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20 dezembro, 2014


Porque tudo é drama,
ando lentamente por esta alameda,
adiando com meu passo
os compromissos e o carma,
nem disfarço o espanto,
todos entendem algo
que desconheço, cochichando
em voz alta sobre a minha ignorância, 
a enciclopédia britânica
em volumes de pânico, 
e toda a história, narrativas
desconcertantes da memória
em arvoredo. Entreabro
com as duas mãos
o que não se revela, e é fruta,
enquanto há fome, da fome
esqueço.

Kátia Borges

06 outubro, 2014


Kapalabhati

O poema perfeito respira no erro
que o socorre em kapalabhati.
O poema perfeito se esconde
enquanto respira
no erro que o socorre
em onze expirações contínuas.

O poema perfeito escorre,
em sukhasana, ujjayi-pranayama. 
(bhastrikas como se rimas,
estrofes como se ramas,
dharmas como se dramas)

O poema perfeito brinca
entre os ossos do crânio.

Katia Borges

05 outubro, 2014


Sem medo. Como se 
reinventasse, rindo, 
a cidade, abaixo 
de si. Como se 
subisse, dois ou três
degraus e perdesse
o equilíbrio. Como se
equilibrasse instantes
e sentidos. Como se
sentisse vertigem,
e, alto, bem alto,
dois ou três degraus,
visse o universo
inteiro e risse. Como se 
reinventasse a coragem.

Kátia Borges

07 agosto, 2008

Para Haroldo


Amor

Por todo o caminho, te levo comigo,
como quem carrega o próprio coração nas mãos, pulsando.
Como quem bebe um vinho precioso,
deixando que o líquido se espalhe e molhe o rosto.
Por todo o caminho, te levo comigo,
como quem arranca um punhado de mato e põe no bolso,
só para sentir a raiz entre os dedos.
Te levo comigo, sobre os ombros,
até o alto da mais alta das montanhas.


Kátia Borges

A Chuva de Maria

A Chuva de Maria

Muadiê Maria

Muadiê Maria