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sábado, 24 de agosto de 2013

Joaquim Pessoa

Se ao menos soubesses tudo o que eu não disse
ou se ao menos me desses as mãos como quem beija
e não partisses, assim, empurrando o vento
com o coração aflito, sufocado de segredos;
se ao menos percebesses que eram nossos
todos os bancos de todos os jardins;
se ao menos guardasses nos teus gestos essa
bandeira de lirismo que ambos empunhamos
na cidade clandestina.
Quando as manhãs cheiravam a óleo e a flores
e o inverno espreitava ainda nas esquinas
como uma criança tremendo;
se ao menos tivesses levado as minhas mãos para
tocar os teus dedos para guardar o teu corpo;
se ao menos tivesses quebrado o riso frio dos espelhos
onde o teu rosto se esconde no meu rosto
e a minha boca lembra a tua despedida,
talvez que, hoje, meu amor, eu pudesse esquecer
essa cor perdida nos teus olhos.