloque o recipiente do óleo em uma panela com água fria. Aqueça até que se formem borbulhas no fundo. Retire a panela do fogo e despeje uma colher de sopa do óleo na palma da mão. Massageie o abdome e a região das costas para aliviar as cólicas menstruais. Recomenda-se fazer essa massagem logo após o banho. O alívio geralmente é imediato. Ao terminar a massagem, repouse, mantendo os pés elevados e as costas apoiadas em almofadas. Se for o caso, mantenha consigo um pequeno frasco com algumas gotas desse óleo e aplique em pequenas quantidades, conforme a necessidades.

Observação

Se sua cólica menstrual for severa ou prolongada, pode ser um efeito secundário, resultante de algum outro distúrbio. Consulte um médico para obter o diagnóstico e o tratamento apropriados.

 Fonte: Guia Feminino de Saúde e Beleza, de Maribeth Riggs, páginas 81 e 82, editora Angra.

domingo, 18 de novembro de 2012

Menstruação: um período de renovação




Ano passado, vi um texto, em um blog do qual não me lembro o nome, e a moça dizia que era um absurdo celebrar a menstruação, que então deveríamos começar a celebrar o “Dia do Sêmen” etc. Acho que essa mulher não entendeu nada sobre o Menstrual Monday, sinceramente. Para argumentar contra esse texto, faço uma única pergunta: por acaso os homens têm nojo de seu sêmen? Acho que esse não é o caso...

Então, por que continuamos achando que a menstruação é uma inconveniência, ao invés de um sinal de saúde?  Você pode fazer de seu período menstrual uma grande oportunidade de renovação, por exemplo.
Uma das maneiras de fazê-lo é começar a marcar as datas de suas menstruações. Por meio desse controle, você será capaz de estabelecer padrões e, sabendo como você estará em cada fase de seu ciclo menstrual, você estará fazendo um enorme exercício de autoconhecimento.

Primeiro, você precisa se conscientizar de que nós, mulheres, não somos lineares. Se não prestamos atenção aos nossos ciclos, como daremos a nós mesmas aquilo de que precisamos em determinados momentos dele?

Observe-se. Você notará que no 14º dia do seu ciclo seu nível de energia estará elevado. Você pode planejar atividades como artesanato, socializar-se mais, dar festas, atender mais clientes. Já no 25º dia, você provavelmente terá menos energia.

Alguns dias antes da menstruação eu começo a ficar desesperada para limpar minha casa. Cada mulher deve observar seu corpo e perceber seus níveis de energia. Você também deve observar os sintomas físicos, como acne, fadiga, inchaços (você pode começar a não caber em suas roupas). Muitas mulheres apresentam acne no fim do ciclo, por exemplo. Preste atenção também em suas emoções. Verifique se seus sonhos estão mais vívidos. Acorde 20 minutos antes do horário que costuma acordar e escreva o que sonhou em caderninho separado especialmente para esse fim. Preste atenção em você mesma. Conheça suas necessidades em cada fase.

Também é interessante criar sua tenda da lua e passar um tempo sozinha. Não se trata de uma punição, um ter de se afastar da sociedade por ser "impura". Aproveite esse período, pois nessa época o véu entre nós e os espíritos está mais fino (isso acontece porque a menstruação é um tempo de morte, com o potencial de uma nova vida sendo liberada). Aproveite essa pequena morte, esse tempo de renovação. Honre a si mesma.

A  tenda da lua pode ser encarada como um tempo de renovação que você está criando para si mesma. Fique receptiva aos conselhos dos que já se foram, anjos ou no que você acreditar. Não ignore seu guia interior, sua Mulher Selvagem, a sabedoria das plantas. Reconheça que este é um momento especial na sua vida todo mês. Sua tenda da lua é o seu momento de quietude, de internalização, de ouvir, de receber. Dê a si mesma o descanço de que precisa.

Muitas mulheres me perguntam se elas precisam realmente fazer uma tenda e convidar outras mulheres para esse espaço sagrado durante a menstruação. Se conseguíssemos seria ótimo, mas basta criar um espaço seu. Se você simplesmente desenhar à sua volta um círculo imaginário, com intenção, você já estará dentro de sua tenda da lua. Sua tenda da lua podem ser aqueles cinco minutos de paz que você precisa. É claro que você também pode dormir numa barraca e menstruar diretamente na terra durante esse período.

Como eu já disse, o período menstrual é um período de renovação. Então, deixe que os problemas vão embora com seu sangue e saia da sua tenda da lua renovada.

Texto de Danielle Sales

segunda-feira, 7 de maio de 2012

A Tenda Vermelha, de Anita Diamant


Mas vejam só vocês. A gente acha que escolhe um livro para ler, mas, na maioria das vezes, o livro é que escolhe a gente. Em março, peguei nas mãos pela centésima vez o livro “A Tenda Vermelha”, de Anita Diamant, publicado pela Editora Sextante no Brasil e que teve mais de 3 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo.

A despeito do tema menstruação, que muito e sempre me interessa, eu não gosto de ler romances históricos. Temas bíblicos também não me agradam. Então por que haveria eu de ler aquele livro justamente agora?

O fato é que passei dois meses absorvida, no meu pouco tempo livre, pela leitura desse livro. Encantanda com as possibilidades antigas das mulheres em suas tendas vermelhas. E, para quem não puder (ou simplesmente não quiser) ler o livro, vou tentar fazer um resumo, a partir de agora, de como eram as tendas vermelhas nos tempos antigos.

Quando a menina tinha sua primeira menstruação, as mulheres da casa (mães, irmãs mais velhas e criadas, por exemplo) entoavam uma canção gutural reservada ao nascimento, à morte e ao amadurecimento das mulheres. As mulheres menstruavam na Lua Nova, e com a primeira menstruação de uma menina suas unhas e sola dos pés eram untados com henna, assim como suas pálpebras eram pintadas de amarelo. Elas recolhiam todas as joias que conseguissem encontrar e forravam os dedos das mãos e dos pés, os tornozelos e os pulsos da menina. Cobriam-lhe a cabeça com o mais fino bordado e levavam-na para a tenda vermelha. Lá dentro cantavam às deusas.

Enquanto as mulheres cantavam canções de boas-vindas, a moça comia mel de tâmaras e bolos de fina farinha de trigo com a forma triangular do sexto feminino, e bebia vinha doce. Tinha suas costas, braços e ventre massageados com óleos aromáticos até ser adormecida. Depois era levada para desposar a terra, conforme ritual descrito a seguir.

Levava-se até a menina uma taça de metal polido com vinho fortificado, escuro e doce, com propriedades sedativas. Depois, pintava-se uma linha vermelha dos pés até o sexo e, a partir das mãos fazia-se um padrão de bolinhas que era conduzido até o umbigo.

Para que a menina pudesse “enxergar longe”, usaram kohl em seus olhos e perfumavam-lhe a cabeça e as axilas. Tiravam-lhe a roupa que usavam e colocavam-lhe uma mortalha para placenta que ficava dentro da tenda vermelha como vestido. As outras mulheres alimentavam a menina e tudo era feito em clima de festa e amor. Seu pescoço e suas costas eram massageados, canções eram entoadas, todas dançavam e batiam palmas.

Havia então a parte final do ritual, que eu não vou descrever aqui por receio de alguém ler e sair fazendo a mesma coisa por aí, o que não acho, de modo algum, indicado. Se quiser descobrir, vá ler o livro (rs).

A menina, então, era conduzida de volta para a tenda vermelha, onde dormia. Era considerado de bom augúrio se ela sonhasse e perguntava-se que forma a deusa tinha tomado em seu sonho.

Depois desse ritual, a moça ficava na tenda durante os três dias seguintes, recolhendo seu fluxo num vaso de bronze, já que “o primeiro mênstruo das mulheres constituía poderosa libação para a horta”. Quando o ritual acabava, havia um costume mais antigo ainda de aguardar sete meses após a primeira menstruação para que a moça pudesse se casar. Depois disso, passavam a usar um tipo de cinto que as identificava como mulheres que já haviam menstruado.

Hoje em dia, as mulheres não mais celebram a menstruação das meninas e, antigamente, era considerado um tabu não fazer essa celebração do primeiro sangue, recebendo a menina na vida de mulher com cerimônia e com ternura.

Depois da primeira menstruação, as meninas eram consideradas mulheres e passavam a usar, além do cinto citado anteriormente, um avental e a cobrir a cabeça. Também havia a vantagem de não precisar carregar e ir buscar coisas durante a Lua Nova, quando poderia sentar-se junto das outras mulheres dentro da tenda vermelha durante 3 dias e 3 noites, até a primeira visão da Lua Crescente. Durante esses três dias, o sangue vertia em cima de palha fresca.

De fato, era respeitado o período de descanso menstrual mensal das mulheres dentro das tendas vermelhas. Para mim, esse era um ponto de valorização das mulheres. E uma outra evidência dessa valorização, em minha opinião, é que, “após o nascimento de um menino, as mães descansavam de uma lua à outra, mas o nascimento de uma doadora de vida requeria um maior período de separação do mundo dos homens”.

E você acha que as mulheres ficavam quietinhas na tenda vermelha? Não. As mulheres grávidas podiam entrar na tenda e falar sobre o que sentiam a cada mês. As outras falavam das façanhas de seus filhos e filhas. Trançavam o cabelo uma das outras e faziam massagens nos pés umas das outras com óleos, bem como comiam bolos e davam o peito a seus bebês.

Muitas mulheres, durante sua menstruação, só usavam as cores vermelho e amarelo, as cores do sangue da vida e o talismã para uma menstruação saudável.

Havia mulheres que não podiam entrar na tenda vermelha? Sim. Aquelas que já haviam passado do seu período de engravidar e as que ainda não haviam menstruado.

E, para terminar, a fala de uma das personagens do livro, Zilpa:

“O fluxo escuro do mês, o sangue curandeiro do nascimento da lua, para os homens isto é fluxo e mau feitio, aborrecimento e dor. Eles imaginam que nós sofremos e consideram-se sortudos. Nós não os desenganamos. Na tenda vermelha, a verdade é conhecida. Na tenda vermelha, onde os dias passam como uma corrente ligeira, enquanto o dom de Innana corre por nós, limpando o corpo da morte do último mês, preparando o corpo para a vida do novo mês, as mulheres dão graças pelo repouso, pela restauração, pelo conhecimento de que a vida vem de entre as nossas pernas, e de que a vida custa sangue.”

sábado, 29 de outubro de 2011

Calendário menstrual da Henriette Kress (Henriette's Herbal)

Desde que comecei a estudar herbalismo, sempre faço consultas a um site muito bom chamado "Henriette's Herbal", que foi idealizado e é escrito por uma herbalista finlandesa chamada Henriette Kress.Caso queira conhecê-lo, eis o link:

http://www.henriettesherbal.com/

Outro dia, dando uma passada ocasional pelo site, achei um calendário menstrual (que vai de 2011 a 2014) que gostaria de compartilhar com as leitoras deste blog. Para baixá-lo, usem este link:

http://www.henriettesherbal.com/files/articles/menstrual-cal_2011-2014.pdf

Traduzi as instruções, que estão em inglês, para vocês:

Marque o primeiro dia de cada ciclo menstrual e conecte as marcas com uma linha. Lendo da esquerda para a direita, uma linha horizontal indica um ciclo de 28 dias. A linha inclinada para cima indica um ciclo mais curto, uma
linha inclinada para baixo indica um ciclo mais longo. Se não houver nenhuma linha reta, o ciclo é variável.

sábado, 4 de junho de 2011

Material da Segunda Vermelha 2011



Para quem não sabe, há alguns anos comemoro a Segunda Vermelha.

Este ano fiz uma pequena apresentação no Espaço Naradeva Shala sobre cyberativismo menstrual, no evento organizado pela Sabrina Alves (Clã dos Ciclos Sagrados), com a participação de Monika Von Koss (ela autografou meu livro Rubra Força!!!) e da Bia Fioretti.

Conforme prometido, no evento que foi transmitido por Twitcam, baixe aqui o PDF com o conteúdo da minha apresentação.

Digam-se se gostaram, se não gostaram, o que vocês teriam acrescentado...

Abraço a tod@s!

sábado, 30 de abril de 2011

Segunda Vermelha 2011





Em razão da campanha Segunda Vermelha 2011, deixo aqui, para download, o número 4 do meu fanzine, Maria Sogna Tutte le Notti, para quem se interessar. Este ano a Segunda Vermelha será comemorada em 2/5/2011, ou seja, uma segunda-feira antes do Dia das Mães.



Vale dizer que este número é especial e traz textos publicados neste blog, em formato PDF, bem como alguns textos inéditos, além de dicas de leitura etc.

Se você gostou do fazine, deixe um recadinho aqui no blog ou mande um e-mail para mim....