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quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Quantas Vezes... (Casimiro de Brito)

Quantas vezes caminhei pela praia
à espera que viesses. 

Luas inteiras, praias de cinza invadidas
pelo vento.

Quantas estações quantas noites
indormidas e
mbranqueceram-me os cabelos. 

E só hoje quando exausto me deitei
em mim reparei que sempre estiveste a meu lado. 
Na cal frágil dos meus ossos, nas hastes 
do mar infiltradas no sangue.
Na película dos meus olhos quase cegos.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Quem amou ainda ama.(Casimiro de Brito)

Quem amou ainda ama,
vai ouvir a vida inteira a canção furtiva.
vai ouvi-la e cantá-la
ao acaso dos ventos que trazem
do Ocidente e do Oriente
árvores e respirações animais
que supuram a febre do mundo - quem amou
ainda ama, vai cantar a vida inteira
o ninho de mulheres
onde se reúnem
a terra e o céu, vai aceitar
o domínio das águas sedentas
sobre o osso e a pedra: o grande ofício
é transformar a terra em osso
e o osso em carne desamparada.
Quem amou não sabe nada,
vai cair a vida inteira.
Mas que força é essa, se não é
um saber? Um saber de bocas invisíveis
e do enigma das águas que são álcool
da carne e pássaro que regressa
ao ninho da mãe. Quem amou
vai amar a vida inteira.