Foi hoje.
Desde que a Rita foi internada que nunca deixei sair nada cá de dentro. Durante o internamento chorei duas vezes, de medo e de raiva, porque sentia que não me estavam a dizer a tudo. E, mesmo assim, só duas ou três semanas depois da alta é que ouvi a palavra "septicemia" da boca de uma das médicas. Pelos vistos, foi mesmo uma questão de horas.
Sempre que me falavam no assunto "pneumonia da Rita" as lágrimas vinham-me aos olhos e eu engolia-as. Acontece que esta semana, depois da conjuntivite, vieram as ranhocas e depois os sapinhos. E de cada vez que se chega o ranho ao nariz da minha menina eu começo a sofrer por antecipação - um erro crasso, eu sei - e fico obcecada em eliminar qualquer impureza que lhe possa descer pelas vias respiratórias e ir parar aos pulmões.
E hoje, como se não bastasse, chegou também a diarreia. E ela está molinha e só quer dormir. E já tem o rabiosque assado com tanta cagada. Chora e geme muito, mas não tem febre, felizmente. E eu fico aflita e desnorteada. Sem saber o que fazer. Por um lado, apetece-me pegar nela e ir a correr para o hospital. Pelo outro, acho que estou a ser paranóica e que, afinal, ela nem febre tem...
E já chorei. Estou farta de chorar. Porque tenho medo e porque me sinto impotente. Quem me dera ter sempre a certeza e o controlo de tudo. Quem me dera - só às vezes - não viver com o coração nas mãos. Mas é isso que os filhos (também) nos fazem, tiram-nos o coração do peito e passamos a viver com ele nas mãos (deles).