domingo, 8 de setembro de 2013
Reflexão sobre a raiz
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
3o. Cultivar - Celebrando as árvores e a natureza da cidade
Dia da Árvore - 21 de setembro de 2012
Hoje é o Dia da Árvore. Desde criança eu me emociono com essa data, apesar de nunca ter imaginado a relação especial que tenho com elas hoje.
Em São Paulo, não houve chuva por mais de sessenta dias. Nós, seres humanos, com a respiração prejudicada e vendo nossas crianças sofrendo com problemas respiratórios, ainda assim podíamos ver os ipês amarelos que enfeitam a cidade.
Ipês amarelos, peladinhos, só flores, amarelas, iluminadas. Ficaram mais lindos ainda com o fundo azul do céu.
Hoje eu reverencio e agradeço às árvores do mundo, por acompanharem gerações e gerações, sempre nos fitando do alto de sua sabedoria.
terça-feira, 6 de setembro de 2011
"Árvores do Brasil - Cada Poema no seu Galho" - Resenha
No Ano Internacional das Florestas, a Editora Peirópolis lança um lindo livro ilustrado sobre as árvores do Brasil. Em uma edição caprichada, com capa dura e papel especial, os conhecidíssimos Lalau (autor) e Laurabeatriz (ilustradora) nos brindam com o livro "Árvores do Brasil - Cada Poema no seu Galho", com poemas que homenageiam as árvores mais importantes do Brasil (três de cada bioma) em 56 páginas.
O miolo do livro foi impresso com papel especial, o que lhe valeu o selo verde de certificação concedido pela FSC - Forest Stewardship Council (Conselho de Manejo Florestal), que garante a origem da madeira utilizada.
Na obra há poemas (e, é claro, ilustrações) sobre o pau-brasil, a araucária, o jequitibá, o ipê-do-cerrado, o buriti, o jatobá-do-cerrado, o juazeiro, o mulungu, o umbuzeiro, o ipê-roxo, o jenipapo, o pau-forminga, a castanheira-do-pará, o piquiá e o mogno.
Além do caráter artístico da obra (que traz ilustrações bastante coloridas, com traços muito criativos), é possível explorar também seu lado educacional, já que, nas ilustrações, as árvores estão sempre acompanhadas de um representante da fauna do Brasil que mantém alguma relação de vida com ela, ou seja, a procura de um alimento, furtas, folhas ou mesmo como abrigo. Por exemplo, logo abaixo do poema sobre o pau-formiga você encontra informações sobre o tamanduá-mirim.
No final da obra, há também informações e curiosidades sobre cada uma das árvores retratadas nas páginas do livro.
Para quem gosta de árvores e sabe apreciar um bom livro infantil ilustrado, este livro é uma ótima opção.
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
POEMA DAS ÁRVORES (Arthur Nestrovski)
sábado, 8 de janeiro de 2011
2011 - Ano Internacional das Florestas
No finzinho do ano passado, li em algum lugar que 2011 seria o Ano Internacional das Florestas. Em sintonia com essa comemoração, que foi criada pelo ONU, comunico que este ano o blog dará um enfoque especial para o estudo das árvores.
Para saber mais sobre essa campanha, você pode ler dois textos:
http://www.un.org/en/events/iyof2011/
http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/ambiente/2011-ano-internacional-florestas-preservacao-manejo-sustentavel-612833.shtml
Além disso, já vou adiantando que, como ano passado estudei algumas ervas de cura e ervas ligadas à sexualidade, vou tentar escrever um pouco mais sobre o que aprendi aqui no blog também.
Feliz 2011 para tod@s!
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Tarot of Trees (Tarô das Árvores)
Um dia, minha amiga Gabriela disse que tinha visto um tarô que era a minha cara. Fui correndo até o site indicado por ela e fiquei um pouco frustrada porque, apesar de já haver as cartas prontas nele, o deck ainda não estava disponível para venda.
Muito tempo depois, voltei ao site por curiosidade e o deck já estava pronto para ser despachado para quem se dispusesse a pagar alguns dólares. Quem conhece meu amor por árvores sabe que eu não hesitei em fazê-lo rapidamente.
Quando as cartas chegaram, eu tive duas impressões diferentes: primeiro, achei as cartas muito pequenas (elas medem 6 x 8,5 cm); em segundo lugar, eu as achei um tanto sombrias (principalmente com a temática outono e inverno), talvez pelas bordas negras de cada carta ou mesmo por conta dos tons arroxeados que dominam no deck.
Há algum tempo, Pietra comentou sobre o deck e eu disse que o tinha. Combinamos que eu tiraria algumas fotos, mas os compromissos da vida não me deixaram fazê-lo rapidamente. Hoje, após o trabalho, com o barulho da chuva vindo lá de fora e alguns trovões se fazendo ouvir, pude fotografá-lo.
Nas fotos, é possível visualizar o deck inteiro, o verso das cartas (belíssimo) e a carta O Hierofante, que é ilustrado por um belo carvalho. Também fotografei o livreto que acompanha o tarô, de uma delicadeza ímpar. O engraçado é que as cartas parecem mais bonitas e alegres no livreto!
Não posso terminar esse texto sem citar o nome da autora, Dana Driscoll. Ela criou o tarô porque passou a infância entre as árvores e, mais tarde, estudou druidismo. É claro que sua consciência ambiental também falou alto nessa empreitada.
São divinas as setenta e oito cartas, com um tipo de árvore representando cada arcano maior. Os arcanos menores também apresentam um padrão de cores apropriado a cada estação do ano/naipe (copas e primavera, paus e verão, espadas e outono, pentáculos e inverno). Também é marcante o uso de espirais em todas as cartas.
Para mais informações sobre o deck:
http://www.tarotoftrees.com/
http://www.aeclectic.net/tarot/cards/trees/
terça-feira, 7 de setembro de 2010
1ª Semana Cultural das Árvores - Setembro de 2010
Setembro é um mês importante para chamarmos a atenção do público em geral para a sustentabilidade. No dia 21 de setembro é comemorado no Brasil o Dia da Árvore; no dia 22 comemora-se o Dia Mundial Sem Carro, e no dia 23 começa a Primavera.
Para celebrar essas importantes datas, entre os dias 21 e 26 de setembro será realizada a 1ª Semana Cultural das Árvores, com diversas atividades como caminhadas, observação de pássaros, danças circulares e plantio de árvores em diversos pontos da cidade. Segue release do evento:
O Árvores Vivas, que visa orientar e divulgar informações e curiosidades sobre as árvores nas cidades, criou e organiza a 1ª Semana Cultural das Árvores (http://semanaculturalarvores.wordpress.com), evento que acontece de 21 a 26 de setembro de 2010, no Parque da Luz e região, Praça do Ciclista e Praça Rafael Sapienza na Vila Madalena. Contando com o apoio de iniciativas como o Movimento Bandeirante, Pedal Verde, Fauna Florensis e da consultora Sandra Siciliano.
Com o lema LUZ + VERDE, a primeira Semana Cultural das Árvores busca fortalecer o pilar ambiental da cidade, promovendo vivências de apreciação e conhecimento sobre a natureza. A partir do principio “cuidamos melhor daquilo que conhecemos”, o evento traz diversas expressões culturais e conhecimentos sobre as árvores nos grandes centros urbanos e abrange o dia da árvore (21), dia mundial sem carro (22) e o inicio da primavera (23).
A maior parte da programação acontece no Parque da Luz, considerado o parque mais antigo da cidade. Inaugurado em 1825, era ponto de encontro de famílias, palco para festas, saraus e bandinhas que se apresentavam no coreto.
São diversas atividades de integração como:
PASSEIO VERDE,
1.o PIC NIC DE TROCAS DE MUDAS E SEMENTES DAS ESTAÇÕES,
ENCONTROS COM OS CUIDADORES DO VERDE DA CIDADE,
AÇÃO LIMPE O MUNDO DO MOVIMENTO BANDEIRANTE,
PLANTIO DE ÁRVORES,
CUIDADOS COM A PRAÇA DO CICLISTA,
PEDAL VERDE,
OBSERVAÇÃO DE AVES NO PARQUE DA LUZ,
EXPOSIÇÃO DE FOTOS
FRUTOS E SEMENTES DAS ÁRVORES DO PARQUE
FOTO, PINTURA, DESENHOS E ARTE INSPIRADA NAS ÁRVORES DO PARQUE,
DANÇA CIRCULAR,
CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS
Serão cerca de 36 mil freqüentadores usuais por semana no Parque da Luz, além do encontro na Praça do Ciclista, localizada na Av. Paulista, e plantio do pau-brasil, na Praça na Vila Madalena, com a presença do artista plástico Vitor Matuck.
CONTATO MAIORES INFORMAÇÕES:
JULIANA GATTI PEREIRA – 9502.7947 juliana@arvoresvivas.com.br
sábado, 15 de agosto de 2009
Curiosidades sobre as árvores
* A copa das árvores abriga 70% das espécies de uma floresta tropical - numa única árvore da Amazônia foram encontrados 1.200 tipos de besouros.
* Entre 2000 e 2005, o Brasil foi responsável por 42% das florestas desmatadas no mundo. O ritmo de desflorestamento no país é 6 vezes superior à média mundial.
* Quase 95% dos brasileiros nunca viram um pau-brasil. Mas a madeira continua sendo exportada: ela é usada na confecção de arcos de violino, na Alemanha.
* Um bom lugar para se proteger de raios é dentro de uma mata fechada. A diversidade de tamanho das árvores reduz a chance de você ser atingido.
* 70% da madeira ilegal da Amazônia é destinada à construção civil. Desse total, quase metade vira estrutura de telhado.
* A cruz em que Jesus morreu provavelmente foi feita de oliveira. O único cadáver encontrado de uma crucificação da época possuía fragamentos dessa madeira.
Por trás da propaganda, a mensagem de que a leitora dessa revista é mais bem informada. Como se uma mulher que pensa na árvore como meio de ter sombra ou lenha valessem menos. Por milênios, homens e mulheres só pensaram nas árvores nesses termos, e acho que isso não quer dizer que valessem menos do que nós, "as superinformadas".
Mas convenhamos: você não gostou de saber que pode correr para baixo de uma árvore em caso de tempestade? (rs) Minha avó sempre me disse para fugir delas quando estivesse chovendo muito, mas, pelo jeito, isso deve ser mito. Ou não. Confio mais na minha avó do que na Superinteressante (rs).
Sobre a questão do desmatamento, acho que esses números são grandes porque são proporcionais ao tamanho de nossa área verde. Ou não?
E sobre os arcos de violino: em Paraty também tem um monte de réplicas do Cristo Redentor feitas em pau-brasil sendo vendidas.
Nunca pensei que um anúncio de revista iria me trazer tantas questões. Bom, agora os leitores do blog (e eu) sabemos um pouco mais sobre as árvores. Sem perder nosso senso crítico, é claro.
terça-feira, 25 de novembro de 2008
Dica de site do mês
Hoje será o da campanha "Vamos plantar 1 milhão de árvore":
http://www.ummilhaodearvores.org.br/arvore/
Explorem o site, leiam tudo... Creio que vão gostar!
sexta-feira, 18 de julho de 2008
Árvores no trabalho
Tá certo que muitas delas são para fazer sombra nos carros que ficam no estacionamento, mas ainda assim acho melhor plantar árvores do que construir telhados de concreto ou plástico.
Ontem, na hora do almoço, levei um susto. Dei até um gritinho e assustei as amigas (rs): eles estão catalogando as árvores do condomínio. Lindo!
Já puseram plaquinhas na pata-de-vaca, no eucalipto... Com nome científico e países de origem.
Estou louca pra fazer umas fotos e mostrá-las aqui para vocês em breve!
Ah, e se você curte fotografar árvores, se liga nesse concurso: http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/cultura/conteudo_290100.shtml
sexta-feira, 20 de junho de 2008
Os abraçadores de árvores
Um pouco de história para inspirar...
Os abraçadores de árvores é um dos mais notáveis e originais exemplos de ação direta. Já nos anos 20, na Califórnia, nos EUA, surgiu um grupo de mulheres, as ladies conservationists (senhoras conservacionistas), que se acorrentava nas árvores para impedir a ação dos madeireiros.
Mas foi a partir do movimento Chipko nos anos 70, quando as mulheres das aldeias himalaias do norte da Índia decidiram abraçar-se às árvores para impedir a ação das madeireiras que o movimento ganhou força. Estimulados por vários grupos ambientalistas internacionais, o movimento conseguiu um certo sucesso e bastante impacto junto à mídia.
O acontecimento deu origem a outros movimentos de abraçadores de árvores (tree-huggers) ao redor do mundo. No fim da década de 80, na Austrália, um grupo, de pessoas subiu nas árvores para defender a última floresta de eucaliptos nativos do mundo, ali ficando por vários dias. Com a ajuda do efeito de suas ações na imprensa, os abraçadores conseguiram rescindir o contrato do governo australiano com as madeireiras japonesas.
Nos anos 90, na Inglaterra, surgiram os tree-sitters, ou dongas, com outra estratégia: se algemar nas árvores, se acorrentar nas pedras ou acampar na região a ser atingida, para impedir a construção de anéis rodoviários que atravessariam áreas de proteção especial.
Os acampamentos dos sitters (numa tradução livre, "os pregados no chão") duraram vários anos, provocando uma reação violenta das autoridades inglesas, que acabaram expulsando-os na força.
Em 1997, um caso que repercutiu muito na imprensa internacional foi o da estadunidense Julia Borboleta Hill, que passou dois anos vivendo em cima de uma árvore à qual deu o nome de Luna, numa tentativa de frustrar os planos da madeireira Pacific Lumber de destruir uma floresta de sequóias da Califórnia.
Outro fato recente que ganhou espaço na mídia, em 2006, envolveu a cantora Joan Baez, que juntamente com Julia, subiram no topo de uma árvore em uma tentativa de evitar a demolição de um horto comunitário de 14 acres com frutas e vegetais no sul de Los Angeles.
Hoje, este tipo de ação direta continua à mil em várias partes do mundo. Entre no site da Earth First! (www.earthfirst.org) que terás muitas notícias atualizadas.
Moésio Rebouças
Fonte: Terra
quinta-feira, 5 de junho de 2008
Hoje é Dia do Meio Ambiente!
Hoje é o Dia do Meio Ambiente!
No dia 21 de setembro, também falo:
Hoje é o Dia da Árvore!
Não sei o motivo de eu ter gravado essas duas datas, mas hoje o ritual se repetiu.
quinta-feira, 15 de maio de 2008
O original acentuava os sabás, e eu quis que o meu mostrasse somente as estações do ano. Atrás há uma bolsinha de pano com as fases da Lua, que eu e o filhote vamos trocando ao longo do mês.
Beleza para minha copa e conhecimento da natureza para o meu filhote!
sexta-feira, 9 de maio de 2008
A Magia das Árvores
Árvores. A mera presença delas desperta uma paz e um sossego na alma humana. Esse é um segredo que explica por que – desde os tempos mais remotos – em todos os cantos do mundo, os sábios e místicos têm usado florestas como locais de refúgio e de inspiração.
Há uma relação natural e instintiva entre a árvore e o homem. Até os seus modos de respirar se completam. Aquele que medita pode aprender com as árvores uma sábia e serena imobilidade. Na antiga Índia, conta a lenda que Gautama Buda alcançou a iluminação ao pé de uma grande árvore chamada Bodhi, símbolo da sabedoria universal. Sentou-se ali em um entardecer, foi saudado amorosamente pelos seres da floresta, e travou sua batalha final. No momento da aurora, venceu definitivamente a ilusão e a ignorância.
É difícil imaginar seres tão benéficos quanto as árvores. Elas embelezam a paisagem, dão sombra, madeira, frutas, e são o refúgio e abrigo de pássaros e outras espécies de animais. Comunicam o subsolo com a atmosfera e purificam o ar. Atraem nuvens, regulam as chuvas, estabilizam o clima egarantem a umidade do solo. Combatem a erosão e evitam o excesso de ventos.
Mas, além das suas funções vitais e práticas, a árvore tem uma forte natureza mágica. Ela é universalmente considerada um símbolo do relacionamento entre céu e terra. Com sua estrutura vertical – o tronco – a árvore estabelece um eixo simbólico de ligação entre o mundo físico e o mundo divino. Por outro lado, seus galhos, ramos, folhas e frutos reúnem toda uma comunidade de aves, insetos, répteis e pequenos mamíferos, o que é um símbolo da infinita diversidade da vida.
Naturalmente, o Paraíso da tradição judaico-cristã é um bosque. Ali, segundo Gênesis, II, "Deus fez crescer do solo toda espécie de árvores formosas e boas de comer". Porém, há duas árvores que se destacam nesse local sagrado. Uma delas é a árvore da sabedoria, que dá o conhecimento do bem e do mal. A outra é a árvore da vida, que simboliza a imortalidade.
Estas duas árvores não são inteiramente exclusivas da Bíblia: em seu tratado sobre história das religiões, Mircea Eliade destaca que os antigos babilônios também situavam duas árvores na entrada leste do Céu. Uma era a árvore da vida, e a outra a da verdade.
No Bhagavad Gita hindu (Cap. XV), o Universo é uma árvore invertida que tem suas raízes no céu e suas folhas e frutos na Terra. Seu nome é Asvartha, e sua imagem simboliza a manifestação concreta da vida cósmica. A mesma árvore com raízes no céu e frutos na terra aparece sob o nome de Yggdrasilno folclore dos países do Norte da Europa.
Do ponto de vista microcósmico, essa árvore mitológica representa cada alma humana, cujas origens e raízes estão na eternidade, mas cujas folhas e frutos são as atividades práticas do mundo concreto.
Mas, macrocosmicamente, esta árvore simboliza o universo material como um todo, que surge periodicamente do mistério e do mundo oculto para florescer em uma vida física e espiritual infinitamente variada.
Cada ser humano, como cada árvore, é uma miniatura e um resumo do universo. Esse é um dos motivos pelos quais temos tanto a ganhar convivendo com as árvores. A experiência de comunhão com elas faz parte de uma comunhão maior com toda a natureza e liberta a alma humana de seu sofrimento. John Muir, o grande pioneiro da preservação ambiental, deu seu testemunho a respeito.
Certo dia, no final do século 19, John estava decepcionado com alguns seres humanos. Para recuperar a consciência da sua unidade interior com todas as formas de vida, ele foi nadar sozinho em um grande lago, em região desabitada.. Mais tarde, contou: "Foi o melhor batismo de água que jamais experimentei"-. Ao sair do lago, ele olhou para o norte e viu as montanhas. Observou como as curvas suaves do vale desciam até mergulhar nas águas do lago. Então decidiu: "Agora terei outro batismo. Vou mergulhar minha alma no alto céu. Avançarei entre os pinheiros, entre as ondas de vento do topo das montanhas".(-1) Para Muir, não havia templo melhor que a natureza a céu aberto.
A árvore é cantada em prosa e verso nas mais diferentes culturas, e está presente nas imagens primordiais das várias religiões. O taoísmo ensina que uma árvore sagrada, um pessegueiro, cresce na montanha K'un-lun e floresce uma vez a cada mil anos. São necessários três mil anos para que o fruto desse pessegueiro amadureça. O seu pêssego milenar é grande como um melão, mas vermelho e brilhante. Uma mordida nele é suficiente para que a pessoa prolongue sua vida até mil anos. Só os imortais, que alcançaram a sabedoria eterna, têm as credenciais necessárias para alimentar-se com o fruto do pessegueiro em flor.(2)
Era nas florestas que os sábios taoístas, budistas e hindus se refugiavam, mantendo-se afastados ao mesmo tempo da sociedade mundana e das burocracias religiosas. Também os magos druídas desenvolveram sua sabedoria nas florestas.
O humilde e silencioso crescimento de cada árvore é um símbolo cósmico da transformação do que é pequeno no que é grande, do que é potencial no que é real. No Novo Testamento, Jesus afirma que o Reino dos Céus é "semelhante a um grão de mostarda que um homem tomou em suas mãos e lançou em sua horta; ele cresce, torna-se árvore, e as aves do céu se abrigam em seus ramos" (Lucas, 13: 18).
Mas a popularidade universal das árvores não impediu a sua constantedestruição em função de interesses materiais de curto prazo.
No mundo antigo, as novas civilizações surgiam saudáveis em regiões bem florestadas. Algum tempo depois, as populações já se multiplicavam e o consumo de madeira crescia excessivamente. As árvores eram usadas como lenha – algo indispensável para fundir metais – e também como material para construir casas e barcos.
É verdade que o mundo grego já procurava proteger suas florestas desde Aristóteles. As cidades da Grécia tinham os seus arvoredos sagrados, equivalentes aos parques nacionais de hoje. Mas, apesar das cautelas, esses bosques intocáveis foram destruídos. A decadência de Atenas, a partir de 404 a.C. está relacionada com o esgotamento das suas florestas durante as guerras.
Cada sociedade que ganhava poder e influência usava a guerra como meio de expandir-se. Então as reservas florestais eram usadas para fundir metais, para produzir armas e construir navios de combate. O desmatamento descontrolado provocava a erosão do solo, que destruía a produtividade agrícola, provocando a decadência da sociedade e finalmente a sua derrota nas guerras. Por isso, Helena Blavatsky escreveu que a decadência de uma civilização se segue à destruição das suas florestas tão inevitavelmente quanto a noite segue o dia.
O mundo romano, como a sociedade grega, devia sua força às árvores. A floresta era considerada mãe de Roma. Todo o crescimento do império romano se baseou sobre o uso das florestas e de outros recursos naturais, no seu próprio território e nos territórios de povos distantes. Mas valeu a regra geral e o caso de Roma não foi uma exceção: no seu devido tempo, a destruição das florestas e da base ecológica da vida ajudou a provocar a decadência e o fim do vasto império que dominava o mundo.(3)
Ao longo de milênios, enquanto alguns cortavam as árvores, outros as viam como seres sagrados. Com seu charme encantador, elas sempre inspiraram sentimentos religiosos. Na Inglaterra, só no século 11 a Igreja cristã, finalmente, decretou que era "pecado" construir um santuário em torno de uma árvore. Mas em 1429, o clérigo de Bungay ainda sustentava que as imagens religiosas não tinham muito valor, e que as árvores tinham mais energia e virtude, "sendo mais adequadas ao culto do que pedras ou madeira morta esculpida com a forma de um homem". Alguns dos primeiros protestantes consideravam que se podia rezar tanto nos bosques como nas igrejas.
Quando a madeira começou a escassear na Inglaterra do século 17, surgiu a prática do reflorestamento e a preservação florestal ganhou força. A admiração pelas árvores também se apoiava em certos mitos cristãos, na época considerados literalmente verdadeiros. Em 1670, por exemplo, John Smith, especialista em silvicultura, sustentava que alguns carvalhos ingleses ainda vivos haviam surgido no primeiro verão depois do Dilúvio, e que uns poucos entre eles eram, inclusive, "do momento da Criação do mundo".
Exageros à parte, os fiéis das paróquias inglesas faziam uma peregrinação anual. Durante a caminhada, paravam de quando em quando diante de um carvalho de maior porte para ler as escrituras e rezar ao pé da árvore, que consideravam sagrada. O poeta inglês Alexander Pope escreveu que uma árvore é "uma coisa mais nobre do que um príncipe em traje de coroação". As árvores eram temas de livros. Plantá-las era um esporte em toda a Europa. Essa tendência cultural compensou, em parte, a devastação causada pela revolução industrial, cuja poluição ambiental era extrema.(4)
O que dizer do Brasil? Nosso país deve seu nome a uma árvore. Depois de 500 anos de desmatamento, ainda somos donos de mais da metade da maior floresta tropical do mundo. As árvores ocupam lugar central em nossa história, nossa economia e nossa cultura. As lendas tradicionais falam de Curupira, o deus que protege as florestas brasileiras. Ele é um pequeno índio com os pés voltados para trás, e seu corpo não tem os orifícios necessários para as excreções indispensáveis à vida. Por isso, o povo do Pará o chama de muciço. No Amazonas, Curupira é visto como um pequeno índio de quatro palmos de altura, careca, mas com o corpo coberto de pelos. No rio Tapajós, ele tem apenas um olho.
O pequeno deus Curupira é dotado de uma força extraordinária. Para experimentar a resistência das árvores antes de uma tempestade, ele bate nelas com o calcanhar. Curupira tanto mostra a caça como a esconde. Sua função é proteger a mata e seus habitantes. Todo aquele que derruba ou estraga inutilmente as árvores é punido por ele com o castigo de caminhar indefinidamente pelo bosque sem poder lembrar do caminho de casa. Por isso era temido pelos indígenas.
"Curupira foi o primeiro duende selvagem que a mão branca do europeu fixou em papel e comunicou a países distantes", escreveu Luis da Câmara Cascudo. José de Anchieta já o citava em uma carta de 1560. Mas seu nome tem variações: no Maranhão, esse deus da floresta se chama Caipora. Ele tem uma presença marcante nas lendas do sul brasileiro, e ganha o nome de Curupi no Paraguai e na Argentina.(5)
Os mitos brasileiros registram o conceito de caapora (caipora no norte e nordeste) para designar genericamente qualquer um dos espíritos da natureza que aparecem nas florestas. Mas Caapora também está associado aos pequenos animais selvagens, enquanto que Anhanga é o espírito que protege os animais maiores, como a paca, a anta, a capivara e o veado. A caipora nordestina é mulher, aparece quase sempre montada em um porco-do-mato, e ressuscita os animais abatidos.
O simbolismo universal das árvores é rico e complexo – e estimula a busca da sabedoria. Cada espécie de árvore irradia uma influência e uma vibração próprias, que os seres humanos buscam descrever com palavras. O espírito do cipreste, por exemplo, representa a imortalidade. O pinheiro, a árvore escolhida para as festas de Natal, é outro símbolo da vida espiritual. A acácia representa a verdade, assim como o sicômoro simboliza a bondade.
O carvalho é a árvore de Zeus, de Júpiter, e simboliza a força divina e o eixo do mundo. A aveleira, que dá a avelã, representa a fertilidade e ainda fornece a madeira de que são feitas as varinhas mágicas. A figueira e a oliveira simbolizam a abundância. A figueira também pode representar o eixo do mundo, como o carvalho. A videira é uma árvore sagrada tanto na tradição egípcia como na antiga Israel, e alguns a associam à Árvore da Vida. A mamona – que aparece na breve história bíblica de Jonas – simboliza a imprevisibilidade do futuro e nos ensina o desapego. Ela nos faz lembrar que, apesar das aparências, a vida raramente é linear e contínua.
Os significados e as influências espirituais das árvores são inesgotáveis. Em diferentes momentos da nossa vida, cada árvore – em um parque, uma rua ou um quintal – traz a nós mensagens diferentes. Devemos estar abertos ao diálogo silencioso com estes seres benéficos. Há inúmeras vantagens nisso.
Segundo o filósofo Plotino, todas as plantas buscam a felicidade. De fato, a filosofia esotérica ensina que, assim como os animais mais evoluídos já fazem força para aproximar-se do desenvolvimento mental, as plantas, por sua vez, avançam no sentido do desenvolvimento das emoções.
Ora, as árvores estão entre os habitantes mais sábios e evoluídos de todo o reino vegetal. Há inúmeros relatos de que elas são capazes, à sua maneira, não só de receber os nossos sentimentos de amizade mas também de responder a eles. Nossa pobre inteligência humana só tem a ganhar quando percebemos a inteligência das árvores. O conteúdo das lições que elas nos trazem, porém, depende da nossa capacidade de deixar de lado as coisas pequenas, que pensamos que conhecemos, e de abrir-nos para a magia da vida.
NOTAS.
(1)The Life of John Muir, de Linnie Marsh Wolfe, The University of Wisconsin Press, Wisconsin, EUA, 364 pp., ver p. 193.
(2) Seven Taoist Masters, tradução do chinês para o inglês de Eva Wong, Ed. Shambhala, Boston e Londres, 1990, 178 pp. Ver p. 19.
(3)Para saber mais sobre a importância decisiva das florestas na história das civilizações humanas, veja a obra História das Florestas, de John Perlin. Ed. Imago, RJ, 1992, 490 pp.
(4)Sobre a importância das árvores na cultura inglesa, veja a obra O Homem e o Mundo Natural, de Keith Thomas, Cia. das Letras, SP, 1988, 454 pp., especialmente as pp. 253-266.
(5)Geografia dos Mitos Brasileiros, Luis da Câmara Cascudo, Ed. Itatiaia (USP), SP, 1983, 345 pp., ver pp. 84-86.
Artigo de Carlos Cardoso Aveline
quinta-feira, 8 de maio de 2008
A Árvore Curiosa
O livrinho narra o relacionamento de um menino e uma árvore, ou seja, o que há de melhor na vida: criança, árvore, livro...
Além da história em si, a criança aprende sobre reciclagem e valorização da natureza.
O filhote gostou tanto que pediu para eu contar duas vezes. Quando criança pede para repetir, é porque gostou!
O livro foi publicado ano passado pela editora Girafinha, braço infantil da Editora Girafa.