Mostrar mensagens com a etiqueta Não-Ficção. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Não-Ficção. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

Edifícios Abandonados em Portugal - Ricardo Raimundo [Opinião]

Título: Edifícios Abandonados em Portugal
As histórias fascinantes por detrás dos nossos castelos, palácios e ruínas
Autor: Ricardo Raimundo
Editor: Manuscrito Editora 
Ano: 2022
N.º de Páginas: 264

Em Coina, existe um palácio abandonado com uma torre sumptuosa. A sua história é mais impressionante do que a estranha construção: erigida por um homem que fez fortuna a recolher lixo, nunca chegou a ser habitada. Supersticioso que era, Manuel Martins Gomes Júnior acreditou nas palavras da mulher: «Quem constrói uma casa, morre no seu interior».

Em Portugal, não faltam exemplos de notáveis locais abandonados que suscitam curiosidade em quem por eles passa (ou deles ouve falar). Castelos, palácios, casas senhoriais, hotéis, sanatórios e até parques aquáticos, todos eles foram projetos megalómanos, mas acabaram em ruínas. Porquê? O que aconteceu? E porque foram construídos? Qual foi, afinal, a sua história?

Num livro que resulta de uma minuciosa e exaustiva investigação, o historiador Ricardo Raimundo leva-nos numa viagem entre os séculos XVIII e XX, com o objetivo de nos contar as histórias por detrás dos mais emblemáticos edifícios abandonados em Portugal.

Jogos de poder, tragédias inigualáveis, projetos demasiado ambiciosos, refúgios para os que só queriam viver mais um dia. É este o outro lado da História, a descoberto pelo nosso património em ruínas.


🏚️Abandonados, pela sua história, pelas pessoas que passaram por lá, é óbvio que não podia deixar de ler o livro de Ricardo Raimundo Edifícios Abandonados em Portugal.

🏚️Já conheço o autor de livros anteriores e sabia bem com o que contar. O autor escreve muito bem, de forma detalhada e documentada, pelo que só poderia resultar num excelente livro.

🏚️Pelas páginas deste livro consegui visitar o Hotel Monte Palace nos Açores, as célebres piscinas e pistas do Ondaparque, a lindíssima Casa do Relógio na Foz do Porto, o Palácio da Quinta das Águias, o Solar dos Pimenteis, passando pelo Pavilhão Carlos Lopes e os Pavilhões do Parque D.Carlos I. Mas ainda há mais. A maior parte já conhecia, mas da sua história sabia pouco.

🏚️Este é um livro tão bom para os amantes do género que se fica com a vontade de querer ler mais sobre outros tantos edifícios portugueses que estão ao abandono e cujas histórias devem ser também interessantes.








sexta-feira, 2 de dezembro de 2022

A Bienal da Tia Matilde - António Botto Quintans [Opinião]

 

Título: A Bienal da Tia Matilde
História de Portugal à La Carte II
Autor: António Botto Quintans
Editor: Editora Guerra & Paz
Ano: 2022
N.º de Páginas: 200

E se os reis de Portugal, os presidentes da Primeira República e figuras mediáticas da actualidade interagissem entre si? A partir de 5 de Outubro de 1910, resolvem encontrar-se, de dois em dois anos, no restaurante Tia Matilde, em Lisboa, para comemorar a independência de Portugal face a Leão e Castela (Tratado de Zamora, 5 de Outubro de 1143).
Ao mesmo tempo que comentam o período político e social que se viveu de 1910 a 1933, no exterior, Inês de Sousa Real vende mirtilos; Florêncio de Almeida, obras de arte; André Ventura, farturas; e Otelo Saraiva de Carvalho, tirinhos.
Enquanto Toy chora copiosamente a traição da sua amada com D. Sebastião, D. Sancho I assume que a Pippi das Meias Altas é sua filha. D. Fernando I aparece ao lado de Eduardo Cabrita, o motorista de José Sócrates envolve-se com a condessa de Bolonha e o cardeal D. Henrique suspira por Lili Caneças.


Este livro veio ter-me às mãos no trabalho. Achei piada ao título e à capa e não resisti a começar a lê-lo.

🤴A história centra-se no Restaurante Tia Matilde, um local que existe na realidade, e onde os reis de Portugal se vão juntando todos os anos no dia 5 de outubro. O primeiro encontro dá-se em 1910, mas com o intuito de comemorar o 5 de outubro de 1143 para comemorar a independência de Portugal.

👸 A partir daí, de dois em dois anos, encontram-se no restaurante emblemático da cidade de Lisboa e reúnem-se com outros chefes de estado e figuras conhecidas da sociedade e cultura portuguesas.
De 1910 a 1933 tratam da primeira república, mas com personalidades contemporâneas como André Ventura, Otelo Saraiva de Carvalho, passando por Toy ou Lili Caneças.

👑 De uma forma divertida e caricatural António Botto Quintans vai contando vários episódios da História de Portugal. Apesar de com doses humorísticas q.b. o rigor histórico não é quebrado. Isso torna este livro ainda mais interessante e rico. Para quem não gosta de ler muito sobre história esta é uma boa forma de ler História sem que esta seja maçadora.

🤴 Pelo correr do livro constatei que o autor tinha um livro anterior, muitas vezes referido neste livro, História de Portugal à La Carte I que fiquei com muita curiosidade de ler.





segunda-feira, 7 de novembro de 2022

Psicopatas Portugueses - Livro Segundo - Joana Amaral Dias [Opinião]

 

Título: Psicopatas Portugueses - Livro Segundo
+13 Casos de Morte, Perversão e Horror
Autor: Joana Amaral Dias
Editor: Oficina do Livro
N.º de Páginas: 256

Psicopatas Portugueses é o primeiro e único trabalho clínico no nosso país que reúne os principais protagonistas da criminologia portuguesa. Neste segundo volume, que aprofunda mais treze casos arrepiantes - como o da praia do Osso da Baleia, o massacre de Vila Fria, o assassinato de Carlos Castro ou, mais recentemente, crimes cometidos por jovens mulheres como a matricida Diana Fialho, a sinistra dupla Maria Malveiro e Mariana Fonseca ou as irmãs que mataram um recém-nascido à facada -, a psicóloga clínica e criminóloga Joana Amaral Dias prossegue a sua viagem- desconcertante ao abismo escuro das mentes dos homicidas mais perversos de Portugal, fazendo a análise psicológica forense dos assassinos e reconstituindo com minúcia os actos hediondos que protagonizaram.

Apesar da clara incidência na actualidade, Psicopatas Portugueses: LIVRO SEGUNDO faz-nos também recuar até ao século XIX, ao encontro dos impulsos assassinos do último condenado à morte pelos nossos tribunais e, ainda, do tenebroso Dr. Urbino de Freitas, um médico do Porto que matava em vez de salvar vidas


Tal como no seu primeiro livro sobre a temática, Joana Amaral Dias traz-nos mais 13 casos de psicopatas portugueses que nos mostram que actos hediondos não se passam apenas nos Estados Unidos, Brasil, Rússia ou China. Aliás, como a autora afirma a certa altura do livro, uma em cada dez pessoas é psicopata, o que nos leva a pensar que nos podemos cruzar com um deles diariamente.

👉 Se no primeiro livro Joana Amaral Dias fez um trabalho clínico de Luísa de Jesus, talvez a primeira serial killer portuguesa que matou mais de 30 bebés tornando-se na última condenada à morte em Portugal; no Monstro de Beja que assassinou a sua família, inclusive filha e neta; o estripador de Lisboa de que pouco se sabe, neste seu mais recente livro a autora retrata novos casos mediáticos.

👉 O caso da praia do Osso da Baleia, eternizado pelo romance de José Cardoso Pires, até ao mais mediático como o assassinato brutal do assassinato do cronista social Carlos Castro, até aos mais recentes como o de Diana Fialho (matou a mãe adoptiva) e as amigas Maria Malveiro e Mariana Fonseca (assassinaram um amigo em troco de dinheiro), foram casos chocantes que abalaram a comunidade portuguesa.

👉 Contudo, o crime que mais me tocou foi o do assassinato da freira Tona, porque era conhecida da livraria onde trabalho.
De forma sucinta, mas sem deixar de avaliar o criminoso psicologicamente, Joana Amaral Dias apresenta-nos cada um dos criminosos detalhadamente, desde a altura em que cometeram os actos vis até à motivação.

❤️ Gosto deste tipo de narrativas que nos dão a conhecer mais cientificamente cada um destes psicopatas.







domingo, 4 de julho de 2021

O Vício dos Livros - Afonso Cruz [Opinião]

 

Título: O Vício dos Livros
Autor: Afonso Cruz
Editor: Companhia das Letras
N.º de Páginas: 128

Sinopse: 
Na biblioteca do faraó Ramsés II estava escrito por cima da porta de entrada: «Casa para terapia da alma». É o mais antigo mote bibliotecário. De facto, os livros completam-nos e oferecem-nos múltiplas vidas. São seres pacientes e generosos. Imóveis nas suas prateleiras, com uma espantosa resignação, podem esperar décadas ou séculos por um leitor.

Somos histórias, e os livros são uma das nossas vozes possíveis (um leitor é, mal abre um livro, um autor: ler é uma maneira de nos escrevermos).

Nesta deliciosa colheita de relatos históricos e curiosidades literárias, de reflexões e memórias pessoais, Afonso Cruz dialoga com várias obras, outros tantos escritores e todos os leitores.

Este é, evidentemente, um livro para quem tem o vício dos livros.

A minha opinião: 
O Vício dos Livros é um livro para degustar. Através de algumas passagens históricas e algumas curiosidades literárias Afonso Cruz deleita o leitor com a sua escrita soberba. Este é um livro para quem tem o vício dos livros, mas também para aqueles que estão a iniciar o gosto pela leitura. Até porque há sempre tempo para ler um livro.





sábado, 6 de março de 2021

Dez Mulheres que Amaram Demais - Helena Sacadura Cabral [Opinião]

Título: Dez Mulheres que Amaram Demais
Autor: Helena Sacadura Cabral
Editor: Clube do Autor
N.º de Páginas: 304

Sinopse: 
O que têm em comum mulheres como Maria Callas Marie Curie, Coco Chanel, Wallis Simpson, Marguerite Yourcenar e Jackie Onassis?
Todas marcaram o século XX, desafiaram convenções, alcançaram o poder e amaram sem limites.

Dez Mulheres Que Amaram Demais é um livro sobre histórias de vida fascinantes que revelam a sabedoria, a determinação e a resiliência feminina de dez mulheres inesquecíveis.

A minha opinião: 
O amor é o mote do livro de Helena Sacadura Cabral. 
Amor pelo país, por um homem, pelo sucesso, por uma crença, pela arte seja ela literatura, música, cinema, ciência.

A autora reune dez pequenas biografias sobre mulheres que fazem parte da nossa história. Mulheres fortes, que sempre se destacaram das mais variadas formas. E que fizeram tudo por amor. Mas contrariamente ao que pensei inicialmente, Helena Sacadura Cabral não se debruçou apenas na parte amorosa destas mulheres, nas relações entre homens ou mulheres, ou ambos. A autora destacou o amor destas por diversas áreas e que fizeram com que as mesmas ganhassem mais destaque. 

Coco Chanel é disso um grande examplo tendo dedicado a sua vida à moda e à mudança de costumes na época. Marie Curie que dedicou parte da sua existência à ciência deixando muitas vezes para trás os filhos. Só não deixou o marido porque este partilhava a mesma paixão. 

Apesar de conhecer a história de todas estas dez mulheres gostei de a ver compilada neste livro. Desfrutei de umas boas horas de boa leitura e gostei da forma como autora abordou o tema do amor. De facto, o amor posse incidir sobre vários aspectos.




sexta-feira, 13 de março de 2020

O Rapaz de Auschwitz - Steve Ross [Opinião]

Título: O Rapaz de Auschwitz
Autor: Steve Ross
Editor: Clube do Autor
N.º de Páginas: 248

Sinopse: 
Um testemunho da capacidade de superação do ser humano.

Esfomeado, espancado e molestado assim foi a vida de Steve Ross nos anos que passou nos campos de morte de Hitler. Ross nunca perdeu a esperança, mesmo quando foi deixado inconsciente numa pilha de corpos para incinerar.

Sobreviveu a 10 campos de concentração e esta obra é o seu testemunho de dor e de crueldade, mas também uma demonstração da resiliência e da capacidade de superação do ser humano.

A minha opinião: 
"Onde se queimam livros, serão um dia queimadas pessoas." 

Steve passou por dez campos de concentração. Quase morreu de fome, superou os espancamentos e abusos sexuais, envenenamento e terror. Os irmãos, pais, sobrinhos, avó, vizinhos e amigos não sobreviveram. Filho de uma família de classe média, Steve começa por relatar a conhecida "Noite de Cristal"  quando mais de mil sinagogas foram completamente destruídas apenas em Berlim.

"No decorrer dos últimos meses, tornara-me inerte, indiferente, começara a sentir que não me importava se as pessoas morriam, se passavam fome, se eram torturadas, se havia quem estivesse pior do que eu. A sobrevivência era a única coisa que restava, e vencido pelas inquietudes, pela crueldade e pela desumanidade, perdera a empatia, a sensibilidade, perdera-me."

O Rapaz de Auschwitz não é uma obra ficcional. É relatada por um sobrevivente do Holocausto de seu nome Szmulek. Aos oito anos a vida deste pequeno judeu mudou para sempre. Foi levado para um campo de concentração e aí perdeu contacto com a sua família, que acabaria por morrer às mãos dos nazis. Depois desse campo de extermínio passaria ainda por mais nove campos e conseguiu sobreviver. Ao longo de cerca de 250 páginas vamos acompanhando a vida cruel de Szmulek que mais tarde de transformaria em Steve, mas também a vida de uma pessoa batalhadora que partiria para os Estados Unidos da América e que se tornaria num grande apoio para crianças e jovens de bairros problemáticos a não desistirem de estudar de forma a terem uma vida completamente diferente dos seus pais.

Este é sobretudo um livro de superação. Steve Ross não dispensa os relatos chocantes pelos quais passou na sua longa vida, mas também dá um grande exemplo. Um exemplo de superação, e que o tornaria numa pessoa influente em Boston, tendo erguido um memorial do Holocausto, o New England Holocaust Memorial que viria a ser vandalizado em 2017.

O Rapaz de Auschwitz é um livro duro, relatando de forma crua a infância e juventude de Steve que passou fome, muita fome, violações por parte dos guardas dos campos, e falta de afecto. E mesmo assim conseguiu dar a volta à sua vida depois de ter saído do campo.
Gostei imenso de descobrir a história de vida de Steve que, a par de estar muito bem relatado, o livro vem ainda acompanhado de fotografias do autor.









quinta-feira, 8 de agosto de 2019

O Livro dos Gatos - Cláudia Cabaço [Opinião]

Título: O Livro dos Gatos
Autor: Cláudia Cabaço
Editor: Editora Guerra & Paz
N.º de Páginas:132

Sinopse: 
Neste livro, descobrimos histórias incríveis e apaixonantes de gatos que conseguiram marcar não só a vida dos seus donos mas também toda uma comunidade, nas mais diversas partes do mundo.

Conheça os gatos favoritos de Ernest Hemingway, Mark Twain ou Abraham Lincoln.

Descubra a primeira gata astronauta, um gato que assinou um artigo científico e até outro que pressentia a morte.

Há gatos que se tornaram conhecidos pelo incrível charme que esbanjaram por avenidas, autocarros, bibliotecas, teatros ou até pubs escoceses, arrebatando corações à sua passagem.

A minha opinião: 
Hoje, Dia Mundial do Gato, não podia deixar de recomendar O Livro dos Gatos da Cláudia Cabaço. Um livro que fala de gatos famosos como o gato da biblioteca Dewey, mas também os gatos dos famosos como Hemingway ou Abraham Lincoln.

De facto, é sabido que há muitos artistas que têm como companhia o gato, um animal mais independente, mas com bastante importância nas suas vidas.

Este livro é uma pequena enciclopédia, composto por várias histórias de gatos famosos, que apesar de algumas bastante conhecidas, acabam por apaixonar todos os amantes destes felinos.

Das muitas histórias fantásticas, a que mais me atraiu, talvez porque a desconhecia completamente, foi a do gato que trabalhava numa clínica para pessoas em estado terminal ou com doenças degenerativas. Óscar é um gato tão especial que quando sentia que o paciente estava a poucas horas de vida, queria estar presente e mesmo ao lado do doente. Quase como que uma espécie de vidente, quando Óscar se acercava do doente, toda a comunidade médica já sabia que aquele paciente estava prestes a morrer.

A minha infância e adolescência sempre foram povoadas e tiveram a companhia de cães, mas desde que tive o primeiro gato, que acabou por ficar com os meus pais quando saí de casa, que me apaixonei por estes felinos que, apesar de independentes, se mostram fiéis e amigos do seu companheiro humano.

A Betinha está sempre presente nos bons momentos da minha vida familiar e é mesmo um membro muito importante cá de casa.

A quem tem gatos ou que gosta dos mesmos leiam este livro. Vão gostar imenso.



terça-feira, 9 de julho de 2019

Psicopatas Portugueses - Joana Amaral Dias [Opinião]

Título: Psicopatas Portugueses
Autor: Joana Amaral Dias
N.º de Páginas: 336

Sinopse:
«O primeiro trabalho clínico que reúne os protagonistas da criminologia portuguesa, uma viagem ao recôndito das suas mentes perversas, uma descida às suas doentes e pérfidas motivações. Psicopatas Portugueses é também um trabalho de Psicologia Forense e procura revelar o quanto o assassínio é complexo, um fenómeno intrincado que ocorre no contexto de uma imensa multiplicidade de factores pessoais e culturais.»

Os casos: Luísa de Jesus (última condenada à morte em Portugal), Francisco Esperança (Monstro de Beja), o estripador de Lisboa, Francisco Leitão (Rei Ghob), etc.

A minha opinião: 
Se pensamos que Portugal é o país dos brandos costumes, também nos vem logo à cabeça que somos de esquecimento fácil. Perante este grupo de 13 assassinos e sádicos portugueses, bem explanados por Joana Amaral Dias, depressa percebemos que também tivemos alguns serial killers bem aterradores e sem qualquer remorso.

Já tinha lido sobre Luísa de Jesus, a última mulher condenada à morta em Portugal, no livro Mulheres Fora da Lei de Anabela Natário, assim como a matricida Maria José, que viria a ser protagonista de um dos livros de Camilo. 

O facto de ser psicóloga faz com que a autora faça uma análise detalhada dos crimes, mas também os analise sob o ponto de vista mental, o que torna  livro ainda mais rico.
A somar a isso, a autora faz ainda uma breve nota introdutória onde explica os seis tipos de psicopatas existentes. 

Joana Amaral Dias alerta para alguns sinais. Muitas vezes o assassino é uma pessoa "normal", que ninguém desconfia até porque leva uma vida exemplar. Exemplo disso é os dois militares que, de formas completamente diferentes, se tornam serial killers como é o caso do Cabo António e do Cabo Costa, também conhecido como o serial killer de Santa Comba Dão. 

De todos os casos, o de Luísa de Jesus continua a ser o que me choca mais. Primeiro por ser mulher, e depois por ter matado mais de três dezenas de bebés em troco de algum dinheiro que a Santa Casa da Misericórdia pagava a quem quisesse adoptar os bebés que ninguém queria. 


Este não é um livro para estômagos sensíveis, nem para menores de 18 anos. Avaliando a temática e os pormenores macabros das diversas mortes que estes assassinos perpetraram faz com que seja um livro forte e brutal. 
No fim do livro fica ainda uma reflexão: 
Saldo final: 1 em cada 3 portugueses tem uma arma em casa. 
Recomendo a sua leitura. 




 




 

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

O que aprendi com Bob - James Bowen [Opinião]

Título: O que aprendi com Bob
Autor: James Bowen
Editor: Porto Editora
Páginas: 160

Sinopse:
James encontrou o gato Bob em 2007 e desde então são inseparáveis.
Neste livro o autor partilha histórias que viveu com o seu companheiro Bob e em que este lhe ensinou verdadeiras lições de vida sobre o valor da amizade, o poder da calma e a importância de saber apreciar as coisas simples das vida.

Na compra deste livro está a contribuir com 0.50€ para a Animais de Rua, associação que ajuda muitos milhares de animais, tratando-os e alimentando-os.
Ajude-nos a ajudar. A Animais de Rua agradece. O James Bowen e o Bob ficam muito felizes.

A minha opinião: 
Pode um gato transformar a vida de um ser humano? James Bowen prova que sim. Então um toxicodependente, a pedir nas ruas, James conheceu o Bob, um gato vadio, que mudou completamente a sua vida desde que passou a acompanhá-lo.

Era seguidora do e Bob e James nas redes sociais mas nunca tinha lido nenhum dos seus livros. A história destes dois seres é interessante, e revela uma excelente cumplicidade entre ambos. Prova disso é este último livro, a roçar auto-ajuda que já não me agradou tanto, que nos revela alguns ensinamentos importantes para o nosso dia-a-dia.

No entanto, o que sobressai neste livro é a pura amizade entre os dois. Uma amizade que é tão bem compreendida para quem tem animais e que os estima muito.

E para quem gosta de marcadores de livros este traz um que passou a ser um dos meus preferidos. É maravilhoso.




quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Cem Mitos Sem Lógica - Sara Sá e Pedro Ferreira [Opinião]

Título: Cem Mitos Sem Lógica
Autor: Sara Sá e Pedro Ferreira
Editor: Desassossego
Páginas: 240

Sinopse:
Se julga que tem todas as certezas do mundo em relação ao que o rodeia, pense duas vezes…

- O Chocolate faz borbulhas;
- As Avestruzes escondem a cabeça na areia;
- Não se deve acordar um sonâmbulo.

Também acredita nestes mitos?
Pois é, a informação que nos rodeia é tanta que nem conseguimos parar para separar aquilo que é mito daquilo que é verdade científica.
Em Cem Mitos Sem Lógica, a jornalista de ciência Sara Sá e o neurocientista Pedro Ferreira mostram como a ciência e a história nem sempre confirmam o senso comum.

Afinal, o Universo e a nossa cultura são muito mais interessantes e ricos do que parece à primeira vista.
Venha surpreender-se!

A minha opinião: 
Há coisas que temos preconcebidas daquilo que nos rodeia. Uma delas é que o sol é amarelo. Ao ler Cem Mitos sem Lógica descobri que o sol é branco. Sim, desculpem, mas não sabia desta particularidade. 

Se há coisas que já sabemos e que não se revelam verdadeiras surpresa, outras há que me surpreenderam. Vou colocar aqui algumas curiosidades que achei mais interessantes, embora a maior parte já soubesse.

Se é daqueles que pensa que o objeto presente em nossa casa que tem mais germes é a sanita desengane-se. A tábua onde cortamos os legumes ou a esponja da loiça tem muito mais bactérias que a sanita. 

Cristo nasceu a 25 de março e não em Dezembro e os reis magos podiam não ser apenas 3. Certo é que as oferendas eram 3, mas em lado algum diz que eram apenas três os reis magos. 

Fernão de Magalhães não foi o primeiro a circunavegar o globo. Primeiro porque quando Cristóvão Colombo chegou às Américas o reclamou para si, depois porque quando passavam as Filipinas e para que a tripulação curasse o escorbuto, Fernão de Magalhães acabaria por ser morto, tendo completado a travessia Juan Sebastian de Elcano. 

O touro não se enfurece com o vermelho. Aliás, o touro não distingue a cor vermelha de outros tons como o azul e verde. O que enfurece o touro são os movimentos do toureiro. Até ao séc. XVIII as cores das capas de tourear eram brancas e só mudaram para vermelho, talvez, para serem confundidas com o sangue do touro. 

Se tiver frio não beba álcool nem bebidas quentes. Beba sim uma bebida fria porque contrai o vasos sanguíneos, preservando o calor corporal. 

Cem Mitos sem Lógica tornou-se numa agradável leitura e acaba por deitar por terra alguns mitos que temos como verdade estabelecida. 








quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Desaparecer na Escuridão - Michelle McNamara [Opinião]

Título: Desaparecer na Escuridão
Autor: Michelle McNamara
Editor: Relógio D'Água
Páginas: 336

Sinopse:
Este livro tem o enredo, suspense e intensidade de um policial. Trata-se, no entanto, de um livro de não-ficção. McNamara morreu de forma trágica a meio da investigação que procurava identificar o Golden State Killer, responsável por uma onda de violações e assassinatos na Califórnia que se prolongou por mais de dez anos. A Polícia arquivou o caso. Mas McNamara continuou a investigação pelos seus próprios meios. Desaparecer na Escuridão é o relato de anos de investigação sobre a mente de um criminoso impiedoso.

É também o retrato da obsessão de uma mulher pelo fim da impunidade de um assassino. Este livro está destinado a tornar-se um clássico da literatura policial. Os direitos de adaptação para série de televisão foram adquiridos pela HBO.

A minha opinião: 

Opiniao: 
Sou fã da série Casos Arquivados, cujos episódios vi já há alguns anos. Mas nunca imaginaria que a ficção passaria para a realidade e que um assassino e violador, cujos crimes cometera há mais de mais de 40 anos, seriam finalmente descobertos.

Michelle McNamara, a pessoa que mais tempo dedicou à investigação daquele que viria a apelidar de Golden State Killer, morreu antes deste ser descoberto. Infelizmente, o homem que a levaria, embora indirectamente, à morte, seria apanhado, pelo ADN, dois anos após a investigadora ter falecido, com problemas cardíacos. E sem qualquer reconhecimento do seu trabalho por parte da polícia. Michelle McNamara era persistente. Mas morreria sem saber quem era o assassino e sem terminar o livro que estava em mãos, este Desaparecer na Escuridão que acabaria por ser finalizado por Paul Haynes e pedido do seu marido, o comediante Patton Oswalt. 
Dezenas de violações e pelo menos 12 homicídios apenas no estado da Califórnia foram perpetrados por este assassino que teimava em não deixar rasto. Facto é que a maior parte destes crimes foram cometidos ainda na era anterior à descoberta do ADN, pelo que a investigação seria dificultada por causa disso. Os crimes ocorreram entre 1979 e 1986 e durante 39 anos o criminoso andou impávido e sereno até que no dia 5 de abril de 2018, a polícia de Sacramento finalmente anunciou a sua prisão. 

Ironia das ironias. O assassino era um ex-polícia, actualmente com 72 anos, de seu nome Joseph James DeAngelo.

Engane-se quem pense que Michelle apenas dedicou a sua vida a procurar este assassino. McNamara começou por escrever enredos para séries de televisão e trabalharia com detectives privados. Em 2006 acabaria por criar um blogue onde se dedicava a divulgar as suas descobertas enquanto investigadora de casos arquivados. Um deles, o que mais a marcou, seria a do violador e assassino ao qual a polícia chamava East Area Rapist. E é aqui que nós, enquanto leitores, sentimos a obsessão de Michelle em relação a este caso. Acabaria por descobrir vários detalhes sobre os crimes, através de entrevistas ás próprias vítimas e a analisar relatórios de autópsias. O método era sempre o mesmo: invadia a casa das vítimas, violava as mulheres à frente dos seus companheiros e, por vezes, acabava por matar o casal. 
Para tornar o caso ainda mais macabro, se é que é possível, o criminoso telefonava às vítimas anonimamente antes e depois dos ataques o que as deixava completamente assustadas. Era possuidor de um sangue frio extremo, e mostrava saber quando se encontravam sozinhas ou então uma forma de entrar em sua casa e, silenciosamente, manietava-as. Muitas das vezes fazia com que os maridos assistissem sem que conseguissem fazer nada. Sem qualquer motivo, alguns não chegavam a sobreviver. E depois desaparecia sem deixar qualquer rasto.

Tudo isto é descrito de forma soberba por Michelle que nos brinda com um livro soberbo onde a investigação é levada à exaustão.

De tal forma, que só conseguia dedicar-se ao caso de noite, quando a família já estava a dormir. Problemas de ansiedade e de sono começaram a surgir o que a levou a tornar-se dependente de Xanax e outros medicamentos. Acabaria por morrer durante o sono, devido a complicações cardíacas provocadas pelo consumo dos medicamentos. Tinha 46 anos. 
Desaparecer na Escuridão é um extenso relato de uma investigação que acabaria por dar frutos. Deliciei-me nas páginas do livro de Michelle e adorei acompanhar a investigação levada a cabo por ela.



terça-feira, 14 de agosto de 2018

Cebola Crua com Sal e Broa - Miguel Sousa Tavares [Opinião]

Título: Cebola Crua com Sal e Broa
Autor: Miguel Sousa Tavares
Editor: Clube do Autor
N.º de Páginas: 368

Sinopse:
Eterno contador de histórias, o autor dá vida aos seus primeiros anos: da infância à juventude, dos jornais à política. O testemunho de uma vida única com a História contemporânea de Portugal como fundo.

Uma quinta no Marão e a escola igual para todos. Os Verões nas praias da Granja e de Lagos. "Melville" e a pesca da lula «ao candeio». Uma casa diferente e alternativa. Marcelo e as lutas estudantis. O pai e o 25 de Abril. A PIDE e as loucuras do PREC. O trabalho no Estado. A liberdade nos jornais e o fascinante mundo da televisão. Soares, Guterres e Sócrates. As paixões pelo jornalismo e pela literatura. As promessas de vida cumpridas e as juras por cumprir...

«Pode um homem viver impunemente começando a sua infância numa aldeia do Marão, comendo cebola crua com sal todas as merendas? Daí saltar para o mundo cinzento e as manhãs submersas da vida salazarenta da Lisboa dos anos sessenta? Acordar na manhã luminosa do 25 de Abril e descobrir que, afinal, éramos todos anti-fascistas e revolucionários e, logo depois, ir ao encontro do mundo e descobrir-se a si mesmo como uma testemunha privilegiada de tempos incríveis que, não os narrando, teria sepultado para sempre na cinza dos dias inúteis? Declaro que vi. E, por isso, conto. Antes que a água tudo lave e apague.»

A minha opinião:
Apesar de referir que este livro não é uma autobiografia, Cebola Crua com Sal e Broa conta parte da história de vida de Miguel Sousa Tavares. Este é mais um livro de memórias no qual o autor conta histórias da sua infância, que nos transportam para os anos 60, e com ele caminhamos até aos dias de hoje.

Ao longo de 400 páginas, divididas por 16 capítulos, vamos conhecendo melhor o autor de Equador, mas também a vida da mãe, Sophia, e do pai, Francisco, um homem que combateu o Estado Novo com unhas e dentes e que, por causa disso, fez com que a família passasse por dias menos bons. Os pais, uma família burguesa, não tinham condições para sustentar dos cinco filhos, optando por "mandar" dois deles para viverem com outras famílias, da sua confiança.

É numa dessas alturas que Miguel se vê num comboio que o levará a Jazente, freguesia muito rural de Amarante, para lá viver com uma madrinha que mal conhece. É lá que Miguel, até ali um citadino, aprende as vivências do que é um menino de aldeia, e que prova, juntamente com muitos outros, a cebola crua com sal e broa, que muito me faz recordar a minha terra natal vizinha a Amarante. É mesmo um petisco imperdível. 

"O "menino Miguelzinho" adorava juntar-me a eles e acompanhá-los no caldo-verde e no arroz de feijão, isso mais a minha merenda de todos os dias - cebola crua com sal e broa - é escusado dizer que ficaram para sempre como dos meus pratos preferidos."

Vai com seis anos, viver com uma família que mal conhece, que nem sequer é sua família de sangue, e ali permanece quase dois anos. Mas esses dois anos transformaram-se numa experiência para vida, como conta.

"Hoje, para quem não vive esses tempos e para quem o conceito de miséria é sucessivamente alargado, é impossível ter uma ideia do que era a miséria de então, no campo: absoluta, visível, feia como uma noite de tempestade, dia a dia sofrida e impossível de ser esquecida."

Confesso que esta foi a parte que gostei mais, que me disse mais. Isto porque sou filha do Douro, e, apesar de ser de outra geração de Miguel, identifiquei-me tanto com o que ele diz.
Esse tempo da infância moldou-lhe o carácter. "Não há pão como o pão da nossa infância. O sabor daquele pao é uma coisa que fica, os cheiros da nossa infância, as cores, os primeiros natais, mais os valores que fomos aprendendo, os amigos da escola.", recorda em entrevista.

Mas o livro não retrata apenas o Marão. Aliás, esta parte soube a pouco. Depressa o autor regressa a Lisboa e a um colégio privado que detesta, e que privilegia as elites.

Passa ainda pelos tempos da revolução e da importância que teve nela o seu pai, Francisco Sousa Tavares.

Miguel Sousa Tavares é um excelente contador de histórias. Já o tinha provado com Equador e Rio das Flores, mas também com os restantes livros que foi publicando ao longo dos anos. Sou fã confessa do autor e fico sempre vidrada com as suas histórias. Esta tem a particularidade de ser a história da sua vida, plena de aventuras e que tem a particularidade de nos contar a vida com a sua mãe. Com eles viajamos para a praia da Granja, cá no norte, mas também a praia de Lagos, praia que apaixonou Sophia e que criou amizades que ainda perduram.

Esta é uma obra apaixonante que nos leva a vários pontos do país e nos contam partes da história de uma forma dura e crua, tal como eles foram.

Só posso recomendar.





terça-feira, 3 de julho de 2018

Porto Desconhecido & Insólito - Germando Silva e Lisboa Desconhecida & Insólita - Anísio Franco [Opinião]

Título: Porto Desconhecido & Insólito
Autor: Germano Silva
Editor: Porto Editora
N.º de Páginas: 176

Sinopse:
Um imperador caloteiro; um amor de fazer perder a cabeça; uma igreja envergonhada; estas são algumas das histórias desconhecidas (ou pouco conhecidas) da maioria das pessoas, que agora partilho consigo, estimado leitor, através das páginas deste meu novo livro.
Há anos comecei a pensar em como seria interessante descobrir outras histórias de um Porto que se esconde nas traseiras dos edifícios, invisível, por isso, a quem passa apressado pelas suas ruas ou sobe as suas escadinhas.
Julguei que sabia muito do Porto, das pessoas que nele habitam, das suas ruas e ruelas, esconsas e estreitas, e dos sorrisos atrás das janelas. Mas um dia comecei a olhar também para os jardins escondidos nas traseiras das casas e para o interior de certas habitações e a prestar mais atenção a certas imagens das nossas igrejas e capelas. E não imaginam as histórias e outras curiosidades que acabei por descobrir…

Título: Lisboa Desconhecida & Insólita
Autore: Anísio Franco
Editor: Porto Editora
N.º de Páginas: 176

Sinopse:
Lisboa, cidade banhada por uma luz mágica, tão clara e tão límpida. Todos conhecem esta faceta da cidade, poucos conhecem as sombras misteriosas que essa luz projeta.
As histórias que aqui vai encontrar iluminam um pouco dessas sombras que escondem episódios por vezes rocambolescos, outros de um realismo cru, outros ainda envoltos numa ironia hilariante e ainda alguns que lhe poderão causar arrepios.
Múmias conservadas em criptas, cidades sepultadas, freiras que viveram como princesas, museus esquecidos no tempo, estátuas que não ficam quietas, um enigmático castelo, serpentes que guardam o futuro rei… são apenas alguns dos episódios escolhidos ao acaso das muitas histórias misteriosas que se poderiam contar sobre Lisboa.
É uma Lisboa desconhecida e insólita aquela que o leitor irá descobrir nas páginas deste livro.

A minha opinião: 
Maravilhosamente bem escrito por amantes destas duas grandes cidades, adorei conhecer histórias praticamente desconhecidas para a maioria da população portuguesa, adorei percorrer ruelas e calçadas e histórias dos seus habitantes. 

De todas as histórias interessantes contadas por Germano Silva, escritor e jornalista que se tem dedicado a contar muitos dos segredos do Porto em variados livros, a que mais me marcou foi a de uma mulher, que depois de ter perdido o seu amor, e desgostosa com tal facto, decide pedir às pessoas que acompanhavam no funeral que a deixassem sozinha. E foi aí que lhe decidiu retirar a cabeça e lavá-la consigo. Esta campa ainda é a das mais visitadas na cidade do Porto. 

Uma das histórias que me saltou à vista no livro de Anísio Franco, conservador do Museu Nacional de Arte Antiga, é os motivos decorativos, em alto relevo, nas colunas da entrada do Mosteiro dos Jerónimos, que se encontram polidos. A história é que o peixe, o boi, o trigo, uma bolota e uma maçaroca, devido a uma espécie de talismã que dariam sorte a quem os esfregasse eram constantemente tocados pela população. 

Outra das histórias que mais me fascinou é o número de placas de pessoas ilustres que viveu numa só casa. No número 6 da Rua João Pereira da Rosa, no Bairro Alto, figuram sete placas mostrando que ali viveram ilustres portugueses entre eles o poeta José Gomes Ferreira, António Ferro. 

Mais dos que as histórias, o que mais me fascinou foi a paixão com que foram escritas. Tanto Germano Silva como Anísio Franco respiram as cidades onde habitam e pelas quais se apaixonaram. 

Recomendo. 


quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Mulheres Fora da Lei - Anabela Natário [Opinião]

Título: Mulheres Fora da Lei
Autor: Anabela Natário
Editor: Desassossego
Páginas: 304

Sinopse:
Cuidado com elas! São 23 mulheres, desde assassinas a vigaristas e gatunas. Uma desfez-se do marido, servindo-lhe um prato de arroz temperado com arsénio ao jantar. Outra, seguindo um plano mais elaborado, temperou um clister com a mesma intenção. Uma terceira ia buscar crianças para adotar e desfazia-se delas, asfixiando-as com uma tira de pano.

Menos violentas, mas não menos criminosas, são as larápias de mão leve, algumas verdadeiras figuras públicas, cujas aventuras nos dão a conhecer o Portugal de outros tempos. Mulheres Fora da Lei convida-nos a viajar pela vida das maiores criminosas dos últimos três séculos. E só o facto de já estarem todas enterradas no passado nos deixa alguma tranquilidade.

A minha opinião: 
Conheço Anabela Natário do livro O Assassino do Aqueduto, onde ela retratou, embora de forma ficcionada a história de Diogo Alves, o último condenado à morte em Portugal.  Gostei da forma como a autora abordou o tema e da sua maneira de escrever, pelo que, quando o Expresso começou a publicar, semanalmente, a história de mulheres que cometeram crimes por cá, fui acompanhando muitas delas.  

Desde que a editora Desassossego compilou estas 23 histórias, melhoradas pela autora, pensei logo que este livro não me ia escapar. Para além como eu que aprecia livros de não-ficção, biografias, sobre crimes, este comporta tudo isso. 

São 23 as criminosas retratadas, desde o ano 1700 às primeiras décadas de 1900 e algumas deles são mesmo demoníacas. Mulheres que cometeram crimes bárbaros, muitas sem qualquer tipo de arrependimento, mas analisando o contexto em que muitos dos crimes foram cometidos até consigo aceitar alguns. 
Temos de ver que muitas destas mulheres, na sua maioria pobres e vindo de família disfuncionais, sem quaisquer regras, eram violentadas pelos seus maridos. Sim, a maior parte socorria-se dos amantes para as ajudar a eliminar o marido, e é facilmente condenável se não estivermos a par do que se passava dentro de casa. Também é óbvio que, isso podia servir como atenuante nos dias de hoje (embora fossem condenadas na mesma), mas naquele tempo o facto de os maridos baterem nas mulheres era considerado normal. 

Mas não é só de morte que faz delas criminosas. Muitas delas entraram no mundo do crime por roubos, muitos deles extraordinários, tornando-as bastante conhecidas do povo. 
Mas a que mais me tocou por ter cometido um crime bárbaro só com o intuito de ganhar algum dinheiro foi Luísa de Jesus que terá matado 33 crianças. Esta mulher foi a última condenada à morte em Portugal e terá sido a única mulher serial killer que conhecemos. 

Cada capítulo é composto por uma ficha da criminosa, da data em que aconteceu o crime e a quem foi perpetrado. Está feito cronologicamente, mas pode ser lido separadamente. 
Esta é uma forma de conhecer as principais criminosas portuguesas, constatar que os crimes, apesar de na sua maioria realizado por homens, também ocorreram com mulheres. A maioria dos crimes de que estas mulheres são acusadas é o roubo, embora muitas delas tenham recorrido ao assassinato, sobretudo dos maridos como já referi em cima, e embora seja habitual (como aprendemos com Agatha Christie) as mulheres recorrerem sobretudo ao veneno para o fazerem, houve outras que foram bastante sanguinárias e não tiveram problemas nenhuns em desfazer-se do corpo, esquartejando-o. 
Depois, há o outro lado da história. A forma como a justiça atuava nas mais variadas circunstâncias, resultando, na sua maioria, no degredo. 

Ao contrário do seu primeiro livro que li, que era um romance, neste Anabela Natário quis apenas relatar os factos. Portanto, é um puro livro de não-ficção que se trata e que se lê de um acentada. De referir que algumas destas histórias tinham já servido de inspiração para diversos autores que pegaram nelas e escreveram um livro. É o caso de Camilo Castelo Branco cujo livro Maria! Não me Mates que sou tua Mãe! 

Gostei muito.












WOOK - www.wook.pt