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domingo, 17 de abril de 2016

Graça Pires

Ando pelas ruas desta incerta cidade.
Deixo que o meu olhar
se ajuste ao olhar dos outros.
Entre ruas e rostos há fragmentos de solidão
que denunciam a trágica expressão da vida.
Todos conhecem a oralidade da mudez,
a vigília da revolta, a senha do desdém,
a estranheza de golpes imolando os sonhos.
Eu, com uma fala colada na língua,
somente me consinto
a áspera caligrafia do silêncio.

terça-feira, 4 de março de 2014

Graça Pires


Só os amigos conservam no olhar o nosso nome.
Só eles nos devolvem o movimento
das mãos para que os gestos nos comovam.
Só com eles partilhamos a casa e o silêncio.
Sem urgência.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Graça Pires

De passagem,
como a véspera imprecisa
do poema,
principia em mim
a planície agreste
da solidão dos outros.
E a não ser
o silêncio poente
dos meus olhos,
tudo o resto me diz
que sou um pássaro
a voar, inconsequentemente,
no sentido das palavras.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Ao longo... (Graça Pires)

Ao longo dos anos conservei
uma inesperada tristeza reflectida
em meus olhos cor da sede.
Pedra a pedra, casa a casa,
sombra a sombra vagueio
pelas sensações e aguardo
que se repitam os sonhos
que resistiram à violência do tempo.
Podia escrever com sangue
o instante, sem amparo,
onde reclinei a cabeça
para aguardar a morte
dos desejos.


segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Intinerário do silêncio (Graça Pires)


À espera de um momento de luz
retorno, sem hesitar, ao itinerário
secreto do silêncio e cultivo a solidão
multiplicando as sombras.
Peregrina de outra luas,
resgato a música
que me restou da infância,
como um sobressalto,
ou uma canção de embalar,
ou água fresca a ferir-me a boca,
de tanta sede.


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Da tua ausência (Graça Pires)

Voltarei sempre às paisagens da tua sombra
enfeitada de madressilvas.
Gravarei o teu nome em todas as árvores,
sem marginalizar as razões da tua ausência.
Cantarei palavras sem espessura,
como moinhos de vento,
ou o frágil sabor da chuva.
Dançarei contigo na periferia da manhã
e direi onde começa e acaba
o secreto destino do silêncio.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Graça Pires

Perturbada pelo desacato das emoções,
utilizo um roteiro de artifícios para simular,
em cada madrugada, a cumplicidade dos deuses.
Mas, como silenciar as mãos que dobrama
brisa da manhã, no vórtice do tempo?
Não iludo a distância.
É devagar que olho para trás, à procura de mim.
Cada vinco do rosto, é um caminho onde
a angústia se deteve.