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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Florbela Espanca

Eu não sou como muita gente:
entusiasmada até à loucura no princípio
das afeições e depois,
passado um mês, completamente desinteressada delas.
Eu sou ao contrário:
o tempo passa e a afeição vai crescendo,
morrendo apenas quando
a ingratidão e a maldade a fizerem morrer."

domingo, 1 de abril de 2012

Florbela Espanca

“Quem me dera encontrar o verso puro,
O verso altivo e forte, estranho e duro,
Que dissesse a chorar isto que sinto!”

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Florbela Espanca

"Há uma primavera em cada vida: é preciso
cantá-la assim florida, pois se Deus nos deu
voz, foi para cantar! E se um dia hei-de ser
pó,cinza e nada que seja a minha noite uma
alvorada, que me saiba perder...
para me encontrar..."

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Amar ! (Florbela Espanca)




Amar!

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar!  Amar!  E não amar ninguém!

Recordar?  Esquecer?  Indiferente!...
Prender ou desprender?  É mal?  É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Florbela Espanca

Sou talvez a visão que alguém sonhou.
Alguém que veio ao mundo prá me ver
E que nunca na vida me encontrou.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Desejos Vãos. (Florbela Espanca)

Eu queria ser o Mar de altivo porte
Que ri e canta a vastidão imensa!
Eu queria ser a pedra que não pensa,
A pedra do caminho rude e forte!

Eu queria ser o Sol, a luz imensa,
O bom do que é humilde e não tem sorte!
Eu queria ser a árvore tosca e densa
Que ri do mundo vão e até da morte!

Mas o Mar também chora de tristeza…
As árvores também, como quem reza,
Abrem, aos Céus, os braços, como um crente!

E o Sol altivo e forte, ao fim de um dia,
Tem lágrimas de sangue na agonia!
E as pedras… essas… pisa-as toda a gente! …


segunda-feira, 31 de maio de 2010

Inconstância (Florbela Espanca)

Procurei o amor, que me mentiu. Pedi à Vida mais do que ela dava; Eterna sonhadora edificava Meu castelo de luz que me caiu!
Tanto clarão nas trevas refulgiu, E tanto beijo a boca me queimava! E era o sol que os longes deslumbrava Igual a tanto sol que me fugiu!
Passei a vida a amar e a esquecer... Atrás do sol dum dia outro a aquecer As brumas dos atalhos por onde ando...
E este amor que assim me vai fugindo É igual a outro amor que vai surgindo, Que há-de partir também... nem eu sei quando...

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Lágrimas Ocultas (Florbela Espanca)

Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...
E a minha triste boca dolorida,
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!
E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...
E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Eu (Florbela Espanca)

Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada… a dolorida…
Sombra de névoa ténue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!…
Sou aquela que passa e ninguém vê…
Sou a que chamam triste sem o ser…
Sou a que chora sem saber porquê…
Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver
E que nunca na vida me encontrou!

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Florbela Espanca

Beija-me as mãos, amor, devagarinho...
Como se os dois nascessemos irmãos.
Aves cantando, ao sol, no mesmo ninho...
Beija-mas bem!...
Que fantasia louca!
Guardar assim, fechados, nestas mãos,
Os beijos que sonhei pra minha boca!...

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Florbela Espanca (Ao meu amor que já se foi)

Se tu viesses ver-me...
Se tu viesses ver-me hoje à tardinha, A essa hora dos mágicos cansaços, Quando a noite de manso se avizinha, E me prendesses toda nos teus braços...
Quando me lembra: esse sabor que tinha A tua boca... o eco dos teus passos... O teu riso de fonte... os teus abraços... Os teus beijos... a tua mão na minha...
Se tu viesses quando, linda e louca, Traça as linhas dulcíssimas dum beijo E é de seda vermelha e canta e ri
E é como um cravo ao sol a minha boca... Quando os olhos se me cerram de desejo... E os meus braços se estendem para ti...

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Florbela Espanca

Saudades! Sim...talvez...e porque não?...
Se o nosso sonho foi tão alto e forte
Que bem pensara vê-lo até à morte
Deslumbrar-me de luz o coração!
Esquecer! Para quê?...Ah!como é vão!
Que tudo isso, Amor, nos não importe.
Se ele deixou beleza que conforte
Deve-nos ser sagrado como o pão!
Quantas vezes, Amor, já te esqueci,
Para mais doidamente me lembrar,
Mais doidamente me lembrar de ti!
E quem dera que fosse sempre assim:
Quanto menos quisesse recordar
Mais a saudade andasse presa a mim!